24 de jan. de 2009

Conhece o WankBoy?


Adoro o vh1! Quando estou em casa, deixo a TV sintonizada no canal o tempo todo, nem que seja apenas para fazer barulho. Amo assistir aqueles especiais de 80 clipes apenas com MILFs, aqueles reality shows bizarros que geram trocentos filhotes... Sou amarradão até naqueles programas que mostram os maiores cafetões da história.

Daí, nessa semana, estava eu com o vh1 ligado, apenas para fazer barulho, enquanto eu baixava uma série usava meu notebook. E escuto o seguinte áudio vindo da televisão.

- The Adventures of WaaaaaaaaaaaankBoyyy!

Como? WankBoy? O "garoto bronha"? O "menino punheta"? Que porra é essa?, pensei, com o perdão do trocadilho.

Era um desenho em flash, no mesmo estilo da Drogaria MTV de Desenhos Animados. Na cena, uma velhinha olhava para o alto de uma árvore e clamava por ajuda - seu gatinho tinha ido parar lá em riba e não havia santo que o fizesse descer.

Nisso, surge um garoto branco, raquítico, de cabelos encaracolados e meio orelhudo. A cara do Marco Luque. O mano chega perto da árvore, puxa a capa de super-herói contra o seu ventre e, acreditem, toca uma!

É um 5 contra 1 ligeiro, com a mão esquerda, numa velocidade sincopada. Daí ele mira o bilau para cima e acerta um belo dum CUM SHOT no felino, que cai diretamente nos braços da velhinha.



Cara, eu fiquei horrorizado! Olha que gosto de humor trash, nonsense e preconceituoso! Mas esse tal de WankBoy me deixou catatônico! Fiquei olhando para a TV embasbacado, com a certeza de que a pessoa que criou isso não pode ter Jesus no coração!

Rapidamente entrei no Google e comecei a vascular sobre esse fedelho, que deixa o Capitão Presença no chinelo em termos de super-herói polêmico. O desenho é de uma tal Loko TV, um portal de vídeos espanhol que exibe animações cults e independentes feitos por internautas do mundo inteiro. Não sei quem é o SICK FUCK que criou a personagem, mas vi que ela já existe há dois anos.

Dá para achar na web vários episódios desse jovem punheteiro. Tem ele usando o seu mega-esperma contra um meteoro que está prestes a cair na Terra.



Construindo uma canoa de porra, a fim de salvar um cão se afogando num rio.



Ou pegando uma bala no ar e evitando um assalto a banco.



Doentio ou genial?

20 de jan. de 2009

No Estadinho

Cinema (quase) real

Você provavelmente não se lembra da época em que os filmes com efeito 3D faziam grande sucesso. Era divertido ir com os pais e amigos ao cinema, colocar aqueles óculos quadradão (com uma lente azul e a outra vermelha) e ver monstros e objetos saindo do telão e vindo em nossa direção. Aliás, que atire o primeiro balde de pipocas quem nunca esticou os braços e tentou agarrar um animal exibido em terceira dimensão.

Pois saiba que esses filmes estão de volta – e com tudo! Nesse ano, várias animações e longas-metragens chegarão aos cinemas em 3D. O desenho Bolt - Supercão foi o primeiro. Em fevereiro chega Coraline, que é todo em stop motion (o filme é fotografado quadro a quadro. E as imagens, colocadas em sequência, ganham vida). Em abril, será lançada a animação Monstros vs Alienígenas, da turma da DreamWorks. Em julho, teremos Era do Gelo 3!

Para os fãs dos meninos roqueiros do Jonas Brothers, a novidade de março é um show deles todo em terceira dimensão.

De olho nessa onda, São Paulo acaba de se tornar a primeira cidade brasileira a ganhar uma sala IMAX. Legal, né? Essa grande safra de títulos só é possível graças a nova tecnologia usada nos efeitos 3D. Tudo agora é digital e os óculos são invocados, com as lentes escuras – chamadas de polarizadas. Nos filmes antigos, exibidos em terceira dimensão, as imagens não eram nítidas, muito menos salas de cinema com tal tecnologia no Brasil –, é bem diferente (saiba mais, abaixo). Mas por que os filmes em terceira dimensão estão na moda?

