13/11/2009

Uma delícia chamada Pomplamoose

Eu me amarro nesses músicos talentosos que fazem releituras de hits no YouTube. Meu mais recente vício é o Pomplamoose. Apesar do nome que exige um certo biquinho ao ser pronunciado (significa toranja em francês), a banda - dupla, na verdade - é um casal californiano, que desde o verão americano do ano passado faz seus videozinhos para a rede.

Além do som ser ótimo (até as composições originais deles são boas), o que me encantou no Pomplamoose é que eles entendem de edição de vídeo e hoje fazem um tipo de trabalho audiovisual que tem a cara do YouTube. Não tenho certeza disso, já que eles podem estar ali apenas fazendo playback, mas acredito que eles devam se filmar durante todo a gravação de uma nova faixa. Eles captam o momento de cantar, de tocar instrumento X, Y e Z.

Depois, na montagem final, eles sincronizam cada um desses pedacinhos com o som de cada instrumento. A imagem de Jack batendo no prato da bateria, por exemplo, entra no exato momento em que esta parte da música entra. Os vários momentos de cantoria de Nataly Daw (para fazer os backing vocals) têm o mesmo procedimento.

Esses vídeos entram em pequenas janelas, como pop-ups. É um barato de se ver e ouvir.





12/11/2009

Fifa 10 brilha muito sobre o novo Pro Evolution Soccer



Brasileiro é apaixonado por futebol. Virtual. Todo final de ano a história se repete: os gamers ficam alvoroçados à espera daqueles que, para muita gente, são o único motivo de se comprar um videogame: as novas edições de Fifa e de Pro Evolution Soccer (ou o eterno Winning Eleven).

Os jogos da Electronic Arts e da Konami, respectivamente, travam um duelo há mais de uma década pelo título de melhor simulador de futebol dos consoles. Desde o Playstation 1, para ser exato. Durante grande parte deste tempo, PES sempre esteve na frente, apesar dos vários nomes que teve durante todos esses anos – tudo começou com International Superstar Soccer, lembram?

A disputa ficou mais acirrada nos últimos anos, em razão de videogames de última geração, como Playstation 3 e Xbox 360. Neste novo cenário, a EA se saiu melhor e no ano passado o seu Fifa 9 foi (quase) uma unanimidade ao ser considerado o melhor game de futebol de 2008.

Mas e agora, a história vai se repetir? É isso que vou mostrar abaixo, com um comparativo entre Fifa 10 e Pro Evolution Soccer 2010, que acabam de chegar às lojas brasileiras, em versões para PC, Xbox 360, PS2, PSP e PS3, além do Nintendo Wii. Os preços variam de R$ 99,90 a R$ 229,90.

PRIMEIRO TEMPO

A primeira coisa que vamos analisar são os gráficos. E, mais uma vez, Fifa sai na frente. Na versão testada para o PS3, os gráficos foram de babar. A torcida tem movimentos reais e não parece mais um display de papelão. O uso de luzes e sombras também é de se elogiar, algo aprimorado no novo PES, mas ainda inferior ao concorrente. Em relação ao cenário, Fifa dá de goleada. A própria grama tem camadas, ao contrário de PES, que mostra um grande bloco verde, que parece pintado com giz de cera.

Em seguida, o mais importante: a jogabilidade. Pro Evolution Soccer continua mais intuitivo, algo que sempre agradou aos brasileiros. Não é preciso de comandos específicos para driblar, passar o pé na bola, rodopiar ou controlar a cadência do jogo. Basta habilidade no joystick para conseguir isso. Por outro lado, na nova versão a Konami deixou as partidas mais retranqueiras. Está mais difícil correr com a bola sem deixá-la escapulir. Depende muito da habilidade de cada jogador, como Messi e Cristiano Ronaldo. O mesmo se repete na hora de matar a gorduchinha – ela quica que é um horror. A velocidade de PES 2010 deixa a desejar, pois ficou muito lenta. O mesmo acontece com a troca de passes, que ficou bem estranha nesta versão.

Os goleiros continuam uma mãe. Fazer gols de fora da área ainda são uma moleza, caso você tenha um time que possua um atleta que saiba bater bem na pelota. Outra novidade é que os chuveirinhos estão cada vez mais necessários para se vencer uma defesa bem postada. Está muito fácil fazer gols pelo alto, é só escolher uma equipe que tenha um atacante cabeceador lá na frente.

Já Fifa tem na movimentação dos atletas o seu grande diferencial. Eles correm de maneira individual, todos têm movimentos únicos. Ao contrário de PES, em que todos se movimentam da mesma forma e parecem correr travados, como robôs. Em Fifa, há pequenos detalhes que fazem muita diferença para os fãs mais xiitas. As defesas dos goleiros estão mais plásticas, os jogadores batem na bola de 3 dedos, noutras até acertam lançamentos de letra. Isso não acontece no jogo da Konami. Parece besteira, mas até o juiz do Fifa é superior. A bola respinga nele e ele até chega a pular para que a pelota não o atinja. A maneira como os jogadores matam a bola e a controlam também são de encher os olhos.

A série Fifa tem uma jogabilidade que não costuma agradar aos fãs de PES. Mas basta meia dúzia de partidas para sentir a diferença e começar a pegar o jeito. Realizar jogadas de efeitos, como chutes de cobertura e lançamentos de longa distância, exigem certos comandos que atrapalham no começo, mas depois de muito suor acontecem naturalmente. É bem mais difícil que o rival, mas ao mesmo tempo é desafiador. A nova tecnologia “360º Dribbling” não faz muita diferença, mas dá para ver a evolução da mecânica da série. Principalmente quando se fala da inteligência artificial: os jogadores se adaptam automaticamente ao seu tipo de jogo. Incrível!

O porém do Fifa fica na hora de tentar fazer gols de bola parada. Escanteios e faltas não são nada naturais. O mesmo acontece na hora de realizar cruzamentos pelo alto. Nesses quesitos, Pro Evolution Soccer ainda é matador.

SEGUNDO TEMPO

O número de times licenciados em Fifa 10 é muito superior à PES 2010. Para nós, brasileiros, existe um problema. Ao contrário do resto do mundo, onde o acerto é realizado com a liga de futebol de cada país, por aqui o acordo é fechado individualmente com cada equipe. 20 times brasileiros estão inclusos no jogo da EA, como São Paulo, Palmeiras, Flamengo e até o Barueri. Mas Corinthians, Santos, Grêmio e Fluminense, não.

