8 de jun de 2008


Os ídolos mudaram...

Acabei de ver Rambo IV com o meu pai. Durante a 1h20 do filme (sim, 20 anos depois do último filme sobre John Rambo o Stallone só gastou isso de rolo), rimos como condenados daquelas cabeças voando, braços decepados e tripas sendo dilaceradas aos nossos olhos. Felizes da vida.

Após assistir a toda essa carnificina, fiquei imaginando nos ídolos teens atuais, tipo Hannah Montana e High School Musical. Todos politicamente corretos, criados para não darem maus exemplos às crianças. Será mesmo que isso funciona?

Com 6 anos de idade, meus ídolos eram Arnold Schwarzenegger, Bruce Lee e Jean-Claude Van Damme. Nessa ordem. Meu filme prediletonaquela época? Predador.

Minha mãe me deu o CD dos Mamonas Assassinas quando eles começaram a tocar nas rádios. Fiz várias cópias do disco em fitas cassete para meus colegas de quarta série, já que seus pais diziam que tal som era inadmissível para crianças de 10 anos.

Uma vez, no primário, tinha um dia da semana em que se podia levar um brinquedo. Certa vez apareci com uma espada de plástico, e a diretora me fez voltar para casa e pegar outra coisa que "não fosse tão violenta".

No começo da adolescência, meu pai um dia chegou em casa e avisou: "Aluguei um vídeo de sacanagem he-he. Se você quiser vê-lo, ele está no armário, pode pegar". Veio uma caravana de moleques da 6ª série em minha casa. Ninguém acreditou quando contei esse fato na escola.

Nesse ano, enquanto cobria a saída dos vestibulandos da Unesp, passou um carro tocando Créu. Uma garotinha ao meu lado, de uns 6 anos, fez a pose da velocidade 3 e soltou "Crééééuuuuu". O pai deu um cascudo nela e disse que aquilo era feio. Eu dancei Na Boquinha da Garrafa em uma festa infantil (o que é bem pior) e minha mãe chorou de rir.

Nunca atirei em ninguém porque tive arminha de brinquedo ou paguei uma de Highlander por ter tido uma espada do Jiraya. Não virei (juro) um pervertido porque assisti ao meu primeiro filme pornô aos 12 anos – nunca esqueci a cena daquela ruiva passando o taco de bilhar em seus seios...

No dia em que entendi o que significava "comer tatu é bom, que pena que dá dor nas costas", perguntei para meus pais como eles me deixaram escutar aquilo tão novinho. Ouvi.

- Ah, você era inocente, era engraçado. Vai nos criticar agora, depois de tantos anos?

Hoje eu agradeço.

PS: A foto que ilustra este post é da festa de aniversário do meu irmão. Ao completar 6 anos, em 1989, ele quis uma festinha do Rambo.

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