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22 de mar. de 2010

Só Jack Bauer salva?


São 86.400 segundos, 1.440 minutos, enfim, 24 horas. Jack Bauer nunca precisou correr tanto contra o relógio como neste seu dia de nº 8. A 8ª temporada da série policial estreia no Brasil às 23h desta terça-feira, 16, na Fox, e deve ser a derradeira na vida do agente que passou os últimos anos no papel de torturador, de torturado e de salvador do mundo por "x" vezes.

24 Horas é um ícone entre as séries da década. Entrou no ar dois meses depois do 11 de setembro, o que fez de seu protagonista um anti-herói na luta contra o terrorismo - convém lembrar que ela entrou em produção muito tempo antes da tragédia do World Trade Center. Provocativo para a época (trazia inclusive a figura de um presidente americano negro), o seriado inovou ao sugerir na TV o que seria um dia na vida de um agente especial do governo americano. A ação corria em tempo real, durante 24 episódios de uma hora cada.

Ironicamente, o formato é justamente o que levará 24 Horas ao seu cancelamento. Além de a trama ter ficado engessada (mudam vilões e mocinhos, mas a sinopse é a mesma), sua produção é muito cara e engenhosa. Somente o protagonista, Kiefer Sutherland, ganha mais de US$ 500 mil por episódio. E sem os prêmios e a audiência de temporadas anteriores, a Fox não tem receio de encerrar a produção - que, especula-se, renderá uma versão para a telona em breve.

"Não quero saber a sensação do fim, sei que isso acontecerá algum dia. 24 Horas é parte da minha vida: outro dia levei meu filho ao set e Kiefer leu um livro para ele. Quando entrei na série eu não tinha filho nem marido", diz Mary Lynn Rajskub, a Chloe, ao Estado.

Como é de praxe, a cada nova temporada, 24 Horas passa por uma grande renovação. A principal delas, desta vez, é a volta da CTU (Unidade de Combate ao Terrorismo), que foi desligada ao final do 6º ano e passou a temporada anterior trabalhando na clandestinidade, em conjunto com o FBI.

A nova CTU é descolada, sem paredes e com divisórias de vidro, tipo agência de publicidade moderninha da paulistana Vila Leopoldina. Ela também tem um quê de Batcaverna, por agora ser subterrânea e ficar em Nova York, uma importante novidade neste ano. "É uma cidade com uma energia bacana, uma vibração que tem tudo a ver com o show", acredita Annie Wersching, que faz o papel da agente Renee Walker.

Vovô Jack Bauer. No final da 7ª temporada, Jack Bauer esteve bem próximo da morte, após ser exposto a um componente tóxico. Mas é claro que ele não morreu. No episódio que vai ao ar na terça-feira, o agente - aposentado - mostra-se um cara família, avô presente, prestes a se mudar com a filha para Los Angeles, Califórnia.

Porém, uma fonte sua dos velhos tempos lhe passa a informação de um atentado ao presidente da fictícia República Islâmica do Kamistão, que está na ONU, em Nova York, negociando um acordo de paz com a presidente americana Allison Taylor (a vencedora do Emmy Cherry Jones). O país de mentira busca pôr fim ao seu plano nuclear.

O resultado é óbvio: mais uma vez Bauer põe o trabalho à frente da família e se alia à nova CTU para descobrir quem está por trás do ataque. Bauer aceita a missão por trabalhar novamente ao lado de uma surpreendente agente Renee Walker, que agora é praticamente uma versão feminina de Jack. "Ela está bem perigosa e obscura", adianta Annie.

Com o possível final da série à vista, a atriz sabe que o público torce para que Renee seja, oxalá, a pessoa com quem Bauer passará o resto de sua vida. "É um risco se envolver com ele. Não funcionou com outras mulheres", diz Annie, que ri ao escutar dos espectadores mais xiitas sobre a impossibilidade de se apaixonar por alguém em apenas um dia. "Não sei vocês, mas já tive momentos em que me senti conectada com alguém instantaneamente".

Turma de bajuladores
Com a CTU 2.0, novos personagens são apresentados. Katee Sackhoff é a analista de sistemas Dana Walsh, assim como John Boyd, no papel de Arlo. Os dois são o pesadelo de Chloe por serem mais competentes que ela, sempre tão esnobe. "Foi uma sacada bacana. Não é bom para ela, mas é divertido na hora de atuar. Você riu ao assistir?", pergunta Mary Lynn, conhecida nos bastidores por ser o oposto de Chloe. "A sinopse é tão pesada e os diálogos são tão complicados que trabalhar com ela é fantástico. Às vezes temos de olhar para sua testa para não rirmos em cena", brinca Katee.

Quem também integra a equipe da CTU é Freddie Prince Jr., como o militar Cole Artiz. Fora da TV há dois anos, o ator ficou famoso por ser o queridinho da América no começo da década passada. "Fiz filmes como ‘o’ bonzinho e todo mundo amou isso para vender revistas. A mídia me fez assim. Ao mandar minha fita (de audição) mostrei que não era apenas um sorriso", explica Freddie, inquieto sobre seu passado.

Entre os novatos, é regra elogiar a produção e o protagonista de 24 Horas. "O trabalho é fantástico, do cara que limpa a câmera ao diretor. É um programa difícil: você está em uma cena ao telefone com três pessoas diferentes, olhando para uma tela, enquanto cinco relacionamentos acontecem ao mesmo tempo. Kiefer faz isso como se cortasse manteiga", diz Boyd. "Já trabalhei com Al Pacino e Tom Hanks e me sinto nervoso no caminho ao trabalho todo dia", concorda Mikelti Williamson, intérprete de Brian Hastings, o novo diretor da CTU.

Hastings será o algoz de Bauer. "Ele é alguém com dificuldade de pedir desculpas ou admitir seus erros, aquela coisa de macho-alfa. Você não veria os dois saindo em casaizinhos", ri. O ator estava nos planos de Sutherland em 24 Horas desde o começo da série. Ele diz não lamentar a entrada tardia e sabe que, independentemente da decisão da Fox, a série não será esquecida. "Audiências do mundo todo ficam curiosas sobre a reação de um homem ou mulher que colocam a vida em risco por pessoas que nunca viram. Quem faz isso? Jack Bauer".

"Sempre o considerei um personagem político"

"Essa é uma missão para Jack Bauer". Durante os último nove anos, mesmo quem nunca assistiu a um minuto de 24 Horas sabe o significado dessa expressão. O personagem, mistura de McGiver com Capitão Nascimento, é um ícone pop.

Ao conversar pessoalmente com Kiefer Sutherland, a aura em torno de sua criação vai-se embora. Ele é baixinho e não grita, apesar daquela voz sussurrada. Tampouco é um brutamontes que dá mata-leões a esmo. É um gentleman. Mas não se engane: Sutherland é malandro, demora-se nas respostas e controla o tempo a seu favor para não ouvir o que não quer. Como Jack Bauer.

Na 7ª temporada, Jack dizia não ter motivos para viver. Agora, avô, ele parece ter todas as razões do mundo. Essa é a pegada do 8º ano?
Se você olhar as outras temporadas, na segunda houve uma pequena chance de ele ter um relacionamento com a filha. Isso foi embora na temporada 3. Não tinha razões para viver e se apaixonou nos anos 4 e 5. Daí, (sua mulher) ficou em coma irreversível. Temporadas 6 e 7, bem, nada para se viver. Agora, ele tem todos os motivos, na esperança de reatar com a filha. A neta foi o catalisador de tudo. Ele não sabe direito como, mas quer ser um avô melhor do que foi como pai.

Mas isso claramente vai mudar em seguida?
Certas circunstâncias começam a indicar o início de um dia terrível. A situação surge, literalmente, batendo em sua porta, enquanto ele está arrumando as malas para ir embora. Essa relutância é bem interessante. 24 Horas, agora, vai num caminho diferente do que ele quer. Digo, ele está realmente se esforçando para fazer o possível para sair de Nova York.

Isso será um choque?
Não diria dessa forma, mas posso garantir que o personagem foi construído de uma maneira diferente da que foi nos últimos sete anos. Ele tem uma linha que não quer atravessar, mas flerta com essa possibilidade o tempo todo. Não é chocante. Uma das coisas que amo em Jack Bauer é que ele tem um senso de moral muito forte. Quando está em ação, ele certamente fará o seu melhor e dane-se o resto. É a coisa certa ou errada de se fazer. Se será bem-sucedido ou o oposto, isso não é relevante para o show. Nesse contexto, sempre considerei Jack Bauer um personagem muito político.

É estranho ser um avô?
Não, eu tenho um neto de quatro anos. Ele parece um lutador de boxe combalido: fica caindo o tempo todo. Ele corre o mais rápido que um humano pode, e daí cai! Isso me fez desejar ter sido pai um pouco mais velho, eu seria muito mais esperto. Mas não acho que a paternidade tenha me mudado como pessoa. O jeito mais fácil de explicar isso é que eu era pai e morava em uma casa com Billy Zane, Robert Downey Jr. e Sarah Jessica Parker (Risos).

Você acredita que os melhores roteiros e papéis, aqueles mais desafiadores, estão, hoje, na televisão? Vide shows como Mad Men, Breaking Bad e o próprio 24 Horas?
Todos são desafiadores. Não quero entrar nessa de que trabalhar na TV é melhor ou mais complicado. Se você quiser entender a razão de a indústria televisiva ter expandido tanto, dê uma olhada no que aconteceu na indústria cinematográfica. Enquanto eu crescia, os EUA faziam filmes como Laços de Ternura e Gente Como a Gente. Tente achar isso agora. Chamávamos isso de filme de 15 ou 20 milhões. Hoje só fazem isso na Europa, de vez em quando surge O Lutador ou Quem Quer ser Um Milionário?. O resto é Homem de Ferro ou outro blockbuster com tecnologia visual. Esse é o último ano da série? Não sabemos, tchau!

