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7 de set. de 2009

Duas séries, duas épocas

Passei este feriado tirando o atraso que tinha em relação à algumas séries televisivas do qual sou fã. Neste último domingo, matei o que faltava de Mad Men, para que eu ficasse sincronizado com o espectador americano. Vi também mais alguns episódios da 2ª temporada de Breaking Bad, que já terminou por lá. Ambos são programas do canal a cabo AMC.

Mad Men, para quem não sabe, retrata a vida de uma agência de publicidade de NY no começo dos anos 60. Não parece muito convidativo, eu sei, mas o bacana da série é como os costumes e hábitos culturais dessa época são ali retratados.


Para eu, filho do final do século 21, chega a ser chocante ver cenas como a que acompanho nesta 3ª temporada da obra de Matthew Weiner. Betty Drapper (January Jones), grávida do terceiro rebento, acende um cigarro no outro, enquanto perambula pela casa com seus belos vestidos floridos. Ninguém diz nada.

Daí eu pulo quase 50 anos e chego em Breaking Bad. Skyler White (Anna Gunn) também está grávida, mas do seu segundo filho. Gravidez inesperada, ela já passou dos 40 anos. Bateu aquela vontade de fumar um cigarrinho. Escondida, no carro, umedece a ponta dele e olha com culpa pela janela. Uma senhora, em outro veículo, faz um sinal de reprovação.

Betty leva a vida idealizada pela sociedade americana, aquilo que lemos nos livros de história sobre o pós 2ª Guerra Mundial como American Way of Life. É rica, jovem, tem uma bela casa. Nem cuidar dos filhos precisa, já que tem uma babá o tempo todo. Fuma por prazer - ou "imposição cultural", já que 95% dos personagens de Mad Men vivem na fumaça de suas baforadas.

Skyler é uma fodida, da classe média americana, com sua hipoteca para pagar. Não tem emprego fixo, seu marido tem câncer terminal e seu filho adolescente sofre de paralisia cerebral. É repreendida pelo esposo quando decide comer um mero panini porque ele tem sódio, o que faria mal ao nenê. Fumou três cigarros e meio por um breve momento de prazer, enquanto tudo ao seu redor se desmorona.


Fiz esse paralelo com o objetivo de chegar a uma conclusão, mas tá difícil. Só consigo pensar que nossa vida está mais chata. Há quase um ano, quando me vi primeira vez na indo morar numa casa sem ninguém de minha família por perto, passei por uma situação engraçada no supermercado: eu podia decidir o que comprar.

Sempre tive tudo light nos meus lares, do refrigerante à maionese. O pão, aos poucos, virou integral, assim como as bolachas foram sendo substituídas pelas barras de cereais. Dez meses depois cá estou: vivo e mais magro, inclusive. Na minha geladeira só há "alimentos normais", imorais, que ainda não são ilegais, mas dizem que engorda.

Tava conversando outro dia sobre a primeira vez que vi um refrigerante diet, no começo dos anos 90. Era coisa de gente doente, diziam, como meu avô diabético. Hoje todo mundo bebe a mesma parada sobre o rótulo de Zero, porque os publicitários dizem que é mais juvenil.

Quando estive nos EUA, há algumas semanas, fiquei com vontade de alugar um carro à diesel, só para protestar contra a onda "Go Green" que assolou aquele país. A prefeitura de Los Angeles tá implementando o cartão de bilhete único em seu transporte público, com a desculpa de que isso vai evitar o gasto com papéis e ajudar ao meio-ambiente.

[Gente, o cartão é ótimo porque é uma tecnologia feita para deixar nossa vida mais prática, para que ninguém mais pegue filas nos ônibus ou nos metrôs. E ponto final!]

Não gosto de cigarro, acho ótimo ir à balada e voltar para casa com o cheiro do meu perfume, mas toda essa proibição, essa vigilância, incomoda-me um bocado. O pior é que a gente vai integrando essas regras em nossos cotidianos sem perceber. Minha mãe diz que adorava jogar lança-perfume em seus amigos nos carnavais de sua infância. No domingo ela tentou me convencer a experimentar um hambúrguer de soja.

Sei que essas restrições têm o objetivo de tornar nossa vida mais saudável. Mas fico imaginando como ela será daqui uns anos. Tipo ser chamado pela diretora da escola porque meu filho foi pego levando Coca-Cola normal na lancheira.

Algo assim.

12 de ago. de 2009

Comic-Con, a verdadeira vingança dos nerds

Durante as últimas duas semanas, estive nos EUA, meio que trabalhando, meio que de férias. Em relação à primeira parte, fui cobrir a Comic-Con, um antigo sonho.

Para quem caiu de paraquedas, a Comic-Con é o maior evento de cultura pop (ou nerd) do mundo. Nasceu há 40 anos, para celebrizar a cultura dos quadrinhos e estreitar a relação entre artista e fã. Com o passar dos anos foi crescendo, e hoje abriga filmes, seriados de TV, games, mangás... E HQs, lógico.

Durante os 4 dias em que estive no evento, encontrei pessoas de todas as idades que, ao primeiro olhar, parecem serem nerds, daquele tipo que a gente imagina ter saindo de um filme dos anos 80 que é exibido exaustivamente nas sessões da tarde. Mas, na verdade, são bem diferentes. Pois não são nerds sociais, que não vivem enclausurados, dentro de uma bolha. O grande exemplo é a relação desse público com a tecnologia: eles gostam do digital pelo o seu elemento puramente social.

Na Comic-Con, os freqüentadores são grandes admiradores de gadgets. Se gostam de uma filmadora, ela não precisa ser top de linha, com disco rígido interno ou fazer filmetes em HD. Serve a Flip, aquela pequena, de bolso, que filma em qualidade razoável mas passa os vídeos diretamente para o YouTube. Videogame portátil era jogado em rede, via Wi-Fi. O iPhone, cuja câmera está aquém da os seus concorrentes, era figurinha fácil no evento graças a sua facilidade de navegação na internet. As pessoas usavam o celular da Apple para tirar fotos dos famosos e das pessoas fantasiadas. Em segundos essas imagens estavam no Twitter. Comic-Con, aliás, foi a #hashtag líder dos trending-topics do microblog nos dias do evento.

Esse tipo de comportamento é o que a indústria do entretenimento tanto procura. O nerd é hoje o grande consumidor a ser atingido. Por isso que a Comic-Con traz em primeira mão os grandes lançamentos da cultura pop, que cada vez mais pode ser chamada de cultura digital.

Nos cinemas, só deu filme em 3D – que o diga o sucesso tremendo da exibição de Avatar, de James Cameron. Em relação aos quadrinhos, o mestre Stan Lee apresentou uma HQ multimídia, Time Jumper, para o iTunes e celulares. A produção de conteúdos televisivos para a internet roubou a cena. Do lado de fora do Convention Center, a cada dois passos se recebia um flyer sobre uma nova websérie. Lá dentro, Lost punha no ar um site que promete ser seu mais novo game de realidade alternativa (ARG). Grande novidade da edição 40, as sessões de How To ("Saiba Como") ficaram marcadas pelas aulas que ensinavam como criar games para celular ou quadrinhos para o iPhone.

Mas o que tem o nerd de tão especial?

Ora, ele é o consumidor perfeito. Que, quando se identifica com um produto, venera-o imensamente. Veja uma serie de TV. Esse novo espectador a assiste primeiro pela internet, pega a reprise na televisão fechada, na aberta, e compra o box da temporada em DVD. Também é um formador de opinião, que vai usar sites, blogs e microblogs para gerar um buzz em torno da atração.

É um poder tão grande que pode evitar que um programa de baixa audiência não seja cancelado. Um exemplo é Chuck, cujos fãs criaram um movimento gigantesco na internet para a série ser renovada – até patrocínio conseguiram! Zachary Levy, o protagonista da atração, participou intensamente da campanha. "Tenho certeza que a gente não teria uma terceira temporada se não fosse o nosso público", contou.

Também em entrevista, Chuck Lorre, criador das éeries Two and a Half Men e The Big Bang Theory, definiu bem o papel do nerd atual. “É o novo super-heroi, a pessoa que vai salvar o nosso futuro”.

Quando diz “nosso futuro”, ele não está se referindo à indústria do entretenimento. Mas a nós, cidadãos comuns.

* Gostou das imagens que ilustram este post? Fiz um álbum no Flickr com o melhor do que foi registrado pela minha câmera. Vai lá!

5 de jun. de 2009

Gustavo, o gênio


"A primeira vez em que a gente é mandado para fora da sala de aula é algo inesquecível".

Estava dando uma lida agora pouco na linda edição especial que a escritora Ruth Rocha ganhou do Estadinho, pelas mãos da Caramico, em razão dos seus 40 anos de carreira.

