28 de nov de 2009

Zach Galifianakis, o Homem Samambaia

Não conhecia o trabalho do Zach Galifianakis até assistir a melhor comédia de 2009, "Se Beber, Não Case" ("The Hangover"). Também não vi ainda a série dele na HBO, "Bored th Death". Baixei, mas a deixei guardada em algum canto do meu HD.

Li há algumas semanas, na GQ americana, um perfil gigantesco dele. Achei-o meio Andy Kaufman wannabe (tipo de humor que eu detesto), mas adorei o seu jeito anti-Hollywwood de ser - bem, ele é gordo e não faz a barba. Na entrevista, o jornalista cita uma série de vídeos dele na internet, com o sugestivo nome de Between Two Ferns ("entre duas samambaias"). Fiquei de olhar e, bem, esqueci.
Ontem, numa visita ao Funny or Die, encontrei o talk show de sete episódios. E passei 30 minutos de uma sexta-feira rindo que nem um idiota. No papel de um apresentador ranzinza, que está se pouco lixando para quem está ali ao seu lado - tipo, é a Charlize Theron! -, Galifianakis brilha em (não) entrevistas de menos de 3 minutos. Ele é estúpido em alguns momentos (dá pena do Michael Cera) e tem aquele dom de fazer do mal-humor algo engraçado. Ele não grita, faz macaquices ou algo do tipo. O mais engraçado do programa são os momentos de silêncio.

A ideia do talk show é fazer de tudo um improviso, mas é claro que tem muita coisa ali combinada. É que os entrevistados são muito bons, como os atores Jon Hamm e, suspiros, Natalie Portman. Mas não se esqueçam que o momento mais genial de "Hangover" - quando o bebê "toca uma" - não estava no script: ele nasceu da cabeça de Galifianakis.














Melhores paródias de Matrix

Low Budget



Cinema Mudo



Super Bicha



Sex & The City



Lego

26 de nov de 2009

Lie to Me: que tal brincar de polígrafo?

LOS ANGELES - Imagine conversar com uma pessoa que fica lhe encarando o tempo todo. Que presta atenção no jeito que você coça o nariz, pisca ou se ajeita na cadeira. E que lhe julga a partir desses gestos e de sua postura. É essa a sensação de se conversar com um fã de Lie to Me. A série da Fox, em que um especialista em micro-expressões e linguagem corporal detecta qualquer mentiroso, virou febre entre os seus seguidores. E você achava que escutar sua filha disparando aquelas expressões indianas de Caminho das Índias é que era irritante...

Basta assistir a alguns minutos da produção para querer imitar o Dr. Carl Lightman (Tim Roth). "Passei a observar e analisar expressões faciais e corporais. Se vejo um amigo dar uma puxadinha de lábio, já pergunto: ‘Tá me chamando de idiota?’, ri a turismóloga Monik Neves Paiva, de 24 anos. "Já peguei várias reações em desconhecidos, como fazer uma pergunta e ver alguém passar a mão no pescoço. Ou seja: está escondendo algo. Tá coçando o próprio braço na minha frente? Sinal de pessoa manipuladora", continua.

Lie to Me é baseado nos estudos do psicólogo Paul Ekman, uma referência no estudo criminológico e considerado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, pela revista Time. Lightman é Ekman na ficção. O da vida real é muito envolvido com a produção: comenta em um blog os episódios e sempre vai às gravações, para o desespero dos atores.

"Ele é uma pessoa amável, mas sempre me sinto estranha perto dele. Você fica meio ‘ele pode ler o meu rosto ’. Nem precisa falar nada, ele sabe exatamente o que está rolando com você", diz a atriz Kelli Williams, durante entrevista à imprensa internacional de que o Estado participou, nos EUA.

Intérprete da Dra. Gillian Foster, ela vive uma personagem baseada em outro psicólogo da vida real, a professora Maureen O’Sullivan. Já Ria Torres (Monica Raymund), a policial que tem um dom natural para fazer o trabalho de Lightman, e Eli Loker (Brendan Hines), o funcionário "super sincero", são fictícios.

Curiosamente, o elenco também está viciado em flagrar as mentiras alheias. "No começo fui reticente, pois acho que deve existir um pouco de mistério no rosto humano. Mas, como atriz, sempre me interessei pelo comportamento humano", justifica Kelli. "Minha filha me testa o tempo todo, mas ela é péssima mentirosa!", ri.

Kelli diz que nota melhor as mentiras de desconhecidos - como a de garçons em restaurantes. "Quando pergunto se certo prato é bom, na hora percebo: ‘opa, tá mentindo’." Monica, por outro lado, já teve momentos de Dr. Ekman com conhecidos. "Encontrei uma amiga que não via há seis, sete anos. Pela mudança de voz e pelas rugas ao redor dos olhos, era como se ela dissesse ‘F... -se você’. Nossa amizade acabou ali", comenta a atriz, que revela ser fã de American Idol. "Adoro! E o Simon Cowell sempre coça o nariz (sinal de mentira)", brinca.

A atriz jura não ter estudado nada de Ekman. "Minha personagem não tinha nenhuma informação dessa ciência quando entrou no Lightman Group. Meu objetivo sempre foi aprender junto de Ria, pois, do contrário, não seria natural", diz.

INTENSIVÃO
O mesmo não acontece com os fãs, que são estimulados a testarem seus conhecimentos. Tanto no site de Ekman, quanto no da Fox, há vídeos que testam a capacidade do internauta de descobrir as micro-expressões. Ekman trabalha com seis universais, listadas nos anos 70: raiva, nojo, medo, felicidade, tristeza e surpresa. A partir da década de 90, ele selecionou outras, como prazer, orgulho e vergonha.