Quer dizer, eles estão no jogo. Os gritos da torcida e as escalações são oficiais. Mas os uniformes e os nomes dos clubes são “alternativos”. Ronaldo agora brilha muito no C. São Paulo, por exemplo. No jogo da Konami, um vexame: só existe o Inter de Porto Alegre por lá. Não é por acaso que o sucesso de Pro Evolution Soccer no Brasil tenha acontecido, principalmente, com as versões piratas dos jogos. Por quê? Por trazerem os times brasileiros.

Para resumir, Fifa 10 bate Pro Evolution Soccer facilmente. Não chega a ser uma goleada, é claro, mas é uma prova da clara evolução da franquia, que soube trabalhar com as imensas possibilidades dos videogames de última geração, dando aos jogadores gráficos de primeira e uma enorme gama de possibilidades de modos online.

* Matéria publicada no Virgula

10/11/2009

'Também me sinto muito confuso'

SAN DIEGO - Foi com muito bom humor – algo raríssimo, dizem –, que o ator Joshua Jackson acalmou o jornalista do Estado, com dificuldades para formular uma pergunta em que ele pudesse comentar como foi descobrir, ao final da 1ª temporada de Fringe, que seu personagem tinha morrido na vida real, mas estava vivo no universo paralelo: “Olha, também me sinto muito confuso na hora de falar sobre o show”, disse.

A série, cuja 2ª temporada estreou há duas semanas no Brasil, pelo Warner Channel (toda terça-feira, às 23h), fez muito fã pular do sofá no último episódio de seu ano nº1. Foi assim: o mundo possui uma realidade alternativa e a agente Olivia Dunham (Anna Torv) conhece este outro lado – em que o World Trade Center continua intacto, por exemplo. Também foi revelado que o Peter Bishop (Joshua Jackson) que conhecemos é o do universo paralelo – o do mundo real morreu quando criança, um segredo de seu pai, o cientista Walter Bishop.

Como os primeiros episódios da 2ª temporada não revelam nada do season finale, as perguntas direcionadas a Jackson e Torv foram, basicamente, sobre o futuro do novo ano. Mas eles foram mais misteriosos do que a trama em que atuam. “Não sei nada que a audiência não saiba”, despista Anna, que só responde às perguntas sobre as curiosidades envolvendo a série – como qual é a sensação de ficar dentro daquele tanque d’água que, com um pouco de LSD, faz Olivia se conectar com a memória de defuntos. “A água é quente e não há sal para eu flutuar: eu que balanço os braços! Além de relaxante, é um exercício”, ri.

Jackson prefere comentar a relação entre Peter e Walter. O cientista passou 17 anos no manicômio, sem contato algum com o filho. “A dinâmica entre os dois nesta nova temporada está mais interessante, pois é totalmente o oposto da anterior. Peter, após muito tempo, conseguiu confiar em Walter. Não sei como será a partir do momento que ele descobrir que seu pai mentiu durante todo este tempo”, diz. “O que mais amo em Fringe é como esta relação foi posta dentro de uma história de ficção científica. Ao tirar esse lado bizarro (do universo paralelo), você vai observar como a dinâmica deles é algo muito real.”

Anna lamenta não atuar mais ao lado do marido, o ator Mark Valley, que conheceu na gravação do piloto de Fringe. Ele viveu o agente John Scott, que morre logo no primeiro episódio. Tirando um ou outro momento em que os dois contracenavam juntos (no caso, nas memórias de Olivia), ele passava o tempo todo deitado em uma espécie de incubadora! “Esse programa mudou minha vida pessoal e profissional”, brinca a atriz australiana, que teve em Fringe seu primeiro papel na TV americana

Jackson, por outro lado, é experiente no mundo dos seriados e durante anos foi o Pacey de Dawson’s Creek. Perguntado se os fãs o chamam mais de Pacey ou de Peter nas ruas, o ator brincou. “Depende de quem me chama!” Realmente, ele estava de bom humor.

* Matéria publicada no Estadão

07/11/2009

Uma semana com o Kindle

Sabe quando você segura um gadget e sente que aquilo ali em suas mãos pode ser o símbolo de uma revolução? Foi assim quando peguei pela primeira vez um iPod ou passei os dedos pela tela de um iPhone. E tal sensação aconteceu novamente após passar uma semana com o Kindle 2, o leitor de livros eletrônicos da Amazon.

No Brasil ele pode ser comprado pelo próprio site da Amazon, mas o seu valor por aqui supera a barreira do R$ 1 mil. O Kindle impressiona, a começar, pelo visual, que mais parece ter sido obra dos designers da Apple. Ele é muito fino e leve (menos de 1 cm e 289 gramas, para quem ficou curioso) e sua parte frontal é toda branca. Suas bordas são arredondadas e ele pode ser carregado na tomada ou em portas USB - o Kindle tem um adaptador incluso, que faz os dois serviços em um único cabo, uma ótima sacada.

Agora, a tela. Ela não é colorida, mas reproduz 16 tonalidades de cinza (o primeiro modelo, quatro). Ficou decepcionado? Não fique, ela possui uma tecnologia que dá a sensação de realmente estar lendo as páginas de um livro. O ambiente pode estar muito iluminado também, não tem problema, pois o visor se adapta à luminosidade. Porém, a tela do Kindle não emite luz, o que causaria um cansaço aos olhos. Não espere lê-lo em lugares muito escuros, portanto - só com a ajuda de uma luz externa, ou seja novamente, igual a um livro normal.

Como a maioria dos gadgets do momento são touch screen, chega a ser natural pressionar a sua tela. Mas para navegar no Kindle há o "5 Way Controler", uma espécie de joystick que permite ir para cima e para baixo da tela. Além disso, há 5 botões: dois para ir para a página seguinte, um para a página anterior, o de home, outro de menu e mais um de back. Esse joystick é um pouco duro e até ruim de manusear, mas pega-se o jeito com o tempo. Na parte debaixo, por fim, vem o teclado Qwerty, que é ótimo, apesar de exigir uma certa pressão dos dedos.

O e-reader ainda conta com speakers em sua parte de trás e uma entrada para fones de ouvido de 3,5mm. Sim, o Kindle toca também MP3! Mas essas duas opções também servem para ouvir áudio-livros - alguns livros eletrônicos vêm com a função de "Text To Speech", para quem quiser ouvi-los, em vez de lê-los.

LEITURA BÁSICA

Para ligar o Kindle, é só arrastar a barrinha switch que fica na borda superior. Ele é bem intuitivo, já abre diretamente na página home, que mostra todos os livros armazenados e todos aqueles trechos e palavras que você marcou por considerar importante ("Clippings"). Para procurar por um livro, e só clicar em menu e ir na Kindle Store.