Além, claro, da Coleção Vagalume, credito à Ruth uma certa influência por me fazer o escriba que sou hoje. Minha tia Marize me apresentou às principais obras dela durante minha infância. Devorei Marcelo, Marmelo, Martelo e a coleção A Turma da Nossa Rua numa sentada só, quando passei as férias na casa de minha avó Antonia.

Mas o motivo que realmente faz de Ruth uma pessoa inesquecível para mim é a sua presença na primeira vez em que fui mandado para fora de uma sala de aula.

[Antes, um adendo: como a minha mãe (e família) agora lê o DPL!, preciso explicar algo primeiro:[durante minha vida escolar levei uma mera advertência, na 5ª série, porque estava tirando as plaquinhas de identificação das carteiras. E só. E fui "convidado a sair da classe" outras duas vezes. Uma porque falei que a mãe do Osvaldo não se importava com ele, na 7ª série, e outra porque atirei um apontador de netal na cabeça da Daniela. Essa foi no 2º colegial.Posto isso, vamos lá.]

O meu début aconteceu na 2ª série e justamente durante uma prova de português, matéria que sempre, com o perdão do trocadilho, tirei de letra. Parte da redação era sobre a obra Eugênio, o Gênio. Nunca esqueço a capa com aquele burro usando óculos de grau.

Fiquei traumatizado.

Eu estava na dúvida se Ruth tinha agá ou não. Caxias que era, abri a minha mochila da Pakalolo e tirei o livreto. Segurei-o nas minhas coxas e verifiquei. Ok, era com agá mesmo. Nem tive tempo de guardá-lo. A vaca (de tamanho e de caráter) da Annelyse, uma tremendo dedo de seta, gritou "TIA DIVA" e ficou olhando para mim.

A tal tia Diva foi até a minha direção, pegou-me pela mão e me encaminhou até a diretoria. "Que decepção! Justo você, Luiz Gustavo!".

Não tomei suspensão nem advertência. Tampouco acho que ligaram para os meus pais. Não deu em nada, creio. Era bom aluno. Já a Annelyse ficou gostosa e fornida, tipo garota de capa da Sexy Premium, e apresentadora de uma TV online "de Sorocaba e região".

É o que o Google acabou de me mostrar.

* Ilustração: Mariana Massarani

1 de jun. de 2009

Nova comparsa

Em tempos em que blogueiro só se preocupa em republicar, retwittar e re-sei-lá-mais-o-quê, é muito bacana conhecer gente nova que se dedica aos verdadeiros blogs moleques, que jogam para a frente, sem três zagueiros e três volantes.

É o caso da Myka Doorks, de 17 anos (mesma idade que comecei a blogar). A atriz escreve belas crônicas no Letra Cereja e vale o clique.

Bem-vinda, nova comparsa! =)

29 de mai. de 2009

@MarceloN


Uma das coisas mais curiosas da web 2.0 é como você passa a fazer parte da vida de uma pessoa que não conhece. Vou dar um exemplo: o leitor deste blog, que tiver interesse em saber o que eu leio, escuto, assisto e afins, poderá fazê-lo. Seja por meio daqui ou de meu Twitter, do meu Flickr, Blip.fm, etc. Não sou o Gustavo Miller, mas o @gustavomiller. Sigo várias pessoas na internet desta forma. Nunca os vi pessoalmente, mas os considero próximos; tenho que tê-los por perto, sabe?

Fiz esse páragrafo para dizer a vocês qual era o meu relacionamento com o jornalista Marcelo Nobrega, do excelente blog Futuro.vc. Conheci-o numa viagem à trabalho em 2007. Excelente profissional e pessoa. Lembro que foi dele o primeiro iPhone que senti em mãos. Nunca mais o vi desde tal viagem, mas a impressão é que ele era alguém com quem eu conversava toda a semana.

Era leitor assíduo do seu blog, lia o seu Twitter e sempre via as belas fotos de seu Flickr (como a que ilustra este post). Tinha-o como amigo no Facebook e por algumas vezes vi seu nome aparecer na minha lista do Gtalk com a bolinha verde. Nunca puxei papo com ele, veja só. E estou com o coração apertado por não tê-lo feito.

Ele faleceu hoje, de uma morte besta, daquelas que revolta. Infarto fulminante, enquanto dormia. Rapaz novo, não faz sentido, parece que não é verdade. E já sinto a sua falta como se um grande amigo meu, daqueles de colégio mesmo, tivesse partido.

Sou um grande defensor de como a internet é algo humano. Eu tinha vários exemplos para confirmar essa tese, mas a notícia da morte do Marcelo é a maior prova, sem dúvida.

Vai com Deus, cara.

11 de mai. de 2009

De volta aos 11 anos de idade

Quando eu tinha lá os meus 11, 12 anos, viciei numa banda. Parei de compras figurinhas e gibis da Mônica, e usei toda a mesada de dois meses para comprar todos os 3 CDs dela no Mappin do shopping. Passava o dia lendo os encartes de cada disco. Decorava as letras de cada música. Sempre com o dicionário Inglês/Português ao lado, pois ainda não existia Google. Levava o Diskman para a escola e fazia minhas redações e maluquices da aula de Educação Artística ao som deles. Nem imagino quantas pilhas eles já me fizeram comprar.

Era fã mesmo. Comprei uma jaqueta da Adidas e fechava seu zíper até o pescoço, para imitar o estilo dos caras. Comprei um pandeiro meia-lua vermelho porque o vocalista da banda tinha um. E, nos meus sonhos, quando eu tivesse a minha própria banda de rock seria marrento que nem ele. E todos os meus shows abririam com Rock'N'Roll Star.

Foi ao ver o set list da atual turnê do Oasis que decidi ir no show deles aqui em São Paulo. Não estava muito empolgado. Em 1998, quando eles vieram pela primeira vez, diziam que eu era muito pequeno para sair de Sorocaba e pegar um ônibus até a capital para ver sozinho um show de rock no Sambódromo. No Rock In Rio de 2001 não tinha nenhum amigo corajoso ao ponto de se aventurar comingo na capital fluminense. Já em 2006 eu dei vacilo: deixei tudo para a última semana e os ingressos esgotaram. Fiz essa besteira de birra, porque sabia que eles não tocariam Supersonic...

(Mas me ferrei depois, já que os Gallagher, durante toda a turnê de Don't Believe the Truth, SÓ tocaram ela em São Paulo)

Porém, a lista desta vez estava matadora, tão boa quanto a última vezes deles no Brasil, e novamente dando um grande destaque para os clássicos Definetely Maybe (1994) e (What's The Story) Morning Glory?, de 1995. Supersonic com certeza seria tocada. Morning Glory idem. Cigarretes & Alcohol também, assim como o trio de ferro Wonderwall, Don't Look Back in Anger e Champagne Supernova. Até Slide Away estava prevista. Live Forever ficou de fora, tudo bem. Sua ausência ficaria compensada pela música de abertura (de abertura!). Ela mesma: Rock'N'Roll Star.

Pois é. R$ 180 mais pobre e lá estava eu, numa típica noite-fria-com-garoa de São Paulo. Fazia tempo que não ficava tão ansioso para um show. Ainda bem que nem deu tempo para mais nervosismo. Foi só passar as catracas do Anhembi para escutar a clássica introdução playback de Fuck in the Bushes. Foi preciso andar muito rápido e sair trombando em todo mundo para chegar a tempo de escolher um lugar, respirar e apreciar a distorcida guitarra de Noel, que serve de prelúdio para o riff de Rock'N'Roll Star.

No show da minha banda imaginária, nesse momento o palco estaria escuro, com as cortinas fechadas. O público estaria alucinado, berrando como um louco. Daí o baterista faria a contagem do 1, 2, 3 com as baquetas e uma explosão de luzes invadiria o estádio do Morumbi (sempre fui megalomaníaco). Eu estaria numa pose blasé, com meu pandeiro meia-lua vermelho, vendo as pessoas pularem num esquema "os animaizinhos subiram de dois em dois".

Confesso: assistir ao Oasis ao vivo não foi o melhor show da minha vida. Som baixo, público desanimado... E eu estava bem longe do palco - algo cada vez mais comum, já que não tenho salário de Vip para ficar naquele chiqueirinho de bacanas. Mas valeu muito. (What's The Story) Morning Glory? é o CD da minha vida. Durante um ano inteiro ele foi o disco que me acordava, que eu cantava no chuveiro, que punha no som do carro dos meus pais a cada viagem até a casa de meus avôs...

A cada faixa tocada deste disco eu me sentia de novo com 11 anos de idade. E foi nessa que, timidamente, eu olhei para os lados e fechei o zíper da minha jaqueta até o pescoço, cruzei os braços para trás do corpo e fiquei balançandinho a mão direita contra a minha perna, tocando o meu pandeiro meia-lua (vermelho) imaginário.

