12 de nov de 2009

Fifa 10 brilha muito sobre o novo Pro Evolution Soccer



Brasileiro é apaixonado por futebol. Virtual. Todo final de ano a história se repete: os gamers ficam alvoroçados à espera daqueles que, para muita gente, são o único motivo de se comprar um videogame: as novas edições de Fifa e de Pro Evolution Soccer (ou o eterno Winning Eleven).

Os jogos da Electronic Arts e da Konami, respectivamente, travam um duelo há mais de uma década pelo título de melhor simulador de futebol dos consoles. Desde o Playstation 1, para ser exato. Durante grande parte deste tempo, PES sempre esteve na frente, apesar dos vários nomes que teve durante todos esses anos – tudo começou com International Superstar Soccer, lembram?

A disputa ficou mais acirrada nos últimos anos, em razão de videogames de última geração, como Playstation 3 e Xbox 360. Neste novo cenário, a EA se saiu melhor e no ano passado o seu Fifa 9 foi (quase) uma unanimidade ao ser considerado o melhor game de futebol de 2008.

Mas e agora, a história vai se repetir? É isso que vou mostrar abaixo, com um comparativo entre Fifa 10 e Pro Evolution Soccer 2010, que acabam de chegar às lojas brasileiras, em versões para PC, Xbox 360, PS2, PSP e PS3, além do Nintendo Wii. Os preços variam de R$ 99,90 a R$ 229,90.

PRIMEIRO TEMPO

A primeira coisa que vamos analisar são os gráficos. E, mais uma vez, Fifa sai na frente. Na versão testada para o PS3, os gráficos foram de babar. A torcida tem movimentos reais e não parece mais um display de papelão. O uso de luzes e sombras também é de se elogiar, algo aprimorado no novo PES, mas ainda inferior ao concorrente. Em relação ao cenário, Fifa dá de goleada. A própria grama tem camadas, ao contrário de PES, que mostra um grande bloco verde, que parece pintado com giz de cera.

Em seguida, o mais importante: a jogabilidade. Pro Evolution Soccer continua mais intuitivo, algo que sempre agradou aos brasileiros. Não é preciso de comandos específicos para driblar, passar o pé na bola, rodopiar ou controlar a cadência do jogo. Basta habilidade no joystick para conseguir isso. Por outro lado, na nova versão a Konami deixou as partidas mais retranqueiras. Está mais difícil correr com a bola sem deixá-la escapulir. Depende muito da habilidade de cada jogador, como Messi e Cristiano Ronaldo. O mesmo se repete na hora de matar a gorduchinha – ela quica que é um horror. A velocidade de PES 2010 deixa a desejar, pois ficou muito lenta. O mesmo acontece com a troca de passes, que ficou bem estranha nesta versão.

Os goleiros continuam uma mãe. Fazer gols de fora da área ainda são uma moleza, caso você tenha um time que possua um atleta que saiba bater bem na pelota. Outra novidade é que os chuveirinhos estão cada vez mais necessários para se vencer uma defesa bem postada. Está muito fácil fazer gols pelo alto, é só escolher uma equipe que tenha um atacante cabeceador lá na frente.

Já Fifa tem na movimentação dos atletas o seu grande diferencial. Eles correm de maneira individual, todos têm movimentos únicos. Ao contrário de PES, em que todos se movimentam da mesma forma e parecem correr travados, como robôs. Em Fifa, há pequenos detalhes que fazem muita diferença para os fãs mais xiitas. As defesas dos goleiros estão mais plásticas, os jogadores batem na bola de 3 dedos, noutras até acertam lançamentos de letra. Isso não acontece no jogo da Konami. Parece besteira, mas até o juiz do Fifa é superior. A bola respinga nele e ele até chega a pular para que a pelota não o atinja. A maneira como os jogadores matam a bola e a controlam também são de encher os olhos.

A série Fifa tem uma jogabilidade que não costuma agradar aos fãs de PES. Mas basta meia dúzia de partidas para sentir a diferença e começar a pegar o jeito. Realizar jogadas de efeitos, como chutes de cobertura e lançamentos de longa distância, exigem certos comandos que atrapalham no começo, mas depois de muito suor acontecem naturalmente. É bem mais difícil que o rival, mas ao mesmo tempo é desafiador. A nova tecnologia “360º Dribbling” não faz muita diferença, mas dá para ver a evolução da mecânica da série. Principalmente quando se fala da inteligência artificial: os jogadores se adaptam automaticamente ao seu tipo de jogo. Incrível!

O porém do Fifa fica na hora de tentar fazer gols de bola parada. Escanteios e faltas não são nada naturais. O mesmo acontece na hora de realizar cruzamentos pelo alto. Nesses quesitos, Pro Evolution Soccer ainda é matador.

SEGUNDO TEMPO

O número de times licenciados em Fifa 10 é muito superior à PES 2010. Para nós, brasileiros, existe um problema. Ao contrário do resto do mundo, onde o acerto é realizado com a liga de futebol de cada país, por aqui o acordo é fechado individualmente com cada equipe. 20 times brasileiros estão inclusos no jogo da EA, como São Paulo, Palmeiras, Flamengo e até o Barueri. Mas Corinthians, Santos, Grêmio e Fluminense, não.

Quer dizer, eles estão no jogo. Os gritos da torcida e as escalações são oficiais. Mas os uniformes e os nomes dos clubes são “alternativos”. Ronaldo agora brilha muito no C. São Paulo, por exemplo. No jogo da Konami, um vexame: só existe o Inter de Porto Alegre por lá. Não é por acaso que o sucesso de Pro Evolution Soccer no Brasil tenha acontecido, principalmente, com as versões piratas dos jogos. Por quê? Por trazerem os times brasileiros.

Para resumir, Fifa 10 bate Pro Evolution Soccer facilmente. Não chega a ser uma goleada, é claro, mas é uma prova da clara evolução da franquia, que soube trabalhar com as imensas possibilidades dos videogames de última geração, dando aos jogadores gráficos de primeira e uma enorme gama de possibilidades de modos online.

* Matéria publicada no Virgula

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