21 de out de 2008

In memoriam


Ele era o meu Central Perk, meu Monk's Café. Todo mundo devia ter um bar, café, restaurante ou sujinho para chamar de seu. O meu era o Sta Cerva, em Sorocaba.

Foi lá que aprendi o sentido de reunir os amigos no bar, de sentar numa mesa para falar besteira, de ter aquele garçom amigo. O Sta Cerva representou um upgrade na minha vida. Na adolescência, em Sorocaba mesmo, a gente ia no shopping. Às vezes engatávamos um filme no cinema, noutras eu assistia a meus amigos se divertindo no fliperama. E sempre íamos ao McDonald's.

Mas aí percebemos que estávamos velhos demais para isso. E começamos a ir em bares. Cada semana era um diferente. E só reclamávamos. Esse é muito cheio, esse a bebida a cara, aquele só tem gente feia, o outro é muito longe. Daí o jeito era ir até o supermercado, comprar cerveja e tomá-la na principal pista de caminhada da cidade.

Como não gosto de cerveja, apenas dava risada vendo meus amigos, bêbados, rindo como idiotas, só porque quando eles faziam xixi no frio isso resultava numa fumacinho saindo de seus... Enfim.

Aí um dia me falaram desse Sta Cerva, inaugurado há três quarteirões de minha casa. Aquele virou o nosso point. O esquenta era sempre no meu quarto. Jogávamos Guitar Hero, víamos vídeos no YouTube (sim, somos nerds) e depois íamos para lá. Não tínhamos de pagar flanelinha, já que íamos a pé. Nem pegar fila para entrar. O segurança nos via e já baixava a cordinha de segurança. Nunca peguei fila para entrar lá.

Foi ali que aprendi a saborear uma caipirosca de limão, meu drink predileto. A comer finger foods de botecos. O Sta Cerva não era perfeito, veja. As cadeiras eram bem desconfortáveis para alguém de 1, 90m como eu e o atendimento às vezes era péssimo. O pão de hambúrguer sempre acabava lá pela meia-noite e bacon ali era uma lenda.

Mas era o NOSSO bar.

Nos televisores da casa só passava shows musicais. Embora às vezes fosse dia de um Engenheiros do Hawaii, em outras oportunidades rolava um DVD do Queen que eu adorava. Minha mesa predileta era uma no final do corredor. Curiosamente esse lugar também era o alvo da ex de um amigo meu, então sempre rolava umas de chegar mais cedo para sentar por ali.

Faz uns dois meses que o lugar está fechado. Nos últimos tempos ele estava "miado". Abriram diversos bares na cidade e, claro, todo mundo foi atrás das novidades. Dizem que ele está sendo reformado, mas também comentam que ali será um novo bar. Até agora, quando estive em Sorocaba, conheci novos botecos e nenhum me agradou. Esse é muito cheio, esse a bebida a cara, aquele só tem gente feia, o outro é muito longe.

Quando me dou conta, eu e meus amigos estamos vagando pela cidade, tristes e desolados, à procura de um bar, café, restaurante ou sujinho para chamar de nosso.

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