* Matéria publicada no Estadão

11 de fev. de 2010

Rainha das Alfinetadas


LOS ANGELES -Entrevistar Stacy London dá um medo... Quem a vê ao lado do também venenoso Clinton Kelly, na versão americana do Esquadrão da Moda (What Not to Wear),
sabe bem: ninguém sai ileso dos comentários sarcásticos da dupla. A partir das 23 horas desta quarta-feira, o Discovery Home & Health traz a 5ª temporada do reality. Em entrevista ao Estado, Stacy deu várias dicas de moda e, claro, comentou o “estilo” do repórter.

Você já assistiu à versão brasileira de Esquadrão da Moda?
Ainda não, mas adoraria! A apresentadora (Isabella Fiorentino) me mandou um recado pelo Twitter. Toda a produção me manda uns “oi!” (risos)

A nova temporada terá um outro especial, como aquele que ensinava qual sutiã comprar?
Não tem nada planejado, mas quero bastante. O de roupas íntimas fez muito sucesso!

Teve mais casos de gente que não gostou da transformação?
Tivemos a Jessie, uma mulher com o cabelo dos anos 80. Ela não gostou do corte e tivemos de pôr apliques.

Como uma gordinha deve esconder a sua barriga?
Sabe a história de não malhar apenas uma parte do corpo? Com estilo é o mesmo: tenha um equilíbrio. Sempre comece a se vestir de cima para baixo.Uma dica é deixar as roupas claras na parte de cima e as mais escurasembaixo. Sobre quem tem barriga: no inverno, jaquetas ou blazers acinturados. No verão e na primavera, vestidos acinturados sempre na parte mais fina do seu torso. No quadril não, vira bundão!

Por que homem erra tanto?
Vocês gostam de ter a palavra final quando o assunto é estilo. Daí vestem roupas casuais de maneira desleixada.

Como eu? (blazer preto, camisa xadrez, jeans preto e tênis bege, com detalhes em verde limão)
(Risos) Olha, em cima você mandou bem! Mas devia ter optado por um sapato escuro!

* Matéria publicada no Estadão

5 de fev. de 2010

Lost: dois homens e um segredo

LOS ANGELES - Lost não é só um programa de TV. É um universo, cuja história é complementada em jogos de realidade alternativa (os ARGs), games para celular e iPod, podcasts, blogs, livros e episódios exclusivos para a rede. O começo do fim deste universo aconteceu a partir amanhã, com a estreia da 6ª e última temporada nos EUA - e no dia 9 no Brasil, pela AXN.

Mas quem vê Lost sabe: assim que se ouvir o tradicional "poum", com o logo da série em um fundo preto, indicando o final do episódio, uma correria tomará a web: o mundo todo irá baixá-lo e legendá-lo em tempo recorde. Fora quem já o assistiu, ao vivo, por serviços de live streaming.

Para entender a engrenagem da série, é preciso conversar com os produtores e principais roteiristas da trama: Carlton Cuse e Damon Lindelof. A dupla é responsável por quase todos os mistérios e enigmas da produção, além de fazer parte do seleto clube que já sabe o final de Lost.

"Chegamos à imagem final na 1ª temporada. O fim ainda não foi escrito, há toda uma mistura de mitologia e elementos que estão intactos para esse momento, pois muita coisa relacionada aos personagens ainda será trabalhada", disse Cuse, em coletiva realizada em Los Angeles, pouco antes do Estado ser o único veículo brasileiro a falar com exclusividade com a dupla em 2010.

"Faz parte do processo criativo. Se alguém dissesse, cinco anos atrás, que o Sawyer se tornaria o xerife da Iniciativa Dharma em 1977, isso soaria a coisa mais ridícula do mundo. É divertido saber o final sem termos ainda a sua execução pronta."

Para o season finale, Lost irá mudar a narrativa mais uma vez. Depois dos flashbacks e flashforwards, vêm por aí duas realidades - umas delas, alternativa. A dupla sabe que pode arriscar, pois conhece bem o "nível" do telespectador da série: no podcast oficial do seriado, eles se divertem com as teorias dos fãs. "Tenho certeza que Lost não existiria se não houvesse esse enorme debate sobre a série", resume Lindelof, enfatizando a repercussão que o seriado encontra depois que vai ao ar - e que se multiplica exponencialmente online. Porém, o fato de ter um público específico é uma pressão enorme sobre os dois, ainda mais no 6ª ano.

"O pior final que poderíamos dar seria o final seguro, atrativo para um maior número de pessoas", diz Lindelof. "Obviamente, nem toda questão será explicada e muita gente ficará chateada por não ver certos momentos resolvidos. Sinto que seria muito pedante nos concentrar apenas em responder as dúvidas", completa Cuse.

Muito se especula sobre o futuro de Lost. Por ser uma produção multiplataforma, com extensões no mundo da literatura e dos games, a expectativa é que a série renda produtos. Dizem até que um dos parques de diversão da Disney, distribuidora do seriado, pode ter um brinquedo de Lost! "A história que contamos há 6 anos acaba em maio, não pensamos em sequência", rebate Cuse. "Vai ter gente falando que é o pior final da história da TV. Mas tem gente, como a minha mãe, que diz que será o melhor final de todos, apesar de ela não entender o programa", ri Lindelof.

A preocupação com os fãs fervorosos explica porque a série não é queridinha da crítica. "Em premiações, você manda três DVDs separados com dois episódios cada. Para quem não assiste ao show, avaliá-lo fora do seu contexto é desafiador. Contar a história de uma maneira mais acessível seria uma forma de alienar o fã", diz Cuse.

Apesar desse discurso, eles admitem que o último ano de Lost é mais acessível. "A narrativa é diferente e não exige um vasto conhecimento sobre o show. As histórias desse ano estão conectadas com o primeiro ano. E ter visto a 1ª temporada é a parte mais importante agora", explica Cuse.

No final da coletiva, cito para a dupla a tese do primeiro parágrafo e pergunto sobre o legado da série. Lindelof: "Acredito que o legado acontecerá de duas maneiras. Uma semana após o final só se irá falar dele. Estava comentando sobre o final de Família Soprano outro dia: não lembrava se o A.J. tinha ido ou não ido ao exército. Mas me recordava, quadro a quadro, da cena do jantar e do final", diz. "Conforme o tempo passa, lembra-se de Sopranos como um todo. Desejamos que as pessoas lembrem da experiência de assistir a Lost, e de como elas se sentiram gratificadas e felizes por terem dedicado 120 horas de tempo e energia a ele"

***

Carlton Cuse
Produtor-executivo de Lost e um dos principais roteiristas da série. Natural da Cidade do México, estudou em Harvard e participou do roteiro de filmes como Máquina Mortífera 2 e 3 e Indiana Jones e a Última Cruzada. Seu primeiro trabalho como roteirista na TV foi em Crime Story (1986-88), produzida pelo cineasta Michael Mann.

Damon Lindelof
É o criador de Lost, ao lado de J.J. Abrams (Fringe, Alias, Cloverfield), além de ser um dos produtores-executivos. Assina os textos dos episódios mais marcantes de Lost, geralmente aqueles que trazem grandes viradas para a trama. É um dos criadores da série Crossing Jordan e também atua como escritor de HQs.

* Matéria publicada no Estadão

17 de jan. de 2010

Seth Green: ‘Tirar sarro do Obama é algo muito duro’

LOS ANGELES - O pequenino Seth Green é daqueles atores cujo rosto todo mundo recorda, mas ninguém lembra de onde. Coadjuvante de filmes como Uma Saída de Mestre, Austin Powers e de diversas comédias adolescentes, ele é um dos grandes nomes do humor americano. Além de estar há nove anos no cast de dubladores do desenho Uma Família da Pesada (Family Guy) – FX e Globo –, Green é um dos criadores do incorreto Frango Robô (Robot Chicken), uma animação em stop motion que sacaneia ícones da cultura pop. O programa, que durante anos podia ser visto na faixa Adult Swim, do Cartoon Network, hoje está escondido no canal fechado I-Sat.

Animação é coisa de adulto?
Sabe, eu sempre senti que desenho é algo para os adultos: eles só estavam em uma mídia mais receptiva às crianças. Pegue o Pernalonga e o Tom & Jerry: tem temas e piadas ali que vão além da compreensão infantil. Ben 10 não faz piadas sobre o Holocausto, mas o conteúdo hoje está mais maduro, por isso que os desenhos são exibidos à noite ou de madrugada. Sou velho o suficiente para lembrar o quanto fiquei chocado ao ouvir a palavra “puta” pela primeira vez na TV. Agora o South Park faz um episódio em que dizem “merda” 117 vezes – com um contador no alto da tela – só porque eles podem dizer isso na televisão.

Como você lida com as comparações entre Family Guy e South Park?
É um tipo diferente de grosseria. Tem até um episódio de South Park em que comentam suas diferenças com Family Guy, o que achei muito divertido! Vejo South Park como um show que tem várias piadas específicas, que fazem sentido em um certo episódio. Já Family Guy tem uma série de piadas avulsas dentro de uma história. É uma diferença enorme. Amo South Park, comprei todos os seus DVDs. Mas também amo Family Guy e, bem, peguei de graça todos os DVDs dele. (risos)

Foi inesperada a indicação de Family Guy a melhor comédia no último Emmy?
Foi um grande choque! Concorrer com The Office e 30 Rock só fez perceber que não tínhamos chance de ganhar. Mas é uma emoção você ir ao Emmy e raspar o cotovelo na Tina Fey. Eu pressionei o Kevin Bacon uma hora: falei algo como “ei, olha onde você anda, cara!” Foi incrível!

Quando irão começar as piadas sobre Obama?

É muito duro tirar sarro dele. Piadas políticas têm um prazo de validade, é duro calcular o que será lembrado quando o programa estiver sendo exibido, devido à demora da produção de um desenho. Por isso sempre tratamos o George W. Bush como uma criança de 5 anos petulante e Bill Clinton como aquele cara festivo que você quer ter ao lado para curtir algo irresponsável.

Os fãs pedem para que você recrie as piadas de Family Guy?
Minha atuação é bem isolada, às vezes gravo cinco episódios em uma única vez. Raramente faço uma cena inteira, apenas leio a frase, então não entendo o contexto daquele diálogo. Depois eu vejo o programa sem ter a mínima ideia do que está rolando ali. É legal, eu simplesmente rio como um fã.

