3 de jan de 2008

Jogos para sempre

Confesso que visto muito mais a camiseta da ESPN Brasil do que a do SporTV, mas um programa do canal da Globosat, exibido por apenas 10 dias, foi um dos melhores que eu já vi na TV a cabo: Jogos para Sempre.

Foi muito legal! Documentários de uma hora de duração que reviviam um grande jogo da história do futebol brasileiro. O formato era simples e bem bacana: um apresentador e dois convidados, geralmente um jogador de cada time que participou do prélio.

O atleta pertencente à equipe que venceu o jogo é entrevistado ao ar livre (sempre em algum lugar com muito verde), caminhando e batendo papo com o apresentador. Este, relembra momentos cruciais da disputa, como uma falta, um lance perigoso, e por aí vai. Pelo outro lado, aquele que fez parte do time derrotado é entrevistado em uma sala, sozinho, com a câmera focando em seu rosto. Misturado às falas são exibidos os melhores momentos do jogo.

Ah, somado a tudo isso, alguém que viu a partida no estádio ou pela televisão, como o escritor Luis Fernando Veríssimo ou o ator Marcos Palmeira, comentam como eles quase morreram assistindo determinado jogo. Os depoimentos são engraçadíssimos.

Dentre os jogos exibidos teve um 6 a 0 do Flamengo no Botafofg, em 1981, aquela clássica final do campeonato carioca de 1995, entre Flamengo e Botafogo, com o gol de barriga do Renato Gaúcho, e uma partida que sempre foi motivo de piada na minha família: a final do Brasileirão de 1986 entre São Paulo e Guarani.

O jogo acabou 3 a 3, e o tricolor sagrou-se campeão nos pênaltis. Diz a lenda, digo, meu tio, que aos 43 minutos do segundo tempo da prorrogação, quando a partida estava 3 a 2 para o time de Campinas, meu avô saiu da sala xingando o tricolor paulista de pipoqueiro. Mal ele subiu as escadas para o Careca soltar uma bomba e empatar a partida. Depois ele tentou voltar para ver o jogo e acabou sendo expulso por meu tio.

Eu fiquei viciado no programa, e me senti desolado ao saber que ele foi um especial de 19 a 30 de dezembro. De boa, os caras do SporTV deveriam deixar essa atração quinzenal ou mensal, pois faz falta programas esportivos assim. Não agüento mais aquelas mesas-redondas com um jornalista falando mais alto do que o outro.

Inspirado pelo programa, baixou um Nick Hornby em mim e fiz uma seleção dos 5 jogos do futebol brasileiro memoráveis da minha vida. Estes eu lembrarei para sempre – por motivos bons ou ruins.

5) Palmeiras 3 x 4 Vasco (Final da Copa Mercosul de 2000)

No primeiro jogo da final, no Rio, o time de São Januário bateu a porcada por 2 a 0. No segundo confronto, em São Paulo, 1 a 0 para o Palmeiras. No confronto final, no Palestra Itália, o jogo acabou 3 a 0 para o time alviverde no primeiro tempo. Caneco garantido? Não para Romário, Viola e Juninho Paulista, que viraram a partida para 4 a 3.

4) Santos 5 x 2 Fluminense (Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1995)

Por duas vezes nessa vida eu torci para um time brasileiro que não foi o meu tricolor: a Portuguesa de 1996, que foi vice-campeã brasileira, e o Santos de 1995, que teve o mesmo destino. No primeiro confronto, o time carioca venceu o santista por 4 a 1, lá no Rio. Ir para a final era tarefa quase impossível para o esquadrão comando por Giovanni, e lembro que são-paulinos, corintianos e palmeirenses lotaram o Pacaembu para ajudar o Santos a vencer por três gols de diferença. O primeiro-tempo acabou 2 a 0 para o time santista, que nem desceu para o vestiário no intervalo para sentir o apoio da (s) torcida (s). Dito e feito: 5 a 2 na segunda etapa.

3) Cruzeiro 2 x 1 São Paulo (Final da Copa do Brasil de 2000)

Jogo mais triste de minha vida. Até hoje o São Paulo não ganhou esse título, e em 2000 esteve com uma mão e meia na taça. No primeiro jogo da final, no Morumbi, 0 a 0. Já no Mineirão, em uma partida duríssima, Marcelinho Paraíba fez um baita gol de falta, e abriu o placar para o tricolor. O título estava perto, até que Müller, que fez história no São Paulo, entrou no final da partida, junto de Fábio Jr. Aos 34, o primeiro deu um passe açucarado para o segundo empatar o jogo, resultado que ainda era nosso. 10 minutos depois, minha tia pé-fria entra na sala. Bastou ela sentar no sofá para o Axel recuar uma bola bizarra e o atacante Giovanne roubar a bola e sair cara-a-cara com Rogério Ceni. Para evitar o desastre, o zagueiro Rogério Pinheiro puxou o adversário e foi expulso. Xinguei ela de tudo quanto é nome, o que a fez ir embora lacrimejando. Müller avisa Giovanne para bater a falta rasteiro. A bola passa pelo meio da barreira e entra, aos 44 minutos. O São Paulo perde e minha família briga comigo. Raí aposenta logo depois. Uma verdadeira tragédia grega!

2) São Paulo 3 x 2 Ponte Preta (Quartas de final do Brasileiro de 1999)

Mais uma virada inesquecível. E eu estava no estádio. Deu a louca no meu tio, e ele resolveu levar seu sobrinho para ver o jogo no Morumbi, dirigindo correndo de São Paulo até Sorocaba. Compramos as entradas de cambistas para o único lugar disponível: arquibancada inferior, o pior lugar do Morumbi. Primeiro tempo acaba e 2 a 0 para o time campineiro. Lembro que meu tio ficou puto, falando para os céus como tamanha aventura podia acabar daquele jeito. Acho que Deus ouviu o reclame e incorporou em Marcelinho: ele fez três golaços na segunda etapa, todos tirambaços do meio da rua. Ao comemorar o terceiro tento, levantou a camisa. Por baixo dela havia outra com os dizeres "100% Paraíba". Depois desse jogo ele até mudou de nome, tornando-se o Marcelinho Paraíba.

111) São Paulo 3 x 1 Corinthians (Final do Paulista de 1998)

Fazia anos que o tricolor não ganhava um título decente. Para piorar, eu era muito criança na época do Bi-Mundial de 1992/93 e achava que nunca viria meu clube do coração ganhar alguma coisa. Na primeira final, isso parecia ser realidade: 2 a 1 para os gambás. Na finalíssima, algo inacreditável aconteceu, digno de Hollywood: o rei Raí voltava para o São Paulo, após cinco anos na França - isso há três dias da partida. Raí mostrou ser o terror do Morumbi e, em uma bela cabeçada, marcou 1 a 0. O Corinthians até empatou depois com Didi, mas, junto de França e Denílson, Raí comandou um 3 a 1 que poderia ser goleada. Foi um dos momentos mais felizes de minha vida, e até chorei naquele dia.

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