A série não aborda apenas os estudos do psicólogo, mas outros truques usados por especialistas. Exemplo: quer descobrir se alguém está contando uma história falaciosa? Peça para o autor mudar sua ordem, como iniciá-la da metade até o começo. "Fiz isso com um amigo, que estava se achando depois de uma balada. Deu certo", conta o estudante Guilherme Pavani, de 18 anos.

De tão fã da série, ele baixou o mesmo software que Lightman usa no seriado, um que exibe várias fotos de pessoas aleatórias. "Encontrar a expressão de raiva é fácil. O rosto se curva e sobrancelha abaixa", ensina. "Após Lie to Me, passei a reparar mais nas pessoas. Mas isso não é bom, é só ver que todos os personagens têm problemas pessoais em razão disso."

Já o estudante de Psicologia Diego Sanches, de 23 anos, começou a se interessar mais pelo estudo do Behaviorismo. "A fidelidade científica é o que me agrada", conta o universitário, que viu uma professora apresentar um episódio em aula. "Ele abordava a fidelidade do segredo entre as crianças."

O psiquiatra forense Breno Montanari, que tem 30 anos de experiência, concorda. "A série tem toques pertinentes, bem misturados com a ficção." Ele cita o mesmo episódio comentado por Sanches. "Dos 4 aos 7 anos, a criança não diferencia a realidade da fantasia, a verdade da mentira."

Outro exemplo que ele cita é o personagem Eli, que adere à Teoria da Verdade Radical. "Existe uma mentira social, que é impossível viver sem ela", explica. O ator Brendan Hines que o diga. Para viver Eli, ele testou falar por aí só o que lhe vinha à mente. "Descobri que você se mete em problemas se não tiver anos e anos de experiência e de estudo no assunto", diverte-se.

Entrevista Tim Roth: 'Só uso as habilidades com os meus filhos'
A presença de Tim Roth é o grande chamariz de Lie to Me. O ator britânico, cuja carreira foi construída no cinema americano (ele é um ator fetiche de Quentin Tarantino), é citado a todo momento pelo elenco da produção "Ele é muito exigente, mas de um jeito positivo. Nos faz ensaiar como se estivéssemos no teatro. Uma única cena pode levar uma hora", comenta Brendan Hines. "Teve uma vez que ele me fez chorar. Mas, sabe, é o Tim Roth, de Rob Roy, diz Monica Raymund, citando o filme que rendeu ao ator uma indicação ao Oscar. Roth falou ao Estado sobre ser Carl Lightman.

Tem como não aprender algo com o seu personagem?
Você não consegue fugir. Mas tento não ser influenciado. Só uso as habilidades com os meus filhos. Mas não consigo ler ninguém. Em particular, mulheres.

O Ekman está sempre nos sets?
Ele é um cara muito calmo, gentil e despretensioso. Mas fico desconfortável com a sua presença, porque ele realmente lhe sente. Como ator, senti-me exposto.

Você sempre fez personagens físicos, o oposto de Lightman, que é mais observador...
Sempre fui fã da atuação mais física, nunca daquilo mais "interno". Muito do que ele faz é olhar e observar. Isso é uma das coisas mais difíceis de se fazer. Mas eu não presto atenção na minha performance, apenas fico de olho no que estão fazendo ao meu redor.

Esse é o seu primeiro trabalho na TV dos EUA. Os papéis mais desafiadores estão na TV?
Cada vez mais atores dramáticos estão indo para a TV. Eles morderam essa isca, os roteiros e os escritores agora estão lá. Mas meu background é britânico e lá, as linhas entre fazer televisão e teatro não são claras. Não existe de se achar por fazer isso ou aquilo. TV americana é algo novo e excitante. Mas exaustivo.

O Lightman nunca vai errar?
Vamos ver momentos em que ele não terá certeza de algo e quero fazer episódios em que ele possa errar, mas que possamos entender por que os cometeu. O Paul Ekman diz que, na maioria das vezes, não se tem 100% de certeza de uma mentira.

Manter o sotaque britânico foi uma opção sua?
Disse logo no começo que não faria o sotaque americano. Fica um ruído diferente num programa de TV dos EUA. Mas meus filhos são americanos e eles não vieram de fábrica com o sotaque britânico. Não tem como pôr um chip desses neles.

Dá para ver filme por streaming oficialmente no Brasil?

Qual será o futuro das vídeolocadoras? Assim como as lojas de discos foram (quase) exterminadas pela internet, o amanhã das locadoras de bairro ou das grandes cadeias que alugam filmes é incerto. A aposta para a sobrevivência está no mesmo elemento que mudou o ritmo delas: a própria web. No Brasil, existe há alguns anos – e com sucesso – o mercado de aluguel por filmes pela internet. Escolhe-se o catálogo pela web, paga-se um valor mensal para poder ficar com quantos filmes quiser e se tem a comodidade de alguém vir entregar e buscar os discos em sua residência.

Recentemente, a Saraiva Digital lançou a compra por download. Internautas podem consumir de filmes a episódios de seriados pela rede. Não existe o físico, apenas o virtual. O conteúdo é baixado oficialmente, com ótima qualidade – mas com um valor bem caro, diga-se.

