12 de set. de 2007

O videoclipe não acabou; já a MTV...

Não sei vocês, mas estou com medo de como será o VMB deste ano. Sério, alguém viu o VMAs domingo? Eu sei que hoje é quarta de madrugada e o assunto está datado, mas eu nunca vi uma edição dessa premiação da MTV americana ser tão ruim na história.

Primeiro: eu não conhecia quase ninguém que estava concorrendo. Olha, eu juro que eu tento me manter atualizado, e vez ou outra até confiro o que está na parada do TRL. Mas dos concorrentes, grande maioria era de novatos que "cantam" hip-hop. E o som de TODOS era péssimo, do tipo que nem a Jovem Pan consegue pôr no ar.

Segundo: os shows. VMAs sempre foi sinônimo de shows do tipo "arregaça". Neste ano, não teve um decente. Não vou nem citar aqui o que foi a Britney Spears fazendo aquele dois-pra-lá-dois-pra-cá patético, porque isso já é chutar cachorro morto.

Meus caros, a estética da MTV já era. Com a crise do mercado fonográfico, a MTV perdeu o seu ponto de apoio e não sabe o que fazer para reverter isso. No Brasil isso já estava claro, mas fiquei surpreendido ao ver como a crise está escancarada até na sede americana.

Por que isso acontece? Vamos lá. A MTV trabalha com a idéia do pop, do que está nas paradas. Esse é um formato que funcionava até cinco anos atrás, quando CD ainda era algo que existia e gravadora ainda era uma palavra que se encontrava no dicionário. Hoje, com a internet, MySpace da vida e o escambau, não precisamos mais da MTV nos empurrando seus ídolos pré-fabricados. Nós escolhemos aquilo que queremos escutar e o que desejamos assistir.

Por isso que a tal música pop está num momento tão ruim. Virou um produto desgastado, que precisa ser reformulado. O que a MTV deveria ter feito é colocar ali no palco a nova geração, uma Lily Allen da vida, uma Amy Winehouse trêbada, um Arctic Monkeys ou algo do tipo. Não seriam shows performáticos, do tipo 40 dançarinos fazendo uma coreografia que foi ensaiada o ano inteiro, mas seriam apresentações honestas.

O grande exemplo de como tudo mudou foi o show do Chris Brown. O garoto fez tudo o que se espera de um show de VMAs: teatralização (ele encarnou o Charles Chaplin), dança (ele é muito ágil, mas nada que Michael Jackson não tenha feito há 20 anos – inclusive ele dançou Beat It), e a participação de um outro cantor no meio da música – Rihanna, que foi mal aproveitada e de todos os artistas do VMAs era a única que tinha um excelente single pop e com um videoclipe sensacional: Umbrella, no caso.

As músicas que Brown apresentou, em um playback que mal tentou disfarçar, eram muito ruins, nem a batida prestava. Há pouco tempo atrás o N’Sync fez um show parecido, e foi um arraso. Em um ano eles eram marionetes que desciam do teto do palco, em outro chamaram o Michael Jackson para encerrar a apresentação. Hoje, esse tipo de performance não tem mais graça. Assim como não tem mais graça ver a Britney Spears manquitolando para tentar ser a mesma garota do ano 2000, que fez um strip ao som de Satisfaction.

Britney Spears é uma metáfora perfeita para a MTV de hoje (não resisti).

A coisa foi tão sofrível que nem Justin Timberlake, que já fez o favor de salvar os últimos sete VMAs, foi bem. Pelo menos ela deu uma dentro, ao pedir para a MTV passar mais videoclipes e parar com essas baboseiras juvenis. Aliás, aqui entra a principal questão da MTV estar em crise: por que ela não passa os videoclipes que vemos no YouTube e não aqueles que ela recebe via gravadora e insiste em pôr no Overdrive? Por que em vez de um Fall Out Boy, não toca um Klaxons ou, chutando o balde, um Cansei de Ser Sexy? Tudo bem que nenhum deles é americano, mas sei lá!

Olha, se o VMAs foi uma droga, temo pelo o que vai ser esse VMB, que está tentando dar uma de moderno neste ano, criando até uma categoria para o “hit da web”?

Veremos no que isso vai dar...

4 de set. de 2007

Vida e obra de Katylene Beezmarcky



Em uma época em que blogueiro só pensa em descobrir uma forma de ganhar dinheiro sem sair de casa, achar um blog viciante e com uma proposta ousada é cada vez mais raro. Quando eu comecei a conhecer os blogs, lá por volta de 2003, eu pude conhecer aquilo que considero a nata da blogosfera nacional. Hoje a maioria dessa geração já desencanou de ser blogueiro. Um ou outro ainda se tenta manter o pé, mas aquilo lá foi um tempo bom que não volta nunca mais.

Quando eu descobri Katylene Beezmarcky, do agora falecido Papel Pobre, ter um blog novamente fez sentido para mim. De um humor genial, que consistia em escrachar celebridades brasileiras e gringas, Katy conquistou um público fiel na internet (cerca de 100 mil acessos diários), muito além da high society GLS, que era seu público inicial.

Pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que Katylene foi o melhor blog que surgiu nos últimos anos. E, potencialmente, com toda a condição de estourar e estar ali ao lado de um Kibe Loco. Para se ter uma idéia do sucesso, não são raros os casos de leitores que ficavam apertando F5 o dia inteiro na página (já 10 posts em poucas horas).

Pena que a fama gerou inveja, descobriram quem era Katy (s, pois eram duas pessoas, um rapaz e uma menina), e o blog acabou prematuramente. As gírias e o jeito peculiar de escrever desse travesti de Xerém (RJ) vão deixar saudades. Não sei mais o que serei do meu cotidiano sem as seções "umidificação do dia" e "momento ego" ou de ler pérolas como "rehab is the new black".

Especula-se que as Katys foram contratas pelo pessoal do Pânico; que Daniel, um dos autores, mora em Brasília e é filho de um importante chanceler, mas isso não importa. Não se pode acabar com um blog genial, ainda mais em um momento que blogueiro no Brasil está virando sinônimo de merchandising gratuito.

Volta, Katy, por favor!!

OBS: Está rolando um tremendo movimento pela volta do Papel Pobre. Esse blog, inclusive, conta toda a curta trajetória de Katylene Beezmarcky. Já esse é uma espécie de filhote, e tenta assumir o lugar deixado por Katy. Pena que é uma cópia...

24 de ago. de 2007

Estou ficando velho?

Está todo mundo falando desse tal de Twitter. O Ronald, antenado que é, diz que todo moderninho tem um. É o novo Second Life.

Fiquei curioso, fui ver o que é.

Vamos lá: é um diarinho virtual, ponto. Microblog o cacete, é um diarinho virtual. Parece que você tem de dizer, em textos de até 140 caracteres, o que você está fazendo naquele exato momento. "18h40: fui ao banheiro"; "20h: cortando as unhas do pé". Achei bem idiota, mais uma modinha. Parece que também dá para postar pelo celular e, tipo, você paga por isso (?).

"Uma maneira de deixar todo mundo conectado". Piff... Talvez eu esteja ficando velho, mas, para mim, Twitter é igual ao blog da Rosana Hermann.

OBS: Se jornalista ficou chateado por que a Luana Piovani parou de escrever no seu blog, uma boa notícia para quem quer caçar pauta idiota: o Twitter dela está prometendo.

18 de ago. de 2007

O primeiro playback a gente nunca esquece

Estava vendo na tevê algumas cenas do Criança Esperança, que aconteceu no final de semana passada. Pelo pouco que eu pude ver, destaco a participação do Natiruts. Primeiro, pelo espetáculo visual, já que a Globo criou para a apresentação da banda um efeito especial de gosto duvidoso: o público virou um mar, tipo daqueles que os carnavalescos adoram fazer, manja? Bizarro.

Depois eu destaco o playback tosco do vocalista Alexandre, que mal abriu a boca para fingir que estava cantando e, quando resolvia abri-la, cantava no tempo errado. Por final, cito o baterista. Gente, a maior sacanagem para um baterista é tocar playback. Para quem toca instrumento de corda, como guitarra ou contrabaixo, é só dedilhar, sei lá. Ninguém fica reparando e reclamando: "Ei, cadê o cabo ligado na caixa de som?".

Com o baterista, não. O cara tem de ficar em pé para tocar apenas uma caixa e um prato, que é o que acontece na maioria das vezes. É doloroso de se ver. No caso do batera do Natiruts, até que ele se saiu bem, dando uma reboladinha ao ritmo da música. Menos sorte teve Clééééston, percussionista do Detonautas, que teve de se virar com um mísero pandeiro meia-lua.

