19 de jan. de 2005

Em obras

Macacada, estamos voltando em breve. Após dias de puro ócio em Guarujá, a Acapulco brasileira, como diria o grande Ronald, a pessoa aqui está com vontade de escrever novamente.

Simbora, negada, que layout novo vem por aí. Adivinhem quem está por trás dele? Para quem chutou a Sra. Magarotti, a resposta está exata. O logo está sensacional! Esperem mais um pouco.

E amanhã tiro meus quatro sisos. Jesus!

28 de dez. de 2004

O último do ano


Eu tinha prometido a mim mesmo que tiraria umas férias deste blog. Jogá-lo pra escanteio, sabe? Mas não adianta - maldita mania de escrever sobre tudo o que sinto, vejo e penso. Sou blogholic (Guimarães Rosa, morra de inveja de meus neologismos!).

Tive um ano muito bom, e pra lá de diferente. Assim que soube que moraria em São Paulo, após passar na PUC, mal contive a alegria. Planos e sonhos a serem conquistados. A oportunidade estava em minhas mãos. E fiz, fui à luta. No intervalo desta batalha, conheci alguém que mudou a vida do guri que vos escreve. Tal pessoa me fez ficar mais maduro e pé-no-chão - menos cabeça-dura também, não esquecendo de mencionar. Foi, e é, algo muito especial. Namorada querida e fofa, amo-te.

Lidar com as energias negativas e focos de inveja não foi fácil. A faculdade foi algo, até certo ponto, frustrante. Brigas ridículas e muita coisa ruim comentada pelas minhas costas. Máscaras caindo, amizades desfeitas. Falsidade. Magoa, lógico, porém fortalece - e muito. Em diversas aulas assistidas eu comentava bem baixinho: "O que raios estou fazendo aqui?". Chateação por minha parte.

Tentei conseguir um estágio, e até fui chamado para algumas entrevistas. Ouvi vários "não" e muitas esperanças foram quebradas. Quando consegui meu primeiro emprego, a felicidade era tanta, rapaz! E hoje, cá estou eu, brigando todo dia com a empresa, reivindicando aquilo que estava explícito no contrato assinado. "Dá para me pagarem, por favor?". Ah, Jornalismo. Espero que tu me reserves muita coisa boa por esse caminho que vou trilhar. Confio em ti, amigo meu de tantos anos.

Para todos os benfazejos que existem em minha vida, espero que 2005 seja bom, tal qual 2004 foi. Não será moleza, tenho consciência disso. A cada baque que eu levar, vou procurar me levantar, partindo pra outra batalha. Toda essa energia negativa que vá para bem longe. O esquema é nunca desistir, molecada.

Agora vou deitar em minha rede e só volto daqui algumas semanas. Ciao!

22 de dez. de 2004

Então é Natal...

Natal tem lá as suas coisas legais. As ruas enfeitadas, cheias de pisca-pisca. Natal é uma época em que o pessoal desencana da conta de luz, já perceberam? Na casa da minha avó chega a haver uma competição entre os prédios. À noite, isso aqui parece Las Vegas, de tão iluminado. Só faltou aquele cowboy da Camel soltando baforadas.

Natal é a época predileta dos gordinhos - junto da Páscoa, óbvio. Papai Noel recheado é bem gostoso. Pegar a cabeça do Bom Velhinho e nhac! Sentir um gostinho de creme. Peru, chester e tender rolam a vontade. Não sou muito fã daquelas frutas caramelizadas, sabe? Figo com não sei o quê, abacaxi com molho de outra coisa. Panetone nem se fala: simplesmente horrível! É amargo, sem gosto, não fede nem cheira. Os pobres economizam o ano inteiro apenas para saborearem o maravilhoso panetone da Bauducco. Eca! Ninguém merece uva passa. Para os enjoados, existe a salvação: o Chocotone. Também não gostei, Panetone é ruim de qualquer jeito.

Não sou ovelha negra, mas também não sou fã do cara do Pólo Norte. Quando brejeiro, odiava ter que pedir presentes para ele. Ia com um baita mau humor. Preferia olhar as pernas de suas ajudantes, as noeletes. Simpáticas e de mini-saias, não tinha como não se apaixonar por elas. Aliás, não me recordo de acreditar em Papai Noel. Que criança mais infeliz eu fui.

Natal é bom para ganhar presentes. Em época de vacas gordas, recebia vários. As várias meias e cuecas dadas pela tia Noêmia foram de bom agrado durante anos. Hoje, devido à crise, o pessoal prefere o amigo-secreto. Gasta-se em apenas um presente e todos saem felizes - menos a economia. Repare como alguns presentes vivem em voga: ano passado todos davam o CD da Maria Rita; em 2004 é bacana presentear alguém com O Código Da Vinci.

Eu gosto de Natal, veja só. O pessoal fica mais alegre, aquela tal sensação de união parece que volta. É pretexto para rever os amigos, os primos pentelhos e as tias gordas e encalhadas. O que mata é ouvir a Simone no Faustão cantarolando: "Então é Natal...".

Desejo a todas as pessoas que me agüentaram durante esses meses, um ótimo Natal. Trepem, comam peru e o malfadado Panetonne. Não façam cara feia ao se depararem com a Sidra Cereser comprada com tanto carinho pelo teu avô, pois, afinal, é Natal!

