27 de jun. de 2004

O dia em que eu engoli uma bolinha de gude


O Billy aprontou mais uma das suas: engoliu um brinco da mama. Agora, é esperar o safado evacuar a jóia. Todos estão furiosos, menos eu. Sou tão sarcástico, que dou risada com as brejeirices do meu cachorro. Meu irmão responde:
- Tal dono, tal cachorro! Um come brinco e, o outro, bolinha de gude!

Quando pirralho, eu zoava muito um coleguinha de sala. O garoto teve a capacidade de engolir uma chave. Achava isso impossível, coisa de retardado. Como alguém enfia uma chave goela abaixo? Continuem a ler a historieta.

Certa vez, eu estava jogando bolinha de gude no tapete de casa. Jogava sozinho. Nunca foi bom em tal brincadeira, não sabia jogar as bolinhas o mais longe possível. O que resolvo fazer? Jogar bolinha de gude com a ajuda da boca. Como assim? Colocava uma na boca, puxava ar e a arremessava, como estivesse dando uma bela cusparada. Estava bacana a peripécia, até o momento em que uma bolinha não saiu, entalou.

Pânico. Ponho as mãos à garganta e engasgo. Cacete, olha a merda! , filosofo, no alto de meus sete anos. Corro até o quarto de minha mãe e tento falar: Aff... Bolinha...Afff... Engoli...Aff... A bolinha...

- O quê? , ela exclamou.

Rodopiei o fura-bolos e apontei à boca. Ela entendeu. Mandou eu plantar bananeira, apoiando os pés na parede. "Cospe!", ordenou. Juro, não saía. Repeti tal procedimento três vezes, e não funcionou. Desespero. Curvei as costas e recebi um tapa (uma porretada, para ser sincero). Bulhufas. Vendo a minha angústia e a minha falta de ar, a mama disse para engolir a maldita bolinha. Engoli. Ao menos não foi uma chave.

Foram quase duas semanas de companheirismo; eu e a minha bolinha. Daria um lindo filme. Até foto nós tiramos - uma radiografia, quer dizer - e lá estava ela, uma bolinha de gudes com um barquinho dentro. Alojada na altura do meu diafragma, do lado esquerdo do peito. Coisa linda. "Tudo o que sobe, desce", já dizia um ditado. O meu era outro: "O que engole, sai depois no cocô". E essa foi a minha esperança. Que merda! Literalmente.

Tomava um remédio horrível (devia ser laxante) e comia purê de batatas o dia inteiro. Qualquer coisa que fizesse eu fazer o número dois, era uma ajuda. Yakult? Manda! Abacate? Simbora! Meu pai iria até Salvador para comprar um acarajé, se possível. Pior, só eu ter que ir com dois canudinhos plásticos pra cima e pra baixo. Quando eu ia ao banheiro e fosse dar uma aliviada, era obrigado a conferir se a maldita bolinha havia saído. Eu ficava horas remexendo a minha obra-prima com aqueles dois canudos. Era decepcionante.

Um dia a bolinha foi-se embora. Fez um tremendo estardalhaço. "Péin!", foi o seu som ao bater na privada. Certamente algo inesquecível. Foram quase dez anos sem comer purê de batatas. Juro pra vocês!

23 de jun. de 2004

Não façam o que eu digo

Já cansei de dizer que não sou exemplo pra ninguém, ainda mais quando o assunto é estudo. Fui vagabundo, confesso. Chutava todas as questões de Exatas e me esbaldava nas de Humanas. E quando chegava a redação, quase me ocorria uma ereção de felicidade. Mas, gente, não sou exemplo a seguir, não! Está ouvindo, dona Marina? Eu só passei por mandar bem na maldita da redação!

A Marina é irmã da Irena. Está no primeiro colegial, e as suas notas são muito parecidas com as minhas de quando estava na mesma série. A tua irmã foi uma tremenda duma cdf de carteirinha. Acertava mais de 80% nos simulados e ainda passou na primeira lista da PUC (eu passei na décima primeira).

Outro dia eu comentei que estudar, ou não, em certos casos é engraçado. Minha namorada estudou pra caramba e passou na faculdade que eu também passei. Qual a diferença de passar na primeira e na penúltima lista? Nenhuma!

E agora, a dona Marina resolveu me usar como modelo de vida. No simulado, acertou 36 de 100 questões. Juro, eu ia um pouco menos pior que ela. Daí ela teve a manha - coisa de cabra macho - de falar pra mãe por telefone quanto é que tirou no simulado!

Deve ter levado uma bronca, é lógico. Só que do nada ela me diz ao telefone:
- Ah, o Gustavo passou.

Desligou o telefone e perguntei:

- Eu passei no quê?
- Na faculdade, ué!
- E daí?
- E daí que a minha mãe falou que se eu continuar desse jeito, eu não passo em nenhuma faculdade. Daí eu falei de você...

Porra! Isso lá é coisa que se diga para a mãe?

21 de jun. de 2004

Meus sais...

Quando volto pra São Paulo, eu tenho a audácia de pegar um ônibus às cinco horas da matina. Tudo para aproveitar um pouco mais o final de semana em casa com a família e escapar do estressante trânsito da marginal Tietê. Eu faço tal loucura quase toda semana.

Como tem neguinho se acotovelando para pegar ônibus nesse horário (existem mais loucos neste mundo), mama ou papa compram à passagem no domingo. Já deixo uma condição: um lugar que não seja na frente do busão.

Existe alguém na face da Terra que goste de sentar nas primeiras poltronas de um ônibus, tirando velhos e crianças pentelhas? É impressionante! Aqueles garotinhos de cabelo tigelinha são uns horrores. Perceba que eles têm algum problema no cerebelo, porque os lazarentos nunca ficam na posição certa. Ao invés de ficarem sentados, viajam ajoelhados e olhando para o fundo do ônibus (leia-se: você). Fazem caretas e, quando são pestes mesmos, implicam com o livro que você lê.

- O que você tá lendo?
- Um livro...
- Sobre o que é?
- Crônicas.
- O que é isso?
- Histórias.
- Sobre o quê?
- A vida...
- Vida de quem?
- ... De garotos chatos que fazem muitas perguntas e morrem por isso!

Eu não tenho muita paciência em ônibus. Vide quando senta algum idoso na minha frente. Deixo claro que adoro velhinhos e não tenho um puto de preconceito. Mas velho em ônibus é uma desgraça. Estão sempre com sacolas de compras, podem reparar. Quando sento na poltrona do corredor, levo sempre umas sacoladas na cabeça. Ainda levo bronca. Pior quando vai um casal de velhos.

- Pedi pra você não pegar lugar na frente!
- Só tinha aqui, não enche o saco!
- Ai, após 40 anos você continua um grosso!
- Você que só sabe reclamar!

Eles se ajeitam na poltrona.

- Quer deitar a poltrona? Peraí...
- Não tá indo, falei que não era pra sentar aqui!
- Calma...
- Tá quebrada, tá quebrada! Tudo é uma porcaria!
- Não tá indo...
- Também, você não tem força nem pra levantar a sua bunda do sofá!

A velha pede para uma pessoa mais jovem (eu). Reclino a poltrona e recomeça a prosa.

- Fecha a janela! Estou com dor de garganta.
- Morre duma vez...
- Cala sua boca! Ei! Que cheiro é esse na sua roupa?
- Que cheiro?
- Isto... (cheira). Você comeu mexerica às cinco horas da manhã??
- É...
- Mas é um velho sem vergonha!
- Você está fedendo laquê e Leite de Colônia e eu tô quieto...
- Como é que é??

E continua, e continua...

19 de jun. de 2004

Ryan Adams


Rapaz, que beleza este tal de Ryan Adams! Já era fã do sujeito, mas depois de ouvir o seu último CD "Rock & Roll", estou pagando mais pau do que antes. O sujeito fez uma tremenda lição de boa música.

As letras estão de abalar o coração da mulherada. "So Alive", em minha humilde opinião, já desponta como a música mais bonita do ano. A voz de Ryan está tão bonita que nem o próprio acreditou no timbre que alcançou ao gravar tal canção. Ele também não tem vergonha em dizer que "So Alive" é puro U2. Ouçam e digam-me se não é parecido?

Tudo começa ao colocar aquele pequeno disco no som e "This Is It" começa a tocar. Sente-se e pode relaxar que é um tremendo disco. Dois polegares pra riba!

16 de jun. de 2004

Recruta Zero

Segunda-feira foi dia de ir ao exército, honrar a pátria amada, torcer pra não ser chamado.

- Calma, aí, Gustavo! Tu não fizeste 18 anos no ano passado?

Sim, caro leitor. O detalhe é que eu esqueci de ir ano passado. Em agosto, mês de meu aniversário, falei pro meu irmão:
- Fê, como é que faz esse treco do exército?
- VOCÊ AINDA NÃO FOI??? - ouvi.

Fui na junta militar e fiz a minha inscrição. Como perdi a chamada, tive de pagar a multa exorbitante de três reais! Aff. Ganhei quase um ano de prazo para voltar ao estabelecimento: 14 de junho.

Cheguei no centro militar e aquilo estava parecendo fila pra ir ver um show do Sandy &Jr. Neguinho pra tudo quanto é lado. Tô fodids!, pensei. Dirigi-me até o final da bicha (piada inevitável) e lá fiquei esperando. Dez minutos e nada. Resolvo ler "Pequenos Delitos e Outras Crônicas" do Walcyr Carrasco. Mimo da Irena por eu ser um namorado legal. Folheio algumas páginas. A fila anda. Chego à portaria, dou o meu certificado de alistamento e mandam eu subir. Um degrau. Dois degraus. Três degraus. Pasmem! Outra fila. Ainda maior e dividida em três partes. Olho aos céus e torço pra cair um raio em minha cabeça. Obviamente meu desejo não se realiza.

Olho para as filas. Tem uma pequenina e outra meio grandinha. Vou até a maior por um mero detalhe: havia cadeiras para sentar. Cara, não agüento ficar dois minutos em pé sem me mexer. Dá um saracutico, uma coceira toma conta de meu corpo... Não agüento. Ainda mais que trouxe um livro e posso ler sossegado. Passam-se quase uma hora e uma voz vem lá da frente da fila.

- Quem eu for chamando o nome, favor comparecer imediatamente.

Tremedeira, suor. Os primeiros mártires são chamados e encaminhados para outra sala. Saem cabisbaixos e ouvem comentários maldosos do pessoal da fila. "Mano se ferrou", alguém comenta. "Vai ter que pagar de cuequinha lá pro dotô!", alguém ironiza. E eu só de olho no senhor que ia soltando os nomes. Vem o veredicto:

- Luiz Gustavo blá, blá, blá...

É o meu nome. É O MEU NOME! Declaro-me ateu no mesmo instante. Xingo Papai do céu, enfureço-me com meus Orixás. Apresento-me ao tiozinho. Este me dá um papel amarelo e diz com certo desdém:

- Tá dispensado. Só pagar a taxa na lotérica.

Hein? Ouvi bem? Dispensado? Fui dismissed? Rá! Olho para as centenas de trouxas da fila e ensaio a "Dança do Frango". Desço as escadas correndo, dou passinhos à Michael Jackson. É tanta alegria que nem como comemorar. Seria eu um Macunaíma? Fui pro alistamento com um ano de atraso, fiquei sentadão o tempo inteiro enquanto outros meditavam sobre suas pernas em pé, fiquei lendo um livro na frente de pessoas fardadas e mal-encaradas... Mais anti-herói, impossível!

14 de jun. de 2004

A vida simples (II)


Falemos agora do JUCA. É bem legal, reúne as principais faculdades de comunicação da capital paulista. O Mackenzie (camisa preta) é quem leva sempre, a Cásper Libero (camisa vermelha) leva, digamos, a escola inteira! Cacilda! Não sei como tanta gente consegue caber em poucos andares de um prédio. A Bruna, que estuda, lá talvez tenha uma explicação. Bastava por os pés na rua e dar de frente com uma maré vermelha de alunos casperianos. Parecia até militância do PT!

O pessoal da minha faculdade? Bem, somos os beberrões por excelência. Se a competição fosse num bar, a PUC venceria fácil. Olha o lema da garotada: "Viemos pra beber, viemos pra beber e se ganharmos foi sem querer!". Vou dizer o quê? Ao menos a nossa torcida era umas das mais divertidas. Havia fogos de artifício, um animador mais embalado que o Bola Oito e até bateria (quesito em que o Mackenzie possui quase uma escola de samba).

O mais engraçado foi quando um garoto da minha sala roubou um cartaz do filme pornô do Alexandre Frota de uma locadora. Ficou aquele cartaz circulando pela torcida aos gritos de "Ei, ei, ei! O Frota é nosso rei!". Demais! A USP havia roubado um dia antes um cartaz da Suzana Vieira, e ficaram cantando: "Vieiraaaaaa! Vieiraaaaaa! Suzana Vieiraaaaaa!".

