17 de abr. de 2010
Chloe: 24 horas
A atriz, que há nove anos dá vida à geek Chloe O’Brian, não chega a ter o conhecimento hi-tech da analista de sistemas que nunca sai da frente do computador a fim de ajudar Jack Bauer – seja dentro da CTU, de uma van em movimento ou de um quarto de hotel.
"Não sou nada ligada em tecnologia. Eu twitto, e é só. Isso é bastante técnico, certo?", ri a atriz, cuja personagem é uma figura tão icônica no universo digital que até serviu de inspiração para o batismo de um software de segurança do governo americano que protege aeronaves de terroristas: o Project Chloe.
Geek 2.0.
Mary Lynn realmente não é uma nerd vintage como Chloe, que faz a linha antissocial "eu nunca tiro a cara do micro". Ela é uma geek 2.0, que não liga para o hardware poderoso do celular, mas para a sua capacidade de comunicação. Que o diga seu perfil no Twitter, @rajskub.
Ao contrário das celebridades de Hollywood, que passam o tempo no microblog digitando "o que estão fazendo" – para desespero de empresários e assessores que ganham a vida controlando as palavras de estrelas milionárias do showbusiness – Mary Lynn usa os 140 caracteres para conversar com fãs, falar dos bastidores da série e, olha só, contar piadas. Uma faceta que pouca lembra a de Chloe.
"Eu gosto muito mais do Twitter do que do Facebook. É simplesmente mais fácil, tudo rola em tempo real", justifica ela, que aparece com frequência naquelas listas de "Top 10 famosos para se seguir no Twitter". "Eu sempre estou, né? Mas não entendo como nunca ganho mais seguidores com esse tipo de matéria. É até meio vergonhoso", brinca.
A noite dos 140 tweets.
Recentemente, Mary Lynn participou do evento beneficente A Night of 140 Tweets, em que 140 celebridades narraram seus microposts para a gravação de um DVD, cujo dinheiro das vendas será destinado aos sobreviventes do terremoto no Haiti.
"Estava pensando nessa manhã que ninguém está nem aí para o que você faz da sua vida. Então eu comecei a mentir no Twiter", provoca, depois que perguntei se Katee admitia pagar alguém para atualizar seu perfil.
"Eu ficava escrevendo ‘oh, estou com meu bebê agora’ ou ‘agora estou alimentando o nenê’. E percebi que isso é chato. Se eu disser que estou com a Rachel McAdams (atriz do filme Sherlock Holmes) minha vida fica mais excitante! Então em vez de escrever apenas ‘no parque, com o cachorro’, agora eu acrescento ‘com a Rachel McAdams’ no final", ri.
Mary Lynn pode preferir o Twitter, mas não menospreza o Facebook. E visita com frequência uma comunidade sobre a ela ali dentro. Outro hobby é sacar seu celular e tirar retratos de seu cotidiano. Parece narcisimo, mas a relação de proximidade com o público é ótima para o trabalho de Mary Lynn fora de 24 Horas – como a divulgação de seus shows stand-up, cujas piadas ela testa antes no Twitter.
"Antes de 24 Horas eu só fazia comédia; agora parece que só faço drama. Acho que as pessoas me veem muito como a Chloe, então passei a me revelar cada vez mais. Contar histórias pessoais é onde começa todo o meu processo de criação", explica.
O melhor exemplo é sua websérie Mary Lynn Is Having a Baby, em que brinca com as situações que, durante a gravidez, contava, em tom de deboche, no Twitter. "É a coisa mais pessoal que já fiz na vida. É divertido, porque, quanto mais velha eu fico, mais me sinto segura em contar histórias. E descobri que esse é o tipo de coisa que gosto de fazer".
* Matéria publicada no Estadão
23 de fev. de 2010
Foursquare, uma rede social que vai lhe tirar da frente do computador
14 de fev. de 2010
Grau 26 mistura literatura com seriados e redes sociais

Escrito por Anthony E. Zuiker, o criador da popular série de TV CSI, em parceria com Duane Swierczynski, a obra é um livro policial misturado com elementos cinematográficos e rede sociais. Estão chamando isso de “digilivro” (http://www.youtube.com/watch?v=6GfYeaU7r9A). Mas, antes de saber o que é isso, entenda a história de Grau 26. O romance fala sobre um psicopata que foi incluído dentro de um novo grau de perversidade. Quem trabalha com a lei sabe que os homicidas são classificados em 25 graus, de oportunistas premeditados a torturadores metódicos. Mas acontece que há mais de duas décadas um serial killer apelidado de Squeegel obrigou a polícia americana a classificá-lo em uma categoria: o grau 26.
Ele nunca deixou um vestígio para trás. Não tem uma assinatura, um método, nada. Mata qualquer pessoa que passar pela sua frente – menos bebês. Veste uma roupa de látex que cobre o corpo todo, apenas com aberturas nos olhos e um zíper na boca. Somente um perito criminal conseguiu chegar perto de Squeegel: Steve Dark. Os outros morreram ou ficaram loucos. Após ter toda a sua família adotiva morta pelo psicopata, Dark larga o caso e a profissão. Anos depois é “obrigado” a voltar a caçar o serial killer, que agora é quem o persegue.
O que existe de digital no livro aparece ao final de alguns capítulos. Em momentos de cliffhanger (aquele suspense final que trará uma revelação surpreendente), a história é interrompida e mostra o endereço do site http://www.grau26.com.br/, com um código de acesso para ver um vídeo que mostra o que vai acontecer. São 20 desses ao todo. É preciso entrar na página e criar um cadastro. Ela é praticamente uma rede social para os leitores conversarem entre si. Ao fazer uma conta, os primeiros amigos que aparecem são, justamente, os autores. Os vídeos têm entre dois e três minutos, trazem legendas em português e lembram um seriado online.
A fórmula é interessante, mas acaba com a imaginação do leitor. Vemos, em carne e osso, os personagens descritos na obra literária, assim como os cenários que criamos em nossas cabeças. Também não é nada prática ler um livro com o computador ligado ao lado, para fazer aquilo que Zuker chama de ciberponte. Um livro exige concentração e dedicação. Precisar entrar em um site para ver um filmete dispersa um bocado. O objetivo dessa interação é fazer de Grau 26 uma experiência.
É preciso deixar claro que ele pode ser lido normalmente: aquilo que aparece nos vídeos é descrito algumas páginas à frente, ou seja, as ciberpontes são um complemento do romance policial - muito bem escrito, por sinal, com uma história envolvente e viciante. No final, o que importa mesmo é o conteúdo literário, não o digital. Mesmo assim, conferir o universo de Grau 26 dentro da web é uma obrigação, até para entender esse formato, que indica uma nova forma de leitura. Essa interação pode não funcionar perfeitamente com um livro tradicional, mas irá permitir um grau de imersão interessante em e-books.
* Matéria publicada no Virgula
6 de fev. de 2010
Zumbis de Call of Duty invadem o iPhone
Desde então, é um dos games mais populares na loja de aplicativos da Apple. Não é por acaso: a qualidade gráfica do título é impecável, comparável com a de jogos do PSP. A história é bem simples e a ação acontece dentro uma casa abandonada, cercada de zumbis por todos os lados.
Sua tarefa é eliminá-los sempre que eles entram no recinto, que deve ser protegido com a construção de barreiras nas janelas. Toda vez que isso é feito, ganham-se pontos cruciais para a compra de munições e para a abertura de novos cômodos da residência. A jogabilidade é um pouco complicada. Do lado esquerdo da tela há um joystick virtual, que serve para caminhar para frente, para trás e para os lados. Abaixo há o item de uma faca, essencial para aqueles momentos em que os zumbis estão quase mordiscando a sua cabeça. Na parte direita estão os botões de mira e de atirar. No alto tem um painel para a troca de armas. Muita informação para uma tela de 3, 5 polegadas? Sim, mas é essa dificuldade que faz de Zombies algo tão desafiador e prazeroso.
É um jogo complicado, que não permite ser salvo até que se termine uma das rondas. Às vezes há tantos alvos para se atirar que nem se enxerga direito a tela do aparelho, devido ao número de dedadas aplicadas nela freneticamente. No modo single player, a tarefa não é fácil. Às vezes aparece uma horda de zumbis, com mais de oito de uma vez só. Como as armas pesadas demoram muito para serem carregadas a cada disparo, o jeito é sacar a pistola e mirar na cabeça dos mortos-vivos, algo que conta pontos e ajuda no surgimento de itens especiais – matar os zumbis com apenas um tiro, por exemplo.
Já no modo multiplayer as coisas ficam mais simples e divertidas. O grande barato do game é a sua plataforma online. Via conexão Wi-Fi, há modos cooperativos que permitem a inclusão de até quatro jogadores ao mesmo tempo, o que ajuda muito na matança. Via Bluetooth dá para jogar com duas pessoas. Dentre os extras do jogo há bastante informação útil: pode-se acessar a um ranking e conferir quem são os melhores jogadores, além de checar dados detalhados sobre o seu progresso.
