21 de set de 2009

S.O.S. séries


A série Chuck, que passa no Brasil pelo Warner Channel, esteve este ano na berlinda durante meses. A rede americana NBC, insatisfeita com a audiência da série, estava decidida a cancelá-la. Mas os fãs não deixaram: em uma campanha de marketing de intensidade nunca vista, conseguiram até um patrocinador para que a atração fosse renovada para uma 3ª temporada. O próprio protagonista de Chuck, Zachary Levi, aliou-se aos telespectadores para que o show não saísse do ar (leia entrevista abaixo). Foi a primeira vez que um ator agiu assim.

Quando se diz por aí que hoje são os telespectadores quem mandam na televisão, acredite. Com a internet, influenciamos diretamente a programação da TV. Mas vale lembrar que tal atitude não é novidade. Desde as cartinhas e dos telefonemas que o povo de casa atazana os profissionais da TV para que certo programa retorne ou para que tal personagem não morra. A diferença é que na web a mobilização é potencializada. Com as redes sociais, os fãs criam estratégias de guerrilha para ventilarem seus pedidos em fóruns, blogs, Twitter, Orkut, Facebook e afins.

O primeiro passo é criar um site que promova a campanha, com um abaixo-assinado. Depois, lota-se a caixa de e-mail dos executivos da emissora que exibe o programa que está prestes a ser cancelado. Daí vem a parte criativa. Para Roswell não ser cancelada logo no primeiro ano, fãs enviaram para a rede WB frascos de Tabasco, o condimento prediletos dos alienígenas da série. Funcionou! Para Jericho também ganhar uma segunda temporada, o delivery veio em forma de 20 toneladas de amendoins, direcionados aos escritórios da CBS. Mesmo resultado.

As atrações que provocam essas mobilizações têm em comum um grande apelo entre os nerds, a menina dos olhos da indústria do entretenimento. São fanáticos, que assistem a um show pela TV e pelo PC, compram seus DVDs e qualquer outro tipo de merchandising. E por serem aficionados por tecnologia, mobilizam-se na rede como ninguém. Exemplo: Dollhouse, da Fox, já tinha campanha virtual para não ser cancelada antes de estrear!

Eles pregam que o público assista mais à TV online. A alegação? Ao ver as séries pelos sites das emissoras, os canais terão uma real noção da audiência de um programa. The Office, que foi pouco vista em seu começo, quase foi degolada. Continuou na NBC porque era um hit de vendas no iTunes. "A internet tem uma aferição mais precisa", concorda Gabriel Priolli, Coordenador de Conteúdo e Qualidade da TV Cultura.

Em julho, Priolli viu uma campanha do blogueiro Ale Rocha (Poltrona) para que o programa teen Pé na Rua não fosse cancelado. Foram tantos e-mails recebidos que até o ombudsman do canal pediu para a atração continuar. Não rolou.

"Infelizmente, as manifestações só acontecem quando o programa sai do ar", diz Priolli. Questionado se uma ação à Chuck funcionaria no País, entusiasmou-se. "Se o público sensibilizasse patrocinadores para que recolocássemos programas antigos, a gente o faria com o maior prazer. É o público trabalhando com a TV pública."

Essa relação é boa para todos os lados. Na semana passada, estreou no SBT uma faixa nobre de séries, cujo horário saiu de uma pesquisa lançada pelo Twitter da diretora artística, Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos. Não dá para saber se o SBT é de fato "a TV mais feliz do Brasil". Mas já é uma das mais interativas.

Zachary Levi: 'Há mais nerds e geeks por aí do que bombadões'

SAN DIEGO - Chuck aprendeu com o baque que levou após quase sair do ar. E aprendeu ainda mais com a nova relação que a série terá com os fãs daqui para frente. "Basicamente tudo o que os fãs estão pedindo nós iremos entregar. Episódios para a internet, um episódio musical...", enumera Josh Schwartz, criador e produtor-executivo da série, que mistura espionagem com comédia. "Chuck é um tipo de show que depende da reação dos fãs, então temos de estar sincronizados com eles. Nossa responsabilidade aumentou muito após essa sinergia que foi criada", continua ele, em entrevista ao Estado durante o evento de cultura pop Comic-Con, em San Diego, na Califórnia.

