28 de fev. de 2009

Meu mais novo vício


É impressionante como parece que a cada semana surge uma nova série para se acompanhar. Minha mais nova "descoberta" é Flight of The Conchords, que já deixo logo entre as melhores comédias que vi nos últimos tempos. Está no mesmo nível de The Office e 30 Rock, para vocês terem uma ideia.

A trama é ótima: uma dupla neozelandesa de folk se muda para Nova York à procura da fama. Os dois comediantes e músicos Jermaine Clement e Bret McKenzie são os protagonistas e os autores do programa, que começou como um show de rádio na BBC londrina.

O legal do seriado da HBO é justamente esse ranço inglês, de humor nonsense e ingênuo, à la Ricky Gervais, com ligeiras sacadas geniais. A ideia do pobretão camera phone - um celular com uma máquina fotográfica analógica acoplada em sua parte de trás - é tão brilhante quanto a brincadeira de colocar objetos dentro de uma gelatina (The Office).

Fora que o roteiro é inteligentíssimo (o que são as piadas racistas contra os australianos?) e o elenco inteiro muito bom. Murray é o agente da banda, que faz as reuniões com o grupo em seu real ambiente de trabalho: o consulado da Nova Zelândia. A obsessiva Mel, única fã do Flight of The Conchords, também estrela momentos impagáveis.

Mas é lógico que FoC me conquistou MESMO com os seus videoclipes. Explico: em alguns momentos dos episódios, os diálogos de Brit e Jermaine viram musicais. E TODOS são demais, seja pelas letras divertidas e absurdas ou pela linguagem audiovisual utilizada.

Baguete!


Murray também dá show

Terminei a 1ª temporada há umas duas semanas (são 12 episódios, com cerca de 25 minutos cada) e fiquei pensando depois: "seria muito legal que o programa tivesse umas edições especiais, com uns diretores de videoclipes convidados".

Pô, e não é que o 5º episódio da 2ª temporada tem a assinatura do papa Michel Gondry? Ainda não baixei assisti a ele, mas bastou ver o clipezinho de Carol Brown para eu ficar enlouquecido. Reparem nas guitarras/mixer de vídeo, algo que só pode ter saído da cabeça do diretor francês. Reparem também nos tradicionais efeitos de ilusão de ótica gondryanos: a mesma multiplicação 3D de Let Forever Be (Chemical Brothers), a mesma brincadeira de aumentar e diminuir as pessoas, de Denial Twist, e as "projeções interativas" na parede, tal qual Dead Leaves and the Dirty Ground - ambas do The White Stripes.



Não deixem de assistir Flight of the Counchords. Sério!

23 de fev. de 2009

A Merça do Seu Hélio

O Seu Hélio é um simpático amigo de meu pai. É senhor, tem lá os seus 70 e poucos anos. Engraçado, estiloso, inteligente, cheio de boas histórias para contar. E rico. Bem rico.

Seu Hélio coleciona Mercedes. Tem umas quatro ou cinco, acho. Chegam a não caber na garagem de sua casa, então ele as deixa na rua mesmo. Acreditem.

Estive esses dias por Sorocaba e notei uma Mercedes bem antiga em frente à minha residência. Bege, classuda, linda. Não sou muito fã de carro, mas adoro os antigos. O que estava no portão era um de 1974, a Mercedes 300D.

Logo soube que a preciosidade era do Seu Hélio. O louco veio de São Paulo até Sorocaba (90km de distância) nela, e queria ir com meu pai até Tupã (440 km) com a safada. Ele quis fazê-lo mudar de ideia, mas o Seu Hélio é teimoso. Sorte do meu progenitor que ela não é licenciada há anos, e sabe-se lá quando a carteira de habilitação do Seu Hélio venceu também.

O jeito foi os dois irem com o carro de meu pai. E a Mercedes-Benz ficou em Sorocaba. Na rua!

No dia seguinte, mexendo na bomboniere onde ficam as chaves de casa, encontrei uma diferente. É claro que era da Mercedes. O lado brejeiro foi mais forte e comecei a amolar minha mãe e meu irmão.

- Tem que deixar ela mais encostada na guia!
- Ela está atrapalhando a entrada da garagem!
- Tem de colocar na sombra, o carro deve estar um forno!

Todos em casa me faziam uma expressão de reprovação. Óbvio que não funcionou.

Na tarde de sábado, notei que minha mãe tinha saído e meu irmão estava no banho. Foi perceber isso para me ver dentro da Mercedes do Seu Hélio! Fiquei ali, admirando o painel antigo, o estofado, o hodômetro batendo nos 190 mil quilômetros... E pensei comigo mesmo.

- Só uma volta no quarteirão, ninguém vai notar...

Pus a chave no contato, esperei alguns segundos e dei partida. O motor berrou forte, o carro inteiro tremou. Veículo old school, de macho, é isso aí! Dá até vergonha desses automóveis atuais que, de tão silenciosos, deixam no ar a pergunta: "estão parados ou em movimento?"

Comecei a ajeitar o volante para a esquerda, dei seta, e já ia encaminhando a mão direita ao freio de mão...

- Opa! Cadê a porra do freio de mão??

Não tinha. Fiquei me sentindo um idiota. "E agora", pensava, suando como um condenado.

Abri os vidros - elétricos, diga-se - e comecei a fuçar pelo painel. Achei um botão do lado esquerdo do volante, daqueles de puxar.

- Deve ser isso...

Mal tive tempo de terminar a frase para o carro descer a ribanceira da rua onde moro. Só senti a roda da frente subindo a calçada. Meti o pezão no freio e ouvi uma bela cantada de pneus. É claro que o carro morreu.

Dei partida novamente e fui bem devagarinho, tal qual minha primeira vez na auto-escola. O carro tremia muito, fazia barulho. É que eu, de tão nervoso, não tinha tirado o pé da embreagem. Bastou tirá-lo para a 300D pegar velocidade. Entrei na rua à esquerda e contornei a mão esquerda por todo o volante.

Folgado que sou, aproveitei para pôr o meu cotovelo esquerdo para fora da janela. Me senti como um astro de Hollywood.

Não chamei a atenção das garotas, é claro. Já dos garotos... Dois rapazes ficaram me encarando, enquanto lavavam seus míseros Corsinhas. Dois senhores que saíam da padaria e estavam prestes a atravessar a rua, deram um passo para trás e admiraram a imponente dianteira da caranga. Eu olhava pelo espelhinho cromado a reação de cada pessoa que me encarava.

E abria um belo sorriso.

Aproveitei para testar a velocidade da Merça. Anda muito! Subi a minha rua, que é ladeira, na terceira marcha, à 80 km/h. A bicha anda tanto que nem precisei engatar a quinta marcha.