Call of Duty: World at War: Zombies é o segundo título publicado pela Activision nessa plataforma móvel e vale o preço salgado (US$ 10 por um arquivo de 16MB), já que as atualizações com novas fases e mapas são freqüentes, ou seja, o game não ficou estagnado. O sucesso do jogo é tanto que foi lançada nesta semana uma versão lite, para ser baixada gratuitamente. Não deixe de testar.
* Matéria publicada no Virgula
26 de jan. de 2010
Novo ICQ busca renascer como rede social
Lembra do ICQ, aquele programa de mensagens instantâneas, cujo ícone era uma florzinha, e que apitava “óou” quando alguém lhe enviava uma nova mensagem? Pois ele está de volta.Na verdade, nunca deixou de existir. Febre no Brasil entre o final da década de 90 e o começo dos anos 2000, o software acaba de ganhar uma nova versão, que o integra a várias redes sociais. É uma tentativa da AOL, dona do serviço após comprá-lo da empresa israelense Mirabilis há 12 anos, de popularizar o serviço novamente. Por aqui, ele foi engolido pelo MSN Messenger, mas 42 milhões de pessoas ainda o utilizam ao redor do mundo, principalmente em países como Alemanha e Rússia.
A versão 7 pode ser baixada no site www.icq.com. Feito o download, um desafio surgirá: lembrar o número de sua conta pessoal. O ICQ tinha um tal de UIN, um número de identificação, que é o único jeito de acesso ao serviço. Não lembrou? Crie uma nova conta – eu, milagrosamente, lembrei de meu código e, inclusive, da senha. A conta era tão antiga que meu e-mail cadastrado era do Zipmail e meu nickname fazia menção à minha classe da escola de nove anos atrás. Bem divertido!
Dos meus 162 amigos cadastrados, nenhum estava online. Se a sua situação for semelhante, o ICQ tem aquela ferramenta de buscar em suas contas de e-mail ou Facebook os contatos que estejam cadastrados no serviço. Para o meu espanto, três amigos criaram contas novas ali dentro - um até ficou conectado depois.
O novo ICQ está bem bacana e cheio de novidades. Na seção de bate-papo, por exemplo, há vários tipos de smiles, um botão de enviar arquivos, um corretor ortográfico (sem o idioma português, no momento) e até um item que dá acesso ao dicionário online Babylon. A troca de mensagens pode ser feita por texto, áudio ou vídeo. Bastante multimídia, existe até uma simples central de jogos para convidar os amigos a participarem de jogos de cartas e afins. Para residentes do Afeganistão, Alemanha, Estados Unidos e outros países, há um box para o envio de SMS.
TUDO INTEGRADO
Também é de deve elogiar a maneira como ele se integra a outras redes sociais, como o Twitter, Facebook, YouTube e Flickr. O ICQ tem um leitor de feeds próprios, cujo layout reproduz com muita similaridade os serviços aos quais se integra. Outra característica interessante é que cada conta tem agora um perfil com jeitão de Facebook, em um URL pessoal no modelo www.icq.com/people/seunumero.
As informações ali concentradas imitam o layout da rede social de Mark Zuckerberg, com o feed de notícias na parte inferior esquerda e a lista de contatos, assim como o álbum de fotografias pessoais, no canto esquerdo. Tem até uma ferramenta de publicação instantânea, cujo slogan é “O que há de novo?”. Apesar de tanto material novo, o ICQ não esqueceu suas raízes. Os cultuados avisos sonoros continuam os mesmos: ao fazer o login, surge o apito da chaminé de um navio; quando alguém está online, ouve-se o barulho de alguém batendo na porta. Por eu ter apenas um contato online na minha lista, não pude saber se o aviso de aniversário ainda é aquele riff de “Parabéns Pra Você”.
Em um simples resumo, o novo ICQ está bastante interessante, e suas novas funcionalidades o deixam no mesmo patamar dos rivais mais populares. Além do mais, o aspecto nostálgico em torno dele conta muitos pontos, e temos aqui um produto bastante carismático. Mas de nada adianta tudo isso se utilizá-lo for uma experiência fantasma, que é o que acontece entre os brasileiros. Independente do número de aplicativos que possua, uma rede social precisa ser popular. Só isso. E voltar aos tempos de glória, no Brasil, será uma tarefa quase impossível para o ICQ.
23 de jan. de 2010
New Super Mario Bros. Wii é remix dos grandes jogos da série

Quem teve a oportunidade de jogar Super Mario Galaxy sabe de todo o potencial do Wii. Os gráficos ali são belíssimos, a trilha sonora, orquestrada, chega a tirar lágrimas de qualquer marmanjo. Fora a jogabilidade revolucionária, que sabe trabalhar de forma primorosa com o Wii Mote e o Nunchunck, algo que foi completamente ignorado em New Super Mario Bros. Wii.Por outro lado, deve-se elogiar a dificuldade das fases, que são cheias de obstáculos e itens extras que praticamente anulam aquela brincadeira de passar de fase correndo e pulando o tempo todo. Para compensar as "mortes" corriqueiras, as fases estão cheias de itens de sobrevida de difícil acesso. Uma novidade, aliás, é que agora dá para armazenar tudo o que for coletado desse tipo, para que depois se possam utilizá-los antes de entrar em alguma nova missão complicada, com o propósito de facilitar a sua passagem.
* Matéria publicada no Virgula
20 de jan. de 2010
Simpsons Arcade: clássico dos fliperamas revive no iPhone
O iPhone ou o iPod Touch viraram uma ótima opção para os saudosistas de games do passado. Além de Sonic 1, Pac Man e Space Invaders, os aparelhos da Apple agora tem dentro da App Store mais um novo ótimo game que ressuscitou dentro da plataforma. Trata-se de The Simpsons Arcade, que saiu nos EUA no final de dezembro.Lançado em 1991 para PC, mas popular mesmo nos fliperamas, o antigo game da Konami recebeu uma roupagem nova pelas mãos da Electronic Arts. Os gráficos estão incríveis, com todo o colorido moderno do desenho de Matt Groening. A jogabilidade também é bem interessante.
No game de quase 20 anos atrás, a história girava em torno do bebê Maggie, que engolia um diamante poderoso. Toda a Springfield corria atrás dela e cabia ao jogador escolher Homer, Bart, Lisa ou Margie para defendê-la. Agora, o roteiro mudou um bocado: desta vez, as figuras mais poderosas da cidade conseguiram um modo de roubar o dinheiro de toda a população.
A informação, armazenada em um pen drive, é escondida numa rosquinha. É claro que ela acaba parando nas mãos de Homer. Porém, aqueles mesmos poderosos a tomam de volta, o que provoca a fúria interior do patriarca da família Simpson, que irá enfrentar seguranças do prefeito e vários agentes para ter de volta a guloseima.
Os controles do jogo simulam os botões de uma máquina de fliperama. Do lado esquerdo da tela touch screen fica o direcional, movimentando o Homer apenas para cima e para baixo da tela, igual alguns games de antigamente, como Double Dragon. Na parte direita estão dois: um verde, para pular, e um vermelho que serve para chutar, socar, dar cabeçadas e segurar objetos como caixas, tacos de baseball e barras radioativas. Todos esses item, é claro, servem para o quebra-pau.
Uma pena que no game só seja possível brincar com o Homer, ao contrário da versão original. Em poucos momentos dá para se chamar os outros personagens. Bart sobe no pescoço do pai e atira pedras com um estilingue, enquanto Lisa acerta todos enquanto pula corda. Maggie, no colo da mãe, dá umas cacetadas no coco de Homer, que sai batendo em todo mundo. Nesse momento é preciso usar o acelerômetro do iPhone/iPod Touch, para ajudar a direcionar o personagem.
Simpsons Arcade é curtíssimo e muito simples. São seis missões ao todo que correspondem a cerca de 20 fases. É muito fácil socar os agentes e os únicos momentos desafiadores estão as lutas contra os chefões.
Trata-se de um game divertido, com excelente resolução de vídeo e interessante jogabilidade. Consome bateria demais, basta 1h de jogo para sentir seu intenso consumo de energia. Ele tem um tamanho de 50.9 MB e custa US$ 4,99. Infelizmente, só está disponível para quem tem conta nos EUA, mas é possível baixá-lo de graça na internet. Para isso é preciso instalar programas que “destravam” os dois gadgets, o que fica por conta e risco do leitor.
