O remake é parecido com a versão original?
30 de ago. de 2010
Glee + Jimmy Fallon + Tina Fey + Jon Hamm + Jorge Garcia + Nina Dobrev + Joel McHale = Bruce Springsteen
'Jackie nunca poderia ser a esposa de Tony Soprano', brinca Edie Falco
Edie Falco é uma das atrizes mais importantes da TV americana deste século. Dona de três prêmios Emmy, a eterna Carmela de “Família Soprano” volta nesta noite a maior premiação da TV americana com uma personagem muito diferente da esposa do mafioso Tony Soprano.
Sua enfermeira Jackie não tem o cabelo armado nem jóias ostentosas, mas um corte moderninho e uma humilde aliança na mão esquerda – que esconde ao marcar seus encontros sexuais com o farmacêutico do hospital, que lhe fornece os remédios do qual é viciada.
“Tenho de dizer que tenho sorte, estou sempre melhorando. Sempre acho que estou em algo ótimo, mas daí vem algo e supera. Tenho muitos amigos da minha idade que não conseguem se sustentar como atores. Sou muito agradecida”, diz a atriz ao G1, em entrevista por telefone.
No Emmy 2010, que será transmitido ao vivo no Brasil pelos canais fechados AXN e Sony a partir das 20h, tanto Edie quanto “Nurse Jackie” concorrem em categorias importantes – melhor série cômica e melhor atriz de comédia, no caso.
Os holofotes devem estar direcionados para “Glee”, “Mad men”, “Modern family” e “The pacific”, os favoritos da noite, mas com Edie sempre é bom não brincar. Ela não é favorita ao prêmio que disputa com feras como Tina Fey (“30 rock”), Toni Collete (“United states of Tara”) e Julia Louis-Dreyfus (“The new adventures of old Christine”), mas sua personagem é muito significativa por representar um modelo de protagonista em moda na televisão dos EUA: o anti-herói.
Sua personagem cativa mesmo sendo uma figura socialmente errada - esposa infiel e viciada em drogas. “As pessoas estão cansadas do ideal perfeito do herói, então entendem muito mais os defeitos do anti-herói. O público em geral está mais aberto, existe hoje uma mudança de apetite, diria”, explica Edie, que ri ao ser perguntada sobre qual é o segredo de uma enfermeira nada vaidosa (e grosseira) que, em certo momento do programa, é cortejada por três personagens.
“Os roteiristas vieram com essa [história], não sei”, ri. “Acho que há algo atraente em alguém que não se parece com ninguém. Isso tende a chamar a atenção. Jackie é ótima no que faz, é confiante, faz tudo rápido e bem”, resume.
Questionada então se Jackie poderia ser esposa de Tony Soprano, Edie novamente acha graça. “Ela nunca poderia ser a esposa de Tony, nem em 1 milhão de anos! Ela é o oposto do tipo de mulher que ele gosta. Ela não se importa muito com o visual, vai para o trabalho e pronto. E também não liga para o que os outros pensam dela”.
'A TV me dá o que preciso'
Na 2ª temporada de “Nurse Jackie”, exibida no país pelo canal a cabo Studio Universal, Jackie sofre ainda mais com os conflitos de se levar uma vida dupla. “Sua vida pessoal que sofre com seus vícios, não sua habilidade profissional”, acredita Edie. “Acho que Jackie precisaria ir à terapia e, claro, parar com as drogas. Fazer os 12 passos do AA (Alcoólicos Anônimos) ou algo assim. Mas acho que ela nunca vai fazer isso”, ri.
A atriz diz não acreditar que “Família Soprano” possa render um filme, como se especula há tantos anos. Comenta até que ficaria surpresa se isso um dia se tornasse verdade – e aproveita para explicar que não ficou presa à Carmela após o fim da premiada produção do HBO, que ficou no ar entre 1999 e 2007.
“Quando acabou, acabou. Sinto o mesmo em relação a Jackie: sou ela no set, mas quando a gravação acaba, em minha casa sou apenas Edie, a mamãe”, explica a atriz, mãe de dois filhos adotivos.
Após “Sopranos”, Edie se arriscou no teatro e no cinema. Mas não tem jeito, parece que ela foi feita apenas para o tubo, hoje LCD e plasma – em 2008, inclusive, ela foi indicada ao Emmy pela sua participação especial na comédia “30 rock”.
“Minha experiência pessoal diz que os papéis que acho mais interessantes estão na televisão. No cinema eles são sempre estereotipados, parecem com algo que já fiz e isso não me atrai. Voltei para a TV porque ela me dá o que preciso”.
# Matéria publicada originalmente no G1
18 de mai. de 2010
'Eu não vejo TV', brinca coelhinha da 'Playboy' e estrela de reality show
A loira de 24 anos é uma das coelhinhas mais famosas que o criador da “Playboy” teve ao longo de seus 84 anos. Algo digno de nota, que deve ser creditado a um reality show que manteve ao lado de Holly Madison e Bridget Marquardt, o “The girls of the Playboy mansion”.
Durante quatro anos, o trio teve o posto oficial de namoradas do bon vivant, com direito a ter sua vida filmada pelas câmeras de TV. À primeira vista, o programa parecia um convite a um universo de futilidade e luxúria. Mas o que se viu foi um show divertido, com ótimas histórias protagonizadas pelas carismáticas “playmates”.
As garotas amadureceram desde então e foram substituídas em 2009 por outras três jovens loiras platinadas. Kendra ganhou seu próprio reality show, sobre sua vida pós-mansão ao lado do novo namorado, um jogador de futebol americano. Desde então casou, virou dona de casa e teve seu primeiro filho.
O programa registrou recorde de audiência em sua estreia. Deu tão certo, que nesta quinta-feira (13), às 21h30, o E! lança sua 2ª temporada no Brasil. Divertida e piadista, Kendra falou por telefone ao G1 sobre as novidades que vêm por aí.
O que essa temporada terá de novo, além do bebê?
Kendra Wilkinson - A 2ª temporada é bem diferente da primeira. É mais pé no chão, real. A primeira tinha muita ação e falação, agora acho que os fãs vão me conhecer melhor, saber quem eu realmente sou. Ah, e minha família aparece bem mais.
Os boatos de que você estaria grávida novamente são verdadeiros? Como a maternidade mudou a sua vida?
Kendra - Não, não! Não sou louca! (risos) Estou esperando mais uns dois anos (para engravidar). Ser mãe foi a experiência mais linda da minha vida, eu nasci para isso. Amo cada passo de ser mãe, sabe? É tão divertido, cada segundo representa uma novidade e estar envolvida com cada momento do crescimento de uma nova vida é algo que não consigo explicar. É a coisa mais linda que se possa ter.
Como é hoje o seu relacionamento com Hugh, Holly e Bridget?
Kendra - Hugh e eu nunca fomos muitos próximos quando estávamos juntos, mas nos sentimos especiais um para o outro e agora fazemos questão de ter isso. Eu, Bridget e Holly temos nossas vidas, não somos de sair ou coisa do tipo. Às vezes nos encontramos em algum evento ou trocamos torpedos. Nem somos amigas de Facebook. (risos)
Você gostou do “The girls of the Playboy mansion” com as novas coelhinhas?
Kendra - Eu não assisti muito, mas gosto daquela garota, a Crystal. Mas não entendo o que acontece com aquelas gêmeas... Não é um tipo de show que eu veja. Fico feliz por Hugh, quero que ele atinja seus objetivos, o importante é ele estar feliz.
Não ver TV não é algo controverso?
Kendra - Não assisto TV, mas adoro ver Discovery Channel. Gosto muito desse novo programa “Vida”, já viu? Adoro esses programas do tipo “Planeta Terra”, sobre animais e nosso planeta.
Não é estranho ter cada segundo de sua vida documentado para o mundo inteiro assistir?
Kendra - Eu acho o máximo. Mas, falando a verdade, às vezes é dolorido. Não posso olhar para trás e falar algo ruim, porque deixo minha vida à mostra para os outros julgarem. Sou uma pessoa diferente, que gosta de abrir sua própria vida. Por isso agradeço a quem me assiste, pois isso é fazer parte da minha vida também. Se vocês continuarem assistindo, a porta da minha casa estará sempre aberta.
O que difere o seu reality show dos outros que existem por aí?
Kendra - Eu acho que o álcool não é o personagem principal, ao contrário de muitos por aí. Tenho uma personalidade própria que não precisa de bebida. (risos). Não vou mais posar nua para a “Playboy”, agora me concentro em ser a melhor mãe e esposa que posso ser. Meu futuro é agora.