É que perceberam que o 3D é um jeito de fazer as pessoas recriarem o hábito de ir ao cinema, uma diversão cara: a entrada custa quase R$ 20, e uma simples pipoca R$ 5!
Além do mais, a indústria do cinema perde bastante dinheiro com a pirataria: DVDs vendidos em banquinhas de camelô, por exemplo. Essa é a razão das salas de cinema estarem mais e mais caprichadas, com sons e imagens de alta qualidade. É uma experiência que não pode ser reproduzida em casa.

Até alguns anos atrás, assistir a algo em 3D, com aqueles óculos de papelão, era um convite para a dor de cabeça e enjoos. Com a tecnologia atual, ninguém mais passa mal!

Antes

A antiga tecnologia 3D funcionava assim: cada tira de filme recebia duas camadas de cor – uma vermelha e a outra azul (ou verde). Por isso que para assistir a filmes assim era necessário aqueles óculos com lentes coloridas. Essas lentes forçavam os nossos olhos a enxergar as seções vermelhas e azuis das imagens. Era um truque para o cérebro, que interpretava o que era exibido na tela como algo em terceira dimensão. Como assim? É que nós, humanos, temos visão binocular, ou seja, cada olho enxerga uma imagem diferente. O nosso cérebro é que as combina em uma só.

Depois

O 3D Digital também tem os seus truques para enganar a nossa visão. Em vez de cores, usa a polarização da luz. Não entendeu? Calma! Lentes polarizadas servem para filtrar as ondas de luz que são alinhadas em uma mesma direção. Com os óculos 3D, cada lente é polarizada de maneira diferente. É por isso que no 3D Digital são usados dois projetores: um para o olho esquerdo e o outro só para o direito. Quem tentar ver esse filme sem a lente especial, enxergará tudo embaçado. Ao pôr os óculos, nosso cérebro (sempre ele) lê essas informações como se fosse uma imagem tridimensional.

Você vai se sentir dentro do filme

Ignore tudo o que você já viu antes em cinemas 3D. Uma sala IMAX leva a experiência de enxergar uma imagem tridimensional a outro nível. A sensação que se tem é de entrar dentro da tela. Tela, aliás, que não é um mero telão, é um “telãozaço”. Na sala IMAX, inaugurada ontem no Shopping Bourbon Pompeia (em São Paulo), a tela tem 14 metros de altura por 21 m de largura. É impressionante, vai quase do chão ao teto! Dá para ver o filme bem de qualquer assento. Os mais baixinhos vão matar a curiosidade de como é ir a um cinema e sentar no fundão.

Os óculos (de lentes polarizadas) utilizados parecem uma máscara de mergulho, o que casa bem com o filme que está em cartaz: o documentário biológico Fundo do Mar 3D.

O resultado é um barato. Uma moderna câmera subaquática filma peixes, tubarões e polvos gigantes com uma excelente qualidade. O espectador se sente debaixo do oceano mesmo, com os peixinhos nadando na frente de seu nariz e peixões flutuando acima de sua cabeça.

Há momentos bonitos, como a dança das água-vivas no escuro e o “momento limpeza” das barracudas com “peixes faxineiros”. Lógico que também há imagens (um pouco) assustadoras. Tem uma cena em que uma lula dá uma mordida na câmera. Daí é difícil não apertar o braço da pessoa sentada ao seu lado (eu fui um alvo). O som também é muito legal!

A primeira sala IMAX brasileira é um ótimo passeio para quem estiver em São Paulo. Uma entrada inteira custa R$ 30. Caro, é verdade. Mas a experiência realmente vale tudo isso.

19 de jan. de 2009

No Estadon

- True Blood estreia neste domingo
(Anna Paquin, melhor atriz do último Globo de Ouro, estrela a série vampiresca da HBO)

- Lançamentos DVD: O tiro atinge o próprio pé
(Trovão Tropical tira sarro de si mesmo ao parodiar os típicos clichês de Hollywood)

+ Coluna TV sem TV: A evolução da dança, o retorno
(Dono de um dos vídeos mais vistos da história da internet, Judson Laipply está de volta)

17 de jan. de 2009

10 Discos de 2008: 4) Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro


Reviravolta no último minuto. A 4ª posição foi por muito tempo de Lykke Li, uma linda sueca de voz aveludada que lançou o ótimo The Youth Novels. Mãããs... sabe como é. Fico ensebando para soltar essa lista e começo a mudar de opinião. E foi isso que aconteceu ao pegar a estrada na semana passada, ao som de Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong.