8 de mai. de 2009

Minha vida sem o Google*


Sempre comentei, com-um-certo-tom-de-brincadeira-mas-com-bastante-medo, que eu estaria morto se um dia eu perdesse minha conta do Google. Afinal, o que seria da minha vida sem o Blogger, o Orkut, o Picasa, o Gmail, Google Maps e o YouTube?

Ontem, quinta-feira, eu fiquei exatas 6 horas sem tudo isso. Não só eu, mas como a redação inteira do Estadão. Foi o apocalipse! Senti-me no filme Extermínio, mas de uma maneira virtual, se tal metáfora vale. No início, todo mundo fez brincadeiras quando eu berrei, assim que passou a minha primeira meia-hora de abstinência.

- Sem Google e YouTube? Acabou o jornalismo para mim!, decretei, levantando da mesa e jogando meu fone de ouvido no chão.

O crítico de cinema cinquentão que senta ao meu lado fez galhofa.

- Vou te colocar em frente à máquina de escrever e te mandar lá pro arquivo, para você ver o que era bom!

Sério, eu não sabia o que fazer. Pelo Twitter, descobri que o problema era fruto de um erro num roteador X. Mas descobri também que o problema aconteceu durante uma hora apenas, e não por seis! Aí bateu o nervoso. Eu precisava acessar meus documents do Google Docs! Ler os feeds do Google Reader! Montar a minha coluna de vídeos pesquisando no YouTube! Checar o Gmail de cinco em cinco minutos! Acompanhar os milhares de blogs do Blogger que são a minha leitura diária! Passar o olho no Google News! Conversar pelo Gtalk! Responder os scraps do Orkut!

Respira, respira, respira.

Tentei me virar do jeito que deu. Usei outros portais de vídeos, mas não era a mesma coisa. Fiz pesquisas pelo Yahoo!, mas não era a mesma coisa. O Messenger virou meu principal comunicador instantâneo, mas não era a mesma coisa. Foi muito estranho, eu não parecia estar trabalhando. Pior, eu não parecia estar vivendo!

Do meu lado, o crítico de literatura bufou e fez a incrível pergunta:

- Existe outro buscador que eu possa usar?

Não aguentei.

- Tenta o Cadê? ou o AltaVista!

(o pessoal do caderno de tecnologia riu muito ao ouvir essa)

O crítico de música clássica também desabafou, alguns minutos depois.

- Ca-ra-lho, eu quero entrar no meu Gmail! Tá todo mundo perguntando se eu li tal e-mail e eu não sei de nada!

A sensação era essa mesma, de abandono. Ficava de cinco em cinco minutos dando F5 nas malditas ferramentas criadas - ou compradas - por Larry Page e Sergey Brin. E é incrível como a minha vida depende dessa turma. Ficar sem algo do Google foi o equivalente a ficar offline, mesmo estando online (?). Muito louco! Simplesmente eu estava perdido, olhando com uma cara de peixe morto para o monitor. E, pasmen, o pessoal ao meu lado começou a ir embora. Aquele crítico de literatura foi para casa - ele realmente precisava usar o buscador do Google, checar o seu Gmail e falar com suas fontes no Google Talk. O de música clássica fez o mesmo mais tarde.

(eu não cheguei a tant, porque estava em fechamento e não podia vazar, mas o teria feito, admito)

Quando "o sistema" retornou, rapidamente chequei toda a minha vida googliana e quer saber? É claro que durante aqueles 360 minutos não aconteceu nada demais - apenas a minha coluna do jornal ficou um pouco atrasada e eu precisei responder a um mero e-mail com urgência.

Não sei se essa experiência faz do Google um mal necessário. Só posso dizer que fiquei assustado pra cacete, isso sim.

* Gustavo ainda não se rendeu ao Chrome porque é Firefox Futebol Clube, e tem certeza de que seu próximo celular será um que tenha o sistema operacional Android, do... Google! Este texto foi feito no Google Docs e salvo no Gmail, porque eu tive uma festa ontem à noite - cujo endereço eu chequei no Google Maps. A foto foi encontrada no Google Images e editada no Picasa. E tudo foi publicado na manhã de hoje no Blogger, obviamente.

4 de mai. de 2009

Amigos online, amizade offline


Há um certo tempo, numa entrevista de emprego, eu ouvi uma pergunta curiosa. Apesar de eu já vir escrevendo sobre tecnologias e afins durante dois anos e meio, os entrevistadores perceberam que eu não me definia como um jornalista de informática ou coisa que o valha.

- Mas você é jornalista do quê?

Eu fiquei mudo. Pensei um pouco, corri com os dedos pela mesa de madeira, dei uma respirada bem funda e respondi, sem saber se aquela era a resposta que queriam ouvir.

- Sou jornalista de pessoas

Acabei entrando nesse mundo da internet, redes sociais e o escambau, por causa das pessoas. Foi natural. Desde a faculdade minhas pautas comportamentais vinham deste ambiente. A internet é agora o que um dia foi a rua. Antes, as pessoas saiam de casa para se conhecer. Iam até a praça com coreto, passeavam no shopping, punham as cadeiras na calçada em frente de casa. Hoje, vão para a internet - e trazem essa relação para o mundo real.

Sim, acreditem. Relacionamento de internet não é mais aquela coisa ensimesmada, de se enfiar dentro de uma bolha para ficar naquele téc, téc,téc twenty-four-seven.

Vou provar.

Nas minhas férias, fui para o Chile, Peru e Argentina. Dizia para meus pais que tinha amigos nesses países. Eles achavam que eram jornalistas, conhecidos de São Paulo ou de Sorocaba. Que nada! Eram pessoas que lêem meu blog, que me seguem no Twitter, que eu adicionei no Messenger depois de ver algum comentário interessante em uma comunidade do Orkut.

E amigos que eu descobri pelo CouchSurfing, uma rede social para viajantes e mochileiros, cujo mote é criar um mundo melhor ao ajudar um turista a se ambientar na sua cidade. Seja liberando o seu sofá para uma pernoitada, chamando-o para um café ou até mesmo guiando-o num city tour que jamais apareceria nos guias turísticos tradicionais.

Três chilenas de Santiago me levaram a uma bizarra balada de reggaeton, fizeram-me beber uma bebida local chamada Terremoto num buraco chamado "Piolhento" e deram a dica de um sujinho escondido em Valparaíso que nem os moradores da cidade sabiam onde ficava. Duas peruanas de Lima me mostraram, numa bela tarde de domingo, tudo o que poderia saber da cultura local em apenas um dia. Andei de microônibus, bebi Pisco Sour, comi o apimentado Taco Taco, fui no Museu da Inquisição, curti um show de fontes d´água luminosas e andei por todo o centro da capital, vendo pelos olhos de um morador local como era a sua cidade do coração.

Pessoas, da internet. Que me apresentaram a muitas outras, como um viajante da Islândia ou um francês apaixonado pela América do Sul. Pessoas, que fogem de tudo aquilo que ouvimos da sociedade atual. Elas são idealistas, sem preconceitos, pensam no coletivo. Têm uma visão do mundo em que a paixão por viajar e trocar conhecimento rompe barreiras, línguas.

No ano passado, quando eu entrevistei o Cardoso (do CardosOnline), uma frase dele me marcou muito. O cara, que passa o dia conectado atrás de tendências e as vende para grandes empresas, comentou que via esperança nessa nova geração que já nasce conectada. Segundo ele, todo esse espírito coletivo que existe na internet, de compartilhar cultura e conhecimento sem nenhum interesse escuso por trás, está sendo trazido para a nossa vida offline também.

Está mesmo.

20 de mar. de 2009

A Bitufo do cara ao lado


Todo dia eu passo por uma situação engraçada no trabalho. Logo depois que termino o almoço, lá por volta das 15h, pego minha escova de dente e minha pasta (também de dente, dã) e me dirijo a um banheiro meio escondido, que pouca gente sabe que existe lá no jornal - fica perto da porta de incêndio, só digo isso!

É batata: entro no lugar e vejo um um homem asseando sua mucosa. É sempre o mesmo cara: cabelos arrepiados, quase grisalhos, óculos de aro grosso, All Star ou Puma Street nos pés e trajando uma camisa clara (com uma camiseta branca básica por baixo). Ele fica sempre no canto direito da pia, fitando-se no espelho, com a mão esquerda no bolso da calça. Quando me vê, dá um sorriso com a escova no canto da boca e levanta a cabeça, cumprimentando-me. Sempre me dirijo a outra borda da pia

O ritual é esse, de segunda a sexta-feira. Faz mais ou menos um ano. E perto dele, sinto-me um relapso.