* Matéria publicada no Estadão

7 de dez. de 2009

'Serendipitosa do século 21'


Na semana passada, saiu uma entrevista que fiz com a Renata Simões, para o Estadon. Sempre quis conversar com a jornalista, puquiana como eu - para mim, seu Urbano é melhor programa da TV brasileira atualmente, pela inteligência de falar daquilo que não é lugar comum e por trazer, a cada edição, pautas novas, frescas, que sempre me mostram algo de novo.

Com ela, não tive uma entrevista, mas um bate-papo - algo raro de acontecer na profissão. Fico feliz que ela tenha sentido o mesmo.

***

Papa do jornalismo literário, Gay Talese criou um termo para aquele repórter que suja a sola do sapato e que vai de encontro à matéria: "serendipitoso" (de serendipity, que significa ter uma descoberta ao acaso). Em tempos em que para ser um "serendipitoso" basta passar os olhos pelo Twitter, a jornalista Renata Simões une a tradição de Talese com a de um repórter do novo século.

A bordo do Urbano, no Multishow (domingos, às 22h30), ela gasta o sapato pelas ruas de São Paulo com um notebook (para achar os pontos de Wi-Fi da cidade) e um celular invocado, que tira fotos com qualidade de câmera digital e grava vídeos igual a uma filmadora. O conteúdo colhido vai para o programa e suas diversas extensões: site, blog, microblog e álbum virtual de fotografias.

O Urbano encerra em dezembro seu 3º ano. Ele, que no início cobria a cultura de rua, hoje fala sobre cultura digital - o que, para Renata, que começou na TV como produtora e repórter do Vídeo Show, já é mesma coisa.

Por que essa transição?

É onde o programa vai agora. A partir do momento em que o meio digital vira uma extensão da vida da gente, ele já é a cultura em si, não mais o suporte. É muito natural. O Urbano fala de comportamento digital: não adianta fugir da tecnologia, ela não é uma grande novidade. O que muda é que você não anda mais com Guia Quatro Rodas na mão: usa GPS.

Então a internet faz hoje o papel do que um dia foi a rua?

Adorei essa definição! O foco do Urbano é descobrir novidades. Não falamos mais para nicho, aprendemos que não adianta mais falar da tecnologia pela tecnologia. Mas como sua vida está sendo alterada por ela. Assim converso com qualquer um.

A internet pauta o programa?

Processo de pauta é rua. O meu Twitter, o (Google) Reader, são uma extensão do que faço na rua. Falamos do que é novo, do lado B, a internet não é o lado A. Mas tem de saber o que é o seu umbigo e o que é interessante e relevante, entendeu? Acredito que programa de TV é feito em grupo por isso. Televisão legal é um monte de gente falando e propondo. Sou apenas o fio condutor daquela história.

O Urbano foi um dos primeiros programas a chamar o telespectador a participar das pautas, interagindo por meio de vídeos. Isso virou "regra" na TV, não?

Não é modismo, é que não tem como escapar! Essa é a primeira vez que a TV tem necessidade de receber um imput externo. As pessoas querem se ver, desde a senhora à criança. Minha enteada de 10 anos, e todas suas amigas, têm webshows. Então se as pessoas estão se vendo na web, vira algo natural. Por isso, temos de buscar novos formatos e modelos. Ainda não sabemos como, vejo pouco espaço para ousadia e experimentação (na TV). A internet força isso.

Você não fica estressada por ficar online o tempo todo?

Aprendi com o tempo pequenas leis internas: não poder se conectar antes de ter tomado, pelo menos, um copo d’água (risos). Fui fazer uma matéria numa pista de skate e estava um sol lindo. Entrei no Qik (serviço de faz transmissões ao vivo de vídeos pela web) e mostrei as manobras, fiz umas fotos artísticas para o Flickr...

O Urbano está em várias mídias. Todo programa precisa ser assim também?

Poucas pessoas serão transmídias naturalmente. Qualquer pessoa pode ser apresentador, mas poucos serão bons. É a mesma coisa. Virou moda fazer jornalismo, é o novo modelo-apresentador-michê. Todo mundo gosta de contar história, e a necessidade de comunicação encontrou sua melhor maneira de propagar nesses diferentes meios. Mas se reproduzir o que você falou da mesma maneira em vários lugares, será redundante, você estará contribuindo para o lixo informativo do universo da superinformação! O programa vai para o 4º ano e não caímos nessa ainda.

26 de nov. de 2009

Lie to Me: que tal brincar de polígrafo?

LOS ANGELES - Imagine conversar com uma pessoa que fica lhe encarando o tempo todo. Que presta atenção no jeito que você coça o nariz, pisca ou se ajeita na cadeira. E que lhe julga a partir desses gestos e de sua postura. É essa a sensação de se conversar com um fã de Lie to Me. A série da Fox, em que um especialista em micro-expressões e linguagem corporal detecta qualquer mentiroso, virou febre entre os seus seguidores. E você achava que escutar sua filha disparando aquelas expressões indianas de Caminho das Índias é que era irritante...

Basta assistir a alguns minutos da produção para querer imitar o Dr. Carl Lightman (Tim Roth). "Passei a observar e analisar expressões faciais e corporais. Se vejo um amigo dar uma puxadinha de lábio, já pergunto: ‘Tá me chamando de idiota?’, ri a turismóloga Monik Neves Paiva, de 24 anos. "Já peguei várias reações em desconhecidos, como fazer uma pergunta e ver alguém passar a mão no pescoço. Ou seja: está escondendo algo. Tá coçando o próprio braço na minha frente? Sinal de pessoa manipuladora", continua.

Lie to Me é baseado nos estudos do psicólogo Paul Ekman, uma referência no estudo criminológico e considerado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, pela revista Time. Lightman é Ekman na ficção. O da vida real é muito envolvido com a produção: comenta em um blog os episódios e sempre vai às gravações, para o desespero dos atores.

"Ele é uma pessoa amável, mas sempre me sinto estranha perto dele. Você fica meio ‘ele pode ler o meu rosto ’. Nem precisa falar nada, ele sabe exatamente o que está rolando com você", diz a atriz Kelli Williams, durante entrevista à imprensa internacional de que o Estado participou, nos EUA.

Intérprete da Dra. Gillian Foster, ela vive uma personagem baseada em outro psicólogo da vida real, a professora Maureen O’Sullivan. Já Ria Torres (Monica Raymund), a policial que tem um dom natural para fazer o trabalho de Lightman, e Eli Loker (Brendan Hines), o funcionário "super sincero", são fictícios.

Curiosamente, o elenco também está viciado em flagrar as mentiras alheias. "No começo fui reticente, pois acho que deve existir um pouco de mistério no rosto humano. Mas, como atriz, sempre me interessei pelo comportamento humano", justifica Kelli. "Minha filha me testa o tempo todo, mas ela é péssima mentirosa!", ri.

Kelli diz que nota melhor as mentiras de desconhecidos - como a de garçons em restaurantes. "Quando pergunto se certo prato é bom, na hora percebo: ‘opa, tá mentindo’." Monica, por outro lado, já teve momentos de Dr. Ekman com conhecidos. "Encontrei uma amiga que não via há seis, sete anos. Pela mudança de voz e pelas rugas ao redor dos olhos, era como se ela dissesse ‘F... -se você’. Nossa amizade acabou ali", comenta a atriz, que revela ser fã de American Idol. "Adoro! E o Simon Cowell sempre coça o nariz (sinal de mentira)", brinca.

A atriz jura não ter estudado nada de Ekman. "Minha personagem não tinha nenhuma informação dessa ciência quando entrou no Lightman Group. Meu objetivo sempre foi aprender junto de Ria, pois, do contrário, não seria natural", diz.

INTENSIVÃO
O mesmo não acontece com os fãs, que são estimulados a testarem seus conhecimentos. Tanto no site de Ekman, quanto no da Fox, há vídeos que testam a capacidade do internauta de descobrir as micro-expressões. Ekman trabalha com seis universais, listadas nos anos 70: raiva, nojo, medo, felicidade, tristeza e surpresa. A partir da década de 90, ele selecionou outras, como prazer, orgulho e vergonha.

A série não aborda apenas os estudos do psicólogo, mas outros truques usados por especialistas. Exemplo: quer descobrir se alguém está contando uma história falaciosa? Peça para o autor mudar sua ordem, como iniciá-la da metade até o começo. "Fiz isso com um amigo, que estava se achando depois de uma balada. Deu certo", conta o estudante Guilherme Pavani, de 18 anos.

De tão fã da série, ele baixou o mesmo software que Lightman usa no seriado, um que exibe várias fotos de pessoas aleatórias. "Encontrar a expressão de raiva é fácil. O rosto se curva e sobrancelha abaixa", ensina. "Após Lie to Me, passei a reparar mais nas pessoas. Mas isso não é bom, é só ver que todos os personagens têm problemas pessoais em razão disso."

Já o estudante de Psicologia Diego Sanches, de 23 anos, começou a se interessar mais pelo estudo do Behaviorismo. "A fidelidade científica é o que me agrada", conta o universitário, que viu uma professora apresentar um episódio em aula. "Ele abordava a fidelidade do segredo entre as crianças."

O psiquiatra forense Breno Montanari, que tem 30 anos de experiência, concorda. "A série tem toques pertinentes, bem misturados com a ficção." Ele cita o mesmo episódio comentado por Sanches. "Dos 4 aos 7 anos, a criança não diferencia a realidade da fantasia, a verdade da mentira."

Outro exemplo que ele cita é o personagem Eli, que adere à Teoria da Verdade Radical. "Existe uma mentira social, que é impossível viver sem ela", explica. O ator Brendan Hines que o diga. Para viver Eli, ele testou falar por aí só o que lhe vinha à mente. "Descobri que você se mete em problemas se não tiver anos e anos de experiência e de estudo no assunto", diverte-se.

Entrevista Tim Roth: 'Só uso as habilidades com os meus filhos'
A presença de Tim Roth é o grande chamariz de Lie to Me. O ator britânico, cuja carreira foi construída no cinema americano (ele é um ator fetiche de Quentin Tarantino), é citado a todo momento pelo elenco da produção "Ele é muito exigente, mas de um jeito positivo. Nos faz ensaiar como se estivéssemos no teatro. Uma única cena pode levar uma hora", comenta Brendan Hines. "Teve uma vez que ele me fez chorar. Mas, sabe, é o Tim Roth, de Rob Roy, diz Monica Raymund, citando o filme que rendeu ao ator uma indicação ao Oscar. Roth falou ao Estado sobre ser Carl Lightman.