Aqui vem o grande trunfo do Kindle, sua conexão 3G. Apesar de não ter Wi-Fi, o livro eletrônico da Amazon tem acesso à rede sem fio de telefonia celular, por um certo sistema Whispernet, da própria Amazon. Desta forma, pode-se comprar um livro virtual no site da loja virtual a qualquer momento do dia. Nos Estados Unidos, a navegação foi muito rápida. Em menos de 30 segundos foi possível baixar e-books. No Brasil, o tempo foi de aproximadamente 1 minuto, o que também é ótimo. Mas a conexão caiu em diversos momentos.

Os e-books são pagos e os valores vão de US$ 2 ("O Retrato de Dorian Gray") a US$ 12 ("Amanhecer", último livro da série "Crepúsculo"). Para comprá-los, só com cartão de crédito, registrado na Amazon. Infelizmente, na Kindle Store não há muitas opções de obras em português. Paulo Coelho tem 7 livros por lá, mas nenhum em sua língua nativa, só em inglês. A reportagem conseguiu encontrar "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro", ambos de Machado de Assis. Cada um custava US$ 3, mas ao optar por uma versão "preview", que geralmente dá acesso à apenas um ou dois capítulos da obra, eles vieram na íntegra.

Vale dizer que não muitas opções também em inglês. Best-sellers como "Free", de Chris Anderson, não estão por lá. Nem "O Código da Vinci", de Dan Brown. A melhor opção é buscar por livros eletrônicos na internet e depois transferi-los para o Kindle via USB. Para os brasileiros, uma opção é a Editora Plus. Está atrás dos clássicos? Garimpe pelo Google.

O gadget da Amazon lê e-books nos formatos AZW, MBP e mobi. PDF, não. Para fazer essa conversão, é preciso enviar um e-mail para um endereço específico da Amazon. A conversão custa centavos de dólares e demora algumas horas. Mas também há programas gratuitos na rede que fazem esse serviço.

O site da Amazon, sempre que for entrado pelo Kindle, irá exibir sugestões de livros para você comprar baseados em suas pesquisas. Também é possível checar o Top 25 dos mais vendidos. Mais de 60 jornais e revistas também estão por lá para serem lidos (o periódico O Globo é a única opção brasileira). Pode-se comprá-los por edição ou criar assinaturas mensais. Quase todos dão um tira gosto gratuito de 14 dias.

O Kindle 2 vem com o New Oxford Dictionary. Para saber o significado de uma palavra, é só parar com o cursor nela para receber uma breve descrição. Quer saber mais? Dê um clique com o joystick. Fazer marcações também é fácil, basta apertar o mesmo joytisck e correr sobre o texto. Para aumentar a fonte, é só apertar a tecla Aa, onde é possível também escolher o número de linhas pela tela.

RESUMO FINAL

Após 7 dias com o Kindle 2 por perto, o resultado é positivo. Ele vai agradar principalmente quem gosta de ler em inglês, já que a presença de títulos em português beira ao zero. Ele não tem entradas para cartões de memória, algo negativo, mas o seu 1.4 GB de memória permite armazenar cerca de 1.500 obras. Seu sistema de internet 3G é impressionante e nos EUA funciona de maneira espetácular (por lá, dá até para navegar pela internet, o que não funcionou por aqui). Sua bateria também se saiu bem nos testes.

Em uso intenso, durou dois dias. Regularmente, uma semana.

Por aqui, seu problema é o preço. Pagar R$ 1 mil em um aparelho desses é um luxo para poucos. Já acostumar a lê-lo é uma questão de hábito. No princípio há um estranhamento, mas a sua tela é extremamente confortável por dar a sensação quase fiel de se folhear um livro. Irônico, não? Só faltou ele ter aquele cheiro gostoso de livro novo. Ou de mofo, se fosse um livro velho.

01/11/2009

Mafia Wars, (mais) um viciante jogo online dentro do Facebook


Se os jogos sociais são realmente o futuro dos games, o Facebook está aí para não mentir. A maior rede social do planeta virou um repositório para desenvolvedores criarem aplicativos. Uma das empresas que melhor se deu nessa foi a americana Zynga. Criadora do Farmville e do YoVille, a companhia vem chamando a atenção e conquistando milhares de internautas com suas invenções. Na semana passada, especulou-se que a Electronic Arts iria comprá-la. Só para vocês terem uma ideia.

Uma das criações mais populares da Zynga é o game online Mafia Wars, que pode ser jogado no Facebook, MySpace e iPhone. O objetivo dentro dele é virar um mafioso, que vai se tornando mais poderoso conforme sua famiglia aumenta. Resumindo: quanto mais contatos de seu perfil estiverem por lá, melhor. Só assim dá para resistir dos freqüentes ataques das famílias concorrentes.

O objetivo é promover um escambo entre os familiares, trocando armas, cartas chantagistas, roupas, cigarros, animais e até telemóveis indetectáveis. Cada jogador tem um limite de energia para entrar nas brigas, cujo mote é roubar a fortuna dos outros grupos de mafiosos.

Existem várias leis éticas dentro do jogo, algo que se aprende conforme o seu desenvolvimento. Não é preciso retribuir qualquer pessoa que lhe dê um presente, mas é de boa educação ajudar quem dos seus amigos for o mafioso mais fraco. Não vá sair por aí roubando as propriedades dos outros e fugindo depois. Isso é coisa de mafioso meia-boca. O de verdade chama o seu bando para uma disputa cara a cara.

Pode-se desafiar qualquer pessoa de sua lista de contatos para uma guerra e dá até para criar listas negras daqueles mais procurados – ótima dica para ferrar aquela pessoa da lista do Facebook que você não gosta muito! Não se esqueça de divulgar as batalhas em seu perfil, para que seus amigos o ajudem no confronto. As lutas demoram horas e é possível acompanhar o seu desenvolvimento em tempo real. É bem cansativo, mas divertido ao mesmo tempo. A cada vitória, sobe-se de nível dentro do jogo, o que resulta em armamentos mais poderosos, veículos mais invocados e até imóveis para comprar – um ótimo investimento, aliás. Quanto mais bens se tiver, mais dinheiro vai entrar no seu caixa.

Por falar em grana, para ganhar uns trocados no começo é preciso fazer aqueles trabalhos clássicos dos mafiosos dos cinemas – pequenos roubos ali, uma extorsão acolá... Bicos, enfim. Começa-se de baixo mesmo, não espere virar um Don Vito Corleone em poucos minutos.

