6 de dez de 2008

Os videoclipes de 2008

Entonces, finalmente solto a lista dos clipes musicais mais legais deste nobre ano. Como sempre, não faço a seleção apenas tendo como olhar um vídeo surpreendente, cult e artístico. Escolhi os que acho bom e pronto. Já imagino que nos comentários desse post terá neguindo dizendo: "E Pork & Beans, do Weezer, cadê?"


Então... No ano passado, o Barenaked Ladies já teve a mesma idéia de reunir celebridades do YouTube no clipe de Sound of Your Voice. Então não vou pôr a cópia da turma do Rivers Cuomo, combinado?

Lá vai...


10) Radiohead - House of Cards (Dir: James Frost)

O quê? O chocrível-vanguardista-fodástico clipe de House of Cards apenas na 10ª posição? Sim, pois é. De fato, a tecnologia do vídeo é bem legal: para gravá-lo não houve câmeras ou iluminação e sim um tal de Google Code, que, a partir de sensores laser colocados no corpo do Thom Yorke, captou as informações na linguagem holográfica e transformou tudo em 3D. Não entendeu nada? Eu também. Mas, enfim, o que importa é o visual viajandão e diferente.



9) Beyoncé - Single Ladies (Dir: Jake Nava)

Já cansei de dizer por aqui que adoro clipes de dança. Principalmente aqueles que trazem coreografias novas e não seguem o bê-a-bá que Jacko deixou lá nos anos 80. Single Ladies foge desse lugar comum. Beyoncé e duas dançarinas, todas trajadas de maiô escuro e se equilibrando num baita salto alto, requebram, descem até o chão e fazem joguinhos com as mãos numa energia incrível! Eu me sinto cansado só de vê-lo... A fotografia do clipe também é ótima, um p&b que não soa batido, e pouco se vê os seus cortes da edição, o que dá a impressão de plano seqüência. Só não gostei desse lance Robocop, de deixar a Beyoncè meio ciborgue. Não precisava, né?



8) Arcade Fire - Black Mirror (Dir: Olivier Groulx & Tracy Maurice)

No ano passado, o Arcade Fire surpreendeu com o clipe interativo de Neon Bible: com alguns comandos no teclado, o internauta é quem fazia acontecer a ação do vídeo. Em Black Mirror, a experiência é repetida. Agora, os números do teclado podem mudar a velocidade da faixa, tirar o som de algum instrumento... Curioso. O chato é que cansa depois da terceira vez...



7) 3 Na Massa - Certeza (Dir: Marcela Lordy)

Nunca senti algo pela Leandra Leal. Sempre a achei chata, metida a intelectualóide e chineluda (quem mandou ser casada com o líder do Cordel do Fogo Encantado?). Nem o filme Nome Próprio, em que ela pratica nudismo indoor em 90% das cenas, provocou-me. Mas, amiguinhos, o que é ela nesse clipe? Encarnando uma femme fatale, Leandra esquenta a tela do monitor fácil, fácil. São apenas 1min 22 dela sussurrando em francês e fazendo caras e bocas para a câmera. Cabelo, maquiagem, iluminação... Não mudaria nada, com Certeza (não consegui evitar o trocadalho!).



6) Justice - Stress (Dir: Romain Gravas)

Dá safra das novas bandas atuais, o Justice felizmente é uma das poucas que se preocupa com a estética de seus videoclipes. Após dois clipes cheios de referências pop, para a atormentada Stress a dupla francesa escolheu a dedo Romain Gravas, que filmou um curta de 7 minutos intencionado a mostrar a tensão socio-racial que existe na França. Se não bastasse a música já ser bem desconfortante, Gravas deixa tudo ainda pior ao seguir os passos de uma "gangue de excluídos" que promove uma quebra-quebra pelas ruas de Paris. Achei tosca toda a polêmica em torno do trabalho, "que ele glamouriza a violência..." Também é um exagero chamá-lo de "Laranja Mecânica do século 21".



