2 de mar. de 2010
EPIC FAIL
12 de ago. de 2009
Comic-Con, a verdadeira vingança dos nerds
Durante as últimas duas semanas, estive nos EUA, meio que trabalhando, meio que de férias. Em relação à primeira parte, fui cobrir a Comic-Con, um antigo sonho.Para quem caiu de paraquedas, a Comic-Con é o maior evento de cultura pop (ou nerd) do mundo. Nasceu há 40 anos, para celebrizar a cultura dos quadrinhos e estreitar a relação entre artista e fã. Com o passar dos anos foi crescendo, e hoje abriga filmes, seriados de TV, games, mangás... E HQs, lógico.
Durante os 4 dias em que estive no evento, encontrei pessoas de todas as idades que, ao primeiro olhar, parecem serem nerds, daquele tipo que a gente imagina ter saindo de um filme dos anos 80 que é exibido exaustivamente nas sessões da tarde. Mas, na verdade, são bem diferentes. Pois não são nerds sociais, que não vivem enclausurados, dentro de uma bolha. O grande exemplo é a relação desse público com a tecnologia: eles gostam do digital pelo o seu elemento puramente social.
Na Comic-Con, os freqüentadores são grandes admiradores de gadgets. Se gostam de uma filmadora, ela não precisa ser top de linha, com disco rígido interno ou fazer filmetes em HD. Serve a Flip, aquela pequena, de bolso, que filma em qualidade razoável mas passa os vídeos diretamente para o YouTube. Videogame portátil era jogado em rede, via Wi-Fi. O iPhone, cuja câmera está aquém da os seus concorrentes, era figurinha fácil no evento graças a sua facilidade de navegação na internet. As pessoas usavam o celular da Apple para tirar fotos dos famosos e das pessoas fantasiadas. Em segundos essas imagens estavam no Twitter. Comic-Con, aliás, foi a #hashtag líder dos trending-topics do microblog nos dias do evento.
Esse tipo de comportamento é o que a indústria do entretenimento tanto procura. O nerd é hoje o grande consumidor a ser atingido. Por isso que a Comic-Con traz em primeira mão os grandes lançamentos da cultura pop, que cada vez mais pode ser chamada de cultura digital.
Nos cinemas, só deu filme em 3D – que o diga o sucesso tremendo da exibição de Avatar, de James Cameron. Em relação aos quadrinhos, o mestre Stan Lee apresentou uma HQ multimídia, Time Jumper, para o iTunes e celulares. A produção de conteúdos televisivos para a internet roubou a cena. Do lado de fora do Convention Center, a cada dois passos se recebia um flyer sobre uma nova websérie. Lá dentro, Lost punha no ar um site que promete ser seu mais novo game de realidade alternativa (ARG). Grande novidade da edição 40, as sessões de How To ("Saiba Como") ficaram marcadas pelas aulas que ensinavam como criar games para celular ou quadrinhos para o iPhone.
Mas o que tem o nerd de tão especial?Ora, ele é o consumidor perfeito. Que, quando se identifica com um produto, venera-o imensamente. Veja uma serie de TV. Esse novo espectador a assiste primeiro pela internet, pega a reprise na televisão fechada, na aberta, e compra o box da temporada em DVD. Também é um formador de opinião, que vai usar sites, blogs e microblogs para gerar um buzz em torno da atração.
É um poder tão grande que pode evitar que um programa de baixa audiência não seja cancelado. Um exemplo é Chuck, cujos fãs criaram um movimento gigantesco na internet para a série ser renovada – até patrocínio conseguiram! Zachary Levy, o protagonista da atração, participou intensamente da campanha. "Tenho certeza que a gente não teria uma terceira temporada se não fosse o nosso público", contou.
Também em entrevista, Chuck Lorre, criador das éeries Two and a Half Men e The Big Bang Theory, definiu bem o papel do nerd atual. “É o novo super-heroi, a pessoa que vai salvar o nosso futuro”.
Quando diz “nosso futuro”, ele não está se referindo à indústria do entretenimento. Mas a nós, cidadãos comuns.
* Gostou das imagens que ilustram este post? Fiz um álbum no Flickr com o melhor do que foi registrado pela minha câmera. Vai lá!
23 de mai. de 2009
Surfando no sofá
Para quem tem curiosidade em saber como é o Couch Surfing e como essa joça funciona - eu falei que usei ele nas minhas férias, lembram? - fiz para o pessoal do Virgula uma matéria especial sobre a rede social dos mochileiros. Tá bem ilustradinho, explicadinho e bonitinho, hummmkay?- Sem grana para viajar? Que tal fazer parte da rede social dos "surfadores de sofá"?