* Matéria publicada no Virgula
17 de jan. de 2010
Review: As Orkuteiras e Twittando e Transando
Com visual oldschool, Milestone é o melhor Android já lançado

Deixamos para o final do ano o teste daquele que é considerado, justamente, o melhor celular de 2009 - na verdade, a revista Time o declarou o melhor gadget, ou seja, o supra-sumo dos aparelhos eletrônicos. Estamos falando do Motorola Droid, que no Brasil foi batizado de Milestone. Lançado no País há algumas semanas, o telefone é o primeiro do mundo a vir com o sistema operacional Android 2.0, do Google.
O primeiro destaque do Milestone é o seu visual. Ao contrário da concorrência, que aposta em bordas arredondadas, materiais recicláveis e acabamentos em black piano, o smartphone da Motorola é da velha-guarda: todo preto, com detalhes dourados e até emborrachado na parte traseira - além de ser grande, quadradão e pesado (165 gramas). Mas não se deixe levar pela sua aparência: ele tem uma tela sensível ao toque enorme, de 3,7 polegadas, com um teclado físico QWERTY abaixo dela - curiosamente, mesmo assim o aparelho é apenas 1mm mais fino que o iPhone 3Gs. Ele também possui conexões Wi-Fi e 3G, além de GPS, cartão de memória de 8GB e processador de 550MHz. Tem entrada para fone de ouvidos de 3,5mm e sua câmera é de 5 megapixels, com flash.
Assim como o Samsung Galaxy e o próprio Motorola Dext, o Milestone se integra facilmente a redes sociais, como o Twitter - apesar de não ter o MotoBlur, um programa da Motorola que dá acesso rápido a esse tipo de site. Isso deixou suas janelas mais sóbrias e menos caóticas, mas também mais intuitivas. Para quem usa bastante o Gmail e o Facebook, a ferramenta de importação de contatos desses dois serviços é bem interessante. Ela pega os dados de seus amigos nesses sites e os exporta para a agenda do celular.
PRO JOVEM E PRO TIOZÃO
Porém, o Milestone vai além do público jovem e conectado e se mostra também um ótimo aparelho para o uso corporativo. Ele pode ser integrado com o Microsoft Exchange, algo ótimo para quem quiser sincronizar o e-mail e a agenda da empresa, características importantes e cruciais de um bom smartphone. Nos testes, o Milestone se mostrou o melhor celular com Android já lançado. Para começar, a sua rapidez é impressionante. As páginas abrem facilmente, assim como o acelerômetro não engasga na hora de trocar a posição do celular. A navegação é bastante agradável, e nisso a tela ajuda demais, pois ela, além de ser enorme, tem uma excelente resolução de 854 x 480 pixel. Fora que o navegador acessa a páginas em HTML 5 e com Flash.
O teclado é macio, apesar das teclas serem muito próximas uma das outras (o espaço podia ser melhor aproveitado). Uma pena que elas também não tenham um relevo. O cursor colocado ali ajuda a quem não quiser ficar apenas no touch screen da tela, o que é bastante útil.
O celular vem com uma dock station, que o transforma em uma central de mídia digital, para visualizar fotos e ter acesso à músicas e vídeos. Para quem gostou desse plus, não usar o programa Phone Portal é um desperdício. O software conecta o smartphone ao desktop via rede Wi-Fi, o que permite editar contatos, selecionar ringtones, fazer backup, enfim, fazer todo tipo de serviço sem a necessidade de um cabo USB. Fora que o computador vira um grande monitor do Milestone - bem bacana para quem deseja exibir imagens e filmetes armazenados dentro dele.
APLICATIVOS NA FAIXA
A área de aplicativos do Android Market ainda não chega aos pés da App Store, mas é bastante generosa. Por ter a versão 2.0 do Android, o Milestone acessa qualquer tipo de aplicativo - são mais de 20 mil. O melhor que é que tudo de graça.
O GPS se mostrou muito rápido nos testes. Para aqueles que forem comprar o celular, vale dizer que se ganha um acesso gratuito por 60 dias ao MotoNav, um software de navegação que o transforma em GPS automotivo. Ao expirar a data, será preciso - para aqueles que quiserem, lógico - pagar por uma licença de um ano. Por todos esses atrativos, o telefone da Motorola consome muita bateria, o que exige o seu carregador sempre por perto.
O Milestone, ao combinar um hardware poderoso com as facilidades do Android 2.0, de fato é o melhor smartphone já lançado com o sistema operacional do Google. Ele pode não ter todos aqueles chamarizes sociais (e visuais) dos concorrentes, mas é, de fato, um competente computador de bolso. O melhor é que ele não tem um preço tão abusivo. Ele também está sendo lançado pela Tim, e sua versão desbloqueada custa R$ 1.999. Mas, na Vivo, ele sai por R$ 599 em um plano de 200 minutos, com 500 MB de dados. Em planos de 100 minutos, com 50MB de dados, seu preço salta para aproximadamente R$ 800. Vale pesquisar.
26 de dez. de 2009
Formspring, o caderno de enquetes virtual
Para o cadastro, é só fazer aquela beabá de sempre - deixar um e-mail, criar um apelido e, claro, divulgar sua vida 2.0: endereço de blog, integrá-lo com Twitter e Facebook... Feito isso, o URL ganha um endereço pessoal - www.formspring.me/seunome. Isso torna bem fácil a sua divulgação. Fale para seus amigos, libere o endereço na internet. Afinal, a graça do Formspring é receber as perguntas e respondê-las. Só assim ele funciona, não faz muito sentido deixá-lo ali parado.
Sempre que alguém enviar uma questão para seu perfil, um aviso será enviado por e-mail. Quem for cadastrado pode perguntar se identificando - ou não. Prepara-se para ouvir aquelas perguntas cheias de trocadilhos, além de reparar que as pessoas são bem curiosas em relação a sua vida e opção sexual. "Engole ou cospe?" é praticamente um must dentro da rede social. As perguntas só entram no seu perfil após respondidas. Não gostou? Apague e pronto - quem fez a pergunta não pode editá-la mais tarde.
Para aqueles que buscam uma maior privacidade, existe a opção de permitir apenas perguntas de quem estiver logado dentro da página. É um bom filtro para evitar chateações - mas o divertido do site é justamente as questões idiotas, vindas daqueles que não querem se identificar para sacaneá-lo. O anonimato é totalmente aceito dentro aqui.
É possível seguir perfis no Formspring. Acha que fulano dá respostas engraçadas ou inteligentes? Dê um follow. O conteúdo vem organizado depois, da mesma maneira que o Twitter. Essa é uma boa sacada, mas o serviço é bem primário: não dá para saber quem o segue, por exemplo. A ferramenta de buscas também é bem simplória.
Infelizmente, o Formspring parece que nasceu com o prazo de validade quase expirado. Bastam algumas horas de uso para ficar enjoado. As perguntas costumam se repetir bastante e devia existir um filtro para isso. Se as questões ali levantadas não forem pertinentes e instigantes, a brincadeira logo fica cansativa - isso porque a ferramenta é uma tremenda massagem para o ego. Ao se receber várias perguntas, logo se pensa: "ei, eu sou uma pessoa interessante, que posso ter algo a dizer".
Não tem como não se sentir uma celebridade. Ponto.
Como as pessoas são voyeurs, o Formspring é mais uma dessas redes sociais feitas para a auto-exposição. No Twitter, você responde o que ninguém perguntou – aqui, pelo menos, não se fala com as paredes.
24 de dez. de 2009
Filmadora de bolso da Kodak grava vídeos em alta definição
Febre ao redor do mundo há alguns anos, as filmadoras de bolso começam a chegar a Brasil neste Natal. Pequenas e gordinhas, com potencial para gravarem em alta definição, elas são uma ótima dica para essa geração que já troca as fotos digitais pelos vídeos online. Por aqui, a maior representante dessa turma ainda não chegou - a Flip. Mas uma de suas principais concorrentes já está à venda: a Zx1 da Kodak.O Virgula recebeu uma para testes e saiu por aí com ela na mão. Confira o resultado logo abaixo.
A Zx1 chama a atenção logo pela aparência. Seu corpo é todo emborrachado, o que a protege contra chuva e areia, por exemplo. Uma ótima ideia. Ela também é bastante leve (100 gramas) e um bocado robusta. Cabe na mão facilmente, mas no bolso faz um certo volume. Em sua lateral há uma entrada para cartões de memória SD, S-Vídeo e HDMI (cabos inclusos). A lente da câmera fica na parte de trás e, infelizmente, não tem uma capinha de proteção. Em alguns minutos de uso ela já ficou suja.
O gadget funciona com pilhas AAA recarregáveis (o carregador vem junto) e tem quatro modos disponíveis de filmagem: VGA, HD, HD 30 e HD 60 (esses números fazem referência aos frames por segundo), com zoom digital de 2x. Ela também fotografa em 3 megapixels. A Zx1 tem apenas 128 MB de memória interna. Não dá para fazer quase nada com isso - 1 minuto de vídeo no modo VGA, e meros 30 segundos em qualquer opção em HD. Justamente por isso, ela suporta cartões de memória de até 32 GB. É uma pena que a filmadora da Kodak não tenha uma memória interna maior, como a Flip, que tem modelos com 8GB, por exemplo.
