Quem o escuta pela primeira na TV, jura que a voz é de um americano exibido. O "maiãmi" é pronunciado como "miémi", e as exclamações lembram aqueles comentaristas gringos que fazem graça quando um atleta enterra uma bola de basquete. Mas não. A voz das transmissões de futebol americano e beisebol da ESPN Brasil é de um brasileiro: Paulo Antunes.
"Pessoal acha que quero aparecer, mas o inglês é quase a minha primeira língua, fui para os EUA com 7 anos e vivi por lá mais 17", justifica Paulo, que cresceu vendo as transmissões esportivas americanas. "É muito fácil se empolgar com futebol americano: tem trombadas, cara que perde o capacete e mostra um cabelão engraçado, o gordo que corre e não sabe o que fazer com a bola...", ri.
Há três anos na emissora, Paulo entrou na ESPN quase sem querer. Ele voltou ao Brasil em 2002, para trabalhar como repórter e apresentador da VTV, afiliada da RedeTV! de Santos. De férias nos EUA, ligou para a ESPN Brasil sugerindo um frila. Virou locutor. "Queria um bombom e ganhei um filé mignon".
Em 2009, vive seu melhor momento e, pela primeira vez, cobriu um jogo in loco: o Super Bowl, a grande final midiática do futebol americano. Tal cobertura rendeu a ele e Everaldo Marques, locutor que está sempre ao seu lado, 15 mil comentários no blog do programa da dupla, o The Book is On the Table - um recorde no site.
"Brasileiro gosta de interação e a gente interage com o fã do esporte, o que não acontecia quando os jogos eram transmitidos dos EUA. Isso faz uma grande diferença."
Na internet, aliás, está o maior exemplo de como Paulo virou hit entre aqueles que gostam de esportes americanos. Suas gírias em inglês e formas de pronunciar nomes de atletas são idolatrados no Orkut e no YouTube. Em especial, um certo latido que solta no ar. "Um dia teve um e-mail comentando que eu latia! Hoje o nome da minha empresa é Paulo Antunes Comunicações e Latidos", diverte-se.
Hoje não consigo mais ver futebol brasileiro. Acho feio, mal jogado, cheio de não-me-toques, com jogadores medíocres. Nem as partidas do meu glorioso tricolor paulista me animam.
Mas curiosamente me animo com notícias sobre os bastidores do mesmo. E recomendo fortemente a série O Buraco Negro do Futebol, que a ESPN Brasil vem exibindo nos últimos dias (até o dia 3/10) no SportsCenter. São 11 reportagens de Fernando Gavini que mostram a realidade financeira de 14 times nacionais. Desses, apenas quatro tiveram lucro no ano passado.
Achei legal porque ele mostra que tá todo mundo quebrado e ferrado, gastando mais do que ganha. Outro destaque é a tática de reavaliar a cada ano o seu patrimônio, uma tática legal usada para maquiar a verdadeira situação financeira dos clubes. O Grêmio, atual líder do campeonato, na verdade está devendo para deus e o mundo, por exemplo.
Do cacete.
Se você não consegue pegar o SportsCenter ao vivo, ou suas reprises, dá para conferir o que está rolando aqui.
Estamos quase no fim da Olimpíada e continuo atrás da minha musa brasileira. Cara, esse ano o negócio tá bravo: não tem uma esportista gatinha, jeitosinha...
O vôlei, que geralmente é um ótimo celeiro de musas, está mals. O time é ótimo, acho que pega o ouro, mas é duro ver as partidas apenas porque elas são boas - no sentido profissional. Pessoal fala muito da Mari, mas sei lá, não curto aquele jeito machão dela.
A Ana Paula, do vôlei de praia, não me atrai. Nunca vi nada nela. Quando ela jogava pela seleção feminina, sempre preferi a Leila ou a Fernanda Venturini. E hoje ela está muito marombada, com uns gominhos no abdômenl. Sei lá, tem quem curte essas paradas.
A Mariana Brochado, forte candidata a dona do meu coraçãozinho, nem participou. Aquelas gêmeas do nado sincronizado, que tem jeitão de blé, deram uma de Kournikova e largaram o esporte.