Você sabe algo sobre o Brasil?
Kendra - Adoro seus biquínis! Eles ficam ótimos no meu corpo. (risos)
16 de mai. de 2010
Desenho ‘Caverna do dragão’ ganha peça de teatro infantil em São Paulo
O desenho “Caverna do dragão”, um dos ícones cults da década de 1980, está de volta à moda em uma montagem teatral que estreia neste sábado (8) em São Paulo. Com direção e roteiro de Gilda Vandenbrande, o espetáculo faz uma livre tradução da animação que teve apenas 27 episódios produzidos entre 1983 a 1986 – e repetidos a exaustão desde então.
“Quando pensamos em produzir um infantil, não queríamos falar de novo de Chapeuzinho Vermelho ou Cinderela. Logo me lembrei de ‘Caverna do dragão’, um desenho que atravessa gerações”, explica o ator Tiago Pessoa, produtor da peça e também intérprete do cavaleiro Eric.
“Caverna do dragão” fala sobre um grupo de jovens que conhece um mundo mágico após atravessar um portal escondido dentro de um parque de diversões. Para voltarem ao mundo real, eles ganham a ajuda do Mestre dos Magos, um mago enigmático que fornece a eles armas mágicas.
Porém, a travessia para o mundo real é sempre atrapalhada graças às investidas do vilão O Vingador e seus comparsas de sempre.
Enfim, um final
A montagem faz uma interpretação livre do desenho, já que ele nunca chegou a ter um episódio final. O desfecho da trama teatral foi criado a partir da união do roteiro dos episódios televisivos que foram ao ar com os vários textos sobre o fim do programa que existem pela internet.
Porém, a “liberdade poética” mais polêmica é o uso de uma mulher, Delurdes Moares, para o papel do Mestre dos Magos. “O símbolo do Mestre dos Magos é a sabedoria, a experiência. Isso não tem sexo”, afirma a atriz.
O elenco é formado por rostos, em sua maioria, desconhecidos. Uma exceção é o jovem Rodolfo Valente (Bobby), conhecido por ter sido o Pedrinho da recente adaptação televisiva de “Sítio do pica-pau amarelo”.
Para criar os efeitos especiais da série, o espetáculo usa jogos de luz, de sonorização e projeções. A montanha-russa que serve de passagem dos jovens para o mundo mágico é uma projeção, adianta Gilda. Os efeitos de magia criados por Presto são feitos por spots, enquanto armas acendem e desligam com pequenos interruptores que ficam escondidos aos olhos dos públicos.
* Matéria publicada em 06/5/2010
15 de mai. de 2010
'Modern family' faz divertida crítica dos estereótipos da sociedade atual
O marido e pai infantil, o filho lesado, a filha adolescente bonitona e fútil, a mulher que é exemplo de esposa e mãe... Durante décadas, essa é a fórmula de sucesso das sitcoms americanas que abordam questões familiares.
Com “Modern family”, nova comédia de meia-hora da Fox que estreia nesta segunda-feira (3), às 22h, todos esses elementos estão presentes. Mas com um olhar, como o título já sugere, mais contemporâneo.
A série foi desenvolvida pelos mesmos criadores da premiada “Frasier”, e assim que estreou no 2º semestre do ano passado foi apontada como a nova comédia do ano pela crítica americana. Ao assistir aos dois episódios que serão exibidos nesta noite dá para entender o motivo.
O programa segue o cotidiano da família Pritchett e suas ramificações. Jay (Ed O’Neill, de volta as comédias pela primeira vez desde o eterno Al Bundy, de ‘Married with children’) é o patriarca, pai de Claire (Julie Bowen) e Mitchell (Jesse Tyler Fergunson).
Sua filha é uma dona de casa insegura, mãe de duas crianças e uma pré-adolescente, mas cujo marido (Phil, vivido por Ty Burrell), na crise da meia-idade, é o verdadeiro bebê da família. Já Mitchell é um advogado careta e gay, que viaja até o Vietnã para adotar um bebê ao lado parceiro, o afetado Cameron (o ótimo Eric Stonestreet).
Fecha a turma a nova esposa de Jay, Gloria (Sofía Vergara), uma bela colombiana mãe de Manny (Rico Rodriguez), um simpático gordinho de 11 anos que se acha adulto.
O que amarra esses três núcleos familiares é a educação dos filhos. Jay não quer repetir com o enteado os erros do casamento anterior. Julie e Mitchell não querem dar aos seus rebentos os maus-exemplos que tiveram com os pais, e por aí vai.
Falso documentário
Uma das (boas) sacadas de “Modern family” é o formato: a série é um falso documentário (“mockumentary”), igual “The office”. Uma câmera acompanha os atores em cena, mas não chega a interagir com eles.
Em alguns momentos, os personagens fazem relatórios para as lentes, igual àqueles comerciais antigos da Brastemp. Nessas horas os personagens, como se estivessem em um grande paredão, tiram suas máscaras e confidenciam aquilo que não mostram nas cenas. Afinal, de perto ninguém é normal.
Para esses momentos serem engraçados em um programa que não é gravado em frente a um público ao vivo, geralmente responsável por aquelas risadas forçadas, dignas de “Chaves” ao fundo, “Modern family” tem dois trunfos. Primeiramente, o elenco, talentoso e de excelente timing cômico. Depois, o roteiro.
Em um momento em que o “humor do bem” está na moda, o programa é uma ótima válvula de escape para os fãs do politicamente incorreto. Os personagens são estereotipados e a série brinca com os diversos tipos de situações que existem no mundo globalizado de hoje - sem medo de, às vezes, de até soar preconceituosa.
Todo tipo de piada clichê envolvendo imigrantes ilegais, homossexuais e pobreza de países subdesenvolvidos são expostos logo no episódio desta noite. Mas de maneira sutil, distribuída em pequenas situações do cotidiano que costumam passar despercerbidas.
“Modern family” já foi renovada para uma 2ª temporada nos EUA. Seu poder de fogo, dizem, será realmente testado durante o próximo Emmy, em agosto. Até o momento, a série foi um pouco ofuscada pelo fenômeno pop “Glee”. Na primeira disputa entre os dois, no Globo de Ouro deste ano, o seriado musical se saiu vencedor.
* Uma curiosidade em relação à trama: apesar de se julgarem parte de uma família moderna, nenhuma das mulheres trabalha, de fato, na atração.
** Matéria publicada no G1 em 3/5/2010
Estrelas de séries antigas são trunfo da inédita ‘Parenthood’
“Parenthood” é uma série que já começou dramática antes mesmo de ser lançada. Programado para estrear em setembro passado, o show teve sua première adiada por diversas vezes em razão de problemas de saúde no elenco e na produção.
Em maio de 2009, uma das principais produtoras do seriado morreu em pleno set. Dois meses depois, a atriz principal Maura Tierney (“ER”) foi diagnosticada com câncer de mama e precisou sair da atração em novembro.
Com esses impasses, a série só conseguiu estrear em março nos EUA. Nesta quinta-feira (15), às 21h, ela chega ao Brasil – a partir da semana que vem seu horário muda para às 22h, como todos os lançamentos do canal Liv (antigo People + Arts).
Turma de peso
“Parenthood” é baseado no filme “O tiro que não saiu pela culatra”, de 1989, dirigido por Ron Howard e com Steve Martin no elenco. A série é um drama sobre os Braverman, que têm no patriarca Zeek (Craig T. Nelson, de ‘The district”) a referência da família.
Laura Graham, a eterna Lorelai de “Gilmore girls”, dá a vida a Sarah, uma mãe solteira de dois adolescentes rebeldes e filhos de um roqueiro drogado. Com a separação, e sem condições financeiras, ela se refugia na casa dos pais, na cidade em que cresceu e viveu o primeiro amor.
Seu irmão, Adam (Peter Krause, de “Dirty sexy money” e “A sete palmos”), é casado com Kristina (Monica Potter, de “Boston legal”). Os dois aparentam viver um perfeito “american way of life”, mas lutam para educar seus dois filhos – o caçula é autista - sem a influência do pais.
Julia (Erika Christensen) e Crosby (Dax Shepard) fecham a lista. Ela é uma advogada workaholic, cuja filha prefere a companhia do pai nos momentos de lazer. Ele é um rapaz imaturo, pressionado pela namorada que deseja um filho, mas que logo descobre ser pai de uma criança de um antigo relacionamento.
Prepare o seu lenço
O episódio piloto de “Parenthood” faz uma breve introdução de cada um (vários) dos personagens. Apesar de ser uma produção dramática, dedicada a esmiuçar a vida de cada membro da família Braverman, a série tem lá suas doses de comédia.