+ Entenda como funciona o Couch Surfing
4 de mai. de 2009
Amigos online, amizade offline
Há um certo tempo, numa entrevista de emprego, eu ouvi uma pergunta curiosa. Apesar de eu já vir escrevendo sobre tecnologias e afins durante dois anos e meio, os entrevistadores perceberam que eu não me definia como um jornalista de informática ou coisa que o valha.
- Mas você é jornalista do quê?
Eu fiquei mudo. Pensei um pouco, corri com os dedos pela mesa de madeira, dei uma respirada bem funda e respondi, sem saber se aquela era a resposta que queriam ouvir.
- Sou jornalista de pessoas
Acabei entrando nesse mundo da internet, redes sociais e o escambau, por causa das pessoas. Foi natural. Desde a faculdade minhas pautas comportamentais vinham deste ambiente. A internet é agora o que um dia foi a rua. Antes, as pessoas saiam de casa para se conhecer. Iam até a praça com coreto, passeavam no shopping, punham as cadeiras na calçada em frente de casa. Hoje, vão para a internet - e trazem essa relação para o mundo real.
Sim, acreditem. Relacionamento de internet não é mais aquela coisa ensimesmada, de se enfiar dentro de uma bolha para ficar naquele téc, téc,téc twenty-four-seven.
Vou provar.
Nas minhas férias, fui para o Chile, Peru e Argentina. Dizia para meus pais que tinha amigos nesses países. Eles achavam que eram jornalistas, conhecidos de São Paulo ou de Sorocaba. Que nada! Eram pessoas que lêem meu blog, que me seguem no Twitter, que eu adicionei no Messenger depois de ver algum comentário interessante em uma comunidade do Orkut.
E amigos que eu descobri pelo CouchSurfing, uma rede social para viajantes e mochileiros, cujo mote é criar um mundo melhor ao ajudar um turista a se ambientar na sua cidade. Seja liberando o seu sofá para uma pernoitada, chamando-o para um café ou até mesmo guiando-o num city tour que jamais apareceria nos guias turísticos tradicionais.
Três chilenas de Santiago me levaram a uma bizarra balada de reggaeton, fizeram-me beber uma bebida local chamada Terremoto num buraco chamado "Piolhento" e deram a dica de um sujinho escondido em Valparaíso que nem os moradores da cidade sabiam onde ficava. Duas peruanas de Lima me mostraram, numa bela tarde de domingo, tudo o que poderia saber da cultura local em apenas um dia. Andei de microônibus, bebi Pisco Sour, comi o apimentado Taco Taco, fui no Museu da Inquisição, curti um show de fontes d´água luminosas e andei por todo o centro da capital, vendo pelos olhos de um morador local como era a sua cidade do coração.
Pessoas, da internet. Que me apresentaram a muitas outras, como um viajante da Islândia ou um francês apaixonado pela América do Sul. Pessoas, que fogem de tudo aquilo que ouvimos da sociedade atual. Elas são idealistas, sem preconceitos, pensam no coletivo. Têm uma visão do mundo em que a paixão por viajar e trocar conhecimento rompe barreiras, línguas.
No ano passado, quando eu entrevistei o Cardoso (do CardosOnline), uma frase dele me marcou muito. O cara, que passa o dia conectado atrás de tendências e as vende para grandes empresas, comentou que via esperança nessa nova geração que já nasce conectada. Segundo ele, todo esse espírito coletivo que existe na internet, de compartilhar cultura e conhecimento sem nenhum interesse escuso por trás, está sendo trazido para a nossa vida offline também.
Está mesmo.
26 de dez. de 2008
Mundo tecnoestressado

Mas cá estou eu, deitado na cama do hotel, usando o notebook de minha mãe, com meus pais/irmão roncando ao meu lado. E não estou usando Wi-Fi não: papis comprou um plano 3G para usarmos especialmente nesses dias.
Pois é, somos uma família tecnoestressada. Acreditem: todos nós quatro trouxemos nossos computadores portáteis. Minha mãe o usa para pagar umas contas e, vai lá, usar a internet. Meu pai checa seus e-mails e confere as notícias. Meu irmão faz a social no Orkut e no Messenger. E eu? Bem, eu trouxe meu notebook com o seguinte propósito: baixei a 3ª temporada de Entourage e usaria o micro como minha TV portátil.
Minha família fica no mesmo hotel há uma década. É um lugar simples, até meio fuleiro, mas os hospedes sempre foram o diferencial do lugar. Fazia uns três anos que não viajava com a minha família para essas bandas, e esse ano quis o destino que isso acontecesse.