Apesar de eu não saber tocar nenhum instrumento musical, já tive de fazer playback uma vez na vida. Foi na sexta-série, em 1997, para algum trabalho especial de Educação Artística. A professora Berta (olha o nome) queria fazer uma brincadeira com nossos pais no final do ano. Era um esquema "vamos fazer uma apresentação no anfiteatro da escola e pagar um belo mico".

A turma foi separada em grupos pela professora e cada um deles tinha de pensar em algo que durasse até 10 minutos. Eu me ferrei na hora da divisão, pois cai com o moleque mais mala de todos: o Renan. O Renan era um gordinho metido a besta que se achava gostoso só porque tocava guitarra e tirava notas altas. Além do mais, ele se achava bom entendedor de futebol e Oasis, dois assuntos que eu também adorava.

No meu grupo só tinha menina paga pau dele. Por isso, quando ele veio com a idéia da gente dublar alguma música do Acústico MTV dos Titãs, o must da época, elas logo acharam o máximo e toparam. Do total de 10 pessoas, só eu votei contra. Para piorar, o Renan olhou para a minha cara e falou que eu seria o Sérgio Britto, justo o mais banana dos Titãs.

Ficou combinado que a gente iria "tocar" e "cantar" duas músicas: Televisão e Pra Dizer Adeus. Além do mais, todos teríamos de estar caracterizados. Eu, no caso, tive de comprar uma camiseta pólo listrada e usar um óculo escuro e um boné virado para trás. Resumindo: eu era o Joselito.

Ensaiamos alguns dias na escola mesmo. O meu teclado era a carteira, mas na hora do show o Renan garantiu que iria me trazer seu teclado. Sim, o Renan era foda e ia trazer dois microfones, um violão, um baixo, um teclado e um pandeiro meia-lua para o baterista (rá!).

No dia da tal apresentação, meus pais felizmente não compareceram, mas o anfiteatro estava lotaaaaado. Meu grupo seria o terceiro da tarde, antes de uma menina, cujo nome me fugiu agora, que faria o Xou da Xuxa. Estávamos lá, atrás do palco, e o Renan chegou com os instrumentos. Ele deu o teclado para mim e disse que já voltava, porque iria passar o esquema do jogo de luz para o tio que fazia a iluminação do palco (falei que ele se achava).

Todos nos posicionamos, cada um com seu instrumento. O Renan pegou um violão e um banquinho e sentou na frente de todos nós. Eu tinha sido jogado quase para trás da cortina. Ele pegou o microfone e anunciou para a platéia: "Olá, boa tarde! Eu vou cantar Ideologia, do Cazuza".

Ficamos pasmos. Um olhou para a cara do outro, sem saber o que significa aquilo. Aí o Renan ajeitou a viola contra sua barriga, tocou uns acordes e cantaralou: "Meu partido é um coração partido...". Assim mesmo. E nós nove, ali ao fundo, não sabíamos o que fazer. Daí eu levantei os ombros, como se falasse "foda-se", e comecei a espancar o teclado à la Little Richard. O resto quis "tocar" bonitinho e duas meninas até fingiam abrir a boca para simularem um backing vocal. Patético.

Depois ele tocou Pais e Filhos e em nenhum momento olhou para trás de seus ombros, como se nos ignorasse. A platéia não parecia se importar. Pais empunhavam suas filmadoras, as mães balançavam as cabeças e a professora Berta tinha os olhos brilhando. Tudo porque o Renan era foda.

O show acabou, a gente largou os instrumentos no palco e todo mundo - menos a gente - foi cumprimentá-lo. Lembro do irmão do Renan chegar e falar: "Onde você arranjou aquele tecladista?!".

No final tiramos nota 10, a melhor entre todos os grupos. Sabem por quê? Ora, porque o Renan era foda.

13 de ago. de 2007

O rock não acabou

Dessa nova safra de bandas brasileiras que vêm surgindo no cenário do rock alternativo, como Moptop, Los Porongas e Rockz, ninguém é atualmente melhor que os gaúchos do Superguidis. Após estrearem no ano passado com o disco "Superguidis", que já abria de cara com a ótima Malevolosidade e não deixava a peteca cair durante o CD inteiro, cheio de letras bem sacadas e riffs de guitarras bens inspiradas, a banda, com "A Amarga Sinfonia do Superstar", supera a famigerada crise do segundo disco facinho, facinho.

Peguei para escutar o novo trabalho há três semanas e confesso: está sendo difícil deixar de escutar a gauchada. É impressionante, não tem uma música ruim em todo o álbum. Parte Boa, faixa que abre o disco, é um ótimo tira-gosto. Com uma melodia que lembra muito o som de Ryan Adams em "Rock’n’Roll" e uma linha de baixo à la Joy Division, Parte Boa é a música mais legal que eu ouvi até agora nesse ano – em português.

Continuando a audição, outro fator que chama a atenção são as letras mais maduras. No primeiro trabalho deles ainda havia aquele ranço do típico humor gaúcho, cheio de brincadeirinhas internas, que não é todo mundo que digere. Para se ter uma idéia, olha essa rima de Coraçãozinho: "O meu manancial e paz cresceu/Muito mais que o PIB da China em 2003".

Parece até que eles não queriam ser levados a sério na época. Mas o que se vê agora são letras honestas para caramba, que captam muito bem o que passa pela cabeça da juventude que, como aparece em Os Erros Que Ainda Irei Cometer, são anos que voam sem parar. Veja só: "Pelas ruas podres de sujeira/Penso nos erros que ainda irei cometer/Uma lata de alumínio que aparece no caminho/É o bastante pra me lembrar dos tropeços que posso evitar".

O produtor Philipe Seabra (Plebe Rude) parece ter pego a molecada de jeito e deu as eles uma cara indie-pop inteligente, que não precisa de letras engraçadinhas para chamar a atenção. Por Entre as Mãos, umas das melhores do disco, diz: "O teu dom de esconder de mim/Só é menor que o meu de não te achar/Odeio não me irritar com as coisas que, eu sei, me irritam em você/Mas tudo escapa entre os dedos/Tudo escapa entre as mãos/Você é o meu melhor naufrágio".

Já o som característico desses garotos de Guaíba se mantém. O ritmo vai oscilando, de repente fica mais animado, depois dá uma moleza... Aí o riff sobe, a bateria pega mais forte e o ótimo vocal de Andrio Maquenzi se destaca. Mais Do Que Isso talvez seja o grande exemplo dessa montanha-russa sonora – essa música, aliás, tem um refrão grudento pra caramba: "Eu quero fazer tudo que você faz/Mais do que isso eu sei que não sou capaz". Mais chiclete ainda é 6 Anos, que tem o bonitinho "Mas você me ganhou/Quando sorriu pra mim".

Ao todo são 11 ótimas faixas. Assim como no primeiro disco, "A Amarga Sinfonia do Superstar" é distribuído pela Senhor F. Fiquem atentos ao final de 6 anos, faixa que encerra o CD, pois nela há uma canção escondida: Riffs, justamente a primeira música que escutei da banda, quando eles ainda nem tinham lançado o primeiro álbum.

Se o Moptop fez sucesso com O Rock Acabou, o Superguidis dá o troco à altura com essa música escondida, que diz : "Por isso eu acredito nos riffs/ Eles me farão mais feliz".

Acreditemos.


*Escute "A Amarga Sinfonia do Superstar" aqui.


12 de ago. de 2007

Cultura Futebol Clube


Confesso que sou uma pessoa promiscua quando o assunto é essas megastores que vendem livros, DVDs e CDs. No começo do século, eu era Saraiva Futebol Clube. Sempre que estava em São Paulo eu enchia a paciência de meus pais ou tios para me levarem até a unidade que fica no Morumbi Shopping. Era batata: sempre saia de lá com uma sacolinha amarela a tiracolo (CD, na maioria dos casos).

Quando a francesa Fnac veio ao Brasil e se instalou naquele prédio enorme de três andares em Pinheiros, que antigamente era o Ática Shopping Cultural, virei de casaca bonito. Mas desde que me mudei para São Paulo, em 2004, venho arrastando as minhas asinhas para a Livraria Cultura. E, depois do que aconteceu ontem, posso dizer que sou Cultura Futebol Clube desde criancinha.

A livraria de Pedro Hertz tem a fama de só ter funcionários craques. A Veja S.Paulo uma vez deu um ótimo exemplo disso: a megastore tem vendedores tão competentes que eles procuram no sistema um livro do Dostoievski sem precisar perguntar como é que é que escreve esse trem. Isso não é brincadeira.

