22 de mar de 2004

I wanna be Made

Se o caro leitor possui Net, TVA, Directv ou, simplesmente faz gambiarra com o vizinho, provavelmente já deve ter dado uma olhadela no programa Made, transmitido pela MTV.

Como diria o Chris Rock: “A MTV faz programa sobre tudo, menos de música”. Com Made não é diferente. A sinopse de cada episódio é esta: alguém manda uma cartinha para os produtores da rede de televisão e contam sobre o tipo de transformação que querem passar. Pelo que eu percebi, não há preconceito. “MTV, eu quero ser transformada numa Drag Queen”. Pimba! Pode apostar que eles vão te colocar no ar. Já teve gordinha sonhando ser salva-vidas, bandinha de rock almejando o sucesso e um rapaz tornado-se cheerleader. Poderia citar esses casos, mas ficarei com dois em especial, que guardo do lado esquerdo do peito, como diria Milton Nascimento.

Ambos os desejos têm seu ponto em comum: ser popular na escola. Pois é: “isso não é mais um filme teen americano”, é realidade. Dois garotos desejam serem os ídolos da escola; um sendo jogador de basquete e o segundo dando uma melhorada no visual, ficando mais, digamos, apresentável.

O primeiro caso, fala de um garoto de 15 anos no máximo. Desajeitado, bobão, engraçado e um fracasso com as mulheres. Alvo de piadinhas constantemente. Resumo: uma Carrie em potencial. Ele começa a treinar basquete, sonhando fazer parte do time da escola. Meu cachorro jogar melhor do que o moleque. Ele tropeça, escorrega, não sabe conduzir a bola e corre de um jeito bem bizarro. O treinador coça a cabeça e cobra mais. Eis que surge o highlight do programa: a raiva escondida no moleque Esse maldito mal de adolescente, onde tudo é feito para os outros, e não para si próprio. O treinador observa tal fato, e trabalha com o emocional do guri. Não é porque ele sabe jogar basquete que ele será alguém mais bacana (ok, no colegial isso não se aplica). O garoto fica mais confiante, e até arranja um “date”. No final ele ganha uma vaga no time, fazendo cesta de três pontos e tudo. Daria um belo filme.

Agora falemos do segundo caso. Imaginem um ser humano que parece uma lombriga usando camisa xadrez, cabelo escorrido de gel e óculos fundo de garrafa. Nada atraente, hein? Some a esse “Gianecchini” uma gargalhada de mongolóide. Cara, é o Nerd em pessoa!

Cansado de jogar Counter Strike, o moço sonha com um encontro. A camisa xadrez dá lugar a uma moderninha, lentes de contato surgem, assim como luzes em seu cabelo – agora todo bagunçado. Façam suas apostas: conseguiu um encontro ou não? Obviamente que a resposta é negativa. O sujeito continuava um escroto internamente, achando que só a aparência faz o ser humano digno de um lugar ao sol. Numa festa zoaram com o moleque do mesmo jeito dos tempos de outrora.

Eu, quando criança, era gordinho, já na adolescência parecia o Cazuza em estado terminal. Porra! Eu conheço os dois lados da moeda. Mas poucas pessoas me zoavam até me conhecer. Não serei hipócrita de afirmar que não liguei para o pensamento dos outros. É lógico que eu me importava com isso: eu fui e, sou, um adolescente.

Na sexta série eu era apaixonado pela musa da sala de aula. Dava chicletes, fazia mimos: um Thyrso. Até que certo dia ela comentou no corredor, e escutei de raspão: “Por que esse gordo não se toca do quanto é idiota?”. Ouvi e me segurei para não me atirar ladeira abaixo. Cheguei em casa e vi-me ao espelho. Emagreci, afinei e fiquei outra pessoa – por fora. As pessoas que antes eram minhas amigas; continuaram sendo. Aqueles me ignoravam? Eu agora os ignorava. Foi uma tremenda lição. Podem dizer sou narigudo, que dá pra fazer um gol entre meus dentes, que minha perna é fina e se passo Blondo nela...

Deixa pra lá. Dê risada. "Humor", que palavra mais bunitinha! Já vivemos num mundo tão sem graça e preconceituoso. Para que fazer parte dele? Deixo cá meu momento dica do dia: mande aquela garota gostosa e metida da sua sala à merda. Faz um bem, meu caro... E olhe que você ainda pode faturá-la no final das contas

OBS: Ano passado, a menina, a qual me referi, estudou na minha sala, após cinco anos sem vê-la. Estava gorda e espinhenta; um tremendo canhão. Rá!

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