Mas se o negócio não está bom por essas bandas, lá fora a fonte é inesgotável. A Isinbayeva realmente é impressionante (e simpática, o que é pior), mas eu prefiro focar meu olhar naquelas que pouca gente comenta. E a minha escolha é a nadadora australiana Stephanie Rice, de apenas 19 anos. Além de bonitinha e competente (ganhou umas par de medalha de ouro), também é um exemplo de que mulher na natação não precisa ter um corpo de Dolph Lundgren.
Tanto que na Austrália ela fez propaganda de lingerie e já posou na FHM, uma espécie de VIP da Oceania.
Meus queridos, há duas semanas fui convidado a participar do programa Bola e Arte, apresentado por CarlosCarlos no FizTV. É uma atração que fala sobre cultura, entretenimento e transformação social, tendo como pano de fundo o futebol. Bem interessante.
Gravado em um quartinho de sua casa, o programa tem jeitão amador, mas é profissa: tem produtor, estagiário, fotógrafo, dois câmeras (um deles com lentes fisheye, a marca do Bola e Arte) e até uma quituteira: a vizinha Dona Sarah, dona de um boteco que faz um sanduíche de frango formidável.
Foi bem legal o bate-papo. O outro entrevistado da noite foi um grupo musical uruguaio de candombe, um ritmo africano trazido pelos escravos de lá para a América do Sul.
O programa está dividido em 4 partes. Na primeira, quem dá as caras é o Candombe. Eu apareço mais nas partes 2 e 3, onde falo sobre a minha coluna de vídeos online no Estadão e mesas redondas televisivas, além de um pequeno merchan do Randômico e do DPL! (projetos pessoais, sabe cumé). Na quarta, trocamos uma idéia sobre futebol uruguaio.
Estou acompanhando com grande entusiasmo as provas de natação da Olimpíada de Pequim. Principalmente aquelas em que o über Michael Phelps compete. Ou seja, todas.
O cara não apenas fatura todas as provas, como trucida os recordes mundiais. Isso me deixa bem triste, pois descobri que meu nadador predileto é justamente aquela LINHA VERDE que aparece na televisão, representando o tempo do recorde mundial.
Peguei-me torcendo muito por ela ontem à noite. Com alguns nadadores ela é imperdoável: vai ficando lááá para trás, mas, nos últimos 30 metros, dá um sprint e vence a prova com classe. Já com Phelps não tem jeito mesmo. A coitada não ganha uma. Pior que ela deve ter cansado depois de tantas provas, pois do que já tem de nadador superando-a...
Nas Olimpíadas, sempre torço para os mais fracos. E em Pequim achei o meu atleta que se encaixa muito bem nessa categoria: a Linha Verde da natação.
Gosto muito de caçar documentários na web e quase toda semana encontro um que me agrada (principalmente de trabalhos de faculdade). Fut Mídia S/A (2005), de Carlos Ferreira Jr., foi o último.
O trabalho fala sobre o futebol e suas entranhas: da cobertura feita pela televisão nacional sobre o esporte e da espetacularização e do excesso de merchandising presente nas mesas-redondas.
O seu filé é que ele não tem voz em off ou texto corrido: apenas entrevistas. As falas dos entrevistados vão se juntando (e se complementam), o que gera uma discussão bem bacana. Imagino a dificuldade que foi realizar essa edição, pois Carlos conversou com os principais jornalistas esportivos daqui, como Juca Kfouri, Cléber Machado, José Trajano, Neto (sic), PVC, Éder Luiz, Soninha, Milton Neves e um Casagrande pré-rehab . A pluralidade de opiniões é enorme e alfinetadas saem por todos os lados.
São mais de 40 minutos de filme, mas passa rápido. Ah, ele não serve apenas para amantes do futebol ou jornalistas/estudantes de jornalismo, OK? Deixo abaixo o doc tirado lá do Fiz dividido em 3 partes para vocês curtirem nesse findi.:
Segundo os amantes do futebol, a maior defesa (de um goleiro) da história foi a protagonizada pelo arqueiro inglês Gordon Banks, na Copa de 1970. O lance todo mundo já viu: Jairzinho escapa pela direita e cruza, na medida, para Pelé. O camisa 10 dá uma baita impulsão e, como um Bem-te-vi, paira no ar e cabeceia do jeito que todo treinador de futebol ensina: para o chão.
