12 de mar de 2008

No mundo da lua

De tão cansado de esperar chegar em DVD aqui no Brasil, baixei há cerca de dois meses o filme Sonhando Acordado (Science of Sleep, 2006), de Michel Gondry. Quem me conhece sabe que sou paga pau do diretor francês, e que foi ele o "muso inspirador" que me levou a escrever o meu trabalho de conclusão de curso sobre a história do videoclipe.

Fiquei com o DVD-R do filme guardado no meu armário por todo esse tempo, esperando o momento certo de assisti-lo. Precisava estar inspirado, no clima, pois digerir Gondry não é fácil, já que depois fico horas e horas acordado sem conseguir pregar os olhos, tamanho o rebuliço que as filmagens desse artista me provoca.

Acabei de ver o filme agora pouco e, caramba, não consigo expressar o que senti ao vê-lo. Definitivamente é um trabalho inferior à Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, pois o seu grande ponto fraco é o roteiro, confuso demais até para o mundo de Gondry. Mas confesso que nunca vi ele acertar tanto na sua proposta de transformar imagens em poesia.

Eu adoro sonhar, imaginar, e esse é o grande motivo que me faz gostar de Gondry. Desde pequeno tenho mania de tentar interpretar meus sonhos. Faço isso até hoje, assim que acordo. Eu entro no chuveiro e começo a devanear, tentando buscar nas metáforas de meus sonhos uma explicação real para eles terem acontecido. 24 horas depois eu esqueço tudo, infelizmente. Acho que aí mora o fascínio sobre o sonhar.

E Gondry é um grande sonhador. Suas publicidades, videoclipes e filmes mostram isso. Não é fácil sentar e compreender aquilo que é exibido na tela, afinal, nada ali costuma fazer muito sentido, já que a imaginação se mistura com a realidade. Mas... todo sonho não é assim também? Quem nunca sonhou coisas bizarras e ficou impressionado em como a sua imaginação foi longe? Ou teve um sonho tão maluco e indescritível que, depois de acordar, ficou uns bons minutos no colchão fechando os olhos para tentar retomá-lo? Gondry faz, filmando, tudo isso que a gente tem (teve) vontade.

Confesso que achei o filme razoável, o que me chateou bastante, mas ele mexeu bastante comigo. Acho louvável ter hoje um cineasta que se arrisque tanto como o Gondry. É difícil ver no cinema atual obras de arte que mexam com o inconsciente do espectador, e Sonhando Acordado, apesar de seus defeitos, como o já falado roteiro e a falta de carisma do casal da história, consegue esse feito com maestria.

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