A rixa entre as faculdades é sensacional. Nós, da PUC, somos conhecidos pela fama de maconheiros (graças ao Isami Tiba, que chamou a faculdade de "antro da maconha"). A FAAP têm as melhores garotas e a grande maioria é pertencente à elite paulistana. A USP possui os crânios - e os canhões também. Deixo aqui os melhores gritos:

"Só pra não esquecer! A Metodista é a Unip do ABC!" - todos p/ Metodista

"Só pra não esquecer! A sua facul é uma antena de TV!" -todos p/ Cásper

"Não tenho vergonha! Estudo na Puc, o antro da maconha!" - PUC

"Ão, ão, ão! Meu pai é teu patrão!" - FAAP p/ todos

"Sou solidário! Pago teu estudo e vou pagar o seu salário!" -Todos p/ USP

"Ô, USP! Como é que pode?! As tuas minas têm bigode!" - PUC p/ USP

"Vai Preta Gil!" - eu, para garota da USP no jogo de vôlei.

13 de jun. de 2004

A vida simples (I)


Nada melhor do que tirar uns dias de isolação do mundo. Chega de internet, televisão, jornais e notícias. Não quero saber de mais nada, não ter a obrigação de entender o que está acontecendo ao meu redor. Chega! Juntei os meus trapos e fui até Piquete, uma cidadezinha situada entre a Serra da Mantiqueira e o Vale do Paraíba, usando como pretexto para papai e mamãe que iria participar do JUCA (Jogos Universitários de Comunicação e Artes), realizado na cidade vizinha, Cruzeiro.

Maravilhosa essa tal de Piquete, viu! Parece um local cinematográfico: ruas de pedras, carros antigos, bares antigos, tudo parado no tempo. Pessoas andando de bicicletas, não se preocupando com moda, cuja maior diversão é pegar as cadeiras e colocar na calçada em frente as suas casas, a fim de bater um papo com o vizinho e olhar para o céu estrelado. São gentes humildes, que parecem não ver distinção de classes. Te tratam como um velho amigo.

Ao chegar na cidade, munido de duas pesadas malas, tive a sensação de estar num episódio de The Simple Life. Eu e meus seis amigos éramos Paris Hilton e Nicole Richie vivendo por quase uma semana no meio do nada. Aquelas sete pessoas da capital foram motivo de curiosidade. Cabeças saiam das janelas e nos olhavam com curiosidade. Big Brother Piquete!

Incrível como uma distância de um pouco mais de 200 km faz nascer dois mundos distintos. Sabem quanto custa um sanduíche em Piquete? De dois a três reais (isso porque dizem que é muito caro!). Caminhar 15 minutos para o pessoal da cidade é muita coisa! Poder andar numa cidade sem se preocupar em ser assaltado, ouvir um "boa-tarde" de cada indivíduo que te encontrar. Parece até as histórias que vovô contava de sua época.

Por cinco dias, a minha infância surgia constantemente em minha memória. Tudo era motivo de comparações com Tupã (onde vivi quatro anos). Por alguns minutos, eu tive desejo de sair de São Paulo, daquela correria, da poluição. Alugar uma pequena casa, com uma rede na porta de entrada e ficar lá o dia inteiro, tirando uma gostosa soneca.

Mas ainda prefiro a velha pauleira cotidiana. Só não consigo explicar o porquê. Talvez seja bom ter essa vidinha nas férias. Depois deve perder um pouco a graça.

8 de jun. de 2004



O centro de São Paulo é algo indescritível. Miscigenação, talvez seja a melhor definição. Como definir um local onde um mano te pergunta de hora em hora: "Mano, quer comprar calça jeans?". Como dar nome a uma praça onde diversos hippies (em estado de viagem total) cantarolam apenas uma música com os dizeres "lálálálá!? Metaleiros se reunindo na Galeria do Rock? Forrozeiros bailando em plena calçada? Mendigos esmolando? Ou, talvez, eu deva citar um senhor de terno azul com uma pequena bíblia à mão. "Meus filhos, a palavra do Senhor lhe salvará...".

Pode-se encontrar "primas" fazendo sessão matinê. "Lindo, vem cá, vem!". Tu olhas e vê aquele tribufu cheirando a água de colônia e Blondo. Eca! Usar o telefone público e se deparar com os inúmeros pequenos anúncios de prostituição colados no orelhão. "Amanda: morena, olhos claros e corpo sarado. Topa qualquer coisa. Telefone tal".

Numa outra esquina, talvez o Agnaldo Timóteo esteja vendendo o seu último cd. Pena que a prefeita perua da cidade logo proibiu o cantor. Serviço humilde, madame. Pessoas andam em compasso, maquinalmente. Sacola no braço e conversa pro lado. Alguns boys andam apressados (como sempre), já senhores de idade, trajados de boina e suéter, preparam-se para mais uma partida de gamão. Sem pressa.

Pode-se comer num dos melhores restaurantes da capital paulista: o Mercado Municipal. As boas línguas recomendam a fartura da mortadela de um sanduíche e o pastel de bacalhau de tal banca. Gastronomia popular. Tem também aquela ruela conhecida no Brasil inteiro. Época de feriado é aquele congestionamento. "Vamos pra 25 de março?!", alguém pergunta entusiasmado. A caravana logo vai atrás. Tudo em promoção e vindo de contrabando. "É oliginal!", responde o coreano atrapalhado.

Um rapaz ajoelhado no chão faz uma imitação árabe. Não há cobra e, sim, um jornal enrolado. Não há um cesto de palha e, sim, uma mochila. Não há uma flauta e, sim, apenas o assobio provocado pela unção dos lábios e o sopro. No centro de São Paulo, realmente, a originalidade é a segunda melhor definição. Originalidade, não! Oliginalidade.

7 de jun. de 2004

Espécie em extinção

Uma pergunta não sai da minha cuca: está faltando homem no mercado? O homem, no qual ao me refiro, é aquele que goste de mulher. Heterossexual, sabe?
Acho que as gurias andam desabafando comigo após a publicação da crônica no jornalzinho. Até a mama já soltou a delas:
- Filho, todo homem agora é viado!

Dei risada, lógico, mas achei a afirmação da mama pertinente. Será mesmo? A cuecada desistiu do público feminino? Também, não os culpo: mulher é um ser irritante. Eu não reclamo, acho isto um charme das ragazzas. Alguém, por acaso, não gosta de quando a sua garota te liga num momento inesperado e pergunta como foi o seu dia? Só não pode ficar ligando o tempo inteiro, sufocar. Nem monge tem tamanha paciência.

Tenho uma teoria: ficou tão difícil arranjar homem, que quando uma mulher consegue, faz de tudo para segurá-lo. "Vai ficar em casa assistindo novela comigo!"; "Vai ao shopping fazer compras comigo!". Mal sabem elas, que ao começarem a nos controlar, sentimo-nos um ser livre, minhas amigas. Não tentem segurar os teus homens. Tratem-nos com desdém, pois caímos de paixão. Ficamos escravos, nos dedicamos, enchemos vocês de presentes. Não é nada mais do que um jogo. Aprendam a jogar. Quem sabe ao final, a bola não fique em suas mãos?

Vocês deviam aprender a brigarem menos entre si próprias. Fulana que deu pra alguém que você gostava, ciclana que anda falando mal de ti aos outros. Desencanem. Vocês dão tanta importância para os comentários dos outros... Sejam menos invejosas. Aprendam que aquela tua "amiguinha do coração", pode ser uma tremenda traíra. "Ai, me conta tudo da sua vida!". E vocês falam - até mais do que deviam. Não digam que eu não avisei.

Homem, não. Quando brigamos, não é por muito tempo. São motivos chulos: futebol, vídeogame... Somos grandes companheiros. Não precisamos ficar nos falando todo o santo dia. Basta uma reunião no final de semana que já está tudo em casa. E quando alguém está saindo com alguém? Perguntamos se a garota é gostosa, qual o tamanho dos peitos e nada mais. A vida particular do amigo não tem tanta importância. Estar feliz é o que importa. Isto basta.

Cansados da chatice das mulheres, muitos nadam pro outro lado da correnteza. Homem é um ser mais batuta. A culpa é de vocês mesmas!

6 de jun. de 2004

Quem se atreve a me dizer...


Centenas de jovens espremidos em alguns metros quadrados. A maioria segue um estilo alternativo. Batem palmas e pedem para as cortinas descerem. Após 40 minutos de atraso, cai o pano escuro.

O cenário ao fundo é uma aquarela (Rio de Janeiro, talvez) pintada por Domênico Lancelotti. O palco está escuro, luzes acendem. Quatro barbudinhos, trajando roupas parecidas com a de seus fãs, adentram. Berros e palmas acompanham seus passos. O barbudinho principal diz um "boa-noite" e olha para o baterista dar o compasso da música. Este pega as baquetas, olha para o baixista, maneia a cabeça e bate os pauzinhos: "um, dois, três". Introdução da música, os jovens pulam. O vocalista barbudinho se afasta do microfone e deixa o público entoar.

Olha lá quem vem do lado oposto
e vem sem gosto de viver
Olha lá os que os bravos são escravos
sãos e salvos de sofrer


Finalmente consegui assistir aos Los Hermanos. Teve que ser em São Paulo, lógico, já quem em Sorocaba eles passam longe. Em todas as músicas, nota-se uma paixão fervorosa dos fãs. Cantam junto, choram juntos. Sabem a seqüência das músicas e são os verdadeiros vocalistas da banda. Chega a ser assustador. Se os jovens de cachecol fossem senhoras de laquê, Marcelo Camelo provavelmente seria o rei Roberto Carlos.

Ótimo show - às vezes, meio morno. Vai gostar quem já conhece as músicas e os dois últimos cds (eles ignoram o primeiro). Só por tocarem "Sentimental" e "De Onde Vem a Calma", já é possível notar o porquê de tanto chororo a cada música.

* O som do Credicard Hall é horrível! Muito baixo e abafado. Marcelo Camelo chegou a dar uma bronca no sujeito responsável pelo audio, pedindo para aumentar o volume, mas pouca coisa mudou. João Gilberto já xingava na abertura da casa a qualidade da acústica, e parece que ninguém ligou muito. Vou te contar...

3 de jun. de 2004

Navio: nunca mais!


Até o final de 98, viagens eram comuns entre a minha familia. Após a disparada da cotação do dólar, a coisa ficou bem diferente. Final de ano em Guarujá no máximo! Nunca mais houve passeios bacanas e diferentes, como fazer uma viagem de navio de Santos a Angra dos Reis.

Transatlântico (o mesmo da foto), chique até o último fio de cabelo. Congresso de dermatologia: pessoas de branco comentando doenças de pele e afins. Havia somente três pessoas no barco que não eram doutores: eu, papai e Fernando. Os três intrusos, os três convidados de mamãe.

Enquanto a velha iria assistir a palestras, iríamos relaxar na piscina, no cassino, dar um volta naquele navio que mais parecia um shopping. "Vida boa, hein!", pensa, o caro leitor. Pois lhe digo que jamais penso em botar os pés dentro de um navio novamente. Só me sedando antes e pagando muito bem. Qual seria o motivo de tanta ira? A velha e boa mareação.

Foi uma cena linda. Chegando ao estado do Rio de Janeiro, digamos que o mar é meio violento, estressado. Balança daqui, chacoalha de lá. O estômago gosta desta sincronia de movimentos, e começa a se comportar como o navio. Ao adentrar dentro do transatlântico, logo ouvi de um funcionário que tal navio tinha um sistema de amortecedores, fazendo da mareação coisa de jangada. Mentira.

Houve uma competição de quem vomitava primeiro. O Jackass foi inspirado nesta viagem. Doutor gorducho de cabelos grisalhos dispara na frente, sendo logo alcançado por japonês especialista em melanoma. Era nojento e engraçado. As cabines dos passageiros são muito próximas e mal revestidas. Sendo assim, ficou comum saber o que o neguinho do quarto ao lado havia comido na janta. Huuuuugo! Huuuuugo!

Médico é uma raça tão sacana, que gosta de exercer a profissão até quando o próprio está morrendo. Huuuuuugo! Cheirava uma maçã. Huuuuuuugo! Comia um miolo de pão. Juro, nenhuma dessas duas táticas funciona. A dica é tentar dormir em algum lugar e admirar o teto se duplicando, o balde cheio de macarrão e salsicha vomitado por você... Alguns chegaram a afirmar que conheceram Jesus e que Elvis continua vivo.

*Inspirado em post da Rafaela

1 de jun. de 2004



Juro que talvez eu tenha escrito, hoje, o melhor texto da minha vida. Seria o meu último. Daria adeus e iria embora.

Perdi tudo, esqueci de salvar. Duas horas escrevendo e tudo embora. Talvez alguém não queira que eu pare e mandou algum recado. Juro que vou entender o porquê disso ter acontecido.