O lance é plasticamente muito bonito, ainda mais pelo vôo de Banks, que dá um tapa e joga a bola para escanteio. Mas convenhamos que ele tem toda a mística de ter sido protagonizado pelo Pelé, na Copa de 70, pela seleção do tricampeonato... Foi um time que encantou todo o mundo. Tanto, que as cenas mais famosas dessa copa (e da própria seleção) são justamente os "gols que o Pelé não fez": o já citado cabeceio, o drible da vaca no goleiro uruguaio e o chute do meio de campo que foi para fora (não achei o vídeo desse momento isolado).
Mas, na minha opinião, a defesa mais impressionante de todos os tempos foi a feita pelo uruguaio Rodolfo Rodríguez, quando então defendia o Santos. No Campeonato Paulista de 1984, ele fez um lance de 5 defesas seguidas brilhantes, contra o São José do Rio Preto. Lembro que essa cena aparecia direto naquele programa da TV Bandeirantes que mostrava momentos históricos do futebol, o Show do Esporte.
Vejam o maior exemplo do que é agilidade e reflexo em ação:
Fiz esse post graças a um vídeo que me mandaram, agora pouco que mostra um goleiro fazendo uma seqüência de quatro baita defesas em uma cobrança de pênalti (uma delas parece que foi o zagueiro que cortou, diga-se). Lembra muito o lance do Rodríguez. Não sei de que jogo se trata, apesar de parecer ser de algum campeonato brasileiro, graças aos comentários dos torcedores na arquibancada. Um dos uniformes parece ser o do Atlético Paranaense, então chuto que pode ser de um jogo de juniores.
Assistam e comparem:
OBS: Durante a pesquisa, achei esse milagre do francês Gregory Coupet em uma partida Lyon x Barcelona. Estou pensando seriamente em mudar a minha opinião!
5 de mai. de 2008
Joga bola
Em 1995 ou 96, não lembro exatamente, meu primo Luciano resolveu usar o seu apartamento para que toda a família se reunisse lá para comemorar o Natal. Ele, que tinha acabado de voltar da Europa, havia gravado em uma fita VHS um programa gringo que exibia os melhores comerciais do mundo.
Lembro de um, em especial, que me marcou demais: era feito pela Nike com as estrelas de futebol da época: Paolo Maldini, capitão da Itália, Eric Cantona, do Manchester United, Ronaldo (que na época era magrinho e gostava de mulher), Tomas Brolin, astro da Suécia, Luis Figo - então no Barcelona -, entre outros.
A publicidade foi gravada no Coliseu de Roma, numa batalha entre os boleiros e um time do inferno, com monstros e coisas do tipo. Era do ca-ce-te! Uma baita produção hollywoodiana, que acabou por inaugurar aquela maldita tendência publicitária que tomou conta de todos os fabricantes esportivos do mundo: chama-se uns atletas fodões, eles exibem suas habilidades em frente à câmera, cria-se depois efeitos especiais e se escolhe uma canção moderninha e pronto!
Mas a Nike calou a minha boca com o seu novo comercial, cujo mote é o lema "The Next Level". Dirigido por Guy Ritchie, durante quase exatos dois minutos o vídeo mostra a ascensão de um futebolista, desde um time pequeno até chegar num clube profissional (Arsenal) e ter de ralar muito para chegar à seleção holandesa.
O bacana do filmete é que ele põe o espectador na pele do jogador – tem-se a visão dele, como um game em primeira pessoa. A edição é ligeira e meio "epilética" e a música, como costuma acontecer com esse tipo de comercial, é ótima. Também vale destacar que ele foge do lugar comum de ser um picadeiro para qualquer perna-de-pau pôr a bola atrás do pescoço.