5) Mariah Carey - Touch My Body (Dir: Brett Retner)

Vou perder alguns leitores com essa, mas dane-se. Eu amo o clipe de Touch My Body. Além da música já ser um um pop grudento dos bons, ela ficou ainda melhor após o seu clipe. Para mim, é isso que faz um videoclipe ser foda. É cada vez mais raro assistir a um clipe engraçado e nesse eu ri o tempo todo. Não estou falando do "momento unicórnio da Mariah", mas de Jack McBrayer (30 Rock), que mata a pau como o técnico de informática da CompuNerd. Os momentos dele jogando Laser Shot e Guitar Hero com a diva são impagáveis, mas a minha cena predileta é quando ele a vê na porta da casa e diz, engasgando e imitando o agudinho clássico da cantora: "Mariah? Mariah Careyouuááá!"




4) Hot Chip - Ready For the Floor (Dir: Nima Nourizadeh)

Nima é o meu novo diretor de videoclipes predileto. Nos últimos três anos, ele tem feito uma penca de trabalhos admirável, sempre com sua assinatura característica: o visual colorido, fantasioso e onírico que transborda a tela e me lembra demais Michel Gondry (acho que é por isso que gosto tanto de seu estilo, plasticamente incrível). Escolhi para o Top 10 Ready for the Floor, do Hot Chip - banda que, para mim, melhor trabalha com Nima (vide Over and Over). Adorei a idéia de dividir tudo pela metade: o vocalista fantasiado de metade Coringa, as dançarinas com roupas metade sombra, metade luz...




3) Kraak and Smaak - Squeeze Me (Dir: Andre Maat & Superelectric)

Eu sou um grande fã de flipbooks. E por isso adorei o clipe Squeeze Me, dos holandeses Kraak and Smaak. As imagens do vídeo, sempre estáticas, só ganham movimento quando uma mão que segura um flipbook entra em primeiro-plano e começa a virar suas páginas. A ação pode ser um balão subindo até a parede ou mesmo um homem descendo as escadas. Idéia muito divertida e criativa.



2) Gnarls Barkley - Who's Gonna Save My Soul (Dir: Chris Milk)

Taí o clipe que mais me impressionou nesse ano. Quando o vi pela primeira vez, lembro que fiquei alguns segundos pensando na vida após acabá-lo. E foi um tiro para logo dar play e assisti-lo novamente por mais algumas vezes. Na história, um casal conversa em uma lanchonete e a garota está terminando com o rapaz. Ela começa com aquele papo" não é você, sou eu" e, do nada, ele pede um prato extra, enfia uma faca no peito, arranca o seu coração e o entrega para ela. O diálogo que segue essa cena é incrível e traduz toda a metáfora de se sentir "hearthless".



1) BPA (feat. David Byrne & Dizzee Rascal) - Toe Jam (Dir: Keith Schofield)

Fatboy Slim sempre teve videoclipes ótimos, então com seu projeto musical Brighton Port Authority não poderia ser diferente. O clipe é genial: em uma casa, diversos amigos começam a tirar suas roupas, dando a idéia de uma suruba pela frente. Mas, ei, aqui não rola sexo nem nudez: seios e até gestos mal-educados são censurados por uma tarja preta. A grande sacada do diretor foi brincar e criar coreografias com essas tarjas - meu momento predileto é quando as pessoas "jogam" Pong. É um vídeo que faz sucesso em qualquer mídia (quando ele estreou, logo virou um imenso viral e até surgiu um hoax na internet comentando que ele teria uma versão sem as tarjas). Pura besteira.



* Lykke Li - I'm Good I'm Gone (Menção Honrosa)

Muito bacana a atitude do Pitchfork, que em sua tradicional lista de melhores clipes do ano colocou desta vez alguns vídeos que não são clipes. Isso me inspirou a deixar aqui uma ótima performance acústica de I'm Good I'm Gone, da Lykke Li (eu estava louco para colocar algo dela nessa lista). Cheia de energia, Lykke faz uma tremenda jam com a cantora Robyn e outros músicos. Contagiante!

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