Dentre os diversos núcleos que existem dentro da trama, destaca-se o de Sarah. Laura Graham surpreende para quem entrou no lugar de Maura Tierney aos 45 minutos do 2º tempo, o que a levou a refazer diversas cenas que já tinham sido gravadas.
A construção da personagem, aliás, assemelha-se bastante a Lorelai. Sua Sarah possui um certo tom cômico que talvez não existiria na de Maura.
“Parenthood” é série para quem gosta de dramas familiares repletos de momentos de conflitos entre pais e filhos à la “Brothers & sisters”. Mas, aparentemente, sem as diversas tragédias que assolam a família Walker.
* Matéria publicada no G1 em 15/4/2010
'Não esperava ser uma musa nerd', diz atriz brasileira Morena Baccarin
Quem a vê em cena não imagina que seja brasileira. Seu inglês não tem aquele sotaque latino afetado, tão comum nas produções americanas. Tampouco faz a linha sul-americana fogosa, outro trejeito muito popular nos programas de lá.
A carioca Morena Baccarin, 30 anos (20 deles morando nos Estados Unidos), é hoje uma das representantes tupiniquins mais importantes de Hollywood. Protagonista da série de ficção científica “V”, exibida no Brasil pelo Warner Channel desde o começo de abril, ela tem o seu rosto estampado em capas de revistas, outdoors e até ônibus no exterior.
“É uma surpresa!", comenta ao G1 sobre a fama. "Tinham fãs da série no aeroporto daqui me esperando, tirei fotos e dei autógrafos”, revela ela, que esteve na capital paulista nesta semana para divulgar a atração no País.
“V” é uma remake da minissérie “V – A batalha final”, que foi ao ar na TV Globo há duas décadas. Nela, alienígenas espalham naves por 29 grandes cidades do mundo, uma sinopse digna dos filmes catastróficos de Roland Emmerch. A diferença é que os “visitantes” alegam estar em missão de paz.
A porta-voz dos invasores é Anna (Morena), a líder. Com os passar dos episódios, ela vira a vilã da série. "Minha personagem é muito malvada, as pessoas têm até medo de mim na rua. A Anna fala: ‘estamos chegando em paz, só precisamos dos minerais, água e coisas assim, por isso vamos lhes dar seguro de saúde, energia para seu planeta e não faremos nada de mal’. Mas dá para sacar que não é bem assim”, diz, com um leve “carioquês”.
Quase 'Avatar'
A série é uma produção de custo elevado, com diversos tipos de efeitos especiais. Morena é justamente quem mais “sofre” no elenco por isso, pois grava quase todas as cenas em um grande estúdio com panos verdes espalhados por todos os lados.
Graças à tecnologia digital, o cenário aparece na TV como o interior de uma nave especial. “Tenho de usar bastante a minha imaginação para fazer as cenas, é até cansativo”, revela.
Mas ela não acha estranho esse tipo de situação. Dentre as várias participações que fez em séries americanas, as mais conhecidas são aquelas em produções de ficção científica, como “Firefly” e “Stargate SG-1”. Seria ela uma musa nerd então?
“Provavelmente sim”, diverte-se. “Acho legal esse universo, os fãs são super fiéis e apaixonadíssimos por ficção científica. Eu me sinto honrada por ser parte desse mundo, mas não era uma coisa que eu esperava”.
Das séries para as novelas?
A 1ª temporada de “V” terá 12 episódios, mas não se sabe ainda se será renovada para mais um ano. Ao estrear nos EUA, no canal ABC, a audiência do programa foi superior ao piloto de “Lost”. Porém, o programa teve de ser interrompido por três meses, justamente pelo alto custo de produção.
Passado o hiato, os números no ibope ficam piores a cada semana. “Isso é ‘news’ para mim”, irrita-se, com elegância. “O canal já esperava que fosse dar uma caidinha após esse ‘break’, mas na semana passada subimos de novo. A gente não possui controle nenhum de quem vai cancelar ou qual vai ser cancelada. Então é curtir e esperar: temos de fazer o nosso trabalho de qualquer jeito e se não for nessa vai ser em outra”, comenta.
A atriz aproveita a deixa para opinar sobre o mercado de Hollywood. No caso, para atores de outros países. “Agora está muito mais aberto para todo mundo. As pessoas dos Estados Unidos estão aceitando todas as nacionalidades, não há o mesmo preconceito que existia antes”, acredita.
A verdade é que Morena já recebeu convites para estrelar novelas brasileiras. Se “V” realmente for cancelada, eles deverão aumentar. E vontade para aceitá-los, bem, ela diz que tem. “Se for o papel certo, claro!”, empolga-se.
* Matéria publicada no G1 em 29/4/2010
Fenômeno pop da TV paga, 'Glee' ganha reforço de Madonna
No ar há menos de um ano, o seriado sobre um clube musical formado por estudantes renegados de um colégio do Estado americano de Ohio, mostrou-se um sucesso de audiência e de crítica – foi eleita a melhor série de comédia no Globo de Ouro e SAG Awards.
Porém, mais importante, revelou-se também uma máquina de fazer dinheiro. Na internet, principalmente. As faixas apresentadas no seriado musical são colocadas à venda na loja virtual da Apple. As músicas são regravações de artistas que vão de Neil Diamond a Beyoncé. Desde sua estreia, o programa vendeu mais de 4 milhões de singles no iTunes, emplacou mais de 20 faixas no Top 100 da Billboard e rendeu duas trilhas sonoras.
“Hoje os jovens têm uma maneira diferente de conhecer música. Você escolhe uma canção no iTunes e ele lhe sugere 400 com o mesmo estilo. Adoro que o show possa fazer isso agora”, revela ao G1 Ryan Murphy, co-criador e produtor executivo de ‘Glee’.
De olho no fenômeno (e no dinheiro), Madonna liberou todo seu repertório para o uso da Fox, que exibe o seriado nos EUA e no Brasil. Ela não vai se arrepender: o disco “Glee: the power of Madonna”, em pré-venda no iTunes, já é o álbum mais vendido no site antes mesmo do episódio especial ser exibido.
Atualmente em hiato no Brasil, a série retorna ao ar por aqui com novos episódios no segundo semestre.
Universo multimídia
“Glee” representa para a TV o mesmo que “Avatar” para o cinema. O programa é uma experiência à parte quando comparado a outros programas. Não há nada igual.
Há alguns anos, os seriados americanos são construídos para não serem apenas um produto televisivo, mas parte de um universo multimídia. Um exemplo é “Lost”, cuja trama é complementada em episódios feitos para iPod e celulares, jogos online de realidade alternativa e até livros de ficção.
O diferencial de “Glee” foi descobrir aí um plano de negócio: ele estimula o telespectador a consumi-lo em outras mídias e a pagar por isso “Acho que esse é o primeiro programa de TV que atinge todo a curva demográfica da audiência. Você não vê mais isso, televisão cada vez mais fala com um nicho específico. O piloto foi baixado por 2 milhões de pessoas na Fox.com”, afirma Murphy.
Devido ao sucesso, os atores da série farão shows musicais em uma turnê pelos Estados Unidos neste ano. Para compor o elenco da 2ª temporada, serão feitas audições pela rede social MySpace.
Na semana passada, a Fox criou um aplicativo do seriado para o iPhone e iPad. Trata-se de um karaokê, em que o internauta paga pelo download das músicas de cada episódio e compartilha suas performances vocais com os amigos que também utilizarem a ferramenta. Ou seja: qualquer pessoa pode criar o seu próprio clube musical.
E no Brasil?
Para o roteirista Newton Cannito, que recentemente lançou o livro “A televisão na era digital” (Editora Summus), a TV brasileira ainda não tem um exemplo como “Lost” ou “Glee” porque “a indústria ainda está travada”.
“É uma questão de mudar o cérebro. O raciocínio da era digital mostra que um programa deve estar presente em todas as mídias, inclusive as não digitais. O espectador de hoje acompanha a TV fora da TV. O raciocínio tem de ser baseado primeiro pelo conteúdo, não se isso ou aquilo vai dar algum dinheiro. O cara gosta de ‘Glee’, não de celular, ele vai acessar a qualquer conteúdo da série em qualquer mídia.”, acredita.
O próprio Cannito tentou emplacar o modelo em sua minissérie” 9MM: São Paulo” (Fox). A produção rendeu websódios, episódios exclusivos para a internet, e um livro. As duas histórias servem de complemento para a atração, como se fora da TV ela adquirisse um universo particular.