Antes, vamos as apresentações: a banda é um power trio de Cuiabá que faz rock instrumental. Sim, não há vocais, e esse é o grande desafio de se encarar o Macaco Bong. Não é som fácil de digerir de primeira. Mas bastam audições futuras, em etapas, para sacar a idiossincrasia dos caras.

É rock porradeiro, lapidado sem pressa, construído tijolo por tijolo. O nome do disco já diz tudo: "é o suor do operário, que renuncia sua ambição ao reconhecimento em função de uma causa maior", cravou o site + Soma.

São dez faixas longas e densas (como a incrível Amendoim, que abre o álbum, ou a cacetada Fuck You Lady, que deixa qualquer fã de Rush com um sorriso no rosto). Fui ouvindo Artista Igual Pedreiro à noite, numa rodovia, com as caixas de som do carro quase estourando. Com o perdão do trocadilho, foi uma grande viagem - ao ponto de, 90 km depois, ter tido a sensação de viver os 50 minutos mais rápidos de minha vida.

Artista Igual Pedreiro não é um simples disco de rock, que caminha por suas variações de hard rock e rock alternativo. Mas é uma obra de jazz, experimentalismo, psicodelia...

Discaço! Que, por toda a sua ousadia, não podia ficar de fora MESMO dessa lista de melhores do ano passado.

PS: Para baixar o CD dos caras via Trama Virtual, só clicar aqui. Faça isso: além de você ouvir um belo CD, ainda fará os músicos ganharem um troco com o seu singelo download.



14 de jan. de 2009

Frase da semana

Não pago por jogo de computador, vou pagar por mulher?

- Felipe Navas, o Jamanta, comentando sobre garotas de programa - e, ao mesmo tempo, revelando o que realmente é importante em sua vida

13 de jan. de 2009

No Estadon


Exige-se diploma
(Alvo predileto de seu próprio público, Big Brother Brasil ganha nona edição na Globo na terça, com participantes da terceira idade e vários graduados)

11 de jan. de 2009

A GQ de Botucatu

Daí que eu estava num barzinho de Sorocaba, no último final de semana, e vi uma pilha de revistas perto do caixa. Viciado, sabe como é. Dei uma esticada de pescoço e não acreditei:

- Meu, os caras dão a GQ para a clientela ler!

Érrr... não exatamente. Os caras dão a QG para a clientela ler!

É a revista Quartel General, de Botucatu. Segue a descrição da magazine:

A Revista QG está há 5 anos em circulação, trazendo informação e entretenimento aos leitores de Botucatu e da região. É uma Revista jovem, inovadora, criativa composta por uma equipe de profissionais qualificados e dedicados que levam informação com conteúdo e qualidade até você. Nossa tiragem é de 5.000 exemplares ao mês, além de 2.000 assinantes distribuídos em toda nossa região, tornando-se líder em seu segmento. Temos como missão transmitir informações aos nossos leitores com qualidade e eficiência.

PS: Gostei do "criativa", e vocês?

10 de jan. de 2009

O fim da humanidade


Um vício meu nessas últimas duas semanas é entrar no Orkut e ler o que está rolando no fórum da comunidade O Fim da Blogosfera. Basicamente, ali é um espaço onde blogueiros "das antigas", que surgiram entre 2000 e 2004, descem o sarrafo nos blogueiros "da atualidade". A questão principal abordada nesse espaço é o tal post pago: quando uma empresa procura o blogueiro e oferece uma grana (irrisória, muitas vezes), para que ele publique um texto. Pode ser para divulgar um produto ou uma ação.

A crítica que rola ali é a ética da turma que adere ao tal post pago. Não interessa se o blogueiro avisa ao seu leitor que aquilo ali está acontecendo ou não, mas como isso aflinge o seu leitor. Eu já passei horas e dias debatendo sobre esse assunto e, no passado, na matéria especial que fiz sobre os 10 anos de blogs no Brasil, ouvi todos os lados possíveis. E respeito cada um deles, vá!

Mas o que está acontecendo nesse final de semana é vergonhoso. Um fabricante de celulares convidou 18 donos de blogs muito populares para passarem dois dias no resort luxuoso que o Silvio Santos construiu no Guarujá. Cada blogueiro recebeu o mais novo telefone móvel da marca e tem de testá-lo durante a hospedagem.