Tem como não aprender algo com o seu personagem?
Você não consegue fugir. Mas tento não ser influenciado. Só uso as habilidades com os meus filhos. Mas não consigo ler ninguém. Em particular, mulheres.

O Ekman está sempre nos sets?
Ele é um cara muito calmo, gentil e despretensioso. Mas fico desconfortável com a sua presença, porque ele realmente lhe sente. Como ator, senti-me exposto.

Você sempre fez personagens físicos, o oposto de Lightman, que é mais observador...
Sempre fui fã da atuação mais física, nunca daquilo mais "interno". Muito do que ele faz é olhar e observar. Isso é uma das coisas mais difíceis de se fazer. Mas eu não presto atenção na minha performance, apenas fico de olho no que estão fazendo ao meu redor.

Esse é o seu primeiro trabalho na TV dos EUA. Os papéis mais desafiadores estão na TV?
Cada vez mais atores dramáticos estão indo para a TV. Eles morderam essa isca, os roteiros e os escritores agora estão lá. Mas meu background é britânico e lá, as linhas entre fazer televisão e teatro não são claras. Não existe de se achar por fazer isso ou aquilo. TV americana é algo novo e excitante. Mas exaustivo.

O Lightman nunca vai errar?
Vamos ver momentos em que ele não terá certeza de algo e quero fazer episódios em que ele possa errar, mas que possamos entender por que os cometeu. O Paul Ekman diz que, na maioria das vezes, não se tem 100% de certeza de uma mentira.

Manter o sotaque britânico foi uma opção sua?
Disse logo no começo que não faria o sotaque americano. Fica um ruído diferente num programa de TV dos EUA. Mas meus filhos são americanos e eles não vieram de fábrica com o sotaque britânico. Não tem como pôr um chip desses neles.

23 de nov. de 2009

'Heloooooooo, bola!'

Quem o escuta pela primeira na TV, jura que a voz é de um americano exibido. O "maiãmi" é pronunciado como "miémi", e as exclamações lembram aqueles comentaristas gringos que fazem graça quando um atleta enterra uma bola de basquete. Mas não. A voz das transmissões de futebol americano e beisebol da ESPN Brasil é de um brasileiro: Paulo Antunes.

"Pessoal acha que quero aparecer, mas o inglês é quase a minha primeira língua, fui para os EUA com 7 anos e vivi por lá mais 17", justifica Paulo, que cresceu vendo as transmissões esportivas americanas. "É muito fácil se empolgar com futebol americano: tem trombadas, cara que perde o capacete e mostra um cabelão engraçado, o gordo que corre e não sabe o que fazer com a bola...", ri.

Há três anos na emissora, Paulo entrou na ESPN quase sem querer. Ele voltou ao Brasil em 2002, para trabalhar como repórter e apresentador da VTV, afiliada da RedeTV! de Santos. De férias nos EUA, ligou para a ESPN Brasil sugerindo um frila. Virou locutor. "Queria um bombom e ganhei um filé mignon".

Em 2009, vive seu melhor momento e, pela primeira vez, cobriu um jogo in loco: o Super Bowl, a grande final midiática do futebol americano. Tal cobertura rendeu a ele e Everaldo Marques, locutor que está sempre ao seu lado, 15 mil comentários no blog do programa da dupla, o The Book is On the Table - um recorde no site.

"Brasileiro gosta de interação e a gente interage com o fã do esporte, o que não acontecia quando os jogos eram transmitidos dos EUA. Isso faz uma grande diferença."

Na internet, aliás, está o maior exemplo de como Paulo virou hit entre aqueles que gostam de esportes americanos. Suas gírias em inglês e formas de pronunciar nomes de atletas são idolatrados no Orkut e no YouTube. Em especial, um certo latido que solta no ar. "Um dia teve um e-mail comentando que eu latia! Hoje o nome da minha empresa é Paulo Antunes Comunicações e Latidos", diverte-se.

* Matéria publicada no Estadão

10 de nov. de 2009

'Também me sinto muito confuso'

SAN DIEGO - Foi com muito bom humor – algo raríssimo, dizem –, que o ator Joshua Jackson acalmou o jornalista do Estado, com dificuldades para formular uma pergunta em que ele pudesse comentar como foi descobrir, ao final da 1ª temporada de Fringe, que seu personagem tinha morrido na vida real, mas estava vivo no universo paralelo: “Olha, também me sinto muito confuso na hora de falar sobre o show”, disse.

A série, cuja 2ª temporada estreou há duas semanas no Brasil, pelo Warner Channel (toda terça-feira, às 23h), fez muito fã pular do sofá no último episódio de seu ano nº1. Foi assim: o mundo possui uma realidade alternativa e a agente Olivia Dunham (Anna Torv) conhece este outro lado – em que o World Trade Center continua intacto, por exemplo. Também foi revelado que o Peter Bishop (Joshua Jackson) que conhecemos é o do universo paralelo – o do mundo real morreu quando criança, um segredo de seu pai, o cientista Walter Bishop.

Como os primeiros episódios da 2ª temporada não revelam nada do season finale, as perguntas direcionadas a Jackson e Torv foram, basicamente, sobre o futuro do novo ano. Mas eles foram mais misteriosos do que a trama em que atuam. “Não sei nada que a audiência não saiba”, despista Anna, que só responde às perguntas sobre as curiosidades envolvendo a série – como qual é a sensação de ficar dentro daquele tanque d’água que, com um pouco de LSD, faz Olivia se conectar com a memória de defuntos. “A água é quente e não há sal para eu flutuar: eu que balanço os braços! Além de relaxante, é um exercício”, ri.

Jackson prefere comentar a relação entre Peter e Walter. O cientista passou 17 anos no manicômio, sem contato algum com o filho. “A dinâmica entre os dois nesta nova temporada está mais interessante, pois é totalmente o oposto da anterior. Peter, após muito tempo, conseguiu confiar em Walter. Não sei como será a partir do momento que ele descobrir que seu pai mentiu durante todo este tempo”, diz. “O que mais amo em Fringe é como esta relação foi posta dentro de uma história de ficção científica. Ao tirar esse lado bizarro (do universo paralelo), você vai observar como a dinâmica deles é algo muito real.”

Anna lamenta não atuar mais ao lado do marido, o ator Mark Valley, que conheceu na gravação do piloto de Fringe. Ele viveu o agente John Scott, que morre logo no primeiro episódio. Tirando um ou outro momento em que os dois contracenavam juntos (no caso, nas memórias de Olivia), ele passava o tempo todo deitado em uma espécie de incubadora! “Esse programa mudou minha vida pessoal e profissional”, brinca a atriz australiana, que teve em Fringe seu primeiro papel na TV americana

Jackson, por outro lado, é experiente no mundo dos seriados e durante anos foi o Pacey de Dawson’s Creek. Perguntado se os fãs o chamam mais de Pacey ou de Peter nas ruas, o ator brincou. “Depende de quem me chama!” Realmente, ele estava de bom humor.

* Matéria publicada no Estadão

26 de out. de 2009

The Big Bang Theory: qual é o segredo da fórmula?

SAN DIEGO - Os nerds contra-atacam. Após meses de espera, The Big Bang Theory retorna à TV brasileira com novos episódios. Às 21h30 desta terça-feira, 27, começa a 3ª temporada pelo Warner Channel. Vale ficar de olho: trata-se de um fenômeno de audiência, que bate recordes nos EUA a cada semana – o último capítulo teve mais de 15 milhões de espectadores. E o título é, ao lado de Two and a Half Men, a comédia mais vista da América Latina.

Não por acaso, os dois sucessos levam a mesma assinatura: Chuck Lorre. Com Bill Prady, um ex-desenvolvedor de softwares, ele produziu esse show sobre dois amigos físicos, Sheldon e Leonard, que sabem tudo sobre o universo mas são incapazes de conversar com uma mulher. Ao lado de dois amigos inseparáveis, Howard e Koothrapali, seus hobbies são comprar quadrinhos, jogar paintball e ir a festas de cosplay.

O quarteto é metódico, a ponto de ter uma noite da semana voltada só para jogar o game Halo, e outra para jantar comida chinesa. A vida deles é transformada após a chegada de uma vizinha ao edifício que tem o seu elevador quebrado ad eternum: a loira Penny, uma garçonete aspirante a atriz. "Ela é o passaporte deles para o mundo exterior. Ela é divertida e relaxada, e isso os influencia", explica a atriz Kaley Cuoco, a Penny.

O roteiro é inteligente e, mesmo cheio de referências tecnológicas e científicas, agrada todo tipo de público. Mas a graça mesmo está no elenco de nerds – em especial, o personagem Sheldon Cooper, um monstro criado pelo ator Jim Parsons (leia entrevista ao lado). Obsessivo, ingênuo e antissocial, Sheldon é a figura mais carismática da TV atual. The Big Bang Theory, no entanto, não se trata de um one man show, diz Lorre.

"Grandes personagens surgem de histórias coletivas. Jim é uma pessoa que se destaca, mas todos são muito talentosos. O grupo funciona como um time, isso é o que o torna tão especial", diz. "Você imaginaria Archie Bunker (Tudo em Família) sem Edith? Um show não se sustenta sem personagens interessantes, pois só assim você tem várias histórias para contar."

DOIS PROJETOS, UMA SÉRIE

A série nasceu de dois projetos distintos. Lorre queria produzir uma série sobre uma garota sonhadora, que tem de lidar com as agruras da vida. Já Prady queria transformar em personagens seus ex-colegas dos tempos de programador. Até que veio o clique: "e se ela conhecesse os nerds?"

Sheldon e Leonard seriam coadjuvantes de Penny, mas grupos de discussão se mostraram muito mais interessados pelas histórias dos geeks. "Achei que no começo eu seria só a loira gostosa e tapada que mora ao lado", admite Kaley.

