1 de jun de 2009

"Nosso objetivo é virar o Adriano Imperador"

A Entrevista de Sábado desta vez, que está sendo publicado, para variar, numa segunda-feira, é com os meninos da Badalhoca (já que agora eles estão na MTV, preciso dizer essa apresentação clichê hehe).

Sou fã do trabalho do Erik Gustavo e do Ronald Rios. Não gosto muito de entrevistar amigo, mas com esses dois a pauta sempre rende. Nosso bate-papo também saiu no Virgula, mas vocês podem lê-lo por aqui, com uma pergunta a mais que ficou de fora por lá.

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A Badalhoca é o melhor exemplo brasileiro da chamada "Geração YouTube". Formada há quatro anos por dois estudantes recém-formados do Ensino Médio, que resolveram usar o portal de vídeos do Google para mostrarem suas veias humorísticas, a produtora independente carioca foi criando um público cativo na rede, que pegava os seus vídeos de comédia e os espalhava pela web num tremendo potencial viral.

No case de sucesso de Erik Gustavo e Ronald Rios estão o curta "Você Devia Jogar Basquete", a série "Com a Palavra, Ronald Rios" e uma paródia de uma recente publicidade da Skol, que resultou numa censura por parte da cervejaria.

Como reconhecimento do bom trabalho da dupla, eles foram contratados pela MTV em outubro do ano passado.

Vamos lá?
Ronald Rios: Seja breve, tô saindo pro Projac já, já.

Erik Gustavo: Meu Frappuccino chegou?

Pergunta clássica: como vocês começaram a produzir os vídeos para a web?
RR: Já contei essa história umas 20 vezes... Imprensa preguiçosa! Ela começou com o Erik ali em 2005, 2006, não sei bem. Aí, no final de 2006, eu mandei um projeto dum vídeo para ele e aí eu "joinei" a coisa. Eu achava que a Badalhoca fosse algo maior quando entrei, mas era só ele. Todo mundo pensa que é algo maior, mas nem CNPJ tem.

EG: Até então eu só chamava alguns amigos pra gravar algumas coisas, nada com roteiro. Aí o Ronald tinha um site, Rock de Índio, que eu acabei pedindo pra entrar, colaborar e tal. Daí um belo dia a gente tava conversando sobre esses vídeos e ele tinha uma ideia para um roteiro. Funcionou bem, a gente encontrou uma dinâmica. Daí foi só festa...

RR: .. praia, maconha e comer todas as burguesas em Fernando de Noronha.

Como vocês eram estudantes, que tinham as tardes livres, podiam passar o dia todo se dedicando aos vídeos, não?
RR: Mais ou menos. Eu tinha terminado o Ensino Médio há quase um ano e não tinha entrado na faculdade. Eu não trabalhava nem estudava, então literalmente tudo que eu tinha era fazer os vídeos.

EG: Eu já trabalhava. Pai de ninguém pagou por nenhuma "fita" nossa. Até porque o pai do Ronald abandonou a família né?

RR: Eu tinha um blog bem sucedido, mas isso nunca ajudou ninguém. Eu só ganho brindes (risos). Hoje uma agência me ofereceu um Nike, que sucesso!

EG: Eu tinha um blog mal sucedido.

O vídeo de "Você Devia Jogar Basquete" foi o que pôs a Badalhoca no mapa?
RR: Foi sim e posteriormente com o "Com a Palavra...". Gerou mais matérias e tal.

E recentemente teve a polêmica da Skol, que deve ter mais ajudado vocês do que atrapalhado
RR: Foi melhor ainda, gerou discussão. Quem não veria o vídeo, viu. Fiquei sabendo que reformularam a campanha, agora os comediantes contratados estão fazendo stand-up pra uma plateia de verdade, que nem sempre ri.

EG: Fico feliz que nossas produções surtam efeito positivo na vida das pessoas...

Atrapalhou muito o fato de no começo vocês fazerem muito sucesso, serem alvo de várias entrevistas, mas ao mesmo tempo não ganharem nenhum dinheiro com os vídeos?
RR - Cara, um pouco... A gente entendia que era assim que funcionava, a gente estava mostrando a nossa comédia. Sabia que se continuássemos fazendo as pessoas rirem, uma hora íamos receber para isso. E hoje recebemos! Pouco, mas já recebemos... Acabei de comprar um home theater em 12 parcelas. Pretendo pagar só a primeira.

EG: Sempre pensei em fazer a parada pela graça toda, pelo movimento! Da grana que eu recebia/recebo com meus frilas e trabalhos, sempre guardei uma parte para investir em equipamento. "Dinheiro é consequência" - Erik Gustavo.

RR: Depois da MTV fizemos vídeos promocionais para a "Revista M..". e para a grife Reserva. E agora estamos avaliando outras propostas que surgem sempre. Avaliando: aceitando e esperando aceitarem de volta.

A MTV tem olhado bastante para os novos talentos que surgem na web e depois os integram para a sua programação. Vocês sentem que os canais de comunicação estão se abrindo para essa "geração YouTube"?
RR: As mídias tradicionais daqui estão se abrindo muuuito pouco. É bem pouquinho. Só a MTV que é boa mesmo nisso. Nem falo por trabalhar para eles, mas é a verdade. Se você faz sucesso na web, a MTV vai atrás de você. Eles estão ligados no que é bom no www.

Estão conseguindo pagar as contas após terem entrado na MTV?
RR: Cara... É aquela história: a gente tá crescendo lá dentro. O que eles pagam é um incentivo ainda. Futuramente vamos enviar 2 pilotos (um programa de variedades e uma versão do "Com a Palavra") para termos nosso próprio programa mesmo e aí a gente vai ver o que é. Recebemos um dinheiro que mantém a gente com a cabeça no jogo e nos evita de, sei lá, prestar concurso público.

EG: A gente é tipo o Vasco na 2ª divisão: tá todo mundo ganhando pouco, mas cada um tá dando seu melhor pra chegar na elite.

RR: (Risos) Mas o objetivo é virar o Adriano Imperador: se envolver com umas vagabundas e voltar para a favela.

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