Mas o destaque mesmo são os pequenos detalhes presentes no filme. Só quem manja um bocado de futebol vai sacar que (quase) todo mundo que aparece ali em cena é alguém famosão no mundo futebolístico: o olheiro que o repara em seu primeiro jogo é Arsène Wenger, treinador do Arsenal; o atleta que dá uns dribles nele e o humilha é Cristiano Ronaldo; o zagueirão truculento, que dá uns tapas em seu rosto, é o zagueirão Marco Materazzi - aquele mesmo, da cabeçada do Zidane.
Enfim, a publicidade é do caramba, isso não é post pago e foi meu irmão quem deu a dica.
15 de abr. de 2008
O golaço da AJ TV
Ignorem o fato de este blogueiro ser um são-paulino roxo, mas o que o querido AJ, da AJ TV, conseguiu ontem foi um tremendo golaço.
Antes de falar qual foi o tento, vou aqui explicar o que é a tal AJ TV: ela é um canal de televisão online, que apenas retransmite os jogos do tricolor paulista. É pirataria? Sim, porque AJ apenas joga para um canal do Sopcast o sinal que pega do seu Premiere Futebol Clube. Mas o trabalho desse cara é impressionante: ele próprio chega a narrar às partidas, prepara uma espécie de "show do intervalo" bem divertida, analisando o prélio e respondendo aos vários e-mails, mensagens SMS e recados do MSN que recebe durante as transmissões.
Mas, voltando ao mérito da questão, AJ deu ontem uma bela rasteira nos principais jornalistas esportivos do País. Enquanto todo mundo fica discutindo à vera o gol de manchete do Adriano contra o Palmeiras, AJ achou no mesmo lance um pênalti que o "Imperador" recebeu de Diego Souza. Quando Jorge Wagner alçou a bola, o palestrino puxou a camisa do atleta tricolor, vejam só:
Com esse leve puxão, possivelmente se explica porque Adriano não chegou a tempo de cabecear a bola, que acabou batendo em sua mão. Ou seja: antes da raquetada houve uma penalidade máxima. E ninguém tinha notado isso!
"Eu já tinha tido a impressão na hora do jogo, durante a narração. Depois, quando eu tava gravando o ‘Bobo Esporte’, como sempre faço, mostraram a câmera lenta da jogada e aí eu tive certeza", me contou o AJ. "Na hora de editar o vídeo eu aumentei o zoom e diminuí ainda mais a velocidade do lance. Deu pra ver direitinho o pênalti."
Os jornalistas Juca e André Kfouri divulgaram em suas páginas a descoberta de AJ – o diário esportivo Lance! também deu um destaque bacana ao feito, inclusive creditando o site Sempre Tricolor, de AJ.
Ah, a internet!
30 de mar. de 2008
Melhor do mundo
Independente do caro leitor gostar ou não de futebol, dêem uma olhada no vídeo abaixo, da partida Manchester United 4 x 1 Aston Villa deste último sábado, pelo Campeonato Inglês. Fazia muito tempo que eu não via uma atuação tão impressionante e tão magistral como a do português Cristiano Ronaldo, o camisa 7 dos reds.
O gajo fez um gol de letra e deu três assistências na partida: uma de calcanhar; passando a bola embaixo das pernas do zagueiro (ambas para Rooney) e outra "normalzinha", fazendo um cruzamento de primeira na cabeça de Carlitos Tevez.
Foda!
28 de jan. de 2008
Esporte de macho?
Está cada vez mais sofrível ver uma partida de futebol no Brasil. O jogo não se desenvolve, a cada cinco passes alguém faz uma faltinha boba. Alguém viu São Paulo e Corinthians ontem? Poxa, foi de doer. Falta atrás de falta. Não é um jogo violento, mas de interrupções. Um puxão aqui, uma cutucada acolá. E não pode nem mais encostar no atleta do outro clube. Sentiu o cangote do negão atrás? Dobra os joelhos e se joga no chão. O juiz sempre marca. Batata.