APONTE E FILME
Para usá-la é bem simples: é só ligar, apontar e filmar. Para escolher o modo, basta apertar nas setas laterais que ficam ao lado da microtelinha (um dos pontos negativos da câmera). Até aí é fácil. O problema está na hora de acessar o menu: é muito difícil. Os botões disponíveis no painel não são nada intuitivos e muito menos têm algum símbolo que identifiquem o seu uso. Após muitos erros chega-se a descobrir como ver galerias, apagar as pastas e etc. Mas esse é um fator bem desagradável em um aparelho que tem, justamente como grande aliado, a praticidade.
Em ambientes muito iluminados, ou com pouca luz, a Zx1 se saiu muito bem mesmo no modo VGA, de resolução inferior. Em ambientes escuros o seu uso é nulo. A diferença da qualidade de imagens produzidas nela, em relação ao HD, chegam a ser quase imperceptíveis em telas menores. O que não acontece ao ver as gravações em tela cheia - daí sim o HD faz toda a diferença.
O grande lance da Zx1 é que ela tem um software de edição que sobe os vídeos automaticamente para o YouTube ou Vimeo. É muito prático e funciona direitinho. O programa, inclusive, diminui o tamanho do arquivo, o que torna ainda mais rápido o seu upload.
Na análise final, a Zx1 é um ótimo gadget. Peca pela tela muito pequena, pela falta de uma memória interna mais robusta e pelo menu sofrível. Mas ganha pontos pela sua ótima qualidade de imagem e pela praticidade de subir o material para portais de vídeo como o YouTube. Ela está disponível em três cores, preta, vermelha e pink. Um impasse é o seu preço oficial: R$ 699 - mas ela pode ser encontrada promocionalmente por R$ 499, ou seja, pesquisa bastante.
* Matéria publicada no Virgula
10 de dez. de 2009
Como é jogar Call of Duty: Modern Warfare 2, o maior game da história
No ano que os Beatles entraram de cabeça no mundo dos games, publicar um jogo que pudesse superar o fenômeno midiático do "Rock Band" dos quatro garotos de Liverpool parecia tarefa quase impossível. Parecia. Lançado há pouco menos de um mês no mundo, para Xbox 360, PS3 e PC, "Call of Duty: Modern Warfare 2" acabou se tornando em apenas uma semana o maior lançamento da história dos videogames. Na verdade, da indústria do entretenimento: foram US$ 310 milhões em apenas 24 horas. Mais especificamente, 4,7 milhões de cópias vendidas logo no primeiro dia.Mas de nada adiantar citar números tão grandiosos se o jogo da produtora Infinity Ward e da distribuidora Activision Blizzard não fosse também um game no superlativo. E é. Sexto jogo da série "Call of Duty", ele é uma continuação de "Call of Duty 4: Modern Warfare", o primeiro título da franquia que não acontecia durante a 2ª Guerra Mundial. "Modern Warfare" 2 se passa cinco anos depois do game anterior, com Imran Zakhaev sendo morto e declarado um mártir e herói nacional pelos ultranacionalistas russos. O terrorista dessa vez atende pelo nome de Wladimir Makarov, que irá espalhar diversos atentados ao redor do mundo - inclusive nos Estados Unidos, que vê o seu império em declínio (o visual de Washington destruída é algo impressionante) e declara guerra contra os russos.
Ao longo dos combates, o jogador viverá diversos papéis em missões opostas. O grupo Task Force 141, capitaneado por "Soap" MacTavish (personagem principal do jogo anterior) e pelo General Shepherd, estará seguindo os rastros de Makarov para capturá-lo. Nessa parte do game, muito mais de estratégia e infiltração, somos o sargento Gary "Roach" Sanderson. Do outro lado estão os Rangers americanos, que entram em zonas de combate, no verdadeiro calor da batalha. Tem-se disponível aqui munição e armas verdadeiras do exército americano, como o Predator Drone, um míssil acionado por notebook. Nestas missões, somos o soldado James Ramirez.
MUITA AÇÃO E POLÊMICAPara quem não jogou o primeiro "Modern Warfare", a história da continuação é bastante confusa em seu começo. Mas isso não chega a atrapalhar, já que as missões são envolventes e consistem, basicamente, em seguir aquilo que é explicado e sair atirando contra qualquer objeto que se mover. Das geleiras da Rússia a desertos insólitos do Afeganistão, "Call of Duty: Modern Warfare 2" não para um momento sequer.
Uma das grandes novidades são os momentos de invadir um local com reféns. Neste momento, a porta explode com C4 e entra-se em slow motion para se ter uma maior precisão na hora de atirar contra os bandidos e não matar os civis. Aliás, é justamente a questão de "atirar em inocentes" que está a grande polêmica do game. Em uma missão curta, que de tão chocante chega a ser opcional para o jogador, somos um agente infiltrado da CIA que acompanha os terroristas russos em um aeroporto. Makarov é um louco, que derruba aviões e explode lugares públicos, mas aqui ele chega ao limite de atirar contra uma multidão de civis. O jogador pode disparar também para não comprometer o disfarce, ou seja, é uma violência tão gratuita que vai deixar até o fã da série "GTA" (Grand Theft Auto) desconfortável.
TROPA DE ELITE DOS GAMES
Ufanismo de lado, o melhor momento de "Modern Warfare 2" são as duas fases que se passam em uma favela no Rio. O detalhismo da localidade impressiona (vide os momentos em que se têm de correr pelos telhados), já o mesmo não acontece na aparência do Cristo Redentor, que é muito grande em relação ao Corcovado. Estética à parte, a ideia de uma dessas missões é capturar um traficante que vende armas para Makarov - o cara chama Rojas, mais "brasileiro" impossível.
Para capturá-lo, é preciso subir o morro e encarar bandidos saindo por todos os lados, em janelas e vielas, enfim, um verdadeiro labirinto. Os traficantes falam em um bom português, com sotaque carioca, inclusive. "Tão atacando a gente pela esquerda, me deem cobertura", berra um meliante em certo momento. "Ele tomou um tiro, he's been shot", grita outro, mostrando que frequentou as aulinhas de inglês. Só não dá para entender qual é o propósito do visual dos traficantes cariocas: eles usam óculos do tipo Aviador e lenços na região abaixo do nariz. Nada a ver!
JÁ ACABOU?As missões de "Modern Warfare 2" são curtas, mas podem ser melhor exploradas no modo "Special OPS", em que o gamer pode jogar sozinho ou em dupla para realizar as tarefas no menor tempo possível. Os modos online de "Call of Duty: Modern Warfare 2" são bastante robustos e chegam a comportar até 18 pessoas jogando ao mesmo tempo.
O game é um clássico, com gráficos de primeira e trilha sonora impecável, sob a batuta do ganhador do Oscar Hans Zimmer. As batalhas são épicas e viciantes, que de tão realistas criam a sensação de se estar dentro de um blockbuster hollywoodiano. O jogo exige o máximo do processamento gráfico do Xbox 360 e do PlayStation 3, e é uma pena que as missões não sejam abertas - não dá para conhecer o cenário e ir atrás de extras, já que é tudo muito regrado. Outro lado chato é que o modo "single player" é muito, mas muito curto, o que permite terminar o game em apenas sete, oito horas - em qualquer nível, diga-se.
Para fechar, "Call of Duty: Modern Warfare 2" é um senhor game, em que a ação é muito mais importante do que a história em si. E acredite: ele é realmente digno de todos os recordes que vêm batendo.
* Matéria publicada no Virgula
8 de dez. de 2009
O dia em que conversei com Deus (o do Twitter)

Dizem por aí que as pessoas não são mais apegadas à religião como antes. Que não conversam mais com Deus, que não leem mais à Bíblia... Bem, isso pode ser verdade. Mas, no Twitter, Deus goza de popularidade: tem mais de 130 mil seguidores e já abocanhou vários prêmios de melhor perfil da twittosfera brasileira.
Ao realizar comentários mundanos, misturando humor com religião, Deus, vulgo @OCriador, é um dos fakes mais divertidos da internet nacional. “Perto de Brasília, Sodoma era Disneylândia”, escreveu nesta semana, sobre os recentes casos de corrupção que atingiram a capital do Brasil. “Estou aguardando a chegada do Dinho para cobrar Meus 10% de todo esse Capital Inicial”, comentou há alguns dias, fazendo piada dos rumores sobre a morte do músico. “Este papo de orkut de ‘tenho um lado espiritual independente de religião’ não cola não, viu? Mando para o inferno!”, avisou aos seus seguidores na semana passada.
