24 de jul de 2005

Você ligou...


Eu sempre quis ter uma saudação na secretária eletrônica que fosse engraçada. Daquelas que os amigos ouvem e, assim que forem deixarem o recado, estariam dando risada e comentando: "Só você mesmo!". Mas eu insisto em deixar saudações sérias e curtas. "Oi! Você ligou para o Gustavo, mas no momento eu não posso atender...".

Admiro quem seja criativo. Tem gente que canta, solta os cachorros... Coragem, diga-se de passagem. Ano passado, quando eu ganhei um "celular 11", prefixo de São Paulo, fiz uma saudação que terminava assim: "Esta mensagem de auto-destruirá em três, dois, um... Piiii!". Tinha me achado o máximo. Coincidentemente, no mesmo dia eu mandei um currículo para uma vaga de estágio. Daí eu pensei comigo mesmo: eu contrataria ou chamaria para uma entrevista alguém que tenha uma saudação ridícula dessas na secretária eletrônica? Pelo sim e pelo não, resolvi apagar e continuar com: "Você ligou para o Gustavo, mas no momento eu não posso atender...".

Uma vez eu precisava da ajuda de um colega de trabalho para agendar uma entrevista. Ele, o colega, não respondia aos meus emails, mas eu consegui o número do telefone da casa dele e fiquei ligando direto. Só chamava. Na terceira tentativa deixei um recado. De repente escuto o Marcelo Camelo cantando: "Olha lá, quem vem do lado oposto vem...". Só não foi pior porque eu gosto do Los Hermanos. Detalhe: o garoto dividia o apartamento com outro cara, daí os dois cantarolavam a canção e pediam para deixar o recado, todos serelepes. Nem preciso dizer a primeira impressão que eu tive do sujeito.

O meu pai era o mais chato para gravar uma saudação na secretária eletrônica. Chegava a fechar as janelas da sala - para não ter nenhum som vindo da rua - e mandava todos nós calarmos a boca. Gravava uma, duas, três vezes. Nunca ficava satisfeito. "Está com chiado", reclamava o João Gilberto. Daí pressionava rec e dizia, com uma voz à la Tim Maia: "Você ligou para número tal...".

Mas, enfim, acordei hoje com vontade de mudar a saudação do meu telefone. Após algumas tentativas, ficou assim: "Olá, olá! Aqui é o Gustavo, só que agora eu não posso atender - como você deve ter percebido. Talvez eu esteja ocupado e não pude ter atendido, ou quem sabe eu não ouvi o celular tocando, o que é bem comum. Enfim, deixe o seu recado que eu já te ligo, certinho? Beijocas!".

Entre o ridículo e o padrão comum, acabei optando pelo meio-termo.

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