Estou chateado com a forma com a qual avaliam à escrita. Faço um curso em que deveriam dar crédito à inovação e individualidade de pensamento. Não, sou obrigado a seguir um patamar, um molde pré-moldado. Quero ser diferente e pessoas com um diploma no bolso não fazem mérito. "Escreva o que eu quero, leia o que eu gosto". Dificilmente leio o que eles "recomendam". Muita inutilidade. Ler é prazer, não obrigação. Já senti isso no cursinho, não quero passar de novo.

Filosofia de um só lado. Ter que ouvir que em minha prova de artes, não usei sentimento. Sentimento? Artes é algo pessoal, querida professora. Eu tenho o meu ponto de enxergar o mundo, mas parece que a maioria não entende. Obrigado pela nota. Estou chateado com o meu curso, com a minha escolha. Quase nada me agrada.

Do texto, só sobrou a foto. Depois eu volto.

29 de mai. de 2004

Índio, alemão... Conheça os meus apelidos

Eu tenho esta peculiaridade: facilidade para ganhar alcunhas. Tudo começou, quando este pobre blogueiro nasceu. Ao invés de vir um bebê carequinha, saiu um moleque cabeludo, meio Samuel Rosa. Papai exclamou:
- Meu filho é um índio!

Conforme fui crescendo, os apelidos acompanhavam o desenvolvimento. Com três anos, era loiro e de cabelos cacheados. "Alemão!", vovô brincava. Chamou-me deste modo até o dia em que morreu. Já tinha os cabelos ondulados e castanhos, mas vovô continuava com o tal de "alemão". Adorava quando escutava um "Vem cá, ô alemão!".

Fui muito brejeiro aos sete anos. Enérgico, não ficava um minuto quieto. Meu novo apelido? Formiguinha atômica. Pequeno, magrinho, correndo o tempo inteiro. Quando estava na piscina da casa de vovó e dava as minhas famosas "bombas" ao mergulhar, gritava inflando o peito: "Lá vai a formiguinha atômica!".

Aos dez anos, engordei um bocadinho (tá bom, fiquei uma bola!). Meu irmão me batizou de "bolinha de queijo". Na escola? Berinjela. BE-RIN-JE-LA! Criança é malvada, mas neste caso, elas se superaram. Diziam que a minha cabeça era o formato de uma berinjela (quem manda ser bochechudo!). Odiava e, por isso, durante quatro anos tive esse carinhoso apelido. Meu maior trauma: ser conhecido pelo nome de um legume.

Até nos esportes fui lembrado. No futebol, era o pior do time, mas adorava fazer as minhas firulas. Ganhei um famigerado "Pelé". Quem ouvia de fora do campo um cara do meu time falar "passa a bola, Pelé!", logo pensava que eu fosse um tremendo craque. Bastava ele ver o passe que eu dava, pra idéia ir por água abaixo. Na natação, usava uma toca branca. Junho, inverno, e meu bronzeado lá na cucuia. Bastou meu irmão me ver nadar, que logo se deu a gargalhar. Viu um palmito de toca branca na piscina e comentou ao professor: "O Gu não parece um espermatozóide nadando?". Será que acabou pegando?

No primeiro colegial, ganhei o apelido-mor, duradouro. Qual? Longet. O que significa? Eis a explicação: alguém disse que eu parecia um espaguete (magrelo e desajeitado) e algum surdo no fim da sala pensou ter ouvido "longet". Ficou tão famoso - e diferente - que muitos, em Sorocaba, só me conhecem por Longet. Existem até as suas derivações: Longão, Long...

O pior mesmo é quando vou à praia. "Bambi, quanto tempo!", ouço ao chegar no hotel. Bambi? Pois é. Quem manda jogar ping-pong após o chão do salão de jogos ter sido encerado. Escorreguei e quase fiz um esparcato. Dizem que eu parecia o Bambi quando estava aprendendo a andar. É mole?
Tudo por uma espingarda


Pior do que Dogville e Rock in Rio-Lisboa, só Caetano Veloso assassinando "Come As You Are" do Nirvana.

Alguém ouviu a maravilha? É horrível! Tudo começa com a voz de Caetano, e eu odeio a voz de Caetano. É um "baianês" arrastado, sem graça e irritante. Não consigo gostar do sujeito, perdoem-me.

Se Kurt estivesse vivo, a arma que ele colocou na boca poderia muito bem ser usada para atirar em Caetano. Seria de bom agrado.

Como Cobain se matou com uma espingarda, daria pra matar dois insuportáveis de uma vez só: Caetano Veloso e Paula Lavigne.

27 de mai. de 2004

Minhas impressões sobre Dogville


1) O filme é dividido em 9 capítulos. Pelo menos eu acho isso, já que dormi em cinco deles. E o pouco a que assisti, não entendi bulhufas.

2) Um rabisco de cachorro que late é a figura principal do filme.

3) O cachê pra contratar a Nicole Kidman deve ter sido tão alto, que não sobrou dinheiro nem pra construir um cenário.

4) Todo mundo come a Nicole, menos o rapaz que gosta dela. Bacana.

5) É um ótimo sonífero, recomendo bastante. Sai mais barato que ir à farmácia e comprar uma caixa de Lexotan.

26 de mai. de 2004

Festinha de criança me irrita

Buffet infantil é um pé nos grãos. Eita! Odeio. Crianças mimadas, chatas e esbanjando adrenalina. Lindo. Correm pelas mesas, chutam à sua canela, roubam os brigadeiros da mesa antes de cantar parabéns... Raça dos infernos. Adoro crianças, mas não quando elas estão juntas. Alcatéia.

Buffet infantil me deixa com fome. Miniaturas de coxinhas, kibes e bolinhas de queijo são gostosas, mas não forram o estomago. Detalhe: sempre esquecem de servir a minha mesa. Os garçons negam a minha existência, é impressionante. Chamo-os. Nada. Levanto a mão, indicando o fura-bolos ao teto. Nada novamente. Levanto emburrado e me dirijo até a cozinha.

- Tio, tô pedindo pra você me atender há um tempão. Dá pra fazer esse favor?

Sou muito educado. Minha paciência vai pro Cingapura quando o garçom vem com aqueles copinhos plásticos entupidos de refrigerantes.

- Coca ou Guaraná? , pergunta.
- Tem alguma coisa light ou diet? , pergunto.

Deixo claro que não sou fresco e nem estou de regime. Desde pequeno fui orientado a não beber refrigerantes normais, ou seja, estou acostumado com Coca-Cola sabor xarope. Aliás, nas minhas festas de criança, sempre rolou uma democracia. Tinha refrigerante normal e dietético. Por que raios é tão difícil encontrar bebida light? Acho que os garçons os escondem debaixo da mesa do aniversariante só para me deixar nervoso. Tenho certeza.

Buffet infantil não deveria existir. Esta moda surgiu nos anos 90. Meus priminhos adoravam ter suas festas num buffet. Escolhia-se como tema o último desenho da Disney e pronto! Depois um sujeito contrato fica filmando a cara de cu do pessoal durante três horas. Vem com aquele holofote em sua direção e implorava para dizer algo simpático ao aniversariante. Minha resposta não mudava:

- Parabéns...

Festas boas são as da minha infância. Era sempre na minha casa, não contratavam profissionais. Vovó fazia o bolo, minha tia os salgadinhos e os cachorros-quentes. A vizinhança participava, era uma reunião sensacional. Quem quisesse comer ou beber algo, só precisava pedir pra alguém ou ir à cozinha. Não tinha esse papo de garçom. Não tinha essa história de mesa reservada, que serve mais pra separar o pessoal do que reunir. O tema era do Jaspion, Jiraya e Os Simpsons. As crianças dormiam nos colos dos pais, ou o mais legal: juntavam duas cadeiras e faziam delas a sua cama particular.

Tenho tudo guardado no meu álbum de fotografias. É muito mais gostoso do que ter sua vida gravada num DVD.

23 de mai. de 2004



Ontem, debutei, meninas! Fui pela primeira vez numa balada gay, aqui mesmo, em São Paulo. Aniversário de uma amiga da faculdade bem moderninha, gente boníssima e de gosto refinado. Ganhou um consolo de presente. Adorou.

Achei muito bom. Lugar melhor para levar a namorada, impossível. Pode ficar sossegado que não vai ter um mané querendo pegar o teu lugar. Rola um respeito tremendo. Puro preconceito da sociedade, achar que homossexualismo é putaria e poligamia. Não é nada disso, seus babacas! Para mim, foi uma tremenda aula de bons modos e educação.

Lugar, som e pessoas agradáveis. Estou de saco cheio de chegar em casas noturnas e só rolar aquela música eletrônica infernal, um bate-estaca broxante, com pessoas broxantes. Odeio molequinho que não sabe beber ou chegar em mulher. Agarra, puxa, faz pose de Wando e depois sai correndo para batizar o vaso sanitário do banheiro. Ridículo.

Dessa vez, a história era diferente: éramos as pessoas mais jovens do local. Ninguém gritava, fazia escândalo. Os gays sabem o que é se divertir, sabia? Requinte, meus amigos. Não tinha nenhum pé rapado, não! Neguinho bacanudo: roupa de marca, perfumados e bem produzidos. Senti-me rodeados de Wills e Jacks.

A música era sensacional (maldita influência soul e disco de papai!). Quando não rolava um Dj básico, uma dupla cantava ao vivo. Um rapaz nos teclados e uma loira esfuziante. Que voz era aquela? Mandava bala nos sucessos dos anos 70 e 80. Cantarolou um "Total Eclipse Of The Heart" de responsa. Sabia chamar o pessoal para dançar. E como as bibas sabem dançar, moleque! Não é aquele "dá um passinho pra lá e um pra cá, jogando as mãozinhos para o alto". Eita jeitinho sensual de dançar" As mulheres adoram. Algumas, inclusive, tinham a impressão de terem achado o homem de suas vidas.

Voltarei mais vezes, é só me convidarem.

21 de mai. de 2004

Lá na PUC, tem um jornal do pessoal de jornalismo chamado Contraponto. Não importa em que ano você esteja, qualquer pessoa que faz jornalismo entra na roda do jornal. Bacana, não? Acontece que jornalista é uma raça metida, e futuro jornalista, pior ainda. Só gostam de fazer criticas, matérias políticas, pseudo-revolucionárias... Muito dele eu não curto e nem prefiro ler. Porém, na antepenúltima página, tem uma seção que me agrada: Crônica.

Li as últimas crônicas do jornal, e confesso: achei bem fraquinha. Historietas sem graça, monótonas. Há uma obrigação de escrever algo sobre mídia. Uma pessoa maravilhosa colocou meu nome para fazer a crônica de uma edição e, acreditem ou não, aceitaram a sugestão.

Matutei, matutei e resolvi escrever algo sobre Queer Eye for the Straight Guys. No meu estilo fanfarrão, lógico. Adoro escrever besteiras. Mandei pra redação morrendo de medo. "Vão cortar meu texto" "Vão mudá-lo completamente", "Nunca vão colocar uma crônica brincalhona".

Hoje saiu a edição com minha crônica. Ficou sen-sa-cio-nal! Pouca coisa foi modificada: apenas meu título e duas palavras. Colocaram uma imagem de uma cueca com um microfone dentro, ainda por cima. Demais! Muito boa a sensação de ver diversas pessoas lendo algo que você escreveu e dando altas risadas. Sensação indescritível.

Aqui vai a versão original do texto. Minha primeira aparição pública:


O QUE AS MULHERES QUEREM

Homens do meu Brasil: escolham jornalismo e sejam felizes! Mulheres e mais mulheres, meus amados! Morram de inveja, engenheiros da Poli! Morenas, loiras, intelectuais, sarcásticas e tímidas. Ah, o jornalismo. Sinto-me um sultão, acompanhado de tantas beldades. Alá!

Porém, muita mulher não é sinal de felicidade e, sim, de preocupação. Aparência, roupa, corte de cabelo, modos... Elas reparam em tudo, principalmente em nosso cheiro. Trate de aprender o significado de um banho bem tomado, adicionando um perfume irresistível. Sinta-se naquele comercial do Axe. Seja um novo homem: sensível e multiuso. Não há quem resista.

Assista a Queer Eye for the Straight Guy, e descubra o que elas, as mulheres, tanto querem. Cinco gays lhe ensinarão aquilo que elas gostam e almejam. Adeus barba cerrada e pele oleosa! Bye, bye unhas encravadas! Sabe aquele homem rústico, com "H" maiúsculo? Foi-se o tempo, pois a moda é ser metrossexual.

Os Fab Five (alcunha dos apresentadores), fizeram eu aprender a me barbear. ?Depois do banho e, preferencialmente, de manhã?, diz o especialista em aparência. E não é que funcionou? Minhas bochechas estão macias, uma "cutis de pêssego", diria Caco Antibes. As futuras-jornalistas vão adorar dar um beijinho nelas ao te cumprimentarem. Goze, sinta-se um modelo da Gillette.