O perfil foi criado no final do ano passado, para promover o site SAC DIVINO, uma página de humor em que internautas deixam perguntas para o Todo Poderoso, que responde com um – desculpem o trocadilho – senhor sarcasmo. Existe todo um mistério por trás do autor de @OCriador. Para tentar descobrir, fiz duas entrevistas. Uma com Leo, o universitário de 24 anos que criou o personagem, e outra com o Deus do Twitter.
Entrevista com Leo
Como nasceu o perfil e qual sua relação com o SAC DIVINO?
O SAC DIVINO nasceu em outubro de 2008. E o perfil @OCriador em novembro de 2008, para divulgá-lo. É um hobby, uma diversão... Que tomou uma proporção legal e rendeu uns trocados...
Qual sua profissão real e onde mora? Sempre foi piadista?
Me formo em dezembro, em direito, pela Universidade Federal de Alagoas. Aprendi a fazer piada com o mercado jurídico...
De onde vem seu conhecimento para as citações bíblicas?
Por incrível que pareça, da Bíblia...
Fazer piada de religião já rendeu algum problema para você?
Alguns e-mails ofensivos, tentando me denegrir, que carinhosamente respondo com um "muito cristão da sua parte me julgar, não é? Nos veremos no inferno."
Por que os fakes do Twitter se tornaram tão populares?
Não são todos. Acho que alguns se tornam populares porque são minimamente interessantes, originais e divertidos.
Entrevista com o @ocriadorNotei que você fez uma tuitada paga, de uma marca de chicletes. Para que Deus precisa de dinheiro?
Para suprir a não quitação do dízimo de algumas almas incrédulas...
Inri Cristo, seu filho, tem blog, faz vídeos no YouTube, tem um site popular e vários perfis no Orkut. O gosto pela tecnologia então é de família?
Inri Cristo não é Meu filho reencarnado. Eu jamais deixaria Jesus regressar à Terra com a língua presa. Entretanto posso adiantar-lhe que o pessoal aqui no Céu se interessa muito por tecnologia. Eva, por exemplo, ontem acabou de chegar aqui com um Mac.
Em todas as competições que participa de melhor Twitter, o Senhor acaba ganhando. Não é covardia Deus entrar na disputa?
Filhos, quem são vocês para falar de covardia depois de terem amarrado, torturado, furado e pregado Meu filho em uma cruz?
O mundo vai acabar em 2012?
Amado filho, o Papai do Céu não libera spoiler. Em 2012, quem viver verá. OBS: ninguém.
A internet é algo divino?
Atualmente, apenas a internet em nuvem é divina. Nela dá para baixar santo via Torrent! Quando criei a internet, Meu objetivo era que nos finais de semana vocês ficassem em casa e, com isso, cometessem menos pecados. Até que veio a gestão opositora, presidida pelo Tinhoso, e lançou o Red Tube.
7 de dez. de 2009
'Serendipitosa do século 21'

Na semana passada, saiu uma entrevista que fiz com a Renata Simões, para o Estadon. Sempre quis conversar com a jornalista, puquiana como eu - para mim, seu Urbano é melhor programa da TV brasileira atualmente, pela inteligência de falar daquilo que não é lugar comum e por trazer, a cada edição, pautas novas, frescas, que sempre me mostram algo de novo.
Com ela, não tive uma entrevista, mas um bate-papo - algo raro de acontecer na profissão. Fico feliz que ela tenha sentido o mesmo.
Papa do jornalismo literário, Gay Talese criou um termo para aquele repórter que suja a sola do sapato e que vai de encontro à matéria: "serendipitoso" (de serendipity, que significa ter uma descoberta ao acaso). Em tempos em que para ser um "serendipitoso" basta passar os olhos pelo Twitter, a jornalista Renata Simões une a tradição de Talese com a de um repórter do novo século.
A bordo do Urbano, no Multishow (domingos, às 22h30), ela gasta o sapato pelas ruas de São Paulo com um notebook (para achar os pontos de Wi-Fi da cidade) e um celular invocado, que tira fotos com qualidade de câmera digital e grava vídeos igual a uma filmadora. O conteúdo colhido vai para o programa e suas diversas extensões: site, blog, microblog e álbum virtual de fotografias.
O Urbano encerra em dezembro seu 3º ano. Ele, que no início cobria a cultura de rua, hoje fala sobre cultura digital - o que, para Renata, que começou na TV como produtora e repórter do Vídeo Show, já é mesma coisa.
Por que essa transição?
É onde o programa vai agora. A partir do momento em que o meio digital vira uma extensão da vida da gente, ele já é a cultura em si, não mais o suporte. É muito natural. O Urbano fala de comportamento digital: não adianta fugir da tecnologia, ela não é uma grande novidade. O que muda é que você não anda mais com Guia Quatro Rodas na mão: usa GPS.
Então a internet faz hoje o papel do que um dia foi a rua?
Adorei essa definição! O foco do Urbano é descobrir novidades. Não falamos mais para nicho, aprendemos que não adianta mais falar da tecnologia pela tecnologia. Mas como sua vida está sendo alterada por ela. Assim converso com qualquer um.
A internet pauta o programa?
Processo de pauta é rua. O meu Twitter, o (Google) Reader, são uma extensão do que faço na rua. Falamos do que é novo, do lado B, a internet não é o lado A. Mas tem de saber o que é o seu umbigo e o que é interessante e relevante, entendeu? Acredito que programa de TV é feito em grupo por isso. Televisão legal é um monte de gente falando e propondo. Sou apenas o fio condutor daquela história.
O Urbano foi um dos primeiros programas a chamar o telespectador a participar das pautas, interagindo por meio de vídeos. Isso virou "regra" na TV, não?
Não é modismo, é que não tem como escapar! Essa é a primeira vez que a TV tem necessidade de receber um imput externo. As pessoas querem se ver, desde a senhora à criança. Minha enteada de 10 anos, e todas suas amigas, têm webshows. Então se as pessoas estão se vendo na web, vira algo natural. Por isso, temos de buscar novos formatos e modelos. Ainda não sabemos como, vejo pouco espaço para ousadia e experimentação (na TV). A internet força isso.
Você não fica estressada por ficar online o tempo todo?
Aprendi com o tempo pequenas leis internas: não poder se conectar antes de ter tomado, pelo menos, um copo d’água (risos). Fui fazer uma matéria numa pista de skate e estava um sol lindo. Entrei no Qik (serviço de faz transmissões ao vivo de vídeos pela web) e mostrei as manobras, fiz umas fotos artísticas para o Flickr...
O Urbano está em várias mídias. Todo programa precisa ser assim também?
Poucas pessoas serão transmídias naturalmente. Qualquer pessoa pode ser apresentador, mas poucos serão bons. É a mesma coisa. Virou moda fazer jornalismo, é o novo modelo-apresentador-michê. Todo mundo gosta de contar história, e a necessidade de comunicação encontrou sua melhor maneira de propagar nesses diferentes meios. Mas se reproduzir o que você falou da mesma maneira em vários lugares, será redundante, você estará contribuindo para o lixo informativo do universo da superinformação! O programa vai para o 4º ano e não caímos nessa ainda.
1 de dez. de 2009
Ben Huh: "a internet é para besteirol e gatos!"

Ben Huh. É bem provável que você não conheça este nome. Mas com certeza conhece os seus trabalhos. Se alguém saí por aí dizendo "Fail" toda vez que presencia alguma trapalhada alheia ou logo associa a imagem de um gatinho fofo com alguma legenda surreal, a culpa é deste jornalista americano.
CEO da Pet Holdings Inc., Huh se diz um "connoisseur do conteúdo wébico" e define o seu trabalho da seguinte forma: "meu objetivo é fazer o mundo mais divertido por 5 minutos diários". E vem conseguindo. Sua compania é dona do Cheezburger Newtork, um conglomerado de 25 blogs que viraram febre na internet nos últimos anos e modismo até fora do ambiente virtual. Dois deles são mainstream: Fail Blog, dedicado a reunir os melhores vídeos e imagens de cenas de fiascos da internet, com um enorme carimbo de "FAIL", e I Can Has Cheeszburger?, cujo o mote são fotos de gatinhos com legendas engraçadinhas.
O resto é mais underground, como o Engrish Funny, que mostra placas e momentos em que a língua de Shakespeare é assassinada, Graph Jam, que traz gráficos de pesquisas e estudos estapafúrdios, e Loldog, uma versão canina do seu blog felino de grande sucesso. Isso sem falar do It Mad My Day, em que as pessoas postam pequenos textos sobre momentos "WIN" de suas vidas (mais um termo que virou moda graças a Huh) e do incrível There, I Fixet It, que exibe fotografias de grandes gambiarras da arquitetura moderna.
A receita do sucesso de Huh é produzir um humor simple, irônico e universal, que é copiado ao redor do mundo. "Meus blogs são simples e de fácil compreensão. É entretenimento de tiro curto. A comédia não é sempre universal, mas com certeza é divertimento dos bons", comenta Huh, em entrevista por e-mail ao Virgula.