Ao voltar para casa, comecei a endireitá-la, com todo o carinho. Encostei pertinho da guia, subi os vidros, pus o banco de volta à posição original. Desliguei o carro e lembrei.

- Errr... Não tem freio de mão!

Aquele botão de puxar não funcionava, já adianto, pois assim que tirei o pé do acelerador, o carro desceu horrores e quase beijou a traseira do Fiesta do meu vizinho. Devido à barbeiragem, teria de dar uma ré. Mãããsss....

- E agora, onde é a ré dessa porra?!

Suando de nervoso, liguei para a única pessoa que me veio em mente: o Filippe, que entende tudo de carros.

- Fala meu!
- E aí?
- Tá ocupado?
- Indo pra academia. Diga!
- Então, você sabe onde fica o freio de mão em carro antigo?
- Acho que sim, por quê?
- Sabe a Mercedes que tá na frente de casa? Saí com ela e não sei como pará-la
- Hehehehe
- Não é engraçado!!
- Tá, tá... Não tem nenhum botão aí no painel, com um "T" escrito?
- Peraí... Nops.
- Não tem um pedal extra?
- Pedal extra? Não, eu teria sentido... Ah, tem um aqui, quase na minha coxa!
- Então...
- Apertei! Vou soltar o pé do freio e xá eu vê... Parou!
- Boa
- Valeu!

Fiquei todo contente. Mas lembrei da ré. Liguei de novo!

- Opa!
- Que foi?
- E a ré? Sabe onde é?
- Ahahaha. Não tem nenhuma alavanca aí nem nada?
- Puts, não!
- Tô passando aí...

Saí para fora do carro e liguei para meu pai. Contei da aventura e ele ria... Mais alto ainda, ao fundo, era a risada do Seu Hélio! Que deu um berro:

- Só puxar o câmbio e engatar como se fosse a primeira!

Ele não ficou bravo nem nada, pelo contrário. Disse até que poderia usar a Mercedes quando quisesse - dei uma volta com o Filippe mais tarde.

Agora espero ansiosamente pelo dia em que encontrar em frente ao portão de minha casa uma de suas Merças mais modernas. Aquelas zoiudas, imponentes, automáticas, que fazem sucesso nas vitrines da Avenida Europa.

Podem aguardar por esse próximo post - se eu sobreviver à experiência, lógico!

19 de fev. de 2009

16 de fev. de 2009

10 Discos de 2008 - 3) Lykke Li - Youth Novels


Eu falo... Quanto mais demoro para fechar esse Top 10 dos melhores álbuns de 2008, mais fico confuso e altero a minha lista. Felizmente, os dois primeiros colocados estão decididos há muito tempo. O mesmo não posso dizer sobre a terceira posição.

Inicialmente, ela seria do trabalho de estreia do Little Joy. Lembro de comentar isso com o Matias e ouvir um "CORAJOSO, HEIN?". Corajoso, nada. O CD é muito bom; até o papa das listas musicais, o escritor Nick Hornby, colocou-o na primeira colocação de seu ranking. Mas... não teve jeito. Um furacão loiro de 22 anos, vindo lá da Suécia, desbancou o projeto musical de Moretti e Amarante.

Prazer, Lykke Li.

Essa cantora é um monstro. Não imagino melhor palavra para definí-la. De voz rouca e doce (às vezes até um pouco infantil), Lykke conquista na primeira audição. Seu debut, Youth Novels, foi um dos discos que mais escutei no ano passado. E ela acabou sendo a minha "nova artista" predileta de 2008.

Já deixo claro: Youth Novels tem muitos altos e baixos. Isso acontece pela dificuldade em se definir o estilo musical da garota. Às vezes é indie, noutras folk; pode ser pop e, pasmen, eletrônico. Não que isso seja ruim, até pelo contrário. É que no caso de Lykke, isso atrapalha a compreensão do seu som e o deixa sem uma uniformidade.

O negócio pega fogo mesmo naqueles momentos em que ela perde a timidez e se junta a vários amigos para uma grande jam, onde basta ter como acompanhamento musical umas batucadas ali, umas mal-tiradas notas de piano aqui e um som de palmas acolá. Sua voz impera e não precisa de mais nada.

Exemplo:




É ao esquecer um pouco o seu lado triste e melancólico, num som daqueles para se ouvir em um dia chuvoso, e se preocupando mais com sua faceta alegre e dançante, que a menina dispara preciosidades como Dance, Dance, Dance; I'm Good I'm Gone; Let it Fall; Litlle Bit e Breaking Up.

Cinco canções irrepreensíveis, deliciosas, que a deixam anos luz à frente das Duffy e Lily Allens da vida.

OBS: Desta vez não vou colocar uma música delas para vocês ouvirem, mas um vídeo. É só vê-lo para entender o porquê de eu chamá-la de monstro (não é pelo nariz, pois eu a acho linda!)


13 de fev. de 2009

De Letra e Música a Sonho de Verão

Pois estava eu no trabalho, com uma TV ligada por perto, sintonizada na novela Negócios da China. Eis que escuto uma introdução de piano bem melosa. "A melodia não me é estranha", penso. O Google Brain começa a entra em ação, minha cabeça entra em ebulição e aí ouço uma voz ainda melosa cantando sobre a canção.

Lembrei.

- Fizeram uma versão daquela música do filme do Hugh Grant com a Drew Barrymore!, exclamo para a japa que senta ao meu lado.

Pois é, fizeram uma versão da música do filme do Hugh Grant com a Drew Barrymore, o Letra & Música. A faixa em questão chama De Volta Pro Amor, uma versão de Way Back Into Love, a tal musiqueta melosa que - SPOILER ALERT - os dois personagens levam o filme inteiro para escrever. A versão é sofrível, tenta em alguns momentos traduzir a letra original, o que não chega a ser tão ruim, mas são os momentos criativos que rendem pérolas como "Tô sentindo falta/ A vida ficou muito chata e fria".



Mas o que me atraiu em De Volta Pro Amor é que a canção é uma parceria da Oliva Heringer com o Yahoo. MANO, o Yahoo, aquela banda do final dos anos 1980, que hoje deve odiar seu nome graças ao portal de internet, já que é IMPOSSÍVEL pesquisar pela banda no Google. Todas as buscas levam ao homônimo rico!

O Yahoo comete assassinatos em traduções há muito tempo. Love Bytes, do Def Leppard, virou Mordida de Amor, e Angel, do Aerosmith, tornou-se a sofrível Anjo, tema da novela global O Sexo dos Anjos. Fora outros casos em que eu poderia passar horas falando mal dos caras.

Só que não posso fazer isso...

O Yahoo fez parte de um dos grandes filmes de minha infância: Sonho de Verão, um longa-metragem de 1990 em que as paquitas e os paquitos se pegam numa baita mansão. Putaria pura!