- Levo a escova e a pasta no bolso da minha calça; ele tem uma necessaire gigante
- Espalho tudo pela pia e me molho todo; ele tira um pedaço de papel e forra sua aparelhagem
- Termino o serviço em um minuto, no máximo; ele passa uns 20 minutos lá fácil. Faço o número 1, às vezes o 2, e ele continua lá, como um parnasiano
- Eu não tenho nem fio dental; ele tem uma escova bitufo!

Bitufo. BI-TU-FO!

Nunca vi alguém usar isso. Quando eu tinha aparelho fixo, meu dentista recomendou essa escova bizarra, de uma cerda só. Ela é muito chata de usar e ainda não consegui entender sua real função: enrosca nos bráquetes, não passa entre os dentes, não é bem diagramada para receber uma camada de pasta... Um cocô! Não é por acaso que é invenção brasileira!

E o cara usa Bitufo. Pior: ele SABER USAR, manja mesmo do babado. Sempre olho para ele abismado, enquanto ele fica passando aquela escovinha ordinária por cada um dos dentes. Ele abre a mandíbula e penteia a gengiva. Depois, cusp!, cospe na pia, abre a torneira e lava a Bitufo. O ritual se repete 32 vezes.

Após um ano, não aguentei mais.

- Cara, Bitufo! Nunca vi alguém usando isso!

Ele tirou a escova da boca, cuspiu na pia e abriu a torneira. Sorriu.

- É que eu tenho os dentes muito separados e não posso usar fio dental senão minha gengiva sangra. Então eu tenho de ficar aqui, passando a escova dente por dente...

Respondi com um um leve sorriso. Então era por isso que ele demorava tanto para escovar os dentes? Dentes espaçados? Recomendação odontológica?

Foi-se embora a graça, a magia. Achava que ele tinha TOC, que pudesse ser um psicopata, um assassino em potencial... Havia algo de interessante em seu jeito metódico de escovar os dentes.

Mas eram simples dentes espaçados.

A partir de segunda-feira vou usar outro banheiro. Aquele mesmo, o popular, que tem o cheiro do Terminal Barra Funda às 6h da manhã.

18 de mar. de 2009

Virei um ator pornô!


Tem um episódio na série How I Met Your Mother, em que o personagem Ted Mosby descobre que existe um homônimo seu na indústria pornográfica. No caso, um Ted Mosby que é ator de filmes pornô - gays, diga-se.

Logo depois o arquiteto descobre que seu xará é um antigo amigo de infância querendo homenageá-lo. Horrível, eu sei.

Este breve nariz de cera serve para dizer que hoje vivo uma situação semelhante. Pois é, podem tirar sarro: existe por aí um Gustavo Miller que é ator pornô. Também de filmes gays.

Há algumas semanas, recebi um e-mail estranho de um cara, falando que tinha curtido meu vídeo e queria meu telefone. Achei que era spam e ignorei. Dias depois veio uma outra mensagem - desta vez, reclamando por que não o havia respondido.

Dei uma resposta mal-educada para o caboclo, e em seguida veio um reply com o link de um vídeo. O cara pedia para checar e confirmar se não era eu ali. Chequei que o URL não era vírus e entrei na seguinte página.

http://demetrio.nu.uol.com.br/PerfilVideos.aspx?CodModelo=165
(cliquem por livre e espontânea vontade. Se você for menor de idade, caia fora!)

E lá estava o meu xará: Gustavo Miller. Um rapaz magrelo, orelhudo e de cabelos bagunçados...

Pô, mas esse sou eu!!!

O menu tem cinco vídeos. Sendo REALMENTE SINCERO, só vi o primeiro, uma entrevista dele com um tal diretor J. Rodrigues - um adepto do gênero pornô gonzo pelo visto, pois seu slogan é "aventuras reais de um diretor pornô". As outras cenas em que "apareço" sendo enrabado e afins, preferi pular fora. Afinal, um de nós dois tem de ser macho!

Já dei um Google Me, admito, e sei que Gustavo Miller é uma rua da cidade de Canela (RS) e também a alcunha de um DJ. Mas não consegui descobrir se esse Gustavo Miller é um mero personagem ou realmente o nome de um ator de filmes adultos.

Mas descobri seus atributos físicos:

- O ator pornô tem 21 anos... Eu, 23;
- Tem 1, 76m de altura... Sou mais alto, com 1, 88m;
- Pesa meros 76 kg... Estou na casa dos 90;
- Calça 41... Minha lancha é nº 43;
- Possui 19 cm de rola e gosta de ser passivo na cama...

...

Bem, vamos deixar isso pra lá, né?!

23 de fev. de 2009

A Merça do Seu Hélio

O Seu Hélio é um simpático amigo de meu pai. É senhor, tem lá os seus 70 e poucos anos. Engraçado, estiloso, inteligente, cheio de boas histórias para contar. E rico. Bem rico.

Seu Hélio coleciona Mercedes. Tem umas quatro ou cinco, acho. Chegam a não caber na garagem de sua casa, então ele as deixa na rua mesmo. Acreditem.

Estive esses dias por Sorocaba e notei uma Mercedes bem antiga em frente à minha residência. Bege, classuda, linda. Não sou muito fã de carro, mas adoro os antigos. O que estava no portão era um de 1974, a Mercedes 300D.

Logo soube que a preciosidade era do Seu Hélio. O louco veio de São Paulo até Sorocaba (90km de distância) nela, e queria ir com meu pai até Tupã (440 km) com a safada. Ele quis fazê-lo mudar de ideia, mas o Seu Hélio é teimoso. Sorte do meu progenitor que ela não é licenciada há anos, e sabe-se lá quando a carteira de habilitação do Seu Hélio venceu também.

O jeito foi os dois irem com o carro de meu pai. E a Mercedes-Benz ficou em Sorocaba. Na rua!

No dia seguinte, mexendo na bomboniere onde ficam as chaves de casa, encontrei uma diferente. É claro que era da Mercedes. O lado brejeiro foi mais forte e comecei a amolar minha mãe e meu irmão.

- Tem que deixar ela mais encostada na guia!
- Ela está atrapalhando a entrada da garagem!
- Tem de colocar na sombra, o carro deve estar um forno!

Todos em casa me faziam uma expressão de reprovação. Óbvio que não funcionou.

Na tarde de sábado, notei que minha mãe tinha saído e meu irmão estava no banho. Foi perceber isso para me ver dentro da Mercedes do Seu Hélio! Fiquei ali, admirando o painel antigo, o estofado, o hodômetro batendo nos 190 mil quilômetros... E pensei comigo mesmo.

- Só uma volta no quarteirão, ninguém vai notar...

Pus a chave no contato, esperei alguns segundos e dei partida. O motor berrou forte, o carro inteiro tremou. Veículo old school, de macho, é isso aí! Dá até vergonha desses automóveis atuais que, de tão silenciosos, deixam no ar a pergunta: "estão parados ou em movimento?"

Comecei a ajeitar o volante para a esquerda, dei seta, e já ia encaminhando a mão direita ao freio de mão...

- Opa! Cadê a porra do freio de mão??

Não tinha. Fiquei me sentindo um idiota. "E agora", pensava, suando como um condenado.

Abri os vidros - elétricos, diga-se - e comecei a fuçar pelo painel. Achei um botão do lado esquerdo do volante, daqueles de puxar.

- Deve ser isso...

Mal tive tempo de terminar a frase para o carro descer a ribanceira da rua onde moro. Só senti a roda da frente subindo a calçada. Meti o pezão no freio e ouvi uma bela cantada de pneus. É claro que o carro morreu.

Dei partida novamente e fui bem devagarinho, tal qual minha primeira vez na auto-escola. O carro tremia muito, fazia barulho. É que eu, de tão nervoso, não tinha tirado o pé da embreagem. Bastou tirá-lo para a 300D pegar velocidade. Entrei na rua à esquerda e contornei a mão esquerda por todo o volante.

Folgado que sou, aproveitei para pôr o meu cotovelo esquerdo para fora da janela. Me senti como um astro de Hollywood.

Não chamei a atenção das garotas, é claro. Já dos garotos... Dois rapazes ficaram me encarando, enquanto lavavam seus míseros Corsinhas. Dois senhores que saíam da padaria e estavam prestes a atravessar a rua, deram um passo para trás e admiraram a imponente dianteira da caranga. Eu olhava pelo espelhinho cromado a reação de cada pessoa que me encarava.

E abria um belo sorriso.

Aproveitei para testar a velocidade da Merça. Anda muito! Subi a minha rua, que é ladeira, na terceira marcha, à 80 km/h. A bicha anda tanto que nem precisei engatar a quinta marcha.

Ao voltar para casa, comecei a endireitá-la, com todo o carinho. Encostei pertinho da guia, subi os vidros, pus o banco de volta à posição original. Desliguei o carro e lembrei.

- Errr... Não tem freio de mão!