Nos EUA, pesquisas mostram que a solução para todos os problemas da indústria do cinema e da TV está no streaming. Sim, as pessoas não querem mais fazer o download - mas apenas clicar em um vídeo e assisti-lo rapidamente, enquanto ele carrega em tempo real. Sites de streaming estão em ascendência por lá e vão se mostrando uma solução viável contra a pirataria. Que o diga o Hulu, que tem parcerias com várias emissoras da TV aberta. Em se tratando de filmes, o mesmo acontece.
O NetFlix, maior cadeia de aluguel de filmes pela internet, tem 20% de sua clientela assistindo sua biblioteca digital por streaming. O acesso não se dá apenas pelo computador. O NetFlix tem parcerias com várias empresas e o streaming pode ser feito por videogames (Xbox 360 e PS3), televisores (modelos da Sony Bravia) e home theaters e tocadores de Blu-ray que sejam conectados à internet.

Para mostrar como está o mercado de streaming de filmes no Brasil, o Virgula testou os dois serviços que trabalham com essa plataforma: o NetMovies e o Terra TV. Confira o resultado.

APERTE O PLAY
Quando o assunto é conteúdo, o Terra TV é hoje o melhor portal brasileiro. São 280 mil vídeos, de acordo com a empresa. O grande filé são as séries, como "Lost" e "Grey’s Anatomy", que são disponibilizados no site minutos depois dos episódios irem ao ar na TV a cabo. Porém, o arquivo cinematográfico do Terra TV ainda é muito pequeno.

São cerca de 40 filmes para streaming. Muitos deles podem ser vistos facilmente na TV aberta ou nas intermináveis reprises dos canais de filmes da TV a cabo, como "Show Bar", "Horror em Amityville" e "Bater e Correr em Londres". Em média, o portal põe um filme novo por semana.
Um aspecto positivo é que as películas disponíveis têm versões dubladas e legendadas. Também é bacana que o Terra divida os filmes em 8 partes, uma ideia interessante para que o streaming não fique tão pesado. O porém é que não dá para adiantar o filme e ele carrega em tempo real. Uma solução bem bolada foi a ferramenta de “apagar a luz”, que permite escurecer tudo o que está ao redor do player. Assim, a visualização fica mais confortável.

Quem usa o navegador Firefox terá de baixar um plugin do Windows Media Player, já os usuários de Mac OS terão de fazer o download do Silverlight. Os vídeos trazem uma curta publicidade antes de começarem, o que não atrapalha.

A qualidade da imagem, infelizmente deixa a desejar. O Terra diz trabalhar com resolução de 480 x 360 pixels. Em tese, seria qualidade de DVD. Mas nos testes foi de VHS. Exibir o vídeo em uma televisão de alta definição não é uma boa idéia, o melhor é ver em telas de até 14 polegadas. As imagem ficaram pixelizadas e ler as legendas de certos filmes foi complicado.

SÓ PARA CINÉFILOS
O NetMovies, por outro lado, tem uma prateleira virtual considerável, que vai agradar em cheio os apaixonados por cinema. São 700 títulos disponíveis e o objetivo é chegar a 2.500 até o final do ano.

O conteúdo liberado para o streaming (é preciso se cadastrar para ter acesso), na seção "Free", remete a filmes cults, trashs e clássicos italianos e franceses de décadas e décadas atrás. Tem de "Metrópolis" até "A Noite dos Mortos Vivos". Para quem é realmente amante da sétima arte, é possível encontrar obras de "D. W. Griffith", pioneiro do cinema como conhecemos hoje. Hitchcock também é agraciado com alguns filmes raros e os aficionados por François Truffaut podem se deliciar com "Jules e Jim".

Para quem achou tudo isso muito cabeça, dá para ver vários filmes antigos de Jackie Chan, que remetem a sua fase pré-Hollywood, e alguns curtas independentes brasileiros, como "Feijão" e "Sobre Pão e Circo", ambos de 2008.

No NetMovies é só clicar e assistir. Algo muito bom é que o site estimulas seus clientes a verem os filmes na TV, o que dá um indício da boa qualidade do produto. Daí depende da cópia do filme. "Um Crime de Paixão" teve qualidade de DVD quando visto em um televisor plasma de 42 polegadas. A qualidade de "Farenheit 451", um filme de 1966, também surpreendeu. Já o material de Chan, que tem mais de três décadas de vida, foi sofrível para ser assistido até na tela do notebook.

Os filmes não são divididos em partes, mas colocados integralmente. Em alguns poucos momentos, isso fez os vídeos apresentarem rápidos “buffering”, mas foi muito pouco mesmo.

SINOPSE
A análise final foi positiva e provou que o streaming gratuito é algo muito interessante e de futuro promissor. Se um dia poderemos ver um filme disponível nessa plataforma em HD, isso dependerá primeiramente da qualidade da banda larga brasileira. Isso justifica a razão da qualidade similar ao VHS que o Terra TV oferece. Por ser um portal muito popular, o site tem de se adequar ao “povão”. Mas os avanços tecnológicos anos após ano são notáveis. O NetMovies também é uma boa opção e atende mais um mercado de nicho com o seu material para streaming, o que justifca o seu material com qualidade de imagem superior.

Fica a torcida para que nasçam mais serviços desse tipo no Brasil. Exemplos bem-sucedidos nós já temos.

24 de nov de 2009

Chico Barney: 'o blogueiro dos sonhos do Interbarney é o Oscar Maroni'

Em tempos em que os blogs parecem perder espaço para sistesmas de comunicação mais instantâneos, como o onipresente Twitter, e se tornam mais uma ferramenta de republicação de conteúdo aleatório da internet, surge na rede brasileira um projeto vintage, old school, que busca trazer à tona a blogosfera dos seus tempos de glória.

