15 de mai de 2010

'Não esperava ser uma musa nerd', diz atriz brasileira Morena Baccarin

 

Quem a vê em cena não imagina que seja brasileira. Seu inglês não tem aquele sotaque latino afetado, tão comum nas produções americanas. Tampouco faz a linha sul-americana fogosa, outro trejeito muito popular nos programas de lá.

A carioca Morena Baccarin, 30 anos (20 deles morando nos Estados Unidos), é hoje uma das representantes tupiniquins mais importantes de Hollywood. Protagonista da série de ficção científica “V”, exibida no Brasil pelo Warner Channel desde o começo de abril, ela tem o seu rosto estampado em capas de revistas, outdoors e até ônibus no exterior.

“É uma surpresa!", comenta ao G1 sobre a fama. "Tinham fãs da série no aeroporto daqui me esperando, tirei fotos e dei autógrafos”, revela ela, que esteve na capital paulista nesta semana para divulgar a atração no País.

“V” é uma remake da minissérie “V – A batalha final”, que foi ao ar na TV Globo há duas décadas. Nela, alienígenas espalham naves por 29 grandes cidades do mundo, uma sinopse digna dos filmes catastróficos de Roland Emmerch. A diferença é que os “visitantes” alegam estar em missão de paz.

A porta-voz dos invasores é Anna (Morena), a líder. Com os passar dos episódios, ela vira a vilã da série. "Minha personagem é muito malvada, as pessoas têm até medo de mim na rua. A Anna fala: ‘estamos chegando em paz, só precisamos dos minerais, água e coisas assim, por isso vamos lhes dar seguro de saúde, energia para seu planeta e não faremos nada de mal’. Mas dá para sacar que não é bem assim”, diz, com um leve “carioquês”.

 Quase 'Avatar'
A série é uma produção de custo elevado, com diversos tipos de efeitos especiais. Morena é justamente quem mais “sofre” no elenco por isso, pois grava quase todas as cenas em um grande estúdio com panos verdes espalhados por todos os lados.

Graças à tecnologia digital, o cenário aparece na TV como o interior de uma nave especial. “Tenho de usar bastante a minha imaginação para fazer as cenas, é até cansativo”, revela.

Mas ela não acha estranho esse tipo de situação. Dentre as várias participações que fez em séries americanas, as mais conhecidas são aquelas em produções de ficção científica, como “Firefly” e “Stargate SG-1”. Seria ela uma musa nerd então?

“Provavelmente sim”, diverte-se. “Acho legal esse universo, os fãs são super fiéis e apaixonadíssimos por ficção científica. Eu me sinto honrada por ser parte desse mundo, mas não era uma coisa que eu esperava”.

Das séries para as novelas?
A 1ª temporada de “V” terá 12 episódios, mas não se sabe ainda se será renovada para mais um ano. Ao estrear nos EUA, no canal ABC, a audiência do programa foi superior ao piloto de “Lost”. Porém, o programa teve de ser interrompido por três meses, justamente pelo alto custo de produção.

Passado o hiato, os números no ibope ficam piores a cada semana. “Isso é ‘news’ para mim”, irrita-se, com elegância. “O canal já esperava que fosse dar uma caidinha após esse ‘break’, mas na semana passada subimos de novo. A gente não possui controle nenhum de quem vai cancelar ou qual vai ser cancelada. Então é curtir e esperar: temos de fazer o nosso trabalho de qualquer jeito e se não for nessa vai ser em outra”, comenta.

A atriz aproveita a deixa para opinar sobre o mercado de Hollywood. No caso, para atores de outros países. “Agora está muito mais aberto para todo mundo. As pessoas dos Estados Unidos estão aceitando todas as nacionalidades, não há o mesmo preconceito que existia antes”, acredita.

A verdade é que Morena já recebeu convites para estrelar novelas brasileiras. Se “V” realmente for cancelada, eles deverão aumentar. E vontade para aceitá-los, bem, ela diz que tem. “Se for o papel certo, claro!”, empolga-se.

* Matéria publicada no G1 em 29/4/2010