7 de nov de 2009

Uma semana com o Kindle

Sabe quando você segura um gadget e sente que aquilo ali em suas mãos pode ser o símbolo de uma revolução? Foi assim quando peguei pela primeira vez um iPod ou passei os dedos pela tela de um iPhone. E tal sensação aconteceu novamente após passar uma semana com o Kindle 2, o leitor de livros eletrônicos da Amazon.

No Brasil ele pode ser comprado pelo próprio site da Amazon, mas o seu valor por aqui supera a barreira do R$ 1 mil. O Kindle impressiona, a começar, pelo visual, que mais parece ter sido obra dos designers da Apple. Ele é muito fino e leve (menos de 1 cm e 289 gramas, para quem ficou curioso) e sua parte frontal é toda branca. Suas bordas são arredondadas e ele pode ser carregado na tomada ou em portas USB - o Kindle tem um adaptador incluso, que faz os dois serviços em um único cabo, uma ótima sacada.

Agora, a tela. Ela não é colorida, mas reproduz 16 tonalidades de cinza (o primeiro modelo, quatro). Ficou decepcionado? Não fique, ela possui uma tecnologia que dá a sensação de realmente estar lendo as páginas de um livro. O ambiente pode estar muito iluminado também, não tem problema, pois o visor se adapta à luminosidade. Porém, a tela do Kindle não emite luz, o que causaria um cansaço aos olhos. Não espere lê-lo em lugares muito escuros, portanto - só com a ajuda de uma luz externa, ou seja novamente, igual a um livro normal.

Como a maioria dos gadgets do momento são touch screen, chega a ser natural pressionar a sua tela. Mas para navegar no Kindle há o "5 Way Controler", uma espécie de joystick que permite ir para cima e para baixo da tela. Além disso, há 5 botões: dois para ir para a página seguinte, um para a página anterior, o de home, outro de menu e mais um de back. Esse joystick é um pouco duro e até ruim de manusear, mas pega-se o jeito com o tempo. Na parte debaixo, por fim, vem o teclado Qwerty, que é ótimo, apesar de exigir uma certa pressão dos dedos.

O e-reader ainda conta com speakers em sua parte de trás e uma entrada para fones de ouvido de 3,5mm. Sim, o Kindle toca também MP3! Mas essas duas opções também servem para ouvir áudio-livros - alguns livros eletrônicos vêm com a função de "Text To Speech", para quem quiser ouvi-los, em vez de lê-los.

LEITURA BÁSICA

Para ligar o Kindle, é só arrastar a barrinha switch que fica na borda superior. Ele é bem intuitivo, já abre diretamente na página home, que mostra todos os livros armazenados e todos aqueles trechos e palavras que você marcou por considerar importante ("Clippings"). Para procurar por um livro, e só clicar em menu e ir na Kindle Store.

Aqui vem o grande trunfo do Kindle, sua conexão 3G. Apesar de não ter Wi-Fi, o livro eletrônico da Amazon tem acesso à rede sem fio de telefonia celular, por um certo sistema Whispernet, da própria Amazon. Desta forma, pode-se comprar um livro virtual no site da loja virtual a qualquer momento do dia. Nos Estados Unidos, a navegação foi muito rápida. Em menos de 30 segundos foi possível baixar e-books. No Brasil, o tempo foi de aproximadamente 1 minuto, o que também é ótimo. Mas a conexão caiu em diversos momentos.

Os e-books são pagos e os valores vão de US$ 2 ("O Retrato de Dorian Gray") a US$ 12 ("Amanhecer", último livro da série "Crepúsculo"). Para comprá-los, só com cartão de crédito, registrado na Amazon. Infelizmente, na Kindle Store não há muitas opções de obras em português. Paulo Coelho tem 7 livros por lá, mas nenhum em sua língua nativa, só em inglês. A reportagem conseguiu encontrar "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro", ambos de Machado de Assis. Cada um custava US$ 3, mas ao optar por uma versão "preview", que geralmente dá acesso à apenas um ou dois capítulos da obra, eles vieram na íntegra.

Vale dizer que não muitas opções também em inglês. Best-sellers como "Free", de Chris Anderson, não estão por lá. Nem "O Código da Vinci", de Dan Brown. A melhor opção é buscar por livros eletrônicos na internet e depois transferi-los para o Kindle via USB. Para os brasileiros, uma opção é a Editora Plus. Está atrás dos clássicos? Garimpe pelo Google.

O gadget da Amazon lê e-books nos formatos AZW, MBP e mobi. PDF, não. Para fazer essa conversão, é preciso enviar um e-mail para um endereço específico da Amazon. A conversão custa centavos de dólares e demora algumas horas. Mas também há programas gratuitos na rede que fazem esse serviço.

O site da Amazon, sempre que for entrado pelo Kindle, irá exibir sugestões de livros para você comprar baseados em suas pesquisas. Também é possível checar o Top 25 dos mais vendidos. Mais de 60 jornais e revistas também estão por lá para serem lidos (o periódico O Globo é a única opção brasileira). Pode-se comprá-los por edição ou criar assinaturas mensais. Quase todos dão um tira gosto gratuito de 14 dias.

O Kindle 2 vem com o New Oxford Dictionary. Para saber o significado de uma palavra, é só parar com o cursor nela para receber uma breve descrição. Quer saber mais? Dê um clique com o joystick. Fazer marcações também é fácil, basta apertar o mesmo joytisck e correr sobre o texto. Para aumentar a fonte, é só apertar a tecla Aa, onde é possível também escolher o número de linhas pela tela.

RESUMO FINAL

Após 7 dias com o Kindle 2 por perto, o resultado é positivo. Ele vai agradar principalmente quem gosta de ler em inglês, já que a presença de títulos em português beira ao zero. Ele não tem entradas para cartões de memória, algo negativo, mas o seu 1.4 GB de memória permite armazenar cerca de 1.500 obras. Seu sistema de internet 3G é impressionante e nos EUA funciona de maneira espetácular (por lá, dá até para navegar pela internet, o que não funcionou por aqui). Sua bateria também se saiu bem nos testes.

Em uso intenso, durou dois dias. Regularmente, uma semana.

Por aqui, seu problema é o preço. Pagar R$ 1 mil em um aparelho desses é um luxo para poucos. Já acostumar a lê-lo é uma questão de hábito. No princípio há um estranhamento, mas a sua tela é extremamente confortável por dar a sensação quase fiel de se folhear um livro. Irônico, não? Só faltou ele ter aquele cheiro gostoso de livro novo. Ou de mofo, se fosse um livro velho.

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