Em tempos em que as comédias americanas buscam inovar seus formatos, como os falsos documentários de The Office e Modern Family, The Big Bang Theory segue a tradicional fórmula das três câmeras filmando um cenário, com uma plateia assistindo tudo ao vivo (daí aquelas risadas ao fundo). "É excitante por termos essa resposta imediata, mas também é muito vulnerável. Se o material não funciona ouvimos um silêncio, é um som terrível", diz Lorre. "Paramos a gravação e reescrevemos a piada. Se ela é uma droga com a plateia, também será na TV", acredita.

Um professor de física e de astronomia é responsável por revisar o roteiro e fornecer o denso material. Aos poucos, ele mesmo começou a sugerir umas piadas. O texto é um desafio ao elenco, e os atores admitem que entendem patavina do que falam. "Como laboratório, eu e o Jim saímos com uns professores e cientistas de Los Angeles para tentarmos aprender algo. Bastaram 20 minutos para percebermos que não tinha como", ri Johnny Galecki, o Leonard.

Na nova temporada, ele e Penny vão namorar. Questionada se já se apaixonou por algum nerd, Kaley sorri. "Totalmente! Amo conversar sobre física e qualquer coisa que envolva matemática. Graças ao show, sei muito sobre Star Trek e mais do que preciso sobre Star Wars."

Mas... e Sheldon? Será que um dia ele também irá encontrar um grande amor? Lorre responde com bom humor. "Sheldon é apaixonado por física. E pelo Sheldon. É um caso de amor com o próprio cérebro, por isso ele é tão especial."

'Eu me sinto uma vovó'
Jim Parsons diz não ter nada do seu Sheldon Cooper. Quando contou isso, os jornalistas que se aglomeravam na mesa em que ele estava ficaram decepcionados. Mas basta fechar os olhos para ter a sensação de que a pessoa que está ali, sentada ao seu lado, é realmente o físico especialista na Teoria das Cordas.

A voz que chega a afinar nas exclamações e até a risada característica fazem parte de Parsons. Não foram trejeitos criados pelo intérprete, que neste ano foi indicado como melhor ator de comédia ao Emmy. Simpático até dizer chega, ele respondeu às perguntas de cada jornalista. E atendeu às solicitações dos mais empolgados, que pediam para ele sussurrar "I’m Batman", ou exclamar um "Bazinga", e até mesmo dar um "oi, mamãe" às câmeras do celular.

Qual é a sensação de ser indicado pela primeira vez a um Emmy?

Nossa, foi como se eu saísse do próprio corpo. Logo vieram falando se eu saberia o que iria vestir e achei isso estranho, porque não é só pôr um smoking? Me senti com 15 anos. De onde você é?

Eu? Do Brasil!

Ah, sério? Eu fiz um comercial no Brasil uma vez e eu era o único ator que falava inglês dali. Essa foi a experiência mais estranha da minha vida!

Inclusive tem uma camiseta que vende por lá com sua foto. Você aparece de Che Guevara e embaixo está escrito "Cheldon". Como é virar um ícone nerd?

Não sei como é se sentir assim, é algo muito novo, especialmente agora que você falou desta camiseta! Por que você não me trouxe uma? (Risos)

E você tem algo de nerd?

Nada. Nunca fui bom em videogame, mas jogo pingue-pongue com o pessoal do elenco e da produção. Sou nerd no sentido de ser praticamente um velhinho. Gosto de dormir e acordar cedo, ouvir rádio enquanto me exercito... Isso é muito mais do que você precisa saber, mas eu me sinto uma vovó. Eu não sou o cara mais bacana do mundo.

Você entende algo daquelas referências que o Sheldon adora jogar na cara dos outros?

Ai... Eu não digo isso de uma maneira ruim, mas raramente. Entre o fã de quadrinhos e o cientista há uma linha tênue de conhecimento. Eu sei o que estou dizendo, mas nunca parei para rir depois de ler uma fala e berrar: "Entendi!" Teve uma cena na loja de HQs que eu não tinha muito o que fazer, então li um gibi. Nem lembro o nome dele, era com tiros. Foi agradável!

O Sheldon tem um jeito todo especial de falar e de se expressar. Essas idiossincrasias foram criações suas?

Eu diria que o "knock-knock-knock, Penny, Penny, Penny". Mas é algo meio "o ovo ou a galinha?" Não sei se alguém escreveu ou se fui eu que fiz. E tem pequenas coisas que os roteiristas escrevem ao me observarem. Eu não tentei pôr uma voz, um jeito especial de andar... Eu apenas estudo as palavras.

Como os fãs se aproximam de você nas ruas? Eles acham que você é igual ao Sheldon?

Não. Eu até sonho que alguém chega até mim e diz coisas estranhas, que pensa que sou um cara muito esperto... (Risos) Mas não, eles sabem que sou um ator.

* Matéria publicada no Estadão

20 de out. de 2009

Na cola de Crepúsculo

SAN DIEGO - Para quem achava que não havia espaço para mais uma história de vampiros, após os sucessos da série True Blood e do filme Crepúsculo, um aviso: há sim. Estreia às 21h de quinta-feira, na Warner, The Vampire Diaries.

Tal qual os dois exemplos acima, o seriado é baseado numa série de livros best seller – Diários do Vampiro, de L.J. Smith. Na história, Elena (Nina Dobrev) é uma adolescente órfã, que se apaixona por um colega no primeiro dia de aula. O garoto é o misterioso e sedutor – e vampiro – Stefan Salvatore (Paul Wesley). Algo meio Isabella e Edward, de Crepúsculo.

Elena também será cortejada por Damon (Ian Somerhalder), irmão mais velho de Stefan. Ao contrário do caçula, que aprendeu a controlar seus impulsos, Damon não perdoa a jugular alheia. Algo meio Bill e Eric, de True Blood. Os dois brigaram há centenas de anos pelo amor da jovem vampira Katherine. A disputa provocou sua morte e os dois se afastaram. Elena é praticamente uma sósia de Katherine e daí vem o interesse deles por ela.

"O show tem uma mitologia rica. Nossos personagens estão interconectados há centenas de anos e a cidade de Mystic Falls é um lugar onde houve guerra civil, com uma grande carga de atividade sobrenatural", diz ao Estado Kevin Williamson, responsável pela adaptação do livro para a TV.

The Vampire Diaries traz vários rostos novos. Menos Somerhalder, ex-Lost. "Só ele não fez testes, ficamos loucos ao descobrirmos sua disponibilidade", ri Julie Plec, que assina a série com Williamson.

Lançada pela CW, mesmo canal que exibe Gossip Girl nos EUA, Vampire teve boa audiência na première, mas foi mal recebida pela crítica. Williamson, pai de Dawson’s Creek e dos thrillers Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, diz que a série é uma versão sexy e jovem de Dark Shadows, show vampiresco americano cult dos anos 60. Para quem não captou a referência, ele cita exemplos atuais bem conhecidos. "Adoro True Blood e, Julie, Crepúsculo. Vampire Diaries fica no meio disso".

PS: Matéria publicada no Estadão

2 de out. de 2009

Ray Drecker, o novo Mr. Big


Tal sinopse está na moda. Depois de uma mãe e de um pai que viram traficantes para sustentarem seus filhos (Weeds e Breaking Bad), vem aí mais um arrimo de família com emprego politicamente incorreto. Estreia às 23h30 de sábado, dia 3, a mais nova comédia da HBO: Hung.

Produzida por Alexander Paine (Sideways), que dirige o primeiro episódio, a série conta a história do quarentão Ray Drecker (Thomas Jane), um professor de basquete de um colégio de Detroit, uma das cidades mais atingidas pela atual crise financeira mundial.

Drecker vive na mesma casa que fora de seus pais e sua esposa Jessica (uma ótima Anne Heche) o abandonou para viver com um médico bem-sucedido. A situação piora depois que seu lar pega fogo em razão de um curto-circuito. Além de perder o lar, que não tinha seguro, seus filhos adolescentes voltam a viver com a mãe após o incêndio.

Falido, ele vai até uma palestra motivacional, cuja proposta é fazer com que cada um descubra o seu talento – e ganhe dinheiro com isso. O professor não sabe qual o seu diferencial. Apenas lembra que os únicos elogios que recebeu durante a vida foram direcionados ao seu avantajado membro sexual. Bingo! Com a ajuda da filósofa Tanya Skagle (Jane Adams), que ele conhece na tal palestra, o michê ganha uma cafetina, que irá apresentá-lo ao mercado.

Hung é uma "dramédia" de 30 minutos, com pitadas de humor negro e de ritmo um pouco arrastado. Sua primeira temporada tem 10 episódios. A HBO já a renovou para um segundo ano.

*Matéria publicada no Estadão


21 de set. de 2009

S.O.S. séries


A série Chuck, que passa no Brasil pelo Warner Channel, esteve este ano na berlinda durante meses. A rede americana NBC, insatisfeita com a audiência da série, estava decidida a cancelá-la. Mas os fãs não deixaram: em uma campanha de marketing de intensidade nunca vista, conseguiram até um patrocinador para que a atração fosse renovada para uma 3ª temporada. O próprio protagonista de Chuck, Zachary Levi, aliou-se aos telespectadores para que o show não saísse do ar (leia entrevista abaixo). Foi a primeira vez que um ator agiu assim.

Quando se diz por aí que hoje são os telespectadores quem mandam na televisão, acredite. Com a internet, influenciamos diretamente a programação da TV. Mas vale lembrar que tal atitude não é novidade. Desde as cartinhas e dos telefonemas que o povo de casa atazana os profissionais da TV para que certo programa retorne ou para que tal personagem não morra. A diferença é que na web a mobilização é potencializada. Com as redes sociais, os fãs criam estratégias de guerrilha para ventilarem seus pedidos em fóruns, blogs, Twitter, Orkut, Facebook e afins.

O primeiro passo é criar um site que promova a campanha, com um abaixo-assinado. Depois, lota-se a caixa de e-mail dos executivos da emissora que exibe o programa que está prestes a ser cancelado. Daí vem a parte criativa. Para Roswell não ser cancelada logo no primeiro ano, fãs enviaram para a rede WB frascos de Tabasco, o condimento prediletos dos alienígenas da série. Funcionou! Para Jericho também ganhar uma segunda temporada, o delivery veio em forma de 20 toneladas de amendoins, direcionados aos escritórios da CBS. Mesmo resultado.