Aprendi, também, a não usar gel nas madeixas. Mousse e cera deixam um aspecto mais descolado. Beckham? Quem é esse? As mulheres esquecerão dos outros homens, tendo olhos apenas para ti, caro leitor. "Lindo" e "gostoso" serão as alcunhas recebidas quando caminhar pelo Pátio da Cruz. É sucesso garantido. Comemore!

Metrossexual precisa saber cozinhar - ou fingir que sabe. Quando for sair com as meninas, não vá logo propondo uma ida ao fast-food. Convide-as para jantar uma bela massa ou um sushi no restaurante japonês mais perto. Aprecie as delícias de um peixe cru; não esquecendo de sorrir, pois elas adoram um belo sorriso - mesmo que contenha resquícios de wasabi entre os dentes.

Até na aula de francês já me matriculei. "A língua do amor", dizem as mais românticas e encalhadas. Futura-jornalista odeia homem burro. Um dos Fab Five, ligado à cultura, recomenda que assistamos a peças e dramas iranianos. Em suma: aqueles filmes chatos. "Sabe aquele clássico do Fellini? Nossa, uma maravilha!". Depois, pode assistir à última obra-prima da Sylvia Saint tranqüilamente. Você já fez a sua parte.

E as mulheres? Será que elas também se preocupam com nós, homens? Balela! Dão risada e caçoam de nossas aventuras. Somos o verdadeiro sexo frágil! Descobriram que usar cueca é confortável e beijar outras garotas é mais gostoso (algo bem bacana, digamos). Roubaram os nossos empregos e viramos "donos de casa". "Não esqueça de limpar a cozinha, Adalberto!". O famigerado terno deu lugar ao avental e espanador.

Vamos lutar contra esses temíveis seres de cromossomo XX. Queimemos cuecas em praça pública, brigando pelos nossos direitos. Homens reprimidos, uni-vos!

20 de mai. de 2004

Utopia eterna?

Ah, qualé, nego! Alguém botava fé na candidatura do Rio paras as Olimpíadas de 2012? Concorreu com uma penca de bam-bam-bam: Nova Iorque, Londres, Madri e Paris. Mas nem em sonho que os cariocas conseguiam essa vaga.

Estava vendo as notas do comitê executivo do COI para a representante tupiniquim. Dei risada, pareciam as minhas notas do tempo de colégio: tudo vermelha. Como um bom paulistano, adoro tirar um sarro. Aquele tal de César Maia não quis citar Vinícius? "Beleza é fundamental?". Concordo plenamente: Paris 2012!

E a cara de merda da Garotinho? Lindo. Ô, mulher irritante! Se trancarem ela é a Marta Suplicy numa sala, fico na dúvida em quem enfio o porrete primeiro. Uma perua e uma baranga. Farei um bem à humanidade.

Mas puxando um pouco a sardinha pro nosso lado, não aceito muito bem à idéia de que a questão da segurança é fundamental. Ora! O que acontece quando se toma um trem em Madri? Bum! Vamos tomar uma cerveja num pub e olhe bem para os lados caso não esteja vindo um barbudo de sobretudo (escondendo dinamites). Bum! E no Rio? Ah, você pode ser assaltado - como qualquer lugar do Brasil e até do mundo. A diferença é que no Rio você volta com um souvenir: uma bala alojada na medula. Talvez até venha na bala o logotipo das Olimpíadas. Seria bacana.

Tentando ser sério, tenho uma raiva desse Nuzman. Taí uma pessoa que gosta de perder, incrível! Ainda me vem a memória aquele monte de artista cantando "Aquele Abraço" do ministro Gil. Rio 2004, não era? Em que ano estamos? Hummm... Houve alguma melhora desde aquela época? Hummm... Melhoria nos transportes, segurança? Hummm...

Ser realista é bom. Pare de sonhar, Seu Nuzman.

18 de mai. de 2004

Babaca, eu??


Estou sabendo que na faculdade eu tenho a fama de preconceituoso. Há dois meses ouço alguns comentários aleatórios sobre tal fato. Pensei que fosse galhofa, mas já tenho a leve impressão que tal suspeita minha é verdadeira: sou tachado de preconceituoso.

Umas únicas coisas das quais eu posso me orgulhar, é não ser invejoso ou preconceituoso. Preconceito, se eu tenho é bem pouco. Sempre tive a cabeça aberta, nunca fiquei dando motivo pra ter raiva ou não gostar de certa pessoal por tal atitude ou tal crença. A péssima mania que eu tenho - e devo aprender a deixar de lado - são as minhas piadinhas. Não adianta; desde pivete eu gosto de chamar à atenção das pessoas. Como não sou bonito nem charmoso, tento ser engraçado.

Sou fã do humor americano, e isto é um problema: brasileiro não entende humor americano. Certa vez, o David Letterman (de quem sou admirador confesso) fez uma piada de humor negro sobre o fato dos taxistas de Nova Iorque serem em sua maioria muçulmanos. Passei mal de tanto rir, e quase fui expulso da sala. "Criei um monstro!", pensou mamãe.

Almoçando com a Irena, vi uma faixa com a inscrição: "Defesa pessoal israelense".

- Rá! Você deve aprender a se defender de pedradas atiradas por um molequinho!

Ela ao menos deu risada (menina bacana!).

Na faculdade, de vez em quando eu solto um comentário engraçadinho. O problema é que eu falo alto, e todo mundo escuta - e odeia. Hoje, disseram que os judeus são um povo sovina. Eis que eu conto aquela velha piada de que o adolescente judeu não tem espinhas porque não abre a mão nem pra se masturbar...

Numa aula, o professor disse que no final do século 19 (acho) a população americana era menor que a brasileira. Não perdi a oportunidade.

- Também, os mexicanos não tinham pulado o muro da fronteira!

De cinqüenta pessoas, creio que dez deram risadas. O pior é que me contaram depois que tem uma aluna descente de mexicanos. Olha o fora!

16 de mai. de 2004

Minha primeira volta de carro

Final de semana bacana; fui dar as minhas primeiras voltas no carro da família. Aqui em casa temos um Siena 2002, compartilhado pacificamente.

- Mãe, vou na academia.
- Vai o caramba! Eu que vou!
- Podem ir parando vocês dois! O carro é meu!

Agora existe uma quarta pessoa para participar da confraternização, não é legal? E todos querem passear comigo. "Pisa na embreagem, engata a terceira...". Pai e mãe no carro dando palpite equivalem a centenas de instrutores. Saio até surdo.

Sábado foi a primeira vez em que andei com o carro da família. Como é estranho: o carro é mais leve, vazio e tem uma tal de direção hidráulica que é uma belezura. Mal encosta no volante e ele já vira sozinho. No da auto-escola era um sofrimento; meus braços ficaram até bombados. Aquele esterça pra cá e puxa pra lá era um sofrimento. Embreagem nem se fala. Agora eu só tenho que tocar levemente o pé, no da auto-escola eu tinha que afundá-lo!

Como nasci com o bumbum virado pra lua, choveu pra caramba. Não enxergava bulhufas no retrovisor, e nas rampas, quase que um sorocabano-braço enfia o Picasso na minha traseira (ui!). Enquanto isso, papai dizia com aquele linguajar único e filosófico.

- Cacete! Não olha pro câmbio ao trocar a marcha, porra!

Dirigi acompanhado do Zé Pequeno, impressionante. Na minha primeira curva quase que o carro subiu na guia. Descobri que tudo o que aprendi foi em vão. Tudo errado. Bem que o Filippe me disse: "Você só vai aprender a dirigir quando tirar a carta". Nostradamous caipira!

Se melhorar estraga, não é mesmo? Pois fiquem sabendo que ao voltar pra casa, o carro começou a dar uma chacoalhada.

- Fique tranqüilo que isto é água no pneu.
Chacoalhou mais.
- É... Encosta aí, vai.
Encosto.
- Furou o pneu.

A anta que vos escreve, desatento que só, passou em cima de alguns cacos de vidro. Aprendi a dirigir e a trocar o pneu. Maravilha...

14 de mai. de 2004



Ô, moça! Não fica assim não! Também gosto muito de ti, sabia? Ah, lógico que sabe. Enjoada! Eu sei, mas o que são dois dias? Muito grude, não acha? Não? Eu também não, nega! Acho muito. Odeio quando chega a sexta-feira. Ruim, né? Gosto muito de ti, sabia? Lógico que sabe. Então por que diz que não? Charminho bobo. Adoro sua boquinha. Faz aquele biquinho? Dá aquele sorriso? Fecha os olhinhos e faz aquela cara? Rá! Roubei um beijo, caiu direitinho. Como que "beijo roubado não vale"? Ah, mas é engraçado, não é? Eu sei que é.

Oi, tudo bem? Vem sempre por aqui? Me dá um cheiro? Adoro seu cheiro, sabia? Mais ainda quando ele fica na minha roupa. Adoro o seu perfume. O meu também? Brigado. Que foi? Não ouvi... Diz de novo? Eu também; mais do que você. Lógico que sim! Enjoada. Eu gosto de ficar abraçado com você, sabia? Ah, também gosta? Vem cá então. Vai fazer charminho? Charminho bobo. Faz aquele biquinho? Dá aquele sorriso? Fecha os olhos e faz aquela cara? Rá! Roubei um beijo de novo, caiu direitinho.

Que foi? Não ouvi... Diz de novo? Eu também; mais do que você.

13 de mai. de 2004

Nas duas últimas semanas, li dois livros bem interessantes. Aqui vão as dicas:

Feliz Ano Velho

Acho que todos conhecem, certo? Clássico de Marcelo Rubens Paiva, já adaptado para o cinema e teatro e vencedor do prêmio Jabuti. Sempre quis lê-lo, mas sabe aquela mania de deixar tudo pra depois? Ainda bem que um anjo chamado Irena me emprestou. Devorei o livro em seis sentadas no máximo. Impossível não ficar sensibilizado com a lição de vida do rapaz.

Mimado e de boa família, mergulhou num lago de meio metro, afetando sua medula. Resultado: paraplégico aos 20 anos de idade.
O bacana é que o escritor conta toda a sua vida, antes e depois do acidente. Os meses de UTI são angustiantes. Marcelo era - e continua sendo - um tremendo tarado. Contos engraçados e sensíveis, como quando seu pai levou um "sumiço" dos militares durante a Ditadura.

O Amor é Fodido

Literatura portuguesa. Miguel Esteves Cardoso possui aquele humor satírico dos grandes cronistas. Demais! O amor para ele é fodido, graças a uma rapariga (Thereza) que atormentou sua cabeça por anos. Brigavam e iam pra cama. Excelentes amantes. Conta casos amorosos antes e depois de Thereza, mas ninguém chega aos pés da maldita. Todas suas historietas são sarcásticas e extremamente engraçadas. Difícil não ler duas linhas sem dar uma gargalhada.

Recomendo a cena em que o personagem principal e Thereza estão internados no hospital. Ambos em cadeiras de rodas e inválidos, tentam fazer de tudo para rolar uma sacanagem básica.
Recomendadíssimo.

11 de mai. de 2004



O mais bacana de minha faculdade, é o fato de ter feira toda às terças-feiras. É o ponto de encontro da rapaziada. União dos cursos, rostos diferentes, tem de todas as tribos. Patricinha com celular ao ouvido? Tem. Bicho grilo de óculos escuros e cachecol? Tem também? Tímidas abraçando o material escolar e olhando por detrás daqueles óculos fundo de garrafa? Pode apostar que tem.
Qual seria o motivo para tamanha segregação? Resposta: o pastel de feira.

Ah, nada como um pastel de feira. Feito artesanalmente e passada de geração em geração por eles, os japoneses de feira. Aquela velhinha de 70 anos, exibindo a maior simpatia do universo te pergunta:

- Pastel de carne, né?

Uma delícia. Sou fã do pastel de feira.

O de carne sempre foi o meu favorito. Bem recheado, com aquela massa crocante. Hummm. O de queijo também tem lá o seu charme. Ultimamente, dois conquistaram o coração daquele que vos escreve: pastel de jabá com mussarela e de calabresa com queijo. Rapaz, que maravilha. O primeiro traz a carne-seca, deliciosa tradição dos cabras lá de riba. Aquela carne cortada em tiras e desfiada, um pouco durinha, faz a paixão de minha pessoa. Achei que meu estômago não acharia esta minha aventura uma boa idéia, mas ele se manteve firme e forte, com jeitinho de quero mais.

O segundo, lembra uma pizza. Aliás, qualquer pizza pode ser elaborada aos moldes do pastel. O Mauricio da minha classe é fã do pastel de escarola. O de calabresa tem que ser feita no capricho, com amor. Fica gostoso quando a calabresa é cortada em tiras ou anéis. Acompanhado de um caldo de cana, deve ficar supimpa. Mas ainda prefiro tomar com a boa e velha Coca-Cola.

