8 de mai de 2009

Minha vida sem o Google*


Sempre comentei, com-um-certo-tom-de-brincadeira-mas-com-bastante-medo, que eu estaria morto se um dia eu perdesse minha conta do Google. Afinal, o que seria da minha vida sem o Blogger, o Orkut, o Picasa, o Gmail, Google Maps e o YouTube?

Ontem, quinta-feira, eu fiquei exatas 6 horas sem tudo isso. Não só eu, mas como a redação inteira do Estadão. Foi o apocalipse! Senti-me no filme Extermínio, mas de uma maneira virtual, se tal metáfora vale. No início, todo mundo fez brincadeiras quando eu berrei, assim que passou a minha primeira meia-hora de abstinência.

- Sem Google e YouTube? Acabou o jornalismo para mim!, decretei, levantando da mesa e jogando meu fone de ouvido no chão.

O crítico de cinema cinquentão que senta ao meu lado fez galhofa.

- Vou te colocar em frente à máquina de escrever e te mandar lá pro arquivo, para você ver o que era bom!

Sério, eu não sabia o que fazer. Pelo Twitter, descobri que o problema era fruto de um erro num roteador X. Mas descobri também que o problema aconteceu durante uma hora apenas, e não por seis! Aí bateu o nervoso. Eu precisava acessar meus documents do Google Docs! Ler os feeds do Google Reader! Montar a minha coluna de vídeos pesquisando no YouTube! Checar o Gmail de cinco em cinco minutos! Acompanhar os milhares de blogs do Blogger que são a minha leitura diária! Passar o olho no Google News! Conversar pelo Gtalk! Responder os scraps do Orkut!

Respira, respira, respira.

Tentei me virar do jeito que deu. Usei outros portais de vídeos, mas não era a mesma coisa. Fiz pesquisas pelo Yahoo!, mas não era a mesma coisa. O Messenger virou meu principal comunicador instantâneo, mas não era a mesma coisa. Foi muito estranho, eu não parecia estar trabalhando. Pior, eu não parecia estar vivendo!

Do meu lado, o crítico de literatura bufou e fez a incrível pergunta:

- Existe outro buscador que eu possa usar?

Não aguentei.

- Tenta o Cadê? ou o AltaVista!

(o pessoal do caderno de tecnologia riu muito ao ouvir essa)

O crítico de música clássica também desabafou, alguns minutos depois.

- Ca-ra-lho, eu quero entrar no meu Gmail! Tá todo mundo perguntando se eu li tal e-mail e eu não sei de nada!

A sensação era essa mesma, de abandono. Ficava de cinco em cinco minutos dando F5 nas malditas ferramentas criadas - ou compradas - por Larry Page e Sergey Brin. E é incrível como a minha vida depende dessa turma. Ficar sem algo do Google foi o equivalente a ficar offline, mesmo estando online (?). Muito louco! Simplesmente eu estava perdido, olhando com uma cara de peixe morto para o monitor. E, pasmen, o pessoal ao meu lado começou a ir embora. Aquele crítico de literatura foi para casa - ele realmente precisava usar o buscador do Google, checar o seu Gmail e falar com suas fontes no Google Talk. O de música clássica fez o mesmo mais tarde.

(eu não cheguei a tant, porque estava em fechamento e não podia vazar, mas o teria feito, admito)

Quando "o sistema" retornou, rapidamente chequei toda a minha vida googliana e quer saber? É claro que durante aqueles 360 minutos não aconteceu nada demais - apenas a minha coluna do jornal ficou um pouco atrasada e eu precisei responder a um mero e-mail com urgência.

Não sei se essa experiência faz do Google um mal necessário. Só posso dizer que fiquei assustado pra cacete, isso sim.

* Gustavo ainda não se rendeu ao Chrome porque é Firefox Futebol Clube, e tem certeza de que seu próximo celular será um que tenha o sistema operacional Android, do... Google! Este texto foi feito no Google Docs e salvo no Gmail, porque eu tive uma festa ontem à noite - cujo endereço eu chequei no Google Maps. A foto foi encontrada no Google Images e editada no Picasa. E tudo foi publicado na manhã de hoje no Blogger, obviamente.

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