O blogueiro está de férias no Rio e nesta semana vem a São Paulo para uma palestra no evento de cultura digital YouPix. "Em apenas uma semana aqui já percebi que vocês, brasileiros, adoram celebrar e compartilhar uma risada. Agora sei porque ler e assistir a coisas divertidas na internet é algo tão popular no Brasil", revela.

A Cheezburger Network completou em setembro dois anos de vida e atrai, por mês, 11 milhões de internautas. A empresa tem 26 funcionários e, segundo Huh, deu lucro mesmo neste ano horrível para a economia mundial. Sua fonte de renda são os anúncios, parcerias e merchandisings conseguidos por meio dos blogs. "Absolutamente", responde, quando perguntado se criou um novo modelo de negócios. "Acredito que o fato de muitas pessoas começarem a criar blogs de humor, baseados em fotos, seja uma prova clara de que criamos uma pequena indústria", continua.
Exemplo de uma das pessoas que melhor souberam trabalhar com as possibilidades da web 2.0, ele comenta que nunca pagou um centavo para os diversos colaboradores de seus sites, que enviam diariamente milhares de e-mails com imagens e vídeos engraçados. "As contribuições dos usuários são algo crítico para o nosso sucesso, porque 100% do nosso material vem dos nossos leitores. Eles não são pagos e não ligam para isso: trata-se de algo divertido e eles gostam de compartilhar o senso de humor próprio deles", ri.
Ele é categório ao afirmar que não existe uma fórmula para se criar um meme, uma modinha virtual de potencial viral. "Jamais tente criar um meme. Tente criar algo que as outras pessoas achem divertido e fascinante. Você não pode forçar um meme, mas pode criar uma boa comunidade em torno dele e deixar que ela tome conta dele depois disso."
Huh faz aquela linha japonês geek e piadista, que tira sarro de qualquer assunto. Questionado se a internet serve apenas para propagar pornografia e besteirol, ele se diverte. "Eu diria que a internet é para as coisas divertidas e gatos!"
* Matéria publicada no Virgula
26 de nov. de 2009
Dá para ver filme por streaming oficialmente no Brasil?
Qual será o futuro das vídeolocadoras? Assim como as lojas de discos foram (quase) exterminadas pela internet, o amanhã das locadoras de bairro ou das grandes cadeias que alugam filmes é incerto. A aposta para a sobrevivência está no mesmo elemento que mudou o ritmo delas: a própria web. No Brasil, existe há alguns anos – e com sucesso – o mercado de aluguel por filmes pela internet. Escolhe-se o catálogo pela web, paga-se um valor mensal para poder ficar com quantos filmes quiser e se tem a comodidade de alguém vir entregar e buscar os discos em sua residência.Recentemente, a Saraiva Digital lançou a compra por download. Internautas podem consumir de filmes a episódios de seriados pela rede. Não existe o físico, apenas o virtual. O conteúdo é baixado oficialmente, com ótima qualidade – mas com um valor bem caro, diga-se.
Nos EUA, pesquisas mostram que a solução para todos os problemas da indústria do cinema e da TV está no streaming. Sim, as pessoas não querem mais fazer o download - mas apenas clicar em um vídeo e assisti-lo rapidamente, enquanto ele carrega em tempo real. Sites de streaming estão em ascendência por lá e vão se mostrando uma solução viável contra a pirataria. Que o diga o Hulu, que tem parcerias com várias emissoras da TV aberta. Em se tratando de filmes, o mesmo acontece.
Para mostrar como está o mercado de streaming de filmes no Brasil, o Virgula testou os dois serviços que trabalham com essa plataforma: o NetMovies e o Terra TV. Confira o resultado.
APERTE O PLAY
Quando o assunto é conteúdo, o Terra TV é hoje o melhor portal brasileiro. São 280 mil vídeos, de acordo com a empresa. O grande filé são as séries, como "Lost" e "Grey’s Anatomy", que são disponibilizados no site minutos depois dos episódios irem ao ar na TV a cabo. Porém, o arquivo cinematográfico do Terra TV ainda é muito pequeno.
São cerca de 40 filmes para streaming. Muitos deles podem ser vistos facilmente na TV aberta ou nas intermináveis reprises dos canais de filmes da TV a cabo, como "Show Bar", "Horror em Amityville" e "Bater e Correr em Londres". Em média, o portal põe um filme novo por semana.
Um aspecto positivo é que as películas disponíveis têm versões dubladas e legendadas. Também é bacana que o Terra divida os filmes em 8 partes, uma ideia interessante para que o streaming não fique tão pesado. O porém é que não dá para adiantar o filme e ele carrega em tempo real. Uma solução bem bolada foi a ferramenta de “apagar a luz”, que permite escurecer tudo o que está ao redor do player. Assim, a visualização fica mais confortável.
Quem usa o navegador Firefox terá de baixar um plugin do Windows Media Player, já os usuários de Mac OS terão de fazer o download do Silverlight. Os vídeos trazem uma curta publicidade antes de começarem, o que não atrapalha.
A qualidade da imagem, infelizmente deixa a desejar. O Terra diz trabalhar com resolução de 480 x 360 pixels. Em tese, seria qualidade de DVD. Mas nos testes foi de VHS. Exibir o vídeo em uma televisão de alta definição não é uma boa idéia, o melhor é ver em telas de até 14 polegadas. As imagem ficaram pixelizadas e ler as legendas de certos filmes foi complicado.
SÓ PARA CINÉFILOS
O NetMovies, por outro lado, tem uma prateleira virtual considerável, que vai agradar em cheio os apaixonados por cinema. São 700 títulos disponíveis e o objetivo é chegar a 2.500 até o final do ano.
O conteúdo liberado para o streaming (é preciso se cadastrar para ter acesso), na seção "Free", remete a filmes cults, trashs e clássicos italianos e franceses de décadas e décadas atrás. Tem de "Metrópolis" até "A Noite dos Mortos Vivos". Para quem é realmente amante da sétima arte, é possível encontrar obras de "D. W. Griffith", pioneiro do cinema como conhecemos hoje. Hitchcock também é agraciado com alguns filmes raros e os aficionados por François Truffaut podem se deliciar com "Jules e Jim".
Para quem achou tudo isso muito cabeça, dá para ver vários filmes antigos de Jackie Chan, que remetem a sua fase pré-Hollywood, e alguns curtas independentes brasileiros, como "Feijão" e "Sobre Pão e Circo", ambos de 2008.
No NetMovies é só clicar e assistir. Algo muito bom é que o site estimulas seus clientes a verem os filmes na TV, o que dá um indício da boa qualidade do produto. Daí depende da cópia do filme. "Um Crime de Paixão" teve qualidade de DVD quando visto em um televisor plasma de 42 polegadas. A qualidade de "Farenheit 451", um filme de 1966, também surpreendeu. Já o material de Chan, que tem mais de três décadas de vida, foi sofrível para ser assistido até na tela do notebook.
Os filmes não são divididos em partes, mas colocados integralmente. Em alguns poucos momentos, isso fez os vídeos apresentarem rápidos “buffering”, mas foi muito pouco mesmo.
A análise final foi positiva e provou que o streaming gratuito é algo muito interessante e de futuro promissor. Se um dia poderemos ver um filme disponível nessa plataforma em HD, isso dependerá primeiramente da qualidade da banda larga brasileira. Isso justifica a razão da qualidade similar ao VHS que o Terra TV oferece. Por ser um portal muito popular, o site tem de se adequar ao “povão”. Mas os avanços tecnológicos anos após ano são notáveis. O NetMovies também é uma boa opção e atende mais um mercado de nicho com o seu material para streaming, o que justifca o seu material com qualidade de imagem superior.
Fica a torcida para que nasçam mais serviços desse tipo no Brasil. Exemplos bem-sucedidos nós já temos.
24 de nov. de 2009
Chico Barney: 'o blogueiro dos sonhos do Interbarney é o Oscar Maroni'
Em tempos em que os blogs parecem perder espaço para sistesmas de comunicação mais instantâneos, como o onipresente Twitter, e se tornam mais uma ferramenta de republicação de conteúdo aleatório da internet, surge na rede brasileira um projeto vintage, old school, que busca trazer à tona a blogosfera dos seus tempos de glória.Idealizado pelo redator e roteirista Chico Barney, o portal de blogs Interbarney, clara referência ao Interney, de Edney Souza, parecia uma brincadeira no começo, mas hoje cresce em ritmo impressionante. Em quase 4 meses de vida, já colaboram com o site 30 blogueiros dentro de 21 blogs. No começo, os autores eram de páginas que fizeram sucesso no começo desta década. Agora, os colaboradores são novos talentos da rede, como humoristas e desenhistas, além de jornalistas e escritores com certa relevância dentro e fora da web.