“Se você não está presente em todas as mídias, não existe uma impressão de realidade. Esse tipo de ação gera uma mídia espontânea muito grande, dá a sensação de que a série ocupa toda a cidade.”
* Matéria publicada no G1 em 20/4/10
Enfermeiras são promovidas a protagonistas nas séries americanas
De eternas personagens secundárias, daquelas que sempre apareciam ao fundo da cena, praticamente desfocadas, as enfermeiras chegaram à linha de frente.
Nos EUA, já são três séries com elas como protagonistas. Além de “Mercy”, faz sucesso por lá a “dramédia” “Nurse Jackie” - exibida no Brasil pelo Studio Universal - e “Hawthorne”, que chega por aqui em setembro, no mesmo Liv (ex-People + Arts).
“Mercy” traça o cotidiano de três enfermeiras de um hospital de Nova Jersey. Veronica (Taylor Schiling) é uma veterana da Guerra do Iraque, que busca reconstruir a vida após anos de luta no Oriente Médio. Sonia (Jaime Lee Kirschner) e Chloe (Michelle Trachtenberg) são suas colegas e melhores amigas.
Receituário de sempre
É comum ver nas três atrações os conflitos que existem entre médicos e enfermeiros. Enquanto os primeiros são retratados como seres racionais, os segundos aparentam serem mais emotivos. E a impressão que fica é que os últimos são sempre os responsáveis pelo trabalho sujo de um hospital.
A disputa de poder entre eles também é outra constante. Um diálogo básico presente em momentos assim termina com o médico ressaltando seu poder hierárquico. As séries sobre enfermeiros também seguem uma certa fórmula de sucesso. Em “Nurse Jackie” e “Mercy”, por exemplo, existe a figura de um enfermeiro gay e fofoqueiro, cuja tarefa é ser o conselheiro da classe feminina.

A tensão sexual entre médicos e enfermeiras é outra constante – em “Mercy”, tal qual “Grey’s anatomy”, a cada episódio há pelo menos uma cena de alguém se atracando no almoxarifado após uma sutura bem realizada.
No Brasil, ainda não há uma enfermeira como protagonista da TV nacional. Mas há de se lembrar que elas costumam roubarem a cena nos folhetins em que participam – vide a polêmica Alzira (Flávia Alessandra), uma dançarina que se fingia passar por enfermeira na novela “Duas caras”, e a interesseira Raquel (Letícia Birkheuer), de “Desejo proibido”.
Dos enfermeiros nacionais que atualmente estão no ar, dois valem uma menção em especial. Na nova sitcom "S.O.S. Emergência", da Globo, Anderson (Fábio Lago) é um garanhão que tem um caso com a doutora Veruska, vivida por Maria Clara Gueiros - pois é, aqui eles não têm fama de homossexuais, como no exterior...
Mais “low profile”, a enfermeira da vez nas novelas é Vitória, interpretada por Cristina Flores em “Viver a vida”. A personagem faz parte da equipe médica que cuida da modelo tetraplégica Luciana (Alinne Moraes).
Para a construção de Vitória, Cristina visitou o Hospital do Fundão, no Rio, e conheceu a enfermeira Marinalva. “Fiquei muito impressionada com a importância dela no tratamento dos pacientes”, revela.
“Presenciei sua visita a um garoto com lesão medular. Ela entrou no quarto com uma energia e uma força tão grande, que transformava aquela situação triste em algo positivo. Estruturei a Vitória a partir da Marinalva”.
Para a atriz, o público tem a curiosidade de se ver em situações extremas, o que explica o sucesso dos programas médicos. Ela nega ter visto algum preconceito na relação entre médicos e enfermeiros, mas adianta que aprendeu, com a personagem, as funções de cada funcionário de um hospital.
“O médico cuida da doença. O enfermeiro, da pessoa”.
* Matéria publicada no G1 em 13/4/10
17 de abr. de 2010
Ex-RBD apela para a magia em nova série da Fox
Um ano e meio depois do fim do RBD, Cristopher Von Uckerman está de volta ä mídia. Com os cabelos mais curtos e barba meticulosamente desleixada, pouco lembrando os seus tempos de “y soy rebelde”, o ator e cantor é a principal atração de “Kdabra”, série da Fox que estreia na próxima quarta-feira (14), às 22h.
O seriado, gravado na Colômbia, é a primeira ficção em espanhol produzida pelo canal fechado. A trama, com pitadas de realismo fantástico, tem como protagonista o adolescente Luca (Uckerman), um garoto criado dentro de uma comunidade elaborada por seu pai para protegê-lo do mundo exterior. O jovem sofre de narcolepsia e tem sonhos sobrenaturais a cada desmaio.
Luca é um rapaz especial, aprendiz de mágico desde pequeno. Cansado da eterna vigília, ele foge da comunidade e encontra pelo caminho pessoas misteriosas que talvez expliquem suas visões. Uma delas será o ilusionista René (Damián Alcázar), principal atração do hotel e cassino Majestic, dedicado apenas a shows de mágicas.
Uckerman está no Brasil para divulgar “Kdabra” e realizar alguns shows até o final de semana. Ele bateu um papo com o G1 no hotel que está hospedado em São Paulo.
O que o atraiu em “Kdabra”?
Foi um conjunto de coisas. A magia, o mistério, a originalidade do tema, os atores, a ambição do projeto... É uma história super original!
A possibilidade de falar com um público que não é fã de RBD também pesou?
Definitivamente! Essa é uma das coisas que mais me chamou a atenção. Tenho um público que talvez não veja novelas. Esse projeto tem uma parte criativa enorme, o seu visual é impressionante, pois foi todo gravado em HD. Até o público nerd vai gostar (risos).
Você já tinha se interessado por mágica antes de fazer o Luca?
Sempre gostei, desde pequeno. Eu comprava os kits de mágica, eles eram legais, mas nada comparado ao que faço no seriado. Tive uma preparação de duas semanas de mágica intensiva. Pratiquei e pratiquei para aprender os truques.
A série tem vários efeitos especiais. No primeiro episódio, você até levita. Houve alguma cena bacana ou difícil de fazer?
Para mim, a mais difícil foi uma em que estou submerso em um tanque d’água e estou amarrado. Nela eu tenho de me soltar em um curto espaço de tempo, antes que caíssem lanças sobre mim e eu me queimasse no fogo.
A música-tema de “Kdabra” ("Vivir soñando") é sua e, inclusive, já tem uma versão em português. Como está o seu português depois de tantas passagens pelo Brasil?
Não está tão bom como na canção! Na hora de gravar a faixa de um disco em outro idioma você tem um “treinador vocal” por perto. Um dos músicos que tenho agora é brasileiro e ele me ajuda a falar português. Ele pergunta se prefiro o acento do Rio ou o de São Paulo. (risos)
Em comunidades do Orkut já é possível encontrar os 13 episódios de “Kdabra” para download, inclusive com legendas em português. Qual sua opinião sobre isso?
Que incrível, não? (risos) Por um lado é bom, porque falam da série antes, mas, veja, eu os convido a assistir “Kdabra” pela Fox, em HD! É difícil ter uma opinião, não dá para dimensionar a problema. Penso que do jeito que está não haverá mais música daqui a pouco, porque não haverá mais negócios. Onde ficam os músicos com essa história? Mas eu entendo quem faz o download. No México há muitas pessoas que não têm recursos para comprar um disco de US$ 10, então os filhos o baixam ou pedem para o pai comprar no pirata por muito menos. É um assunto bastante complicado, tem de haver um balanço.
* Matéria publicada no G1
O homem de US$ 100 milhões
LOS ANGELES - Seth MacFarlane tem um toque de Midas. Nos últimos 10 anos, tudo o que saiu de sua cabeça virou um produto milionário. Começou com o desenho Family Guy, depois veio American Dad! e uma série exclusiva para o YouTube (Seth MacFarlane’s Cavalcade of Cartoon Comedy). Em 2010, a novidade é Cleveland Show: um derivado de Family Guy que chega ao FX no dia 25 de abril. No mesmo dia, o original também terá sua 9ª temporada estreando por aqui, no mesmo canal.
Ao Estado, MacFarlane contou os bastidores de suas produções incorretas.
Qual foi a sensação de ver Family Guy concorrer como melhor série cômica no Emmy de 2009?
Foi uma surpresa. É uma coisa rara, que só aconteceu com Os Flintstones, em 1961. Ser nomeado já foi uma vitória. Prêmios ficam legais em casa. Mas, no final do dia, não influenciam seu trabalho de maneira significativa.