... E foi assim que me tornei um tarado!

O Yahoo tem algumas músicas no filme. A minha predileta é Veneno, que traz uma das melhores letras do pop tupiniquim: "Deixa de história, esse papo não tem nexo, não foi só pelo sexo que eu quis você/ Nunca me programei, eu não sou computador e para te amar fui aprendiz de professor."


Tá perdoado, Yahoo. Tá perdoado.

8 de fev. de 2009

A vida inteira que poderia ter sido e que não foi


Vou lhes soltar um pequeno segredo: o meu sobrenome é grafado da maneira errada. O meu Miller, que no primeiro passar de olhos logo faz as pessoas acreditarem que tenho ascendência americana, deveria ser, na verdade, Müller. Uma influência das raízes germânicas de minha falecida - e tão querida - avó Madalena.

Müller vem da minha família paterna. Todo mundo de lá tem em seu R.G. a escrita correta. Menos meu pai, eu, meu irmão e minha mãe, que adquiriu o erro após o casório. Meu avô diz que a culpa foi do funcionário do cartório, que pôs no registro de nascimento de papai o Müller com "i". Às vezes me pego pensando se vovô não deveria ter soletrado antes...

Fui descobrir que meu nome estava errado apenas na 2ª série. No meu primeiro dia de aula, vi que nas carteiras de alguns os alunos havia uma plaquinha de papelão com o desenho do Baby, da Família Dinossauro. Em cada uma dessas plaquinhas estava o nome completo de cada aluno, uma maneira de identificar os estudantes que tinham vindo de outra escola - meu caso. Foi a primeira vez que vi meu sobrenome escrito como Müller. Achei estranho pra caramba!

Logo depois, em casa, soube da história do cartório. Contei-a para minha professora daquela época, a saudosa Tia Diva, que resolveu escrever durante todo o ano o meu sobrenome da maneira alemã. Ela dizia que essa era a maneira correta e pronto! Mal sabia a velhinha que ela quase fez com que esse blogueiro fosse até um cartório a fim de consertar seu sobrenome. Por anos fiquei adiando esse desejo.

Com o tempo, aceitei o Miller coxo. E, confesso, adoro o seu jeitão único. Nunca estudei com um Miller durante toda a minha vida escolar. Com Müllers? Uns dois, três. Isso foi bem legal, sabia?

Hoje faço piadas com o meu sobrenome. Quando me ligam no jornal e pedem para eu dizer o endereço de meu e-mail, soletro-o sempre com a seguinte abordagem: "M-I-L-L-E-R. Igual à cerveja!"

Raramente deixo de escutar uma risada do outro lado da linha telefônica.

Nas últimas semanas voltei a considerar a hipótese de ter o Miller como Müller. Foi parte de minha revolta contra essa reforma ortográfica, que riscou do mapa o trema. Fiquei pensando que ser um Müller é agora ter um sobrenome vintage. Vi-me falando às crianças daqui 30 anos: "Sabe esses dois pontinhos sobre o "u"? Isso se chama trema, um diacrítico, um sinal gráfico que foi abolido do Brasil em 2009. Não é legal ter um sinal desses no sobrenome?"

Daí as crianças, boquiabertas, balançariam a cabeça em sinal de aprovação, impressionadas com a minha idissioncrasia idiossincrasia linguística.

Mas, tosse, tosse, tosse, vou continuar com o Miller. É muito mais bacanudo dizer que meu sobrenome é escrito da mesma maneira que uma cerveja, do que do mesmo jeito que um ex-jogador da seleção brasileira de futebol.

7 de fev. de 2009

De Serrana para o mundo

PS: A preguiça, somada ao cansaço, fez-me esquecer de publicar uma entrevista que fiz com a dupla Valmir e Josy, no começo de janeiro. Foi a primeira da vida deles e ficou muito engraçada. Daí eu vi ontem, na home da Globo.com, uma entrevista com os dois que deu um puta repercussão.... Toma,Gustavo!


Eles estão na flor da adolescência. Moram numa pequena cidade do interior paulista com menos de 40 mil habitantes e são famosos na redondeza por serem bons de dança. Muito bons, aliás. Em disputas realizadas entre as escolas do município de Serrana, os dois não perdem uma.

O repertório da dupla é básico: coreografias inventadas para músicas de Britney Spears. Mas, sabe como é... Serrana um dia ficou pequena demais para Josiane Sartori, de 16 anos, e Valmir Junior, de 15. Então com uma máquina fotográfica na mão (emprestada, diga-se), nenhum dinheiro no bolso e uma baita criatividade na cabeça, eles criaram vídeos para o que seriam clipes de Miss Spears sem o tradicional orçamento milionário.

O resultado final é um barato e lembra os filmes "sweded" do longa Rebobine, Por Favor, de Michel Gondry. Se no vídeo oficial de Womanizer a cantora atua em uma sauna esfumaçada, Valmir e Josy dão um jeito no chuveiro. Se em Circus Britney canta num circo, com direito a chuva de fogos de artificício, Valmir e Josy novamente improvisam. Pegam emprestado o teatro da cidade e compram papel picado na loja da esquina para criarem o chuvisco fictício.

Tudo pode ser visto no blog www.valmirejosy.blogspot.com. Além dos vídeos, Valmir e Josy mostram fotos das gravações, narram os bastidores e comentam planos para o futuro. Tímidos, eles não são de falar muito. Também, essa foi a primeira entrevista deles. "Esperamos que seja a primeira de muitas. Seria mara!", torce Valmir.

Como vocês se conheceram?

VALMIR - A gente se conheceu na escola, em 2005, quando íamos fazer uma peça de teatro sobre o Harry Potter. Tinha uma turma da escola fã deles... Eu fiz o Harry.
JOSY -E nos tornamos muito amigos. Como ele sempre gostou de Britney, começou a me viciar nas músicas dela. Ele, desde que eu me lembro, fica horas na frente do DVD decorando os passos de dança dela!
V - Sim, sim. Sei várias coreografias dela, de Oops! I Did it Again até Circus. Aí, quando a gente tá junto, ficamos ensaiando para dançar em escolas ou apenas por diversão.

E vocês fazem sucesso na escola?

J - Opaaa! O pessoal da minha escola sempre adorou me ver dançando. E da escola do Valmir também. A gente dançou várias coreografias no palco e no pátio da escola dele.
V - Mas só dançava em casa antes. Até que um dia me desafiaram!

Como assim?


V - É disputa da dança. Eu contra um menino da escola que falava que também dançava. Daí, mais tarde, eu e a Josy demos início a uma mini tour!

Como assim??