Aliás, essa mesma empresa, ao lançar um outro celular, fez blogueiros andarem de helicóptero, verem jogo do São Paulo num camarote do Morumbi e tomarem uma breja no Bar Brahma. E deu o mimo para eles, claro. Não vi um texto mais tarde que não fosse apenas de elogios ao aparelho. Curiosamente, o que esses "formadores de opinião" não fizeram foi justamente avaliar o produto, mas apenas contar como foi a incrível experiência que viveram naquele dia.

Estou sentindo isso novamente ao ler os comentários publicados por esses 18 blogueiros no Twitter. Não li nada que falasse sobre o software do aparelho, a resolução da câmera, se o Wi-Fi era firmeza... Mas só algo assim: "#tag do nome do celular# estamos na piscina"; "#tag do nome do celular# o churrasco está pronto"; "#tag do nome do celular# recebendo massagem"; "#tag do nome do celular# tomando mojito debaixo do coqueiro"; "#tag do nome do celular# indo para o show do Jota Quest, vai ser mara!"

É sério!

Olha, eu sei que esses comentários vão repercutir apenas dentro da umbigosfera. Essas opiniões também nem são lá muito relevantes, veja bem. Quem são essas pessoas na night, né? Não culpo também a estratégia de marketing de tal empresa*, afinal, a publicidade brasileira ainda não aprendeu como trabalhar com a internet.

Fico puto da vida com os comentários desses blogueiros (vasculhem na web pelos textos), porque posso dizer, fácil, o que é você fazer o review de um produto com imparcialidade. E sei que, ao escrever umas pouco palavras, negativas ou positivas, estarei influenciando fortemente alguém. Não importa se são cinco leitores ou um milhão, entende? Existe aí uma responsabilidade.

Trabalhei dois anos e meio com jornalismo de tecnologia e editava a seção de gadgets do meu caderno. Vi várias pessoas sendo "compradas" perto de mim. Era viagem paga aqui, um produto enviado diretamente para a casa do fulano acolá... Mas também vi muita gente que não se deixava cair nessa. E que me ensinaram, ainda estagiário, o que é ser respeitado pelos colegas de profissão e ter uma ótima palavrinha associada ao seu nome: credibilidade.

Não estou querendo ir aqui para o maniqueísmo clássico de blogueiros x jornalistas. Ética eu não aprendi em quatro anos de faculdade. Ética serve para a sua vida, não para o seu ambiente de trabalho ou para seu site pessoal que tem mil page views diários - sendo grande parte deles paraquedistas vindos do Google.

Eu tento pensar na máxima manobrowniana "cada um, cada um", juro mesmo, mas ao ler essas "opiniões" - abertas e na caruda, ainda por cima - senti nojo dessa máfia que vai às Campus Party da vida e faz palestras dizendo que blog é uma grande ferramenta de negócio e yada-yada-yada.

Tava relendo esses dias uma entrevista que fiz com o Alexandre Inagaki. Uma declaração dele resume bem o que tento manifestar neste post. Eu perguntei sobre o troca-troca de links entre blogueiros. Antes, era uma forma de mostrar que você realmente gostava de ler aquela página e a indicava para seus leitores. Hoje, é apenas um jogo de interesse: se fulano tem muito acesso, vou linkar o blog dele e ganharei mais visitas.

A resposta do japa:

"Isso é meio retrato de uma geração. As pessoas estão sem ideologia e são individualistas. Muitos blogueiros não linkam alguém sem um interesse por trás. Importa se ele vai me render mais visitas, não se ele é interessante. Isso é totalmente de uma geração que prefere votar nulo e tem orgulho de dizer que não se interessa por politica."

PS: Dica de leitura - O blog Imprensa Marrom mostra porque não acreditar no hype da Campus Party.

*Update: Mudei de opinião sobre não culpar a estratégia de marketing da empresa. Dizem que o sucesso da ação será medido pelo número de reações na rede, independente do conteúdo. O que irá contar é a mobilização. Ou seja, quantidade é melhor que qualidade!! Nossa geração realmente está perdida...


6 de jan. de 2009

O primeiro pagode a gente nunca esquece


Vou ser mais tolerante em 2009. Esse é um dos meus mantras para esse novo ano. Chega de pré-conceitos e idéias pré-fabricadas. A parada é ir para a rua, sujar a solo do sapato e experimentar. Para ter uma opinião embasada. Certo?