Voltando ao começo do texto, ontem eu estava no Shopping Market Place junto da Bem-Amada. Ela ainda não sabia o que me dar de aniversário, então sugeri uma passada na Livraria Cultura do lugar. Lá dentro, tentei de todas as maneiras lembrar o nome de um livro que me chamou a atenção nessa semana que passou. Era um livro sobre a história do futebol, feita por um professor de História Medieval e escrito com um viés todo sociológico. Até aí, tudo bem – acontece que eu não sabia o nome do autor, do livro, e nem como a capa dele era. Só lembrava que tinha saído uma resenha dele no Estadão há alguns dias.

Toda essa "capacidade" fez eu ficar que nem uma barata tonta procurando a obra na seção de lançamentos ou de esportes. Nada. Xeretei nas araras, pilhas... Niente. Depois de quase meia-hora nesse tremendo esconde-esconde, a namorada falou: "Pergunta de uma vez para o vendedor, senão vamos ficar aqui até amanhã tentando achar esse maldito livro!".

Fiz uma piada. "Ah, falou! O cara vai me mandar tomar naquele lugar. Imagina o sujeito procurando no computador: 'livro-futebol-sociologia-história-medieval''. Ri sozinho, pois ela, para variar, não achou graça, e insistiu em sua sugestão.

Bem, não tinha nada a perder mesmo. Assim que avistei a primeira pessoa com aparência de vendedor, fui até ela. "Errr... Oi, tudo bem? Olha, não me mate. Eu estou atrás de um livro sobre futebol, mas eu acho que é de sociologia, escrito por um professor de História Medieval e que saiu essa semana no Estadão... Você tem?'.

O cara me interrompeu e respondeu na lata. "A Dança dos Deuses, de Hilário Franco Júnior? Pô, lógico que tenho! Comecei a ler agora, estou na página 110, é animal. Para você ter uma idéia, o livro fala que uma das possíveis origens do futebol foi há mil anos na China. Após as lutas, os guerreiros chutavam a cabeça de seus oponentes!".

Mal tive tempo de processar a informação e o sujeito já me aparece com um livro de capa verde embaixo dos braços. Não adianta: a Cultura é fo...

9 de ago. de 2007

Um fondue de fondê

Para o caro leitor que um dia estiver nas redondezas de Sorocaba, cidade carinhosamente apelidada de "a Manchester Paulista", o DPL recomenda uma passada no restaurante Crocodilo, um misto de pizzaria com bar e restaurante.

O lugar é muito bonito e o lanche de lá é bem gostoso, mas, como vocês podem ver abaixo, a especialidade deles é o fondue.


OBS: O Kibe Loco vai gostar dessa.

2 de ago. de 2007

Sawyer com extra anchova

Não sei se contei por aqui, mas estou no último semestre da faculdade. O meu projeto de Tese Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é um livro sobre a História do Videoclipe no Brasil. Quando as pessoas ouvem o meu tema, logo pensam que meu trabalho é moleza, pois devo ficar vendo vídeos musicais o tempo todo e analisando-os.

Não que fazer esse treco esteja sendo um tesão, mas eu realmente adoro videoclipes. E, mesmo nas horas vagas, fico na internet à procura de clipes novos ou mesmo antigos, para relembrar dos bons tempos de MTV.

Um dos meus clipes prediletos é a trilogia feita pelo Aerosmith para as músicas Crazy, Crying e Amazing. Essas três faixas do CD Get a Grip (93) são ótimas, e ficaram famosas mesmo pelos seus videoclipes, que revelaram ao mundo uma atriz chamada Alicia Silverstone.

De todos, o meu predileto é Crazy, que conta com Liv Tyler ao lado Alicia, ambas adolescentes rebeldes que resolvem fugir da escola para embarcarem numa aventura meio Thelma & Louise.

Assistindo a Crying nessa semana, fiquei de olho em um rapaz (epa!) com pinta de modelo, cabelo loiro e todo músculoso, que aparece em determinado momento do clipe. Sua cena é curta, não tem 30 segundos: ele apenas rouba a bolsa de Alicia e depois é capturado com uma voadora, dada por ela mesmo. Algo que acontece todo dia, não é mesmo?

Congelando a imagem no sujeito, percebi que o conhecia de algum lugar. Parei e voltei a imagem, vi de novo e soltei: "Caramba, é o Sawyer!" (sim, me rendi à Lost, e até já terminei de ver a última temporada, conforme prometi há seis posts atrás).

Fui correndo contar minha descoberta à Bem-Amada, pois ela ama o barbudo charmosão com pinta de vilão. Mas eis que ela acaba com minha descoberta, revelando-me algo mais sensacional ainda. "E você não sabe o que eu descobri ontem ao ver uma reprise de Loverboy na TV. Sabe quem faz o entregador de pizzas? O Dr. McDreamy ((Patrick Dempsey), de Grey’s Anatomy!".

Pô, por essa eu não esperava. Loverboy, Garoto de Programa (1989) é um dos filmes mais legais de minha infância. Quem não se lembra de quando ele reprisava no SBT, durante alguma sessão da tarde? A história da película é idiota e divertidíssima: um entregador de pizzas ganha fama de garanhão na cidade ao passar a vara em todas as coroas que pediam uma pizza com anchova extra.

"Extra anchova" era seu código de gigolô, e somente clientes especiais a pediam.

Veja abaixo o clipe de Crying, com Sawyer!

Já de Loverboy, eu só achei um trailer em um site de cinema. Para matar a saudade, cliquem aqui.

30 de jul. de 2007

Hoje nas bancas de jornal

*Entrevista com a molecada do Brazukas

Eles criam 'patchs' do game Winning Eleven.

Para ler a matéria, clique aqui.

26 de jul. de 2007

Menina bonita, ai...


Dessa nova safra de cantoras brasileiras que surgiu nos últimos tempos, como Roberta Sá, Mariana Aydar e Marina de La Riva, foi de Céu o trabalho que mais me chamou a atenção. Seu CD de estréia caiu em minhas mãos na metade do ano passado e logo na primeira audição vi que ali tinha coisa boa. O som não era somente aquela combinação de bossa-nova com eletrônico, e tinha uma pitada bacana de elementos, que iam do jazz ao ragga. Sua voz aveludada, soul, e levemente rouca também é um charme. Fora seu nome que, vamos admitir, é muito legal.

E quando na semana passada soube que ela iria fazer uma apresentação no Tom Jazz, casa pequenina de shows em São Paulo com espaço para 200 lugares, não pensei duas vezes: levei a Bem-Amada a tiracolo e fui conferir como era Céu ao vivo, com as maiores expectativas do mundo.

Cai da cadeira.

Tudo bem que ela por si só já aparenta ser arrogante, com seu narizinho arrebitado e traços finos de uma burguesinha da elite paulistana. Como diria Christian Pior, “carinha de papai paga FAAP”. Isso eu já suspeitava ao ver suas fotos e vídeos, mas ali, há 3 metros da minha fuça, incomodou demais.

Sua postura era fake, forçada, e sua expressão corporal atende a todos os clichês que uma cantora metida a diva pode ter. Seja nas quebradinhas de cadeira que dava quando a levada de sua banda puxava mais para o samba ou ao cruzar aos braços em direção ao peito toda santa vez que se dizia estar emocionada de estar cantando ali naquele palco. Mas o que mais me irritou foi quando ela subia a nota no final das canções e afastava o rosto do microfone e jogava a cabeça para trás. Argh!

Tudo isso eu relevo se o som fosse bom. E a banda dela realmente é boa. São apenas cinco músicos que a acompanham: um baterista, um tecladista, um percussionista, um cara que toca guitarra e contrabaixo e um DJ. Ah, o DJ.

Sei que colocar um disque jóquei hoje como integrante de banda é moderno. O cara faz uns barulhinhos ali, um scratch ordinário de vez em quando, é bacana. Mas com Céu é um desastre.

Explico: já viram backing vocals invisíveis? No show da Céu tem ­– em quase todas as músicas. Ou um violonista e um trompetista, também invisíveis, que tocam durante “Lenda” e "Rainha" ? No show da Céu tem isso também.

O DJ tem a manha de usar quase todas as bases e harmonias do CD. É sério. O resultado final é um playback somado a uma apresentação ao vivo. Diga: você também não se sentiria trapaceado ao ver um show que é igual ao CD? Fazia tempo que eu não me sentia frustrado com um show musical. Adoro ver apresentações ao vivo porque esse é o único jeito de se conferir realmente como é o trabalho de um artista, de Bidê ou Balde a Gotan Project.

Céu ainda tem muito a melhorar. A primeira dica é parar de ser mão de vaca e contratar mais músicos para a sua banda, e não usar dessa artimanha pilantra de usar um DJ como músico polvo, que toca violão, metais e faz backing vocal. A menina só precisa baixar a bola, pois o seu som é muito bom, ela tem talento e sabe com quem trabalha (ela dá o ar de sua graça no CD do produtor bam-bam-bam Apollo 9). Além do mais, é queridinha de jornalista (o que não quer dizer nada, mas tudo bem).