J - É maneira de dizer. Explica aí, Valmir!
V - Eu, a Josy e mais um amigo, o Hiago, ensaiamos três danças para músicas da Britney e apresentamos pelas escolas daqui, coisa pequena. Era Gimme More, I'm Slave 4 U e Womanizer. Primeiro, foi I'm Slave 4 You no (colégio) Elefantão. Depois a gente dançou essas outras músicas no (colégio) Maria Celina. Mas só eu e a Josy entrávamos em Womanizer, porque nosso clipe já tava com fama na escola.



Como veio a idéia de gravar os clipes?

V - Foi minha, eu tenho essas experiências faz tempo, já fazia clipes por diversão.
J - Aí um dia ele me ligou me chamando para fazer o Womanizer. E eu ri muito com a idéia de eu ser "a mulherenga". Mas topei numa boa. Nunca imaginei que iríamos chegar até mil visualizações, quanto mais 50 mil!


Falando em Womanizer, de quem foi a idéia genial da cena do chuveiro?


V - Também foi minha!
J - Eu achei ótimo. Estava um calor dos infernos naquele dia! (risos)

Quem bola as coreografias, as cenas e faz os cenários?


V - Os roteiros e a direção são comigo. Já as coreografias somos nós dois. O cenário de Womanizer foi na minha casa.

Circus, por outro lado, foi megaproduzido, gravado até em teatro. Quem os ajuda nas gravações dos clipes?

V - Ah, todo mundo. Faço teatro, então vários amigos nos ajudam. Os vestidos são a Josy que faz, mas quase tudo é nosso mesmo. Levamos várias malas de roupas para gravar Circus, foi uma bagunça só!
J - Tenho até maquiador!


E vocês pagam de seus próprios bolsos para fazerem as gravações?

V - É tudo emprestado ou nosso. A câmera do primeiro vídeo era de um amigo, mas depois comprei uma máquina fotográfica. Em Circus só gastamos dinheiro nas bexigas usadas para fazer o cenário. O resto é tudo na amizade mesmo.
J - Nós fazemos tudo, mas muita gente nos ajuda por achar nosso trabalho divertido.

Já são reconhecidos nas ruas de Serrana?


V - Fui reconhecido numa quermesse! Um cara chegou para mim e disse: "Olha o cara do Womanizer!" (risos)
J - Na escola todo mundo conhece a gente. Recebemos muitas criticas, até negativas, falando que não gostam das nossas danças, que somos ridículos... O Valdir gosta de ler isso, eu não. Mas já recebemos vários elogios de pessoas de vários países e até algumas propostas.

Que propostas?

V - Ah, de gente querendo dirigir nossos próximos clipes, coisas assim.

A mulherada ou a rapaziada de Serrana andam caindo em cima de vocês depois de tanto sucesso?

J - No meu caso, mulherada não, ainda bem!
V - Comigo caem os dois! (risos)


4 de fev. de 2009

No Estadinhon


Respeite o seu tio!

Enquanto fazem caras e bocas para as lentes do fotógrafo do Estadinho, Maria Júlia Cabral e Cunha do Espírito Santo, de 7 anos, e Heloísa Goes Espírito Santo Iasi, de 8, aprontam todas. São poses de modelo, caretas, jogadas de cabelo, brincadeiras com os cachorros Arroz e Feijão ... Aí, uma começa a bater na outra com uma almofada. “Ei! Me respeite que sou mais velha”, provoca Heloísa. "Ah, é? Mas eu sou a sua tia”, rebate Maria Júlia, com uma risada que exibe seus dentes metálicos.


Peraí, tia? Pois é! Maria Júlia é tia de Heloísa,apesar de ser uma no mais nova. Mas como? Assim: tia Maria Júlia tem uma irmã de 30 anos, a Bia. As duas são filhas do mesmo pai, mas de mães diferentes. Como Heloísa é filha de Bia, isso a deixa sobrinha de Maria Júlia.

Essa “confusão familiar” também existe entre Bruno Siqueira Ferreira, de 12 anos, e seu sobrinho Lucas Ferreira de Oliveira, de 13. Bruno tem cinco irmãos bem mais velhos. Uma delas é Aline, de 31, a mãe de Lucas. “As pessoas acham esquisito quando descobrem que o Lucas é meu sobrinho. Ele é bem maior do que eu!”, ri Bruno. “A reação é a de ver um fantasma. Tem uma amiga minha que ficou um mês inteiro duvidando que eu era sobrinha da Júlia”, jura Heloísa.

Os quatro se divertem com a situação e não se enxergam como tios ou sobrinhos. Maria Júlia e Heloísa passam o dia grudadas. Tudo nelas é igual: é a mesma flor nos cabelos, os mesmos chinelos e calças jeans... Até as capinhas rosas de seus Nintendo DS são idênticas. “A gente brinca de ser irmãs gêmeas. Gostamos das mesmas coisas: de Barbies, de conversar, ficar com os meus cachorros e de videogame”, conta Maria Júlia. “Por isso que não vejo ela como tia”, explica Heloísa.

Já Lucas e Bruno se consideram melhores amigos. Eles se veem poucas vezes por ano, pois moram em cidades diferentes (um em Curitiba, o outro em Florianópolis). Mas, quando estão juntos, também viram grude. “Jogamos bola e basquete. A gente fica no videogame jogando Mario nos Jogos Olímpicos”, diz Lucas. “Nem falo para meus amigos que ele é meu tio. Ninguém acredita e não me sinto assim”, comenta Lucas. “Só ele me entende”, confidencia Bruno.

A psicóloga Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência (CRIA) da Unifesp, diz que as crianças não têm uma concepção clara do que é ser tio/sobrinho tão cedo. E que, mais tarde, isso não terá diferença, pois o que sobra é o vínculo afetivo. “São os brinquedos em comum, as mesmas ideias, as histórias de convivência. O fato de ser tio ou sobrinho muito cedo não atrapalha em nada”, explica. Os quatro personagens dessa história, como já se viu, concordam. Eles só lembram de tal parentesco na hora de fazer alguma brincadeira. Uma vez, quando Heloísa não queria ir embora da casa de Maria Júlia, essa ficou parada em frente à porta, abriu os braços e pediu para a sobrinha: “Ahhh... Cadê o abraço da titia?”.

No Estadon

(Atento ao público jovem, site do canal contrata autores de vídeos que são sucesso na internet)

- Mad Men retorna no dia 7
(2.ª temporada da premiada série de Matthew Weiner estreia sábado, na HBO)

+ Coluna TV Sem TV: Parece pornô, mas é uma comédia
(Série PG Porn tem todos os elementos de um filme pornográfico, menos o principal: sexo)

3 de fev. de 2009

E por falar em webséries...

... Que tal esse momento vergonha alheia que rolou no meio do ano passado: eu, no programa Metrópolis, da TV Cultura, entrevistando o Felipe Reis, do Conversas de Elevador.