Agora, só ano que vem.

16 de dez. de 2004

A vergonha passa longe

Não sei se digo que é um motivo de orgulho ou de vergonha, mas sou um belo mentiroso. Tento ser como o das antigas, que age na improvisação e na malícia. Ah, às vezes é ótimo dar uma bela mentirinha. Sem maldade alguma, é claro. Apenas para uma, digamos, auto-satisfação.

Na escola era demais, até no primário eu já dava as minhas. Recordo-me que quase todo o final de dia, para ir embora mais cedo, enrolava a professora. "Tia, posso ir ao banheiro? Estou apertado", perguntava, contorcendo as pernas. Ao ser liberado da sala, pegava a minha lancheira e descia correndo as escadas. Pegava a primeira perua escolar que me aparecesse, sem titubear. A professora era muito tapada ou eu tinha cara de pau mesmo, pois não sabia inventar outra lorota a não ser a famigerada desculpa do banheiro.

Conforme o tempo, fui me aprimorando. Já na quinta-série, a Lígia, minha professora de Português, era uma baita ditadora. Nem ao bebedouro ela deixava os alunos irem - menos eu, óbvio. Bom aluno (apenas em Humanas, como todos sabem), eu tinha a artimanha do aparelho ortodôntico. Minha mãe me obrigava a andar pra cima e pra baixo com uma escova e pasta de dentes, a fim de que eu pudesse contribuir na limpeza dos ferrinhos. Eu não fazia isso, né? - somente nas aulas de Português (a professora achava isso). "Professora, tem um pedaço de pão no fundo dos dentes e, como tenho que colocar o aparelho, preciso sair para escovar os dentes. Posso?". Ela consentia, é lógico. A cara de santo também ajudava.

Na faculdade, ser mentiroso é questão de sobrevivência. O meu irmão, por exemplo, vive às turras com aquele indivíduo que existe em todo ambiente de ensino: o professor filho-da-puta. O cara, o meu irmão, já está de férias - menos em uma matéria: a do professor. Precisa ir sexta-feira até Campinas fazer uma prova ridícula, e vai ter que esperar até às 11 e meia, término do curso. Não sabe o que fazer para sair mais cedo. Eu logo ajudei, sugerindo uma desculpa muito boa: a da hemorróida. "Fala que vai operar urgentemente, que está doendo pra diabo!", aconselhei. Até o Maluf teria sentimentos frente a um caso desses.

O tonto, o meu irmão, não gostou. Tem vergonha de usar a palavra "hemorróida". Indiquei outra falácia, também relacionada à cirurgia: a septicemia. Professor de engenharia, nem vai saber do que se trata, mas vai julgar como algo sério. O retardado, o meu irmão, gostou - embora também não saiba o que há por trás da palavra de cunho médico.

É que ele, o meu irmão, tem vergonha das coisas, e um mentiroso, para começar, tem que ser desavergonhado, já dizia vovô. Como um bom mentiroso, diria ao meu mestre: "Profi, libera mais cedo? Vou fazer uma cirurgia no pingolinho, está doendo horrores para mijar, e tu sabes a emergência dá parada, não é?".

Septicemia é isso aí. Coitado do "operado", o meu irmão.

14 de dez. de 2004

O que tocou em 2004


Falem o que quiserem, mas 2004 foi um ótimo ano musical. Revelações e mais revelações pipocando por todos os lados; o rock, pelo que parece, está voltando ao básico e deixando de lado aquele treco do new metal; uma maravilhosa menina loirinha de 17 anos conquistou o mundo inteiro com a sua voz de negona e os hinos gays voltaram a todo o vapor. 2004 foi pra lá de bacanudo!

As duas bandas que eu conhecia por apenas algumas músicas fizeram, neste ano, um baita sucesso - inclusive em terras nacionais. The Darkness e Jet foram, segundo o voto do Gugu, o melhor do ano, produzindo um rock finíssimo. Os australianos do Jet seguem a cartilha básica de Stones e The Who, já os primeiros usam do humor britânico e escrachado pra fazer de cada música um motivo de festa. Eles são sensíveis, acreditam no amor, porém são capazes de cantarem uma pérola natalina com o refrão: "Não deixem os sinos baterem". No The Darkness sempre rola um duplo sentido a cada letra.

Franz Ferdinand é dono de um dos cds de estréia mais animados. Refrões que grudam e riffs feitos para pular. Impossível não pegar aquela guitarra de "Take Me Out" - a melhor disparada - e mandar um legitímo air guitar. "Michael" é outra maravilhosa, e deveras gay. Dá vontade de estar junto ao garoto da música, e dançar a noite toda com o rapaz.

Falando de canções coloridas, como não se divertir com Scissor Sisters? A banda tão querida pela Rafaela é dona do visual e das letras mais empolgantes de 2004. "Filthy and Gorgeous" será o futuro hino das bibas. Voltemos aos anos 80 e ululemos com os hinos gays. Influências de Depeche Mode, New Order e Pet Shop Boys à vontade. Até o Prince está de volta!

