10 de nov de 2005

Dicotomia

Os dois lados de "Atoladinha", música de pancadão entoada por Tati Quebra-Barraco e Mc Bola de Fogo:

O lado engraçado

Ônibus lotado, volta para casa. Silêncio, pessoal se acotovelando, todo mundo olhando para o trânsito parado do outro lado da rua. "Piririm piririm piririm alguém ligou pra mim! Piririm piririm piririm alguém ligou pra mim!".
Todos começam a rir. No fundo do ônibus, sentada e com o rosto vermelho, a dona da música se agacha para atender ao celular.

O lado triste

Saída da faculdade, hora do recreio (ok, intervalo!). Enquanto eu e a Irena esperamos para atravessar a rua, uma van, com um monte de crianças a bordo, cantarolam algo. O automóvel passa rápido, mas mesmo assim conseguimos ouvir uma garota cantar: "Vai me enterrar na areia?". E um coro de vozes masculinas juvenis respondia: "Não, vou atolar!". A garota repetia mais uma vez a sua frase, assim como os garotos, que pareciam não ter mais que oito anos.

Esboço um sorriso, assim como a namorada. Ela comenta:

- Meu, nessa idade eu ficava cantando no ônibus escolar "O fulano roubou pão na casa do João".

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