27 de jan. de 2009

O guia dos seriados online

As webseries, ou seriados feitos exclusivamente para a internet, são um tipo de produção audiovisual que não para de crescer. Seja pelas mãos de internautas amadores ou de grandes produtores de Hollywwod.

Os seriados online são uma mídia ainda nova e seu formato é muito discutido. O grande debate sobre esse tipo de produção é como deve funcionar o seu modelo de negócios, além de também se descobrir qual o seu poder midiático: uma websérie pode migrar também para a televisão ou deve somente ficar restrita ao universo virtual? Experiências a fim de responder essas perguntas é o que não faltam.

As séries de internet costumam ter episódios curtos, de mais ou menos cinco episódios de duração cada. Não existe uma regra se os vídeos devem ser semanais, diários ou até mensais. No caso das produções amadores, isso é evidente. O mesmo não acontece nos trabalhos desenvolvidos por emissoras de TV, produtoras profissionais ou por agências de publicidade. Aqui há um planejamento claro.

Abaixo, fiz um Top 10 webséries que já rodaram pela rede mundial de computadores.

1) Dr. Horribles's Sing Along Blog



Joss Whedon, o criador das séries Buffy e Angel, é o pai desse musical humorístico. Neil Patrick Harris, o ótimo Barney do seriado How I Met Your Mother, vive um cientista maluco que tem dois sonhos: virar um vilão e namorar a garota da lavanderia. Antes, ele terá de enfrentar o super-herói Captain Hammer (Nathan Fillion, de Desperate Housewives). De orçamento honesto, mas pra lá de criativa, a websérie de dez episódios fez um grande sucesso nos EUA.

2) Conversas de Elevador



A produção do ator Felipe Reis teve no final do ano passado o final de sua 2ª temporada. Reis interpreta Edgar Castilho, um jovem morador de um prédio cheio de vizinhos inusitados. A cada episódio (já são 57), o rapaz tromba no elevador com um condômino. No ano passado, a websérie teve alguns vídeos exibidos no programa Metrópolis, da TV Cultura.

3) Mina & Lisa



A novela do Núcleo Virgulino é outro exemplo de boa websérie brasileira. O diretor Hélio Ishii conta, com sensibilidade e bom humor, a história de duas nipônicas brasileiras à procura do primeiro amor (o mote é a perda da virgindade). A atriz Liana Naomi (Mina) está no elenco de Som e Fúria, futura minissérie da TV Globo dirigida por Fernando Meirelles. Duas temporadas já foram feitas.

4) Quarterlife



Dos mesmos criadores de Uma Vida de Cão, Quarterlife fala sobre a vida digital de jovens de 20 e poucos anos da cidade de Chicago. Produzida em 2007, inovou ao fazer o público interagir com a trama: o espectador podia publicar vídeos no site da atração e todos os personagens da história tinham blogs pessoais. A emissora americana NBC trouxe a websérie do MySpace para a TV, mas o que se viu aí foi um fracasso de audiência.

5) The Guild



Nerd até o último fio de cabelo ruivo da protagonista, a comédia The Guild traz as aventuras e os vícios de um grupo de jogadores online. Em formato de videocast, os amigos conversam enquanto jogam, é claro. A segunda temporada estreou em novembro e a websérie é tão cultuada que fã brasileiros criam legendas em português para ela e liberam o material no YouTube. Conta com o patrocínio da Microsoft e da Sprint.

6) Vida no Trânsito




A equipe do portal de vídeos Fiz TV fez um belo trabalho com essa websérie que é uma ótima crítica ao caótico trânsito paulistano. Em um futuro talvez não muito distante, os carros, parados no congestionamento, tornam-se residências, e os motoristas, vizinhos uns dos outros. A primeira temporada teve dez episódios.

7) In the Motherhood



Websérie patrocinada pela Sprint e pela Suave, em que três mães contam causos engraçados sobre gravidez, bebês, filhos adolescentes e etc. As histórias são sugeridas pelos próprios internautas e entram em votação. As melhores viram episódios. Com 21 milhões de espectadores online, a emissora ABC lança em março a versão da série para a TV, com Megan Mullally (Will & Grace) no elenco.

8) Web Therapy




Lisa Kudrow, a eterna Phoebe de Friends, vive Fiona, uma terapeuta amalucada que consulta seus pacientes apenas pela webcam. O formato é curioso e bem criativo: os vídeos mostram a tela dos dois computadores, como se o espectador fizesse parte das conversas. Patrocinada pela Lexus, o seriado teve ao todo 15 episódios.

9) O Que Que é Isso?



Websérie ou propaganda? Não importa: o seriado da Locaweb, com jeito de The Office, destacou-se no ano passado pela produção caprichada da 02 Filmes. Com roteiro de Adriana Falcão, a trama conta a história de uma empresa que passa por um processo de modernização. Teve duas temporadas e boa repercussão no YouTube.

10) Gemini Division



Essa série online de ficção científica fecha a lista para mostrar como produções exclusivas para a internet já têm um quê de blockbuster. O cenário do seriado é todo criado por computador e a protagonista é ninguém menos que Rosario Dawson (Sin City), que vive uma detetive de Nova York. A megaprodução terá 48 episódios ao todo e é exibida no site da NBC, apenas para os americanos.

PS: Essa lista foi criada para o IG.

24 de jan. de 2009

Conhece o WankBoy?


Adoro o vh1! Quando estou em casa, deixo a TV sintonizada no canal o tempo todo, nem que seja apenas para fazer barulho. Amo assistir aqueles especiais de 80 clipes apenas com MILFs, aqueles reality shows bizarros que geram trocentos filhotes... Sou amarradão até naqueles programas que mostram os maiores cafetões da história.

Daí, nessa semana, estava eu com o vh1 ligado, apenas para fazer barulho, enquanto eu baixava uma série usava meu notebook. E escuto o seguinte áudio vindo da televisão.

- The Adventures of WaaaaaaaaaaaankBoyyy!

Como? WankBoy? O "garoto bronha"? O "menino punheta"? Que porra é essa?, pensei, com o perdão do trocadilho.

Era um desenho em flash, no mesmo estilo da Drogaria MTV de Desenhos Animados. Na cena, uma velhinha olhava para o alto de uma árvore e clamava por ajuda - seu gatinho tinha ido parar lá em riba e não havia santo que o fizesse descer.

Nisso, surge um garoto branco, raquítico, de cabelos encaracolados e meio orelhudo. A cara do Marco Luque. O mano chega perto da árvore, puxa a capa de super-herói contra o seu ventre e, acreditem, toca uma!

É um 5 contra 1 ligeiro, com a mão esquerda, numa velocidade sincopada. Daí ele mira o bilau para cima e acerta um belo dum CUM SHOT no felino, que cai diretamente nos braços da velhinha.



