20 de jan de 2009

No Estadinho

Cinema (quase) real

Você provavelmente não se lembra da época em que os filmes com efeito 3D faziam grande sucesso. Era divertido ir com os pais e amigos ao cinema, colocar aqueles óculos quadradão (com uma lente azul e a outra vermelha) e ver monstros e objetos saindo do telão e vindo em nossa direção. Aliás, que atire o primeiro balde de pipocas quem nunca esticou os braços e tentou agarrar um animal exibido em terceira dimensão.

Pois saiba que esses filmes estão de volta – e com tudo! Nesse ano, várias animações e longas-metragens chegarão aos cinemas em 3D. O desenho Bolt - Supercão foi o primeiro. Em fevereiro chega Coraline, que é todo em stop motion (o filme é fotografado quadro a quadro. E as imagens, colocadas em sequência, ganham vida). Em abril, será lançada a animação Monstros vs Alienígenas, da turma da DreamWorks. Em julho, teremos Era do Gelo 3!

Para os fãs dos meninos roqueiros do Jonas Brothers, a novidade de março é um show deles todo em terceira dimensão.

De olho nessa onda, São Paulo acaba de se tornar a primeira cidade brasileira a ganhar uma sala IMAX. Legal, né? Essa grande safra de títulos só é possível graças a nova tecnologia usada nos efeitos 3D. Tudo agora é digital e os óculos são invocados, com as lentes escuras – chamadas de polarizadas. Nos filmes antigos, exibidos em terceira dimensão, as imagens não eram nítidas, muito menos salas de cinema com tal tecnologia no Brasil –, é bem diferente (saiba mais, abaixo). Mas por que os filmes em terceira dimensão estão na moda?

É que perceberam que o 3D é um jeito de fazer as pessoas recriarem o hábito de ir ao cinema, uma diversão cara: a entrada custa quase R$ 20, e uma simples pipoca R$ 5!
Além do mais, a indústria do cinema perde bastante dinheiro com a pirataria: DVDs vendidos em banquinhas de camelô, por exemplo. Essa é a razão das salas de cinema estarem mais e mais caprichadas, com sons e imagens de alta qualidade. É uma experiência que não pode ser reproduzida em casa.

Até alguns anos atrás, assistir a algo em 3D, com aqueles óculos de papelão, era um convite para a dor de cabeça e enjoos. Com a tecnologia atual, ninguém mais passa mal!

Antes

A antiga tecnologia 3D funcionava assim: cada tira de filme recebia duas camadas de cor – uma vermelha e a outra azul (ou verde). Por isso que para assistir a filmes assim era necessário aqueles óculos com lentes coloridas. Essas lentes forçavam os nossos olhos a enxergar as seções vermelhas e azuis das imagens. Era um truque para o cérebro, que interpretava o que era exibido na tela como algo em terceira dimensão. Como assim? É que nós, humanos, temos visão binocular, ou seja, cada olho enxerga uma imagem diferente. O nosso cérebro é que as combina em uma só.

Depois

O 3D Digital também tem os seus truques para enganar a nossa visão. Em vez de cores, usa a polarização da luz. Não entendeu? Calma! Lentes polarizadas servem para filtrar as ondas de luz que são alinhadas em uma mesma direção. Com os óculos 3D, cada lente é polarizada de maneira diferente. É por isso que no 3D Digital são usados dois projetores: um para o olho esquerdo e o outro só para o direito. Quem tentar ver esse filme sem a lente especial, enxergará tudo embaçado. Ao pôr os óculos, nosso cérebro (sempre ele) lê essas informações como se fosse uma imagem tridimensional.

Você vai se sentir dentro do filme

Ignore tudo o que você já viu antes em cinemas 3D. Uma sala IMAX leva a experiência de enxergar uma imagem tridimensional a outro nível. A sensação que se tem é de entrar dentro da tela. Tela, aliás, que não é um mero telão, é um “telãozaço”. Na sala IMAX, inaugurada ontem no Shopping Bourbon Pompeia (em São Paulo), a tela tem 14 metros de altura por 21 m de largura. É impressionante, vai quase do chão ao teto! Dá para ver o filme bem de qualquer assento. Os mais baixinhos vão matar a curiosidade de como é ir a um cinema e sentar no fundão.

Os óculos (de lentes polarizadas) utilizados parecem uma máscara de mergulho, o que casa bem com o filme que está em cartaz: o documentário biológico Fundo do Mar 3D.

O resultado é um barato. Uma moderna câmera subaquática filma peixes, tubarões e polvos gigantes com uma excelente qualidade. O espectador se sente debaixo do oceano mesmo, com os peixinhos nadando na frente de seu nariz e peixões flutuando acima de sua cabeça.

Há momentos bonitos, como a dança das água-vivas no escuro e o “momento limpeza” das barracudas com “peixes faxineiros”. Lógico que também há imagens (um pouco) assustadoras. Tem uma cena em que uma lula dá uma mordida na câmera. Daí é difícil não apertar o braço da pessoa sentada ao seu lado (eu fui um alvo). O som também é muito legal!

A primeira sala IMAX brasileira é um ótimo passeio para quem estiver em São Paulo. Uma entrada inteira custa R$ 30. Caro, é verdade. Mas a experiência realmente vale tudo isso.

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