Terça-feira se tornou um dia nostálgico. Vejo-me pequerrucho, gordinho e de franjinha, saindo do clube da cidade interiorana em que morava. Havia uma banca de pastel deliciosa em frente. Ia nadar e depois comer um pastel. Era clássico. Via aquele japonês bonachão; ia para perto do balcão e dava um pulinho, para ter certeza de que viam aquele pentelho esfomeado.

- Tio! Solta um pastel de carne e uma tubaína!

Tubaína... Esta bebida merece um post futuro.

8 de mai. de 2004

Minha véia

Eita mulher arretada! Sempre quis independência, não depender dos outros. Mandona, chata e engraçada. Eita mulher estranha! Mas muito, muito cativante. Quem a conhece, logo fica fã. Também, fala mais do que deve. Tagarela e tagarela. Quando o telefone está ocupado, pode apostar que é dona Miriam conversando com alguém. E este alguém, às vezes, é os meus amigos. Tenho a leve impressão que eles gostam mais dela do que de mim. Até para as plantas ela dá bom-dia.

Nunca larga do meu pé, até quando fazia exercícios. Enquanto nadava, ela estava do outro lado da piscina, fazendo hidroginástica. E quando eu jogava tênis? Batia uma bolinha na quadra ao lado. Na academia não foi diferente; chegava a ir com maior freqüência do que eu. Adora se manter em forma, porém é chegada numa guloseima. No almoço, comida, na janta, lanche. É assim até hoje. Adora uma padaria, está sempre a comprar novos pãezinhos e petiscos. Depois fica choramingando que não consegue emagrecer, lendo sua “Boa Forma”; revista que compra religiosamente todos os meses.

Moderninha, nunca pude vê-la sem aquele famigerado cabelo curtinho. “Quando você vai deixar o cabelo crescer?”, perguntava. Recebia um sorriso e a promessa de quem um dia isso vai acontecer. Espero por esse dia até hoje. Adora um cabeleireiro, como gosta. Seu cabelo nunca fica da mesma cor. Mechas ruivas, loiras... Teve uma vez que o seu cabelo ficou tão vermelho, que logo a chamei de Pica-Pau. Ficou uma fera.

Não consigo mentir para ela. Quando tirava notas vermelhas (algo bem comum, digamos), dona Miriam se enfurecia. Na escola, o diretor morria de medo dela. Quando via aquela mulher de cabelo curtinho, óculos escuros, e elegante, já vinha a premissa de que eu havia ido mal em alguma prova. Xingava os professores, clamava para eu não ficar na turminha do fundão. Dos seus sermões não esqueço tão cedo. Nem o diretor.

Ah, mama. Parabéns, minha véia! Continue a encher a minha paciência e a me dar aquele beijinho de boa-noite enquanto estou dormindo. Parabéns, minha véia.

6 de mai. de 2004

Nessa bumba eu não ando mais...


Lá vem ele. Aguardo. Olho para os lados e vejo meus competidores. Faço cara de feio, dou cotoveladas, não deixo ninguém ficar perto de mim. Chegou. Um, dois, três... VAI! Japonesa aloprada disparada na primeira fila, tiozinho de terno e gravata joga sujo para conseguir o segundo lugar, malas e bolsas voam pelos ares, Gustavo assume a ponta e ultrapassa a japonesa aloprada; vou ganhar a disputa, vou ganhar a disputa... (músiquinha da vitória). Rá! Aponto o dedo para meus adversários. Nhém, nhém trouxas! Olho para o cobrador e pago a passagem. Logo, logo começa o segundo round.

Pára. Novos competidores entram para tomar meu lugar. Seguro na barra e daqui ninguém me tira. Aperta daqui, empurra de lá. Nessas horas agradeço a Papai do Céu por ter me dado a graça de ser um garoto alto. Consigo deixar os baixinhos para trás numa boa. Três fortes inimigos tentam tirar o meu lugar. “Licença, aí, mano!”, escuto. Não dou bola e finjo-me de surdo. Recebo uma encoxada e quase sou jogado para cima duma senhora sentada. Sempre existe o Schumacher, que faz de tudo para ganhar – inclusive, jogar sujo. Xingo-o. Perdi o meu lugar. Economizo energia para o terceiro round.

- Não cabe mais! Não cabe mais!
- Toca pra frente, motorista!
- Isto aqui parece coração de mãe; sempre cabe mais um.

Dou risada, aproveito o vacilo do Schumacher e consigo me encaixar perto da porta de saída. Não passa mais uma agulha, de tão apertado e apinhados que estamos. Bacana que desodorante deve ser algo que ninguém conhece. Faço de tudo para tentar conseguir uma fresta de ar.

- A mulher tá passando mal. Acode!
- Alguém tem água?
- Toma!
- Melhorou?
- Valeu!
- Toca pra frente, motorista!

No terceiro round, só os mais fortes sobrevivem. Estamos prestes a descer uma ladeira da Vila Romana.

- Segura...
- O quê?
- SE-GU-RA!
- Que foi?
- Ooooooopa!

Lembramos pinos de boliche. Um garoto quase faz um strike perto da catraca.
- Nossa! Machucou?
- Não foi nada. Ainda bem que a tia é gorda.
- Como é que é?

Pegar ônibus na Avenida Paulista é assim, caros leitores. De noite nem se fala.

Ainda bem que existe um motivo muito bom para eu ter que passa por isto. Ainda bem que existe...

4 de mai. de 2004

A minha solução


Cara, eu tenho nojo do ser humano. Matamo-nos por qualquer motivo, virou uma lei do mais forte. Briga e morte por futebol. Mata-se por um bando de milionários que nem ligam para o que achamos e torcemos. Um estudante corinthiano morreu após uma briga com torcedores palmeirenses na estação da Barra Funda. Idade do garoto: 16anos. A mãe do menino – sim, menino – conta que o seu filho havia conseguido o primeiro emprego, recebido o primeiro salário. Poxa; deve ser uma alegria indescritível. Decidiu gastar um pouco de seu salário assistindo a uma partida de futebol - paixão de muitos, como eu. Enquanto pegava o trem (simples, humilde, sem carro), foi espancado por torcedores rivais. Tenho nojo do brasileiro.

Ouvi histórias de que não somos preconceituosos, no Brasil é pura harmonia. Seria mesmo? O ator Leandro Firmino da Hora (“Zé Pequeno, porra!”) levou uma “prensa” de um segurança enquanto sacava dinheiro no caixa eletrônico. Adivinhemos o motivo? Um rapaz deu um beijo no namorado num shopping e foi repreendido (leia-se expulso) pelo segurança. O galã da Rede Globo teve seu contrato com uma rede de iogurtes reincidido, apenas por ser flagrado ao comprar algumas gramas de maconha. A jornalista Soninha foi expulsa de uma emissora televisa por ter admitido numa revista que relaxava algumas vezes fumando o seu baseado. Eu admirava esta rede de televisão. Admirava.

Engraçado, é que quando se pensa num povo hipócrita, neguinho já aponta pra Terra do Bush. Olhemos para o nosso umbigo, pátria amada! Até no carnaval, onde tudo é liberado (dizem) há censura. Joãozinho Trinta que o diga. O instrutor que me dava aulas práticas de direção, ao ver dois “neguinhos” brincando na rua, disse em tom jocoso; “Atropela esta raça maldita!”. Meu avô é mulato. No outro dia eu troquei de instrutor. Não é por ter “um pé na cozinha” que me senti constrangido. Qualquer pessoa serena teria tido a mesma reação.

Fico aqui mirabolando, imaginando soluções e mais soluções. Sou pessimista. Os big guys um dia irão brigar feio. Alguém enfiará a bola debaixo do braço e dirá que não quer mais brincar. Prepotência, arrogância; são tantos os “adjetivos”. Num futuro não muito próximo, tudo irá pelos ares. Formará aquele cogumelo de fumaça lindo. Daí penso que começaremos tudo de novo. E acabaremos da mesma maneira.

Enquanto estou vivo, tendo sorte de estar muito feliz, procurando escrever o que sinto. Quero que a escrita possa ajudar alguém. Outro dia, uma garota da minha classe disse que não parava de rir ao ler um texto meu. Talvez por isso que eu tenha vindo para este mundinho: fazer os outros rirem e esquecerem da vida, mesmo que seja apenas por alguns minutos, segundos ou milésimos. Achei a solução. A minha solução.

2 de mai. de 2004

Ah, o cinema brasileiro

Estou seriamente pensando em fazer um boicote aos filmes brasileiros. Após Cidade de Deus, voltamos a ficar em voga no âmbito mundial. Patrocínios, holofotes e pediram mais verbas pro titio Gil. “Este é o nosso momento”, alguém deve ter pensado. Se for o nosso momento, então que se faça justiça. Conto nos dedos os bons filmes brasileiros que assisti nos últimos meses.

Chega da “Síndrome Vidas Secas”. Nordeste e mais nordeste. Fome, seca, o cabra quem almeja vir pro sudeste. Não agüento mais! Veja como é linda a fotografia de filmes nordestinos. Tudo muito colorido, ensolarado; a lua parece ganhar vida própria. Ah, nada como terra e suor para abrilhantar a nossa pátria. Cineasta brasileiro parece ter tesão pelo nordeste, mostrando o sofrimento alheio. “Aí, meu fio. O suor de sua testa dá um contraste porreta com a iluminação!”. Assim vejo um diretor tupiniquim conduzindo seus atores.

Realidade nacional? Ora! Até parece que mostrando uma criança desnutrida trará algum resultado. Quem liga pra isto, se a fotografia é tão bela? Onde foi parar a famigerada criatividade do brasileiro? Lisbela e o Prisioneiro, Uma Onda no Ar, O Invasor e O Homem que Copiava são exceções. Guel Arraes, Beto Brant e Jorge Furtado dão um banho de humor e originalidade. Por que filme brasileiro só mostra sofrimento e dor?

Amarelo Manga é sofrível de assistir. De dez palavras, uma é “puta que pariu” e a outra é “merda”. Isto sem contar que do nada me surge uma mulher levantando a saia e mostrando a perseguida, com direito a close e tudo. Versão repaginada de nossa pornochanchada. Amarelo Manga daqui um tempo vai rechear a programação de madrugada do Canal Brasil. Lastimável. Pior que Amarelo Manga, só O Caminho das Nuvens. Este é um tremendo exemplo da "Síndrome Vidas Secas". Além de ruim, o filme poderia se chamar "The Best Of Roberto Carlos". Durante quase uma hora e meia somos bombardeados com as velhas e chatas cantigas do rei.

Por que de cada cinco filmes, quatro são com o Matheus Nachtergaele? Bom ator, mas será que só existe ele? Cansei de vê-lo fazendo papel de biba ou algum personagem nordestino. Por que somos obrigados a agüentar atores da Rede Globo no cinema? Já não basta na televisão?

Ok, titio Marinho que patrocina, compreendo. MO.NO.PÓ.LIO, não é assim que se escreve? Por que a Petrobrás faz tanta questão de mostrar que ela incentiva a cultura? Cinco minutos de propaganda nos filmes. Quem vê, pensa que só existe posto de gasolina deles por aqui. A Petrobrás apóia nosso cinema e fode com o nosso meio ambiente. Farei um documentário sobre os milhares de prejuízos ambientais de seus “vazamentos acidentais”. Será que eles patrocinam a minha empreitada? Prometo que a película será rodada em algum manguezal do nordeste e contará com uma bela fotografia.

30 de abr. de 2004




Não lembro dele muito bem. Dorminhoco que era, não tinha coragem de acordar tão cedo para vê-lo. Escutava e - acordava - com os berros de papai, vibrando na sala. Titio, mais eufórico, reclama, xingava, não perdia uma. Mesmo assim, fui fã do cara. Tinha um carro em miniatura e um boné seu. Quando pegava os meus carrinhos e andava com eles pelas paredes (para fúria da faxineira), o final era sempre da mesma maneira. “Lá vai Ayrton, ultrapaaaassa na reta final, acelera, vai vencer, vai vencer... PAN, PAN, PAN! PAN, PAN, PAN!”. Depois da vibração, recebia um pano com álcool para limpar as marcas da corrida deixada nas paredes. Era divertido.

Como era criança, não terei grandes histórias para contar a meus filhos e netos. Só assisti a uma corrida sua, da qual me recordo com nostalgia. Era páscoa, casa de vovó, e todos estavam reunidos na hora do almoço, comendo chocolate até não poder mais e ligados na telinha. Chovia muito; jamais me esquecerei de sua ultrapassada sobre Mansel. Aquela ruela da Vila Romana comemorou como nunca. O vizinho da frente soltara até um balão para comemorar a vitória em terras brasileiras. Inesquecível.

Um dia, não fui acordado pelas vibrações de papai e mamãe. Estavam todos olhando concentrados para aquela caixa – monstrando cenas jamais imaginadas por meus pais, pelo meu país. Fomos almoçar numa cantina italiana naquele domingo. Quando a notícia foi divulgada, não houve mais música, nem conversas. Havia silêncio. O domingo não era mais um dia de alegria.