As atrações que provocam essas mobilizações têm em comum um grande apelo entre os nerds, a menina dos olhos da indústria do entretenimento. São fanáticos, que assistem a um show pela TV e pelo PC, compram seus DVDs e qualquer outro tipo de merchandising. E por serem aficionados por tecnologia, mobilizam-se na rede como ninguém. Exemplo: Dollhouse, da Fox, já tinha campanha virtual para não ser cancelada antes de estrear!

Eles pregam que o público assista mais à TV online. A alegação? Ao ver as séries pelos sites das emissoras, os canais terão uma real noção da audiência de um programa. The Office, que foi pouco vista em seu começo, quase foi degolada. Continuou na NBC porque era um hit de vendas no iTunes. "A internet tem uma aferição mais precisa", concorda Gabriel Priolli, Coordenador de Conteúdo e Qualidade da TV Cultura.

Em julho, Priolli viu uma campanha do blogueiro Ale Rocha (Poltrona) para que o programa teen Pé na Rua não fosse cancelado. Foram tantos e-mails recebidos que até o ombudsman do canal pediu para a atração continuar. Não rolou.

"Infelizmente, as manifestações só acontecem quando o programa sai do ar", diz Priolli. Questionado se uma ação à Chuck funcionaria no País, entusiasmou-se. "Se o público sensibilizasse patrocinadores para que recolocássemos programas antigos, a gente o faria com o maior prazer. É o público trabalhando com a TV pública."

Essa relação é boa para todos os lados. Na semana passada, estreou no SBT uma faixa nobre de séries, cujo horário saiu de uma pesquisa lançada pelo Twitter da diretora artística, Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos. Não dá para saber se o SBT é de fato "a TV mais feliz do Brasil". Mas já é uma das mais interativas.

Zachary Levi: 'Há mais nerds e geeks por aí do que bombadões'

SAN DIEGO - Chuck aprendeu com o baque que levou após quase sair do ar. E aprendeu ainda mais com a nova relação que a série terá com os fãs daqui para frente. "Basicamente tudo o que os fãs estão pedindo nós iremos entregar. Episódios para a internet, um episódio musical...", enumera Josh Schwartz, criador e produtor-executivo da série, que mistura espionagem com comédia. "Chuck é um tipo de show que depende da reação dos fãs, então temos de estar sincronizados com eles. Nossa responsabilidade aumentou muito após essa sinergia que foi criada", continua ele, em entrevista ao Estado durante o evento de cultura pop Comic-Con, em San Diego, na Califórnia.

O primeiro passo foi a criação do site ChuckMeOut (www.chuckmeout.com), um espaço para os fãs de Chuck debaterem sobre a atração, além de jogarem games e verem episódios online. Há dois meses no ar, a página registrou mais de 1 milhão de streamings – conscientes, os atores produziram um vídeo agradecendo a marca alcançada.

"Os nerds são um tipo de fã muito leal. O bacana é que eles são telespectadores sofisticados e muito inteligentes, sabem tudo sobre a história", diz o ator Adam Baldwin, que faz o agente John Casey. "É um tipo de fã que você consegue por merecer", resume Ryan McPartlin, o intérprete do Dr. Devon, vulgo "Captain Awesome".

A bela atriz Yvonne Strahovski, que tem o papel da agente Sarah Walker, conta a sua reação ao saber da campanha armada pelos telespectadores. "Os dois meses de indefinição foram muito difíceis. Então, quando vimos a reação do público foi tipo ‘uau’!", sorri.

A campanha para renovar a série da NBC criou abaixo-assinados na internet, enviou e-mails desesperados para todos os profissionais da emissora e, acima de tudo, veio com a diferente proposta de encontrar um patrocinador disposto a investir na 3ª temporada.

A empresa escolhida foi a rede de sanduíches Subway, que tinha feito uma ação de marketing em um determinado episódio do 2º ano para promover um novo lanche. O ator Zachary Levi (Chuck Bartowski) se mostrou disposto a conversar com os fãs desde o começo da ação virtual. Sua cartada genial aconteceu durante uma convenção na Inglaterra. Em vez de dizer algo ao público presente (200 pessoas), convocou-os até a Subway mais próxima, onde, literalmente, pôs as mãos na massa e fez sanduíches para o pessoal (confira o vídeo em http://tinyurl.com/chucksub).

O ator falou sobre a nova vida do seriado, que volta aos EUA só em março – e no meio do ano que vem ao Brasil, pela Warner Channel.

Sua adesão à campanha fez de você uma pessoa muito querida pelos telespectadores. Acredita que isso ajudou o programa a ganhar novos seguidores?

Espero que sim. Os atores de Hollywood têm diferentes atitudes, e não quero dizer qual é certa e qual é errada, mas, para mim, quanto mais você estiver envolvido e acessível, mais as pessoas irão te querer.

Para um fã, ver seu ídolo fazendo sanduíches a fim de ajudar a manter a série no ar foi o máximo, não?

Estava sendo eu mesmo ali, não estava interpretando meu personagem. Fui a um evento em Birmingham para conversar com os fãs e percebi que em vez de ficar ali parado, só falando, por que não sair e fazer uns sanduíches? Foram momentos e oportunidades únicas que passei (durante os dois meses). Hoje eu só tenho um trabalho porque eles (os fãs) nos amam. Dar uma resposta a eles é o mínimo que podia fazer.

Você diz ser um nerd com orgulho. Por que esse tipo de pessoa, seja um personagem ou um telespectador, vem fazendo tanto sucesso, a ponto de manter uma série no ar?

Porque somos pessoas reais! Há mais nerds e geeks por aí do que bombadões, não?

O nerd e o geek são um novo tipo de super-herói então?

Sim, é um novo tipo de super-herói! E também somos ótimos amantes.... (risos) Ah, e sabemos como consertar um computador!

* Matéria publicada no Estadão


9 de set. de 2009

Os perdedores contra-atacam


NOVA YORK - Pense naqueles personagens clássicos dos filmes teens americanos. O jogador de futebol americano que é a estrela da escola e que namora a chefe de torcida loirinha e popular. Ou o nerd que é enfiado na lata de lixo todo dia. Ou o cara estranho que não se encaixa em nenhum grupo... Agora pense neles cantando, felizes, como se não houvesse amanhã. Lembrou de High School Musical? Pois saiba que assim pode ser resumida Glee, a comédia sensação dos Estados Unidos que terá sua pré-estreia no Brasil no domingo, dia 13, às 22h, na Fox.

Antes, vale o aviso: não se deixe levar pelo pré-conceito desta breve sinopse. Glee é uma comédia musical de uma hora cheia de humor negro, que leva a assinatura de Ryan Murphy, a "mente doentia" por trás de Nip/Tuck. Exemplos: sabe o quarterback popular? Então, ele gosta mesmo é de cantar e dançar. Sua namorada cheerleader? Na verdade, ela é uma religiosa fervorosa, que adere ao voto de castidade. Isso sem falar do cadeirante dançarino, da lésbica punk e da filha de um casal de homens. Ficou mais interessante, não?

A história de Glee se passa dentro do McKinley High School. O professor de espanhol Will Schuester (Matthew Morrison) é um idealista, que assume a coordenação do Glee Club do colégio, um clube musical largado às traças. Como Will fez parte dele quando estudante, aceita o desafio de deixá-lo pronto para o campeonato regional de glees. Não será fácil: o diretor cortou todas as verbas e sua esposa simula uma gravidez para que ele largue o "frila gratuito" e arranje um emprego extra.

Os alunos que entram na empreitada são os losers . Só quando o astro de futebol americano Finn Hudson (Cory Monteith) se junta ao grupo é que toda a escola fica de olho no projeto. "O glee é o elo de todo mundo, que mostra que é O.k. ser quem você é", diz ao Estado a atriz Lea Michele, em evento para a imprensa mundial em Nova York.

Ela vive a protagonista Rachel, a menina sacaneada por todos, que é adotada por um casal gay e se acha a melhor cantora do mundo. Seu hobby é se filmar cantando para se exibir no MySpace.

DE REHAB A CHICAGO

O trunfo do seriado são os ensaios musicais dos alunos, que fazem releituras de sucessos do passado e do presente. "A música traz alegria às pessoas. O show vai abrir os horizontes musicais dos espectadores, as crianças agora vão ouvir John Denver", acredita Matthew Morrison, o professor Will.

O primeiro episódio de Glee é um bom aperitivo do que virá pelos próximos 21 capítulos da 1ª temporada. Os atores cantam hits radiofônicos da hora, como Rehab, de Amy Winehouse, e I Kissed a Girl, de Katy Perry. Mas também interpretam Mr. Cellophane, do musical Chicago, e Don’t Stop Believin, da banda de hard rock Journey.

A versão de Glee para essa música, aliás, vendeu 400 mil downloads no iTunes, o que mostra a euforia inicial em torno da produção, que terá o seu segundo episódio exibido nos EUA na semana que vem (e em 4 de novembro no Brasil). "Nossas versões são até melhores que as originais", diz Matthew, sobre o sucesso precoce da série. "Glee mostra mais a realidade de ser um estudante. No High School é todo mundo bonito", brinca Chris Colfer, que interpreta o gay/pavão Kurt.

Entre as músicas que aparecerão nos próximos episódios estão Love of My Life (Queen), Gold Digger, do rapper Kanye West, e inúmeros trechos de musicais famosos. O elenco é categórico ao afirmar que a mais talentosa ali é a atriz Amber Riley, intérprete da deslumbrada Mercedes. Perguntada sobre quem a inspirou para a construção da personagem, Amber falou, séria. "Em mim, na minha diva interna!"

OFF-BROADWAY

Cory Monteith, que faz o quarterback Finn, é o único que não cantava ou dançava antes – todo o cast tem formação teatral ou musical, com passagens pela Broadway. "Trabalhava em uma construção, só atuo há 6 anos. As danças do primeiro episódio eram até simples, mas apanhei horrores", ri. Ele também nunca tinha jogado futebol americano até então. "Não sabia para onde devia correr."