Cara, eu fiquei horrorizado! Olha que gosto de humor trash, nonsense e preconceituoso! Mas esse tal de WankBoy me deixou catatônico! Fiquei olhando para a TV embasbacado, com a certeza de que a pessoa que criou isso não pode ter Jesus no coração!

Rapidamente entrei no Google e comecei a vascular sobre esse fedelho, que deixa o Capitão Presença no chinelo em termos de super-herói polêmico. O desenho é de uma tal Loko TV, um portal de vídeos espanhol que exibe animações cults e independentes feitos por internautas do mundo inteiro. Não sei quem é o SICK FUCK que criou a personagem, mas vi que ela já existe há dois anos.

Dá para achar na web vários episódios desse jovem punheteiro. Tem ele usando o seu mega-esperma contra um meteoro que está prestes a cair na Terra.



Construindo uma canoa de porra, a fim de salvar um cão se afogando num rio.



Ou pegando uma bala no ar e evitando um assalto a banco.



Doentio ou genial?

20 de jan. de 2009

No Estadinho

Cinema (quase) real

Você provavelmente não se lembra da época em que os filmes com efeito 3D faziam grande sucesso. Era divertido ir com os pais e amigos ao cinema, colocar aqueles óculos quadradão (com uma lente azul e a outra vermelha) e ver monstros e objetos saindo do telão e vindo em nossa direção. Aliás, que atire o primeiro balde de pipocas quem nunca esticou os braços e tentou agarrar um animal exibido em terceira dimensão.

Pois saiba que esses filmes estão de volta – e com tudo! Nesse ano, várias animações e longas-metragens chegarão aos cinemas em 3D. O desenho Bolt - Supercão foi o primeiro. Em fevereiro chega Coraline, que é todo em stop motion (o filme é fotografado quadro a quadro. E as imagens, colocadas em sequência, ganham vida). Em abril, será lançada a animação Monstros vs Alienígenas, da turma da DreamWorks. Em julho, teremos Era do Gelo 3!

Para os fãs dos meninos roqueiros do Jonas Brothers, a novidade de março é um show deles todo em terceira dimensão.

De olho nessa onda, São Paulo acaba de se tornar a primeira cidade brasileira a ganhar uma sala IMAX. Legal, né? Essa grande safra de títulos só é possível graças a nova tecnologia usada nos efeitos 3D. Tudo agora é digital e os óculos são invocados, com as lentes escuras – chamadas de polarizadas. Nos filmes antigos, exibidos em terceira dimensão, as imagens não eram nítidas, muito menos salas de cinema com tal tecnologia no Brasil –, é bem diferente (saiba mais, abaixo). Mas por que os filmes em terceira dimensão estão na moda?

É que perceberam que o 3D é um jeito de fazer as pessoas recriarem o hábito de ir ao cinema, uma diversão cara: a entrada custa quase R$ 20, e uma simples pipoca R$ 5!
Além do mais, a indústria do cinema perde bastante dinheiro com a pirataria: DVDs vendidos em banquinhas de camelô, por exemplo. Essa é a razão das salas de cinema estarem mais e mais caprichadas, com sons e imagens de alta qualidade. É uma experiência que não pode ser reproduzida em casa.

Até alguns anos atrás, assistir a algo em 3D, com aqueles óculos de papelão, era um convite para a dor de cabeça e enjoos. Com a tecnologia atual, ninguém mais passa mal!

Antes

A antiga tecnologia 3D funcionava assim: cada tira de filme recebia duas camadas de cor – uma vermelha e a outra azul (ou verde). Por isso que para assistir a filmes assim era necessário aqueles óculos com lentes coloridas. Essas lentes forçavam os nossos olhos a enxergar as seções vermelhas e azuis das imagens. Era um truque para o cérebro, que interpretava o que era exibido na tela como algo em terceira dimensão. Como assim? É que nós, humanos, temos visão binocular, ou seja, cada olho enxerga uma imagem diferente. O nosso cérebro é que as combina em uma só.

Depois

O 3D Digital também tem os seus truques para enganar a nossa visão. Em vez de cores, usa a polarização da luz. Não entendeu? Calma! Lentes polarizadas servem para filtrar as ondas de luz que são alinhadas em uma mesma direção. Com os óculos 3D, cada lente é polarizada de maneira diferente. É por isso que no 3D Digital são usados dois projetores: um para o olho esquerdo e o outro só para o direito. Quem tentar ver esse filme sem a lente especial, enxergará tudo embaçado. Ao pôr os óculos, nosso cérebro (sempre ele) lê essas informações como se fosse uma imagem tridimensional.

Você vai se sentir dentro do filme

Ignore tudo o que você já viu antes em cinemas 3D. Uma sala IMAX leva a experiência de enxergar uma imagem tridimensional a outro nível. A sensação que se tem é de entrar dentro da tela. Tela, aliás, que não é um mero telão, é um “telãozaço”. Na sala IMAX, inaugurada ontem no Shopping Bourbon Pompeia (em São Paulo), a tela tem 14 metros de altura por 21 m de largura. É impressionante, vai quase do chão ao teto! Dá para ver o filme bem de qualquer assento. Os mais baixinhos vão matar a curiosidade de como é ir a um cinema e sentar no fundão.

Os óculos (de lentes polarizadas) utilizados parecem uma máscara de mergulho, o que casa bem com o filme que está em cartaz: o documentário biológico Fundo do Mar 3D.

O resultado é um barato. Uma moderna câmera subaquática filma peixes, tubarões e polvos gigantes com uma excelente qualidade. O espectador se sente debaixo do oceano mesmo, com os peixinhos nadando na frente de seu nariz e peixões flutuando acima de sua cabeça.

Há momentos bonitos, como a dança das água-vivas no escuro e o “momento limpeza” das barracudas com “peixes faxineiros”. Lógico que também há imagens (um pouco) assustadoras. Tem uma cena em que uma lula dá uma mordida na câmera. Daí é difícil não apertar o braço da pessoa sentada ao seu lado (eu fui um alvo). O som também é muito legal!

A primeira sala IMAX brasileira é um ótimo passeio para quem estiver em São Paulo. Uma entrada inteira custa R$ 30. Caro, é verdade. Mas a experiência realmente vale tudo isso.

19 de jan. de 2009

No Estadon

- True Blood estreia neste domingo
(Anna Paquin, melhor atriz do último Globo de Ouro, estrela a série vampiresca da HBO)

- Lançamentos DVD: O tiro atinge o próprio pé
(Trovão Tropical tira sarro de si mesmo ao parodiar os típicos clichês de Hollywood)

+ Coluna TV sem TV: A evolução da dança, o retorno
(Dono de um dos vídeos mais vistos da história da internet, Judson Laipply está de volta)

17 de jan. de 2009

10 Discos de 2008: 4) Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro


Reviravolta no último minuto. A 4ª posição foi por muito tempo de Lykke Li, uma linda sueca de voz aveludada que lançou o ótimo The Youth Novels. Mãããs... sabe como é. Fico ensebando para soltar essa lista e começo a mudar de opinião. E foi isso que aconteceu ao pegar a estrada na semana passada, ao som de Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong.

