26 de jan de 2010

Novo ICQ busca renascer como rede social

Lembra do ICQ, aquele programa de mensagens instantâneas, cujo ícone era uma florzinha, e que apitava “óou” quando alguém lhe enviava uma nova mensagem? Pois ele está de volta.

Na verdade, nunca deixou de existir. Febre no Brasil entre o final da década de 90 e o começo dos anos 2000, o software acaba de ganhar uma nova versão, que o integra a várias redes sociais. É uma tentativa da AOL, dona do serviço após comprá-lo da empresa israelense Mirabilis há 12 anos, de popularizar o serviço novamente. Por aqui, ele foi engolido pelo MSN Messenger, mas 42 milhões de pessoas ainda o utilizam ao redor do mundo, principalmente em países como Alemanha e Rússia.

A versão 7 pode ser baixada no site www.icq.com. Feito o download, um desafio surgirá: lembrar o número de sua conta pessoal. O ICQ tinha um tal de UIN, um número de identificação, que é o único jeito de acesso ao serviço. Não lembrou? Crie uma nova conta – eu, milagrosamente, lembrei de meu código e, inclusive, da senha. A conta era tão antiga que meu e-mail cadastrado era do Zipmail e meu nickname fazia menção à minha classe da escola de nove anos atrás. Bem divertido!

Dos meus 162 amigos cadastrados, nenhum estava online. Se a sua situação for semelhante, o ICQ tem aquela ferramenta de buscar em suas contas de e-mail ou Facebook os contatos que estejam cadastrados no serviço. Para o meu espanto, três amigos criaram contas novas ali dentro - um até ficou conectado depois.

O novo ICQ está bem bacana e cheio de novidades. Na seção de bate-papo, por exemplo, há vários tipos de smiles, um botão de enviar arquivos, um corretor ortográfico (sem o idioma português, no momento) e até um item que dá acesso ao dicionário online Babylon. A troca de mensagens pode ser feita por texto, áudio ou vídeo. Bastante multimídia, existe até uma simples central de jogos para convidar os amigos a participarem de jogos de cartas e afins. Para residentes do Afeganistão, Alemanha, Estados Unidos e outros países, há um box para o envio de SMS.

TUDO INTEGRADO

Também é de deve elogiar a maneira como ele se integra a outras redes sociais, como o Twitter, Facebook, YouTube e Flickr. O ICQ tem um leitor de feeds próprios, cujo layout reproduz com muita similaridade os serviços aos quais se integra. Outra característica interessante é que cada conta tem agora um perfil com jeitão de Facebook, em um URL pessoal no modelo www.icq.com/people/seunumero.

As informações ali concentradas imitam o layout da rede social de Mark Zuckerberg, com o feed de notícias na parte inferior esquerda e a lista de contatos, assim como o álbum de fotografias pessoais, no canto esquerdo. Tem até uma ferramenta de publicação instantânea, cujo slogan é “O que há de novo?”. Apesar de tanto material novo, o ICQ não esqueceu suas raízes. Os cultuados avisos sonoros continuam os mesmos: ao fazer o login, surge o apito da chaminé de um navio; quando alguém está online, ouve-se o barulho de alguém batendo na porta. Por eu ter apenas um contato online na minha lista, não pude saber se o aviso de aniversário ainda é aquele riff de “Parabéns Pra Você”.

Em um simples resumo, o novo ICQ está bastante interessante, e suas novas funcionalidades o deixam no mesmo patamar dos rivais mais populares. Além do mais, o aspecto nostálgico em torno dele conta muitos pontos, e temos aqui um produto bastante carismático. Mas de nada adianta tudo isso se utilizá-lo for uma experiência fantasma, que é o que acontece entre os brasileiros. Independente do número de aplicativos que possua, uma rede social precisa ser popular. Só isso. E voltar aos tempos de glória, no Brasil, será uma tarefa quase impossível para o ICQ.

* Matéria publicada no Virgula

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