A nomeação não chega a ser uma vingança? Afinal, Family Guy, em seu começo, foi cancelada duas vezes...
Não é, você precisa considerar o clima atual. Na época de Os Simpsons, as comédias tradicionais estavam no comando, ele concorria com Frasier, Friends... Até acho que Os Simpsons era melhor que eles e deveria ter sido nomeado nos anos 90. Agora, as pessoas estão mais receptivas a novos modelos de comédia na TV. Veja 30 Rock e The Office.
O que levou as animações a chegarem ao horário nobre?
Os Simpsons e Family Guy são programas com um visual que não é pegajoso como o dos infantis da Warner. Isso diz ao seu cérebro, subconscientemente, que trata-se de algo underground. Mas para compensar esse formato, que tira você da realidade, usa-se o modelo mais tradicional possível: a premissa familiar. Pode parecer uma teoria ridícula, mas veja Futurama (que foi cancelada): foi um programa muito divertido, com uma concepção muito elaborada. Ele teve sua audiência, mas o grande público o achou complicado demais.
Existe um assunto tabu em sua produções?
Existem alguns sensos comuns intocáveis. Você não faria uma piada sobre o 11 de Setembro, só se fosse algo muito, mas muito engraçado (risos). Mas, nos últimos anos, a gente começou a ultrapassar esse território aos pouquinhos. O caso do episódio sobre abortos foi uma exceção, mas a Fox nos deixou produzi-lo para colocá-lo no DVD depois. É como se falassem: "Isso pode nos ferrar. Mas, se for criativamente excitante para vocês, vamos nessa que depois descobrimos como fazer isso dar certo".
Li uma entrevista em que você dizia que a maconha prejudicava seu trabalho. Então não teremos mais momentos como a canção Bag of Weed (saco de erva)?
(Risos) Não sei onde você leu isso... Eu nem fumo tanta maconha assim!
* Matéria publicada no Estadão
Chloe: 24 horas
A atriz, que há nove anos dá vida à geek Chloe O’Brian, não chega a ter o conhecimento hi-tech da analista de sistemas que nunca sai da frente do computador a fim de ajudar Jack Bauer – seja dentro da CTU, de uma van em movimento ou de um quarto de hotel.
"Não sou nada ligada em tecnologia. Eu twitto, e é só. Isso é bastante técnico, certo?", ri a atriz, cuja personagem é uma figura tão icônica no universo digital que até serviu de inspiração para o batismo de um software de segurança do governo americano que protege aeronaves de terroristas: o Project Chloe.
Geek 2.0.
Mary Lynn realmente não é uma nerd vintage como Chloe, que faz a linha antissocial "eu nunca tiro a cara do micro". Ela é uma geek 2.0, que não liga para o hardware poderoso do celular, mas para a sua capacidade de comunicação. Que o diga seu perfil no Twitter, @rajskub.
Ao contrário das celebridades de Hollywood, que passam o tempo no microblog digitando "o que estão fazendo" – para desespero de empresários e assessores que ganham a vida controlando as palavras de estrelas milionárias do showbusiness – Mary Lynn usa os 140 caracteres para conversar com fãs, falar dos bastidores da série e, olha só, contar piadas. Uma faceta que pouca lembra a de Chloe.
"Eu gosto muito mais do Twitter do que do Facebook. É simplesmente mais fácil, tudo rola em tempo real", justifica ela, que aparece com frequência naquelas listas de "Top 10 famosos para se seguir no Twitter". "Eu sempre estou, né? Mas não entendo como nunca ganho mais seguidores com esse tipo de matéria. É até meio vergonhoso", brinca.
A noite dos 140 tweets.
Recentemente, Mary Lynn participou do evento beneficente A Night of 140 Tweets, em que 140 celebridades narraram seus microposts para a gravação de um DVD, cujo dinheiro das vendas será destinado aos sobreviventes do terremoto no Haiti.
"Estava pensando nessa manhã que ninguém está nem aí para o que você faz da sua vida. Então eu comecei a mentir no Twiter", provoca, depois que perguntei se Katee admitia pagar alguém para atualizar seu perfil.
"Eu ficava escrevendo ‘oh, estou com meu bebê agora’ ou ‘agora estou alimentando o nenê’. E percebi que isso é chato. Se eu disser que estou com a Rachel McAdams (atriz do filme Sherlock Holmes) minha vida fica mais excitante! Então em vez de escrever apenas ‘no parque, com o cachorro’, agora eu acrescento ‘com a Rachel McAdams’ no final", ri.
Mary Lynn pode preferir o Twitter, mas não menospreza o Facebook. E visita com frequência uma comunidade sobre a ela ali dentro. Outro hobby é sacar seu celular e tirar retratos de seu cotidiano. Parece narcisimo, mas a relação de proximidade com o público é ótima para o trabalho de Mary Lynn fora de 24 Horas – como a divulgação de seus shows stand-up, cujas piadas ela testa antes no Twitter.
"Antes de 24 Horas eu só fazia comédia; agora parece que só faço drama. Acho que as pessoas me veem muito como a Chloe, então passei a me revelar cada vez mais. Contar histórias pessoais é onde começa todo o meu processo de criação", explica.
O melhor exemplo é sua websérie Mary Lynn Is Having a Baby, em que brinca com as situações que, durante a gravidez, contava, em tom de deboche, no Twitter. "É a coisa mais pessoal que já fiz na vida. É divertido, porque, quanto mais velha eu fico, mais me sinto segura em contar histórias. E descobri que esse é o tipo de coisa que gosto de fazer".
* Matéria publicada no Estadão
22 de mar. de 2010
Só Jack Bauer salva?
São 86.400 segundos, 1.440 minutos, enfim, 24 horas. Jack Bauer nunca precisou correr tanto contra o relógio como neste seu dia de nº 8. A 8ª temporada da série policial estreia no Brasil às 23h desta terça-feira, 16, na Fox, e deve ser a derradeira na vida do agente que passou os últimos anos no papel de torturador, de torturado e de salvador do mundo por "x" vezes.
24 Horas é um ícone entre as séries da década. Entrou no ar dois meses depois do 11 de setembro, o que fez de seu protagonista um anti-herói na luta contra o terrorismo - convém lembrar que ela entrou em produção muito tempo antes da tragédia do World Trade Center. Provocativo para a época (trazia inclusive a figura de um presidente americano negro), o seriado inovou ao sugerir na TV o que seria um dia na vida de um agente especial do governo americano. A ação corria em tempo real, durante 24 episódios de uma hora cada.
Ironicamente, o formato é justamente o que levará 24 Horas ao seu cancelamento. Além de a trama ter ficado engessada (mudam vilões e mocinhos, mas a sinopse é a mesma), sua produção é muito cara e engenhosa. Somente o protagonista, Kiefer Sutherland, ganha mais de US$ 500 mil por episódio. E sem os prêmios e a audiência de temporadas anteriores, a Fox não tem receio de encerrar a produção - que, especula-se, renderá uma versão para a telona em breve.
"Não quero saber a sensação do fim, sei que isso acontecerá algum dia. 24 Horas é parte da minha vida: outro dia levei meu filho ao set e Kiefer leu um livro para ele. Quando entrei na série eu não tinha filho nem marido", diz Mary Lynn Rajskub, a Chloe, ao Estado.
Como é de praxe, a cada nova temporada, 24 Horas passa por uma grande renovação. A principal delas, desta vez, é a volta da CTU (Unidade de Combate ao Terrorismo), que foi desligada ao final do 6º ano e passou a temporada anterior trabalhando na clandestinidade, em conjunto com o FBI.
A nova CTU é descolada, sem paredes e com divisórias de vidro, tipo agência de publicidade moderninha da paulistana Vila Leopoldina. Ela também tem um quê de Batcaverna, por agora ser subterrânea e ficar em Nova York, uma importante novidade neste ano. "É uma cidade com uma energia bacana, uma vibração que tem tudo a ver com o show", acredita Annie Wersching, que faz o papel da agente Renee Walker.
Vovô Jack Bauer. No final da 7ª temporada, Jack Bauer esteve bem próximo da morte, após ser exposto a um componente tóxico. Mas é claro que ele não morreu. No episódio que vai ao ar na terça-feira, o agente - aposentado - mostra-se um cara família, avô presente, prestes a se mudar com a filha para Los Angeles, Califórnia.
Porém, uma fonte sua dos velhos tempos lhe passa a informação de um atentado ao presidente da fictícia República Islâmica do Kamistão, que está na ONU, em Nova York, negociando um acordo de paz com a presidente americana Allison Taylor (a vencedora do Emmy Cherry Jones). O país de mentira busca pôr fim ao seu plano nuclear.
