7 de abr de 2008

Já elvis?

A notícia mais foda da semana passada foi o lance de que a loja que mais vende música nos Estados Unidos é o iTunes, da Apple. Uma loja di-gi-tal. Louco, né?

Ou não: alguém ainda compra CDs? Eu comprava até o ano passado – e um monte. Mas aí, após adquirir mais de 30 CDs em 12 meses, me toquei de que o que eu faço hoje é comprar um CD apenas para colocá-lo na minha coleção pessoal. Eu nem escuto ele. Chego em casa, abro o plastiquinho, olho o encarte (cada vez mais pobre, por sinal), tiro o disco e o coloco no computador. Transfiro as faixas para o iTunes e depois as passo para o meu iPod. Pronto.

Tem uma penca de CDs empoeirados no meu quarto que eu nunca peguei para escutar. Sabe pegar o disco e colocá-lo na bandeja do aparelho de som? Neca. Hoje eu pego o iPod, um plug banana, e ligo uma ponta do cabo no meu tocador portátil e a outra na entrada auxiliar do aparelho de som. É assim que eu escuto música na minha casa.

Por isso não compro mais CD.

Outro dia eu me toquei de outra coisa: ainda existem locadoras de games? Poxa, há uns 10 anos esse tipo de comércio bombava. Com todo mundo destravando o seu PlayStation, as lojas alugavam disquinhos gravados por uma pechincha. Você ficava semanas com o game – piratão - em casa. E depois devolvia.

Hoje a molecada compra no camelô. Alugar para quê? Por R$ 10 o jogo é seu. Outra opção, para quem tem uma internet boa, é baixá-lo pelo Torrent, que é o que eu faço quando quero jogar alguma coisa diferente no meu PS2. Novamente: o jogo é seu.

Música eu não compro mais: baixo. TV eu vejo muito mais pela internet – Lost eu só assisti a primeira temporada pela televisão. Games? Baixo também – comprar é a ultima opção, mas no mercado ilegal. A única coisa que eu ainda sou old school é para ver filmes: o trouxa aqui adora locadora e não dispensa o escurinho do cinema – apesar de ambos serem hobbys cada vez menores, pois pagar R$ 8 para alugar um filme e R$ 20 numa sessão de cinema são dose.

E só faço isso porque eu tenho o maldito hábito de assistir a quase tudo com legenda em português – até filme brasileiro. Depois de 18 anos acompanhando filmes e seriados desse jeito, não consigo prestar atenção direito naquilo que é exibido na tela sem eu ler aquelas letrinhas amarelas. E olha que acho meu inglês bom!

Mas daqui a pouco os internautas brasileiros legendam filmes poucas horas depois de sua estréia na gringa, e aí já era. Se já fazem isso com um seriado de 1 hora, não duvido de nada.

Fico aqui pensando: nos EUA, com a crise da indústria cultural, elas estão sabendo se virar com as ferramentas digitais. Mas e aqui no Brasil, onde a pirataria é quase regra? Locadoras de games não existem mais; as de filmes estão mal das pernas – mesmo as grandes cadeias, como a Blockbuster, que é obrigada a vender bonecos e chocolates das Lojas Americanas em suas unidades. Lojas de discos? Só nas megastores, que também comercializam livros e outros eletrônicos. Lojas exclusivas de músicas sobrevivem fazendo baciadas de CDs por R$ 14, 90, o que é curioso, pois agora um CD só começa a ser vendido mesmo no Brasil passados um ou dois anos de seu lançamento.

Há alguns meses, no TOP 5 de vendas da seção de música da Fnac da Av.Paulista estavam 4 CDs da Marisa Monte – dois da década de 90 e o duplo que ela lançou em 2006. Eles custavam cerca de R$ 16 cada.

Resumindo: no Brasil, ou barateia tudo ou já era?

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