O esperado "Hot Fuss" do The Killers já está à venda (alguém me dá de Natal?). Sensacional e estupendo. Não há uma música ruim sequer. O álbum vai solto, passa rápido, tal qual o último da coisa mais legal vinda da Suécia - depois do Abba, é lógico: The Hives. O novo da Joss Stone eu ainda não ouvi, e dizem ser bem jóia. Se supera o esplendoroso "Soul Sessions" eu não sei, mas que a pirralha gostosinha anda com tudo, ah, isso ela ta.

Por aqui, o Seu Jorge é rei. O Mané Galinha cantarola até em comercial de cerveja! A Maria Rita fez um dos shows mais bonitos que eu vi; o Gram mostra que também sabe falar de sentimentos, e todo mundo resolveu fazer vídeo-clipe de animação. Se já não bastasse o CPM-22, nasceu o seu genérico: Dead Fish, que é tão ruim quanto.

E o que falar do Latino que, do nada, vira hype? Bunda lelê no apê, rapaziada!

10 de dez. de 2004

Celebridades paulistanas


Esse ano foi demais: nunca vi tanta gente famosa em minha vida. Andar pela Avenida Paulista e trombar com um músico até famoso, passear de carro e ver uma ex-participante de reality show a poucos metros. Coisa fina, nego. Só gente do primeiro escalão da fama!

Lá em Sorocaba é uma porcaria. Os filhos pródigos daquela terra são: o Fat Family, um cantor do Br'oz, o Paulo Betty e aquela Viviane que fez um Big Brother. Nada mais. Parece que a cidade anda super orgulhosa de ter gerado a mulher mais sexy do mundo: Alinne Moraes. Aquela magricela bocuda e mina do Mau Mau? É bonitona, mas nada demais, poxa!

Em São Paulo é diferente. Aqui sim há personalidades. Quando eu imaginaria que eu estaria no mesmo ônibus que um cara do Hermes e Renato? Porra, o cantor do Massacration ao meu lado! De fone de ouvido e segurando uma guitarra - deveria ter pedido para ele cantarolar "Metal Popcorn". Sensacional!

A Mariana Kupfer eu vi duas vezes. Toda arrumada, cabelo impecável e armado. Moça de pedigree, está pensando o quê? O guitarrista do Tihuana, vulgo Seu Ronaldão, passeava de bicicleta pelos arredores dos Jardins outro dia. O Pampa, medalhista olímpico em Barcelona e frustrado candidato a vereador, estava assistindo tranqüilamente a um São Paulo e Corinthians nas numeradas do Morumbi. Nem parecia alguém famoso.

Se Pampa não foi eleito, avistei dois vereadores paulistanos: o petista José Américo e Ademir da Guia. O primeiro mostrou-se um babaca completo (foi dar palestra na minha sala) e o ex-jogador palestrino foi visto por minha pessoa fazendo compras pertinho da PUC. O "Divino", rapaz! Ídolo de nossos avôs, saudosos do bom futebol.

O filho da Marília Gabriela, que dizem ter um caso com o Gianecchini, estava no Bristol, acompanhado de um rapazote, na primeira fila de uma sessão do filme Contra Todos. Babado forte, gente: era o filho da Marília Gabriela!

7 de dez. de 2004

Fidelidade do povão


João Kléber é sensacional! Que os censores e críticos de merda me perdoem: João Kleber é sensacional! Quero que alguém me diga um outro apresentador com a manha de fazer o telespectador ficar 20 minutos sem mudar de canal, apenas repetindo frases de efeito: "Atenção, olha o que vai acontecer agora!"; "Algo sensacional e diferente vai aparecer em dois minutos!". O sujeito manipula nossos olhos. João deve orgulhar o mestre nisso: o rei Silvio Santos.

Ontem me deflagrei assistindo ao tal "Teste de Fidelidade". Jamais tinha visto; é muito legal! Uma modelo de levantar a torcida do Flamengo era o pecado em corpo. Mulher de verdade, sabe? Aquela pendurada na parede com orgulho pelos mecânicos tupiniquins. Fazia da "cobaia" um mero babão. A cada avançada do apressado ela retrucava, perguntando da namorada. João Kleber dá altas gargalhadas, a namorada fica aflita e desce à lenha no, agora, ex-namorado. Detalhe que o jogo de sedução nunca passa de certo ponto. A mulher chega a beijar o cara na boca (não imaginava isso) e faz um cu doce de primeira. A audiência não desgruda o olhar. "Será que ela vai tirar o bustie?" , pergunta, aflito, o jovem tarado de 15 anos.

Se não estou enganado, João sempre leva pra casa aquele troféu de pior apresentador da televisão brasileira. Dizem que ele dá mau exemplo, é canalha, joga sujo. Dizer isso é muito clichê! João mostra um puta retrato da sociedade brasileira. O traidor afirma que é homem, por isso estava dando uns pegas na outra. Caso não o fizesse, afirma, seria gay (?). O mesmo discute com a platéia, num momento meio Jerry Springer. É até engraçado, visto que a platéia é super eclética: de nordestinos arretados a travestis espalhafatosos. E todos desejam aparecer, lógico. Quer algo mais popularesco que isso?