No colégio, o assunto não era outro. Mal começara a aula, e um barulho ensurdecedor conquistava os corredores da velha escola. “OLE, OLE, OLE, OLA! SENNA! SENNA!”. Enquanto o grito ecoava, alunos de todas as idades batiam com as mãos nas carteiras. Cena igual; jamais vi. E nem verei.

Dez anos foram embora, e muitos lembram de suas glórias, contando historietas. Uma, em especial, é a minha preferida. Um colega de trabalho de meu primo, ao parar o carro no semáforo viu o grande ídolo ao lado, em seu potente veículo. Uno contra Audi. Não teve dúvidas, sentiu-se dentro de uma corrida. Acelerou, acelerou e quando o farol abriu, saiu com tudo. Pôs o braço para fora da janela, como se segurasse à bandeira brasileira, e gritou para o tri-campeão: “PAN, PAN, PAN! PAN, PAN, PAN!”.

28 de abr. de 2004

Isto é São Paulo

Na minha primeira semana em São Paulo, estava perdido. Que ônibus pegar, em que ponto descer? , eram as minhas perguntas comuns. Descobri que existia um ônibus que passava numa avenida pertinho de casa. Peguei o danado. Velho, caindo aos pedaços e desconfortável. O trajeto PUC-Casa leva cerca de 40 minutos. Não sabia onde descer, e pergunto para o cobrador.

- Viu, que ponto fica mais próximo do “Colinas de São Francisco”?
- Desce no Farao’s, foi a resposta.

Faraó’s? Será uma casa de antiguidades? Desci no ponto. Lugar vazio, sem movimento. Viro-me para trás e vejo um antro pintado de roxo, com uma iluminaria escrito “Farao’s” bem capenga. O lugar, pensei, deve estar fechado. Também, isto fica escondido no meio do nada. Qualquer coisa que abrir aqui fecha. Nem me importei e esqueci do lugar.

Hoje, descendo no mesmo ponto, observei uma faixa no Farao’s. Míope de tudo, aproximo-me. Estava escrito:

- QUARTA - FEIRA NO FARAO’S. PERFORMANCE DE SEXO EXPLICIDO! CASAL APAIXONADO: PETERSON E GISELE.

Olhei de novo e não pude acreditar. Agora eu sei a razão do cobrador ter me respondido com tanto êxtase. O Farao’s faz umas promoções bacanas de finais de semana. Com dez reais dá pra curtir a noite inteira. Sacanagem por 10 contos! E rola sexo “explicido”. Demais! Só a faixa de propaganda, com vários corações pintados, já vale o ingresso.

26 de abr. de 2004

O cachorro da professora


Já falei pra vocês do Billy, meu adorável cachorro? Ah, ele é uma figura, um mimo. Mamãe fica louca quando digo que é dele de quem mais sinto saudade quando estou fora. Ora, fazer o quê? O animal é minha cópia: come e dorme o dia inteiro. Meu companheiro até na hora da soneca. E como sou um dono-coruja, faço de tudo para mimá-lo. Dizem que os labradores são ótimos nadadores, mas como poderia comprovar tal afirmação? Eis que a mama compra uma daquelas piscinas de plástico de mil litros. Juro, o Billy é o único animal do universo a ter uma piscina própria. Nem os cães da Vera Loyola têm tamanha mordomia.

Perto do apê de Sampa, existe um shopping de animais. Achei que era gozação, só que existe mesmo. Lembra um Wall Mart. A diferença é poder andar com o seu animal de estimação dentro do lugar. É uma beleza; doberman querendo cruzar com poodle, papagaio fugindo de gato, alguns animais mal acostumados batizando as colunas das prateleiras... Hype ao cúmulo o recinto.

Enquanto olhava uma prateleira, passa por perto de mim um dos cachorros mais feios existentes. Lembram do Men in Black 2? É a raça do Frank, só que este não cantava “I Will Survive”. Custa uma fortuna o bicho. A dona deste ‘treco’ deve ser uma baita coroa solitária, ironizo mentalmente. Opa! Conheço essa voz. Olho à dona e dou um contido grito sarcástico:

- Eita! É a minha professora de artes!

E era mesmo. Uma senhora já passada da meia idade, com um cabelo totalmente irregular – o lado esquerdo é maior que o direito. Sempre brinco que o cabeleireiro dela é o Edward – Mãos de Tesoura. Um tremendo canhão, resumindo. Aliás, estou pra conhecer até hoje uma professora de artes ou de literatura que seja gostosa. Não pega homem e dá nisso?

Mas o fato que escreverei a seguir é o real motivo de eu estar usando este espaço. A professora, de repente, diz com aquela voz de fumante pigarrenta.

- Filha, vem ver o que eu achei...

Filha? Saiu uma pessoa “disso”? Saiu, e que pessoa, meus amiguinhos. Pele morena clara, olhos esverdeados, cabelos lisos, barriguinha à mostra e falando ao celular. Em suma: paty. Mas que patricinha! Ela desfilava por aquele corredor cheio de mijo; cheia de graça, exibindo aquele jeitinho menina de ser. Ai, ai.

Com uma mãe daquelas, o pai deve ser gostoso pra caramba. Só pode.

24 de abr. de 2004

- Oi, eu sou a nutricionista da academia; tudo bem?
- Tudinho.
- Então... Vamos falar sobre o que apontou o seu exame médico, ok?
- Pode falar.
- É o seguinte: sua alimentação diária será em torno de 1700 calorias.
- Quê??
- É muita coisa?
- Não, ao contrário! É pouca; vou passar fome!
- Mas...
- ... Isto é o que eu como só de manhã!
- Como assim?
- Olha: no café da manhã eu tomo um Nescau, como um sanduíche de peito de peru com queijo e uma bolacha Clube Social com requeijão, emendando um Yakult. Depois no intervalo da primeira aula, como uma pizzinha, ou, pão de queijo, e café com leite.
- Mas, Gustavo... É exagerada a sua refeição...
- Minha mãe diz que eu estou em fase de crescimento.
- Você está com 18 anos, Gustavo!
- Crescimento horizontal... =D
- ...
- Não foi boa, né?
- Voltando ao assunto; você terá que maneirar no açúcar e na fritura.
- Mas eu nem sou gordo!
- Eu sei... É para evitar problemas posteriores...
- ... Ah, não! Sou muito jovem para esse papo de AVC e colesterol.
- Eu sei, mas você precisa perder 10kg de gordura.
- Porra! Vou ficar anoréxico?
- Você vai engordar 8kg de massa muscular.
- Ah, tá... E como eu faço esse treco?
- Reduzindo os alimentos com açúcar.
- Moça, você não está me entendendo; eu moro com a minha avó! A velha só sabe fazer porcaria!
- Converse com ela...
- Mas não tem graça morar com a avó e não comer bolo de cenoura, jujuba...
- Você está com 18 anos, Gustavo!
- Minha mãe diz que eu estou em fase de crescimento...

22 de abr. de 2004



Feriado em plena quarta-feira? Eba! Dia de paulistano sair da toca e ir ao shopping! Ah, que maravilha. Congestionamentos, filas e mais filas. “Mãe, quero ir ao banheiro!”. “Ok, filho. Pegue a senha com aquela moça ali”. Não adianta, praia de paulistano é shopping.

Meu irmão, como todo brasileiro, como todo ser humano; resolve deixar tudo para a última hora. O burro de carga que vos escreve, decide ir, em pleno feriado, até um dos shoppings mais movimentados da paulicéia para comprar alguns ingressos para seu mano e agregados.

Mal saí de casa e a famigerada garoa paulistana surge. Chove em São Paulo e já vejo o Datena xingando a dona Marta e mostrando enchentes na Zona Leste. “Cidade maravilhosa, cheia de enchentes mil”. Filas e mais filas. No shopping Morumbi, tinha carro estacionado na rampa do estacionamento! O pessoal saía do carro e desviava dos carros para não ser atropelado. Alguém lembra daquele jogo em que uma galinha atravessa uma rua cheia de automóveis? Estava bem parecido.

Após vinte minutos procurando uma vaga, meu tio estaciona o carro – no último andar, descampado e longe pra caramba. São Pedro dá uma castigada. Cena maravilhosa: corro segurando a calça para não ela não cair (quem manda usar calça à Mano’s Street Wear).

Havia fila até para descer a escada rolante, sensacional! Vejo uma aglomeração de clubbers perto da Saraiva Megastore. Jesus do passa-quatro, exclamo mentalmente. Nunca vi tamanha fila em minha vida. Batia qualquer compra para ingresso de final de jogo de futebol. Só perdia para fila de aposentadoria e concurso público. Impressionante! Se não suporto fila de restaurante self-service, nem me imagino ficando horas e horas para comprar ingressos de um festival de música eletrônica.

Admiro quem consegue pegar o primeiro lugar numa fila. Eu nunca consegui tal feito, graças à minha preguiça. Sempre tento contar com a sorte, encontrar alguém conhecido na fila ou, simplesmente, furar a fila. Ultimamente, prefiro nem ficar numa fila; já caio fora logo. Tem que ser algo de extrema importância para eu permanecer na maldita. Levo água, barra de cereais e um livro. Ajuda a passar o tempo. Gostoso é pegar alguém bom de prosa ao lado. Papo de futebol, música e mulher. Bem bacana.

Há muitos anos, na Disney, os brasileiros furavam fila em todos os brinquedos. Ouvíamos alguns americanos xingando, exclamando. Nem ligávamos; furávamos mesmo. Como era criança e não entendia inglês, nem imagino do que fui chamado. Deve ter rolado um cucaracha básico.

20 de abr. de 2004

Acompanha fritas?

Odeio pegar ônibus com ar-condicionado, cujo filtro não recebe uma limpeza há anos. Lembram do Sérgio Motta? Ele morreu graças ao ar-condicionado sujo de seu escritório. Rinite. Além de odiar, também tenho medo. Da próxima vez usarei máscara. Moda talibã.

Odeio pegar ônibus com criança pirralha dentro. Aquela que não fecha a matraca por nada; o diabo infantil. Não bastasse isto, o moleque começa a cantar música gospel. Jesus não é surdo! Garoto pentelho. Quando resolve dormir, parece um porco roncando.

Odeio pegar ônibus à noite. Não posso ler, é um saco. Já viu luz de ônibus para passageiro? É um holofote de formiga, não ilumina nada! Durante uma hora e vinte minutos não poder ler, graças à falta de iluminação, e não conseguir dormir, em razão do pentelho citado acima, é dose.

Odeio pegar ônibus sem poder escutar música. Acabou a pilha do meu diskman logo ao sair da estação.

Odeio pegar ônibus com passageiro folgado. Senta na sua frente e porta-se com se estivesse sentado na cadeira do dentista. Reclina a poltrona o máximo possível, deixando o garoto que vos escreve, de quase 1,90m, numa situação nada confortável. Ônibus tem poltrona de primeira classe desde quando?

Ar-condicionado impuro+moleque evangélico pentelho+ falta de iluminação+não ter pilha no diskman+passageiro de primeira classe.

Eu mereço. Ah, eu mereço.

18 de abr. de 2004

Maria Rita


- Eca!
- Ah, nem!
- Ergh!

Estas foram as respostas dadas por meus amigos ao ouvirem de minha boca à seguinte pergunta: "Tá a fim de ir no show da Maria Rita?".

Não os culpo, até compreendo: sorocabano tem um tremendo mau gosto. Acostumados durante anos com o rodízio de bandas "Skank-Charlie Brown Jr-Capital Inicial-CPM 22", eles não sabem o que é um show de verdade, músicos de verdade, enfim, uma cantora de verdade. Vai ser carismática assim no inferno! Tímida e pequenina, entra no palco cabisbaixa. O público, em sua maioria de "tios" e "tias", aplaude e grita o nome da cantora. Um leve aceno, ergue a cabeça, pega o microfone com a mão esquerda e aproxima-o da boca. Sai a voz - afinadíssima. Alguns berram, outros aplaudem, e pessoas, como mamãe e papai, colocam a mão ao peito e sussuram: "Meu Deus, é a Elis!".

Fui criado ouvindo minha mãe cantarolar Elis Regina. "Filho, que cantora. Que cantora!". Obviamente, a grande maioria do pessoal que se dispôs a ir ao show, tinha em mente acompanhar a perfomance da "filha da Elis". Saudosos de sua musa, vi no rosto deles um leve sorriso, deixando serem levados pelos arranjos de Maria Rita - que não canta: brinca com a sua voz. Ostentando em seu corpo o final de uma gravidez, Maria Rita, por uma hora e quinze minutos, encantou. Voz, piano, bateria e contra-baixo: eis a fórmula. Um som agradável e gostoso. As letras de Marcelo Camelo, Lenine e Milton Nascimento caem como uma luva na voz de Maria Rita.