Se Céu estiver na sua cidade, vai lá, vale a pena conhecer. Só fujam se o show for no Tom Jazz. Porção de mini-pastéis por R$ 18 e caipirinha custando quase 20 pila é de doer o bolso.

*Ouça as músicas do CD de estréia de Céu aqui.


25 de jul. de 2007

Hoje estréia o novo Daqui pra Lá! Com ares de modernidade, ora bolas, pois é época de web 2.0 e todo esse papo que o internauta está cada vez mais interagindo com o site e blá, blá, blá.

Seguindo os conselhos de meu colega de faculdade e de redação Filipe, entrei nessa onda de widgets: coloquei na barra lateral o meu playlist do Last.FM e um vídeozinho do YouTube. Muita viadice, como vocês podem reparar.

Quando eu comecei a blogar, no início de 2003, blog não tinha muita frescura. Era um template cru: um título em destaque e a caixa de texto. Só. Quem enfeitava e poluía seus blogs eram meninas que deixavam adesivos pisca-pisca da Hello Kitty e outras baboseiras do tipo.

O DPL estava defasado e precisava dar uma agitada. Talvez o deixando com essa cara nova eu me inspire a escrever mais e voltar a agitar essa bagaça, que no seu auge, em 2004, dava uma média de 20 comentários por post. Também eu escrevia pra caralho: 194 textos foram feitos no tal ano.

O esquema de agora continua o mesmo: estarei escrevendo minhas crônicas de sempre. Quem não tiver paciência para ler muito texto, pode se divertir com os tais widgets. Sou blogueiro das antigas, ou seja, gosto de escrever. Blogueiro hoje é um ser vagabundo que escreve meia dúzia de palavras para gerar um burburinho na caixa de comentários e/ou sugere algum vídeo do YouTube por pura preguiça.

Mas também farei dicas de bandas novas, livros, sites e outras cositas mais. A seção “TV SEM TV” vai mudar durante toda semana e é baseada na coluna que tenho no caderno TV&Lazer, do jornal O Estado de S.Paulo. Ou seja: o vídeo de destaque da semana vai sempre aparecer lá.

Recebi uns e-mails de alguns leitores pedindo para eu deixar os links das matérias que escrevo no jornal. Atendendo aos pedidos, vou fazer isso toda às segundas-feiras. Nesta semana eu escrevi uma matéria de capa sobre o universo de Harry Potter na internet e conto toda a história por trás do vazamento na web do último livro da série, dias antes de seu lançamento oficial, na sexta-feira passada. Cliquem aqui para ler.

Volto daqui a pouco. E com um podcast bem bacana.

17 de jul. de 2007

1, 2, 3... Fight!

Nas Olimpíadas de Inverno do ano passado, o kurling reinou absoluto entre o esporte mais bizarro a ser praticado na competição. Aquela espécie de bocha do primeiro mundo, em que atletas literalmente precisam enxugar gelo com uma vassoura para fazer uma chaleira de cerâmica ganhar mais velocidade foi hors-concours.

No Pan 2007, o hóquei na grama é forte candidato. É estranho ver um monte de esportistas com uma bengala na mão e se curvando pra caramba apenas para acertar uma bola. Se eu fosse fisioterapeuta, abria uma clínica ao lado de um campo de hóquei na grama. O que esses atletas devem ter lordose e bico de papagaio não deve ser brincadeira.

Mas engraçado mesmo é ver os caras de taekwondo em ação. Sensacional, parecem dois lutadores saídos do Mortal Kombat. Pode reparar, é banana: todo lutador fica meio que posicionado de lado, dando uns saltinhos engraçados sem sair do lugar. Não é tipo boxe, em que o atleta fica gingando de um lado pro outro do ringue, ou judô, em que um se engalfinha no outro e fica um empurra-empurra infernal. Pô, taekwondo é bem mais divertido.

O uniforme também é ótimo: o protetor usado na cabeça é igualzinho ao capacete anti-convulsão usado pela Natalie Portman no filme Hora de Voltar. Já para proteger o tórax, utiliza-se um tipo de colete salva-vidas.

A arte marcial coreana funciona assim: são três rounds de três minutos e ganha o oponente que mais der bordoada no outro. Chute na cabeça vale dois pontos, já no peito e no abdômen, um só. Pode-se usar as mãos também, mas apenas no tronco. Pelo o que eu entendi é difícil pontuar dando socos – os juízes são cri-cri, e costumam validar apenas golpes dados com muita força, por isso a opção pelos chutes.

Daí você pensa: “Pô, o pau deve comer solto!”. Não, ao contrário. Os lutadores ficam pulando sem sair do lugar o tempo todo, como uma forma de analisar os movimentos do adversário. Aí, quando um resolve golpear, o outro se esquiva e acerta um belo pontapé no “estrombo” do sujeito. Não tem erro: negócio é ficar pulandinho no seu lugar e esperar o oponente tomar um decisão. Daí, no contra-ataque, você dá um round house kick e fatura um mísero ponto.

Taekwondo é típica briga de irmão versus irmão. Quando eu lutava com o meu, só valia chutar na perna e esmurrar o braço. A gente ficava lá, pulando sem parar até o outro tomar uma decisão. E, quando alguém ia pra cima, logo levava de revide um chute na canela que doía horrores (para os dois).

E era coisa de macho mesmo, apesar que a luta consistia apenas em dar um chute e logo depois fugir para o banheiro e trancar a porta. Talvez isso não aconteceria se gente usasse um desses capacetes anti-convulsão.

Ia ser bem massa.

26 de jun. de 2007

É ou não é?

Na semana passada, a figurinha que não saiu das manchetes foi a bandeirinha Ana Paula de Oliveira. Capa da edição de julho da revista Playboy, muito especulou-se sobre sua decisão: o futebol é um meio machista e fazer essas fotos pode ser muito prejudicial para sua carreira.

Bem, imagine um Morumbi inteiro abrindo o pôster de uma mulher com a Claudia Ohana de fora e vocês terão alguma idéia do que estou falando.

Nesta semana novamente vai estar em voga o tema machismo no futebol. Desta vez, dizem, um jogador de um grande clube paulistano irá assumir sua homossexualidade. E no Fantástico.

O “furo” saiu na Folha Online, com a fofoqueira Fabíola Reipert. O Kibe Loco, bobo que não é, criou uma enquete perguntando de que time o jogador é.

Novidade, né? Nem um pouco. O blog El Kabong deu no dia 2 de maio essa notícia, muito mais completa e detalhada que a da Fabíola.A diferença é que não dá para comparar a repercussão de um jornal tradicional com um reles blog.

O nome do boi é Richarlyson, quebra-galho do São Paulo que joga de volante, meia, líbero, lateral-esquerdo e em qualquer outra posição que for encarregado. Joga direitinho e tal, mas não é titular.

Quem acompanha futebol sabe que não é de hoje a suspeita pelo atleta. Torcedores adversários pegam no pé do cara desde que ele comemorou um gol seu feito contra o Palmeiras, há dois anos, com uma rebolada estranha. Tal fama só piorou conforme ele customizava o uniforme, dobrando as mangas da camisa ou levantando a sua gola, e com seu jeito de correr peculiar, meio que empinando a retaguarda. Não é a toa que ele é chamado de “Bicharlyson”.

Homossexualismo no futebol sempre foi um tabu. Até hoje se especula que o zagueiro Júnior Baiano teve um caso com a Vera Verão, mas o comediante levou isso para o túmulo. Dizem que o jogador titular da Copa de 98 ameaçou matá-lo caso ele abrisse a boca. Também pipocam histórias que rolam nas categorias de base da vida, em que determinados técnicos só escalam certos jogadores que fazem determinados favores no vestiário.

Essa notinha vai estourar. Vão fazer pressão nos clubes, jogadores vão começar a se manifestar para que tal atleta saia do armário e, caso isso realmente aconteça, será bem curioso. Confesso que não me lembro de nenhum jogador de futebol que seja gay assumido.

Também me interessa a postura do São Paulo. Dizem que o presidente do clube já fala que se o jogador quiser assumir, que o faça, mas também nunca mais põe o pé no clube. Um boato que circula nas redações esportivas há uns meses é que o jogador que ser o primeiro jogador de futebol no Brasil a assusmir. Mas daí os dirigentes e o empresário do cara acharam isso uma loucura, afinal todo mundo sabe que um dos apelidos do tricolor é “bambi”, e a saída de armário de um esportistas do elenco só aumentaria essa alcunha.