João apenas ri, dialoga com aquele sentado em frente ao televisor. Ele tira sarro de quem fica sujeito as suas manipulações. Ganha dinheiro fácil, escrachando com tudo e com todos. Daqui alguns anos ele será cult, tal qual Chacrinha é hoje.

2 de dez. de 2004

O meu primeiro beijo vai casar

Já cansei de escrever sobre o Orkut, mas prometo que esta será a última vez. Palavra de escoteiro, ou como o diria o grande Filippe: "Eu juro pela minha mãe com um negão atrás da porta".

Estava eu, xeretando os profiles de algumas pessoas e eis que levo um susto. Acontece aquele momento hollywoodiano, de segurar o grito tapando a boca com uma das mãos. Ah, não acredito que seja ela! , duvido. Vejo novamente e vem a constatação: achei no Orkut a primeira menina em que dei um beijo.

Rapaz, já ouvi estórias de gente que teve o primeiro beijo na chuva, no ponto de ônibus e naqueles jogos bacanas de pivete: o famigerado "Verdade ou Desafio". O meu foi numa praça, pertinho de casa, meio longe da civilização. Foi escondido e horrível! A garota tinha uns dois anos a mais que eu, e, acreditava piamente, que ela me desse umas aulinhas sobre a arte do ósculo. "Um põe a língua cá, mexe acolá, puxa daqui, brinca de lá". Nada, ela era pior do que eu.

Comecei tarde, muito tarde. Foi aos 15 anos. Pressão dos amigos, que faziam do possível ao impossível para queimar o meu filme. A guria era tímida que doía, tadinha. Tornava-se um tomatinho a cada brincadeira de meus "melhores" amigos. Era bonitinha, tinha um quê de especial que chamara a minha atenção. Era monossilábica e ficou a fim de mim. Foda-se, pensou o macho que vos fala. Ou era com ela ou não seria nunca (aos 15 anos, um certo ar de pessimismo pairava sobre a minha pessoa).

Gente, vou lhes contar: alguém já beijou alguém que cerrasse os dentes? Tal qual uma criança fazendo careta para não tomar o xarope? Foi assim, um desastre completo. Eu, empolgado com a situação, tentava de todas as maneiras dar o meu primeiro beijinho de língua. Mas não dava, a menina montou uma "barreira com os dentes" impossível para qualquer atacante perfurar -nesse caso a minha querida língua. É, foi assim o meu primeiro beijo.

Não me senti mais homem depois de tal momento. Achei meio estranho, mas gostara. Como um bad boy, nunca mais olhei para a cara da coitada (fui muito escroto). Ela deve ter chorado, feito vodu, desejado a minha morte. Parece que ela arranjou um namorado uns dois meses depois de nossa "relação". Fiquei feliz por ela.

Voltando ao Orkut, parece que a tal menina está noiva. O noivo? O rapaz mencionado acima. Como o tempo passa, gente...

29 de nov. de 2004

A arte, segundo um caipira na Paulista

A minha concepção de o que é Arte sempre foi básica, a mais popular. Um Michelangelo, um Da Vinci, aquelas coisas esquisitas do Picasso. Pensava que sabia de tudo, apesar de não saber a diferença entre um Monet e um Manet. Ainda bem, que o caipira que aqui escreve, resolveu se fixar e morar na capital paulista. Fui a exposições, entrevistei artistas plásticos - inclusive fiquei amigo de um. Tive um ano pra lá de anormal!

Em minha primeira semana de aula, matei a vontade que me acometia há anos e anos: visitar o MASP. Quando passava de carro pela Avenida Paulista e via aquele prédio estranho, morria de vontade de saber o que tinha lá dentro. Acabei descobrindo o "recheio" do prédio de Chateaubriand: Portinari, Tarsila e, acreditem, um Van Gogh. Rapaz, quase tive um treco. Não agüentei à emoção de ver um Miró na parede. Nossa, na televisão é tão diferente!, falei a mim mesmo. Parecia criança em Natal, ao ver o Papai Noel.

Agora eu sei que arte não se resume à pintura, à pinceladas. Arte pode ser de tudo, desde um vídeo criticando a sociedade até tijolos serem usados como malas. Malas? Isso mesmo. Artistas, como Guto Lacaz, dão usos inusitados a objetos de nosso cotidiano. Quem diria que eu veria uma tesoura não ser usada apenas para recortar? Um lápis poder fazer outra coisa além de escrever? Arte é algo feito para pensar, para chocar, para se admirar. Arte tem que fazer o observador se transformar em outra pessoa após vê-la. Pode ser um choque ou uma admiração. Chique, né?

Hoje tenho uma "bagagem artística" bem bacana. Outro dia, assistindo a O Sorriso de Monalisa, comentei para minha mãe uma passagem do filme: 'Ei, aquilo é do Picasso! São as suas Mademoiselles d´Avignon!". A mama me olhou estranha, nem piscava. Apenas balbuciou: "Co.. Como é que você sabe isso?". Senti-me como se fosse um crítico de arte, um ser acima do bem e do mal. Olhei para ela e, para humilhar, não resisti: "Ah, mãe! Qualquer um sabe disso também! Vai me dizer que você não sabia que este quadro representa o início do Cubismo, né?".

A expressão que ela fez merecia uma foto. Foi sensacional!