E já vejo claramente a mudança tecnológica que abateu os meus familiares (e os próprios hóspedes) durante esse tempo.
Nós nunca ficávamos no quarto, a não ser, dã, para dormir. Sempre tinha alguém para jogar bola, baralho, ping-pong, sinuca ou conversa fora mesmo. Agora só vejo crianças fazendo isso. A lan house do hotel bomba: adolescentes ou jovens dos 20 e poucos anos ficam direto por lá. Eu passo, olho, e me sinto um ancião me dirigindo à piscina com um livro debaixo do braço.
Como está chovendo, minha família está ainda mais tecnoestressada. Meu pai fica o tempo inteiro com dois celulares na mão. Ele descobriu o Nextel e brinca de walkie talkie com a parentaiada de São Paulo. Meu irmão não sai do MSN por nada. Já minha mãe fica tomando um cacete do iTunes para jogar músicas em seu iPod. Claro, todos estão trancafiados no quarto.
Eu sei que isso parece texto de gente velha e ultrapassada. E, gente, eu realmente sou daqueles defensores de que a tecnologia não afasta e ensimesma as pessoas. Mas, agora, tendo isso na pele, confesso que fico meio cabreira. Quando chovia, rolava um baralho, as pessoas se reuniam para ver televisão ou apenas deitavam no sofá e fitavam o teto. Agora cada um pega o seu gadget e entra em uma bolha.
Pior que isso influencia. Eu deveria estar “leno” o meu livro, "conversano" com alguém ou até mesmo "dormino". Mas estou “blogano” às 3h da manhã!
21 de dez. de 2008
Guia do mochileiro da web 2.0

Há um ano, o maranhense Claudiomar Rolim Filho, de 24 anos, acabava de se formar em relações internacionais pela Universidade de Brasília. Sem emprego fixo, ele decidiu que 2008 seria o seu ano sabático. Com algumas roupas, um notebook e uma câmera digital na mala, ele resolveu dar a volta ao mundo. Foram 32 países conhecidos e milhares de histórias incríveis. Todas compartilhadas em seu blog, O Mundo Numa Mochila. Por cada país ou cidade que passou, Claudio se hospedou de graça na casa de um estranho que conheceu por meio do CouchSurfing, um serviço de hospedagem em forma de rede social muito popular entre os mochileiros.
De volta ao Brasil, Claudiomar me contou como foi a sua viagem. "Passei 40% do meu tempo na internet. Fui a primeira pessoa a fazer uma volta ao mundo testando hotspots!"
Como começou a viagem?
Assim que eu terminei minha graduação, queria fazer uma viagem de despedida. Queria ir para a Inglaterra fazer um curso e depois ir para África, fazer trabalho voluntário. Ao pesquisar na internet, conheci a passagem da Star Alliance. É uma aliança entre várias empresas aéreas, que dá o direito de você fazer uma viagem de volta ao mundo com 15 paradas. Você paga por milha. Eu paguei uma taxa de até 34 mil milhas com uma rota que eles fornecem no próprio site. O que me fez ir atrás disso mesmo foi quando descobri o CouchSurfing. Gastei US$ 3.700 na passagem. O dólar na época era R$ 1,70.
E qual foi a sua rota?
Minha primeira parada foi Los Angeles (EUA). Depois, Honolulu (Havaí), Seul (Coréia do Sul), Bangkok (Tailândia), Nova Deli (Índia), Estocolmo (Suécia), Varsóvia (Polônia), Istambul (Turquia), Liubliana (Eslovênia), Viena (Áustria), Cairo (Egito), Zurique (Suíça), Barcelona (Espanha), Lisboa (Portugal) e, por fim, Brasília. Essas foram as 15 paradas que a companhia aérea me deu direito. Fora isso, eu viajei de trem, ônibus, carro... Foram 32 países ao todo: EUA, Coréia do Sul, Hong Kong, Macau, Tailândia, Malásia, Indonésia, Camboja, Vietnã, Índia, Nepal, Suécia, Polônia, Lituânia, Letônia, República Checa, Alemanha, Turquia, Síria, Líbano, Eslovênia, Itália, Vaticano, Áustria, Hungria, Eslováquia, Egito, Israel, Jordânia, Suíça, Espanha e Portugal.
Como funciona o CouchSurfing?