O cardápio das páginas ali hospedadas é variado. Tem lugar para falar de seriados, criticar o conteúdo da TV aberta brasileira ou até mesmo fofocar sobre ícones masculinos. Isso sem falar de blogs do passado que foram ressuscitados e da presença de Cersibon, autor das tirinhas mais nonsenses que a internet brasileira já presenciou.
Barney, com o humor ácido e irônico de sempre, conversou sobre o Interbarney. Seu filho de sucesso, que na semana passada inaugurou um novo servidor devido à média de 10 mil visitas que o portal vem registrando todos os dias.
Como sempre, a pergunta clássica: de onde veio a ideia de criar o Interbarney?
Nasceu de uma epifania. Daqui a algumas semanas, eu, Moskito, Ronald Rios, Rafael Capanema, Daniel Lima... Seremos todos blogueiros da década passada. Somos o passado do futuro e isso não poderia continuar assim, eu não quero ser ultrapassado pelas próximas gerações, nem pretendo voltar à moda apenas em 2030. Então o Interbarney surgiu como uma maneira de perpetuar nossa influência e amplificar nosso poder junto à juventude brasileira e às proximas gerações.
Como foi/ está sendo a seleção dos blogueiros e dos blogs?
Ou a gente coopta projetos campeões, como o Cersibon, e traz para nosso seio familiar, ou partimos de conceitos inovadores criados por nós mesmos e arranjamos blogueiros que tenham tudo a ver com essas propostas. É o caso do Papo Ereto, Bombril na Antena e NetGeo.
Como o Edney Souza, do Interney, reagiu ao portal?
Já estamos muito acima de qualquer pequena briga de "portais de blogs". Nossa briga é com a Brasil Telecom, que é dona do IG, que é quem hospeda o Interney.
Qual sua opinião sobre posts pagos, algo tão comum hoje? Já surgiram propostas de empresas que desejam anunciar dentro do portal?
Estão surgindo propostas interessantes. A grande jogada é que as agências estão nos vendo como uma parceira na criação de conteúdo, usando blogs patrocinados dentro do portal. Estamos em fase de negociações com três. Post pago é algo fora da nossa alçada, acreditamos é na elaboração de conteúdo diferenciado para empresas descoladas. Um adendo: o Interbarney vai muito além de um portal de blogs. É uma reunião de cabeças pensantes, uma nova era da Renascença. A empresa que apoia uma iniciativa como essa é praticamente um mecenas do século 21, e estamos felizes com as ofertas que estão nascendo para 2010.
A ideia de criar blogs em que as pessoas geram conteúdo, em vez de apenas republicar algo que encontram na web, como essa nova geração blogueira, é algo obrigatório para quem deseja entrar no Interbarney?
Estamos nadando contra a corrente, sempre. Essa pratica de "chupinhamento cultural" é muito anterior à blogosfera, vem desde o Silvio Santos. O que nos interessa é criar material novo, mas que também tenha interesse popular. Um exemplo é o sucesso do Cersibon, 100% original, e tão encaminhado por aí quanto qualquer besteira de "you'll shit bricks".
Está sendo difícil trazer para o portal escritores que já ganham a vida escrevendo, como jornalistas e roteiristas?
Os medalhões acham importante ter uma vitrine como o Interbarney, pois podem acabar conseguindo uma vaga de redator na Globo ou um programa na MTV. Isso tem acontecido muito! (Explicação para a piada: Arnaldo Branco recentemente virou roteirista do Casseta & Planeta, e a dupla Ronald Rios e Erik Gustavo, da Badalhoca, terão um programa semanal na music television a partir do ano que vem).
Você recebe muitos e-mails de pessoas querendo participar do Interbarney?
Temos uns 30 autores, todos especialistas em três ou quatro vertentes do conhecimento humano, passando desde os erros de gravação nas novelas da Record até a pós-parapsicologia comentada. Recebo pedidos de adesão praticamente todo dia. Os que são defenestrados eu mando pro Bobagento publicar, ele funciona como nosso coirmão sem qualidade.
Quais as novidades que você pode adiantar para a gente?
Nas próximas semanas, devemos ter algumas novidades na área de esporte, sempre muito cobrada, e também de videogame, que a criançada curte muito. Sempre com o viés Interbarney da coisa. O que me dá mais orgulho é ver que, uma galera que já tinha amizade, agora tá sendo vista como realmente um grupo. Ver os leitores nos vendo como uma marca de qualidade, de pioneiros. E de estarmos associados à personalidades tão díspares, quanto Arnaldo Branco e Lucas Celebridade, e ainda assim tudo fazer sentido. Somos, com certeza, um portal bem humorado, mas não exclusivamente de humor. Gosto de pensar que estamos todos "à vontade". Tanto o Genérico, do Daniel Lima, quanto a fase racional do Rafael Madeira (Cersibon), demonstram nossa pluralidade.
Quem é blogueiro dos sonhos para o Interbarney?
Blogueiro dos sonhos é o Oscar Maroni. O cara tem muita história pra contar e possui o melhor blog em atividade. Sem contar os lugares onde conseguiríamos entrar de graça!
12 de nov. de 2009
Fifa 10 brilha muito sobre o novo Pro Evolution Soccer
Brasileiro é apaixonado por futebol. Virtual. Todo final de ano a história se repete: os gamers ficam alvoroçados à espera daqueles que, para muita gente, são o único motivo de se comprar um videogame: as novas edições de Fifa e de Pro Evolution Soccer (ou o eterno Winning Eleven).
Os jogos da Electronic Arts e da Konami, respectivamente, travam um duelo há mais de uma década pelo título de melhor simulador de futebol dos consoles. Desde o Playstation 1, para ser exato. Durante grande parte deste tempo, PES sempre esteve na frente, apesar dos vários nomes que teve durante todos esses anos – tudo começou com International Superstar Soccer, lembram?
A disputa ficou mais acirrada nos últimos anos, em razão de videogames de última geração, como Playstation 3 e Xbox 360. Neste novo cenário, a EA se saiu melhor e no ano passado o seu Fifa 9 foi (quase) uma unanimidade ao ser considerado o melhor game de futebol de 2008.
Mas e agora, a história vai se repetir? É isso que vou mostrar abaixo, com um comparativo entre Fifa 10 e Pro Evolution Soccer 2010, que acabam de chegar às lojas brasileiras, em versões para PC, Xbox 360, PS2, PSP e PS3, além do Nintendo Wii. Os preços variam de R$ 99,90 a R$ 229,90.
PRIMEIRO TEMPO
A primeira coisa que vamos analisar são os gráficos. E, mais uma vez, Fifa sai na frente. Na versão testada para o PS3, os gráficos foram de babar. A torcida tem movimentos reais e não parece mais um display de papelão. O uso de luzes e sombras também é de se elogiar, algo aprimorado no novo PES, mas ainda inferior ao concorrente. Em relação ao cenário, Fifa dá de goleada. A própria grama tem camadas, ao contrário de PES, que mostra um grande bloco verde, que parece pintado com giz de cera.
Em seguida, o mais importante: a jogabilidade. Pro Evolution Soccer continua mais intuitivo, algo que sempre agradou aos brasileiros. Não é preciso de comandos específicos para driblar, passar o pé na bola, rodopiar ou controlar a cadência do jogo. Basta habilidade no joystick para conseguir isso. Por outro lado, na nova versão a Konami deixou as partidas mais retranqueiras. Está mais difícil correr com a bola sem deixá-la escapulir. Depende muito da habilidade de cada jogador, como Messi e Cristiano Ronaldo. O mesmo se repete na hora de matar a gorduchinha – ela quica que é um horror. A velocidade de PES 2010 deixa a desejar, pois ficou muito lenta. O mesmo acontece com a troca de passes, que ficou bem estranha nesta versão.
Os goleiros continuam uma mãe. Fazer gols de fora da área ainda são uma moleza, caso você tenha um time que possua um atleta que saiba bater bem na pelota. Outra novidade é que os chuveirinhos estão cada vez mais necessários para se vencer uma defesa bem postada. Está muito fácil fazer gols pelo alto, é só escolher uma equipe que tenha um atacante cabeceador lá na frente.
Já Fifa tem na movimentação dos atletas o seu grande diferencial. Eles correm de maneira individual, todos têm movimentos únicos. Ao contrário de PES, em que todos se movimentam da mesma forma e parecem correr travados, como robôs. Em Fifa, há pequenos detalhes que fazem muita diferença para os fãs mais xiitas. As defesas dos goleiros estão mais plásticas, os jogadores batem na bola de 3 dedos, noutras até acertam lançamentos de letra. Isso não acontece no jogo da Konami. Parece besteira, mas até o juiz do Fifa é superior. A bola respinga nele e ele até chega a pular para que a pelota não o atinja. A maneira como os jogadores matam a bola e a controlam também são de encher os olhos.