Antes, vamos as apresentações: a banda é um power trio de Cuiabá que faz rock instrumental. Sim, não há vocais, e esse é o grande desafio de se encarar o Macaco Bong. Não é som fácil de digerir de primeira. Mas bastam audições futuras, em etapas, para sacar a idiossincrasia dos caras.

É rock porradeiro, lapidado sem pressa, construído tijolo por tijolo. O nome do disco já diz tudo: "é o suor do operário, que renuncia sua ambição ao reconhecimento em função de uma causa maior", cravou o site + Soma.

São dez faixas longas e densas (como a incrível Amendoim, que abre o álbum, ou a cacetada Fuck You Lady, que deixa qualquer fã de Rush com um sorriso no rosto). Fui ouvindo Artista Igual Pedreiro à noite, numa rodovia, com as caixas de som do carro quase estourando. Com o perdão do trocadilho, foi uma grande viagem - ao ponto de, 90 km depois, ter tido a sensação de viver os 50 minutos mais rápidos de minha vida.

Artista Igual Pedreiro não é um simples disco de rock, que caminha por suas variações de hard rock e rock alternativo. Mas é uma obra de jazz, experimentalismo, psicodelia...

Discaço! Que, por toda a sua ousadia, não podia ficar de fora MESMO dessa lista de melhores do ano passado.

PS: Para baixar o CD dos caras via Trama Virtual, só clicar aqui. Faça isso: além de você ouvir um belo CD, ainda fará os músicos ganharem um troco com o seu singelo download.



14 de jan. de 2009

Frase da semana

Não pago por jogo de computador, vou pagar por mulher?

- Felipe Navas, o Jamanta, comentando sobre garotas de programa - e, ao mesmo tempo, revelando o que realmente é importante em sua vida

13 de jan. de 2009

No Estadon


Exige-se diploma
(Alvo predileto de seu próprio público, Big Brother Brasil ganha nona edição na Globo na terça, com participantes da terceira idade e vários graduados)

11 de jan. de 2009

A GQ de Botucatu

Daí que eu estava num barzinho de Sorocaba, no último final de semana, e vi uma pilha de revistas perto do caixa. Viciado, sabe como é. Dei uma esticada de pescoço e não acreditei:

- Meu, os caras dão a GQ para a clientela ler!

Érrr... não exatamente. Os caras dão a QG para a clientela ler!

É a revista Quartel General, de Botucatu. Segue a descrição da magazine:

A Revista QG está há 5 anos em circulação, trazendo informação e entretenimento aos leitores de Botucatu e da região. É uma Revista jovem, inovadora, criativa composta por uma equipe de profissionais qualificados e dedicados que levam informação com conteúdo e qualidade até você. Nossa tiragem é de 5.000 exemplares ao mês, além de 2.000 assinantes distribuídos em toda nossa região, tornando-se líder em seu segmento. Temos como missão transmitir informações aos nossos leitores com qualidade e eficiência.

PS: Gostei do "criativa", e vocês?

10 de jan. de 2009

O fim da humanidade


Um vício meu nessas últimas duas semanas é entrar no Orkut e ler o que está rolando no fórum da comunidade O Fim da Blogosfera. Basicamente, ali é um espaço onde blogueiros "das antigas", que surgiram entre 2000 e 2004, descem o sarrafo nos blogueiros "da atualidade". A questão principal abordada nesse espaço é o tal post pago: quando uma empresa procura o blogueiro e oferece uma grana (irrisória, muitas vezes), para que ele publique um texto. Pode ser para divulgar um produto ou uma ação.

A crítica que rola ali é a ética da turma que adere ao tal post pago. Não interessa se o blogueiro avisa ao seu leitor que aquilo ali está acontecendo ou não, mas como isso aflinge o seu leitor. Eu já passei horas e dias debatendo sobre esse assunto e, no passado, na matéria especial que fiz sobre os 10 anos de blogs no Brasil, ouvi todos os lados possíveis. E respeito cada um deles, vá!

Mas o que está acontecendo nesse final de semana é vergonhoso. Um fabricante de celulares convidou 18 donos de blogs muito populares para passarem dois dias no resort luxuoso que o Silvio Santos construiu no Guarujá. Cada blogueiro recebeu o mais novo telefone móvel da marca e tem de testá-lo durante a hospedagem.

Aliás, essa mesma empresa, ao lançar um outro celular, fez blogueiros andarem de helicóptero, verem jogo do São Paulo num camarote do Morumbi e tomarem uma breja no Bar Brahma. E deu o mimo para eles, claro. Não vi um texto mais tarde que não fosse apenas de elogios ao aparelho. Curiosamente, o que esses "formadores de opinião" não fizeram foi justamente avaliar o produto, mas apenas contar como foi a incrível experiência que viveram naquele dia.

Estou sentindo isso novamente ao ler os comentários publicados por esses 18 blogueiros no Twitter. Não li nada que falasse sobre o software do aparelho, a resolução da câmera, se o Wi-Fi era firmeza... Mas só algo assim: "#tag do nome do celular# estamos na piscina"; "#tag do nome do celular# o churrasco está pronto"; "#tag do nome do celular# recebendo massagem"; "#tag do nome do celular# tomando mojito debaixo do coqueiro"; "#tag do nome do celular# indo para o show do Jota Quest, vai ser mara!"

É sério!

Olha, eu sei que esses comentários vão repercutir apenas dentro da umbigosfera. Essas opiniões também nem são lá muito relevantes, veja bem. Quem são essas pessoas na night, né? Não culpo também a estratégia de marketing de tal empresa*, afinal, a publicidade brasileira ainda não aprendeu como trabalhar com a internet.

Fico puto da vida com os comentários desses blogueiros (vasculhem na web pelos textos), porque posso dizer, fácil, o que é você fazer o review de um produto com imparcialidade. E sei que, ao escrever umas pouco palavras, negativas ou positivas, estarei influenciando fortemente alguém. Não importa se são cinco leitores ou um milhão, entende? Existe aí uma responsabilidade.

Trabalhei dois anos e meio com jornalismo de tecnologia e editava a seção de gadgets do meu caderno. Vi várias pessoas sendo "compradas" perto de mim. Era viagem paga aqui, um produto enviado diretamente para a casa do fulano acolá... Mas também vi muita gente que não se deixava cair nessa. E que me ensinaram, ainda estagiário, o que é ser respeitado pelos colegas de profissão e ter uma ótima palavrinha associada ao seu nome: credibilidade.