26 de nov. de 2004

Eu gosto mesmo!


Eu adoro comédias românticas. A dupla Meg Ryan-Tom Hanks não deixa nada a desejar a Bogart-Bacall. Sou louco por esses filmes, cujos finais são óbvios, onde sempre há um lance de beijo caloroso - geralmente na chuva ou no aeroporto - com aquela baladinha tocando ao fundo, deixando você louco para comprar a trilha sonora do filme, pois, ok, por que apenas menininhas e solteironas podem se deliciar com uma bela comédia romântica?

Foi-se o tempo de nós, machos, apenas comentarmos as obras-primas de Steven Segal, Van Damme e Stallone. O hype é comédia romântica. Não tentem dar uma de indie e irem atrás dos Almodovar e Truffaut da vida. Fiquem com a insubstituível Meg. Depois avance para as mais modernas: Julia Stiles, Amanda Peet, Renée Zellweger. Perceba que as protagonistas são sempre bonitinhas, meiguinhas - com exceção daquela gorduchinha de O Casamento Grego. Outra personagem obrigatória é as amigas das protagonistas: geralmente umas solteironas pra lá de boas, fãs de sexo casual.

Acostume-se com o bonzinho e o canalha. Vire fã de Hugh Grant, ame de paixão os clássicos ingleses: Quatro Casamentos e Um Funeral, Nothing Hill. Nada mais gostoso que ouvir um britânico conjugando o verbo "shaggy". Entregue-se e vá correndo assistir ao segundo Bridget Jones. Não há como não rir com as trapalhadas da gordinha, pois as gordinhas são sempre as melhores.

Rapaz, comédia romântica é demais. Tem que ser muito macho para curtir esse estilo - principalmente quando você gosta mais que a sua própria namorada.

22 de nov. de 2004

Um curinga


Eu sempre tive asco a baralho. Aquelas cartas com corações, paus, ouros e espadas. Ainda acha o valete com cara de viado e não entendo a lógica do truco. Truco? Eita coisinha besta, coisa de pobre em feriado quando junta os primo e chegados e decidem passar o final de semana em Mongaguá. Eca!

Brincadeiras a parte - muito por ter raiva de não entender patavina de truco - confesso que há cinco anos venho me fazendo uma promessa a cada primeiro de janeiro. Pulo as ondinhas (tomando cuidado com os barquinhos de Iemanjá) e filosofo: "Gustavo, esse ano tu crias vergonha e aprende essa merda de jogo estúpido". Mas não adianta, pareço tia gorda fazendo promessa de regime para pegar casamento: ainda não sei jogar o maldito jogo de cartas preferido dos brasileiros.

Sei lá, sou meio disléxico com um baralho em minhas mãos. Não consigo fazer aquele esquema de ter não sei quantas cartas numa mão e ao mesmo tempo não deixar ninguém xeretá-las. Sou um péssimo jogador. Ao menos me viro jogando os clássicos: Detetive e Porco. Para ser arrogante, jogo Uno (um jogo de cartas italiano que qualquer macaco bem treinado também joga).

Baralho já me ferrou em diversos simulados do cursinho. Sabe aqueles exercícios de probabilidade? Num baralho tem 53 cartas, sendo um o curinga. O três de copas é tirado e não sei o que é feito. Calcule a probabilidade de sair alguma coisa. Eu pirava, logo pulando para outro exercício de probabilidades que envolvessem dados. Dados foram a minha salvação!

Por coincidência estou lendo um livro que tem em seu enredo algo sobre baralho. O Dia do Curinga é o nome da obra. O danado do Jostein Gaarder é tão bom (vide O Mundo de Sofia) que fez eu ter vontade de aprender a jogar qualquer coisa envolvendo cartas. Até rola uma metáfora por trás do jogo: porque só existe um curinga no baralho? Daí há uma aula de filosofia. Curinga é o diferente, aquele que não se mistura à boiada e tal. Não é alienado, procura não ser um mero observador ou consumidor...

Taí, gostei! Denomino-me agora um curinga - apesar de estar louco para me juntar as outras 52 cartas, e aprender logo a jogar essa porcaria de truco!

16 de nov. de 2004

Xô, boné!

Mulheres do meu coração, façam um favor ao titio aqui: aposentem essa onda de usar boné. Pega a aba e joga para longe, desencana dessa idéia de modismo e atitude. É muito feio e brega. Não fica feminino, não tem como. Estranho é a minha melhor definição.

Boné já fica tosco em homem, imagine em vocês, seres tão delicados. Boné fica bonitinho na pirralhada, usando ele pra trás. Esquenta o couro cabeludo, dá caspa. Voltem aos bons tempos de outrora: chapinha, escova, massageamento, alisamento japonês, baby-liss...

Escafedem com essa mania de usar boné. Use presilha, piranha, tiara. Nós, homens fãs de um cabelo sedoso e bem cuidado, pedimos carecidamente: morte para quem criou essa moda!