Como parte desse experimento, na semana passada fui a um pagode. Sim, pagode. Não era samba, não tinha mesa de ferro, gente batendo os dedos numa caixa de fósforos, tia passando com a tupperware cheia de polenta frita. Era pagodinho da moda. Ponto.

Quem me arrastou a uma casa de pagode foram três amigos. Era um sábado à tarde bonito, ensolarado, típico dia bacana para ficar em casa estatelado no sofá, com o ventilador do teto apontado para a fuça. Mas, não, eu fui prum pagode.

A primeira coisa que reparei foi o visual da galera. A parada é bem United Colors of Benetton, o que é ótimo, para começar. Já as roupas... As mulheres são preparadas. Todas usam salto alto, calças justas ou saias provocativas. As blusas são decotadas, quase sempre com as costas de fora. Para os olhos é uma delícia, aviso. Os homens variam muito. Alguns usam camisetas de clube de futebol, mas um must é a camisa grudadinha ou a regata colada ao corpo. De cores berrantes, diga-se.

Pink is the new black

Indispensáveis são o bermudão florido, o Nike Shox no pé e o Oakley na cabeça. Sim, ninguém põe os óculos escuros nos olhos. O negócio fica na testa à la Salgadinho.

O pessoal é animado. Melhor do que qualquer balada que já vi. Quem dança, toca o terror mesmo. Já quem não tem samba no pé, fica assistindo, batucando na perna ou no peito. Para essas pessoas é regra ter um copo de cerveja ou de qualquer outra bebida em uma das mãos. É um jeito de socializar.

O pessoal também não me pareceu muito fresco. Vi dasluzetes chafurdando os dedos em batatas-fritas, linguiças (ai, trema querida!), e outros finger foods do tipo. Na hora de beber, nada de diferente da playboyzada que frequenta (ai, trema querida 2!) as melhores baladas. É uísque com energético pra lá, vodca com qualquer coisa pra cá (até Yakult!). Uns negões malandros, querendo pagar de bling-bling, acendiam charutos e agiam como se estivessem num clipe do Hype Williams.

Incomodou-me bastante a mania do povo cantar as músicas - todas iguais, num maldito "lêlêlêlêlê, eu vou lhe dar carinho", "lêlêlêlêlê você é meu amorzinho". Parecia show do Los Hermanos! Ah, só reconheci Parabéns pra Você (era aniversário de umas 20 pessoas) e Dança do Quadrado.

Falando em dança, chamou-me a atenção uma dança característica. OK, tinha gente sambando e até resgatando a lambada por lá, mas existe um passinho que é batata. Quando tocava uma música bem famosa, o público abria os braços, olhava para o teto e berrava. Igualzinho àquela turma que desfila em escola de samba, a pé, andando pela avenida com a camiseta da agremiação.

Fiquei umas quatro horas no pagode, mas já estava cansado após 1h30. Sei lá, não sou animado para essas coisas. Gosto de dançar do meu jeito, like no one's watching, e lá não dava para fazer isso. Com certeza eu seria humilhado por uma morena cavala, que rebolava mais que uma máquina de lavar e que fazia graça para esse blogueiro aqui (e pra torcida do Flamengo também) o tempo todo.

Oi?

Em relação às músicas... Achei bem ruins. Cara, não sou preconceituoso e, atenção!, gosto de pagode. Negritude Jr, Art Popular, Só Pra Contrariar e Molejo (tchan!) são, para mim, grupos de pagodeiros, ora! Gosto do som dessa turma porque eles são aquele pagode com amor à camisa, fazem o pagode arte, aquele pagode moleque que joga com dois pontas avançados. Já essa turma de hoje é burocrática, joga pelo resultado na retranca, no 3-5-2. Essas canções mela cueca, que vêm desde os tempos de Karametade, Katinguelê e Belo, não são para dançar. Não é porque tem alguém ali rodando um pandeiro que isso seja motivo para sair por aí sambando. E o problema desses pagodes atuais, tipo Sorriso Maroto e Revelação*, é justamente isso.

Não tirei uma foto para mostrar a minha cara de mau humor, mas a do meu amigo DJ Edu Vieira, vulgo Cidão, sintetiza bem o meu sentimento. Ele foi arrastado para lá por sua namorada.