Mafia Wars não tem personagens tridimensionais, efeitos especiais, som 5.1... É um game online, simples, mas ao mesmo tempo divertido e viciante. Uma ótima dica para aqueles momentos em que você está em frente ao computador, não tem nada para fazer, e não sabe o que mais procurar no YouTube para se entreter.

E, vamos combinar: dá para fazer várias coisas ilegais dentro dele, como estapear aquele seu desafeto, roubar a fortuna daquele seu colega almofadinha... Tudo de mentira, lógico. Mas para o ego faz um bem ótimo!

* Matéria publicada no Virgula


30/10/2009

Batman: Arkham Asylum é um presentaço para os 70 anos do Homem Morcego

Existe uma unanimidade entre os gamers: a de se evitar jogos que sejam licenciados de filmes ou quadrinhos. Quase sempre, jogos baseados nessas obras são feitos na pressa, sem o devido esmero, com o único objetivo de pegar carona num sucesso e faturar ainda mais. De vez em nunca surge uma exceção à tal "regra". A de 2009 atende pelo nome de Batman: Arkham Asylum (Xbox 360, PS3 e PC).

Um ano depois de ganhar aquela que, para muitos, é a melhor adaptação do Homem Morcego para os cinemas, chega aos videogames aquele, que segundo os críticos, trata-se do melhor jogo do personagem nos videogames. Mais: do melhor jogo já feito sobre um super-herói. Exagero? Nem um pouco.

Para trazer o mundo do Cavaleiro das Trevas aos consoles (e PC), o RockSteady Studios, em parceria com a Eidos Interactive e a Warner Bros, chamou ninguém menos que Paul Dini para escrever a história. O premiado roteirista é o produtor de várias séries animadas da DC Comics para a TV, além de ter conduzido as HQs do Batman pintadas por Alex Ross. A dupla se reuniu especialmente para o jogo e o resultado final é praticamente uma graphic novel em forma de game, cujo visual espetacular e sombrio casa perfeitamente com uma trama primorosa.

Arkham Asylum começa com a prisão de Coringa. Ele é encaminhado para o Hospício de Arkham, uma ilha onde os criminosos mais insanos de Gothan City são levados. Batman suspeita do Príncipe Palhaço do Crime, que se deixou capturar muito facilmente. Ele não está errado: o objetivo do Joker é sequestrar o manicômio e usá-lo como start para a destruição da cidade. Junto de sua namorada - e comparsa - Arlequina, ele prende o Homem Morcego lá dentro. Esse, além de enfrentar capangas bombados e assustadores (frutos de experiências científicas, com certeza), ficará frente a frente com vários de seus inimigos clássicos, como Hera Venenosa, Espantalho e Crocodilo.

YES ESPIONAGEM, NO PORRADARIA

A história é uma delícia, de diálogos inspirados e roteiro que vai se abrindo conforme a evolução do jogo, que tem mais de 15 horas ao todo. O melhor exemplo é logo a cena de abertura, com a captura do Coringa, em que os créditos vão se espalhando pela tela tal qual um filme. Vale destacar também que Arkham Asylum foge da premissa de porradaria pura. Basta apertar um ou dois botões para sair na mão com os bandidos e soltar voadoras e golpes à Matrix. O filé mesmo são os momentos de espionagem com exploração, quase uma mistura de Bioshock com Metal Gear Solid.

É viciante usar o Detective Mode, uma ferramenta parecida com a visão sonar do filme Cavaleiro das Trevas. Ela serve para identificar inimigos através das paredes, conferir se estão armados e até mesmo os seus batimentos cardíacos. Ela também possibilita detectar pistas que fariam inveja aos profissionais forenses do CSI, como trilhas de álcool no ar e rastros de cinzas de charuto pelo chão. Para quem gosta de todas as funções do bat-cinto de utilidades, o game é uma desforra. Há desde o clássico arpão, que serve para o Batman se dependurar em paredes e gárgulas, até um gel explosivo que explode paredes fragilizadas.

Para avançar no jogo, além de seguir tarefas cruciais, como resgatar o Comissário Gordon, é preciso encontrar 240 desafios lançados pelo Charada em formas de fitas de áudio e outros ícones que ajudam a entender melhor o manicômio e seus pacientes. Para achá-los é preciso explorar o gigantesco cenário do jogo. Além disso, o game tem vários extras, como lutas um contra um, ótima pedida para quem deseja testar os músculos do Cavaleiro das Trevas. Já quem possuir um PS3 poderá baixar no PlayStation Network, a rede online da Sony, fases especiais a serem jogadas com o Coringa.

Batman: Arkham Asylum é uma excelente dica para qualquer tipo de público, seja aquele que só conhece o Homem Morcego das telonas ou quem devora os seus quadrinhos há décadas. O game é, com toda a certeza, um presentaço para este personagem, que em 2009 completa 70 anos.

* Matéria publicada no Virgula

26/10/2009

The Big Bang Theory: qual é o segredo da fórmula?

SAN DIEGO - Os nerds contra-atacam. Após meses de espera, The Big Bang Theory retorna à TV brasileira com novos episódios. Às 21h30 desta terça-feira, 27, começa a 3ª temporada pelo Warner Channel. Vale ficar de olho: trata-se de um fenômeno de audiência, que bate recordes nos EUA a cada semana – o último capítulo teve mais de 15 milhões de espectadores. E o título é, ao lado de Two and a Half Men, a comédia mais vista da América Latina.

Não por acaso, os dois sucessos levam a mesma assinatura: Chuck Lorre. Com Bill Prady, um ex-desenvolvedor de softwares, ele produziu esse show sobre dois amigos físicos, Sheldon e Leonard, que sabem tudo sobre o universo mas são incapazes de conversar com uma mulher. Ao lado de dois amigos inseparáveis, Howard e Koothrapali, seus hobbies são comprar quadrinhos, jogar paintball e ir a festas de cosplay.

O quarteto é metódico, a ponto de ter uma noite da semana voltada só para jogar o game Halo, e outra para jantar comida chinesa. A vida deles é transformada após a chegada de uma vizinha ao edifício que tem o seu elevador quebrado ad eternum: a loira Penny, uma garçonete aspirante a atriz. "Ela é o passaporte deles para o mundo exterior. Ela é divertida e relaxada, e isso os influencia", explica a atriz Kaley Cuoco, a Penny.

O roteiro é inteligente e, mesmo cheio de referências tecnológicas e científicas, agrada todo tipo de público. Mas a graça mesmo está no elenco de nerds – em especial, o personagem Sheldon Cooper, um monstro criado pelo ator Jim Parsons (leia entrevista ao lado). Obsessivo, ingênuo e antissocial, Sheldon é a figura mais carismática da TV atual. The Big Bang Theory, no entanto, não se trata de um one man show, diz Lorre.