Aquele botão de puxar não funcionava, já adianto, pois assim que tirei o pé do acelerador, o carro desceu horrores e quase beijou a traseira do Fiesta do meu vizinho. Devido à barbeiragem, teria de dar uma ré. Mãããsss....

- E agora, onde é a ré dessa porra?!

Suando de nervoso, liguei para a única pessoa que me veio em mente: o Filippe, que entende tudo de carros.

- Fala meu!
- E aí?
- Tá ocupado?
- Indo pra academia. Diga!
- Então, você sabe onde fica o freio de mão em carro antigo?
- Acho que sim, por quê?
- Sabe a Mercedes que tá na frente de casa? Saí com ela e não sei como pará-la
- Hehehehe
- Não é engraçado!!
- Tá, tá... Não tem nenhum botão aí no painel, com um "T" escrito?
- Peraí... Nops.
- Não tem um pedal extra?
- Pedal extra? Não, eu teria sentido... Ah, tem um aqui, quase na minha coxa!
- Então...
- Apertei! Vou soltar o pé do freio e xá eu vê... Parou!
- Boa
- Valeu!

Fiquei todo contente. Mas lembrei da ré. Liguei de novo!

- Opa!
- Que foi?
- E a ré? Sabe onde é?
- Ahahaha. Não tem nenhuma alavanca aí nem nada?
- Puts, não!
- Tô passando aí...

Saí para fora do carro e liguei para meu pai. Contei da aventura e ele ria... Mais alto ainda, ao fundo, era a risada do Seu Hélio! Que deu um berro:

- Só puxar o câmbio e engatar como se fosse a primeira!

Ele não ficou bravo nem nada, pelo contrário. Disse até que poderia usar a Mercedes quando quisesse - dei uma volta com o Filippe mais tarde.

Agora espero ansiosamente pelo dia em que encontrar em frente ao portão de minha casa uma de suas Merças mais modernas. Aquelas zoiudas, imponentes, automáticas, que fazem sucesso nas vitrines da Avenida Europa.

Podem aguardar por esse próximo post - se eu sobreviver à experiência, lógico!

13 de fev. de 2009

De Letra e Música a Sonho de Verão

Pois estava eu no trabalho, com uma TV ligada por perto, sintonizada na novela Negócios da China. Eis que escuto uma introdução de piano bem melosa. "A melodia não me é estranha", penso. O Google Brain começa a entra em ação, minha cabeça entra em ebulição e aí ouço uma voz ainda melosa cantando sobre a canção.

Lembrei.

- Fizeram uma versão daquela música do filme do Hugh Grant com a Drew Barrymore!, exclamo para a japa que senta ao meu lado.

Pois é, fizeram uma versão da música do filme do Hugh Grant com a Drew Barrymore, o Letra & Música. A faixa em questão chama De Volta Pro Amor, uma versão de Way Back Into Love, a tal musiqueta melosa que - SPOILER ALERT - os dois personagens levam o filme inteiro para escrever. A versão é sofrível, tenta em alguns momentos traduzir a letra original, o que não chega a ser tão ruim, mas são os momentos criativos que rendem pérolas como "Tô sentindo falta/ A vida ficou muito chata e fria".



Mas o que me atraiu em De Volta Pro Amor é que a canção é uma parceria da Oliva Heringer com o Yahoo. MANO, o Yahoo, aquela banda do final dos anos 1980, que hoje deve odiar seu nome graças ao portal de internet, já que é IMPOSSÍVEL pesquisar pela banda no Google. Todas as buscas levam ao homônimo rico!

O Yahoo comete assassinatos em traduções há muito tempo. Love Bytes, do Def Leppard, virou Mordida de Amor, e Angel, do Aerosmith, tornou-se a sofrível Anjo, tema da novela global O Sexo dos Anjos. Fora outros casos em que eu poderia passar horas falando mal dos caras.

Só que não posso fazer isso...

O Yahoo fez parte de um dos grandes filmes de minha infância: Sonho de Verão, um longa-metragem de 1990 em que as paquitas e os paquitos se pegam numa baita mansão. Putaria pura!


... E foi assim que me tornei um tarado!

O Yahoo tem algumas músicas no filme. A minha predileta é Veneno, que traz uma das melhores letras do pop tupiniquim: "Deixa de história, esse papo não tem nexo, não foi só pelo sexo que eu quis você/ Nunca me programei, eu não sou computador e para te amar fui aprendiz de professor."


Tá perdoado, Yahoo. Tá perdoado.

8 de fev. de 2009

A vida inteira que poderia ter sido e que não foi


Vou lhes soltar um pequeno segredo: o meu sobrenome é grafado da maneira errada. O meu Miller, que no primeiro passar de olhos logo faz as pessoas acreditarem que tenho ascendência americana, deveria ser, na verdade, Müller. Uma influência das raízes germânicas de minha falecida - e tão querida - avó Madalena.

Müller vem da minha família paterna. Todo mundo de lá tem em seu R.G. a escrita correta. Menos meu pai, eu, meu irmão e minha mãe, que adquiriu o erro após o casório. Meu avô diz que a culpa foi do funcionário do cartório, que pôs no registro de nascimento de papai o Müller com "i". Às vezes me pego pensando se vovô não deveria ter soletrado antes...

Fui descobrir que meu nome estava errado apenas na 2ª série. No meu primeiro dia de aula, vi que nas carteiras de alguns os alunos havia uma plaquinha de papelão com o desenho do Baby, da Família Dinossauro. Em cada uma dessas plaquinhas estava o nome completo de cada aluno, uma maneira de identificar os estudantes que tinham vindo de outra escola - meu caso. Foi a primeira vez que vi meu sobrenome escrito como Müller. Achei estranho pra caramba!

Logo depois, em casa, soube da história do cartório. Contei-a para minha professora daquela época, a saudosa Tia Diva, que resolveu escrever durante todo o ano o meu sobrenome da maneira alemã. Ela dizia que essa era a maneira correta e pronto! Mal sabia a velhinha que ela quase fez com que esse blogueiro fosse até um cartório a fim de consertar seu sobrenome. Por anos fiquei adiando esse desejo.

Com o tempo, aceitei o Miller coxo. E, confesso, adoro o seu jeitão único. Nunca estudei com um Miller durante toda a minha vida escolar. Com Müllers? Uns dois, três. Isso foi bem legal, sabia?

Hoje faço piadas com o meu sobrenome. Quando me ligam no jornal e pedem para eu dizer o endereço de meu e-mail, soletro-o sempre com a seguinte abordagem: "M-I-L-L-E-R. Igual à cerveja!"

Raramente deixo de escutar uma risada do outro lado da linha telefônica.

Nas últimas semanas voltei a considerar a hipótese de ter o Miller como Müller. Foi parte de minha revolta contra essa reforma ortográfica, que riscou do mapa o trema. Fiquei pensando que ser um Müller é agora ter um sobrenome vintage. Vi-me falando às crianças daqui 30 anos: "Sabe esses dois pontinhos sobre o "u"? Isso se chama trema, um diacrítico, um sinal gráfico que foi abolido do Brasil em 2009. Não é legal ter um sinal desses no sobrenome?"

Daí as crianças, boquiabertas, balançariam a cabeça em sinal de aprovação, impressionadas com a minha idissioncrasia idiossincrasia linguística.

Mas, tosse, tosse, tosse, vou continuar com o Miller. É muito mais bacanudo dizer que meu sobrenome é escrito da mesma maneira que uma cerveja, do que do mesmo jeito que um ex-jogador da seleção brasileira de futebol.

6 de jan. de 2009

O primeiro pagode a gente nunca esquece


Vou ser mais tolerante em 2009. Esse é um dos meus mantras para esse novo ano. Chega de pré-conceitos e idéias pré-fabricadas. A parada é ir para a rua, sujar a solo do sapato e experimentar. Para ter uma opinião embasada. Certo?

Como parte desse experimento, na semana passada fui a um pagode. Sim, pagode. Não era samba, não tinha mesa de ferro, gente batendo os dedos numa caixa de fósforos, tia passando com a tupperware cheia de polenta frita. Era pagodinho da moda. Ponto.

Quem me arrastou a uma casa de pagode foram três amigos. Era um sábado à tarde bonito, ensolarado, típico dia bacana para ficar em casa estatelado no sofá, com o ventilador do teto apontado para a fuça. Mas, não, eu fui prum pagode.

A primeira coisa que reparei foi o visual da galera. A parada é bem United Colors of Benetton, o que é ótimo, para começar. Já as roupas... As mulheres são preparadas. Todas usam salto alto, calças justas ou saias provocativas. As blusas são decotadas, quase sempre com as costas de fora. Para os olhos é uma delícia, aviso. Os homens variam muito. Alguns usam camisetas de clube de futebol, mas um must é a camisa grudadinha ou a regata colada ao corpo. De cores berrantes, diga-se.