E se ele for mandado embora, quem vai contratá-lo? Não sei, mas no Brasil não vejo time algum que o aceite. Jogadores vão pressionar, a torcida vai xingar porque não quer ser zoada pelos torcedores adversários, possíveis patrocinadores podem romper contratos para não terem suas imagens veiculados ao cara... Vamos ver.

Na comunidade oficial do tricolor paulista no Orkut, não se falou hoje de outra coisa. Tópicos atrás de tópicos eram criados para debater a questão, e todos eram rapidamente apagados pelos moderadores (vários eram tirações de sarro vindos de corintianos, palmeirenses e santistas). Internautas que manifestassem algo de homofóbico eram banidos.

Até que, finalmente, um dos donos da comunidade escreveu um post falando que dane-se o que o cara for, o que interessa é que ele jogue bola. Grande maioria dos participantes da comunidade está apoiando ao tópico.

Se o cara assumir e os atletas e torcedores o apoiarem, meus amigos, isso será do caralho!

19 de jun. de 2007

Você devia jogar basquete… E ver 'Lost'

Assim como o Ronald, sempre escutei na minha vida uma frase bem clichê: "Você devia jogar basquete."

Era batata. Fulano me conhecia pela primeira vez e papo vai, papo vem, até que a conversa descambava para meu assunto preferido: esportes. Eu falava de tênis, atletismo, natação, discorria sobre tática e fundamentos futebolísticos... Mas daí, do nada, ouvia.

- E basquete, cê não curte?

Maneava a cabeça, respondendo que sim.

- Pô, basquete tem tudo a ver com você, olha o seu tamanho! Cara, cê devia jogar basquete!

...

Ultimamente não escuto mais isso. Piorou. Tudo graças ao Lost.

Acho que sou a única pessoa do universo que não assiste Lost. Minha namorada assiste, meus melhores amigos assistem, meu pai assiste (na Globo e dublado, mas assiste), meus colegas de trabalhos assistem, meu carona assiste... Só eu que não.

E isso está me atrapalhando. Sou privado de conversas, minha namorada já brigou comigo várias vezes. Tudo porque eu não assisto Lost.

Outro dia peguei um táxi. Conversei com o cara sobre tudo: trânsito, chuva, jabá musical, Corinthians, seleção brasileira, Paulo Maluf, carros e até sobre a cotação do dólar. Lá pelas tantas o motoristas sugere.

- E TV, o que você gosta de assistir?

Respondo que vejo alguns noticiários, desenhos, programas esportivos; nada demais.

- E seriados, você gosta?

Falo que não vejo mais como antes, mas dos novos não perco um episódio de Heroes e Desperate Housewives.

- E LOST! VOCÊ NÃO VÊ??

- Errrr... Não.

- COMO ASSIM? Lost tem um enredo muito interessante, a trama é genial e não tem final de temporada meia boca como a do Heroes. Gustavo, é a sua cara. VOCÊ DEVIA VER LOST!

Já me acostumei com esse: "Você devia ver Lost". Olha, não é por birra, mas, sei lá, o seriado não me atrai. Até gostaria de vê-lo um dia, mas daí eu penso que já está na terceira temporada e iria ficar dias vendo um monte de gente numa ilha deserta, em que uma escotilha deve significar sei lá o que...

Quando a pessoa insiste muito eu até sou mal-educado. Falo que Lost é programa de populacho, que não assisto a algo que virou álbum de figurinhas. Mas o taxista era gente boa demais.

- Olha, meu filho tem as três temporadas inteiras gravadas, eu peço para ele gravar uns DVDs para você. Você não é o sobrinho da Marize? Então, eu deixo os discos com ela, não tem erro.

Um filme passa em minha cabeça. Quando eu estava na terceira ou quarta-série, todo mundo da classe via Carrossel, menos eu. Para variar, ficava de fora de várias conversas. Um dia resolvi ver aquela droga e me enturmei. Com Chiquititas aconteceu o mesmo (pior é que eu adorei aquilo!). Friends eu só comecei a assistir em 1998, porque meu irmão adorava a série há anos e ficava tirando sarro de minha cara porque eu não a acompanhava e era retardado.

Penso que se eu começar a assistir Lost, farei várias pessoas felizes. Minha namorada, então, nem se fala. Recuso gentilmente a proposta dele e falo que eu mesmo vou até a locadora e alugarei algumas temporadas. Só assim eu garanto ver tudo aquilo. Estarei pagando de meu bolso e não quero perder dinheiro, ora!

Então fica a promessa: nessas "férias" de julho, eu vou ver Lost. Tudinho. Podem me cobrar no final do mês.

Depois disso, preciso lidar com outras frases que ainda me incomodam: "Você devia jogar truco" e "Você devia jogar xadrez".

4 de jun. de 2007

O dia em que eu xinguei um emo

O próprio título já diz tudo. Sim, eu xinguei um emo. Já adianto que "respeito" essa modinha, apesar de achar bem idiota essa coisa de franja caída, olhos com lápis preto, cinto com rebite e tênis Vans à la bandeirola de corrida. Tudo bem, é apenas mais uma fase - duro é agüentar aquele som de melodia punk com letras do Raça Negra...

O meu problema com os emos nasceu da falta de educação deles. Quando passo os finais de semana em São Paulo, costumo pegar o ônibus do jornal até a região da Avenida Paulista. E é batata: sempre tem um grupinho de emos malcomportados que ficam berrando, falando alto e deitados esparramados nos bancos.

Além de atrapalhar os outros passageiros, essa corja ainda não cede lugar para quem realmente precisa. Uma senhora cheia de sacolas nos braços, por exemplo. Eles parecem viver em bolhas, alheios as opiniões dos outros. Algo que me irrita mais ainda é que eles sempre sentam na parte da frente, antes de passarem pela catraca. Todo mundo sabe que TODOS esses bancos são, em tese, reservados a idosos, gestantes, obesos, e por aí vai. Eles não estão nem aí, não adianta a parte traseira estar vazia. Eles sempre sentam na frente.

Para piorar, passam de dois-em-dois na catraca. O cobrador fica puto, faz cara feia, mas eles não estão nem aí. Ficam dando risada, assopram a franja e fazem um balbúrdia da porra.

Na última sexta-feira, entro no ônibus e vejo um grupinho de emos, todos com, no máximo, 14 anos. Estão, para variar, esparramados em três bancos. Todos espremidos, sentados no colo um dos outros, aquele amor juvenil.

Passo a catraca, ponho os fones de ouvido e sento lá no fundo. A linha de ônibus que eu pego passa perto de um metrô, então tem uma hora que o busão bomba e entope de gente. Desta vez não foi diferente. Passo este ´ponto, notor que todos estão olhando para frente, antes da catraca. Tiro os olhos da revista e vejo a cena: uma mulher gordinha, com uma criança de colo e carregando uma sacola cheia de compras do supermercado, olha para o grupo de emos, esperando que alguns deles ceda um cantinho do banco. Ninguém se mexe.

Uma idosa ao ladop tenta com muito esforço se levantar, mas a grávida não deixa. Ela cutuca uma garota emo, de cabelo alisado e com mexas roxas. Não dá para escutar o que ela fala, mas isso a deixa ainda mais nervosa. Um burburinho começa a tomar conta do ônibus, mas ninguém fala nada. Para piorar, aquela cena clássica: o nenê abre o berreiro.

Daí eu eu, que já estava de mau-humor devido a um fechamento dos infernos, levanto e berro: "Saiam daí, porra!"

Uns moleques de ternos e gravata e barba para fazer (estagiários de direito?), riem de mim. Todo mundo olha para trás. Os emos não fazem nada. Uma garota ao meu lado faz coro: "Levantem e dêem lugar para a moça, gente!" Novamente eles fingem que não escutam e ficam dividindo um som que sai de seus MP3 player baratos.

Daí foi demais. "Puta que pariu seus emos retardados. Estou falando com vocês mesmo, cacete! Querem levantar a bunda e dar lugar para a moça?!"

Um emo de piercing no canto da boca levantou, fez pose de macho e me encarou. Talvez pela cara de idiota e pela pouca idade dele (hehe), não me intimidei. "Tá olhando o quê? Vai chorar daqui a pouco?"

Mais risadas.

O machão faz cara de "ai que saco" e puxa duas garotas de preto. Elas se levantam, seguidas por um outro moleque. Uma tem uma camisa do Evanescence, a outra da Avril Lavigne (puta merda) e o garoto uma do Simple Plan. A grávida agradece e senta.

Para variar, eles passam de dois-em-dois na catraca, olhando para baixo. Um dos estagiários de direito ainda dá um croque na cabeça do de piercing, e depois finge que está olhando para a janela. O emo nem olha para trás.