"Grandes personagens surgem de histórias coletivas. Jim é uma pessoa que se destaca, mas todos são muito talentosos. O grupo funciona como um time, isso é o que o torna tão especial", diz. "Você imaginaria Archie Bunker (Tudo em Família) sem Edith? Um show não se sustenta sem personagens interessantes, pois só assim você tem várias histórias para contar."

DOIS PROJETOS, UMA SÉRIE

A série nasceu de dois projetos distintos. Lorre queria produzir uma série sobre uma garota sonhadora, que tem de lidar com as agruras da vida. Já Prady queria transformar em personagens seus ex-colegas dos tempos de programador. Até que veio o clique: "e se ela conhecesse os nerds?"

Sheldon e Leonard seriam coadjuvantes de Penny, mas grupos de discussão se mostraram muito mais interessados pelas histórias dos geeks. "Achei que no começo eu seria só a loira gostosa e tapada que mora ao lado", admite Kaley.

Em tempos em que as comédias americanas buscam inovar seus formatos, como os falsos documentários de The Office e Modern Family, The Big Bang Theory segue a tradicional fórmula das três câmeras filmando um cenário, com uma plateia assistindo tudo ao vivo (daí aquelas risadas ao fundo). "É excitante por termos essa resposta imediata, mas também é muito vulnerável. Se o material não funciona ouvimos um silêncio, é um som terrível", diz Lorre. "Paramos a gravação e reescrevemos a piada. Se ela é uma droga com a plateia, também será na TV", acredita.

Um professor de física e de astronomia é responsável por revisar o roteiro e fornecer o denso material. Aos poucos, ele mesmo começou a sugerir umas piadas. O texto é um desafio ao elenco, e os atores admitem que entendem patavina do que falam. "Como laboratório, eu e o Jim saímos com uns professores e cientistas de Los Angeles para tentarmos aprender algo. Bastaram 20 minutos para percebermos que não tinha como", ri Johnny Galecki, o Leonard.

Na nova temporada, ele e Penny vão namorar. Questionada se já se apaixonou por algum nerd, Kaley sorri. "Totalmente! Amo conversar sobre física e qualquer coisa que envolva matemática. Graças ao show, sei muito sobre Star Trek e mais do que preciso sobre Star Wars."

Mas... e Sheldon? Será que um dia ele também irá encontrar um grande amor? Lorre responde com bom humor. "Sheldon é apaixonado por física. E pelo Sheldon. É um caso de amor com o próprio cérebro, por isso ele é tão especial."

'Eu me sinto uma vovó'
Jim Parsons diz não ter nada do seu Sheldon Cooper. Quando contou isso, os jornalistas que se aglomeravam na mesa em que ele estava ficaram decepcionados. Mas basta fechar os olhos para ter a sensação de que a pessoa que está ali, sentada ao seu lado, é realmente o físico especialista na Teoria das Cordas.

A voz que chega a afinar nas exclamações e até a risada característica fazem parte de Parsons. Não foram trejeitos criados pelo intérprete, que neste ano foi indicado como melhor ator de comédia ao Emmy. Simpático até dizer chega, ele respondeu às perguntas de cada jornalista. E atendeu às solicitações dos mais empolgados, que pediam para ele sussurrar "I’m Batman", ou exclamar um "Bazinga", e até mesmo dar um "oi, mamãe" às câmeras do celular.

Qual é a sensação de ser indicado pela primeira vez a um Emmy?

Nossa, foi como se eu saísse do próprio corpo. Logo vieram falando se eu saberia o que iria vestir e achei isso estranho, porque não é só pôr um smoking? Me senti com 15 anos. De onde você é?

Eu? Do Brasil!

Ah, sério? Eu fiz um comercial no Brasil uma vez e eu era o único ator que falava inglês dali. Essa foi a experiência mais estranha da minha vida!

Inclusive tem uma camiseta que vende por lá com sua foto. Você aparece de Che Guevara e embaixo está escrito "Cheldon". Como é virar um ícone nerd?

Não sei como é se sentir assim, é algo muito novo, especialmente agora que você falou desta camiseta! Por que você não me trouxe uma? (Risos)

E você tem algo de nerd?

Nada. Nunca fui bom em videogame, mas jogo pingue-pongue com o pessoal do elenco e da produção. Sou nerd no sentido de ser praticamente um velhinho. Gosto de dormir e acordar cedo, ouvir rádio enquanto me exercito... Isso é muito mais do que você precisa saber, mas eu me sinto uma vovó. Eu não sou o cara mais bacana do mundo.

Você entende algo daquelas referências que o Sheldon adora jogar na cara dos outros?

Ai... Eu não digo isso de uma maneira ruim, mas raramente. Entre o fã de quadrinhos e o cientista há uma linha tênue de conhecimento. Eu sei o que estou dizendo, mas nunca parei para rir depois de ler uma fala e berrar: "Entendi!" Teve uma cena na loja de HQs que eu não tinha muito o que fazer, então li um gibi. Nem lembro o nome dele, era com tiros. Foi agradável!

O Sheldon tem um jeito todo especial de falar e de se expressar. Essas idiossincrasias foram criações suas?

Eu diria que o "knock-knock-knock, Penny, Penny, Penny". Mas é algo meio "o ovo ou a galinha?" Não sei se alguém escreveu ou se fui eu que fiz. E tem pequenas coisas que os roteiristas escrevem ao me observarem. Eu não tentei pôr uma voz, um jeito especial de andar... Eu apenas estudo as palavras.

Como os fãs se aproximam de você nas ruas? Eles acham que você é igual ao Sheldon?

Não. Eu até sonho que alguém chega até mim e diz coisas estranhas, que pensa que sou um cara muito esperto... (Risos) Mas não, eles sabem que sou um ator.

* Matéria publicada no Estadão

23/10/2009

Melhores musicais do The Office

5) Bringing the Sexy Back



4) Dwight Schrute Music Video



3) That's What She Said Music Video



2) Ryan Started the Fire



1) The Office Musical

20/10/2009

Na cola de Crepúsculo

SAN DIEGO - Para quem achava que não havia espaço para mais uma história de vampiros, após os sucessos da série True Blood e do filme Crepúsculo, um aviso: há sim. Estreia às 21h de quinta-feira, na Warner, The Vampire Diaries.

