21 de dez de 2005

De volta aos anos 90

O jornalista Daniel Piza, há algum tempinho já, alertara-nos sobre um fato deveras curioso: de como uma década revive a outra de duas décadas atrás. Ilustremos essa teoria. Minha mãe, por exemplo, dizia-me que o must de sua época, anos 70, era fazer festas baseadas na década de 50. Quem não se lembra das milhares de festas hippies feitas nos anos 90? Aquela tentativa de recriar símbolos e idéias setentistas, como "Paz e Amor" e até um Woodstock, lembram? E, agora, ano 2000, vê-se essa onda ululante pelos anos 80. Voltaram os sintetizadores, ternos com ombreiras e pop-stars destinados ao ostracismo, como Léo Jaime e Sidney Magal. É realmente interessante a mania de viver no presente o que foi moda há 20 anos.

Se seguirmos essa linha de pensamento, em 2010 estaremos celebrando o que ocorreu de 1990 a 2000. Assustador, né? Pensar que Blossom Russo e Fantasia serão cultuados, com seus logos estampados em camisetas moderninhas vendidas na Banca de Camisetas. E eu já me aterrorizo hoje mesmo, após me deparar com um CD em meu armário, enquanto fazia uma faxina básica, daquelas coletâneas que nós gravamos com nossas músicas prediletas, com o singelo nome de "90's".

Fiquei confuso, pois não me lembrava disso. Limpei o disco e o inseri no som. Demora um pouco a leitura, é claro. Logo depois os primeiros acordes de "Groove Is In The Heart" ecoam pelo quarto. Ok, podem falar, mas essa música é demais! Pulo de faixa e ouço "What's Going On", do fatídico Four Non Blondes. "Tudo música de Joven Pan!", pensa o leitor. Errado. O resto passa por Breeders, Elastica e Hole. Nossa, como eu era metido. Isso até eu apertar foward e me deparar com "More Than This" do 10.000 Maniacs, seguida por "Over My Shoulder" do Mike and The Mechanics. Meu quarto parecia ter entrado no túnel de tempo. Eu estava em 1995, curtindo a trilha sonora de Malhação.

O resto assustou ainda mais. "I'm Free" do The Soup Dragons e algo do The President Of The USA. Gente, alguém ainda lembra disso? A seguir, Chumbawamba e Sugar Ray. Como eu gostava disso! , sorrio. Tamanha é a diversa, que me vejo todo empolgado com "I Touch Myself", do Divinyl's. Mais eis que surge um Bom Jovi com "Miracle". Abaixo o volume e tenho vontade de cavar um buraco no chão, tamanha é a breguice!

Desligo o som e morro de medo pelo o que ainda há por vir. Não me assusto se tiver naquele CD algo da Laura Pausini - "La Solitudine" embalou demais os meus primeiros bailinhos.

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