Idealizado pelo redator e roteirista Chico Barney, o portal de blogs Interbarney, clara referência ao Interney, de Edney Souza, parecia uma brincadeira no começo, mas hoje cresce em ritmo impressionante. Em quase 4 meses de vida, já colaboram com o site 30 blogueiros dentro de 21 blogs. No começo, os autores eram de páginas que fizeram sucesso no começo desta década. Agora, os colaboradores são novos talentos da rede, como humoristas e desenhistas, além de jornalistas e escritores com certa relevância dentro e fora da web.

O cardápio das páginas ali hospedadas é variado. Tem lugar para falar de seriados, criticar o conteúdo da TV aberta brasileira ou até mesmo fofocar sobre ícones masculinos. Isso sem falar de blogs do passado que foram ressuscitados e da presença de Cersibon, autor das tirinhas mais nonsenses que a internet brasileira já presenciou.

Barney, com o humor ácido e irônico de sempre, conversou sobre o Interbarney. Seu filho de sucesso, que na semana passada inaugurou um novo servidor devido à média de 10 mil visitas que o portal vem registrando todos os dias.

Como sempre, a pergunta clássica: de onde veio a ideia de criar o Interbarney?
Nasceu de uma epifania. Daqui a algumas semanas, eu, Moskito, Ronald Rios, Rafael Capanema, Daniel Lima... Seremos todos blogueiros da década passada. Somos o passado do futuro e isso não poderia continuar assim, eu não quero ser ultrapassado pelas próximas gerações, nem pretendo voltar à moda apenas em 2030. Então o Interbarney surgiu como uma maneira de perpetuar nossa influência e amplificar nosso poder junto à juventude brasileira e às proximas gerações.

Como foi/ está sendo a seleção dos blogueiros e dos blogs?
Ou a gente coopta projetos campeões, como o Cersibon, e traz para nosso seio familiar, ou partimos de conceitos inovadores criados por nós mesmos e arranjamos blogueiros que tenham tudo a ver com essas propostas. É o caso do Papo Ereto, Bombril na Antena e NetGeo.

Como o Edney Souza, do Interney, reagiu ao portal?
Já estamos muito acima de qualquer pequena briga de "portais de blogs". Nossa briga é com a Brasil Telecom, que é dona do IG, que é quem hospeda o Interney.

Qual sua opinião sobre posts pagos, algo tão comum hoje? Já surgiram propostas de empresas que desejam anunciar dentro do portal?
Estão surgindo propostas interessantes. A grande jogada é que as agências estão nos vendo como uma parceira na criação de conteúdo, usando blogs patrocinados dentro do portal. Estamos em fase de negociações com três. Post pago é algo fora da nossa alçada, acreditamos é na elaboração de conteúdo diferenciado para empresas descoladas. Um adendo: o Interbarney vai muito além de um portal de blogs. É uma reunião de cabeças pensantes, uma nova era da Renascença. A empresa que apoia uma iniciativa como essa é praticamente um mecenas do século 21, e estamos felizes com as ofertas que estão nascendo para 2010.

A ideia de criar blogs em que as pessoas geram conteúdo, em vez de apenas republicar algo que encontram na web, como essa nova geração blogueira, é algo obrigatório para quem deseja entrar no Interbarney?
Estamos nadando contra a corrente, sempre. Essa pratica de "chupinhamento cultural" é muito anterior à blogosfera, vem desde o Silvio Santos. O que nos interessa é criar material novo, mas que também tenha interesse popular. Um exemplo é o sucesso do Cersibon, 100% original, e tão encaminhado por aí quanto qualquer besteira de "you'll shit bricks".

Está sendo difícil trazer para o portal escritores que já ganham a vida escrevendo, como jornalistas e roteiristas?
Os medalhões acham importante ter uma vitrine como o Interbarney, pois podem acabar conseguindo uma vaga de redator na Globo ou um programa na MTV. Isso tem acontecido muito! (Explicação para a piada: Arnaldo Branco recentemente virou roteirista do Casseta & Planeta, e a dupla Ronald Rios e Erik Gustavo, da Badalhoca, terão um programa semanal na music television a partir do ano que vem).

Você recebe muitos e-mails de pessoas querendo participar do Interbarney?
Temos uns 30 autores, todos especialistas em três ou quatro vertentes do conhecimento humano, passando desde os erros de gravação nas novelas da Record até a pós-parapsicologia comentada. Recebo pedidos de adesão praticamente todo dia. Os que são defenestrados eu mando pro Bobagento publicar, ele funciona como nosso coirmão sem qualidade.

Quais as novidades que você pode adiantar para a gente?
Nas próximas semanas, devemos ter algumas novidades na área de esporte, sempre muito cobrada, e também de videogame, que a criançada curte muito. Sempre com o viés Interbarney da coisa. O que me dá mais orgulho é ver que, uma galera que já tinha amizade, agora tá sendo vista como realmente um grupo. Ver os leitores nos vendo como uma marca de qualidade, de pioneiros. E de estarmos associados à personalidades tão díspares, quanto Arnaldo Branco e Lucas Celebridade, e ainda assim tudo fazer sentido. Somos, com certeza, um portal bem humorado, mas não exclusivamente de humor. Gosto de pensar que estamos todos "à vontade". Tanto o Genérico, do Daniel Lima, quanto a fase racional do Rafael Madeira (Cersibon), demonstram nossa pluralidade.

Quem é blogueiro dos sonhos para o Interbarney?
Blogueiro dos sonhos é o Oscar Maroni. O cara tem muita história pra contar e possui o melhor blog em atividade. Sem contar os lugares onde conseguiríamos entrar de graça!

23 de nov de 2009

'Heloooooooo, bola!'