Aquele ditado de que "Futebol é coisa pra macho" não existe mais. No Brasil. Veja uma partida do futebol inglês e do espanhol? Não adianta dizer que na Europa pode dar encontrão, carrinho e o escambau. Não é isso. O jogo por lá é dinâmico, a bola só pára quando sai do campo. E se o atleta recebe uma falta, mas tem a oportunidade de prosseguir a jogada, ele o faz, ao contrário daqui. Cada time inglês não faz mais de 10 faltas por partida. Por aqui, se um time fizer menos de 25 é exemplo para os outros.
No clássico de ontem, houve um lance que será assunto nos botequins durante toda a semana. Em bola alçada pelo tricolor Hernanes, Adriano veio na corrida e ganhou a disputa no alto contra o zagueiro Williams, do Corinthians. Golaço! Daqueles de dar gosto. Mas...
O árbitro anulou. Falou que o atacante são-paulino fez falta, apoiou-se no ombro do adversário. Ao acabar a partida, Adriano reclamou: "Na Itália não seria falta."
Não estou escrevendo este texto para reclamar do lance (todos sabem que sou são-paulino roxo). Adriano é um tanque, e óbvio que ele sempre ganhará na força física. Mas reparem no vídeo, como William vê o jogador se aproximar, vê que vai perder na impulsão e já deixa o corpo mole, para levar um encontrão. No ar mesmo ele já abre os braços e reclama. E, como hoje qualquer contato físico no futebol brasileiro é falta, não dá outra.
O que anda matando o futebol brasileiro é essa mania de Lei do Gérson, de sempre querer levar vantagem, de querer iludir os outros. Você vai numa escolinha de futebol e vê um monte de guri habilidoso. Daí, no primeiro drible, ele toma um encontrão e se joga, fica rolando no chão, se contorcendo de dor. É mole? Eu já vi, sem brincadeira.
Acho que isso é coisa nossa. O basqueteiro Anderson Varejão foi no ano passado o jogador da NBA a mais conseguir cavar faltas de ataque. Malandro, ele sabe como ninguém fazer isso. Em vez de tentar brigar pela bola, ele se joga na frente do adversário no garrafão para levar uma trombada. Os americanos não acharam essa "habilidade" engraçada, e Varejão tomou esporro até dos colegas de time.
Hoje, gol no Brasil só sai de bola parada. Não sei se há algum dado sobre isso, mas vou tentar achar. Do que deve ter crescido o número de gols saídos de cobranças de falta e escanteio... Você vê os Gols do Fantástico e não dá outra. Um tento criado por tabelinhas, filas e chutes do meio da rua estão cada vez mais raros.
Eu estou ficando velho ou alguém mais concorda comigo?
3 de jan. de 2008
Jogos para sempre
Confesso que visto muito mais a camiseta da ESPN Brasil do que a do SporTV, mas um programa do canal da Globosat, exibido por apenas 10 dias, foi um dos melhores que eu já vi na TV a cabo: Jogos para Sempre.
Foi muito legal! Documentários de uma hora de duração que reviviam um grande jogo da história do futebol brasileiro. O formato era simples e bem bacana: um apresentador e dois convidados, geralmente um jogador de cada time que participou do prélio.
O atleta pertencente à equipe que venceu o jogo é entrevistado ao ar livre (sempre em algum lugar com muito verde), caminhando e batendo papo com o apresentador. Este, relembra momentos cruciais da disputa, como uma falta, um lance perigoso, e por aí vai. Pelo outro lado, aquele que fez parte do time derrotado é entrevistado em uma sala, sozinho, com a câmera focando em seu rosto. Misturado às falas são exibidos os melhores momentos do jogo.
Ah, somado a tudo isso, alguém que viu a partida no estádio ou pela televisão, como o escritor Luis Fernando Veríssimo ou o ator Marcos Palmeira, comentam como eles quase morreram assistindo determinado jogo. Os depoimentos são engraçadíssimos.
Dentre os jogos exibidos teve um 6 a 0 do Flamengo no Botafofg, em 1981, aquela clássica final do campeonato carioca de 1995, entre Flamengo e Botafogo, com o gol de barriga do Renato Gaúcho, e uma partida que sempre foi motivo de piada na minha família: a final do Brasileirão de 1986 entre São Paulo e Guarani.
