23 de fev de 2010

Na natureza selvagem

LOS ANGELES - Ele está acostumado a dormir com tigres, tirar comida da boca de leões e nadar ao lado de lulas gigantescas do México. Mas, ao ser questionado sobre o lugar mais perigoso que já visitou, Dave Salmoni não pensa duas vezes. "Essa cadeia alimentar onde estamos agora".

O tal lugar é um luxuoso hotel na periferia de Los Angeles, rodeado de papparazzi do lado de fora. "Não me sinto bem em lugares assim. Até nas férias eu gosto de me enfiar na mata", brinca.

O zoólogo com pinta de galã ganha, a partir das 22h de quinta-feira, dia 18, mais um programa semanal no Animal Planet: Selva de Feras. Em seis episódios, ele irá visitar áreas de conflitos entre humanos e animais selvagens. Na Zâmbia, por exemplo, elefantes são eliminados por acabarem com campos inteiros de lavouras.

Desde criança Salmoni é um apaixonado pela vida selvagem. "Eu até me dava melhor com humanos quando era pequeno", ri. "Mas não existem pessoas apaixonados por cães, gatos ou cavalos? Eu me apaixonei por tigres, elefantes e leões."

Durante o tempo em que não está realizando documentários e especiais para o Animal Planet, ele divide seu tempo livre entre suas casas no Canadá e África do Sul - localizadas estrategicamente perto de selvas e florestas. "Minha maior sensação de calma é quando divido espaço com esses bichos", conta ao Estado.

Salmoni apareceu para a mídia com o documentário Operação Tigres de Bengala. No filme, o zoólogo passou três anos ao lado de filhotes dessa raça, e sua tarefa era pegar esses animais, que nasceram em um zoológico americano, e os ensinar a caçar e viver em liberdade em seu hábitat natural.

"Peguei os tigres com três meses de idade. O mais difícil foi ensiná-los que os seres humanos não são perigosos", explica. "A maioria dos animais não quer lhe matar. O objetivo de Selva de Feras e dos meus outros trabalhos é buscar decifrar essa mudança de comportamento, e o que os leva a atacar alguém", continua.

Salmoni sabe muito bem o que é isso. Seu primeiro animal selvagem foi o leão Bongo. "No final da década de 90, todos os filmes com leões tinham o Bongo. Sabe o leão de estimação do (filme) George, o Rei da Floresta? Era ele!", conta.

Porém, Bongo tentou matar o zoólogo em 1999. Em todos os seus programas, ele costuma citar o caso e dizer como isso o marcou para a vida toda. "O Bongo era muito durão. Com ele aprendi uma lição que não existe em nenhuma faculdade: saber quando o bicho vai me matar", afirma.

"Hoje eu sei que esses animais nunca vão me amar do mesmo jeito que eu os amo."

*Matéria publicada no Estadão