Pink is the new black

Indispensáveis são o bermudão florido, o Nike Shox no pé e o Oakley na cabeça. Sim, ninguém põe os óculos escuros nos olhos. O negócio fica na testa à la Salgadinho.

O pessoal é animado. Melhor do que qualquer balada que já vi. Quem dança, toca o terror mesmo. Já quem não tem samba no pé, fica assistindo, batucando na perna ou no peito. Para essas pessoas é regra ter um copo de cerveja ou de qualquer outra bebida em uma das mãos. É um jeito de socializar.

O pessoal também não me pareceu muito fresco. Vi dasluzetes chafurdando os dedos em batatas-fritas, linguiças (ai, trema querida!), e outros finger foods do tipo. Na hora de beber, nada de diferente da playboyzada que frequenta (ai, trema querida 2!) as melhores baladas. É uísque com energético pra lá, vodca com qualquer coisa pra cá (até Yakult!). Uns negões malandros, querendo pagar de bling-bling, acendiam charutos e agiam como se estivessem num clipe do Hype Williams.

Incomodou-me bastante a mania do povo cantar as músicas - todas iguais, num maldito "lêlêlêlêlê, eu vou lhe dar carinho", "lêlêlêlêlê você é meu amorzinho". Parecia show do Los Hermanos! Ah, só reconheci Parabéns pra Você (era aniversário de umas 20 pessoas) e Dança do Quadrado.

Falando em dança, chamou-me a atenção uma dança característica. OK, tinha gente sambando e até resgatando a lambada por lá, mas existe um passinho que é batata. Quando tocava uma música bem famosa, o público abria os braços, olhava para o teto e berrava. Igualzinho àquela turma que desfila em escola de samba, a pé, andando pela avenida com a camiseta da agremiação.

Fiquei umas quatro horas no pagode, mas já estava cansado após 1h30. Sei lá, não sou animado para essas coisas. Gosto de dançar do meu jeito, like no one's watching, e lá não dava para fazer isso. Com certeza eu seria humilhado por uma morena cavala, que rebolava mais que uma máquina de lavar e que fazia graça para esse blogueiro aqui (e pra torcida do Flamengo também) o tempo todo.

Oi?

Em relação às músicas... Achei bem ruins. Cara, não sou preconceituoso e, atenção!, gosto de pagode. Negritude Jr, Art Popular, Só Pra Contrariar e Molejo (tchan!) são, para mim, grupos de pagodeiros, ora! Gosto do som dessa turma porque eles são aquele pagode com amor à camisa, fazem o pagode arte, aquele pagode moleque que joga com dois pontas avançados. Já essa turma de hoje é burocrática, joga pelo resultado na retranca, no 3-5-2. Essas canções mela cueca, que vêm desde os tempos de Karametade, Katinguelê e Belo, não são para dançar. Não é porque tem alguém ali rodando um pandeiro que isso seja motivo para sair por aí sambando. E o problema desses pagodes atuais, tipo Sorriso Maroto e Revelação*, é justamente isso.

Não tirei uma foto para mostrar a minha cara de mau humor, mas a do meu amigo DJ Edu Vieira, vulgo Cidão, sintetiza bem o meu sentimento. Ele foi arrastado para lá por sua namorada.

Não foi só o cavaco que chorou

*Update: Três pessoas já me falaram que Sorriso Maroto e Revelação são coisas totalmente diferentes. Deixo então a errata de meu amigo - e pagodeiro - Filippe. "É a mesma coisa que falar que Panic! At the Disco é igual The Killers. Sorriso Maroto é beeeem popular e simples. Revelação é uma coisa, digamos, com mais esmero, é quase um samba."


24 de dez. de 2008

Perfume

Outro dia, eu e as meninas do trabalho estávamos falando sobre cheiros. Uma delas falou que todo pai/mãe sabe o cheiro do seu filho. É uma coisa de pegar o bebê recém-nascido, dar uma cafungada nele e tirar dali um odor de DNA para o resto da vida. Outra diz saber de cor a fragrância da casa de seus pais. Já uma, mais engraçada, comentou que seu irmão cheira à lavanderia: é só abrir a porta do armário dele para sentir o 5 à Sec.

Confesso que não sou muito de odores, mas de sabores. Porém, há dois cheiros que jamais esqueci, e que tento reproduzi-los ao máximo desde que saí da casa de meus familiares. São cheiros associados as minhas avós, duas loucas por limpeza e faxina: Antonia e Madalena.

Primeiro, uma confissão. Olha, eu não sabia lavar roupa até um mês atrás. Nunca tinha usado uma máquina de lavar ou encarado um tanque. Admito mesmo. No máximo, havia passado uma água em minhas cuecas e sungas no chuveiro. Então, quando lavei a minha primeira peça de roupa, o mundo foi pequeno demais para a minha felicidade.

Tirei a camiseta da máquina, pendurei-a no varal, fiz todo o ritual padrão. No dia seguinte, fui pegá-la. Estava uma beleza - era daquelas camisas de corrida, que não amassam, o que facilitou muito.

Mas, ao pôr a peça em direção à minha narina, logo a minha alegria foi embora. Não era o cheiro que estou há anos acostumado a sentir: o cheiro de roupa lavada pela vovó Antonia.

Eu sei que isso parece coisa de gente mimada, mas, dizaê, cheiro de roupa lavada, com aquela mistura equilibrada de sabão em pó com amaciante, não é uma delícia? Eu não consigo de jeito algum reproduzir essa fragrância. Sem sacanagem: as minhas roupas sempre cheiraram tão bem, que no primeiro da faculdade teve uma menina, sentada na carteira atrás de mim, que encostou a cabeça em minhas costas e revelou:

- Que gostoso esse cheiro de roupa lavada com carinho, com amor... É o que mais sinto falta desde que mudei para a república das garotas...

Já liguei várias vezes para a minha avó materna a fim de saber o que fazer para deixar a roupa tão cheirosa. A resposta do outro lado é sempre meio vaga. Afinal, sabe como são as avós...

- Traz aqui que eu lavo, vai!

Juro, eu escuto a minha nona sorrindo quando ela diz essa frase.

O outro cheiro, esse da avó Madalena, remete a minha infância em Tupã. Nunca gostei muito de ficar na casa de meus avós paternos, pois ela não era um lugar muito divertido, apesar da piscina. Mas se tinha algo que me fascinava naquele ambiente era o seu cheiro. No caso, do banheiro de visitas. Dava para sentir a fragrância de limpeza do corredor. Sério!

Minha avó dizia que o lugar mais pessoal da casa era o banheiro, então ele devia ser um cartão de visitas. Acho que ela o limpava todas as manhãs, bem cedinho, pois nunca a vi abaixada passando um pano na privada ou coisa do tipo. Também não tenho a mínima idéia dos produtos que ela usava. O cheiro era tão maravilhoso, que por várias vezes eu pegava uma revista e passava um tempão lendo sentado no trono, mesmo sem estar apertado ou coisa do tipo.

(Não tem gente que gosta de "abrir os pulmões" e sentir o cheiro da natureza? Eu fazia isso no banheiro de vistias da vó Madalena.)

Hoje, ela não está mais aqui. Mas, como bom alquimista que tento ser, em minhas experiências já passei Veja Multi-Uso no assoalho, água sanitária nos azulejos, Pato Purific na privada... E não consigo chegar aos pés do que era o banheiro da casa da minha avó de Tupã.

21 de out. de 2008

In memoriam


Ele era o meu Central Perk, meu Monk's Café. Todo mundo devia ter um bar, café, restaurante ou sujinho para chamar de seu. O meu era o Sta Cerva, em Sorocaba.

Foi lá que aprendi o sentido de reunir os amigos no bar, de sentar numa mesa para falar besteira, de ter aquele garçom amigo. O Sta Cerva representou um upgrade na minha vida. Na adolescência, em Sorocaba mesmo, a gente ia no shopping. Às vezes engatávamos um filme no cinema, noutras eu assistia a meus amigos se divertindo no fliperama. E sempre íamos ao McDonald's.

Mas aí percebemos que estávamos velhos demais para isso. E começamos a ir em bares. Cada semana era um diferente. E só reclamávamos. Esse é muito cheio, esse a bebida a cara, aquele só tem gente feia, o outro é muito longe. Daí o jeito era ir até o supermercado, comprar cerveja e tomá-la na principal pista de caminhada da cidade.

Como não gosto de cerveja, apenas dava risada vendo meus amigos, bêbados, rindo como idiotas, só porque quando eles faziam xixi no frio isso resultava numa fumacinho saindo de seus... Enfim.

