11 de jun de 2008

Vitor Araújo é fã de Lost (e não contou para ninguém)

Eu costumo prestar muito mais atenção na melodia da música do que em sua letra. Desde pequeno. Quando estou conversando com alguém, cito tal canção e pergunto se essa pessoa já a escutou – e ouço um não – eu não começo a cantarolá-la. Eu balbucio a melodia da música: o piano, o violão, a batida ou, no pior dos casos, os instrumentos de sopro. Não recomendo a ninguém me ouvir fazendo o barulho de um trompete.

No ano passado, matriculei-me num curso sobre a história da música popular brasileira. Nas aulas, tinha-se de analisar as letras das músicas. Para variar, eu só escutava a melodia. No trabalho final, tinha-se de escolher um disco para resenhar. Eu peguei Samba Esquema Novo, do Jorge Ben (sem o Jor, até então).

Analisar Jorge Bem Jor não é algo possível. Suas músicas não dizem nada com nada, é puro ritmo. Então eu fiquei falando do ritmo suingado do violão dele e não perdi tempo em explicar o que ele quis dizer com "Sacundim, sacundém, Imboró, conga".

Quase bombei no curso.

Estou falando disso para comentar sobre Vitor Araújo, o tal pianista recifense de 19 anos que explodiu no YouTube – graças principalmente à sua (ótima) releitura de Paranoid Android, do Radiohead. E também ao seu jeito brejeiro, meio erudito com pop: toca de All Star, pula no piano, fica batucando nele... Enfim, é o Jaime Cullum tupiniquim.

Seu CD/DVD Toc! Ao Vivo no Teatro de Santa Isabel é bacana e gostoso de ouvir. Para deixar rolando no carro e se esquecer do mundo. O garoto realmente é virtuoso e se sai muito bem ao tocar Luiz Gonzaga e Yann Tiersen (o francês que fez a trilha sonora de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Adeus, Lênin).

Mas eu estava curioso para ouvir as composições de Vitor. Das nove faixas do trabalho, duas são de sua autoria: Valsa para a Lua, que eu achei simpática, e A Última Sessão, que fecha o disco.

Quando escutei essa última, fiquei com a impressão de já tê-la escutado em outro lugar. Com um pouquinho de esforço, lembrei: Life and Death, de Michael Giacchino. Quem é fã de Lost provavelmente recorda dessa música: é ela que aparece no final da terceira temporada da série, na cena final do Charlie.

Ouvi ambas várias vezes e a melodia é a mesma – com Giacchino é mais lenta. Não vou dizer aqui que é plágio ou algo do tipo, mas a semelhança é incrível. Araújo só pula a nota final, o que deixa A Última Sessão como Ice Ice Baby, e Life and Death como Under Pressure.

Ponham seus fones de ouvido e dêem suas opiniões. Vamos primeiro de Michael Giacchino e, em seguida, com Vitor Araújo.


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