Não foi só o cavaco que chorou

*Update: Três pessoas já me falaram que Sorriso Maroto e Revelação são coisas totalmente diferentes. Deixo então a errata de meu amigo - e pagodeiro - Filippe. "É a mesma coisa que falar que Panic! At the Disco é igual The Killers. Sorriso Maroto é beeeem popular e simples. Revelação é uma coisa, digamos, com mais esmero, é quase um samba."


3 de jan. de 2009

10 Discos de 2008: 5) Girl Talk - Feed the Animals


Mashup é aquela velha história: você odeia ou você ama. Por muito tempo fiz parte do primeiro time. Ouvia aquela colagem entre duas músicas, soltava um muxoxo e imaginava qual a graça naquilo. Daí fui apresentado ao 2 Many DJs, mudei de opinião e percebi que não é apenas pegar dois hits e juntar o refrão de um com a melodia do outro, a fim de criar algo engraçadinho. Dá realmente para pegar esses elementos e tirar um caldo novo daí. Não é um mero control c + control v.

O DJ Gregg Gillis, a.k.a Girl Talk, é o grande mestre desse recorta e cola. Para mim, seus trabalhos são obras de arte, sem exagero. Com Feed the Animals, ele segue a fórmula vencedora de Night Ripper (2006). Tendo sempre como base o vocal de rappers ou cantores de soul e R&B, o disque-jóquei nos leva para uma viagem com tudo o que varreu a música pop nas últimas décadas. Ele não vai apenas nos singles radiofônicos (fiquei pasmo quando ele colocou Toby Lightman), mas escarafuncha o seu HD - o maquinário e o afetivo. Em faixas de cerca de três minutos, chega a disparar techos de mais de 15 canções!

É uma gigantesca colcha de retalhos que resulta num som único. Que, ironicamente, ninguém consegue copiar (assista aqui ao processo criativo do rapaz). Dá um bizú nas parcerias arquitetadas em Feed the Animals: Rihanna faz o backing vocal do Queen, Busta Rhymes rima com The Police, Faith no More tabela com The Fugees, Avril Lavigne solta o pancadão com Alphex Twin...

Detalhe: Gillis nunca reaproveita uma mesma música. Nem trechos diferentes. Se ele usa o refrão de Toxic, da Britney, acabou e pronto. Ele não vai aproveitar algo dessa faixa novamente, meu amigo! Nem no mesmo disco nem em outro.

Foda.

Discaço. Bom para dançar, correr (foi o grande companheiro, e incentivador de minhas corridas semanais no Parque Villa Lobos) e, lógico, pra memória. Sempre que cai um novo trabalho do Girl Talk, pego uma caneta e começo a (tentar) anotar num papel as músicas que reconheço. Acertar mais de 70% de uma simples faixa é uma tarefa impossível, já adianto.

PS: Feed the Animals pode ser baixado " de grátis". Mas, numa estratégia à la Radiohead, pode-se pagar pelo download. Você decide.



No Estadon


(Coluna TV Sem TV especial - melhores vídeos do ano passado)

2 de jan. de 2009

10 Discos de 2008: 6) The Ting Tings - We Started Nothing


Sim, eu acreditei no hype. Quando comentei com algumas pessoas que no meu Top 10 entraria o The Ting Things, muitas torceram o nariz. "Mas o CD inteiro?", ouvi. Sim, o CD inteiro, que foi justamente o disco que mais escutei no ano passado. Além do mais, adoro bandas que, na verdade, são uma dupla. Admito.

We Started Nothing é um grande disco pop. Com ótimos hits para escutar na pista ou enquanto você estiver fazendo faxina em casa (eu garanto). As músicas são simples, dançantes e muito, muito pegajosas. A receita desse prato é básica: Jules de Martino lança uma batida grudenta que abre a faixa. Daí entra uma guitarra que segue o ritmo, junto de uns efeitos de sintetizadores. A voz da lourinha Katie White, puro estilo garota riot da Daslu, só acompanha, cheia de gritinhos "Wow" e "Hey". Mas funciona, e o resultado é uma delícia de synthpop.

Great DJ, que abre o disco, já conquista logo de cara com o refrão: "Imagine all the girls ah-ah-ah-ah. And the boys a-ha-ha-ha. And the strings ih-ih-ih-h" Faz um algum sentido? Nenhum. That's Not My Name, que vem em seguida, é ainda melhor e é o grande single de 2008. Com uma batida que lembra demais Soul Bossa Nova, de Quincy Jones, a canção não deixa ninguém parado. E faz sucesso no YouTube, no MySpace, em mashups, na rádio, na balada, na novela das nove...