Até um específico boné deve ser usado. Von Dutch é o nome da porcaria. E tem louca que me paga 350 reais para usar aquilo. Olha, sigam o conselho do rapaz que escreve neste exato momento, e de boné entende bem. É tudo a mesma coisa, apenas alguns detalhes são alterados. Entre a molecada, já esteve em voga boné de time da NBA, da Nike ou Adidas e da Polo Ralph Lauren. Que atire o primeiro boné quem não conheceu alguém que teve a manha de comprar aquele objeto de quase 40 reais, apenas por um cavalinho bordado.

Homem gosta de cabelo cheiroso, à mostra, fruto de horas e horas de produção em casa. Homem gosta de passar os dedos naqueles cachinhos dourados, dar um cheiro na cuca da nega amada. Homem não gosta de sentir um boné enterrado na cabeça de companheira.
Fica parecendo o Axl Rose - ou o bacanudo do Silent Bob.

11 de nov. de 2004

Aquele tal de ring tunes


Saiu na segunda-feira, no Folhateen, uma matéria sobre os ring tunes. Vocês sabem do que estou falando: aquelas campainhas de celular chatas, que são a onda da molecada. Pega-se o último sucesso do Disk MTV, faz um download básico e, alguns minutos depois, tal música já está tocando em seu aparelho. Simples assim.

Acontece que as músicas são sofríveis de ruim. De 80 músicas disponíveis para baixar pela sua companhia de celular, no máximo, 10 se salvam. Do resto fica uma coisa mal feita, esquisita, com um tecladinho deveras horrível. Parece que voltamos aos anos 80: clima retrô, sintetizadores e aqueles mini teclados da Casio.

Como ganhei de Natal um celular (na minha família é tradição dar presentes com uma certa antecedência), resolvi tascar alguma música legal em meu mais novo brinquedo. Havia várias, para todos os gostos. MPB, axé, pop, funk, sertanejo, rock, hip-hop, hinos de clubes de futebol - brega pra daná! Não gostava de nenhuma, nada combinava. "I Believe In a Thing Called Love" seria a minha grande esperança. Dei uma ouvida no ring tune e frustração: não ficou muuuito legal (no máximo bacaninha).

Do Coldplay tinha uma penca. "Clocks" é demais, porém, como bom irmão que sou, sei da cara de inveja que o mano mais velho faria ao ouvir a campainha de meu aparelho. "We Will Rock You" poderia se tornar um ótimo motivo para levar uns croques de titio (no cel dele não tem tal música, e ele morre de raiva por isso). Queria algo mais alegre, extrovertido. Eis que surge a salvação: a música tema de Um Tira da Pesada.

Porra, essa música é sensacional! Combinou total. Abro um sorriso e começo a ouvir a danada tocar a cada vez que alguém me liga. É bem capaz de eu enjoar da campainha, mas já tenho outra visada para o futuro: o tema dos Animaniacs.

Se bem que "Toxic" da Britney Spears ficou demais...

8 de nov. de 2004

A mais gostosa


Camiseta velha é o que há de mais gostoso de se usar. Mais do que meia rasgada, supera até cueca laceada. Camiseta velha nunca sai de moda, é hype, tendência para todas as estações. Fica guardada na gaveta em lugar especial, à frente de outras camisetas, podendo ser usada para dormir ou ficar em casa. Vestimenta ideal para momentos de puro ócio.

Camiseta velha é personalizada conforme o tempo. Rasga-se a gola, manchas de macarronadas passadas tomam conta do tecido, furos pipocam por todos os lados. Ela vai pegando a forma de seu torço, cai como uma segunda pele. Dá sensação de liberdade e frescor. O tecido é macio, tem aquele cheirinho bom, de ficar na memória.

Camiseta velha é pessoal, não se empresta. O engraçado, é que geralmente elas não chamam atenção à primeira vista. São básicas, sem firulas. Muitas foram brindes ou presentes de pessoas as quais você não se recorda. No início ela fica guardada, de tão feia, não serve nem para sair. Mas basta o primeiro dia que ela for usada como pijama e pronto! Não sai do corpo jamais.

Camiseta velha exige vigia constante. Alvo de mães e avós, loucas para transformá-las em panos de chão. Nada mais deprimente do que saber que sua antiga companheira agora serve de alvo para cândida. Vê-la num rodo, deslizando pelo chão da sala é de traumatizar para o resto da vida. Algumas chegam a ganhar um destino um pouco melhor, virando pano de prato. Um horror.

4 de nov. de 2004

"Mas isso é um absurdo!"


Ah, agora estou me sentindo parte da paulicéia. Hoje, fazendo o caminho até a faculdade, enfrentei um baita congestionamento. Não é demais? A razão? Chuva e mais chuva. As ruas estavam alagadas, bocas-de-lobo jorravam água, pessoas sem espremiam nas calçadas à procura de um toldo ou um espaço no guarda-chuva alheio, motoristas ficavam na dúvida entre enfrentar ou não àquela piscina. Alguns carros paravam no meio do caminho. Ah, isso é São Paulo!

Agora estou vivenciando o que apenas curtia pelos noticiários. O Águia Dourada sobrevoava a marginal e lia o letreiro embaixo, com o Datena berrando: "Mas isso é um absurdo!". E via o pessoal correndo com balde e cuia tentando salvar suas casas de serem levadas pela enchente, crianças atravessavam a nado as avenidas sem medo de uma possível leptospirose. São Paulo tão amada!

