6 de set de 2005

Ainda sem nome


Quando estou tristonho, com a cabeça pra baixo, emburrecido com a vida e comigo mesmo, tenho uma lista de coisas que eu adoro fazer e, garanto, faz o meu humor subir num tiro só. São aquelas famosas "coisas pequenas da vida". Funciona, garanto mesmo. Algumas são bizarras, mas não tenho vergonha não de compartilhá-las com vocês.

A primeira e mais tradicional é tomar sorvete. Tem que ser de flocos, em uma caneca bem grande, com uma colher bem pequena - que é para eu saborear a sobremesa bem devagarzinho, sem pressa alguma. Encho a caneca até o topo e, pasmem: eu preciso tomar o sorvete andando. Sim, isso mesmo! Vou até a sala, fico dando voltas pelo corredor da casa, chego até a sentar no trono do banheiro, fitando com um olhar de marasmo os azulejos da parede, contando quantos há desde o chão até o teto.

Sortudos aqueles, que como eu, tem a nega amada para ligar de madrugada. Insônia, nervosismo com alguma coisa boba, ansiedade. Vira-e-remexe na cama, muda-se a cada minuto o lado do travesseiro, à procura do lado da fronha mais geladinho. Levanto em um pé só, descalço que é para não acordar aos outros. Fecho a porta da cozinha e disco aquele número que sei de cor. "Oi, tá acordada? Pois é, também estou sem sono... O que você está vendo na televisão? Sério?". E minutos e mais minutos se passam, até que um dos lados da linha dá o primeiro bocejo e diz bem baixinho: "Tô cum soninho...".

Fazer xixi no box me tira todo o stress do mundo. Olho gordo, qualquer coisa. Banhinho quente, fumaça saindo pela janela, começar a assinar o próprio nome no vidro esfumaçado. Daí dá aquela vontade. Capricha na mira, aponta e zás! Gotoso! São raras as sensações tão boas quanto dar uma bela mijada acompanhado de um banho quente. Depois é cantarolar alguma canção brega e antiga, enquanto se joga espuma e lava-se o chão do box, empurrando a corrente d'água com o pé direito.

Recomendo. Todos. As meninas terão problemas com o último item, mas pra tudo se dá um jeito, já diria minha querida avó Madalena, que hoje vive pimpona lá em riba, pertinho do São Pedro bonachão de Bandeira.

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