Quem o escuta pela primeira na TV, jura que a voz é de um americano exibido. O "maiãmi" é pronunciado como "miémi", e as exclamações lembram aqueles comentaristas gringos que fazem graça quando um atleta enterra uma bola de basquete. Mas não. A voz das transmissões de futebol americano e beisebol da ESPN Brasil é de um brasileiro: Paulo Antunes.

"Pessoal acha que quero aparecer, mas o inglês é quase a minha primeira língua, fui para os EUA com 7 anos e vivi por lá mais 17", justifica Paulo, que cresceu vendo as transmissões esportivas americanas. "É muito fácil se empolgar com futebol americano: tem trombadas, cara que perde o capacete e mostra um cabelão engraçado, o gordo que corre e não sabe o que fazer com a bola...", ri.

Há três anos na emissora, Paulo entrou na ESPN quase sem querer. Ele voltou ao Brasil em 2002, para trabalhar como repórter e apresentador da VTV, afiliada da RedeTV! de Santos. De férias nos EUA, ligou para a ESPN Brasil sugerindo um frila. Virou locutor. "Queria um bombom e ganhei um filé mignon".

Em 2009, vive seu melhor momento e, pela primeira vez, cobriu um jogo in loco: o Super Bowl, a grande final midiática do futebol americano. Tal cobertura rendeu a ele e Everaldo Marques, locutor que está sempre ao seu lado, 15 mil comentários no blog do programa da dupla, o The Book is On the Table - um recorde no site.

"Brasileiro gosta de interação e a gente interage com o fã do esporte, o que não acontecia quando os jogos eram transmitidos dos EUA. Isso faz uma grande diferença."

Na internet, aliás, está o maior exemplo de como Paulo virou hit entre aqueles que gostam de esportes americanos. Suas gírias em inglês e formas de pronunciar nomes de atletas são idolatrados no Orkut e no YouTube. Em especial, um certo latido que solta no ar. "Um dia teve um e-mail comentando que eu latia! Hoje o nome da minha empresa é Paulo Antunes Comunicações e Latidos", diverte-se.

* Matéria publicada no Estadão

13 de nov de 2009

Uma delícia chamada Pomplamoose

Eu me amarro nesses músicos talentosos que fazem releituras de hits no YouTube. Meu mais recente vício é o Pomplamoose. Apesar do nome que exige um certo biquinho ao ser pronunciado (significa toranja em francês), a banda - dupla, na verdade - é um casal californiano, que desde o verão americano do ano passado faz seus videozinhos para a rede.

Além do som ser ótimo (até as composições originais deles são boas), o que me encantou no Pomplamoose é que eles entendem de edição de vídeo e hoje fazem um tipo de trabalho audiovisual que tem a cara do YouTube. Não tenho certeza disso, já que eles podem estar ali apenas fazendo playback, mas acredito que eles devam se filmar durante todo a gravação de uma nova faixa. Eles captam o momento de cantar, de tocar instrumento X, Y e Z.

Depois, na montagem final, eles sincronizam cada um desses pedacinhos com o som de cada instrumento. A imagem de Jack batendo no prato da bateria, por exemplo, entra no exato momento em que esta parte da música entra. Os vários momentos de cantoria de Nataly Daw (para fazer os backing vocals) têm o mesmo procedimento.

Esses vídeos entram em pequenas janelas, como pop-ups. É um barato de se ver e ouvir.





12 de nov de 2009

Fifa 10 brilha muito sobre o novo Pro Evolution Soccer



Brasileiro é apaixonado por futebol. Virtual. Todo final de ano a história se repete: os gamers ficam alvoroçados à espera daqueles que, para muita gente, são o único motivo de se comprar um videogame: as novas edições de Fifa e de Pro Evolution Soccer (ou o eterno Winning Eleven).

Os jogos da Electronic Arts e da Konami, respectivamente, travam um duelo há mais de uma década pelo título de melhor simulador de futebol dos consoles. Desde o Playstation 1, para ser exato. Durante grande parte deste tempo, PES sempre esteve na frente, apesar dos vários nomes que teve durante todos esses anos – tudo começou com International Superstar Soccer, lembram?

A disputa ficou mais acirrada nos últimos anos, em razão de videogames de última geração, como Playstation 3 e Xbox 360. Neste novo cenário, a EA se saiu melhor e no ano passado o seu Fifa 9 foi (quase) uma unanimidade ao ser considerado o melhor game de futebol de 2008.

Mas e agora, a história vai se repetir? É isso que vou mostrar abaixo, com um comparativo entre Fifa 10 e Pro Evolution Soccer 2010, que acabam de chegar às lojas brasileiras, em versões para PC, Xbox 360, PS2, PSP e PS3, além do Nintendo Wii. Os preços variam de R$ 99,90 a R$ 229,90.

PRIMEIRO TEMPO

A primeira coisa que vamos analisar são os gráficos. E, mais uma vez, Fifa sai na frente. Na versão testada para o PS3, os gráficos foram de babar. A torcida tem movimentos reais e não parece mais um display de papelão. O uso de luzes e sombras também é de se elogiar, algo aprimorado no novo PES, mas ainda inferior ao concorrente. Em relação ao cenário, Fifa dá de goleada. A própria grama tem camadas, ao contrário de PES, que mostra um grande bloco verde, que parece pintado com giz de cera.