O primeiro passo foi a criação do site ChuckMeOut (www.chuckmeout.com), um espaço para os fãs de Chuck debaterem sobre a atração, além de jogarem games e verem episódios online. Há dois meses no ar, a página registrou mais de 1 milhão de streamings – conscientes, os atores produziram um vídeo agradecendo a marca alcançada.

"Os nerds são um tipo de fã muito leal. O bacana é que eles são telespectadores sofisticados e muito inteligentes, sabem tudo sobre a história", diz o ator Adam Baldwin, que faz o agente John Casey. "É um tipo de fã que você consegue por merecer", resume Ryan McPartlin, o intérprete do Dr. Devon, vulgo "Captain Awesome".

A bela atriz Yvonne Strahovski, que tem o papel da agente Sarah Walker, conta a sua reação ao saber da campanha armada pelos telespectadores. "Os dois meses de indefinição foram muito difíceis. Então, quando vimos a reação do público foi tipo ‘uau’!", sorri.

A campanha para renovar a série da NBC criou abaixo-assinados na internet, enviou e-mails desesperados para todos os profissionais da emissora e, acima de tudo, veio com a diferente proposta de encontrar um patrocinador disposto a investir na 3ª temporada.

A empresa escolhida foi a rede de sanduíches Subway, que tinha feito uma ação de marketing em um determinado episódio do 2º ano para promover um novo lanche. O ator Zachary Levi (Chuck Bartowski) se mostrou disposto a conversar com os fãs desde o começo da ação virtual. Sua cartada genial aconteceu durante uma convenção na Inglaterra. Em vez de dizer algo ao público presente (200 pessoas), convocou-os até a Subway mais próxima, onde, literalmente, pôs as mãos na massa e fez sanduíches para o pessoal (confira o vídeo em http://tinyurl.com/chucksub).

O ator falou sobre a nova vida do seriado, que volta aos EUA só em março – e no meio do ano que vem ao Brasil, pela Warner Channel.

Sua adesão à campanha fez de você uma pessoa muito querida pelos telespectadores. Acredita que isso ajudou o programa a ganhar novos seguidores?

Espero que sim. Os atores de Hollywood têm diferentes atitudes, e não quero dizer qual é certa e qual é errada, mas, para mim, quanto mais você estiver envolvido e acessível, mais as pessoas irão te querer.

Para um fã, ver seu ídolo fazendo sanduíches a fim de ajudar a manter a série no ar foi o máximo, não?

Estava sendo eu mesmo ali, não estava interpretando meu personagem. Fui a um evento em Birmingham para conversar com os fãs e percebi que em vez de ficar ali parado, só falando, por que não sair e fazer uns sanduíches? Foram momentos e oportunidades únicas que passei (durante os dois meses). Hoje eu só tenho um trabalho porque eles (os fãs) nos amam. Dar uma resposta a eles é o mínimo que podia fazer.

Você diz ser um nerd com orgulho. Por que esse tipo de pessoa, seja um personagem ou um telespectador, vem fazendo tanto sucesso, a ponto de manter uma série no ar?

Porque somos pessoas reais! Há mais nerds e geeks por aí do que bombadões, não?

O nerd e o geek são um novo tipo de super-herói então?

Sim, é um novo tipo de super-herói! E também somos ótimos amantes.... (risos) Ah, e sabemos como consertar um computador!

* Matéria publicada no Estadão


Um comentário:

matt mcmillan disse...

Quando eu voltar do meu trabalho, uma das coisas que mais gosto é assistir algumas séries de TV americano. Sempre procuro qualquer comida por alguns delivery pela internet e assisto uma série.