Tal qual os dois exemplos acima, o seriado é baseado numa série de livros best seller – Diários do Vampiro, de L.J. Smith. Na história, Elena (Nina Dobrev) é uma adolescente órfã, que se apaixona por um colega no primeiro dia de aula. O garoto é o misterioso e sedutor – e vampiro – Stefan Salvatore (Paul Wesley). Algo meio Isabella e Edward, de Crepúsculo.

Elena também será cortejada por Damon (Ian Somerhalder), irmão mais velho de Stefan. Ao contrário do caçula, que aprendeu a controlar seus impulsos, Damon não perdoa a jugular alheia. Algo meio Bill e Eric, de True Blood. Os dois brigaram há centenas de anos pelo amor da jovem vampira Katherine. A disputa provocou sua morte e os dois se afastaram. Elena é praticamente uma sósia de Katherine e daí vem o interesse deles por ela.

"O show tem uma mitologia rica. Nossos personagens estão interconectados há centenas de anos e a cidade de Mystic Falls é um lugar onde houve guerra civil, com uma grande carga de atividade sobrenatural", diz ao Estado Kevin Williamson, responsável pela adaptação do livro para a TV.

The Vampire Diaries traz vários rostos novos. Menos Somerhalder, ex-Lost. "Só ele não fez testes, ficamos loucos ao descobrirmos sua disponibilidade", ri Julie Plec, que assina a série com Williamson.

Lançada pela CW, mesmo canal que exibe Gossip Girl nos EUA, Vampire teve boa audiência na première, mas foi mal recebida pela crítica. Williamson, pai de Dawson’s Creek e dos thrillers Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, diz que a série é uma versão sexy e jovem de Dark Shadows, show vampiresco americano cult dos anos 60. Para quem não captou a referência, ele cita exemplos atuais bem conhecidos. "Adoro True Blood e, Julie, Crepúsculo. Vampire Diaries fica no meio disso".

PS: Matéria publicada no Estadão

14/10/2009

Tem como não amar?

12/10/2009

Migux, uma rede social para gente pequena

Com o Orkut sendo, disparado, a maior rede social do Brasil, fixar e popularizar uma dessas por aqui não é fácil. Que o diga o povo do MySpace. Curiosamente, uma "social network" que não para de crescer no País, e até já tem mais usuários do que o próprio Facebook no território tupiniquim, é uma brasileira, voltada para a criançada: o Migux.

Criada pela empresária Anna Valenzuela, o site conta com 2 milhões de usuários cadastrados. Ele é uma mistura de rede social com game, em que os pequenos internautas criam avatares (peixinhos), escolhem uma casa para viver e tem de acumular conchas - o dinheiro local - por meio de minijogos para mobiliar a residência aquática. Além disso, a garotada é estimulada a gerar conteúdo dentro da rede, podendo criar desenhos e blogs dentro do serviço, ao mesmo tempo em que aprendem a cuidar do meio ambiente.

Em pleno Dia da Criança, batemos um papo com a Anna, que mostrou para a gente como é criar uma ferramenta de sucesso para essa geração de nativos digitais cada vez mais exigentes.

De onde veio a ideia de criar o Migux, Anna?
Trabalhando há dez anos com internet, como editora da primeira página do Uol, consultora de interatividade e diretora de produtos na Brancaleone, sempre fiquei intrigada com a falta de produtos e conteúdos online para crianças. Justamente os nativos digitais tinham poucas opções interativas na web. Curiosamente, estamos falando de um público que, exatamente por ser tão íntimo das novas mídias, é o mais exigente em relação a essas novidades. Com o tempo fui amadurecendo a ideia de uma rede social totalmente desenvolvida para a "geração 2.0". Uma rede com ferramentas que atendesse às expectativas desses produtores natos de conteúdo. Desenvolvemos o Migux na Brancaleone, empresa da qual sou sócia com outros três veteranos da web: João Ramirez, Antônio Graeff e Carlos Freitas.

Quais os números por trás do site e qual é o seu perfil?
Estamos chegando aos 2 milhões! O Migux tem cerca 600 mil usuários ativos e picos de 2.500 participantes simultâneos. Todos os números do Migux são espantosos, inclusive pra gente. Temos neste minuto 783.590 desenhos feitos pelas crianças usando a ferramenta de desenhos do Ateliê do Migux, um verdadeiro hype deste mundo virtual. O perfil de idade é: 5% até cinco anos; 48% de seis a dez anos; 35% de 11 a 15 anos; 7% de 16 a 20 anos e 5% acima de 21. Em relação ao sexo, 55% de meninas e 45% de meninos.

Quais as dificuldades de se criar uma rede social no Brasil? Em especial, para a criançada?
No Brasil, temos profissionais muito talentosos, porém raros. Não é fácil encontrá-los. Além disso temos um publico que, por ser heavy user (é primeiro lugar mundial em tempo de permanência na internet), é muito exigente. Está sempre querendo mais e mais. Isto começa como uma dificuldade, mas acaba se tornando um laboratório incrível para o produto, o que é muito bom.


O que o internauta mirim procura hoje numa rede social? Como não torná-la muito infantil, que o agrida?
(Risos) O internauta mirim, como já disse, é um trator. Quer tudo e mais um pouco. Mas há um elemento fundamental para ele que é ter sua própria criação valorizada. Uma das principais características do Migux, certamente responsável pelo sucesso dele, é exatamente respeitar e alimentar esta necessidade da garotada criar e se expressar. Além disso, uma forma de ser infantil, sem ser chato, é sempre falar a língua deles. E esta língua não é o tatibitati. O Migux tem ironias, "maluquices" e até algumas incorreções políticas - como, por exemplo, jogar bigorna nos amigos! - que conquistam os pequenos. Eu diria que engajamento também é a palavra-chave para uma rede social infantil.

O que diferencia o Migux de outras redes sociais infantis, como o Penguin e o Habbo?
Creio que a diferença esteja no fato do Migux ser uma rede social para os pequenos, com foco em produção de conteúdo pelos usuários. Não investimos pesadamente em games. Outro diferencial do Migux está nas atividades com apelo ecológico, que é a principal temática desta rede. Como "meio ambiente" também faz parte da agenda destes ambientalistas mirins, temos o engajamento da molecada.

Quais as próximas novidades?
Tem uma novidade pintando já no Dia da Criança. Um parque dará uma piscina de bolinhas virtual de presente para os Migux e também irá incentivar a produção de desenhos dando Gotas (uma moeda especial) para quem desenhar durante este mês. Mas tem muitas outras novidades pintando por aí: a abertura da Galeria Maluca, um passeio pelo mundo terrestre, o fim do mistério da bolha do quintal... e por aí vai.

