31 de mar de 2004

Eu Futebol Clube

Todo blogueiro é um pouco pernóstico. Metido, arrogante e exibido; os adjetivos são muitos. Existe aquela raça de blogueiro mala, que não suporta o fato de não ter comentários. “Oi, comenta no meu blog? Você vai adorar”. Raça pior que essa, só aquela dos blogueiros que fazem uma auto-análise dos próprios textos. “Vejam bem: aqui eu estou querendo dizer tal coisa, acolá estou me referindo a tal escritor. Nesse ponto deixei uma piada implícita. Ah, vai me dizer que vocês não gostaram dela?”.

Eu tenho um professor que se encaixa nessa patota. Ele não é blogueiro (ufa!), mas um “escritor”. O rapaz adora ler textos e fazer referências literárias – sobre seus textos, lógico. É impressionante; cada semana acontece uma nova pérola.

Primeiro, ele nos obrigou a pegar um xérox de uma apostila feita pelo próprio. É uma mini-bíblia, literalmente. Sempre que eu carrego-a na mochila, minha cifose piora. Já estou até providenciando algumas aulas de ioga. Na apostila têm vários textos, e alguns escritos por adivinhem quem? O professor. Pior é que ele abre a apostila, cita todo orgulhoso o autor da “obra” e começa a comentar o que escrevera. Gente, ele analisa o que escreve na frente de 50 alunos! O pior é que não aceita contradições. Ele faz bico e atira a pedra no aluno. Para ser “legal”, diz depois que estava brincando, com uma risadadinha à la Zacharias.

Isso não foi nada; semana passada foi mais impressionante. Ele chega na aula de outro professor com um pacote de papelão embaixo do braço. Chegou o pó, penso. Mas era outro tipo de droga: um livro da editora dele, organizado por ele, escrito em parceria com amigos dele e, pasmem, com um capítulo escrito por... hummm... ELE! Deixo cá a sua frase.

- Pessoal. Vou deixar os livros que vocês vão comprar. Eu cobro 14 reais. Se quiserem pagar depois, é só deixar anotado no papel aqui. Nas livrarias está mais caro, viu!

Nessas horas eu me torno um cristão de primeira; rezo até para santo desconhecido. Qualquer um que mande um raio no meio da cuca do professor já me faz de seu devoto eterno. Como nunca funciona essa tática, peguei meus 15 reais da carteira e comprei o maldito livro.

Talvez vocês estejam dando risada e se perguntando: “Porra, Gustavo! Critica o cara e depois compra o livro dele?”. Bem, leitor. Eu preciso, antes de tudo, terminar o meu curso sem nenhuma DP. Sempre existem essas figuras em cada lugar, que adoram colocar os alunos em recuperação. O prazer disso supera um orgasmo, ou quem sabe, uma torta de chocolate, dependendo da pessoa.

Tenho certeza que na prova do professor, alguns textos serão obrigatórios, indispensáveis. Se não ler tal texto é bomba, meus caros.
Agora, de quem serão textos?

Um comentário:

Anônimo disse...

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