13 de ago de 2007

O rock não acabou

Dessa nova safra de bandas brasileiras que vêm surgindo no cenário do rock alternativo, como Moptop, Los Porongas e Rockz, ninguém é atualmente melhor que os gaúchos do Superguidis. Após estrearem no ano passado com o disco "Superguidis", que já abria de cara com a ótima Malevolosidade e não deixava a peteca cair durante o CD inteiro, cheio de letras bem sacadas e riffs de guitarras bens inspiradas, a banda, com "A Amarga Sinfonia do Superstar", supera a famigerada crise do segundo disco facinho, facinho.

Peguei para escutar o novo trabalho há três semanas e confesso: está sendo difícil deixar de escutar a gauchada. É impressionante, não tem uma música ruim em todo o álbum. Parte Boa, faixa que abre o disco, é um ótimo tira-gosto. Com uma melodia que lembra muito o som de Ryan Adams em "Rock’n’Roll" e uma linha de baixo à la Joy Division, Parte Boa é a música mais legal que eu ouvi até agora nesse ano – em português.

Continuando a audição, outro fator que chama a atenção são as letras mais maduras. No primeiro trabalho deles ainda havia aquele ranço do típico humor gaúcho, cheio de brincadeirinhas internas, que não é todo mundo que digere. Para se ter uma idéia, olha essa rima de Coraçãozinho: "O meu manancial e paz cresceu/Muito mais que o PIB da China em 2003".

Parece até que eles não queriam ser levados a sério na época. Mas o que se vê agora são letras honestas para caramba, que captam muito bem o que passa pela cabeça da juventude que, como aparece em Os Erros Que Ainda Irei Cometer, são anos que voam sem parar. Veja só: "Pelas ruas podres de sujeira/Penso nos erros que ainda irei cometer/Uma lata de alumínio que aparece no caminho/É o bastante pra me lembrar dos tropeços que posso evitar".

O produtor Philipe Seabra (Plebe Rude) parece ter pego a molecada de jeito e deu as eles uma cara indie-pop inteligente, que não precisa de letras engraçadinhas para chamar a atenção. Por Entre as Mãos, umas das melhores do disco, diz: "O teu dom de esconder de mim/Só é menor que o meu de não te achar/Odeio não me irritar com as coisas que, eu sei, me irritam em você/Mas tudo escapa entre os dedos/Tudo escapa entre as mãos/Você é o meu melhor naufrágio".

Já o som característico desses garotos de Guaíba se mantém. O ritmo vai oscilando, de repente fica mais animado, depois dá uma moleza... Aí o riff sobe, a bateria pega mais forte e o ótimo vocal de Andrio Maquenzi se destaca. Mais Do Que Isso talvez seja o grande exemplo dessa montanha-russa sonora – essa música, aliás, tem um refrão grudento pra caramba: "Eu quero fazer tudo que você faz/Mais do que isso eu sei que não sou capaz". Mais chiclete ainda é 6 Anos, que tem o bonitinho "Mas você me ganhou/Quando sorriu pra mim".

Ao todo são 11 ótimas faixas. Assim como no primeiro disco, "A Amarga Sinfonia do Superstar" é distribuído pela Senhor F. Fiquem atentos ao final de 6 anos, faixa que encerra o CD, pois nela há uma canção escondida: Riffs, justamente a primeira música que escutei da banda, quando eles ainda nem tinham lançado o primeiro álbum.

Se o Moptop fez sucesso com O Rock Acabou, o Superguidis dá o troco à altura com essa música escondida, que diz : "Por isso eu acredito nos riffs/ Eles me farão mais feliz".

Acreditemos.


*Escute "A Amarga Sinfonia do Superstar" aqui.


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