Em seguida, o mais importante: a jogabilidade. Pro Evolution Soccer continua mais intuitivo, algo que sempre agradou aos brasileiros. Não é preciso de comandos específicos para driblar, passar o pé na bola, rodopiar ou controlar a cadência do jogo. Basta habilidade no joystick para conseguir isso. Por outro lado, na nova versão a Konami deixou as partidas mais retranqueiras. Está mais difícil correr com a bola sem deixá-la escapulir. Depende muito da habilidade de cada jogador, como Messi e Cristiano Ronaldo. O mesmo se repete na hora de matar a gorduchinha – ela quica que é um horror. A velocidade de PES 2010 deixa a desejar, pois ficou muito lenta. O mesmo acontece com a troca de passes, que ficou bem estranha nesta versão.

Os goleiros continuam uma mãe. Fazer gols de fora da área ainda são uma moleza, caso você tenha um time que possua um atleta que saiba bater bem na pelota. Outra novidade é que os chuveirinhos estão cada vez mais necessários para se vencer uma defesa bem postada. Está muito fácil fazer gols pelo alto, é só escolher uma equipe que tenha um atacante cabeceador lá na frente.

Já Fifa tem na movimentação dos atletas o seu grande diferencial. Eles correm de maneira individual, todos têm movimentos únicos. Ao contrário de PES, em que todos se movimentam da mesma forma e parecem correr travados, como robôs. Em Fifa, há pequenos detalhes que fazem muita diferença para os fãs mais xiitas. As defesas dos goleiros estão mais plásticas, os jogadores batem na bola de 3 dedos, noutras até acertam lançamentos de letra. Isso não acontece no jogo da Konami. Parece besteira, mas até o juiz do Fifa é superior. A bola respinga nele e ele até chega a pular para que a pelota não o atinja. A maneira como os jogadores matam a bola e a controlam também são de encher os olhos.

A série Fifa tem uma jogabilidade que não costuma agradar aos fãs de PES. Mas basta meia dúzia de partidas para sentir a diferença e começar a pegar o jeito. Realizar jogadas de efeitos, como chutes de cobertura e lançamentos de longa distância, exigem certos comandos que atrapalham no começo, mas depois de muito suor acontecem naturalmente. É bem mais difícil que o rival, mas ao mesmo tempo é desafiador. A nova tecnologia “360º Dribbling” não faz muita diferença, mas dá para ver a evolução da mecânica da série. Principalmente quando se fala da inteligência artificial: os jogadores se adaptam automaticamente ao seu tipo de jogo. Incrível!

O porém do Fifa fica na hora de tentar fazer gols de bola parada. Escanteios e faltas não são nada naturais. O mesmo acontece na hora de realizar cruzamentos pelo alto. Nesses quesitos, Pro Evolution Soccer ainda é matador.

SEGUNDO TEMPO

O número de times licenciados em Fifa 10 é muito superior à PES 2010. Para nós, brasileiros, existe um problema. Ao contrário do resto do mundo, onde o acerto é realizado com a liga de futebol de cada país, por aqui o acordo é fechado individualmente com cada equipe. 20 times brasileiros estão inclusos no jogo da EA, como São Paulo, Palmeiras, Flamengo e até o Barueri. Mas Corinthians, Santos, Grêmio e Fluminense, não.

Quer dizer, eles estão no jogo. Os gritos da torcida e as escalações são oficiais. Mas os uniformes e os nomes dos clubes são “alternativos”. Ronaldo agora brilha muito no C. São Paulo, por exemplo. No jogo da Konami, um vexame: só existe o Inter de Porto Alegre por lá. Não é por acaso que o sucesso de Pro Evolution Soccer no Brasil tenha acontecido, principalmente, com as versões piratas dos jogos. Por quê? Por trazerem os times brasileiros.

Para resumir, Fifa 10 bate Pro Evolution Soccer facilmente. Não chega a ser uma goleada, é claro, mas é uma prova da clara evolução da franquia, que soube trabalhar com as imensas possibilidades dos videogames de última geração, dando aos jogadores gráficos de primeira e uma enorme gama de possibilidades de modos online.

* Matéria publicada no Virgula

10 de nov de 2009

'Também me sinto muito confuso'

SAN DIEGO - Foi com muito bom humor – algo raríssimo, dizem –, que o ator Joshua Jackson acalmou o jornalista do Estado, com dificuldades para formular uma pergunta em que ele pudesse comentar como foi descobrir, ao final da 1ª temporada de Fringe, que seu personagem tinha morrido na vida real, mas estava vivo no universo paralelo: “Olha, também me sinto muito confuso na hora de falar sobre o show”, disse.

A série, cuja 2ª temporada estreou há duas semanas no Brasil, pelo Warner Channel (toda terça-feira, às 23h), fez muito fã pular do sofá no último episódio de seu ano nº1. Foi assim: o mundo possui uma realidade alternativa e a agente Olivia Dunham (Anna Torv) conhece este outro lado – em que o World Trade Center continua intacto, por exemplo. Também foi revelado que o Peter Bishop (Joshua Jackson) que conhecemos é o do universo paralelo – o do mundo real morreu quando criança, um segredo de seu pai, o cientista Walter Bishop.

Como os primeiros episódios da 2ª temporada não revelam nada do season finale, as perguntas direcionadas a Jackson e Torv foram, basicamente, sobre o futuro do novo ano. Mas eles foram mais misteriosos do que a trama em que atuam. “Não sei nada que a audiência não saiba”, despista Anna, que só responde às perguntas sobre as curiosidades envolvendo a série – como qual é a sensação de ficar dentro daquele tanque d’água que, com um pouco de LSD, faz Olivia se conectar com a memória de defuntos. “A água é quente e não há sal para eu flutuar: eu que balanço os braços! Além de relaxante, é um exercício”, ri.