Tinha tanto trânsito na Rua Augusta (aquela em que o Rei Roberto descia no maior cacete) que resolvi subi-la a pé. Foi mais rápido que carro ou ônibus. Viva a caminhada! Via com escárnio as dondocas blasfemando o nome da prefeita em seus carros importados. Qual é? E vocês acham que o Serra vai mudar algo?
Nada muda; o pessoal já previa desde cedo o meu futuro: vai estudar em São Paulo, vai pegar congestionamento, enchente...

31 de out. de 2004

Um grande sem-vergonha

Eu não canso de citar o Billy - mascote oficial deste blog. Meu bacanudo cachorro, que conquista a todos. Sem dúvida é o quatro patas mais mimado do universo. Um bon vivant, que só sabe dormir e comer. Brincalhão como criança, dono das maiores artes aprontadas em casa. Um sem-vergonha, como costumo chamá-lo.

O mais gostoso de chegar em Sorocaba é quando abro a portão e o Billy vem como um raio à minha direção. E pula, e cheira, e morde, e pula. Estica-se todo e me deixa dar um abraço, um apertão em suas bochechas e já digo o tradicional: "Olá, Billy-boo! Seu sem-vergonha!". Ele agradece, tentando sair em disparada com a minha mochila em sua boca. Figurinha.

Aliás, o maldito tem esta mania de pegar objetos nossos e sair trotando, todo exibido, tal qual o Baloubet du Rouet após conquistar uma medalha olímpica. De chinelo à cueca, de sapato à revista. Ele amordaça aquilo que encontra e começa a correr, como se pedisse para brincar. Para passear, vira um pedinte. Hoje, por exemplo, pegou à coleira e foi se "auto-levando" para passear. Viu-a na janela, deu um pulo e nhac! Lá estava ele, dando o seu trotinho em direção ao portão - com a coleira na boca.

Até comunidade no Orkut o danado tem. Está lá a sua foto, todo elegante, deitadinho ao lado de sua bolinha, o Cebolinha de plástico e um de seus ossos. Ainda estou para tirar um retrato do danado, sentadinho ao lado da mesa de jantar, implorando por um pedaço de carne. Quando ele quer filar a comida dos outros, dá à patinha e lança um olhar à la Gato de Botas do Shrek.

Poderia escrever sobre o Billy até o amanhecer. Primeiramente, eu vou recuperar um pé das minhas Havaianas que sumiu (quem será o ladrão?).
Resposta: aquele sem-vergonha!

29 de out. de 2004

Saudades


Porra! Hoje eu me toquei que faz um ano que o Seu Gilberto partiu. Fez as malas e voou para a sua Pasárgada. Longe de parentes enjoados, senis companheiros de asilo, idas e vindas de hospitais. Achou melhor cair fora, dar tchau pra gente. Foi numa boa, tranqüilo, rapidão.

Usou da velocidade que nunca teve andando, para voar, ir a um lugar mais bacanudo, onde ele pudesse chamar as mulheres de chuchu, os garotos loiros de alemão, e, o melhor do pacote: contar as suas famosas historietas. Seu Gilberto pode não estar mais aqui, mas pode deixar que de seus casos eu me recordo muito bem. Ouvi tantas vezes os momentos de viagens do velho, das escalações clássicas do São Paulo, de suas excursões junto ao time da Portuguesa... O sujeito era uma figuraça.

Outro dia sonhei com o seu Gilberto. Foi engraçado, ele me aplicava diversas peças, contava piadas, tirava um sarro de cada brincadeira minha. Foi muito divertido, deu saudades. Lembro direitinho do sonho - e acreditem: só ao acordar é que me toquei que ele não está mais entre nós.

Ele está entre nós, Gustavo! Larga de ser bobo! Está mesmo; foi tanta coisa boa acontecendo neste ano, que vejo o Seu Maia lá em riba, arquitetando algo de bom para mim, servindo de anjo da guarda do seu neto são-paulino.

25 de out. de 2004

Como traumatizar uma pessoa


É batata, podem acreditar: nenhuma criança terá o presente que tanto sonhou na vida. Isso foi na época de nossos papais e mamães, de nossos avós e em nossos tempos. Por isso repito: nenhum guri ou guria terá o presente tão sonhado e pedido.

Conheço certas pessoas que são recalcadas por nunca terem tido um videogame. Neca, nenhum. Um amigo, certa vez me confidenciou que era louco por um par de patins caríssimos (aqueles rollerblades maravilhosos). Está até hoje esperando de seus pais tal mimo. A época do pônei marcou legal. A garotada pirava naquela amostra grátis horrível de cavalo. Todo aniversário era a mesma coisa: o moleque corria para o jardim e via um pônei marrom, com um laço azul no topete. "Ganhei um pônei, que legal!", suspirava o filhote. O pai, meio sem jeito, coçava a nuca e acabava com as esperanças do pivete: "É, filho... Papai não teve dinheiro esse ano... Este pônei é do buffet...".