Há bastantes assinantes que adotaram o modelo "premium"? Em um país em que o internauta quer tudo de graça, como motivá-lo a pagar por algo na internet?
O que temos está mais para o chamado modelo “freemium”, ou seja, muitos participam gratuitamente enquanto uma pequena parcela paga para ter benefícios... Como este público está muito acostumado a pagar para ter os virtual goods ("benefícios virtuais") em games, o conceito do “não há almoço grátis” está mais claro para eles do que para os adultos... (risos)

PS: Matéria publicada no Virgula

09/10/2009

Galo Frito: prontos para cantarem mais alto na TV


Da tal "geração YouTube" que surgiu nos últimos anos, com vídeos e produções caseiras na internet a fim de conseguir um lugar ao sol (traduzindo: TV), um dos exemplos mais interessantes - e talentosos - vem de Santa Catarina, pelas mãos do grupo de humor Galo Frito. Formado por três estudantes de publicidade, o grupo surgiu como uma brincadeira despretenciosa, feita para aparecer em um canal de TV universitário. A esquete humorística agradou e, como não poderia de ser, resultou em um pedido muito comum hoje em dia. "Joga isso na internet", pediram. E jogaram.

Mas não foi no YouTube, e sim no FizTV, um extinto projeto brasileiro mezzo portal de vídeos mezzo canal de assinatura, que remunerava os filmetes mais populares. O Galo Frito foi ganhando espaço com seus curtas que, além de engraçados e com situações absurdas à Monty Python, têm muitos efeitos especiais. Curiosamente, foi após o fim do Fiz que o grupo realmente ganhou notoriedade não apenas na rede, mas também em jornais, revistas e emissoras. Tudo graças a Dancing Lula, um vídeo em que um dos comediantes dançava em cima de um heliponto ao som de Harder, Better, Faster, Stronger, da dupla Daft Punk. Na gravação, o rosto do presidente foi colado ao corpo de Mederijohn Corumbá, o Mederi, que saculejava prum lado e pro outro.

Mederi contou ao um pouco do Galo Frito, que vem ampliando o seu repertório com curtas metragens, videoclipes e seriados - Perdidos, uma sátira a Lost, vem por aí. Hoje contratado da MTV, ele revela que fazer vídeo na internet rende apenas um trocados. E brinca com a situação: "Tem um emprego aí no site?"

Para começar, o de sempre: como nasceu o Galo Frito?
O primeiro Galo Frito foi feito em outubro de 2007, um piloto de 15 minutos para entrar na TV universitária da nossa universidade, a Univali (Universidade do Vale do Itajaí). Só fomos fazer um segundo programa ao fazer o upload do piloto no site do FizTV. Fomos convidados a entrar na grade de programação, e isso foi no dia 14 de março de 2008. Nós nos conhecemos na universidade, pois a gente cursava publicidade e propaganda e já possuía alguma experiência em televisão e vídeos, então isso fez com que ficássemos mais amigos. No começo, éramos quatro: Mederijohn Corumbá, Tiago Cadore, André Petermann (Buda) e Roberto Pereira. O Beto ficou com a gente apenas por uns oito ou nove programas, e teve que sair devido à ofertas de trabalho. Além de nós três, temos participações especiais de amigos, mas uma pessoa que sempre está no Galo Frito e já consideramos uma integrante é a Patrícia dos Reis, a "Chapeuzinho Vermelho", musa de todos os nossos fãs.

Mas o grupo é de 2006, não?
Em meados de 2006, eu e o Guilherme Angeli resolvemos bolar um programa de humor diferente de todos que já existiam no Brasil, usando esquetes em forma de curtas-metragens. Com isso, chamamos André Petermann (Buda) para fazer parte e começarmos a criar um projeto, e assim nasceu o Galo Frito. Quando tudo estava definido, infelizmente o Guilherme veio a falecer, fazendo com que o Galo Frito ficasse na geladeira por cerca de seis meses. Não querendo deixar o projeto acabar, em 2007 chamamos o Cadore para fazer parte do Galo Frito.


Quando que os vídeos fizeram sucesso? O Dancing Lula foi o "culpado"?
Já produzíamos vídeos há um ano, mas nunca um deles bombou na net. Mas isso também serve para o fato que também não colocávamos todos no YouTube. Então, um dia eu estava com uma ideia de produzir um vídeo sozinho, fazendo alguma sátira com o nosso presidente. A ideia veio como um flash, pensei em fazer ele dançando! E que música usar para isso? Daft Punk: Harder, Better, Faster, Stronger, uma música que no YouTube possui mais visualizações graças ao vídeo Daft Hands. Não deu outra, vários blogs começaram a viralizá-lo, o mesmo no Twitter, Orkut e etc. No mesmo dia do upload, já havia pego contato com algumas emissoras de TV - inclusive a MTV -, algumas revistas e jornais. Depois de um mês fiz o Dancing Obama, que também foi um sucesso, mas não se comparou ao Dancing Lula. Começamos a ficar famosos e nossos outros vídeos começaram a ser mais vistos, mas nenhum ainda superou os "dancings".

Os efeitos visuais dos vídeos são muito bons. Quem os faz?
Eu e o Cadore editamos os vídeos. Usamos e abusamos do (software de criação de gráficos) After Effects nas nossas produções. Até para dar um pequeno diferencial.

Qual a dificuldade de se fazer humor na web? A impressão de que, no Brasil, ela é uma vitrine para entrar na TV. Isso acontece com vocês?
Tivemos muita sorte, logo no começo o extinto canal FizTV nos descobriu e firmou parceria, assim estávamos ganhando bem para fazer o nosso humor. Hoje estamos apenas com um espaço de dois minutos na MTV e, infelizmente, o que recebemos não banca nossos custos e não estamos mais podendo nos focar somente nisso. Tomara que seja temporario e fiquemos com mais tempo na programação, ou até ganhar um programa só nosso. O que custa sonhar?