Sento e dou uma risada. Pelo menos me diverti um pouco.

25 de mai. de 2007

O "punch" (punctum) da Isabelli Fontana


Uma das poucas coisas que eu lembro de ter lido na faculdade foi o livro “Câmara Clara”, de Roland Barthes. E o que me chamou a atenção na sua obra foi sua definição de uma sensação que ele define por "punch" (correção: é punctum).

O "punctum" é uma sensação única que temos ao ver uma imagem, aquele detalhe despretencioso que te prende a atenção em uma foto. Exemplo: há muito tempo, eu e um amigo vimos uma bela sessão de fotos com aquela apresentadora Ana Luiza Castro. Em quase todas as fotografias ela estava de biquíni ou com a barriguinha de fora. Mas sabe o que nos chamou a atenção nela? O tamanho do seu dedão do pé. Era enorme!

Bem, isso é o "punctum".

Ao ver a nova edição da revista Trip, com a modelo Isabelli Fontana na capa, logo tive um punch. Meus olhos rapidamente se fixaram em sua barriga, mais especificamente na sua cicatriz de apendicite.

Pergunto: como eu nunca reparei nessa cicatriz antes?

Respondo: Photoshop.

O maldito programa da Adobe acabou com o "punctum". Quantas imperfeições hoje não são corrigidas? O olho de ressaca, a espinha na testa, a cicatriz da apendicite. Com uma rápida pesquisa no Google, vi algumas imagens antigas da Isabelli. É quase imperceptível a marca da cirurgia. Só olhando com muita atenção mesmo.

Eu sempre lembro do Photoshop quando recordo da vez em que aquela ex-BBB, Thais Ventura, foi promover uma peça de teatro que ela participava lá em Sorocaba. Isso em 2003, no cursinho. A garota tinha saído na Playboy alguns meses antes, era uma tremenda gatinha, mas lá, ao vivo, estava a maior rampeira. O meu "punch", no caso, foi ver suas estrias e espinhas em abundância.

Um "punctum" nada agradável, digamos.

17 de mai. de 2007

Música do ano?

Quando eu vi as várias listas de melhores músicas do ano passado, a maioria delas cravou "Crazy", de Gnarls Barkley. A canção é ótima, mas eu daria o troféu para "Steady as She Goes", do The Racounters.

Já para 2007, já faço a aposta que "All My Friends", do LCD Soundystem, vai estar entre as três fácil, fácil. Ela é tão bacana e grudenta que a deixo no repeat do iPod tranquilão.

E de tão legal, o LCD vai lançar um single que traz versões de outros artistas para "All My Friends". A versão do Franz Ferdinand eu achei fraquinha, mas vale a audição.

Já o cover de John Cole é sensacional. Ouça tudo aqui.

9 de mai. de 2007

Pois é, Snow Patrol na balada. Dois dias depois, em pleno final de semana, viajo para Sorocaba. E adivinhem que música meu irmão está escutando na vitrola todo empolgado? Open your Eyes.

Xereto o Orkut de algumas amigas e 70% delas colocaram a letra da música em seus profiles. Isso me lembrou muito uma moda do comecinho do ICQ (ano 2000, como estou ficando velho!). Naquele tempo, todas as meninas de minha lista de amizade tinham em seus perfis aquele famoso monólogo do filme 10 Coisas que eu odeio em você: “Odeio o modo como fala comigo e como corta o cabelo ; odeio quando dirige meu carro e o seu desmazelo...” Yada, yada, Yada. Era um porre!

O motivo para o Snow Patrol ter pego foi culpa de um DJ, que colocou uma introdução diferente, uma batidinha e criou um remix de qualidade bem desconfiável. Mas, um pouco antes disso, a cagada já estava feita quando Open Your Eyes virou tema de abertura do seriado E.R.

Para quem não sabe, o Snow Patrol é uma banda do Reino Unido, que no final da década de 90 lançou seu primeiro trabalho graças ao membros do Belle & Sebastian, que meio que foram seus padrinhos e até participaram do CD deles. O som era muito melancólico, daqueles para ouvir debaixo das cobertas. Não era nada muito fantástico, mas simpático, com o perdão da rima.

Conheci-os meio que ao acaso, em 2004, ao ouvir uma versão engraçada que eles fizeram de Crazy in Love, da Beyonce. Bastou uma busca no Soulseek e, algumas horas depois, já tinha a discografia deles em minhas mãos, digo, no computador.

Com Final Straw, de 2004, eles deixaram a depressão para trás e investiram forte nas baladas grandiosas, com solos de guitarra e arranjos de cordas. Ficou pop demais, mas um som muito bom e acessível, que agradaria muitos adolescentes. Por isso, até apostava que eles pegassem antes por essas bandas, não graças a uma versão mixuruca de um DJ.

Isso me leva a crer que o Snow Patrol deve virar no Brasil sinônimo de one hit wonder, ou seja, banda de um sucesso só. Não será algo de massa, como os xaropes do Coldplay. Será uma pena (ou não, dependendo do ponto de vista).

Mas, jogando limpo, o motivo pelo qual eu escrevo esse texto não é por eu estar com aquela sensação de “eu os conhecia antes e sou foda”. A importância do Snow Patrol na minha vida é que, há dois anos, eu e a Bem-Amada fazíamos um ano de namoro. Na época eu ganhei dela dois presentes: um mural de metal para colocar na parede de meu quarto e um CD: Final Straw.

Então, agora, quando eu vejo o Snow Patrol servindo como pretexto para embalar outros casais de namorados, até fico feliz. Pois a “paixão” e “alegria” deles me faz lembrar de uma bonita história que completou, na semana passada, três aninhos.

16 de abr. de 2007

Abre los ojos

Há uns três anos, quando eu ainda não trabalhava, não fazia nada à tarde e a MTV ainda passava videoclipes nesse horário, lembro de ter visto um clipe do Nightwish bombando no Disk MTV. "Nossa, tenho uns amigos metaleiros que vão ficar putos com isso", ri na época.

E ficaram enfurecidos mesmo. O grupo, com uma década de estrada, ficou pop do dia para noite, começou a tocar na rádio Jovem Pan e logo caiu na boca dos pré-adolescentes. Já esses meus amigos curtiam o Nightwish há anos e iam com a camiseta da banda na escola semana sim, semana não. Inclusive, quando o Nightwish veio tocar no Brasil, esses meus amigos quase morreram por terem que dividir a pista do show com um monte de menininhas e menininhos pseudo-metaleiros que curtiam "a nova banda do momento."

Hoje posso dizer que sei o que eles sentiram.

No final do ano passado, a irmã da minha namorada virou para mim e disparou: "Gu, você sabe quem canta aquela música que toca no anúncio do ER?".

Eu ainda não tinha visto essa propaganda, e prometi que quando a visse tentaria responder a pergunta da cunhada. Ela agradeceu, e algumas semanas se passaram. Até que certo dia eu vi o tal spot do seriado médico no Warner Channel.

“Tell meeeee, that you’ll open your eyes...”

Tico e Teco entram em embulição. Pego o iPod, vasculho alguns artistas, escuto algumas músicas e, pimba, achei a danada. Banda? Snow Patrol. Música? Open your Eyes.

Entro no profile dela no Orkut e escrevo: “Ei, mulher! Lembra que há um tempão você me pediu o nome de quem cantava a música do comercial do ER? Então: é Snow Patrol, Open your Eyes. A música é bem legal mesmo, mas se eu fosse você aproveitava e baixava o último CD deles, Eyes Open, que está bem pop e bacana. Beijos!”

Dia seguinte eu entro no meu Orkut e leio: “Valeu, Guuuu. Eu já sabia o nome... Inclusive essa música tocou na balada* que eu fui ontem. Bjocas!”

*Snow Patrol em balada? Como assim, Bial?

Continua...

4 de abr. de 2007

Libera o mullet!

Quem é leitor das antigas deste espaço sabe que eu tenho um pé forte nos anos 80. Mesmo com essa moda oitentista que surgiu nos últimos anos com festas temáticas, revival de bandas e milhares de livros e temidos almanaques sobre a década perdida, não consegui deixar o brega daquela época de lado.

E das milhares de paródias eu já vi sobre a década dos mullets e ternos com ombreiras(acreditem, são muitas), nenhuma vai chegar aos pés do filme Letra e Música, que ainda deve estar em cartaz nos cinemas tupiniquins.

O longa é simpático e é estrelado por Hugh Grant e Drew Barrymore (o que já vale o ingresso), e tem como enredo a vida de um ídolo oitentista nos dias atuais. Grant tinha um grupo chamado PoP!, e dividia os holofotes com o vocalista. Ele também era o compositor dos maiores sucessos da banda. Se você for pensar, na verdade eles eram uma dupla, isso sim.