Aí um dia me falaram desse Sta Cerva, inaugurado há três quarteirões de minha casa. Aquele virou o nosso point. O esquenta era sempre no meu quarto. Jogávamos Guitar Hero, víamos vídeos no YouTube (sim, somos nerds) e depois íamos para lá. Não tínhamos de pagar flanelinha, já que íamos a pé. Nem pegar fila para entrar. O segurança nos via e já baixava a cordinha de segurança. Nunca peguei fila para entrar lá.

Foi ali que aprendi a saborear uma caipirosca de limão, meu drink predileto. A comer finger foods de botecos. O Sta Cerva não era perfeito, veja. As cadeiras eram bem desconfortáveis para alguém de 1, 90m como eu e o atendimento às vezes era péssimo. O pão de hambúrguer sempre acabava lá pela meia-noite e bacon ali era uma lenda.

Mas era o NOSSO bar.

Nos televisores da casa só passava shows musicais. Embora às vezes fosse dia de um Engenheiros do Hawaii, em outras oportunidades rolava um DVD do Queen que eu adorava. Minha mesa predileta era uma no final do corredor. Curiosamente esse lugar também era o alvo da ex de um amigo meu, então sempre rolava umas de chegar mais cedo para sentar por ali.

Faz uns dois meses que o lugar está fechado. Nos últimos tempos ele estava "miado". Abriram diversos bares na cidade e, claro, todo mundo foi atrás das novidades. Dizem que ele está sendo reformado, mas também comentam que ali será um novo bar. Até agora, quando estive em Sorocaba, conheci novos botecos e nenhum me agradou. Esse é muito cheio, esse a bebida a cara, aquele só tem gente feia, o outro é muito longe.

Quando me dou conta, eu e meus amigos estamos vagando pela cidade, tristes e desolados, à procura de um bar, café, restaurante ou sujinho para chamar de nosso.

28 de set. de 2008

A porta

Passei este final de semana em Sorocaba e tomei um susto assim que cheguei em casa. Meu pai, com a mão direita enfaixada. O dedinho e o anular presos em uma tala. Minha mãe, com um baita hematoma no braço direito. Meu irmão, com o olho inchado, como se tivesse levado um murro.

Somei: mão enfaixada + braço roxo + olho esmurrado = quebra pau.

- É... Aconteceu algo aqui em casa e vocês não querem me contar?, perguntei

Minha mãe enfiou o último pedaço de sanduíche na boca e respondeu, enquanto punha os lábios no copo de suco:

- Foi a porta do carro

Meu pai foi na padaria. Deixou o carro justamente na vaga mais chata, que fica numa rampa. Assim que estacionou, abriu a porta para sair. Enquanto se apoiava no coche para levantar seu corpanzil, a porta voltou e prendeu seus dois dedos da mão direita.

Meu irmão foi parar o carro na garagem de casa, que tem uma rampa. São três automóveis aqui, e na parte plana só cabem dois. O último fica na rampa. Assim que ele estacionou, na rampa, num dia chuvoso, abriu a porta para sair. Enquanto tirou o cinto e punha a cabeça para fora do coche, a porta voltou e pegou em cheio seu olho.

Minha mãe também foi parar o carro na garagem de casa. Na rampa. Parece que não estava chovendo, mas, assim que estacionou, cheio de sacolas dentro do automóvel, abriu a porta para sair. Enquanto estava com a metade esquerda do corpo para fora e a metade da direita dentro do coche para pegar as sacolas, a porta voltou. Ela estava saindo por inteira e tentou se proteger, mas a porta pegou em cheio o seu braço direito.

Tipo, cês engoliram isso?

21 de set. de 2008

Minha primeira 'gostosa'

Quando comentei que iria começar a cobrir o mundo da televisão, ouvi de minhas amigas:

- Quando for entrevistar um galã me chama??

E dos amigos:

- Quando for entrevistar uma gostosa me chama??

Durante os dois anos e meio que cobri tecnologia, posso afirmar com autoridade que homens e mulheres fãs de informática não costumam ser bem diagramados. Dando um gás aqui na memória, acho que de gente bonita, bonita mesmo, só entrevistei a Rita Lobo.

Mas ela é elegante, linda, tem classe. É outro nível.

Também já entrevistei a Luísa Mell, mas acho ela bem nheca. Fui bem mais com a cara do casal de labradores dela quando estive em sua casa.

Enfim, na semana passada tive a experiência de entrevistar uma "gostosa": a atriz Andréia Horta. Não conhecem? Ela está na novela Chamas da Vida, da Record!

Tá, eu sei que isso não ajuda muito.

Bem, Andréia é a protagonista da nova série da HBO, Alice. Assisti aos dois primeiros episódios da produção e fiquei impressionado com a moça. Ela é carismática, sensual, divertida, tem uma voz rouca... Não conseguia tirar os olhos dela sendo exibida na telona. Talentosa mesmo. E de uma beleza bem brasileira*.

* comentário machista: Para piorar ela é dona de um corpão (já fica nua logo de cara) e passa o tempo inteiro sem sutiã, o que revela mais dois talentos impressionantes.

Então imaginem como eu estava quando fiquei há dois cm da moça. Tentei ser sério, manter minha "aura jornalística", mas a mulher é um doce. Em um minuto começamos a conversar sobre aparelhos odontológicos e outras baboseiras do tipo.

Por ter me deixado tão à vontade, ao final da entrevista não resisti.

- Desculpa se essa pergunta é machista, mas vamos lá. Em algum momento dos 13 episódios você vai usar sutiã?
- (Risos altos) Ai, você reparou?? Por quê? Eles estão caídos??
- Não!! Ao contrário!! (segurei para não dizer que a única coisa de caído ali era o meu queixo)
- Aiiiii!!! (deu um tapa na minha coxa)
- (Risos) É parte da construção do personagem?
- Sim! Foi uma sugestão do Kharim (Aïnouz, o diretor)
- Então você vai ficar a vontade mesmo??
- (Gargalha) Olha, acho que só no terceiro episódio eu usarei sutiã. Curiosamente ele foi dirigido por uma mulher!

PS: A matéria sobre Alice saiu hoje no Estadon.

25 de jul. de 2008

Paixonites infantis

Qualquer pessoa que se preste já teve um imenso CRUSH por alguma celebridade quando era criança ou adolescente. Lembro da irmã de um amigo meu que lá na metade da década de 90 era absolutamente louca pelo Jon Bon Jovi. Sem sacanagem: pelo quarto dela havia pôsteres que iam do rodapé até a junção da parede com o teto.

Um amigo meu ficou louco, aos 7 anos, quando assistiu Meu Primeiro Amor. A garotinha do filme, uma loirinha de olhos azuis, virou a mulher da sua vida. Juro: se você chegar para ele hoje e pedir para que crie uma lista das 10 mulheres mais bonitas do mundo, ele colocará a menina de Meu Primeiro Amor nas primeiras posições.

Já uma amiga minha (sim, sou sacana de linkar) é a pessoa mais maluca pelo Hanson que eu conheço. Quando ela fez intercambio, nos EUA, usou o dinheiro que não tinha para percorrer vários estados só para assistir a um show deles em Nova York. Detalhe: era menor de idade. De tão fã por Taylor & Cia, ela assinava o sobrenome como Hans. E ficou assim. Pouca gente sabe.

Criei esse post porque recentemente pude ver na mídia duas paixonites minhas de infância. A primeira é Jodie Sweetin, a Stephanie do seriado Full House, ou Três É Demais. Não sei por que raios curtia aquela menina: ela era meio moleca, tinha os dentes tortos (o que me incomoda MUITO, diga-se) e pernas de saracura.


Há pouco tempo vi numa banca uma revista People com a Jodie na capa. Ela tinha acabado de ter o seu primeiro filho, aos 27 anos. A chamada da reportagem dizia que isso era uma vitória: como um bom ex-ator mirim, ela viveu uma fase de drogadita e curtia umas meta-anfetaminas.


Ela ficou bem gostosa hoje, como vocês podem ver:


O meu outro amor platônico, já no começo de minha adolescência, era a atriz Madeline Zima, a Gracie, de The Nanny. Temos a mesma idade, então eu fui acompanhando o seu crescimento com certa atenção. Não via nada nela até o final da série, no final de década de 90. A mina deu uma espichada e foi ficando com uns pernãos...


Assistindo a Californication anteontem (pois é, estou atrasado) tomei um susto quando vi que Madeline estava no elenco. O melhor é que ela faz uma adolescente de 16 anos bem safada, que no primeiro episódio paga peitinho, no segundo aparece de biquíni, e no terceiro exibe as tufas novamente.


Ela ficou bem gostosa hoje, como vocês podem ver:

6 de jul. de 2008

Emetebê




Como vocês devem saber, eu me formei em jornalismo no final do passado. Em janeiro tive de levar uma papelada de colação de grau para a faculdade, em fevereiro teve a festa de formatura e em maio colei o tal grau, com direito a juramento e tudo. Isso foi meio que um processo para provar aos meus pais que eu realmente não estava mentindo e, de fato, terminei a faculdade.