É como um Orkut. O principal motivo de ter um perfil nele é se conectar com seus amigos, levar o intercâmbio de diferentes culturas. Volto para São Luís nesse final de semana e já receberei duas austríacas. No final do ano virão duas alemãs! Quando você não está viajando, você fornece a sua casa. Existem três maneiras de identificar se uma pessoa é confiável ou não. A primeira, e mais simples, é ver se ela não é um fake: ler suas informações, checar se tem fotos. A outra é o cadeado. O site pede seu nome completo e o número do cartão de crédito. Daí eles checam se você não está usando um nome falso. A terceira maneira, que não é obrigatória, é pagando. Você dá um dinheiro para o site e enviam para sua casa uma carta com uma senha para ser ativada. Ao ativar, isso mostra que você realmente tem um endereço fixo. Virar referência entre os outros usuários também é muito importante.
E como você descobria um novo lugar para se hospedar? Foi tudo planejado ou na hora mesmo?
No começo não planejava nada, porque na Ásia é tudo muito barato. Eu ficava duas semanas em um país, nada tinha tempo. Fiquei um mês na Índia. Isso mudou quando fui para a Europa, que é bem mais cara. Em algumas cidades, como Budapeste, que não tinhada nada para fazer, ficava só duas noites. Quando queria ir para balada, como na Eslováquia, ia no final de semana. Gastei muito pouco. Vendi tudo o que tinha no Brasil: móveis, computador, bicicleta... Só gastei com alimentação.
Você deve ter passada a viagem inteira conectado. Como avalia a internet dos países por onde passou?
Meus amigos brincam que fui a primeira pessoa a fazer uma volta ao mundo testando hotspots. Gastei 40% da minha viagem só na internet. Minha primeira parada foi nos Estados Unidos, onde trabalhei em Santa Barbara como recepcionista de um hotel por quatro meses para juntar dinheiro em dólar. Foi perfeito porque eu trabalhava das 7 da noite às 11 da manhã e não tinha ninguém para fazer check-in! Ficava o tempo todo na internet, pesquisando por lugares para viajar, couchsurfing e abasteci meu blog. Eu pude me conectar em todos os lugares, do Camboja aos Estados Unidos. Era mais fácil achar umhotspot nesses lugares do que em São Luís ou Brasília! (risos) Usei Wi-Fi em todos os McDonald's. Ficava impressionado! Eu estava o tempo todo procurando lugar para ficar e respondendo e-mails. Sempre usava o Skype absurdamente para remarcar passagens. Comprava crédito e ligava.
A comunidade do CouchSurfing é muito grande?
As cidades têm comunidades no site, então eu postava que queria sair para tomar uma cerveja, que estaria em tal lugar e 20 pessoas apareciam! Quem viaja por CouchSurfing vai em grupo, então sempre tinha gente. Isso é mais interessante que a hospedagem.
Ficou hospedado na casa de alguém bem estranho?
No Egito, quem me recebeu foi um australiano que lecionava na Escola Britânica de Cairo. Ele recebia o salário de um professor de Londres, que é umas cidades mais caras do mundo, para viver em Cairo. Era como ganhar R$ 10 mil e só gastar R$ 500. Comi e bebi tudo o que podia na casa dele!
E agora, quais são os seus planos?
Quero fazer disso um livro e estou procurando emprego. Cara, a principal meta do blog agora é conseguir chegar a uma entrevista com o Jô. Com certeza é um grande sonho que eu tenho e vários leitores estão nessa campanha há algum tempo!
PS: Entrevista publicada no IG.
11 de ago. de 2008
Carioquices Um
Só entrei lá porque achei o lugar bem bonito, tinha uma baita TV de plasma exibindo o best of da abertura da Olimpíada e na lousa pendurada na parede havia um rabisco dizendo que o prato do dia era o Medalhão com Arroz à Piemontese. Bem chamativo.
Como bom paulista em terras cariocas, fiquei nervoso com o péssimo atendimento e com a demora para um simples refrigerante chegar a minha mesa. Deixei tudo isso de lado, pois a comida estava bem boa.
Na hora da sobremesa, fiquei entre o Pudim de Leite na Cachaça e o sorvete de doce de leite da Häggen-Dazs. Como não estava a fim de ficar torto de cachaça na hora do trabalho, optei pela segunda opção, imaginando que por 8 conto comeria uma taça com uma bolota do gelatto.

Nada. O garçom põe na minha frente um potinho (inho mesmo, não do tamanhão aqui ao lado) com uma colher de chá em cima. Fiquei olhando para aquilo pasmo. Gente, eu pedi um sorvete, não um Danoninho! Sem sacanagem: fiquei olhando para as paredes, procurando por uma câmera escondida.
Nem, só era aquilo mesmo.
Abri o potinho e enfiei a colherinha no sorvete - congelado ainda por cima.