A maior dificuldade de fazer humor na web, dentre as várias que existe, é o retorno financeiro. É possível fazer no tempo livre algumas esquetes, mas não podemos nos dedicar 100%, fazemos outros trabalhos para fora para nos sustentar. O humor na web é muito diferente da TV pois, na rede, se você vê um vídeo que tenha mais de dois minutos, por mais legal que ele seja, você não presta muita atenção e já troca pra ver outra coisa, responder e-mail, entrar no MSN ou no Twitter. As pessoas são mais impacientes na web. Estamos fazendo vídeos de duas em duas semanas, mas não é pela falta de criatividade, e sim dos trocados que são poucos. Por falar nisso, tem um emprego aí pra gente? (risos)



Eu vi que a série Perdidos, que tinha sido suspensa porque custava muito para ser feita, irá voltar. A MTV está bancando a ideia?
Sim! A nossa sátira de Lost irá voltar, foi feito um "rebooth" na série, e deixamos os episódios mais curtos. Daqui a algumas semanas estará no ar o primeiro episódio. Somente a gente está produzindo, sem parceria com a MTV. Estamos querendo que essa série bombe na internet, pois quando ainda estavamos no FizTV ela foi um sucesso. Mudamos um pouco a trama, e deixamos ela bem melhor. Vai se passar por temporadas, e vai ter muito mais participações de outras pessoas. A trama ainda é a mesma: quatro cariocas que beberam todas no carnaval do Rio, que acordam numa ilha sem saber como pararam lá. O negoóio que agora há muito mais habitantes nessa ilha. E não são pessoas "do bem"!

Essa é a única novidade que vem por aí?
Estamos também produzindo um piloto do Galo Frito, para oferecer para algumas emissoras de TV. E escutei uns boatos que o Lula além de dançar vai cantar também. São boatos, mas... (risos)

*Matéria publicada no Portal Virgula


08/10/2009

Friends e o Windows 95

Junte na mesma cena dois dos meus assuntos prediletos - séries e tecnologia - e pense: no que isso pode dar errado? Bem, basta ver o seguinte vídeo.



Essa pérola é um vídeo institucional da Microsoft, feito na época do lançamento do Windows 95. Bem moderninha, a empresa criou aquela que seria a primeira "webcom" da história, ao chamar os "friends" Matthew Perry e Jennifer Aniston para estrelarem a publicidade.

Eles conhecem o prédio da Microsoft, sentam na cadeira de Bill Gates e, ajudados por uma tiazinha, conhecem o sistema operacional. A cada novidade, eles soltam algum comentário engraçadinho.

As piadas são ruins demais e, para piorar, vem acompanhadas de um solo de contrabaixo - referência a Seinfeld, é claro. Praticamente um mashup entre o mundo das séries

O engraçado mesmo é ver as reações da dupla ao sistema operacional. Para quem foi albatizado no Windows, como eu, é de chorar de rir os momentos em que Perry fica espantado que agora dá para renomear os arquivos da maneira com o nome que der na telha. Ou quando Jennifer solta um "uau" ao ver para que serve aquela tal lixeira.

03/10/2009

Como era gostoso o meu VMB

Chamem-me de ranzinza, antiquado, e o que mais couber nas suas bocas. Estive no Credicard Hall na última quinta-feira para assistir ao Video Music Brasil, da MTV. Eu juro que me auto-treinei durante a semana para não reclamar dessa história de premiar Twitter, blog, videogame... Mas aí me vem o Rogério Flausino e solta o seguinte na hora de apresentar os dez indicados a Videoclipe do Ano.



"A gente sabe que a produção de videoclipes no Brasil não para de crescer e de se tornar cada vez mais democrática, principalmente aqui na MTV. Que tem galera nova, das antiga, galera independente, alternativa... Todo mundo competindo de igual para igual atrás desse prêmio tão sonhadooo".

Olha, a frase não está de todo errada. Mas dizer que a produção de videoclipes no Brasil está numa crescente e que a MTV é o canal democrático da tendência? Ah, por favor! O.K., o canal corrigiu aquela postura de limar os vídeos musicais da programação, mesmo que agora eles estejam restritos à madrugada e às manhãs, nos Lab da vida. Mas dava vontade de bater em quem escreveu essa frase. Se eu fosse o Mauricio Eça, que estava na plateia e ganhou fama dirigindo mais de 100 clipes, entre eles Diário de Um Detento, eu invadia o palco e fazia o Kanye West.

Eu entendo que o VMB seja um grande evento comercial. Neste ano foi claro: 80% da entrega dos prêmios foram pré-gravados. O resultado ficou bacana e deu agilidade a premiação. Mas também abriu espaço para a publicidade entrar às vezes camuflada, às vezes escancarada, como naqueles filmetes indigestos protagonizados pela dupla Adnet e Kiabbo.

Se a produção de clipes não para de crescer, por que não voltar com as categorias de Videoclipe de Rock, Videoclipe de Samba, Videoclipe de Rap? Tudo bem que a ideia de premiar ferramentas da internet seja uma forma de se conectar com o jovem atual. Por isso acho o discurso do Flausino tão contraditório.

Eu estudei - e estudo - os videoclipes no Brasil. Com a revolução do vídeo na web, toda banda de garagem faz o seu. Basta pegar a câmera do celular ou da máquina digital, subir em cima de alguma esteira de corrida e torcer para que isso viralize na internet, não na MTV. A music television virou secundária, aparecer lá é lucro, dá orgulho para os pais, ajuda na hora de agendar uns shows. Mas só.

O que mudou depois dessa revolução foram as grandes produções. Hoje são ínfimos aqueles clipes com orçamentos de R$ 80 mil, ou até mesmo o dobro disso Um ou outro artista, que ainda tem o respaldo de uma grande gravadora por trás, trabalha desta forma e manda aqueles aqueles videoclipes de fotografia publicitária tão belos de se ver. Porém, isso não significa que a produção brasileira atual não seja digna daquilo que existia na metade/final dos anos 90, quando a Conspiração nos dava maravilhas atrás de maravilhas.

Vamos de dois exemplos de videoclipes brasileiros (independentes) made in 2009 bem legais:


O videoclipe não morreu; está mais vivo do que nunca. Pelo menos lá fora, ele vem sendo muito cultuado, aliás. A MTV americana tem o MTV Music, um portal exclusivo de clipes, e neste ano bolou uma interessante categoria no seu Video Music Awards (VMA's), dedicado a escolher aquele vídeo musical do passado, que foi injustiçado e não faturou um Moon Man. A matriz não tira os videoclipes de sua premiação, procura inclui-los cada vez mais. Há alguns bons anos, quando o canal americano veio com a ideia de transformar o canal musical em um canal jovem, abarrotado de realities, foi-se criado um segundo canal para hospedar aquele material que sempre foi a sua identidade.

Só para vocês sentirem a diferença de mentalidade.

PS: Para não ficar só no pau, gostei muito da nova categoria de Filme/Documentário do Ano, que o VMB teve neste ano. O longa 'A Vida Até Parece uma Festa', sobre os Titãs, teve a direção de Oscar Rodrigues Alves. Ele, dentre outras coisas, dirigiu os videoclipes de Epitáfio e Isso para a banda.

PS 2: Não sabia, mas o MTV Music tem uma versão brasileira. Bacana!