Acontece que esse outro cara largou o PoP! e lançou um CD solo que fez um sucesso absurdo nos anos 90. Para piorar ainda mais, ele continua até hoje nas paradas de sucesso – ao contrário de Grant, que apenas faz shows em pequenos parques de diversão e festas de reuniões de formandos de 20 anos atrás.

Mas eis que uma estrela pop, que mescla em suas músicas folclore com bunda (Shakira, onde?), resolve chamar Grant para compor uma canção para ela, o que o trará de volta ao estrelato. Como ele apenas sabe fazer o arranjo e precisa de um letrista, ele vê na mulher que “cuida” de suas plantas (Barrymore) a parceira ideal.

O PoP! é uma tiração de sarro explícita do Wham!, banda que catapultou George Michael à fama. Porém, quando alguém lembra do Wham!, apenas recorda de Michael, e esquece que havia outro cara que tocava e dançava com ele (Andrew Ridgley).

Alguns até falam: “Mas existia outro cara no Wham!?” Grant é esse cara.

Bem, chega de papo furado e vamos aos vídeos. Logo acima eu deixei o impagável videoclipe de “PoP! Goes My Heart”, do PoP!, e abaixo deixo a obra de arte que é o clipe de “Wake Me Up Before You Go Go”, do Wham!.

Divirtam-se!

28 de mar. de 2007

Um absurdo, mas de boca fechada

Lá por volta de 1993, eu fui um assinante da revista Caras. Minto, foi a minha mãe. A desculpa dela é que revistas de celebridades, sejam elas populares ou não, sempre fazem um baita sucesso entre seus pacientes.

Para quem não sabe, ela é médica.

Naquela época, uma pessoa que sempre aparecia nas páginas dessa revista era a Thereza Collor. O marido dela (Pedro Collor de Mello) tinha morrido há pouco tempo, seu cunhado (adivinhem?) levado o impeachment... Enfim, coisas que acontecem todo dia.

A mulher, como se vê na foto, é uma morena daquelas bem fornidas: corpo violão, coxas grossas, cabelo preto e ondulado, e um sorriso de fechar o comércio. Eu, no alto de meus 8 anos, fiquei apaixonado.

Certo dia, vejo Thereza dando entrevista na TV. Devia ser no Amaury Jr ou algo do gênero. Eu, que só a tinha visto apenas em fotos, tomei um susto. Logo aumentei o som da televisão e, pasmem, tive a maior decepção. A moça tinha uma voz horrível: aguda, com um sotaque nordestino fortíssimo, e ainda falava mal pra chuchu.

Meu pai, que estava comigo na sala, logo comentou: "Essa mulher é um absurdo, mas de boca fechada".

Lembrei dessa frase nessa última terça-feira, durante o evento de uma grande empresa de tecnologia na Daslu (pois é, coisas da profissão). E bom evento que se preze tem muita mulher bonita. As recepcionistas ou hostes desse, então, pareciam ter saído de algum desfile moda. Eram todas, sem exceção, um absurdo de lindas.

Estava eu lá, ouvindo o vice-presidente falar sobre um produto recém-lançado, quando de repente me dá uma baita vontade de ir ao banheiro. Se um dia o caro leitor for na Daslu, e isso não é piada, já aviso que achar um banheiro lá é impossível. Aquilo parece um labirinto que vai te levando para milhares de salas minúsculas. Não há corredores ou janelas, é horrível.

Mas eis que eu vejo um salto alto à minha frente. Confiro o material todo: cabelos lisos e escorridos, olhos verdes, sardas nas bochechas; um espetáculo. Pergunto:

- Errr... Você sabe onde que fica o banheiro?

Ela faz uma cara de sonsa, aponta o braço para a direita e explica o trajeto.

- Lógico! ta vendo aquela mina ali? Passa por ela e depois vira às direita e depois às esquerda.

Cerrrrrrrto.

23 de mar. de 2007

“Tem- mas-acabou”

Quem nunca ouviu essa frase uma vez na vida? Na hora de comprar aquele livro best-seller, o CD da moda (Spice Girls, 1996, nunca esqueço) ou até mesmo o hype do verão: bichinhos virtuais.

Mas lhes digo uma coisa: com refrigerante eu nunca tinha visto!

Faz umas três semanas que eu estou atrás daquela tal de H2OH!, da Pepsi. A bebida nada mais é que uma puta estratégia de marketing da empresa, que pegou a receita da Seven Up, colocou no rótulo da embalagem que a gasosa (essa é velha) não tem uma caloria sequer e ainda vem com algumas vitaminas.

Pimba! Receita certa para a H2OH! virar a bebida predileta da mulherada.

Era impressionante como, pra cima e pra baixo, via-se alguma mulher com a garrafinha de plástico na mão e canudinho na boca. Chique, até. Em restaurantes, idem. Principalmente executivas em seus tailleurs.

Experimentei a bebida no início deste ano, e a adorei pelo seguinte motivo: aquilo é Seven Up, o refrigerante que eu mais gosto na minha vida. Durante os tempos de escola, eu tomava uma garrafa inteira nos intervalos em um gole só. Mas daí, sem motivo aparente, ela saiu do mercado. Até tentei mudar para a Sprite, que é horrível, e com a Soda da Antarctica, que até é gostosinha, mas não tem o “tchan” de uma Seven Up.

“Tem-mas-acabou”. Como pode isso?

Perguntei para alguns garçons o motivo da falta da bebida. A maioria foi taxativa: tá vendendo muito bem. Não duvido. Mas a Bem-Amada me falou um negócio interessante: alguém reparou que, de nada, o nome da bebida mudou? Antes era “água gaseificada com um leve toque de limão” (nota do blogueiro: publicitário é um bicho foda). Já hoje, o nome que aparece no rótulo é “refrigerante de limão”.

Dizem que a Coca-Cola processou a Pepsi por essa trucagem, e daí vem o motivo pela bebida estar em falta nas prateleiras. Também falam que a H2OH! estar em falta é outra estratégia de marketing, para vender mais depois.

Sei não, mas esse “tem-mas-acabou” está muito estranho.

8 de mar. de 2007

Bem, estou de volta. Acho que esse é o momento certo para voltar a escrever por essas bandas. Ultimamente penso em algumas coisinhas legais para postar, algo que não sentia há um tempão. E esse espaço me faz tanta falta que vocês nem imaginam quanto...

O motivo que explica a minha ausência é que criei uma certa birra por blogs. Hoje todo mundo tem um, virou meio que ferramenta essencial; todo jornalista hoje parece que precisa do seu. E também não gosto da maioria desses blogs que estão no ar, principalmente esses de jornais. Dificilmente acho algum blog hoje que seja diferente e criativo, que o autor inove em algo. Já repararam que a maioria dos blogs de hoje apenas replicam uma notícia interessante que leram em outro espaço? Vide vídeos no YouTube.

Ficou uma coisa de postar apenas pelo postar. Quando o DPL nasceu, em 2003, os blogs dessa época não eram assim (e a maioria deles acabou, vejam só).

E me desculpem aqueles que ficaram sem notícias de mim. Para quem não sabe – e acho que nunca falei por aqui- estou desde o início do ano passado trabalhando no jornal O Estado de S.Paulo. Bato meu cartão no caderno Link, de tecnologia (www.link.estadao.com.br), que sai nas bancas de jornal todas às segundas-feiras. Dêem um Google por “Gustavo Miller” que dá para achar umas cositas bacanas.

Daqui a pouco eu volto de novo.

OBS: Também voltei a nadar, após três anos de ócio. \o/

OBS2: Comprei um notebook lindão. Isso pesou bastante na minha decisão.

9 de set. de 2006

Ensaio sobre o sofá


Poucas coisas nessa vida são tão gostosas como ficar deitadão no sofá. Sem pensar na vida, debaixo do edredon, apenas olhando para um ponto fixo no teto. No frio, então, nem se fala.

Nos meus tempos de brejeiro, as minhas férias de julho eram dedicadas em tempo integral ao sofá.

Era um friozinho gostoso na casa de vovó, enrolado em milhares de cobertores, achocolato quentinho feitinho especialmente pela nona... A minha diversão era acompanhar aqueles filmes que passam toda santa férias nas sessões da tarde: Lagoa Azul, Um Tira da Pesada ou qualquer película juvenil que tivesse no final o título "alguma coisa do barulho."