Carioca é ótimo para sacanear turista, principalmente em restaurantes. Mas o fast food com 10% ainda continua imbatível.
18 de mar. de 2008
Lei de Gérson
Sempre ouvi que carioca gosta de levar vantagem em tudo, especialmente em cima de paulista. E se tem um lugar que exemplifica todo esse preconceito que um turista deve ter para com o carioca é o aeroporto internacional da cidade, o Antonio Carlos Jobim (extinto Galeão).
Tive a (in) felicidade de estar lá no último final de semana e, vou dizer: ali tem a maior concentração de pessoas que usam a famosa "Lei de Gérson".
Na ida
Tudo começa na hora que você vai por os seus pés na Cidade Maravilhosa. Um bando de homens com walkie talkies na mão gritam "Táxi? Táxi?". Normal, até na Estação Barra Funda é assim. Mas, no Rio, o sujeito já te pega no braço e te puxa. Quando você percebe já está do lado de um carro azul ou branco. Mas no Rio os táxis oficiais não são amarelos?
- Aqui a gente fecha a corrida
- Quanto fica?
- R$ 55
- Com taxímetro ligado não pode?
- Ai dá mais. Hoje está chovendo, a Avenida Brasil está toda parada, vai sair mais caro que isso.
Olho a imensa fila de espera para pegar os tais táxis amarelos.
- Não, valeu. Vou pegar a fila mesmo
- Pára! O preço deles vai sair ainda mais caro
- Por quê?
- Chovendo, trânsito... quando é assim os taxistas ali ligam a bandeira 2!
- Como assim? Às 4 da tarde? Isso é crime! Nunca vi isso!
Resumindo: espero cerca de cinco minutos pelo táxi amarelo. A corrida, com congestionamento e tudo, dá R$ 35. Ah, na bandeira 1.
Na volta
Decido comer alguma coisa na terrível praça de alimentação do aeroporto. Quero algo rápido, um fast food. Em toda esquina do Rio tem um Bob’s, menos no aeroporto. Vejo um junkie food, o Air Café Palheta. Dirijo-me ao caixa, olho o painel dos lanches e peço, como se estivesse num McDonald’s da vida.
- Quero o Chicken Burger, batata-frita e uma Coca Zero
- OK.
- Quanto deu?
- R$ 17 (porra!)
Abro a carteira e dou uma nota de R$ 20
- Não é agora que se paga, senhor. Você precisa sentar na mesa.
Não entendo nada, mas escolho uma mesa. Dois minutos depois vem um garçom magricela, e repito tudo aquilo que pedi. 10 minutos mais tarde chega o meu lanche numa bandeja. Ao terminar de comer, faço sinal para o mesmo garçom trazer a conta. Ela chega. Nem olho para ela, afinal, deu R$ 16. Entrego a mesma nota de R$ 20.
- Não é aqui que se paga, é no caixa
Como assim? Qual o conceito de fast-food nisso? O próprio restaurante tem aquelas bancadas grandonas, com quatro caixas espalhadas, como em qualquer fast-food da vida. Por que complicar tanto? O que explica tamanha burocracia? Resposta: a Lei de Gérson. Dou a nota de R$ 20 e recebo de troco R$ 1,40.
- Oi! Meu troco está errado. Você precisa me dar R$ 4
- Não, é isso mesmo. Olha a sua notinha
Olho: R$ 17, 60.
Resumindo: os caras cobram R$ 10%!! Num fast-food!! Entenderam a "esperteza" deles?
22 de out. de 2007
Acabei de voltar hoje do Rio. Estou com umas idéias legais para colocar no blog. Para dar um gostinho do que eu fiz por lá, deixo abaixo, na íntegra, a entrevista que eu fiz com o cineasta José Padilha, o diretor de Tropa de Elite.A entrevista também ganhou um vídeo no site do Estadão. Cliquem aqui para ver a cara inchada do escriba que vos fala.
José Padilha está cansado, quase pedindo para sair – de férias. Está cansado de dar tantas entrevistas, cansado de estar a cada dia em um lugar diferente do País para promover o filme brasileiro mais falado do ano – quem sabe, da história do cinema nacional. Entrevistar o diretor de Tropa de Elite não é fácil. No começo ele está arredio, não topa fazer uma foto exibindo o boneco que um internauta criou do idolatrado Capitão Nascimento. Prefere fazer um retrato sentado no sofá, exibindo as suas olheiras de várias noites mal-dormidas. Aos poucos se mostra mais simpático, adora uma boa conversa e topa, por mais uma vez, falar de seu filme, do fenômeno que foi o seu vazamento. Mas também aproveita a conversa para pedir uma reflexão maior sobre a questão dos direitos autorais no Brasil.
