12 de set de 2007

O videoclipe não acabou; já a MTV...

Não sei vocês, mas estou com medo de como será o VMB deste ano. Sério, alguém viu o VMAs domingo? Eu sei que hoje é quarta de madrugada e o assunto está datado, mas eu nunca vi uma edição dessa premiação da MTV americana ser tão ruim na história.

Primeiro: eu não conhecia quase ninguém que estava concorrendo. Olha, eu juro que eu tento me manter atualizado, e vez ou outra até confiro o que está na parada do TRL. Mas dos concorrentes, grande maioria era de novatos que "cantam" hip-hop. E o som de TODOS era péssimo, do tipo que nem a Jovem Pan consegue pôr no ar.

Segundo: os shows. VMAs sempre foi sinônimo de shows do tipo "arregaça". Neste ano, não teve um decente. Não vou nem citar aqui o que foi a Britney Spears fazendo aquele dois-pra-lá-dois-pra-cá patético, porque isso já é chutar cachorro morto.

Meus caros, a estética da MTV já era. Com a crise do mercado fonográfico, a MTV perdeu o seu ponto de apoio e não sabe o que fazer para reverter isso. No Brasil isso já estava claro, mas fiquei surpreendido ao ver como a crise está escancarada até na sede americana.

Por que isso acontece? Vamos lá. A MTV trabalha com a idéia do pop, do que está nas paradas. Esse é um formato que funcionava até cinco anos atrás, quando CD ainda era algo que existia e gravadora ainda era uma palavra que se encontrava no dicionário. Hoje, com a internet, MySpace da vida e o escambau, não precisamos mais da MTV nos empurrando seus ídolos pré-fabricados. Nós escolhemos aquilo que queremos escutar e o que desejamos assistir.

Por isso que a tal música pop está num momento tão ruim. Virou um produto desgastado, que precisa ser reformulado. O que a MTV deveria ter feito é colocar ali no palco a nova geração, uma Lily Allen da vida, uma Amy Winehouse trêbada, um Arctic Monkeys ou algo do tipo. Não seriam shows performáticos, do tipo 40 dançarinos fazendo uma coreografia que foi ensaiada o ano inteiro, mas seriam apresentações honestas.

O grande exemplo de como tudo mudou foi o show do Chris Brown. O garoto fez tudo o que se espera de um show de VMAs: teatralização (ele encarnou o Charles Chaplin), dança (ele é muito ágil, mas nada que Michael Jackson não tenha feito há 20 anos – inclusive ele dançou Beat It), e a participação de um outro cantor no meio da música – Rihanna, que foi mal aproveitada e de todos os artistas do VMAs era a única que tinha um excelente single pop e com um videoclipe sensacional: Umbrella, no caso.

As músicas que Brown apresentou, em um playback que mal tentou disfarçar, eram muito ruins, nem a batida prestava. Há pouco tempo atrás o N’Sync fez um show parecido, e foi um arraso. Em um ano eles eram marionetes que desciam do teto do palco, em outro chamaram o Michael Jackson para encerrar a apresentação. Hoje, esse tipo de performance não tem mais graça. Assim como não tem mais graça ver a Britney Spears manquitolando para tentar ser a mesma garota do ano 2000, que fez um strip ao som de Satisfaction.

Britney Spears é uma metáfora perfeita para a MTV de hoje (não resisti).

A coisa foi tão sofrível que nem Justin Timberlake, que já fez o favor de salvar os últimos sete VMAs, foi bem. Pelo menos ela deu uma dentro, ao pedir para a MTV passar mais videoclipes e parar com essas baboseiras juvenis. Aliás, aqui entra a principal questão da MTV estar em crise: por que ela não passa os videoclipes que vemos no YouTube e não aqueles que ela recebe via gravadora e insiste em pôr no Overdrive? Por que em vez de um Fall Out Boy, não toca um Klaxons ou, chutando o balde, um Cansei de Ser Sexy? Tudo bem que nenhum deles é americano, mas sei lá!

Olha, se o VMAs foi uma droga, temo pelo o que vai ser esse VMB, que está tentando dar uma de moderno neste ano, criando até uma categoria para o “hit da web”?

Veremos no que isso vai dar...

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