O resultado é óbvio: mais uma vez Bauer põe o trabalho à frente da família e se alia à nova CTU para descobrir quem está por trás do ataque. Bauer aceita a missão por trabalhar novamente ao lado de uma surpreendente agente Renee Walker, que agora é praticamente uma versão feminina de Jack. "Ela está bem perigosa e obscura", adianta Annie.
Com o possível final da série à vista, a atriz sabe que o público torce para que Renee seja, oxalá, a pessoa com quem Bauer passará o resto de sua vida. "É um risco se envolver com ele. Não funcionou com outras mulheres", diz Annie, que ri ao escutar dos espectadores mais xiitas sobre a impossibilidade de se apaixonar por alguém em apenas um dia. "Não sei vocês, mas já tive momentos em que me senti conectada com alguém instantaneamente".
Turma de bajuladores
Com a CTU 2.0, novos personagens são apresentados. Katee Sackhoff é a analista de sistemas Dana Walsh, assim como John Boyd, no papel de Arlo. Os dois são o pesadelo de Chloe por serem mais competentes que ela, sempre tão esnobe. "Foi uma sacada bacana. Não é bom para ela, mas é divertido na hora de atuar. Você riu ao assistir?", pergunta Mary Lynn, conhecida nos bastidores por ser o oposto de Chloe. "A sinopse é tão pesada e os diálogos são tão complicados que trabalhar com ela é fantástico. Às vezes temos de olhar para sua testa para não rirmos em cena", brinca Katee.
Quem também integra a equipe da CTU é Freddie Prince Jr., como o militar Cole Artiz. Fora da TV há dois anos, o ator ficou famoso por ser o queridinho da América no começo da década passada. "Fiz filmes como ‘o’ bonzinho e todo mundo amou isso para vender revistas. A mídia me fez assim. Ao mandar minha fita (de audição) mostrei que não era apenas um sorriso", explica Freddie, inquieto sobre seu passado.
Entre os novatos, é regra elogiar a produção e o protagonista de 24 Horas. "O trabalho é fantástico, do cara que limpa a câmera ao diretor. É um programa difícil: você está em uma cena ao telefone com três pessoas diferentes, olhando para uma tela, enquanto cinco relacionamentos acontecem ao mesmo tempo. Kiefer faz isso como se cortasse manteiga", diz Boyd. "Já trabalhei com Al Pacino e Tom Hanks e me sinto nervoso no caminho ao trabalho todo dia", concorda Mikelti Williamson, intérprete de Brian Hastings, o novo diretor da CTU.
Hastings será o algoz de Bauer. "Ele é alguém com dificuldade de pedir desculpas ou admitir seus erros, aquela coisa de macho-alfa. Você não veria os dois saindo em casaizinhos", ri. O ator estava nos planos de Sutherland em 24 Horas desde o começo da série. Ele diz não lamentar a entrada tardia e sabe que, independentemente da decisão da Fox, a série não será esquecida. "Audiências do mundo todo ficam curiosas sobre a reação de um homem ou mulher que colocam a vida em risco por pessoas que nunca viram. Quem faz isso? Jack Bauer".
"Sempre o considerei um personagem político"
"Essa é uma missão para Jack Bauer". Durante os último nove anos, mesmo quem nunca assistiu a um minuto de 24 Horas sabe o significado dessa expressão. O personagem, mistura de McGiver com Capitão Nascimento, é um ícone pop.
Ao conversar pessoalmente com Kiefer Sutherland, a aura em torno de sua criação vai-se embora. Ele é baixinho e não grita, apesar daquela voz sussurrada. Tampouco é um brutamontes que dá mata-leões a esmo. É um gentleman. Mas não se engane: Sutherland é malandro, demora-se nas respostas e controla o tempo a seu favor para não ouvir o que não quer. Como Jack Bauer.Na 7ª temporada, Jack dizia não ter motivos para viver. Agora, avô, ele parece ter todas as razões do mundo. Essa é a pegada do 8º ano?
Se você olhar as outras temporadas, na segunda houve uma pequena chance de ele ter um relacionamento com a filha. Isso foi embora na temporada 3. Não tinha razões para viver e se apaixonou nos anos 4 e 5. Daí, (sua mulher) ficou em coma irreversível. Temporadas 6 e 7, bem, nada para se viver. Agora, ele tem todos os motivos, na esperança de reatar com a filha. A neta foi o catalisador de tudo. Ele não sabe direito como, mas quer ser um avô melhor do que foi como pai.
Mas isso claramente vai mudar em seguida?
Certas circunstâncias começam a indicar o início de um dia terrível. A situação surge, literalmente, batendo em sua porta, enquanto ele está arrumando as malas para ir embora. Essa relutância é bem interessante. 24 Horas, agora, vai num caminho diferente do que ele quer. Digo, ele está realmente se esforçando para fazer o possível para sair de Nova York.
Isso será um choque?
Não diria dessa forma, mas posso garantir que o personagem foi construído de uma maneira diferente da que foi nos últimos sete anos. Ele tem uma linha que não quer atravessar, mas flerta com essa possibilidade o tempo todo. Não é chocante. Uma das coisas que amo em Jack Bauer é que ele tem um senso de moral muito forte. Quando está em ação, ele certamente fará o seu melhor e dane-se o resto. É a coisa certa ou errada de se fazer. Se será bem-sucedido ou o oposto, isso não é relevante para o show. Nesse contexto, sempre considerei Jack Bauer um personagem muito político.
É estranho ser um avô?
Não, eu tenho um neto de quatro anos. Ele parece um lutador de boxe combalido: fica caindo o tempo todo. Ele corre o mais rápido que um humano pode, e daí cai! Isso me fez desejar ter sido pai um pouco mais velho, eu seria muito mais esperto. Mas não acho que a paternidade tenha me mudado como pessoa. O jeito mais fácil de explicar isso é que eu era pai e morava em uma casa com Billy Zane, Robert Downey Jr. e Sarah Jessica Parker (Risos).
Você acredita que os melhores roteiros e papéis, aqueles mais desafiadores, estão, hoje, na televisão? Vide shows como Mad Men, Breaking Bad e o próprio 24 Horas?
Todos são desafiadores. Não quero entrar nessa de que trabalhar na TV é melhor ou mais complicado. Se você quiser entender a razão de a indústria televisiva ter expandido tanto, dê uma olhada no que aconteceu na indústria cinematográfica. Enquanto eu crescia, os EUA faziam filmes como Laços de Ternura e Gente Como a Gente. Tente achar isso agora. Chamávamos isso de filme de 15 ou 20 milhões. Hoje só fazem isso na Europa, de vez em quando surge O Lutador ou Quem Quer ser Um Milionário?. O resto é Homem de Ferro ou outro blockbuster com tecnologia visual. Esse é o último ano da série? Não sabemos, tchau!
* Matéria publicada no Estadão
24 de fev. de 2010
Elizabeth Mitchell: a Juliet agora é Erica
O remake é parecido com a versão original?
23 de fev. de 2010
Na natureza selvagem
O tal lugar é um luxuoso hotel na periferia de Los Angeles, rodeado de papparazzi do lado de fora. "Não me sinto bem em lugares assim. Até nas férias eu gosto de me enfiar na mata", brinca.
O zoólogo com pinta de galã ganha, a partir das 22h de quinta-feira, dia 18, mais um programa semanal no Animal Planet: Selva de Feras. Em seis episódios, ele irá visitar áreas de conflitos entre humanos e animais selvagens. Na Zâmbia, por exemplo, elefantes são eliminados por acabarem com campos inteiros de lavouras.
Desde criança Salmoni é um apaixonado pela vida selvagem. "Eu até me dava melhor com humanos quando era pequeno", ri. "Mas não existem pessoas apaixonados por cães, gatos ou cavalos? Eu me apaixonei por tigres, elefantes e leões."
Durante o tempo em que não está realizando documentários e especiais para o Animal Planet, ele divide seu tempo livre entre suas casas no Canadá e África do Sul - localizadas estrategicamente perto de selvas e florestas. "Minha maior sensação de calma é quando divido espaço com esses bichos", conta ao Estado.
Salmoni apareceu para a mídia com o documentário Operação Tigres de Bengala. No filme, o zoólogo passou três anos ao lado de filhotes dessa raça, e sua tarefa era pegar esses animais, que nasceram em um zoológico americano, e os ensinar a caçar e viver em liberdade em seu hábitat natural.