Não sei. Uma pesquisa do Ibope mostrou que mais ou menos 11, 5 milhões de pessoas viram a cópia pirata, e ontem (dia 18) nós chegamos a marca de 1 milhão de telespectadores no cinema. Isso é um fenômeno que está relacionado à demanda do público. Primeiro, eu não acho que existe uma resposta única para o fenômeno, acho que surgiu o interesse do público em ver o filme antes dele estrear. Essa pergunta se subdivide em várias. Eu acho que passa pela percepção da população que, de fato, a polícia faz parte do problema da violência urbana, e que você não consegue resolver os problemas sem lidar com os problemas internos da corporação policial. Tropa de Elite é um filme que mostra isso com clareza e pela primeira vez no Brasil. E, por último, acho que talvez a gente tenha feito um filme legal (risos)
Um dos motivos que explicam o sucesso do filme é o fato dele mostrar a realidade, aquilo é o Rio de Janeiro. O Ônibus 174 também mostrou isso, mas o sucesso não se repetiu com o público. Por quê? O brasileiro não gosta de documentário?
São filmes diferentes. O filme é construído do ponto de vista do seqüestrador, do marginal. Isso não é novo no cinema brasileiro, porque o Cidade de Deus fala da violência urbana vista pelos traficantes, Pixote conta a história de um bandido, Carandiru é um diário dos presos. Tropa de Elite rompe essa tradição porque aborda o mesmo tempo, mas visto por uma pessoa que entre aspas não é considerada marginalizada, é justamente o algoz, o policial. A gente aprendeu que isso interessa.
Você disse que nessa quinta-feira passada, o filme atingiu 1 milhão de espectadores no cinema. Quando ele vazou, você achou que isso afetaria a bilheteria?
O Ibope fez uma pesquisa formal: 33% das pessoas que viram o pirata se disponibilizaram a ir ao cinema, e 66% disse que não. Então claramente há uma perda aí, independente da bilheteria. O filme pirata não é igual e a experiência de ver um filme no cinema é totalmente diferente: o som está editado, a imagem é excelente, é outra experiência. Grande parte de quem assistiu a versão pirata entendeu isso e foi para o cinema. Eu falo para os distribuidores que, querendo ou não, a pirataria afetou o filme, mas não foi toda a parcela do público que deixou de ir ao cinema. Eu queria que se fizesse uma pesquisa que mostrasse que tipo de pessoa voltou ao cinema e quem não voltou. Aí haveria uma diferenciação e a gente poderia aprender com esse fenômeno inédito.
Você disse que não gostou do filme vazar. Pelo viés artístico isso é compreensível, mas pelo lado financeiro não foi interessante e acabou sendo uma baita estratégia de marketing?
Eu nunca vou saber como seria o lançamento do filme sem ele ser vazado. Mas aí tem quatro questões que eu vou separar: uma delas é o retorno financeiro do filme pelos seus distribuidores e produtores, que tem a ver com o número de títulos vendidos para o cinema e tem a ver com o número de DVDs comercializados. Eu não gostei do filme vazar porque é um furto, você tem um objeto seu roubado. Depois, o filme que vazou não é o original, é um rascunho. Isso me deixou chateado, pois quem apenas viu Tropa de Elite na versão pirata não tem uma avaliação completa do meu trabalho. O terceiro motivo é que a pirataria não é boa, ela envolve sonegação fiscal, as pessoas que vendem piratas não pagam impostos e isso atrapalha muito quem abre uma loja de DVDs normal. A pirataria também aumenta o preço do produto que não é pirata. O cara que não é pirata vende menos, então ele vai ter se subir o preço da mercadoria para poder pagar os custos. A quarta coisa é a corrupção policial. No Rio tem a Guarda Municipal, e o que se vê é que essa estrutura é corrompida pelos vendedores piratas. Tendo dito tudo isso, digo que sou favorável à redução do valor do ticket do cinema, da redução do preço dos DVDs e acho que essas atitudes vão aumentar o consumo.
O Fernando Meirelles brincou, há algumas semanas, que espera que Blindness (filme que ele está dirigindo) também comece a ser vendido nos camelôs, pois foi uma grande jogada de marketing. Você acha que todo filme brasileiro vai conseguir repetir esse feito?