Em seguida vem uma seleção musical que mantém o álbum lá no alto. Shut Up and Let Me Go é mais um ouro para as mãos dos DJs. Be the One e Traffic Light são as baladinhas agridoces. We Walk, com uma introdução cafona de piano, parece apontar para outra direção, mas logo estamos de volta à fórmula "batida pegajosa + gritinhos de Katie + refrão repetitivo e grudento". É assim até o final, com We Started Nothing.

Aliás, o nome do disco reflete bem a essência do The Ting Tings. Eles não querem inventar nada, criar arranjos complicados ou escreverem algo "cabeça". Eles sabem que são ótimos em produzir um tipo de música X para dançar e se jogam nessa direção sem medo.

E não há nada de ruim nisso. Muito pelo contrário.

26 de dez. de 2008

Mundo tecnoestressado


Tinha prometido a mim mesmo que não iria postar nada nesses dias ou mesmo entrar na internet. Explicação: descolei uns dias de folga e vim passar o Natal com meus pais, aqui no Guarujá, no litoral paulista.

Mas cá estou eu, deitado na cama do hotel, usando o notebook de minha mãe, com meus pais/irmão roncando ao meu lado. E não estou usando Wi-Fi não: papis comprou um plano 3G para usarmos especialmente nesses dias.

Pois é, somos uma família tecnoestressada. Acreditem: todos nós quatro trouxemos nossos computadores portáteis. Minha mãe o usa para pagar umas contas e, vai lá, usar a internet. Meu pai checa seus e-mails e confere as notícias. Meu irmão faz a social no Orkut e no Messenger. E eu? Bem, eu trouxe meu notebook com o seguinte propósito: baixei a 3ª temporada de Entourage e usaria o micro como minha TV portátil.

Minha família fica no mesmo hotel há uma década. É um lugar simples, até meio fuleiro, mas os hospedes sempre foram o diferencial do lugar. Fazia uns três anos que não viajava com a minha família para essas bandas, e esse ano quis o destino que isso acontecesse.

E já vejo claramente a mudança tecnológica que abateu os meus familiares (e os próprios hóspedes) durante esse tempo.

Nós nunca ficávamos no quarto, a não ser, dã, para dormir. Sempre tinha alguém para jogar bola, baralho, ping-pong, sinuca ou conversa fora mesmo. Agora só vejo crianças fazendo isso. A lan house do hotel bomba: adolescentes ou jovens dos 20 e poucos anos ficam direto por lá. Eu passo, olho, e me sinto um ancião me dirigindo à piscina com um livro debaixo do braço.

Como está chovendo, minha família está ainda mais tecnoestressada. Meu pai fica o tempo inteiro com dois celulares na mão. Ele descobriu o Nextel e brinca de walkie talkie com a parentaiada de São Paulo. Meu irmão não sai do MSN por nada. Já minha mãe fica tomando um cacete do iTunes para jogar músicas em seu iPod. Claro, todos estão trancafiados no quarto.

Eu sei que isso parece texto de gente velha e ultrapassada. E, gente, eu realmente sou daqueles defensores de que a tecnologia não afasta e ensimesma as pessoas. Mas, agora, tendo isso na pele, confesso que fico meio cabreira. Quando chovia, rolava um baralho, as pessoas se reuniam para ver televisão ou apenas deitavam no sofá e fitavam o teto. Agora cada um pega o seu gadget e entra em uma bolha.

Pior que isso influencia. Eu deveria estar “leno” o meu livro, "conversano" com alguém ou até mesmo "dormino". Mas estou “blogano” às 3h da manhã!

24 de dez. de 2008

Perfume

Outro dia, eu e as meninas do trabalho estávamos falando sobre cheiros. Uma delas falou que todo pai/mãe sabe o cheiro do seu filho. É uma coisa de pegar o bebê recém-nascido, dar uma cafungada nele e tirar dali um odor de DNA para o resto da vida. Outra diz saber de cor a fragrância da casa de seus pais. Já uma, mais engraçada, comentou que seu irmão cheira à lavanderia: é só abrir a porta do armário dele para sentir o 5 à Sec.

