21 de dez de 2008

Guia do mochileiro da web 2.0

Há um ano, o maranhense Claudiomar Rolim Filho, de 24 anos, acabava de se formar em relações internacionais pela Universidade de Brasília. Sem emprego fixo, ele decidiu que 2008 seria o seu ano sabático. Com algumas roupas, um notebook e uma câmera digital na mala, ele resolveu dar a volta ao mundo. Foram 32 países conhecidos e milhares de histórias incríveis. Todas compartilhadas em seu blog, O Mundo Numa Mochila. Por cada país ou cidade que passou, Claudio se hospedou de graça na casa de um estranho que conheceu por meio do CouchSurfing, um serviço de hospedagem em forma de rede social muito popular entre os mochileiros.


De volta ao Brasil, Claudiomar me contou como foi a sua viagem. "Passei 40% do meu tempo na internet. Fui a primeira pessoa a fazer uma volta ao mundo testando hotspots!"


Como começou a viagem?

Assim que eu terminei minha graduação, queria fazer uma viagem de despedida. Queria ir para a Inglaterra fazer um curso e depois ir para África, fazer trabalho voluntário. Ao pesquisar na internet, conheci a passagem da Star Alliance. É uma aliança entre várias empresas aéreas, que dá o direito de você fazer uma viagem de volta ao mundo com 15 paradas. Você paga por milha. Eu paguei uma taxa de até 34 mil milhas com uma rota que eles fornecem no próprio site. O que me fez ir atrás disso mesmo foi quando descobri o CouchSurfing. Gastei US$ 3.700 na passagem. O dólar na época era R$ 1,70.


E qual foi a sua rota?
Minha primeira parada foi Los Angeles (EUA). Depois, Honolulu (Havaí), Seul (Coréia do Sul), Bangkok (Tailândia), Nova Deli (Índia), Estocolmo (Suécia), Varsóvia (Polônia), Istambul (Turquia), Liubliana (Eslovênia), Viena (Áustria), Cairo (Egito), Zurique (Suíça), Barcelona (Espanha), Lisboa (Portugal) e, por fim, Brasília. Essas foram as 15 paradas que a companhia aérea me deu direito. Fora isso, eu viajei de trem, ônibus, carro... Foram 32 países ao todo: EUA, Coréia do Sul, Hong Kong, Macau, Tailândia, Malásia, Indonésia, Camboja, Vietnã, Índia, Nepal, Suécia, Polônia, Lituânia, Letônia, República Checa, Alemanha, Turquia, Síria, Líbano, Eslovênia, Itália, Vaticano, Áustria, Hungria, Eslováquia, Egito, Israel, Jordânia, Suíça, Espanha e Portugal.


Como funciona o CouchSurfing?

É como um Orkut. O principal motivo de ter um perfil nele é se conectar com seus amigos, levar o intercâmbio de diferentes culturas. Volto para São Luís nesse final de semana e já receberei duas austríacas. No final do ano virão duas alemãs! Quando você não está viajando, você fornece a sua casa. Existem três maneiras de identificar se uma pessoa é confiável ou não. A primeira, e mais simples, é ver se ela não é um fake: ler suas informações, checar se tem fotos. A outra é o cadeado. O site pede seu nome completo e o número do cartão de crédito. Daí eles checam se você não está usando um nome falso. A terceira maneira, que não é obrigatória, é pagando. Você dá um dinheiro para o site e enviam para sua casa uma carta com uma senha para ser ativada. Ao ativar, isso mostra que você realmente tem um endereço fixo. Virar referência entre os outros usuários também é muito importante.


E como você descobria um novo lugar para se hospedar? Foi tudo planejado ou na hora mesmo?

No começo não planejava nada, porque na Ásia é tudo muito barato. Eu ficava duas semanas em um país, nada tinha tempo. Fiquei um mês na Índia. Isso mudou quando fui para a Europa, que é bem mais cara. Em algumas cidades, como Budapeste, que não tinhada nada para fazer, ficava só duas noites. Quando queria ir para balada, como na Eslováquia, ia no final de semana. Gastei muito pouco. Vendi tudo o que tinha no Brasil: móveis, computador, bicicleta... Só gastei com alimentação.



Você deve ter passada a viagem inteira conectado. Como avalia a internet dos países por onde passou?

Meus amigos brincam que fui a primeira pessoa a fazer uma volta ao mundo testando hotspots. Gastei 40% da minha viagem só na internet. Minha primeira parada foi nos Estados Unidos, onde trabalhei em Santa Barbara como recepcionista de um hotel por quatro meses para juntar dinheiro em dólar. Foi perfeito porque eu trabalhava das 7 da noite às 11 da manhã e não tinha ninguém para fazer check-in! Ficava o tempo todo na internet, pesquisando por lugares para viajar, couchsurfing e abasteci meu blog. Eu pude me conectar em todos os lugares, do Camboja aos Estados Unidos. Era mais fácil achar umhotspot nesses lugares do que em São Luís ou Brasília! (risos) Usei Wi-Fi em todos os McDonald's. Ficava impressionado! Eu estava o tempo todo procurando lugar para ficar e respondendo e-mails. Sempre usava o Skype absurdamente para remarcar passagens. Comprava crédito e ligava.


A comunidade do CouchSurfing é muito grande?

As cidades têm comunidades no site, então eu postava que queria sair para tomar uma cerveja, que estaria em tal lugar e 20 pessoas apareciam! Quem viaja por CouchSurfing vai em grupo, então sempre tinha gente. Isso é mais interessante que a hospedagem.


Ficou hospedado na casa de alguém bem estranho?

No Egito, quem me recebeu foi um australiano que lecionava na Escola Britânica de Cairo. Ele recebia o salário de um professor de Londres, que é umas cidades mais caras do mundo, para viver em Cairo. Era como ganhar R$ 10 mil e só gastar R$ 500. Comi e bebi tudo o que podia na casa dele!


E agora, quais são os seus planos?
Quero fazer disso um livro e estou procurando emprego. Cara, a principal meta do blog agora é conseguir chegar a uma entrevista com o Jô. Com certeza é um grande sonho que eu tenho e vários leitores estão nessa campanha há algum tempo!

PS: Entrevista publicada no IG.

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