Não. Tem um milhão de filmes sendo pirateados e ninguém compra. Eu briguei o tempo inteiro para o filme não vazar mais e não consegui vencer. O público demandou o filme e não estava disposto a esperar pelo lançamento final, ninguém conseguiu parar a pirataria. Se alguém for pensar em vazar o filme de propósito, vai precisar saber qual será sua demanda. O mais provável é que você dê o DVD pro camelô e ninguém o compre. Com o Fernando, não, ele é um dos maiores diretores do Brasil, se não o maior. Quando ele fez esse comentário brincando, eu também brinquei: “Dá uma cópia do seu filme que eu o entrego para um camelô”.
Você acha que a política do direito autoral no Brasil, que pune quem baixa o filme para assistir em casa da mesma maneira que aquele que faz o download para depois comercializá-lo na rua merece uma reflexão?
Eu acho que a questão do direito autoral merece uma reflexão. Eu nunca vi um caso de alguém baixar um filme para assistir em casa e ser punido. É uma punição teórica, virtual, está escrita na lei, no Brasil eu nunca vi. É teórico isso, assim como é teórico a legalização das drogas. O consumo de drogas vai continuar acontecendo de qualquer jeito no mundo real. O que deve acontecer é que as pessoas que mexem com os direitos autorais precisam refletir sobre os mecanismos de distribuição desses direitos, principalmente de produtos digitais, que são facilmente copiáveis, e devem estudar uma estratégia de baixar o preço desses produtos e torná-los mais acessíveis. Por outro lado, quem pirateia deve saber que esse produto vai conseguir zero reais de receita e não vai existir. Se todo mundo começar a piratear e não consumir o produto no mercado normal, a empresa que o distribui quebra e daqui a cinco anos só haverá o público do pirata. O cara que consome a mercadoria ilegal está financiando a pirataria.
Você baixa filmes na internet ou vê vídeos online? E música? Tem iPod, baixa MP3?
Cara, eu sou antigo. Não tenho iPod e a única coisa que eu baixo da internet são palestras de mestres budas, que eu assino via Podcast. Nunca baixei música pela internet e não tenho nada contra. Você pode muito bem fazer o download e pagar. Se eu baixasse, compraria. Baixo softwares de escrever roteiros, audiobooks, tudo comprando. Compro CDs, que tem uma qualidade melhor que o MP3, que tem uma alta taxa de compressão. O mesmo acontece com os filmes: a compressão da internet não tem a mesma qualidade que um DVD. Eu acho que no futuro os filmes na web chegarão à qualidade do cinema e aí sim eu vou baixar e comprar.
Você está acompanhando o mundo paralelo de Tropa de Elite na internet? O Capitão Nascimento já virou blogueiro e tem um boneco, no Orkut você vê várias trilhas sonoras feitas por fãs e no YouTube há dublagens do filme.
Alguns filmes, que não são muitos, viram um objeto cultural, modificam hábitos e costumes. Cidade de Deus fez isso, tem a famosa frase do Dadinho. Com o Tropa de Elite também: “O1”, “02”, “aspira”, “pede pra sair”. Isso acontece no dia-a-dia e na internet também. Eu não freqüento Orkut, mas vejo bastante o YouTube e tem muitas coisas engraçadas. Há uma dublagem chamada Tropa de Sofredores, que satiriza o Botafogo, e eu morri de rir com aquilo. É divertido, é interessante, vejo tudo como uma forma de humor. Tem gente que leva a sério, a Torcida Jovem, do Botafogo, falou que vai matar quem fez esse vídeo, dizem que quem está nas comunidades do Capitão Nascimento vai sair torturando todo mundo nas ruas... Isso é besteira, a gente tem de entender que as pessoas fazem piadas sobre tudo. Há um fenômeno cultural em torno do filme, e internet reflete isso.
Por que o Capitão Nascimento virou um ídolo? Por que ele é tão carismático e faz tanto sucesso na internet?
A sua pergunta é muito boa, pois você pergunta por que ele é um ídolo, e não um herói, como a maioria das pessoas. Isso é equivocado: o cara tortura, o cara mata, engana, tem Síndrome do Pânico... Isso está estampado. Ele virou um ídolo, porque há de se reconhecer que o ator (Wagner Moura) tem um carisma que faz a diferença e interpretou o Capitão brilhantemente. O Nascimento é um personagem interessante, ele tem um discurso completamente monolítico, fechado, agressivo e equivocado. Ele acha que a violência se combate com a violência e, dentro desse discurso, incorpora elementos que a população quer. Por exemplo: ele pega um policial corrupto e espanca. Ninguém agüenta mais corrupção. Aí você pega um personagem que é contra isso e as pessoas esquecem qual é o seu primeiro plano: ele tortura e mata. Os políticos deviam pensar por que o Capitão Nascimento é um ídolo.
