18 de mar de 2008

Lei de Gérson

Sempre ouvi que carioca gosta de levar vantagem em tudo, especialmente em cima de paulista. E se tem um lugar que exemplifica todo esse preconceito que um turista deve ter para com o carioca é o aeroporto internacional da cidade, o Antonio Carlos Jobim (extinto Galeão).

Tive a (in) felicidade de estar lá no último final de semana e, vou dizer: ali tem a maior concentração de pessoas que usam a famosa "Lei de Gérson".

Na ida

Tudo começa na hora que você vai por os seus pés na Cidade Maravilhosa. Um bando de homens com walkie talkies na mão gritam "Táxi? Táxi?". Normal, até na Estação Barra Funda é assim. Mas, no Rio, o sujeito já te pega no braço e te puxa. Quando você percebe já está do lado de um carro azul ou branco. Mas no Rio os táxis oficiais não são amarelos?

- Aqui a gente fecha a corrida
- Quanto fica?
- R$ 55
- Com taxímetro ligado não pode?
- Ai dá mais. Hoje está chovendo, a Avenida Brasil está toda parada, vai sair mais caro que isso.

Olho a imensa fila de espera para pegar os tais táxis amarelos.

- Não, valeu. Vou pegar a fila mesmo
- Pára! O preço deles vai sair ainda mais caro
- Por quê?
- Chovendo, trânsito... quando é assim os taxistas ali ligam a bandeira 2!
- Como assim? Às 4 da tarde? Isso é crime! Nunca vi isso!

Resumindo: espero cerca de cinco minutos pelo táxi amarelo. A corrida, com congestionamento e tudo, dá R$ 35. Ah, na bandeira 1.

Na volta

Decido comer alguma coisa na terrível praça de alimentação do aeroporto. Quero algo rápido, um fast food. Em toda esquina do Rio tem um Bob’s, menos no aeroporto. Vejo um junkie food, o Air Café Palheta. Dirijo-me ao caixa, olho o painel dos lanches e peço, como se estivesse num McDonald’s da vida.

- Quero o Chicken Burger, batata-frita e uma Coca Zero
- OK.
- Quanto deu?
- R$ 17 (porra!)

Abro a carteira e dou uma nota de R$ 20

- Não é agora que se paga, senhor. Você precisa sentar na mesa.

Não entendo nada, mas escolho uma mesa. Dois minutos depois vem um garçom magricela, e repito tudo aquilo que pedi. 10 minutos mais tarde chega o meu lanche numa bandeja. Ao terminar de comer, faço sinal para o mesmo garçom trazer a conta. Ela chega. Nem olho para ela, afinal, deu R$ 16. Entrego a mesma nota de R$ 20.

- Não é aqui que se paga, é no caixa

Como assim? Qual o conceito de fast-food nisso? O próprio restaurante tem aquelas bancadas grandonas, com quatro caixas espalhadas, como em qualquer fast-food da vida. Por que complicar tanto? O que explica tamanha burocracia? Resposta: a Lei de Gérson. Dou a nota de R$ 20 e recebo de troco R$ 1,40.

- Oi! Meu troco está errado. Você precisa me dar R$ 4
- Não, é isso mesmo. Olha a sua notinha

Olho: R$ 17, 60.

Resumindo: os caras cobram R$ 10%!! Num fast-food!! Entenderam a "esperteza" deles?

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