Minha avó se amarrava naqueles programas de culinária. Um, em especial, era o nosso favorito, mas cujo nome me escapa agora pela memória. Era um programa encenado dentro de um supermercado de mentirinha, onde tres casais simulavam fazer compras e, no final, quem obtesse a maior soma dos produtos, sagrava-se o grande vencedor.

O apresentador era um baixinho careca e de óculos. Alguns produtos eram premiados e os competidores tinham os seus braços amarrados. Era um sarro. Ela ria e ria, apesar de algumas vezes eu achar essas tardes de inverno um pouco sacal.

Quando o primeiro friozinho bate sobre minha face e deixa as minhas bochechas vermelhas, logo lembro de minha avó. Da sopa de feijão que ela fazia à noite para esquentar a barriga, como ela dizia, ou de quando eu ia dormir e perguntava: "Gu, você quer mais um cobertor?".

Por mais que eu dissesse que não, não tinha jeito. A velha levantava de madrugada e colocava aquela mantinha extra, cujo cheiro gostoso de amaciante até hoje me tira um sorriso gostoso.

Mas, ao recordar de vovó, não tenho como esquecer de vovô. Um barato o Seu Gilberto. Acordava cedinho para ir até a padaria, comprar todos os jornais da banca e tomar o seu pingado com pão na chapa. Mesmo com um frio dos bravos, com ele não tinha tempo ruim.

Quando eu acordava ele já estava sentado na poltrona da sala, devorando a sua leitura matinal, sempre me dizendo: "Bom dia, ô, alemão! Você viu que o fulano vai jogar não sei aonde?". Era sempre alguma notícia de futebol. Ele sabia tudo sobre o esporte bretão.

Daí, enquanto eu ainda coçava as minhas remelas, fazia-me sentar pertinho dele no sofá e me contava sempre a mesma história, dos tempos em que viajava com o time da Portuguesa de Desportos, a nossa Lusa. Falava dos jogos, dos bastidores das partidas, dos jogadores... Eu adorava, por mais que eu já soubesse cada pedacinho daquelas historietas de cor-e-salteado.

Penso agora se não seria melhor eu mudar o título dessa crônica para "Ensaio sobre meus avós". Mas acho que não, sofá fica mais engraçado, além de uma metáfora para os vários invernos de minha infância. Afinal, era nele que eu passava grande parte de minhas férias, seja jogando videogame, vendo televisão com minha avó ou ouvindo as histórias do Seu Gilberto.

Hoje vovô não está mais entre nós, mas vovó está firme e forte. Moro com ela desde que passei a estudar em São Paulo. Infelizmente, como a vida costuma nos levar, as minhas tardes de inverno hoje são preenchidas pela labuta diária do trabalho.

Mas mesmo estando tão mais próximo e longe dela, a velha ainda me mata às saudades quando prepara uma boa sopa de feijão nesse friozinho ou me acorda de madrugada - por mais que eu ainda finja dormir e não notar - para me colocar aquele cobertor extra sobre o meu corpo.

27 de jul. de 2006

Tecnologia a serviço da morte

Nesses meus primeiros passos da tentativa de me tornar um jornalista, já coleciono diversos casos engraçados. A grande maioria deles vem dos releases que eu recebo.

Já deixo claro que não tenho nenhum problema com os assessores de imprensa. Não sei o que o futuro me reserva. Quiçá um dia não posso estar por aí enviando textos a milhares de jornalistas sobre as maravilhas inexistentes de algum produto, não é mesmo?

Mas, enfim hoje recebi um baita release de mau gosto. Veio de uma funerária. O grande destaque do email é a possibilidade de acender velas virtuais em memória do parente ou amigo falecido. "Como há o costume de acender velas em igrejas, por que não pela Internet?", comentou a administradora do grupo da administradora.

Coloco abaixo o impagável email. No lugar dos nomes das pessoas, do site e da empresa, colocarei um *. Em respeito aos mortos, óbvio.


Tecnologia a serviço da morte

Vela virtual e Memorial em homenagem aos mortos são as novidades do site do *. Informações sobre procedimentos em caso de morte também estão disponíveis

Já imaginou acender uma vela virtual pela intenção ou memória de alguém? Pois hoje em dia, a tecnologia possibilita até ações inusitadas como essa.

No novo site do *, que oferece solução completa para o caso de morte, como Funerária, Velório, Sepultamento em Cemitério Parque (jardim) e Cremação, qualquer pessoa pode homenagear, virtualmente, um ente querido. A vela fica acessa no site durante sete dias, diminuindo a cada dia.

Além disso, na nova web há também, na seção Memorial, um espaço reservado aos usuários que queiram manter ou prestar homenagens aos falecidos, inclusive com a biografia da pessoa.

Segundo *, administradora do *, a idéia da vela virtual e do espaço Memorial surgiu como uma forma de homenagem. "Como há o costume de acender velas em igrejas, por que não pela Internet?", comenta.

"E a proposta do novo site é focada na prestação de serviços, por isso o destaque ao esclarecimento de dúvidas sobre o que fazer em caso de falecimento", afirma. "Os familiares ficam tão transtornados com a situação, que têm dificuldade em agilizar as providências necessárias", diz.

O site traz ainda informações sobre os 30 anos de atuação da empresa, os serviços oferecidos pelo Grupo, entre eles o Projeto de Apoio ao Enlutado, que tem como objetivo atenuar o sofrimento e orientar as pessoas sobre como lidar com as perdas. Respostas a algumas dúvidas freqüentes sobre como proceder em casos de falecimentos, como funciona um crematório entre outras também estão disponíveis.

16 de jul. de 2006

Cores bonitas

A foto (droga de celular com câmera VGA) mostra que Sorocaba está mudando. Sim, por incrível que pareça, banda boa toca por essas bandas aqui (pescou? pescou?). Nessa última sexta-feira, 14, eles, o melhor grupo de rock se apresentou na Manchester Paulista:

Bidê ou Balde!

Depois, do The Calling, nunca foi tão legal ver um show em Sorocaba. Minha gauchada predileta, há dois metros da minha fuça, pulando e sacolejando para um bar de motoqueiros com capacidade para menos de 100 pessoas. Um poleiro com forro de plástico no teto.

Foi tão "afudê!", que comprei uma camiseta deles. E obrigado ao meu grande amigo Filippe, o único de toda a patota a me acompanhar nessa aventura:

- Vamos, lógico! Não sendo Emo, beleza!

8 de jul. de 2006

Três considerações sobre o final de Belíssima*

1) A Claudia Abreu é filha da Fernanda Montenegro. A Claudia Abreu casou com o marido da Isabeli Fontana no início da novela, que na trama era neto da Montenegro. Ou seja: a Claudia Abreu deu para o seu próprio sobrinho! Iu!

2) O que foi aquela fuga da Montenegro? Já vi neguinho escapar pela janela e escapar num carro e ou moto, mas fugir na caruda da polícia a bordo de um jatinho particular foi do caramba! Parecia coisa de vídeogame!

3) O Mau-Mau apalpando e tascando a língua na Fernanda Montenegro. Iuuuuuu!!!!

* Gustavo, ao contrário do que esse post sugere, não é noveleiro. Orgulhoso, afirma ter assistido apenas duas novelas na vida: Vamp e Quatro por Quatro (Carrossel e Chiquititas também, mas essas ele diz que não vale).

2 de jul. de 2006

Uma pena o Brasil ter caído fora da Copa. Digo isso porque vou sentir faltar daquele esquema de sair mais cedo do trabalho para ver o jogo em casa, daquele euforismo das pessoas que ficam mais amáveis...

Aliás, quem deve ter comemorado essa eliminação é a Casas Bahia. Fico pensando na cambada de gente que comprou uma pancada de TVs de plasma na loja antes da competição apenas pela possibilidade, de caso o Brasil faturasse o hexa na Alemanha, ganhar outra de graça, como era dito na promoção.

Teve um monte de pato nessa história. A crença pelo título era tanta, que em apenas uma semana a Casas Bahia vendeu dois mil televisores de plasma de 42 polegadas...

Mas do que eu vou sentir falta mesmo era de como os motoristas de ônibus ficavam mais gentis à cada vitória da seleção canarinho. Daqui do jornal até o ponto de ônibus é uma boa pernada.

Vira-e-mexe, enquanto andava tranquilamente até o destino citado, via o busão que eu precisava voando atrás de mim. Corria, levantava os braços, berrava. Com um certo tesão pela cena, nunca os motoristas diminuíram a velocidade do bicho. Minto: duas vezes: antes do jogo de estréia contra a Croácia e na partida frente ao Japão.

Mas foi só eu erguer uma mão e dar um pique de dois metros para os ônibus reduzirem a velocidade e abrirem a porta lateral. Os motoristas sorriam, os cobradores te cumprimentavam...

Bosta de eliminação!