"Peguei os tigres com três meses de idade. O mais difícil foi ensiná-los que os seres humanos não são perigosos", explica. "A maioria dos animais não quer lhe matar. O objetivo de Selva de Feras e dos meus outros trabalhos é buscar decifrar essa mudança de comportamento, e o que os leva a atacar alguém", continua.
Salmoni sabe muito bem o que é isso. Seu primeiro animal selvagem foi o leão Bongo. "No final da década de 90, todos os filmes com leões tinham o Bongo. Sabe o leão de estimação do (filme) George, o Rei da Floresta? Era ele!", conta.
Porém, Bongo tentou matar o zoólogo em 1999. Em todos os seus programas, ele costuma citar o caso e dizer como isso o marcou para a vida toda. "O Bongo era muito durão. Com ele aprendi uma lição que não existe em nenhuma faculdade: saber quando o bicho vai me matar", afirma.
"Hoje eu sei que esses animais nunca vão me amar do mesmo jeito que eu os amo."
*Matéria publicada no Estadão
14 de fev. de 2010
Grau 26 mistura literatura com seriados e redes sociais

Escrito por Anthony E. Zuiker, o criador da popular série de TV CSI, em parceria com Duane Swierczynski, a obra é um livro policial misturado com elementos cinematográficos e rede sociais. Estão chamando isso de “digilivro” (http://www.youtube.com/watch?v=6GfYeaU7r9A). Mas, antes de saber o que é isso, entenda a história de Grau 26. O romance fala sobre um psicopata que foi incluído dentro de um novo grau de perversidade. Quem trabalha com a lei sabe que os homicidas são classificados em 25 graus, de oportunistas premeditados a torturadores metódicos. Mas acontece que há mais de duas décadas um serial killer apelidado de Squeegel obrigou a polícia americana a classificá-lo em uma categoria: o grau 26.
Ele nunca deixou um vestígio para trás. Não tem uma assinatura, um método, nada. Mata qualquer pessoa que passar pela sua frente – menos bebês. Veste uma roupa de látex que cobre o corpo todo, apenas com aberturas nos olhos e um zíper na boca. Somente um perito criminal conseguiu chegar perto de Squeegel: Steve Dark. Os outros morreram ou ficaram loucos. Após ter toda a sua família adotiva morta pelo psicopata, Dark larga o caso e a profissão. Anos depois é “obrigado” a voltar a caçar o serial killer, que agora é quem o persegue.
O que existe de digital no livro aparece ao final de alguns capítulos. Em momentos de cliffhanger (aquele suspense final que trará uma revelação surpreendente), a história é interrompida e mostra o endereço do site http://www.grau26.com.br/, com um código de acesso para ver um vídeo que mostra o que vai acontecer. São 20 desses ao todo. É preciso entrar na página e criar um cadastro. Ela é praticamente uma rede social para os leitores conversarem entre si. Ao fazer uma conta, os primeiros amigos que aparecem são, justamente, os autores. Os vídeos têm entre dois e três minutos, trazem legendas em português e lembram um seriado online.
A fórmula é interessante, mas acaba com a imaginação do leitor. Vemos, em carne e osso, os personagens descritos na obra literária, assim como os cenários que criamos em nossas cabeças. Também não é nada prática ler um livro com o computador ligado ao lado, para fazer aquilo que Zuker chama de ciberponte. Um livro exige concentração e dedicação. Precisar entrar em um site para ver um filmete dispersa um bocado. O objetivo dessa interação é fazer de Grau 26 uma experiência.
É preciso deixar claro que ele pode ser lido normalmente: aquilo que aparece nos vídeos é descrito algumas páginas à frente, ou seja, as ciberpontes são um complemento do romance policial - muito bem escrito, por sinal, com uma história envolvente e viciante. No final, o que importa mesmo é o conteúdo literário, não o digital. Mesmo assim, conferir o universo de Grau 26 dentro da web é uma obrigação, até para entender esse formato, que indica uma nova forma de leitura. Essa interação pode não funcionar perfeitamente com um livro tradicional, mas irá permitir um grau de imersão interessante em e-books.
* Matéria publicada no Virgula
5 de fev. de 2010
Lost: dois homens e um segredo
LOS ANGELES - Lost não é só um programa de TV. É um universo, cuja história é complementada em jogos de realidade alternativa (os ARGs), games para celular e iPod, podcasts, blogs, livros e episódios exclusivos para a rede. O começo do fim deste universo aconteceu a partir amanhã, com a estreia da 6ª e última temporada nos EUA - e no dia 9 no Brasil, pela AXN.Mas quem vê Lost sabe: assim que se ouvir o tradicional "poum", com o logo da série em um fundo preto, indicando o final do episódio, uma correria tomará a web: o mundo todo irá baixá-lo e legendá-lo em tempo recorde. Fora quem já o assistiu, ao vivo, por serviços de live streaming.
Para entender a engrenagem da série, é preciso conversar com os produtores e principais roteiristas da trama: Carlton Cuse e Damon Lindelof. A dupla é responsável por quase todos os mistérios e enigmas da produção, além de fazer parte do seleto clube que já sabe o final de Lost.
"Chegamos à imagem final na 1ª temporada. O fim ainda não foi escrito, há toda uma mistura de mitologia e elementos que estão intactos para esse momento, pois muita coisa relacionada aos personagens ainda será trabalhada", disse Cuse, em coletiva realizada em Los Angeles, pouco antes do Estado ser o único veículo brasileiro a falar com exclusividade com a dupla em 2010.
"Faz parte do processo criativo. Se alguém dissesse, cinco anos atrás, que o Sawyer se tornaria o xerife da Iniciativa Dharma em 1977, isso soaria a coisa mais ridícula do mundo. É divertido saber o final sem termos ainda a sua execução pronta."
Para o season finale, Lost irá mudar a narrativa mais uma vez. Depois dos flashbacks e flashforwards, vêm por aí duas realidades - umas delas, alternativa. A dupla sabe que pode arriscar, pois conhece bem o "nível" do telespectador da série: no podcast oficial do seriado, eles se divertem com as teorias dos fãs. "Tenho certeza que Lost não existiria se não houvesse esse enorme debate sobre a série", resume Lindelof, enfatizando a repercussão que o seriado encontra depois que vai ao ar - e que se multiplica exponencialmente online. Porém, o fato de ter um público específico é uma pressão enorme sobre os dois, ainda mais no 6ª ano.
"O pior final que poderíamos dar seria o final seguro, atrativo para um maior número de pessoas", diz Lindelof. "Obviamente, nem toda questão será explicada e muita gente ficará chateada por não ver certos momentos resolvidos. Sinto que seria muito pedante nos concentrar apenas em responder as dúvidas", completa Cuse.
Muito se especula sobre o futuro de Lost. Por ser uma produção multiplataforma, com extensões no mundo da literatura e dos games, a expectativa é que a série renda produtos. Dizem até que um dos parques de diversão da Disney, distribuidora do seriado, pode ter um brinquedo de Lost! "A história que contamos há 6 anos acaba em maio, não pensamos em sequência", rebate Cuse. "Vai ter gente falando que é o pior final da história da TV. Mas tem gente, como a minha mãe, que diz que será o melhor final de todos, apesar de ela não entender o programa", ri Lindelof.
A preocupação com os fãs fervorosos explica porque a série não é queridinha da crítica. "Em premiações, você manda três DVDs separados com dois episódios cada. Para quem não assiste ao show, avaliá-lo fora do seu contexto é desafiador. Contar a história de uma maneira mais acessível seria uma forma de alienar o fã", diz Cuse.
Apesar desse discurso, eles admitem que o último ano de Lost é mais acessível. "A narrativa é diferente e não exige um vasto conhecimento sobre o show. As histórias desse ano estão conectadas com o primeiro ano. E ter visto a 1ª temporada é a parte mais importante agora", explica Cuse.
No final da coletiva, cito para a dupla a tese do primeiro parágrafo e pergunto sobre o legado da série. Lindelof: "Acredito que o legado acontecerá de duas maneiras. Uma semana após o final só se irá falar dele. Estava comentando sobre o final de Família Soprano outro dia: não lembrava se o A.J. tinha ido ou não ido ao exército. Mas me recordava, quadro a quadro, da cena do jantar e do final", diz. "Conforme o tempo passa, lembra-se de Sopranos como um todo. Desejamos que as pessoas lembrem da experiência de assistir a Lost, e de como elas se sentiram gratificadas e felizes por terem dedicado 120 horas de tempo e energia a ele"
***
Carlton Cuse
Produtor-executivo de Lost e um dos principais roteiristas da série. Natural da Cidade do México, estudou em Harvard e participou do roteiro de filmes como Máquina Mortífera 2 e 3 e Indiana Jones e a Última Cruzada. Seu primeiro trabalho como roteirista na TV foi em Crime Story (1986-88), produzida pelo cineasta Michael Mann.