A molecada tem entre 18 e 25 anos e se considera uma família. Muitos dos atores até moram juntos em Los Angeles. "Fica um escutando o iPod do outro no set, mas sempre tomando cuidado com a cera alheia", brinca Chris. "Todo mundo canta nos intervalos. É para chamar a atenção do Ryan (Murphy), ele sempre inclui no roteiro as músicas que a gente gosta", diz Kevin Mchale, o nerd Arty.

Duas curiosidades sobre Kevin. Um: seu melhor amigo é brasileiro, então sempre passas as férias aqui. Dois: é um excelente dançarino. Mas Ryan Murphy, e seu conhecido humor negro, fez dele um cadeirante na série.

***

Entrevista com Ryan Murphy: 'Glee é igual aos filmes do Rocky'
Ryan Murphy é o mandachuva de Glee. Além de ser um dos três roteiristas, é o principal produtor executivo da Fox. Nada entra no ar sem sua aprovação. Mas isso não faz dele alguém temido nos bastidores, ao contrário. Ele falou com o Estado um dia depois do evento com o elenco.

É verdade que a série tem muito da sua infância?

Me envergonha o fato de ter sido muito Rachel: era presidente de todos os clubes do colégio. Cresci em Indiana, era obsessivo com a ideia de ser maior que a minha cidade. O personagem gay de Chris Colfer foi tirado da minha vida. O primeiro filme que vi foi Funny Girl – A Garota Genial. Sempre quis usar a faixa Don’t Rain On My Parade deste musical nos meus trabalhos. Agora pude.

Você também criou 'Popular'. Isso ajudou na hora de voltar a escrever sobre adolescentes?

Popular foi sobre sobre seus problemas e incompreensões, era cínico e obscuro. Nunca quis fazer um show sobre teens, mas explorá-los.

Como será conduzida a história durante a temporada? O piloto mostra tudo de uma vez!

Não sei o que o futuro me reserva, faço isso mesmo. Mas sempre sei onde a história termina. Glee é igual aos filmes do Rocky. O primeiro tem os perdedores, que vêm do nada pelo amor de uma grande pessoa e buscam sair vitoriosos de uma competição. No segundo ano eles são campeões. O quarto vai ser na Rússia! (risos)

Como é o processo de gravação de 'Glee'?

É produzir um filme a cada seis dias. Definimos o tema do episódio e depois passo uns dias dirigindo por Los Angeles para selecionar umas seis músicas. As músicas têm de ser aprovadas pelos artistas, nenhum ainda disse não. Grandes estrelas, como Barbra Streisand, Billy Joel e Beyoncé, amam o tema do show. Depois escuto a demo da música, faço anotações e eles gravam. Daí são mais uns dias para a coreografia.

Existe a hipótese de pôr músicas originais na série?

Sempre disse que não, gosto do show porque as pessoas identificam as faixas. Recebo ligações de compositores todos os dias. Agora posso chegar nos tops do mundo e falar: "a Rachel tá se sentindo assim, me escreva uma canção, Diane Warren". Vamos ter um episódio com oito músicas originais para serem vendidas como singles depois.

Você aceita as sugestões musicais dos atores?

Quando se trabalha com um monte de crianças talentosas, seu trabalho é espioná-las. Teve um dia que eles cantaram Ride With Me do rapper Nelly, e amei. Na outra semana estava lá. Também estava conversando com o Chris Couler, que falou que as melhores canções da Broadway são cantadas por mulheres e que queria ser garota por um dia, só para cantar algo de Wicked. Falei: "você não precisa ser". E pus. Matthew é um grande dançarino e fez certa vez a dancinha do Thong Song ("música do fio dental"). Já viu... (risos)

* Matéria publicada no Estadão

16 de ago. de 2009

Entrevista com os vampiros



LOS ANGELES - "Nosso show é mais real o que os outros. Olha, acho que se Los Angeles fosse invadida agora mesmo por vampiros, eles seriam assim. Se é que isso faz algum sentido": a atriz Rutina Wesley profere a frase e solta uma gostosa gargalhada para resumir a um grupo de jornalistas (que inclui este, do Estado) o que o elenco de True Blood passa.

A produção da HBO, que está na 2ª temporada e é hit de audiência na televisão (e na web), segue a moda de trazer livros de sucesso sobre esses seres sobrenaturais para as telas – seja do cinema ou da TV. Além do fenômeno teen Crepúsculo, em novembro chega ao Warner Channel o seriado Vampire Diaries.

A comparação é inevitável e rende comentários pouco ortodoxos. "True Blood é mais f.., para os adultos. Crepúsculo é para minha irmãzinha", alfineta o ator Nelsan Ellis, o "discreto" Lafayette.

Na história criada pela escritora Charlaine Harris e adaptada por Alan Ball (leia mais aqui), japoneses criam a bebida Tru Blood, que simula o sabor do sangue. Assim, os vampiros não precisam mais sair à noite atrás das jugulares alheias. Poucos aderem à novidade – caso de Bill (Stephen Moyer), um elegante "sugador" centenário que se apaixona pela garçonete Sookie (Anna Paquin). Ela se interessa pelo imortal por um motivo: é telepata e sempre sofreu com esse dom. Mas não consegue ler a mente dele. Afinal, ele está morto!

True Blood não é mais uma história sobre o relacionamento de um vampiro com um ser humano. É um drama com piadas de humor negro, que faz da inserção dos vampiros na sociedade uma metáfora para falar sobre os preconceitos sociais e morais que existem nos EUA.

O seriado caiu no gosto do público e da crítica, que deu a Anna o Globo de Ouro de melhor atriz. Mas quem rouba as cenas são os coadjuvantes. "O show não é apenas sobre Sookie e Bill brincando na cama", ri Anna. "Aqui não tem a presença do personagem principal. Você vê 12 histórias diferentes que se conectam", completa Rutina, a elétrica Tara.

PROTETOR SOLAR FATOR 50

A série é rodada durante seis meses em New Orleans, Luisiana. Sua produção tem várias curiosidades. Para ficarem com a aparência pálida, os vampiros não se submetem apenas a muito pó de arroz. "Não vou à praia e uso protetor solar número 50", ri Alexander Skarsgård, que faz o vampiro/xerife Eric. As olheiras também não são fruto de pura maquiagem.

"Agora a gente grava muitas cenas em estúdios, mas no primeiro ano eu sofri. Só tinha cena externa, à noite, porque não podemos sair ao sol", explica Moyer que, ao lado de Skarsgård, provoca os instintos mais primitivos das telespectadoras. "Senhoras pedem para tirar foto comigo na rua. Daí viram o pescoço e pedem: ‘me morde?’", ri ele, que teoriza sobre o sucesso. "Os vampiros são seres de outro tempo, têm aquela aparência gótica e são românticos. Isso é muito atraente", diz. "Além do mais, somos fortes, poderosos e com uma energia sexual incrível!"

Mas o assunto que mais rende entre os atores é o sabor do sangue fictício, mistura de xarope com corantes. Skarsgård gosta, diz que é doce. Já Anna... "No primeiro dia perguntaram se queria o sangue com açúcar ou sem. Tomo refrigerante diet, então já viu... É horrível e tem gosto de bunda", resume.

Nota: agora, o sangue que ela bebe é xarope de morango.

Entrevista com Alan Ball: "VAMPIRISMO É PURO SEXO"

O nome de Alan Ball foi citado durante toda a entrevista com o elenco de True Blood. Um show assinado pelo criador de Six Feet Under, roteirista ganhador de Oscar (Beleza Americana, 2000), foi o motivo que mais pesou na hora de convencer os atores a fazerem testes para a série – além de ser uma produção da HBO, claro. Antes de ser paparicado pelo elenco, Ball falou ao Estado.

Por que hoje temos tantas produções sobre vampiros?
Faço uma piada que é porque nós tivemos, aqui na América, nos últimos oito anos, um vampiro presidente que nos sugou até nos deixar secos (risos). Honestamente, não sei dizer por quê. Os vampiros sempre foram seres atemporais.

Por quê?
Eu acho que existe essa tensão sexual, desde o Drácula de Bram Stocker e da Era Vitoriana. Sexo era algo escondido, essas histórias eram uma boa metáfora para falar de sexualidade. Se você pensar, o ato do vampirismo, de peles penetradas e fluidos corporais sendo trocados, é totalmente sexo.

O show usa a inserção dos vampiros na sociedade como uma metáfora para falar do racismo e do fanatismo religioso na sociedade americana. Como você criou essa abordagem?
Isso já estava nos livros e foi um dos motivos que me fizeram gostar tanto deles. Porque parece fresco. Comprei o primeiro livro da série por impulso: estava 20 minutos adiantado para uma consulta no dentista, então dei um pulo na Barnes & Noble. Algo me disse "compre". Se fosse uma história tradicional de vampiros, eu não teria gostado. O jeito com que ela (Charlaine) trata as questões sociais e faz do vampiro uma metáfora para isso, como o culto e a fantasia de se transar com um, de beber seu sangue, ou mesmo a perseguição religiosa, foram sacadas que transformam a obra num entretenimento legal, sexy e assustador.

Por que na série temos mais personagens afro-americanos do que na obra original?
Bem, estamos falando de uma Luisiana, então como não ter grandes personagens afro-americanos? O único que existe nos livros, de real importância, é o Lafayette. Já a Tara é só uma amiga da Sookie e eu não quis que ela fosse mais uma caucasiana bonitinha.

'True Blood' e 'Six Feet Under' estão relacionados com a morte, de certa forma. Esse é um assunto que o fascina?
Passei cinco anos num show que trabalhava com o fato de que todos vamos morrer um dia. Pensei: "O.K., acabei com esse lado pesado." E o livro me pegou por ser engraçado! True Blood não mostra a realidade da morte, é um cartoon, não é o vilão de Six Feet Under. Por causa do acidente de minha irmã (ele a viu morrer em um acidente de carro), tenho outra percepção da morte, é algo que me fascina. Recentemente perdi um cão e realmente fiquei de luto. Mas é um assunto que não me assusta mais: agora fico em frente a um túmulo, choro por quatro minutos e sigo em frente. Quando perde-se alguém que ama, você a homenageia com sua dor, mas depois deve entrar em paz.