O jogo acabou 3 a 3, e o tricolor sagrou-se campeão nos pênaltis. Diz a lenda, digo, meu tio, que aos 43 minutos do segundo tempo da prorrogação, quando a partida estava 3 a 2 para o time de Campinas, meu avô saiu da sala xingando o tricolor paulista de pipoqueiro. Mal ele subiu as escadas para o Careca soltar uma bomba e empatar a partida. Depois ele tentou voltar para ver o jogo e acabou sendo expulso por meu tio.
Eu fiquei viciado no programa, e me senti desolado ao saber que ele foi um especial de 19 a 30 de dezembro. De boa, os caras do SporTV deveriam deixar essa atração quinzenal ou mensal, pois faz falta programas esportivos assim. Não agüento mais aquelas mesas-redondas com um jornalista falando mais alto do que o outro.
Inspirado pelo programa, baixou um Nick Hornby em mim e fiz uma seleção dos 5 jogos do futebol brasileiro memoráveis da minha vida. Estes eu lembrarei para sempre – por motivos bons ou ruins.
5) Palmeiras 3 x 4 Vasco (Final da Copa Mercosul de 2000)
No primeiro jogo da final, no Rio, o time de São Januário bateu a porcada por 2 a 0. No segundo confronto, em São Paulo, 1 a 0 para o Palmeiras. No confronto final, no Palestra Itália, o jogo acabou 3 a 0 para o time alviverde no primeiro tempo. Caneco garantido? Não para Romário, Viola e Juninho Paulista, que viraram a partida para 4 a 3.
4) Santos 5 x 2 Fluminense (Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1995)
Por duas vezes nessa vida eu torci para um time brasileiro que não foi o meu tricolor: a Portuguesa de 1996, que foi vice-campeã brasileira, e o Santos de 1995, que teve o mesmo destino. No primeiro confronto, o time carioca venceu o santista por 4 a 1, lá no Rio. Ir para a final era tarefa quase impossível para o esquadrão comando por Giovanni, e lembro que são-paulinos, corintianos e palmeirenses lotaram o Pacaembu para ajudar o Santos a vencer por três gols de diferença. O primeiro-tempo acabou 2 a 0 para o time santista, que nem desceu para o vestiário no intervalo para sentir o apoio da (s) torcida (s). Dito e feito: 5 a 2 na segunda etapa.
3) Cruzeiro 2 x 1 São Paulo (Final da Copa do Brasil de 2000)
Jogo mais triste de minha vida. Até hoje o São Paulo não ganhou esse título, e em 2000 esteve com uma mão e meia na taça. No primeiro jogo da final, no Morumbi, 0 a 0. Já no Mineirão, em uma partida duríssima, Marcelinho Paraíba fez um baita gol de falta, e abriu o placar para o tricolor. O título estava perto, até que Müller, que fez história no São Paulo, entrou no final da partida, junto de Fábio Jr. Aos 34, o primeiro deu um passe açucarado para o segundo empatar o jogo, resultado que ainda era nosso. 10 minutos depois, minha tia pé-fria entra na sala. Bastou ela sentar no sofá para o Axel recuar uma bola bizarra e o atacante Giovanne roubar a bola e sair cara-a-cara com Rogério Ceni. Para evitar o desastre, o zagueiro Rogério Pinheiro puxou o adversário e foi expulso. Xinguei ela de tudo quanto é nome, o que a fez ir embora lacrimejando. Müller avisa Giovanne para bater a falta rasteiro. A bola passa pelo meio da barreira e entra, aos 44 minutos. O São Paulo perde e minha família briga comigo. Raí aposenta logo depois. Uma verdadeira tragédia grega!
2) São Paulo 3 x 2 Ponte Preta (Quartas de final do Brasileiro de 1999)
Mais uma virada inesquecível. E eu estava no estádio. Deu a louca no meu tio, e ele resolveu levar seu sobrinho para ver o jogo no Morumbi, dirigindo correndo de São Paulo até Sorocaba. Compramos as entradas de cambistas para o único lugar disponível: arquibancada inferior, o pior lugar do Morumbi. Primeiro tempo acaba e 2 a 0 para o time campineiro. Lembro que meu tio ficou puto, falando para os céus como tamanha aventura podia acabar daquele jeito. Acho que Deus ouviu o reclame e incorporou em Marcelinho: ele fez três golaços na segunda etapa, todos tirambaços do meio da rua. Ao comemorar o terceiro tento, levantou a camisa. Por baixo dela havia outra com os dizeres "100% Paraíba". Depois desse jogo ele até mudou de nome, tornando-se o Marcelinho Paraíba.