Produto da TV Globo? Famosa por ser filha da Elis? Papo de idiota. Ela honra o seu abençoado código genético. Talento e mais talento. Deixe a menina brincar, deixe a menina encantar. Deixe a menina cantar, dançar e rodopiar. Deixe a menina ser Maria Rita.

Aproveitemos.

16 de abr. de 2004

A boa e velha larica

Ser normal é ser lariquento; não há quem não tenha uma fascinação por larica. Desde nossa infância somos lariquentos - alguém lembra daquelas papinhas? Uma mistureba de frutas, legumes e vegetais, batidos e colocados num potinho. Rapaz, era horrível. Existem pessoas fãs de papinha, ainda. Estes são lariquentos por excelência.

Conheci um garoto que adorava comer Diamante Negro com cachaça. Era impressionante. Segundo o próprio, era a sua refeição ideal naqueles momentos em que não há nada de diferente na geladeira e você precisa urgentemente de um lanchinho rápido que te satisfaça completamente. Esta é a função principal da larica: satisfazer àquele que cria tal prato. A larica é o nosso escape gastronômico, servindo para qualquer hora do dia.

Uma garota da minha sala come Cheetos com chá. Comer aquele isopor com chá deve ser tarefa braba pro intestino. Somente para lariquentos de alto nível. Até gente famosa é fã duma larica; o Jô Soares, por exemplo, não cansa de afirmar que adora comer feijão-fraldinha congelado. Blogueiros, para variar, não ficam de fora. A Rafaela gosta de saborear os restos de comida chinesa no dia seguinte - congelados, lógico.

Hoje, comi um pedaço de pizza de mussarela acompanhada de café com leite. Olhares de horror, espanto e nojo. Estômago forte? Imagina, sou super enjoado - mas um tremendo lariquento. Minhas receitas basicamente dependem de um ingrediente: pizza de mussarela. Gelada fica melhor ainda. Dou cá minha sugestão: pizza de mussarela de madrugada é o que há de melhor nesse planeta. Para ficar no ponto, deve-se deixá-la na própria caixa em que veio, e em cima do fogão, ficando com aquele aspecto de pizza amanhecida. Assista um filme e depois corra para a cozinha. Fica uma delícia! Seja com Nescau, sorvete de flocos, iogurte ou chá. O melhor acompanhamento, definitivamente, é com Coca-Cola sem gás. Uma maravilhosa refeição.

No início é normal ir com certa frequência ao banheiro, mas pode apostar que depois teu organismo fica acostumado. Experiência própria, meus amiguinhos.

14 de abr. de 2004

Carmageddon

Rá! Passei na porcaria do exame de carta. Dessa vez não subi na calçada durante a baliza, rá! Perfeito, esplêndido, deveria ter sido filmado, de tão bela que foi a minha atuação. Nervoso ao cubo, nunca meu pé tremeu tanto para segurar à embreagem. Fiquei o tempo todo fazendo “respiração cachorrinho” quando estava ao volante. Eu parecia estar em trabalho de parto. “Respira, inspira, respira, inspira”. Contrações não houve - ainda bem.

Na rampa (aclive acentuado) o carro deu uma leve descida - esqueci de engatar a primeira na rampa de freio de mão. Mas para felicidade geral da nação, ouvi logo depois que havia passado. Foi uma sensação de alívio parecida com a que tive quando soube que passei no vestibular. Soltei um: “Porra! Nunca mais vou te ver, seu cachaceiro!”, para o meu instrutor preconceituoso, mercenário e pinguço.

Aliás, depois de ser traficante e pastor, descubro outra profissão muito rentável: abrir uma auto-escola. Cara, é dinheiro fácil. Sempre está lotado, sai uma nota tirar carta e você repete o seu “aluno” quantas vezes achar legal. Seja sócio de um médico vagabundo e descontente com a profissão, que já é meio caminho andado. Meu “exame” médico durou um minuto (ou menos). “Tampa o olho direito; que cor você vê? Agora tampa o olho esquerdo e me responda do mesmo jeito”. As cores eram amarela, vermelha e azul – nos dois casos! E sabe quanto saiu essa brincadeira? Quase cem reais! Gastei cem reais em um minuto! Meu irmão, um Mr. Magoo, passou no exame com lentes de contato. Na carteira de habilitação dele está escrito que sua visão é “perfeitamente normal”. Absurdo.

Ao menos já exclui mais uma dessas “obrigações” que existem após se completar 18 anos. Agora só me resta o alistamento no exército. Só falta eu ser chamado, sortudo que sou...

Ah, pátria amada!

12 de abr. de 2004



Karaokê é engraçado. Que atire o microfone quem nunca foi flagrado cantando numa casa dessas por aí, ou, simplesmente, cantando “Meu Erro” no videokê da festinha do primo pirralho. Karaokê tem uma energia positiva, ninguém fica de mau humor. Aqueles que cantam bem recebem aplausos ao final da música. E quem canta mal? Ora, recebem aplausos e alguns gritinhos. Não há jogo ruim em Karaokê.

O meu último aniversário foi num karokê. “Louco”, “brega” e “japonês enrustido” foram alguns dos adjetivos que ouvi quando declarei o lugar o lugar pretendido para a celebração. No final, todos se divertiram e pediram bis. A senhorita Erica Hans cantara algo de Mariah Carey e, eu, bem... fui de ... Backstreet Boys.

- Ok, Gustavo! Taí o motivo que eu aguardava para parar de ler esse treco!

Calma, nego! Para me explicar, uso a artimanha que nós, cantores de meia tigela, usamos. Vejam um exemplo: bandas e cantoras pop. Eles mais dublam que cantam, não é mesmo? Suas performances sempre são chamativas - não pela voz - mas pela dança e afins. No karaokê, quem não canta nada, faz palhaçada e paga um mico daqueles. Eu - com minha voz lânguida - jamais me darei a cantarolar músicas calminhas e românticas. Faço algo que compense isso: palhaçadas, com coreografias ridículas e tudo. A tática é fazer o pessoal rir e não prestar atenção em sua voz.

- Ok, entendi. Continue, por favor...

Alem de “Meu Erro”, sempre existem as pessoas que amam cantar os temas de “Titanic” e “O Guarda Costas”. São sempre aquelas gordinhas solteiras, podem reparar. Outro clássico é os tiozinhos, saudosos dos tempos de jovem, sempre emendando algo de Creedence Clearwater Revival e Roberto Carlos. Existem as tias-porra-louca, que logo de cara cantam Ivete Sangalo ou Shania Twain. São aplaudidíssimas. Cantar Elis Regina e Chico Buarque é proibido em karaokê, assim como Queen. Tem que ter muita manha para imitar esses deuses. Geralmente quem se atreve apanha fácil. A galera finge que não escuta e poucos aplaudem.

Há os latin-lovers, figuras clássicas. Certa vez, vi um italian-lover. O sujeito era o clone do Cidão; usava camisa verde-escura, calças escuras e um colete preto por cima, lembrando o uniforme dos atendentes do Habib’s. Suas três musicas cantadas, em italiano, foram dignas de gargalhadas. Ele não cantava do palco, mas, sim, ao nosso lado! Rodava de mesa em mesa, cantarolando com um jeito Wando de ser. Não ganhou nenhuma calcinha, mas depois pude vê-lo se atracando com uma garota num sofá perto do banheiro.

Na próxima vez, já tenho o meu repertório definido: Wando hits.

11 de abr. de 2004

Jet


Descobri que acordar cedo em pleno sábado tem lá as suas vantagens. Estou na sala, de pijamas, comendo bisnaguinha com requeijão, tomando meu achocolatado, lendo jornal e assistindo “Lado B” na MTV (sim, sou um garoto multimídia), quando ouço uma introdução de baixo invadindo o ambiente. Paro de comer; meus neurônios, axônios e sei-lá-ônios entram numa muvuca cerebral. Entram num consenso e mandam um email para minha cachola. Nele vem escrito: “Gustavo, isto é Jet! Comemore e celebre – isto é Jet!”.

Email recebido, minha pupila dilata, meus braços se contraem e uma voz ameaça sair, mas com algumas falhas técnicas devido as bisnaguinhas. “Pofa! Ifo é Fet!”. Engulo a massa do pãozinho, mando o Nescau goela abaixo e, finalmente, meu berro ganha força: “Porra! Isto é Jet!”.

E era mesmo; passava naquele bat-momento, naquele bat-local, o vídeo-clipe de “Are You Gonna Be My Girl”. Uma banda batuta, que faz um rock sem firulas, usando como base o som dos anos 70. Alguns já chegaram a comparar os australianos do Jet com ninguém menos que o comedor e assustador Iggy Pop. Outros surtam e falam de AC/DC, Oasis e The Kinks. Enfim, detesto comparações.

Caso uma leve perturbação tenha se instalado sobre o caro leitor, recomendo que tu baixes a música já citada. Depois, escute “Cold Hard Bitch” e se envolva no clima do Jet. Ouviu os singles dos garotos? Entremos no disco dos rapazes Get Born (maravilhoso, por sinal) e se entregue a “Rollover DJ” , "Get Me Outta Here" e “Radio Song”.

O final é correr pro abraço e agradecer o titio que vos escreve. Não dói nada; é satisfação garantida.

8 de abr. de 2004

Uma partida de futebol

Sou são-paulino roxo e há tempos que meu time não me dá grandes alegrias. Ser chamado na rua de bambi ou pipoqueiro não é fácil, mas mesmo assim, continuo firme e forte com o meu tricolor paulista, ainda mais que estamos jogando o nosso torneio preferido: a “Taça Libertadores da América”.

Jogos duros; tem que enfrentar nossos “hermanos” vizinhos. É uma ótima razão para se acompanhar ao vivo, no estádio. Torcida comparece em peso, mais de 40 mil pessoas vibrando por um ideal. Porra! É legal pra caramba! Até quem não gosta de futebol não consegue se deixar contagiar pelo clima de um estádio lotado. Você pula, vibra, xinga e sofre. É melhor do que qualquer psicólogo. “São tantas emoções”, já dizia o rei Roberto.

São-paulino é o torcedor mais inconstante que conheço. Time está jogando bem? Aplaudimos, berramos e incentivamos. Agora, quando erra um passe, perde um gol feito e nada do placar sair do zero? Dá até dó da mãe dos jogadores; a cada vez que vou eu aprendo um palavrão novo. Torcedor é uma figura.

Ontem, o jogo estava difícil, o tricolor jogava feio que até doía. Sorte que temos um atacante que joga pelo time inteiro. No início, tremendo sufoco. Diversos “treinadores” se manifestam. “Volta, Jean!”; “Olha a marcação!”; “Passa a bola, Simplício!”. Existem os religiosos, que a cada jogada erguem as mãos ao alto e tentam, de maneira atrapalhada, fazer o sinal da cruz. Às vezes sai uma Estrela de Davi, por distração.

Gol do Alianza. Silêncio... Impedido!, berro. Silêncio... A Independente puxa o coro: “São Paaaaaulooooooo! São Paaaaauloooo!”. O estádio obedece e o time vai pra cima. Bola na trave. Puta que o pariu!, exclamo, colocando as mãos na cabeça. Passe errado. Passa, filho-da-puta!; Vai!; isso... bate, bate, bate.... Gol. GOL! GOL! GOOOOOOOL!!. Estouram rojões, um sinalizador, ou coisa parecida, é aceso. Uma fumaça vermelha e branca toma conta da arquibancada. O juiz apita o final de primeiro tempo.

Olhamos um para a cara do outro. Nossos olhares expressam o mesmo sentimento. A torcida vibra, comemora como se fosse um gol; entra um time só de loiras de shortinhos, fazendo embaixada. Gostosa!; Tesão!, Tira a camisa!. A mulher se sente a Rita Cadillac em pleno Carandiru. O engraçado, é que só dá para ver a cabeleira das moças. Juro que se estiver um travesti lá embaixo, serão poucos o que notarão. O placar eletrônico dá a notícia preferida de são-paulinos, palmeirenses e santistas: gol do Ituano contra o Corinthians. “Ei, Corinthians! Vai tomar no **!”, ecoa Morumbi afora. Começa um das coisas mais legais já inventadas: a ola. O Morumbi vira mar e ondas são formadas. Ooooooolaaaaaa!, berro, levantando os braços e subindo na cadeira. Os times voltam, assim como o sofrimento.