Porém, eu tecnicamente não sou considerado um jornalista por não ter o meu registro profissional, vulgo MTB. Médico não tem o CRM? Engenheiro o CREA? Então, jornalista tem o MTB.Na minha carteira de trabalho eu estou registrado como auxiliar de produção. Não sei que raios de profissão é essa. Talvez o assistente de um especialista em fertilidade, não sei. Mas, enfim, é assim que o meu trabalho me registrou para eu não ter mais o sofrível salário de estagiário e passar a receber o também sofrível salário de jornalista.

Ser um auxiliar de profissão não me incomoda (va). Mas, em duas vezes que fui tirar um documento e tive de levar a minha carteira de trabalho, neguinho ficou duvidando da minha real profissão.

- Mas aqui diz que o senhor é auxiliar de produção

- Então, é que eu não tirei o MTB ainda

- Saquei...

- Pois é...

- Porra, mas o que é um auxiliar de produção?

- Deve ser algum assistente de um médico especialista em fertilidade he-he

Ninguém ria dessa piada.

Cansado de passar por esses problemas, resolvi tirar o meu MTB. Fui até a faculdade levar uns documentos e ouvi que deveria ir até a Delegacia do Trabalho, no centro de São Paulo, para "dar entrada no meu MTB". Perguntei para a secretária que me atendeu sobre qual papelada deveria levar. Sem saber me explicar, ela tirou um papel do bolso e rabiscou alguma coisa com a caneta. E falou: "Não sei, liga lá".

Eu liguei. Uma vez. Duas vezes. Um dia. Dois dias. Ninguém atendia. Entrei no Google e achei um formulário de 2005 explicando quais documentos eu deveria levar: cópia do RG, da carteira de trabalho, do CPF e um comprovante de residência. Juntei a papelada e fui até a Delegacia do Trabalho.

Parei o carro na rua, comprei uma folha de Zona Azul e avistei o prédio. Velho, para variar. Um monte de gente tossindo e um monte de funcionário público fingindo trabalhar. Deveria ir até o segundo andar e entrar na sala X. O elevador demorou 10 minutos para chegar e mais 5 minutos só para ir do térreo até o segundo andar. Chegando lá, avistei a sala X e vi um balcão. Atrás dele, uma mulher fazendo palavras cruzadas e outra lendo um bolo de papéis. O telefone tocava. Do outro lado, um monte de cadeiras escolares, aquelas de um braço só. Vazias.

Cheguei ao balcão e dei boa-tarde. A mulher das palavras cruzadas se aproximou e perguntou qual era a minha senha. Eu falei que não tinha uma, e ela rebateu dizendo que só poderia me atender assim. Expliquei que a sala estava vazia e, obviamente, eu seria o próximo a ser atendido. Imbatível como um robô, ela pedia a porcaria da senha.

Saí da sala e achei um rapaz sentado numa cadeira escolar, com uns papéis na mão. Pedi a minha senha e ele me entregou um papel amassado, que claramente já tinha sido utilizado. Ao voltar para a sala X, haviam duas garotas sendo atendidas. Colei no balcão e ouvi novamente sobre qual era a minha senha. Falei o número e escutei que deveria sentar e esperar, pois as duas meninas estavam na minha frente.

Sen-sa-cio-nal.

Após 15 minutos, chegou a minha vez. Apresentei meus documentos. A mulher os olhava rapidamente e os carimbava. Um a um. Daí ela perguntou qual era o número do meu PIS.

- Eu não sei

- Mas você precisa me dar o seu PIS

- No site não dizia nada sobre isso

- Que site?

- Do Sindicato de Jornalistas

- ...

- ...

- Mas eu preciso do número do seu PIS

Por sorte (ou de propósito), havia uma unidade da Caixa Econômica Federal atravessando a rua. Desci correndo as escadas, pois só tinha deixado o talão do Zona Azul para uma hora de uso. Fui até a Caixa, furei fila e um rapaz simpático me atendeu. Falei o que precisava, ele pediu meu RG, digitou alguma coisa no seu computador e, bingo, surgiu na tela de seu monitor o meu PIS. Anotei o número na mão, atravessei a rua no farol verde, subi as escadas do prédio da Delegacia do Trabalho e, precavido, peguei uma senha.

Encostei no balcão e falei:

- Anota aí o meu PIS

- Tá, cadê o comprovante?

- Que comprovante?

- Do seu PIS

- É o meu número, toma!

- Mas eu preciso de algum documento que comproveu o seu PIS!

Antes de eu berrar e dizer que a vaca só tinha me pedido o número, bufei e sai em disparada. Estava chegando ao primeiro lance de escada quando ouvi um som alto de alguém correndo de tamanco atrás de mim.

- Eu não posso aceitar esse seu comprovante de residência

- Por quê?

- Ele não está em seu nome

- E daí? Eu moro aí, esse é o nome do meu tio, quer ligar para ele?

- Seu tio?

- É!

- Infelizmente não dá. Só aceito com o seu nome ou de algum parente de primeiro grau

Bufei novamente e quase atirei a mulher escadaria abaixo. A sorte é que me lembrei de um certo cheque de desconto da Claro que eu tinha na minha bolsa, com o meu endereço de Sorocaba. Ela olhou, fez cara de negativo e eu gritei, com educação.

- Moça, eu não vou voltar aqui de novo. Esse é o meu nome, ó, e isso é um endereço. Não interessa se é de Sorocaba, Bragança Paulista, Limeira...

Não tive tempo de citar outra cidade do interior paulista. Ela se virou e respondeu atravessado. "OK, serve. Mas preciso de uma cópia disso".

Desci as escadas, atravessei a rua e quase fui atropelado por uma carroça. Entrei na Caixa Econômica e, caramba, cadê o atendente tão prestativo que tinha me ajudado antes? Resposta: orientando uma senhora a fazer um depósito no caixa eletrônico. Acenei para ele, que gesticulou para eu ter calma e que aquilo iria demorar. Sem sacanagem: a tia ficou 10 minutos ali, de braços dados com o rapaz, só para pôr R$ 10 num envelope e o enfiar num buraco.

Feito isso, expliquei a minha situação para o atendente e ele comentou ironicamente. "Ê, Delegacia de Trabalho, viu... Peraí que eu resolvo isso rápido e... ai, caramba!". Olhei espantado. "O sistema tá fora do ar".

Juro, atirei pedra na cruz.

Olhei para o relógio e vi que faltavam 15 minutos para expirar a minha Zona Sul. Acabei atravessando a porta giratória do Caixa e fui tomar um copo d´água no fundo da agência. Na fila dos guichês, o pessoal, assim que teve conhecimento da queda do sistema, começou a sentar no chão. Eu também o fiz. Me esparramei, na verdade. Estava morto de cansaço.

5 minutos passados, o atendente começou a pular sobre os corpos estirados e fez um sinal de positivo para mim. Eficiente, ele já até tinha tirado um documento comprovando o meu PIS. Agradeci e sai correndo. 5 minutos para a Zona Azul. Tirei xérox do meu PIS, do cheque da Claro e peguei o elevador que, veja só, estava parado no térreo.

Entreguei para a vaca do balcão os papéis que faltavam, preenchi outro documento com garranchos puros e escutei que meu MTB só ficaria pronto em um mês. E deveria retornar lá para pegá-lo.

Bradei, resmunguei. E menti. Falei que precisava do documento com urgência, que seria demitido se não o tivesse em uma semana nas minhas mãos. A ruminante fez cara de foda-se e anotou um "Urgente" no envelope com a minha papelada.

Não tomei multa por ter ficado com o carro 20 minutos extras na Zona Sul e, exatos seis dias depois, recebi uma ligação de que meu MTB estava pronto. Voltei no dia seguinte, sem pressa dessa vez, e recebi a minha carteira de trabalho com um novo papel colado em uma das milhares de folhinhas dele. Dizia que eu era jornalista formado e, bem escondidinho, o número do meu MTB.

Provisório.

Descobri que esse documento tem um ano de validade e que, assim que meu diploma sair (na metade do segundo semestre), devo levá-lo para a Delegacia de Trabalho e pegar o meu registro definitivo, que ironicamente será o mesmo número do provisório. Dá para entender?

Eu estava saindo da sala X, fitando aquela carteira azul em minhas mãos, quando ouvi um som de alguém de tamancos correndo atrás de mim. Virei para trás, a mulher me deu um papelzinho e disse, com um sorriso que deixava seu lábio esquerdo meio torto: "Você também precisa trazer cópia de tudo isso aqui para mim da próxima vez".

Em letras miúdas, o bilhetinho dizia: cópia de CPF, cópia do RG, cópia de comprovante de residência, cópia da carteira de trabalho e cópia do comprovante do PIS.