111) São Paulo 3 x 1 Corinthians (Final do Paulista de 1998)
Fazia anos que o tricolor não ganhava um título decente. Para piorar, eu era muito criança na época do Bi-Mundial de 1992/93 e achava que nunca viria meu clube do coração ganhar alguma coisa. Na primeira final, isso parecia ser realidade: 2 a 1 para os gambás. Na finalíssima, algo inacreditável aconteceu, digno de Hollywood: o rei Raí voltava para o São Paulo, após cinco anos na França - isso há três dias da partida. Raí mostrou ser o terror do Morumbi e, em uma bela cabeçada, marcou 1 a 0. O Corinthians até empatou depois com Didi, mas, junto de França e Denílson, Raí comandou um 3 a 1 que poderia ser goleada. Foi um dos momentos mais felizes de minha vida, e até chorei naquele dia.
17 de jul. de 2007
1, 2, 3... Fight!
Nas Olimpíadas de Inverno do ano passado, o kurling reinou absoluto entre o esporte mais bizarro a ser praticado na competição. Aquela espécie de bocha do primeiro mundo, em que atletas literalmente precisam enxugar gelo com uma vassoura para fazer uma chaleira de cerâmica ganhar mais velocidade foi hors-concours.
No Pan 2007, o hóquei na grama é forte candidato. É estranho ver um monte de esportistas com uma bengala na mão e se curvando pra caramba apenas para acertar uma bola. Se eu fosse fisioterapeuta, abria uma clínica ao lado de um campo de hóquei na grama. O que esses atletas devem ter lordose e bico de papagaio não deve ser brincadeira.
Mas engraçado mesmo é ver os caras de taekwondo em ação. Sensacional, parecem dois lutadores saídos do Mortal Kombat. Pode reparar, é banana: todo lutador fica meio que posicionado de lado, dando uns saltinhos engraçados sem sair do lugar. Não é tipo boxe, em que o atleta fica gingando de um lado pro outro do ringue, ou judô, em que um se engalfinha no outro e fica um empurra-empurra infernal. Pô, taekwondo é bem mais divertido.
O uniforme também é ótimo: o protetor usado na cabeça é igualzinho ao capacete anti-convulsão usado pela Natalie Portman no filme Hora de Voltar. Já para proteger o tórax, utiliza-se um tipo de colete salva-vidas.
A arte marcial coreana funciona assim: são três rounds de três minutos e ganha o oponente que mais der bordoada no outro. Chute na cabeça vale dois pontos, já no peito e no abdômen, um só. Pode-se usar as mãos também, mas apenas no tronco. Pelo o que eu entendi é difícil pontuar dando socos – os juízes são cri-cri, e costumam validar apenas golpes dados com muita força, por isso a opção pelos chutes.
Daí você pensa: “Pô, o pau deve comer solto!”. Não, ao contrário. Os lutadores ficam pulando sem sair do lugar o tempo todo, como uma forma de analisar os movimentos do adversário. Aí, quando um resolve golpear, o outro se esquiva e acerta um belo pontapé no “estrombo” do sujeito. Não tem erro: negócio é ficar pulandinho no seu lugar e esperar o oponente tomar um decisão. Daí, no contra-ataque, você dá um round house kick e fatura um mísero ponto.
Taekwondo é típica briga de irmão versus irmão. Quando eu lutava com o meu, só valia chutar na perna e esmurrar o braço. A gente ficava lá, pulando sem parar até o outro tomar uma decisão. E, quando alguém ia pra cima, logo levava de revide um chute na canela que doía horrores (para os dois).
E era coisa de macho mesmo, apesar que a luta consistia apenas em dar um chute e logo depois fugir para o banheiro e trancar a porta. Talvez isso não aconteceria se gente usasse um desses capacetes anti-convulsão.