Roubam a bola, lançamento para o Luis Fabiano. “Vai, caramba! Isso! Bate! Nossa Senhora! Que golaço, que golaço...”. GOOOOOOOOLLLL! Abraço sei-lá-quem. Amor de torcedor é amor de carnaval. Tiramos a camiseta e começamos a rodá-la no ar. Fica lindo. “Uh! Tricolor! Uh! Tricolor!”. A torcida inflama, canta o nome de seu ídolo-mor: “LU-IS FABIANO! LU-IS FABIANO!”. Mas como já disse, o meu tricolor adora gerar uns infartos em sua torcida. Passes errados, uma bola na trave contra, outra bola que passa raspando... CUCA, RETRANQUEIRO!, berro. A torcida chia, pede substituições. Após vinte minutos somos atendidos, entrando um baixinho, de Belém, chamado Vélber. “Esse joga!”, comenta o garoto ao meu lado. Joga mesmo: dribla, corta, passa direitinho. O paraense enfia uma bola magistral para o lateral direito, que cruza na medida para o nosso ídolo-mor, que de voleio marca mais um.

Daí vira uma festa. Gritamos “olé!” e “eliminados” para o time peruano. As camisetas novamente rodopiam no ar. Acaba o jogo e todos saem felizes. São Paulo vence e o Corinthians perde no amistoso que disputara. Uma quarta-feira perfeita.

7 de abr. de 2004

Gecilda


E não é que a Cida levou a bolada pra casa? Porra! 500 mil! O que eu faria com esse dinheiro? Viagens e mais viagens; uma casinha na Bahia... Rapaz, é muito dinheiro.

Fiquei feliz pelo fato dela ter ganhado o Big Brother. Babá; ganha um pouco mais de um salário mínimo e mora em uma casa caindo aos pedaços numa cidade que nunca ouvi falar. Nada mais justo do que dar o dinheiro àquele que precisa. Nem penso como ela vai gastá-lo; talvez faça uma lipoaspiração. Meu lado irônico já a imagina comprando umas cabeças de gado, investindo num grupo de pagode, ajudando os parentes... Dar dinheiro pra pobre é sempre a mesma história. Perdi a conta de quantas empregadas minha mãe já perdeu depois de dar férias a elas. Iam visitar os “primo” lá em riba e nunca voltavam. Aquele fim-de-mundo deve ter algo de especial, penso.

E como tinha pessoa tosca no programa. Eu não o assistia durante as semanas, apenas no domingo ou na terça – os dias decisivos. Essa história de “eu preciso do dinheiro mais do que você” não cola. Uma frentista lá era o nojo em pessoa. Sambava o dia inteiro com roupas minúsculas, valorizando aquilo que somente nossas mulatas têm. De vez em quando “esquecia” os peitos pra fora. Artifício barato. Pior eram aqueles que chamavam-na de burra, ignorante. “Ai, é pobre então é burro!”. A mulher por não saber cantar uma musica em inglês e chamar ofurô de furúnculo, é motivo de gozação nacional. Nada mais legal do que chamar o outro de burro, não é mesmo? Enquanto isso, corrupção e preconceito rola solto ao nosso lado. Fechamos os olhos e nos preocupamos com a mulata que não sabe inglês. Hipocrisia.

**Para a festa da rede Globo, sua “ingnorância” rendia preciosos pontos no ibope (vide o Faustão, que fez ela “cantar” por quase meia hora, jogando o Gugu lá embaixo).

Dizem as más línguas que até “puta de luxo” havia nesta edição. A mulher fala várias línguas, foi “modelo” em Miami e é filha de um ex-senador biônico. Tinha uma amiga do Galvão Bueno, um lutador de vale-tudo, um esportista quase olímpico e algumas pessoas podres de ricas, que têm como amigos, pessoas influentes na tevê do titio Marinho. Que estranho.

Para a final foram duas pessoas que entraram comprando uma revista e enviando um cupom para o programa. Pessoas extremamente simples e humildes, ao meu modo de ver. Criaram uma amizade honesta, meio “Encontros e Desencontros”. Quem disse que homem e mulher não podem ser grandes amigos?

Ganhou aquela mulher feinha, sem talento algum, que não sonha ser atriz ou apresentadora. Não vai receber convite para posar nua, parece não querer ser famosa, e que durante os meses em que ficou “enjaulada”, aproveitou para fazer aquilo de melhor da vida: comer e dormir bastante. Não se preocupou em fazer ginástica 24 horas por dia para ficar gostosa ao publico. Ao invés disso, resolveu tirar umas férias. Acabou com 500 mil reais no bolso. E mereceu.

*foto Globo.com

5 de abr. de 2004

Após os pioneiros Dado Dolabella e Ricardinho Mansur, tenho a honra de apresentar mais uma edição da famigerada série...

PESSOAS EM QUEM EU ENFIARIA A RAQUETE

Ed. III - Os críticos musicais

Sim, os críticos musicais. Com certeza a raça mais podre no jornalismo, perdendo apenas para os fofoqueiros. Pessoas egocêntricas, diria uma professora. Um bando de filho da puta, diria uma amiga. Musicos frustrados, que só valorizam o que NÃO toca mundo afora. Imitam os críticos das principais revistas mundiais e não suportam viverem num país como o nosso. "Tudo o que é tupiniquim é uma merda", é o lema dos críticos musicais.

Citarei apenas dois críticos, da Folha de S.Paulo. Por que da Folha? Bem, acho que eles estão mais em voga ultimamente. Dificilmente alguém não conhece:

Lúcio Ribeiro. Fã de Londres e de tudo que surge da terra da rainha. Qualquer coisa esquisita, estranha e chata ganha um lugar em sua coluna. Ídolo dos indies, vindo a ser também conhecido por Lucius Ribeirus, devido as suas profecias. Sua linguagem é pobre e chula. Quando não tem o que escrever, coloca algo sobre Morrissey, The Strokes ou Pixies. Parece que quando escreve sobre os Strokes, uma ereção lhe ocorre. É mais “popular”. O ápice de seu mau gosto veio quando ele indicou a banda Franz Ferdinand, dizendo mil e uma maravilhas. Em suma, é uma merda. É daqueles que adoram fazer uma listinha – o cúmulo da babaquice musical. Porém, entende de música, até certo ponto. Foi o primeiro a dizer que "Hey Ya" ia fazer um sucesso cão e que The Darkness é uma maravilha. Adora fazer umas promoções com os seus leitores. Os prêmios? Cds gravados pelo próprio Lúcio.

Álvaro Pereira Jr. Adora ser escroto e polêmico. Gosta tanto de si mesmo, que deve se masturbar olhando para o espelho. Faz questão de colocar no canto de sua coluna o seguinte detalhe: “editor do Fantástico”. Uau! Do Fantástico! Palmas para o grande Álvaro, um cara que acha que música boa só sai de São Francisco, Seattle e Nova Iorque. Adora ressaltar suas grandes peripécias de jovem filhinho-de-papai, ostenta com um tremendo orgulho o fato de ter visto o Nirvana quando não era famoso. Aliás, ele só fala de Nirvana, The White Stripes, Grandaddy e de algumas rádios horríveis de São Francisco. Tudo que é bom ele não gosta, diz que é do “povão” e não lhe interessa. Coldplay, para Álvaro, não passa de uma cópia do Radiohead. No show do Coldplay, em Sampa, jura ter ido embora quando ouviu “Yellow” ser cantada pelo público. “Banda de menininhas”, alcunha o babaca. Não sei qual a razão para gostar tanto de São Francisco. Vai ver ele tenha algumas “amigas” bacanas por lá.

Go West, Álvaro!*

*Irena Copyright

4 de abr. de 2004

À Procura de Libertinagem *



Usando de uma bela história de James Aggrey, o escritor Leonardo Boff faz do uso de metáforas para uma análise sobre o ser humano, seus pensares e desejos. Doutor honoris causa em política pela Universidade de Turim e formado em Teologia pela Universidade de Lund, Boff é um dos grandes teólogos e pensadores das últimas décadas. Seus questionamentos religiosos já chegaram a sofrer diversas punições vindas da Igreja Católica. Boff recebeu o “silêncio obsequioso” de aproximadamente um ano por parte do Vaticano.

Na história de Aggrey, um filhote ferido de águia é encontrado por um camponês, que cuida do animal. A águia desde cedo é criada junto às galinhas do camponês, chegando a adaptar-se como se fosse uma delas. Anda tal qual uma galinha e cisca como uma galinha, perdendo suas características de águia.

Certo dia, um amigo do camponês vê tal cena e não aceita o fato de uma águia agir com uma galinha. Durante vários dias, o amigo do camponês busca incentivar à águia a fazer o que a natureza lhe permitiu: voar, sumir pelo horizonte - em suma – ter a sua tão sonhada liberdade – feito conseguido após algum tempo.

Esta é a metáfora do livro: nós seres humanos, em alguns momentos, somos galinhas ou águias?

O livro, então, cria diversos ensinamentos para nós, seres humanos. Devemos lutar pelos nossos direitos, assumirmos uma identidade própria, sermos críticos e não alienados. Buscar a liberdade assim como a águia um dia fez. Boff diz que todos têm dentro do coração uma força de vontade, que nos guiará para buscarmos o que desejamos e almejamos um dia conquistar. Deve-se apenas procurar despertá-la e incentivá-la. “Existe uma águia dentro de cada um”, aparece escrito em dado momento.

Há citações teológicas e filosóficas. Explicando de maneira simples e clara, Boff faz do leitor parte do livro. Identificamos em algumas linhas nossos medos, frustrações e sonhos. O escritor faz do livro um divã. É impressionante a capacidade que Boff tem em lidar com os sentimentos, fazendo de sua obra algo belo e cativante. Em sua obra anterior, A Teologia da Libertação, o escritor já demonstrava uma “evolução” de seus pensamentos da década passada. Usando de base a sua “Teologia da Libertação”, as metáforas usadas por Boff são críticas, relacionadas à situação do mundo; cheio de contrastes e, ao mesmo tempo, globalizado.

Tanto o livro como a bela fábula de James Aggrey, remetem ao próprio ser humano. Aggrey usou sua história para acordar milhares de colonizados de Costa do Ouro. Após anos de colonização inglesa, ele compara o seu povo com a águia-galinha do conto, fazendo com que todos ao terminarem de ouvir a história, buscassem a tão sonhada independência que a águia conseguiu. Hoje, o país Gana é a antiga Costa do Ouro.

Boff, assim como Aggrey, busca fazer com que seus leitores criem uma consciência, tenham uma visão própria sobre o mundo. Ele apenas nos remete ao nosso lado águia. Basta acreditarmos, que é possível.


*minha primeira resenha critica \o/

2 de abr. de 2004



Ah, as mulheres! Seres tão diferentes e enigmáticas. Judiam da gente e ainda gostamos delas. Maltratam-nos com suas delicadas mãos, que sabem e, muito, como se defender. Têm um olhar curioso e observador. Sabem o que sentimos simplesmente lendo os nossos olhos. Ah, as mulheres! O que seria da vida sem as mulheres? Certamente não teria graça; tudo ficaria preto e branco.

Mulher elegante e clássica é um charme. Sabem andar e, principalmente, nos conquistar. Conhecem as artimanhas passadas por suas mães e avós. A gota certa do perfume, a maquiagem sem ser exagerada ou desleixada. Costumo dizer que não andam, desfilam. Nada é mais bonito que uma mulher que tenha postura ao andar. Nariz para frente, nem para cima ou para baixo. Usa cabelos presos com um lápis; não precisa de mais nada.E quando solta? Ah, quando solta. Lembra uma cena hollywoodiana. Nada mais sexy do que um belo cabelo, brincando com o vento.

Cabelo de mulher não precisa ser liso e comprido. Elas não sabem disso, que pena. Cabelo curtinho pode ser charmoso; cabelo ondulado e crespo ainda mais. Pode se optar por não ter cabelo; qual o problema? Tem que combinar com a pessoa, com a sua atitude. Gosto principalmente dos lábios de uma mulher. Alguns são finos e claros. Um mimo. Mas têm os carnudos. Ah, os carnudos. Dou o mundo por uma bela boca. Uma relva de tentações. Quem não repara numa bela boca?

Gosto de mulher compromissada. Meu cupido às vezes erra na pontaria. Mulher compromissada já sabe das coisas, não precisa passar por todo aquele árduo processo que uma mulher precisa para arranjar um companheiro (a). Mulher compromissada quando não quer se aprontar veste um moletom, uma camisa larga e nem por isso deixa de ser sexy. Mulher compromissada usa agasalho para deixar o namorado tranqüilo. Mal sabe ele que elas por baixo não costumar usar nada, nadica. Reparamos e fantasiamos. O que será que há escondido?

Tatuagem nem se fala; nada instiga mais do que uma pontinha de uma tatuagem escapulindo da saia. Reparamos e fantasiamos, novamente. Mulher interessante sabe brincar com a nossa cabeça, entrar em nossos sonhos. Usa e abusa, diz que não quer, mas quer. Sorriso tímido, mas ousado. Uma gargalhada. Ah, uma gargalhada. Às vezes isso basta.

Mulher divertida compensa qualquer quesito citado. São as melhores companheiras. Dizem que duram para a vida inteira. Mulher chata e ranzinza ninguém gosta. Pode ser um mar de desejos, mas ninguém gosta.

Mulher tem que ser mulher; não precisa de mais. Para quê mais?