A série Fifa tem uma jogabilidade que não costuma agradar aos fãs de PES. Mas basta meia dúzia de partidas para sentir a diferença e começar a pegar o jeito. Realizar jogadas de efeitos, como chutes de cobertura e lançamentos de longa distância, exigem certos comandos que atrapalham no começo, mas depois de muito suor acontecem naturalmente. É bem mais difícil que o rival, mas ao mesmo tempo é desafiador. A nova tecnologia “360º Dribbling” não faz muita diferença, mas dá para ver a evolução da mecânica da série. Principalmente quando se fala da inteligência artificial: os jogadores se adaptam automaticamente ao seu tipo de jogo. Incrível!
O porém do Fifa fica na hora de tentar fazer gols de bola parada. Escanteios e faltas não são nada naturais. O mesmo acontece na hora de realizar cruzamentos pelo alto. Nesses quesitos, Pro Evolution Soccer ainda é matador.
SEGUNDO TEMPO
O número de times licenciados em Fifa 10 é muito superior à PES 2010. Para nós, brasileiros, existe um problema. Ao contrário do resto do mundo, onde o acerto é realizado com a liga de futebol de cada país, por aqui o acordo é fechado individualmente com cada equipe. 20 times brasileiros estão inclusos no jogo da EA, como São Paulo, Palmeiras, Flamengo e até o Barueri. Mas Corinthians, Santos, Grêmio e Fluminense, não.
Quer dizer, eles estão no jogo. Os gritos da torcida e as escalações são oficiais. Mas os uniformes e os nomes dos clubes são “alternativos”. Ronaldo agora brilha muito no C. São Paulo, por exemplo. No jogo da Konami, um vexame: só existe o Inter de Porto Alegre por lá. Não é por acaso que o sucesso de Pro Evolution Soccer no Brasil tenha acontecido, principalmente, com as versões piratas dos jogos. Por quê? Por trazerem os times brasileiros.
Para resumir, Fifa 10 bate Pro Evolution Soccer facilmente. Não chega a ser uma goleada, é claro, mas é uma prova da clara evolução da franquia, que soube trabalhar com as imensas possibilidades dos videogames de última geração, dando aos jogadores gráficos de primeira e uma enorme gama de possibilidades de modos online.
7 de nov. de 2009
Uma semana com o Kindle
Sabe quando você segura um gadget e sente que aquilo ali em suas mãos pode ser o símbolo de uma revolução? Foi assim quando peguei pela primeira vez um iPod ou passei os dedos pela tela de um iPhone. E tal sensação aconteceu novamente após passar uma semana com o Kindle 2, o leitor de livros eletrônicos da Amazon.No Brasil ele pode ser comprado pelo próprio site da Amazon, mas o seu valor por aqui supera a barreira do R$ 1 mil. O Kindle impressiona, a começar, pelo visual, que mais parece ter sido obra dos designers da Apple. Ele é muito fino e leve (menos de 1 cm e 289 gramas, para quem ficou curioso) e sua parte frontal é toda branca. Suas bordas são arredondadas e ele pode ser carregado na tomada ou em portas USB - o Kindle tem um adaptador incluso, que faz os dois serviços em um único cabo, uma ótima sacada.
Agora, a tela. Ela não é colorida, mas reproduz 16 tonalidades de cinza (o primeiro modelo, quatro). Ficou decepcionado? Não fique, ela possui uma tecnologia que dá a sensação de realmente estar lendo as páginas de um livro. O ambiente pode estar muito iluminado também, não tem problema, pois o visor se adapta à luminosidade. Porém, a tela do Kindle não emite luz, o que causaria um cansaço aos olhos. Não espere lê-lo em lugares muito escuros, portanto - só com a ajuda de uma luz externa, ou seja novamente, igual a um livro normal.
Como a maioria dos gadgets do momento são touch screen, chega a ser natural pressionar a sua tela. Mas para navegar no Kindle há o "5 Way Controler", uma espécie de joystick que permite ir para cima e para baixo da tela. Além disso, há 5 botões: dois para ir para a página seguinte, um para a página anterior, o de home, outro de menu e mais um de back. Esse joystick é um pouco duro e até ruim de manusear, mas pega-se o jeito com o tempo. Na parte debaixo, por fim, vem o teclado Qwerty, que é ótimo, apesar de exigir uma certa pressão dos dedos.
O e-reader ainda conta com speakers em sua parte de trás e uma entrada para fones de ouvido de 3,5mm. Sim, o Kindle toca também MP3! Mas essas duas opções também servem para ouvir áudio-livros - alguns livros eletrônicos vêm com a função de "Text To Speech", para quem quiser ouvi-los, em vez de lê-los.
LEITURA BÁSICA
Para ligar o Kindle, é só arrastar a barrinha switch que fica na borda superior. Ele é bem intuitivo, já abre diretamente na página home, que mostra todos os livros armazenados e todos aqueles trechos e palavras que você marcou por considerar importante ("Clippings"). Para procurar por um livro, e só clicar em menu e ir na Kindle Store.
Aqui vem o grande trunfo do Kindle, sua conexão 3G. Apesar de não ter Wi-Fi, o livro eletrônico da Amazon tem acesso à rede sem fio de telefonia celular, por um certo sistema Whispernet, da própria Amazon. Desta forma, pode-se comprar um livro virtual no site da loja virtual a qualquer momento do dia. Nos Estados Unidos, a navegação foi muito rápida. Em menos de 30 segundos foi possível baixar e-books. No Brasil, o tempo foi de aproximadamente 1 minuto, o que também é ótimo. Mas a conexão caiu em diversos momentos.
Os e-books são pagos e os valores vão de US$ 2 ("O Retrato de Dorian Gray") a US$ 12 ("Amanhecer", último livro da série "Crepúsculo"). Para comprá-los, só com cartão de crédito, registrado na Amazon. Infelizmente, na Kindle Store não há muitas opções de obras em português. Paulo Coelho tem 7 livros por lá, mas nenhum em sua língua nativa, só em inglês. A reportagem conseguiu encontrar "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro", ambos de Machado de Assis. Cada um custava US$ 3, mas ao optar por uma versão "preview", que geralmente dá acesso à apenas um ou dois capítulos da obra, eles vieram na íntegra.
Vale dizer que não muitas opções também em inglês. Best-sellers como "Free", de Chris Anderson, não estão por lá. Nem "O Código da Vinci", de Dan Brown. A melhor opção é buscar por livros eletrônicos na internet e depois transferi-los para o Kindle via USB. Para os brasileiros, uma opção é a Editora Plus. Está atrás dos clássicos? Garimpe pelo Google.
O gadget da Amazon lê e-books nos formatos AZW, MBP e mobi. PDF, não. Para fazer essa conversão, é preciso enviar um e-mail para um endereço específico da Amazon. A conversão custa centavos de dólares e demora algumas horas. Mas também há programas gratuitos na rede que fazem esse serviço.
O site da Amazon, sempre que for entrado pelo Kindle, irá exibir sugestões de livros para você comprar baseados em suas pesquisas. Também é possível checar o Top 25 dos mais vendidos. Mais de 60 jornais e revistas também estão por lá para serem lidos (o periódico O Globo é a única opção brasileira). Pode-se comprá-los por edição ou criar assinaturas mensais. Quase todos dão um tira gosto gratuito de 14 dias.
O Kindle 2 vem com o New Oxford Dictionary. Para saber o significado de uma palavra, é só parar com o cursor nela para receber uma breve descrição. Quer saber mais? Dê um clique com o joystick. Fazer marcações também é fácil, basta apertar o mesmo joytisck e correr sobre o texto. Para aumentar a fonte, é só apertar a tecla Aa, onde é possível também escolher o número de linhas pela tela.
RESUMO FINAL
Após 7 dias com o Kindle 2 por perto, o resultado é positivo. Ele vai agradar principalmente quem gosta de ler em inglês, já que a presença de títulos em português beira ao zero. Ele não tem entradas para cartões de memória, algo negativo, mas o seu 1.4 GB de memória permite armazenar cerca de 1.500 obras. Seu sistema de internet 3G é impressionante e nos EUA funciona de maneira espetácular (por lá, dá até para navegar pela internet, o que não funcionou por aqui). Sua bateria também se saiu bem nos testes.
Em uso intenso, durou dois dias. Regularmente, uma semana.
Por aqui, seu problema é o preço. Pagar R$ 1 mil em um aparelho desses é um luxo para poucos. Já acostumar a lê-lo é uma questão de hábito. No princípio há um estranhamento, mas a sua tela é extremamente confortável por dar a sensação quase fiel de se folhear um livro. Irônico, não? Só faltou ele ter aquele cheiro gostoso de livro novo. Ou de mofo, se fosse um livro velho.





