30 de ago de 2010

'Jackie nunca poderia ser a esposa de Tony Soprano', brinca Edie Falco


Edie Falco é uma das atrizes mais importantes da TV americana deste século. Dona de três prêmios Emmy, a eterna Carmela de “Família Soprano” volta nesta noite a maior premiação da TV americana com uma personagem muito diferente da esposa do mafioso Tony Soprano.

Sua enfermeira Jackie não tem o cabelo armado nem jóias ostentosas, mas um corte moderninho e uma humilde aliança na mão esquerda – que esconde ao marcar seus encontros sexuais com o farmacêutico do hospital, que lhe fornece os remédios do qual é viciada.

“Tenho de dizer que tenho sorte, estou sempre melhorando. Sempre acho que estou em algo ótimo, mas daí vem algo e supera. Tenho muitos amigos da minha idade que não conseguem se sustentar como atores. Sou muito agradecida”, diz a atriz ao G1, em entrevista por telefone.

No Emmy 2010, que será transmitido ao vivo no Brasil pelos canais fechados AXN e Sony a partir das 20h, tanto Edie quanto “Nurse Jackie” concorrem em categorias importantes – melhor série cômica e melhor atriz de comédia, no caso.

Os holofotes devem estar direcionados para “Glee”, “Mad men”, “Modern family” e “The pacific”, os favoritos da noite, mas com Edie sempre é bom não brincar. Ela não é favorita ao prêmio que disputa com feras como Tina Fey (“30 rock”), Toni Collete (“United states of Tara”) e Julia Louis-Dreyfus (“The new adventures of old Christine”), mas sua personagem é muito significativa por representar um modelo de protagonista em moda na televisão dos EUA: o anti-herói.

Sua personagem cativa mesmo sendo uma figura socialmente errada - esposa infiel e viciada em drogas. “As pessoas estão cansadas do ideal perfeito do herói, então entendem muito mais os defeitos do anti-herói. O público em geral está mais aberto, existe hoje uma mudança de apetite, diria”, explica Edie, que ri ao ser perguntada sobre qual é o segredo de uma enfermeira nada vaidosa (e grosseira) que, em certo momento do programa, é cortejada por três personagens.

“Os roteiristas vieram com essa [história], não sei”, ri. “Acho que há algo atraente em alguém que não se parece com ninguém. Isso tende a chamar a atenção. Jackie é ótima no que faz, é confiante, faz tudo rápido e bem”, resume.

Questionada então se Jackie poderia ser esposa de Tony Soprano, Edie novamente acha graça. “Ela nunca poderia ser a esposa de Tony, nem em 1 milhão de anos! Ela é o oposto do tipo de mulher que ele gosta. Ela não se importa muito com o visual, vai para o trabalho e pronto. E também não liga para o que os outros pensam dela”.

'A TV me dá o que preciso'
Na 2ª temporada de “Nurse Jackie”, exibida no país pelo canal a cabo Studio Universal, Jackie sofre ainda mais com os conflitos de se levar uma vida dupla. “Sua vida pessoal que sofre com seus vícios, não sua habilidade profissional”, acredita Edie. “Acho que Jackie precisaria ir à terapia e, claro, parar com as drogas. Fazer os 12 passos do AA (Alcoólicos Anônimos) ou algo assim. Mas acho que ela nunca vai fazer isso”, ri.

A atriz diz não acreditar que “Família Soprano” possa render um filme, como se especula há tantos anos. Comenta até que ficaria surpresa se isso um dia se tornasse verdade – e aproveita para explicar que não ficou presa à Carmela após o fim da premiada produção do HBO, que ficou no ar entre 1999 e 2007.

“Quando acabou, acabou. Sinto o mesmo em relação a Jackie: sou ela no set, mas quando a gravação acaba, em minha casa sou apenas Edie, a mamãe”, explica a atriz, mãe de dois filhos adotivos.

Após “Sopranos”, Edie se arriscou no teatro e no cinema. Mas não tem jeito, parece que ela foi feita apenas para o tubo, hoje LCD e plasma – em 2008, inclusive, ela foi indicada ao Emmy pela sua participação especial na comédia “30 rock”.

“Minha experiência pessoal diz que os papéis que acho mais interessantes estão na televisão. No cinema eles são sempre estereotipados, parecem com algo que já fiz e isso não me atrai. Voltei para a TV porque ela me dá o que preciso”.
 # Matéria publicada originalmente no G1