Jackson prefere comentar a relação entre Peter e Walter. O cientista passou 17 anos no manicômio, sem contato algum com o filho. “A dinâmica entre os dois nesta nova temporada está mais interessante, pois é totalmente o oposto da anterior. Peter, após muito tempo, conseguiu confiar em Walter. Não sei como será a partir do momento que ele descobrir que seu pai mentiu durante todo este tempo”, diz. “O que mais amo em Fringe é como esta relação foi posta dentro de uma história de ficção científica. Ao tirar esse lado bizarro (do universo paralelo), você vai observar como a dinâmica deles é algo muito real.”

Anna lamenta não atuar mais ao lado do marido, o ator Mark Valley, que conheceu na gravação do piloto de Fringe. Ele viveu o agente John Scott, que morre logo no primeiro episódio. Tirando um ou outro momento em que os dois contracenavam juntos (no caso, nas memórias de Olivia), ele passava o tempo todo deitado em uma espécie de incubadora! “Esse programa mudou minha vida pessoal e profissional”, brinca a atriz australiana, que teve em Fringe seu primeiro papel na TV americana

Jackson, por outro lado, é experiente no mundo dos seriados e durante anos foi o Pacey de Dawson’s Creek. Perguntado se os fãs o chamam mais de Pacey ou de Peter nas ruas, o ator brincou. “Depende de quem me chama!” Realmente, ele estava de bom humor.

* Matéria publicada no Estadão

7 de nov de 2009

Uma semana com o Kindle

Sabe quando você segura um gadget e sente que aquilo ali em suas mãos pode ser o símbolo de uma revolução? Foi assim quando peguei pela primeira vez um iPod ou passei os dedos pela tela de um iPhone. E tal sensação aconteceu novamente após passar uma semana com o Kindle 2, o leitor de livros eletrônicos da Amazon.

No Brasil ele pode ser comprado pelo próprio site da Amazon, mas o seu valor por aqui supera a barreira do R$ 1 mil. O Kindle impressiona, a começar, pelo visual, que mais parece ter sido obra dos designers da Apple. Ele é muito fino e leve (menos de 1 cm e 289 gramas, para quem ficou curioso) e sua parte frontal é toda branca. Suas bordas são arredondadas e ele pode ser carregado na tomada ou em portas USB - o Kindle tem um adaptador incluso, que faz os dois serviços em um único cabo, uma ótima sacada.

Agora, a tela. Ela não é colorida, mas reproduz 16 tonalidades de cinza (o primeiro modelo, quatro). Ficou decepcionado? Não fique, ela possui uma tecnologia que dá a sensação de realmente estar lendo as páginas de um livro. O ambiente pode estar muito iluminado também, não tem problema, pois o visor se adapta à luminosidade. Porém, a tela do Kindle não emite luz, o que causaria um cansaço aos olhos. Não espere lê-lo em lugares muito escuros, portanto - só com a ajuda de uma luz externa, ou seja novamente, igual a um livro normal.

Como a maioria dos gadgets do momento são touch screen, chega a ser natural pressionar a sua tela. Mas para navegar no Kindle há o "5 Way Controler", uma espécie de joystick que permite ir para cima e para baixo da tela. Além disso, há 5 botões: dois para ir para a página seguinte, um para a página anterior, o de home, outro de menu e mais um de back. Esse joystick é um pouco duro e até ruim de manusear, mas pega-se o jeito com o tempo. Na parte debaixo, por fim, vem o teclado Qwerty, que é ótimo, apesar de exigir uma certa pressão dos dedos.

O e-reader ainda conta com speakers em sua parte de trás e uma entrada para fones de ouvido de 3,5mm. Sim, o Kindle toca também MP3! Mas essas duas opções também servem para ouvir áudio-livros - alguns livros eletrônicos vêm com a função de "Text To Speech", para quem quiser ouvi-los, em vez de lê-los.

LEITURA BÁSICA

Para ligar o Kindle, é só arrastar a barrinha switch que fica na borda superior. Ele é bem intuitivo, já abre diretamente na página home, que mostra todos os livros armazenados e todos aqueles trechos e palavras que você marcou por considerar importante ("Clippings"). Para procurar por um livro, e só clicar em menu e ir na Kindle Store.

Aqui vem o grande trunfo do Kindle, sua conexão 3G. Apesar de não ter Wi-Fi, o livro eletrônico da Amazon tem acesso à rede sem fio de telefonia celular, por um certo sistema Whispernet, da própria Amazon. Desta forma, pode-se comprar um livro virtual no site da loja virtual a qualquer momento do dia. Nos Estados Unidos, a navegação foi muito rápida. Em menos de 30 segundos foi possível baixar e-books. No Brasil, o tempo foi de aproximadamente 1 minuto, o que também é ótimo. Mas a conexão caiu em diversos momentos.

Os e-books são pagos e os valores vão de US$ 2 ("O Retrato de Dorian Gray") a US$ 12 ("Amanhecer", último livro da série "Crepúsculo"). Para comprá-los, só com cartão de crédito, registrado na Amazon. Infelizmente, na Kindle Store não há muitas opções de obras em português. Paulo Coelho tem 7 livros por lá, mas nenhum em sua língua nativa, só em inglês. A reportagem conseguiu encontrar "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro", ambos de Machado de Assis. Cada um custava US$ 3, mas ao optar por uma versão "preview", que geralmente dá acesso à apenas um ou dois capítulos da obra, eles vieram na íntegra.

Vale dizer que não muitas opções também em inglês. Best-sellers como "Free", de Chris Anderson, não estão por lá. Nem "O Código da Vinci", de Dan Brown. A melhor opção é buscar por livros eletrônicos na internet e depois transferi-los para o Kindle via USB. Para os brasileiros, uma opção é a Editora Plus. Está atrás dos clássicos? Garimpe pelo Google.