Hoje se vê que a web é cada vez mais necessária para o sucesso de algo, seja no cinema ou na música. O Radiohead teve recentemente uma idéia maluca – ou genial – de colocar o último deles para download em seu site, e o internauta decidia se valia a pena pagar pelo download ou não. Você pensa em criar algum projeto para o futuro usando a internet como ferramenta?
Aconteceu isso com o meu filme: eu recebi um e-mail de um cara do Rio Grande do Sul que disse: “Vi o pirata e gostei do filme. Mande a sua conta bancária que amanhã eu deposito o valor do ingresso”. Primeiro: a proposta do Radiohead é genial, pois essa é a regra do jogo. A banda disse: “Eu, como proprietário do direito autoral, quero fazer tal coisa”. Eu penso em fazer isso, mas no caso do meu filme eu não sou o proprietário dele. Sou proprietário do direito autoral, não o de distribuição. O filme não é do José Padilha, é de quem o financiou. Eu acho que a internet está sendo cada vez mais importante para o lançamento de qualquer produto, sobretudo quando ele se destina às classes que tem acesso à rede. Todo mundo sabe que isso é uma minoria no Brasil, mas é muito importante, pois essa pequena parcela é formadora de opinião. Cada vez mais tem de se pensar em trabalhar não só com a internet, mas com todas as novas mídias, como o celular. Tudo isso é importante – para o cinema também.
18 de out. de 2007

Começo hoje o diário de bordo do DPL, diretamente do Rio de Janeiro. Estarei na Cidade Maravilhosa por cinco dias, e fico até segunda-feira de manhã. Nunca estive por essas bandas antes, então estou tentando conhecer o máximo do Rio que eu conseguir – conciliando tudo com o trabalho, já que vim aqui para fazer umas pautas (essa foi para agradar a chefia, vai que ele lê isso!).
Então vamos lá ao diarinho:
- O avião que eu peguei foi da Tam. Medo. A poltrona em que eu sentei estava zoada. Manja aquela mesinha que fica presa na parte de trás da poltrona que fica na sua frente? Aquela em que você puxa e pode usá-la como apoio para ler o jornal ou comer um horrível risoto de palmito? Então, a trava que a segurava estava quebrada e a mesinha ficava armada o tempo todo. Isso nem seria um grande problema até eu ouvir a aeromoça orientar que durante a decolagem e a aterrissagem a mesa deveria ficar presa. Eu levantei a mão e falei que no meu caso isso não era possível. Ouvi que isso é obrigatório, pois durante esses dois procedimentos de vôo a tal mesa de flutuação, se estiver aberta, pode influenciar e atrapalhar o ar que circula dentro do avião. Não entendeu nada? Nem eu. Mas o medo de fazer o avião cair me fez ficar pressionando a mesinha por uns 20 minutos.
- Impressionante como o táxi aqui custa barato (ou em São Paulo que é caro?). No Rio, um trajeto de 15 minutos custa R$ 10. Na capital paulista custaria o dobro. À noite, com bandeira 2, o preço ainda é muito baixo. Também é incrível a quantidade desses carrinhos amarelos por aqui. O.K., é cidade turística, mas eu acho que existem mais táxis do que moradores no Rio.
- Aqui ninguém fala que pegou o ônibus "Maracanã", mas o 44 (estou chutando o número). Se o caso do ônibus 174 tivesse rolado em São Paulo, o nome do documentário seria Central-Gávea! Nossa, essa foi horrível, hein! Mas, enfim, eu entendi porque isso acontece por essas bandas. No vidro traseiro dos busões do Rio há escrito o número da linha. Isso é genial, porque dá para ver se aquele é o ônibus que você deve pegar ou não mesmo com ele de costas. Ou seja, isso faz você decorar o número da linha do seu busum. Se em São Paulo isso existisse seria ótimo. Cansei de contar às vezes em que vi o vulto de um ônibus laranja passando pela Avenida Paulista. Aí o jeito é sempre dar um puta pique para poder ler o letreiro que fica na parte da frente do automóvel. Depois, todo esbaforido, eu sempre descubro que o sonhado Parque Continental é um maldito Barra Funda.
- Da janela do meu quarto dá para ver o Cristo Redentor. Mas só de dia. Durante o resto do dia uma nuvem feladaputa fica em cima dele.
- Perto do meu hotel tem um KFC. Poxa, eu achava que essa lanchonete dos frangos nojentos nem existia mais no Brasil. Acho que amanhã eu vou encontrar um Arby’s.