Ia ser bem massa.
26 de jun. de 2007
É ou não é?
Na semana passada, a figurinha que não saiu das manchetes foi a bandeirinha Ana Paula de Oliveira. Capa da edição de julho da revista Playboy, muito especulou-se sobre sua decisão: o futebol é um meio machista e fazer essas fotos pode ser muito prejudicial para sua carreira.
Bem, imagine um Morumbi inteiro abrindo o pôster de uma mulher com a Claudia Ohana de fora e vocês terão alguma idéia do que estou falando.
Nesta semana novamente vai estar em voga o tema machismo no futebol.Desta vez, dizem, um jogador de um grande clube paulistano irá assumir sua homossexualidade. E no Fantástico.
O “furo” saiu na Folha Online, com a fofoqueira Fabíola Reipert. O Kibe Loco, bobo que não é, criou uma enquete perguntando de que time o jogador é.
Novidade, né? Nem um pouco. O blog El Kabong deu no dia 2 de maio essa notícia, muito mais completa e detalhada que a da Fabíola.A diferença é que não dá para comparar a repercussão de um jornal tradicional com um reles blog.
O nome do boi é Richarlyson, quebra-galho do São Paulo que joga de volante, meia, líbero, lateral-esquerdo e em qualquer outra posição que for encarregado. Joga direitinho e tal, mas não é titular.
Quem acompanha futebol sabe que não é de hoje a suspeita pelo atleta. Torcedores adversários pegam no pé do cara desde que ele comemorou um gol seu feito contra o Palmeiras, há dois anos, com uma rebolada estranha. Tal fama só piorou conforme ele customizava o uniforme, dobrando as mangas da camisa ou levantando a sua gola, e com seu jeito de correr peculiar, meio que empinando a retaguarda. Não é a toa que ele é chamado de “Bicharlyson”.
Homossexualismo no futebol sempre foi um tabu. Até hoje se especula que o zagueiro Júnior Baiano teve um caso com a Vera Verão, mas o comediante levou isso para o túmulo. Dizem que o jogador titular da Copa de 98 ameaçou matá-lo caso ele abrisse a boca. Também pipocam histórias que rolam nas categorias de base da vida, em que determinados técnicos só escalam certos jogadores que fazem determinados favores no vestiário.
Essa notinha vai estourar. Vão fazer pressão nos clubes, jogadores vão começar a se manifestar para que tal atleta saia do armário e, caso isso realmente aconteça, será bem curioso. Confesso que não me lembro de nenhum jogador de futebol que seja gay assumido.
Também me interessa a postura do São Paulo. Dizem que o presidente do clube já fala que se o jogador quiser assumir, que o faça, mas também nunca mais põe o pé no clube. Um boato que circula nas redações esportivas há uns meses é que o jogador que ser o primeiro jogador de futebol no Brasil a assusmir. Mas daí os dirigentes e o empresário do cara acharam isso uma loucura, afinal todo mundo sabe que um dos apelidos do tricolor é “bambi”, e a saída de armário de um esportistas do elenco só aumentaria essa alcunha.
E se ele for mandado embora, quem vai contratá-lo? Não sei, mas no Brasil não vejo time algum que o aceite. Jogadores vão pressionar, a torcida vai xingar porque não quer ser zoada pelos torcedores adversários, possíveis patrocinadores podem romper contratos para não terem suas imagens veiculados ao cara... Vamos ver.
Na comunidade oficial do tricolor paulista no Orkut, não se falou hoje de outra coisa. Tópicos atrás de tópicos eram criados para debater a questão, e todos eram rapidamente apagados pelos moderadores (vários eram tirações de sarro vindos de corintianos, palmeirenses e santistas). Internautas que manifestassem algo de homofóbico eram banidos.
Até que, finalmente, um dos donos da comunidade escreveu um post falando que dane-se o que o cara for, o que interessa é que ele jogue bola. Grande maioria dos participantes da comunidade está apoiando ao tópico.
Se o cara assumir e os atletas e torcedores o apoiarem, meus amigos, isso será do caralho!