* Matéria publicada no Estadão

3 de ago. de 2009

Currículo.com

Quando a atriz Liana Naomi, de 25 anos, começou a atuar na websérie Mina & Lisa, uma produção independente na internet que acumulou mais de 500 mil acessos em 24 episódios, nem imaginava os sustos que teria pela frente. O primeiro deles foi quando o diretor Jayme Monjardim viu o trabalho, gostou, e a convidou para uma ponta na minissérie da Globo, Maysa - Quando Fala o Coração. O segundo veio da atriz e produtora de elenco Cecília Homem de Mello, outra admiradora do seriado online. O apreço resultou em mais um convite - Liana é a Emília de Som & Fúria.

"Mina & Lisa foi um jeito de exercer minha profissão, atuar. Não tinha ideia de que a viriam tanto, é totalmente inacreditável", revela. "Quando cheguei no Projac, a recepcionista logo me reconheceu, eu era 'menina da internet'", brinca.

Este é o exemplo mais recente de uma prática que tem se confirmado como tendência na TV brasileira: a contratação de pessoas que despontam na internet. É o ator que usa a rede para criar produções próprias, o comediante que cria esquetes no YouTube, a menina que faz sucesso no álbum virtual, o blogueiro de humor ácido...

Esse tipo de internauta não atrai os profissionais da televisão apenas pela fama virtual. É pelo talento mesmo. Se no passado um ator requisitado era aquele que também sabia dançar e cantar, o de hoje é aquele escreve um roteiro, dirige e edita um vídeo. "A internet serve para mostrar o seu trabalho, mas principalmente faz você aprender tudo sozinho. Não sabe algo? Busque um tutorial. Quer saber qual é a qualidade do seu trabalho? As críticas e elogios vêm como uma avalanche. É uma puta experiência", diz MariMoon, a colorida garota dos fotologs que é VJ da MTV desde 2008.

Para o ator Felipe Reis, de 25 anos, esse é o "profissional pensante". Ele surgiu na mídia com a websérie Conversas de Elevador. Desde o começo do ano ele virou repórter e apresentador do programa Nossa Língua, da TV Cultura."O ator é um criador acima de tudo. Como eu escrevia, dirigia e atuava no Conversas, tenho uma visão mais ampla do processo", conta. "No programa eu posso palpitar, falar de maneira construtiva sem ser chato. O ator pensante acrescenta à obra."Solange Martins, diretora do Nossa Língua, comenta que o fato de Reis ter uma produção na internet não foi crucial para sua aprovação, afinal, ele tinha de mostrar que, de fato, era bom. Mas admite que sua experiência na web o credenciou para um fator-chave: a habilidade de falar com o público jovem, conectado, espectador almejado por nove entre dez emissoras.


"A internet tem essa visão de ser algo 'mais pra frente', o que conta muito", comenta Lynn Court, de 24 anos, apresentadora da TV Globinho desde este mês. Ela, que comandava antes um programa de cinema no site de uma operadora de celular, explica outro benefício de ser uma artista 2.0. "Ganhei um portfólio em vídeo, de acesso muito mais fácil. Emissoras e produtoras puderam ver minha desenvoltura, como eu interagia com o público. Eu nunca fui chamada pra nada pela Globo quando eu fazia teatro e só ficava mandando foto", ri.

SITE DA MTV SERVE DE ESCOLA

A MTV tem em seu site, o www.mtv.com.br, uma escola de formação de VJs. A página costuma abrir espaço para parcerias com vários blogueiros famosos e produtoras independentes, que têm grandes chances de irem para a TV. É um laboratório para o canal", costuma repetir Mauro Bedaque, gerente de Conteúdo do Portal MTV."A bagagem da web dá segurança na hora de ir para a TV. Traz um know-how da comunicação com o público. Não adianta apenas bombar na rede, pois a audiência na TV é muito maior", explica.

Um bom exemplo é Didi Ferreira, repórter do Furo MTV. Conhecido na web como um dos colaboradores do blog Te Dou um Dado?, ele primeiro ganhou um blog dentro do site do canal. Em seguida, um programete online. Daí até cavar um espaço na televisão foi quase um ano."Fui ficando mais à vontade. Minha linguagem teve de ser adaptada, pois TV é mais popular, enquanto a internet fala de um jeito mais moderno, que atinge um público novo, mais formador de opinião", conta.

Segundo Bedaque, as parcerias são um processo natural. "A internet é uma rede social, feita para descobrir novidades. Pode ser uma nova namorada, um novo apresentador ou roteirista", exemplifica. O termo "processo natural" foi muito usado durante as entrevistas para esta reportagem. Possivelmente ninguém pode afirmá-la melhor que o publicitário Antônio Tabet, mais conhecido pela alcunha de Kibe Loco. Há quatro anos ele é roteirista do Caldeirão do Huck, na Globo.

"Na internet cada um é editor de si mesmo. Eu já trabalhava com redação, o blog só deixou meu trabalho mais visado, o que ajudou na minha contratação", diz. Para ele, a migração de profissionais da web para a TV põe fim a um mito. "Acaba com aquele papo de que a internet vai acabar com a televisão. São duas mídias que convergem muito bem".

10 ANOS DE VÍDEOS ONLINE


Pioneiro na produção de vídeos online, Rafinha Bastos é do tempo em que não existia YouTube nem internet banda larga. Na Página do Rafinha, há 10 anos ele filmava suas esquetes, paródias e imitações. Quem fosse assistir tinha de fazer o download - um vídeo de 3 minutos levava um dia inteiro para ser baixado!

Tempos depois, ele se tornou um dos comediantes mais famosos do YouTube, graças aos seus vídeos de stand-up. Desde 2008 ele é um dos âncoras do jornalístico-humorístico CQC, da Band. E avisa: "essa separação entre internet e televisão vai acabar".

Por que vai acabar?
Os veículos estão cada vez mais se encontrando. Tem vídeo do CQC que bomba mais na internet, tem vídeo da internet que bomba mais no CQC. Vai acabar essa curiosidade em relação à internet, de ela ser um modelo alternativo. As esquetes do (espetáculo teatral) Improvável têm mais audiência no YouTube do que na televisão. O Twitter tem mais visibilidade que TV. O.K, exagerei.

Como você vê a migração de talentos da internet para a TV?
É uma convergência natural. O pessoal que produz vídeos na internet tem mais conhecimento sobre o processo, pois tem de fazer tudo sozinho. Por isso é que dali saem os trabalhos diferenciados. Na internet não existe um Boninho por trás do seu trabalho.


Apesar de estar na Band há um ano, você continua a criar vídeos para a internet. Por quê?
Cara, tenho tesão de interagir com o meu público. Isso parece fala de gente idiota que quer ganhar ibope, mas eu me divirto muito em fazer coisas da minha própria cabeça, sem receber a influência de ninguém e ter um feedback. Descobrir essa conexão direta com o público me viciou! Tem pessoas que me seguem na internet há dez, cinco anos. É muito legal o público ver o meu amadurecimento profissional - há vídeos que fiz vestido de mulher há 8 anos (risos). É um orgulho!

*Matéria publicada no Estadon


16 de jul. de 2009

'20 e Poucos Anos', parte 2


Passada quase uma década, a MTV volta a ter em sua grade um programa que aborda o universo do jovem brasileiro à la 20 e Poucos Anos. Estreia às 23h30 de terça-feira, dia 14, a minissérie Descolados, coprodução do canal com a produtora Mixer.

A atração semanal terá 13 episódios de 30 minutos ao todo. A MTV destaca que esse é o primeiro projeto da emissora via lei de incentivo fiscal.

Na trama, três jovens acabam se conhecendo após uma série de eventos desastrosos que nascem de suas primeiras tentativas de virar adultos. Lud (Renata Gaspar) sai da casa dos pais para morar "com o carinha que conheceu na balada". Mas leva um bolo. Teco (Thiago Pinheiro) se forma em Design e larga Bauru, interior paulista, rumo a Londres. Mal põe os pés na capital inglesa, é deportado após a polícia encontrar um resto de baseado em sua jaqueta.

Já Felipe (Marcelo Lourenço) é um modelo gaúcho que vive há 6 meses com a garota que namora há 3 anos. No dia em que compra um cão para os dois, leva um fora e é despejado. O trio se esbarra em um clube noturno paulistano e mostra que, no meio de infortúnios dignos da Lei de Murphy, algo de bom pode sair.

A linguagem da minissérie é atualíssima. É possível notar o efeito de pesquisas na hora de encaixar elementos como o "momento shuffle" no carro de Lud e quando ela "rouba" o sinal da internet Wi-Fi do vizinho. O jovem se identifica com o que vê na TV. E fica difícil não rir dessas situações.

* Matéria publicada no Estadon de domingo.

9 de jul. de 2009

No Estadon


O nascimento da 'geração Lost'*

(Há 5 anos, TV brasileira exibia o fim da série Friends, ao mesmo tempo em que começava a surgir um novo jeito de assistir televisão)


* Especial para o Link

24 de jun. de 2009

Entrevistas e mais entrevistas

Tá meio duro se dedicar a esta nobre banda, então deixo com vocês três entrevistas que fiz na semana passada. Uma para o Estadon (A.J. Buckley, da foto) e duas para o Virgula (Stefhany e Inri Cristo).

Inté!

- Geek e louco por Guitar Hero

(O ator A.J.Buckley revela que tem muito em comum com o seu Adam Ross, de 'CSI: NY')

- Stefhany: 'Não manjo nada de internet, nem sei o que é esse tal de Twitter'

- Inri Cristo: 'A internet é algo divino'

17 de jun. de 2009

No Estadon

Nerds S.A.
(Quem ousa zombar deles hoje? Essa espécie faz sucesso entre as garotas e vira trunfo de novelas e séries)

- Não seria zoológico?
(Demos uma espiadinha na Toca dos Leões, a fazenda-cenário do reality show da Record)

- Crias do SNL em comédia maternal
(Uma Mãe para o meu Bebê é o primeiro filme a reunir a ótima dupla Tina Fey e Amy Poehler)