Não estou querendo ir aqui para o maniqueísmo clássico de blogueiros x jornalistas. Ética eu não aprendi em quatro anos de faculdade. Ética serve para a sua vida, não para o seu ambiente de trabalho ou para seu site pessoal que tem mil page views diários - sendo grande parte deles paraquedistas vindos do Google.

Eu tento pensar na máxima manobrowniana "cada um, cada um", juro mesmo, mas ao ler essas "opiniões" - abertas e na caruda, ainda por cima - senti nojo dessa máfia que vai às Campus Party da vida e faz palestras dizendo que blog é uma grande ferramenta de negócio e yada-yada-yada.

Tava relendo esses dias uma entrevista que fiz com o Alexandre Inagaki. Uma declaração dele resume bem o que tento manifestar neste post. Eu perguntei sobre o troca-troca de links entre blogueiros. Antes, era uma forma de mostrar que você realmente gostava de ler aquela página e a indicava para seus leitores. Hoje, é apenas um jogo de interesse: se fulano tem muito acesso, vou linkar o blog dele e ganharei mais visitas.

A resposta do japa:

"Isso é meio retrato de uma geração. As pessoas estão sem ideologia e são individualistas. Muitos blogueiros não linkam alguém sem um interesse por trás. Importa se ele vai me render mais visitas, não se ele é interessante. Isso é totalmente de uma geração que prefere votar nulo e tem orgulho de dizer que não se interessa por politica."

PS: Dica de leitura - O blog Imprensa Marrom mostra porque não acreditar no hype da Campus Party.

*Update: Mudei de opinião sobre não culpar a estratégia de marketing da empresa. Dizem que o sucesso da ação será medido pelo número de reações na rede, independente do conteúdo. O que irá contar é a mobilização. Ou seja, quantidade é melhor que qualidade!! Nossa geração realmente está perdida...


6 de jan. de 2009

O primeiro pagode a gente nunca esquece


Vou ser mais tolerante em 2009. Esse é um dos meus mantras para esse novo ano. Chega de pré-conceitos e idéias pré-fabricadas. A parada é ir para a rua, sujar a solo do sapato e experimentar. Para ter uma opinião embasada. Certo?

Como parte desse experimento, na semana passada fui a um pagode. Sim, pagode. Não era samba, não tinha mesa de ferro, gente batendo os dedos numa caixa de fósforos, tia passando com a tupperware cheia de polenta frita. Era pagodinho da moda. Ponto.

Quem me arrastou a uma casa de pagode foram três amigos. Era um sábado à tarde bonito, ensolarado, típico dia bacana para ficar em casa estatelado no sofá, com o ventilador do teto apontado para a fuça. Mas, não, eu fui prum pagode.

A primeira coisa que reparei foi o visual da galera. A parada é bem United Colors of Benetton, o que é ótimo, para começar. Já as roupas... As mulheres são preparadas. Todas usam salto alto, calças justas ou saias provocativas. As blusas são decotadas, quase sempre com as costas de fora. Para os olhos é uma delícia, aviso. Os homens variam muito. Alguns usam camisetas de clube de futebol, mas um must é a camisa grudadinha ou a regata colada ao corpo. De cores berrantes, diga-se.

Pink is the new black

Indispensáveis são o bermudão florido, o Nike Shox no pé e o Oakley na cabeça. Sim, ninguém põe os óculos escuros nos olhos. O negócio fica na testa à la Salgadinho.

O pessoal é animado. Melhor do que qualquer balada que já vi. Quem dança, toca o terror mesmo. Já quem não tem samba no pé, fica assistindo, batucando na perna ou no peito. Para essas pessoas é regra ter um copo de cerveja ou de qualquer outra bebida em uma das mãos. É um jeito de socializar.

O pessoal também não me pareceu muito fresco. Vi dasluzetes chafurdando os dedos em batatas-fritas, linguiças (ai, trema querida!), e outros finger foods do tipo. Na hora de beber, nada de diferente da playboyzada que frequenta (ai, trema querida 2!) as melhores baladas. É uísque com energético pra lá, vodca com qualquer coisa pra cá (até Yakult!). Uns negões malandros, querendo pagar de bling-bling, acendiam charutos e agiam como se estivessem num clipe do Hype Williams.

Incomodou-me bastante a mania do povo cantar as músicas - todas iguais, num maldito "lêlêlêlêlê, eu vou lhe dar carinho", "lêlêlêlêlê você é meu amorzinho". Parecia show do Los Hermanos! Ah, só reconheci Parabéns pra Você (era aniversário de umas 20 pessoas) e Dança do Quadrado.

Falando em dança, chamou-me a atenção uma dança característica. OK, tinha gente sambando e até resgatando a lambada por lá, mas existe um passinho que é batata. Quando tocava uma música bem famosa, o público abria os braços, olhava para o teto e berrava. Igualzinho àquela turma que desfila em escola de samba, a pé, andando pela avenida com a camiseta da agremiação.

Fiquei umas quatro horas no pagode, mas já estava cansado após 1h30. Sei lá, não sou animado para essas coisas. Gosto de dançar do meu jeito, like no one's watching, e lá não dava para fazer isso. Com certeza eu seria humilhado por uma morena cavala, que rebolava mais que uma máquina de lavar e que fazia graça para esse blogueiro aqui (e pra torcida do Flamengo também) o tempo todo.

Oi?

Em relação às músicas... Achei bem ruins. Cara, não sou preconceituoso e, atenção!, gosto de pagode. Negritude Jr, Art Popular, Só Pra Contrariar e Molejo (tchan!) são, para mim, grupos de pagodeiros, ora! Gosto do som dessa turma porque eles são aquele pagode com amor à camisa, fazem o pagode arte, aquele pagode moleque que joga com dois pontas avançados. Já essa turma de hoje é burocrática, joga pelo resultado na retranca, no 3-5-2. Essas canções mela cueca, que vêm desde os tempos de Karametade, Katinguelê e Belo, não são para dançar. Não é porque tem alguém ali rodando um pandeiro que isso seja motivo para sair por aí sambando. E o problema desses pagodes atuais, tipo Sorriso Maroto e Revelação*, é justamente isso.

Não tirei uma foto para mostrar a minha cara de mau humor, mas a do meu amigo DJ Edu Vieira, vulgo Cidão, sintetiza bem o meu sentimento. Ele foi arrastado para lá por sua namorada.

Não foi só o cavaco que chorou

*Update: Três pessoas já me falaram que Sorriso Maroto e Revelação são coisas totalmente diferentes. Deixo então a errata de meu amigo - e pagodeiro - Filippe. "É a mesma coisa que falar que Panic! At the Disco é igual The Killers. Sorriso Maroto é beeeem popular e simples. Revelação é uma coisa, digamos, com mais esmero, é quase um samba."