O gadget da Amazon lê e-books nos formatos AZW, MBP e mobi. PDF, não. Para fazer essa conversão, é preciso enviar um e-mail para um endereço específico da Amazon. A conversão custa centavos de dólares e demora algumas horas. Mas também há programas gratuitos na rede que fazem esse serviço.

O site da Amazon, sempre que for entrado pelo Kindle, irá exibir sugestões de livros para você comprar baseados em suas pesquisas. Também é possível checar o Top 25 dos mais vendidos. Mais de 60 jornais e revistas também estão por lá para serem lidos (o periódico O Globo é a única opção brasileira). Pode-se comprá-los por edição ou criar assinaturas mensais. Quase todos dão um tira gosto gratuito de 14 dias.

O Kindle 2 vem com o New Oxford Dictionary. Para saber o significado de uma palavra, é só parar com o cursor nela para receber uma breve descrição. Quer saber mais? Dê um clique com o joystick. Fazer marcações também é fácil, basta apertar o mesmo joytisck e correr sobre o texto. Para aumentar a fonte, é só apertar a tecla Aa, onde é possível também escolher o número de linhas pela tela.

RESUMO FINAL

Após 7 dias com o Kindle 2 por perto, o resultado é positivo. Ele vai agradar principalmente quem gosta de ler em inglês, já que a presença de títulos em português beira ao zero. Ele não tem entradas para cartões de memória, algo negativo, mas o seu 1.4 GB de memória permite armazenar cerca de 1.500 obras. Seu sistema de internet 3G é impressionante e nos EUA funciona de maneira espetácular (por lá, dá até para navegar pela internet, o que não funcionou por aqui). Sua bateria também se saiu bem nos testes.

Em uso intenso, durou dois dias. Regularmente, uma semana.

Por aqui, seu problema é o preço. Pagar R$ 1 mil em um aparelho desses é um luxo para poucos. Já acostumar a lê-lo é uma questão de hábito. No princípio há um estranhamento, mas a sua tela é extremamente confortável por dar a sensação quase fiel de se folhear um livro. Irônico, não? Só faltou ele ter aquele cheiro gostoso de livro novo. Ou de mofo, se fosse um livro velho.

1 de nov de 2009

Mafia Wars, (mais) um viciante jogo online dentro do Facebook


Se os jogos sociais são realmente o futuro dos games, o Facebook está aí para não mentir. A maior rede social do planeta virou um repositório para desenvolvedores criarem aplicativos. Uma das empresas que melhor se deu nessa foi a americana Zynga. Criadora do Farmville e do YoVille, a companhia vem chamando a atenção e conquistando milhares de internautas com suas invenções. Na semana passada, especulou-se que a Electronic Arts iria comprá-la. Só para vocês terem uma ideia.

Uma das criações mais populares da Zynga é o game online Mafia Wars, que pode ser jogado no Facebook, MySpace e iPhone. O objetivo dentro dele é virar um mafioso, que vai se tornando mais poderoso conforme sua famiglia aumenta. Resumindo: quanto mais contatos de seu perfil estiverem por lá, melhor. Só assim dá para resistir dos freqüentes ataques das famílias concorrentes.

O objetivo é promover um escambo entre os familiares, trocando armas, cartas chantagistas, roupas, cigarros, animais e até telemóveis indetectáveis. Cada jogador tem um limite de energia para entrar nas brigas, cujo mote é roubar a fortuna dos outros grupos de mafiosos.

Existem várias leis éticas dentro do jogo, algo que se aprende conforme o seu desenvolvimento. Não é preciso retribuir qualquer pessoa que lhe dê um presente, mas é de boa educação ajudar quem dos seus amigos for o mafioso mais fraco. Não vá sair por aí roubando as propriedades dos outros e fugindo depois. Isso é coisa de mafioso meia-boca. O de verdade chama o seu bando para uma disputa cara a cara.

Pode-se desafiar qualquer pessoa de sua lista de contatos para uma guerra e dá até para criar listas negras daqueles mais procurados – ótima dica para ferrar aquela pessoa da lista do Facebook que você não gosta muito! Não se esqueça de divulgar as batalhas em seu perfil, para que seus amigos o ajudem no confronto. As lutas demoram horas e é possível acompanhar o seu desenvolvimento em tempo real. É bem cansativo, mas divertido ao mesmo tempo. A cada vitória, sobe-se de nível dentro do jogo, o que resulta em armamentos mais poderosos, veículos mais invocados e até imóveis para comprar – um ótimo investimento, aliás. Quanto mais bens se tiver, mais dinheiro vai entrar no seu caixa.

Por falar em grana, para ganhar uns trocados no começo é preciso fazer aqueles trabalhos clássicos dos mafiosos dos cinemas – pequenos roubos ali, uma extorsão acolá... Bicos, enfim. Começa-se de baixo mesmo, não espere virar um Don Vito Corleone em poucos minutos.

Mafia Wars não tem personagens tridimensionais, efeitos especiais, som 5.1... É um game online, simples, mas ao mesmo tempo divertido e viciante. Uma ótima dica para aqueles momentos em que você está em frente ao computador, não tem nada para fazer, e não sabe o que mais procurar no YouTube para se entreter.

E, vamos combinar: dá para fazer várias coisas ilegais dentro dele, como estapear aquele seu desafeto, roubar a fortuna daquele seu colega almofadinha... Tudo de mentira, lógico. Mas para o ego faz um bem ótimo!

* Matéria publicada no Virgula