Eu nunca liguei para mini-cavalos, patinetes ou mansões da Barbie (ainda bem, hein!). Eu curtia mesmo era uma bateria. Grandona, daquelas que na primeira bumbada a polícia já era acionada por algum vizinho. Todo aniversário eu sonhava com a minha batera. Via-me tocando "We Will Rock You" e "That Thing You Do", seria popular entre as meninas, meu desejo era ser um rock star. Daí eu acordava e me deparava com a mavilhosa coleção de cuecas e meias da Lupo, que a minha querida tia-avó insistia em me dar todo aniversário.

Até no vestibular eu fiz promessa. Se passasse, deveria ganhar uma bateria. Não deu certo. Tentei argumentar que alguns pais chegam a dar carros aos filhos quando passam nas faculdades almejadas. A resposta ouvida? Que eu trocasse de pais. Nunca, mais nunca eu convenci a mama de me dar uma bateria. Papai já era outra história; também era fã de um batuque. Ele é daqueles que tiram um som do volante a cada semáforo vermelho. Bate com o dedo aqui, batuca acolá. Sempre no compasso da batida do rádio.

Pessoas frustradas por não terem uma bateria aderem ao air-drumming. No Orkut, descobri que existem outros traumatizados como eu. Trocamos experiências e fazemos até uma set list de nossas músicas prediletas. "Supersonic" do Oasis é a minha do coração - depois de qualquer uma do Queen, lógico.

22 de out. de 2004

Os melhores presentes


Meu gosto musical é fino, não vejo distinções. Adoro promoções de CDs e me recuso a pagar mais de 30 reais numa caixinha de plástico. Como é gostoso achar discos baratinhos. Uma delícia! Sabe aquelas promoções das Lojas Americanas? Nossa, faço à festa. Ostento com orgulho um do Wheatus, adquirido pela bagatela de 3,90 reais. Bom e barato; há coisa melhor?

Olhando o meu porta-CDs, muitos dos "meus filhos" foram comprados por até 10 reais. Melissa Etheridge? 3,90. Los Hermanos e Zélia Duncan? Idem. O Rappa, Tianastácia, Rumbora... Sete reais e alguns centavos. Comecei a ouvir música nacional após as promoções da vida. Neste ano, as minhas grandes aquisições foram: Adoniran Barbosa, Tim Maia, Leoni e Trio Mocotó. Foi-se o tempo do "quase quatro conto". Agora é tudo 9,90, popularmente conhecido como "CD de quase 10 real". Na internet chega a rolar uns pega-trouxa. Com o frete, CD sai por quase 13 reais. Perde a graça, poxa! O mais legal é sacar aquela nota vermelhinha, da arara.

Os CDs baratinhos já me quebraram muito galho. Em aniversários, hoje em dia, não existem mais aqueles presentes. Ou não se ganha nada ou um presente coletivo rola entre os amigos. Lembrancinhas são os mais comuns. CD é algo bacana, todos gostam de ganhar. Passo no Carrefour mais perto de casa e pronto! Aniversariante mulher? Algo romântico ou de MPB. Raparigo? Rock. Coletâneas também são ótimas pedidas. Não façam como a mama que comprou para uma amiga (amiga?), um imprescindível As Melhores Trilhas de Novelas em Italiano. Agnaldo Raiol na veia!

Até este blog possui uma história bonita dos CDs de 3,90. A dona Bruna, após ajeitar o layout deste humilde espaço, foi agraciada pela minha pessoa por um Fiona Apple legítimo. Custou-me 3,90 tal mimo. Ele era chato demais, mas ela gostou. Inclusive, na pechincha, há a sua música favorita da cantora. Ficou emocionada.

Graças aos CDs de 3,90.

18 de out. de 2004

O cuco da vovó


Desde pirralho, eu nunca fui com a cara do cuco da minha avó. Marrom escuro, aparência muito velha e, o principal: tinha um passarinho pra lá de escroto. O passarinho do cuco da minha avó parece que voltou da guerra: todo estrupiado, magrinho, feio que dói. Deve ter sido esculpido por um menino de 6 anos.

O cuco da minha avó foi, e é, a coqueluche da criançada. Meus priminhos adoravam aquela obra rústica no canto da parede, assim como o bebê da vizinha. Eu sempre o achei horroroso. Como a casa era antiga, considerava tal objeto como parte de uma decoração, sem significado algum. Ledo engano. Aquele cuco faz parte da família; a minha nona se livra até dos netos, mas suplica para o maldito cuco continuar a nos atazanar com aqueles tic-tac de seus gongos.

Certa vez eu puxei a cordinha dele. Parou de funcionar. Celebrei com um sorriso à façanha: eu matara o pássaro. Ele nunca mais sairia da porta da casinha, eu nunca mais ouviria aquele canto agudo dos infernos, eu nunca... CUCO! CUUUUUUCO! O danado ressuscitara.

Hoje, ele continua vivo, persistindo em "decorar" o apartamento de minha avó. Aquele relógio não combina com nada da sala, mas ele continua lá, intocável em seu canto. Já descobri como pára-lo: basta segurar os gongos que contam os segundos. Pena que o passarinho só entra em coma, nunca morre - sempre dá um jeito de acordar.

De tão mimado, só deixa de "cucar" quando estamos dormindo (sim, o cuco é considerado gente por vovó). Dorme no mesmo horário que eu, acorda idem.
O cuco é o seu neto mais querido.