4 de jun de 2007

O dia em que eu xinguei um emo

O próprio título já diz tudo. Sim, eu xinguei um emo. Já adianto que "respeito" essa modinha, apesar de achar bem idiota essa coisa de franja caída, olhos com lápis preto, cinto com rebite e tênis Vans à la bandeirola de corrida. Tudo bem, é apenas mais uma fase - duro é agüentar aquele som de melodia punk com letras do Raça Negra...

O meu problema com os emos nasceu da falta de educação deles. Quando passo os finais de semana em São Paulo, costumo pegar o ônibus do jornal até a região da Avenida Paulista. E é batata: sempre tem um grupinho de emos malcomportados que ficam berrando, falando alto e deitados esparramados nos bancos.

Além de atrapalhar os outros passageiros, essa corja ainda não cede lugar para quem realmente precisa. Uma senhora cheia de sacolas nos braços, por exemplo. Eles parecem viver em bolhas, alheios as opiniões dos outros. Algo que me irrita mais ainda é que eles sempre sentam na parte da frente, antes de passarem pela catraca. Todo mundo sabe que TODOS esses bancos são, em tese, reservados a idosos, gestantes, obesos, e por aí vai. Eles não estão nem aí, não adianta a parte traseira estar vazia. Eles sempre sentam na frente.

Para piorar, passam de dois-em-dois na catraca. O cobrador fica puto, faz cara feia, mas eles não estão nem aí. Ficam dando risada, assopram a franja e fazem um balbúrdia da porra.

Na última sexta-feira, entro no ônibus e vejo um grupinho de emos, todos com, no máximo, 14 anos. Estão, para variar, esparramados em três bancos. Todos espremidos, sentados no colo um dos outros, aquele amor juvenil.

Passo a catraca, ponho os fones de ouvido e sento lá no fundo. A linha de ônibus que eu pego passa perto de um metrô, então tem uma hora que o busão bomba e entope de gente. Desta vez não foi diferente. Passo este ´ponto, notor que todos estão olhando para frente, antes da catraca. Tiro os olhos da revista e vejo a cena: uma mulher gordinha, com uma criança de colo e carregando uma sacola cheia de compras do supermercado, olha para o grupo de emos, esperando que alguns deles ceda um cantinho do banco. Ninguém se mexe.

Uma idosa ao ladop tenta com muito esforço se levantar, mas a grávida não deixa. Ela cutuca uma garota emo, de cabelo alisado e com mexas roxas. Não dá para escutar o que ela fala, mas isso a deixa ainda mais nervosa. Um burburinho começa a tomar conta do ônibus, mas ninguém fala nada. Para piorar, aquela cena clássica: o nenê abre o berreiro.

Daí eu eu, que já estava de mau-humor devido a um fechamento dos infernos, levanto e berro: "Saiam daí, porra!"

Uns moleques de ternos e gravata e barba para fazer (estagiários de direito?), riem de mim. Todo mundo olha para trás. Os emos não fazem nada. Uma garota ao meu lado faz coro: "Levantem e dêem lugar para a moça, gente!" Novamente eles fingem que não escutam e ficam dividindo um som que sai de seus MP3 player baratos.

Daí foi demais. "Puta que pariu seus emos retardados. Estou falando com vocês mesmo, cacete! Querem levantar a bunda e dar lugar para a moça?!"

Um emo de piercing no canto da boca levantou, fez pose de macho e me encarou. Talvez pela cara de idiota e pela pouca idade dele (hehe), não me intimidei. "Tá olhando o quê? Vai chorar daqui a pouco?"

Mais risadas.

O machão faz cara de "ai que saco" e puxa duas garotas de preto. Elas se levantam, seguidas por um outro moleque. Uma tem uma camisa do Evanescence, a outra da Avril Lavigne (puta merda) e o garoto uma do Simple Plan. A grávida agradece e senta.

Para variar, eles passam de dois-em-dois na catraca, olhando para baixo. Um dos estagiários de direito ainda dá um croque na cabeça do de piercing, e depois finge que está olhando para a janela. O emo nem olha para trás.

Sento e dou uma risada. Pelo menos me diverti um pouco.

Um comentário:

Anônimo disse...

Me diverti só lendo :D
Só tipo tenho franja e pans isso nao é ser emo, não nessesariamente. Mas não sou de agir como esses babacas que se acham 'fodas' para tentar impressionar.
Abras.