Damon Lindelof
É o criador de Lost, ao lado de J.J. Abrams (Fringe, Alias, Cloverfield), além de ser um dos produtores-executivos. Assina os textos dos episódios mais marcantes de Lost, geralmente aqueles que trazem grandes viradas para a trama. É um dos criadores da série Crossing Jordan e também atua como escritor de HQs.
20 de jan. de 2010
Simpsons Arcade: clássico dos fliperamas revive no iPhone
O iPhone ou o iPod Touch viraram uma ótima opção para os saudosistas de games do passado. Além de Sonic 1, Pac Man e Space Invaders, os aparelhos da Apple agora tem dentro da App Store mais um novo ótimo game que ressuscitou dentro da plataforma. Trata-se de The Simpsons Arcade, que saiu nos EUA no final de dezembro.Lançado em 1991 para PC, mas popular mesmo nos fliperamas, o antigo game da Konami recebeu uma roupagem nova pelas mãos da Electronic Arts. Os gráficos estão incríveis, com todo o colorido moderno do desenho de Matt Groening. A jogabilidade também é bem interessante.
No game de quase 20 anos atrás, a história girava em torno do bebê Maggie, que engolia um diamante poderoso. Toda a Springfield corria atrás dela e cabia ao jogador escolher Homer, Bart, Lisa ou Margie para defendê-la. Agora, o roteiro mudou um bocado: desta vez, as figuras mais poderosas da cidade conseguiram um modo de roubar o dinheiro de toda a população.
A informação, armazenada em um pen drive, é escondida numa rosquinha. É claro que ela acaba parando nas mãos de Homer. Porém, aqueles mesmos poderosos a tomam de volta, o que provoca a fúria interior do patriarca da família Simpson, que irá enfrentar seguranças do prefeito e vários agentes para ter de volta a guloseima.
Os controles do jogo simulam os botões de uma máquina de fliperama. Do lado esquerdo da tela touch screen fica o direcional, movimentando o Homer apenas para cima e para baixo da tela, igual alguns games de antigamente, como Double Dragon. Na parte direita estão dois: um verde, para pular, e um vermelho que serve para chutar, socar, dar cabeçadas e segurar objetos como caixas, tacos de baseball e barras radioativas. Todos esses item, é claro, servem para o quebra-pau.
Uma pena que no game só seja possível brincar com o Homer, ao contrário da versão original. Em poucos momentos dá para se chamar os outros personagens. Bart sobe no pescoço do pai e atira pedras com um estilingue, enquanto Lisa acerta todos enquanto pula corda. Maggie, no colo da mãe, dá umas cacetadas no coco de Homer, que sai batendo em todo mundo. Nesse momento é preciso usar o acelerômetro do iPhone/iPod Touch, para ajudar a direcionar o personagem.
Simpsons Arcade é curtíssimo e muito simples. São seis missões ao todo que correspondem a cerca de 20 fases. É muito fácil socar os agentes e os únicos momentos desafiadores estão as lutas contra os chefões.
Trata-se de um game divertido, com excelente resolução de vídeo e interessante jogabilidade. Consome bateria demais, basta 1h de jogo para sentir seu intenso consumo de energia. Ele tem um tamanho de 50.9 MB e custa US$ 4,99. Infelizmente, só está disponível para quem tem conta nos EUA, mas é possível baixá-lo de graça na internet. Para isso é preciso instalar programas que “destravam” os dois gadgets, o que fica por conta e risco do leitor.
* Matéria publicada no Virgula
19 de jan. de 2010
"Não tenho saudades do Rá-Tim-Bum"
Os óculos vermelhos indicam um olhar para o passado. Mas não, não será dessa vez que o ligeiro repórter fictício Ernesto Varela sairá do baú. Um dos grandes responsáveis pela formação da “geração Rá-Tim-Bum”, Marcelo Tas está de volta ao universo infantil, com um novo programa no Cartoon Network. Plantão do Tas estreou no dia 31 e virou um noticiário diário com asTas, que em 2009 teve mais exposição na mídia que Ivete Sangalo (ela teve um filho, por isso o 2º lugar), falou sobre como será conversar com as crianças conectadas de hoje, 13 anos depois do Professor Tibúrcio e do Telekid. E aproveitou para criticar a TV Cultura e explicar como o CQC virou a maior vidraça de sua carreira.
Era um desejo antigo ter um programa para as crianças?
Vem de muito tempo, há cinco anos converso com o Cartoon. A gente só não conseguia encaixar. Foi muito legal o jeito que aconteceu: em 2007, fui convidado para dirigir umas vinhetinhas para o canal. Elas iriam para toda a América Latina e a do Brasil não tinha ficado muito boa. A produtora era a Cuatro Cabezas (do CQC). Então me aproximei tanto da produtora quanto do
canal.
É um plantão de notícias de última hora. Estou em um estúdio muito realista, parece até de jornal da Globo. Só que as notícias são totalmente absurdas, então, a forma é muito realista, mas o conteúdo não. Essa é a graça. Sou o âncora e há dois repórteres crianças, que sempre chamo em algum lugar ao vivo. O bordão é dar as “notícias da hora”.
Ao contrário de adulto, criança não muda muito. É sempre um público difícil, de características parecidas, que só se interessa por coisas que são importantes. Adulto que dá importância a um monte de besteira. Elas só param de fazer um negócio “memo” quando vale a pena. Nesse sentido, não mudou muito. O que mudou foi a velocidade, as crianças têm uma capacidade para
assimilar linguagem que acho incrível. O jornal é bem ousado em termos de formato, assim como era o Rá-Tim-Bum. A gente via ele ficando pronto e falava “nossa”. Diziam que as crianças não iam entendê-lo...
Exatamente! Adulto querendo dizer o que é bom. O segredo é não falar para criança com linguagem de criança; ela tem horror desse tipo. Falo normalmente, nunca saiu da minha boca a palavra “galera” na hora de falar com o jovem.
(Risos) Pode ser! Não dá, não é assim. Minha linguagem no CQC é a mesma do blog e, inclusive, do Plantão do Tas. O que muda é o conteúdo. Um projeto de criança que busca falar como criança será um fracasso. “Você aí sentadinho...” Isso não existe. Tanto que muita criança assiste ao CQC, apesar de eu não recomendar.
A Cultura perdeu várias chances, ela era referência de TV infantil no Brasil e no mundo. Perdeu-se a chance de dar continuidade a uma escola de roteiristas, atores, bonequeiros, figurinistas... Isso vale ouro! Minha visão é que ela tentou reinventar a roda três vezes. O Rá-Tim-Bum, um projeto extremamente ousado e bem-sucedido, foi abandonado para virar o Castelo, que também foi muito bem. Não precisava parar! Arriscou, tudo bem. Daí, em vez de ter continuidade, inventaram a Ilha, que fracassou. O Vila Sésamo está há décadas sendo produzido.
Claro que não. É uma mentalidade de prefeito de interior: um vai lá e faz uma ponte, daí vem um novo que faz uma caixa d’água nela só para poder pôr o nome na obra. A Cultura perdeu a mão em uma área em que era líder, abrindo espaço para as emissoras de cabo. Hoje não vejo ninguém deixando os filhos vendo programação infantil de TV aberta.
Além dos dois programas, você também faz palestras e eventos publicitários pelo Brasil, tem blog e Twitter muito ativos... Qual é o seu grau de comprometimento com as atrações?intimidade e rapidez com eles que me permite fazer um CQC a distância muitas vezes. Um deles eu trouxe do Saca-Rolha e ele agora está no Plantão do Tas.
Tem algum ex-programa seu que você considera ter sido injustiçado?
O CQC recebeu neste ano suas primeiras vaias. Como isso repercutiu entre os integrantes?
Não é verdade. O cara que inventou o CQC, o Diego Guebel, me mostrou a curva de amadurecimento do CQC brasileiro: conseguimos em um ano e meio o que as versões dos outros países, incluindo a Argentina, tiveram em seis anos. A avaliação dele é que o CQC brasileiro tem originalidade. O (quadro) Controle de Qualidade não existia, o concurso da nova integrante é nosso. É quebra de formato total! Estamos virando um “case” de sucesso para os outros CQC.
* Matéria publicada no Estadão no final de dezembro















