28 de mar de 2007

Um absurdo, mas de boca fechada

Lá por volta de 1993, eu fui um assinante da revista Caras. Minto, foi a minha mãe. A desculpa dela é que revistas de celebridades, sejam elas populares ou não, sempre fazem um baita sucesso entre seus pacientes.

Para quem não sabe, ela é médica.

Naquela época, uma pessoa que sempre aparecia nas páginas dessa revista era a Thereza Collor. O marido dela (Pedro Collor de Mello) tinha morrido há pouco tempo, seu cunhado (adivinhem?) levado o impeachment... Enfim, coisas que acontecem todo dia.

A mulher, como se vê na foto, é uma morena daquelas bem fornidas: corpo violão, coxas grossas, cabelo preto e ondulado, e um sorriso de fechar o comércio. Eu, no alto de meus 8 anos, fiquei apaixonado.

Certo dia, vejo Thereza dando entrevista na TV. Devia ser no Amaury Jr ou algo do gênero. Eu, que só a tinha visto apenas em fotos, tomei um susto. Logo aumentei o som da televisão e, pasmem, tive a maior decepção. A moça tinha uma voz horrível: aguda, com um sotaque nordestino fortíssimo, e ainda falava mal pra chuchu.

Meu pai, que estava comigo na sala, logo comentou: "Essa mulher é um absurdo, mas de boca fechada".

Lembrei dessa frase nessa última terça-feira, durante o evento de uma grande empresa de tecnologia na Daslu (pois é, coisas da profissão). E bom evento que se preze tem muita mulher bonita. As recepcionistas ou hostes desse, então, pareciam ter saído de algum desfile moda. Eram todas, sem exceção, um absurdo de lindas.

Estava eu lá, ouvindo o vice-presidente falar sobre um produto recém-lançado, quando de repente me dá uma baita vontade de ir ao banheiro. Se um dia o caro leitor for na Daslu, e isso não é piada, já aviso que achar um banheiro lá é impossível. Aquilo parece um labirinto que vai te levando para milhares de salas minúsculas. Não há corredores ou janelas, é horrível.

Mas eis que eu vejo um salto alto à minha frente. Confiro o material todo: cabelos lisos e escorridos, olhos verdes, sardas nas bochechas; um espetáculo. Pergunto:

- Errr... Você sabe onde que fica o banheiro?

Ela faz uma cara de sonsa, aponta o braço para a direita e explica o trajeto.

- Lógico! ta vendo aquela mina ali? Passa por ela e depois vira às direita e depois às esquerda.

Cerrrrrrrto.

Um comentário:

Betty Vidigal disse...

Pois...... estou aqui, feito uma tonta, tentando provar à plebe ignara q Thereza Collor NÃO PODE ter escrito o texto q tá circulando pelaí como sendo dela, 'Carta Aberta Ao Senador Renan Calheiros'

Se fosse dela, a moça seria uma escritora e tanto. Mas, claro, quem não sabe falar tb não sabe escrever... Fico por isso mto aliviada de ler no seu blog q ela fala mal.

já achei o autor: é o jornalista alagoano Mendonça Neto, em texto publicado no jornal Extra, de Alagoas. Ora, o texto fala em ter ido buscar o Calheiros, ainda garoto, em Murici, pra ser deputado estadual -- em 1978.

Em 1978, Thereza Collor tinha 15 anos. Não tinha nem idade nem cacife pra buscar ninguém pra ser deputado. Renan Calheiros tinha 23.
Ela não acharia q ele era um menino.... Pra uma menina de 15, um cara de 23 é um coroa.

Mas achei tb a fonte do engano: "A senhora Thereza Collor está recomendando pela Internet a reprodução desta carta do ex-deputado, o jornalista Mendonça Neto. Vamos atender a Thereza e abrir aspas para o articulista do jornal Extra das Alagoas"

Segue-se o artigo de Mendonça Neto, bem bom. A tal Carta Aberta.

http://mirandasa.blogspot.com/2007/07/carta-aberta-ao-senador-renan-calheiros.html (de Miranda Sá)

Vale a pena ler -- e talvez reproduzir, com o crédito devido...

Betty Vidigal