Confesso que não sou muito de odores, mas de sabores. Porém, há dois cheiros que jamais esqueci, e que tento reproduzi-los ao máximo desde que saí da casa de meus familiares. São cheiros associados as minhas avós, duas loucas por limpeza e faxina: Antonia e Madalena.

Primeiro, uma confissão. Olha, eu não sabia lavar roupa até um mês atrás. Nunca tinha usado uma máquina de lavar ou encarado um tanque. Admito mesmo. No máximo, havia passado uma água em minhas cuecas e sungas no chuveiro. Então, quando lavei a minha primeira peça de roupa, o mundo foi pequeno demais para a minha felicidade.

Tirei a camiseta da máquina, pendurei-a no varal, fiz todo o ritual padrão. No dia seguinte, fui pegá-la. Estava uma beleza - era daquelas camisas de corrida, que não amassam, o que facilitou muito.

Mas, ao pôr a peça em direção à minha narina, logo a minha alegria foi embora. Não era o cheiro que estou há anos acostumado a sentir: o cheiro de roupa lavada pela vovó Antonia.

Eu sei que isso parece coisa de gente mimada, mas, dizaê, cheiro de roupa lavada, com aquela mistura equilibrada de sabão em pó com amaciante, não é uma delícia? Eu não consigo de jeito algum reproduzir essa fragrância. Sem sacanagem: as minhas roupas sempre cheiraram tão bem, que no primeiro da faculdade teve uma menina, sentada na carteira atrás de mim, que encostou a cabeça em minhas costas e revelou:

- Que gostoso esse cheiro de roupa lavada com carinho, com amor... É o que mais sinto falta desde que mudei para a república das garotas...

Já liguei várias vezes para a minha avó materna a fim de saber o que fazer para deixar a roupa tão cheirosa. A resposta do outro lado é sempre meio vaga. Afinal, sabe como são as avós...

- Traz aqui que eu lavo, vai!

Juro, eu escuto a minha nona sorrindo quando ela diz essa frase.

O outro cheiro, esse da avó Madalena, remete a minha infância em Tupã. Nunca gostei muito de ficar na casa de meus avós paternos, pois ela não era um lugar muito divertido, apesar da piscina. Mas se tinha algo que me fascinava naquele ambiente era o seu cheiro. No caso, do banheiro de visitas. Dava para sentir a fragrância de limpeza do corredor. Sério!

Minha avó dizia que o lugar mais pessoal da casa era o banheiro, então ele devia ser um cartão de visitas. Acho que ela o limpava todas as manhãs, bem cedinho, pois nunca a vi abaixada passando um pano na privada ou coisa do tipo. Também não tenho a mínima idéia dos produtos que ela usava. O cheiro era tão maravilhoso, que por várias vezes eu pegava uma revista e passava um tempão lendo sentado no trono, mesmo sem estar apertado ou coisa do tipo.

(Não tem gente que gosta de "abrir os pulmões" e sentir o cheiro da natureza? Eu fazia isso no banheiro de vistias da vó Madalena.)

Hoje, ela não está mais aqui. Mas, como bom alquimista que tento ser, em minhas experiências já passei Veja Multi-Uso no assoalho, água sanitária nos azulejos, Pato Purific na privada... E não consigo chegar aos pés do que era o banheiro da casa da minha avó de Tupã.

23 de dez. de 2008

O amor em tempos 2.O


Eles são nerds. Assumidos. Mas nerds apaixonados, cujo maior hobby é passar as tardes em casa jogando "Guitar Hero" no Nintendo Wii. O casal Márcia Carmo, de 24 anos, e Leandro Ferreira, de 22 anos, levaram a paixão pela tecnologia ao extremo ao montarem o blog Nerds in Love, que conta os preparativos do casamento da dupla.

Noivos desde o final de agosto, a arquiteta de informação e o desenvolvedor usam, além do blog, várias ferramentas hi-tech para compartilhar com o mundo a história deles. A dupla aceitou ser entrevistada, mas com uma condição: a conversa não poderia ser pelo "tradicional" telefone. Só por e-mail, MSN ou, no máximo, via Skype. Escolhi a primeira opção.

De quem foi a idéia do blog? Vocês se inspiraram em algum site ou blog?
A idéia surgiu no dia seguinte ao noivado, em uma conversa no Gtalk. O Leandro disse: "antes de mais nada precisamos fazer uma coisa: criar um blog". Fizemos um brainstorm e em pouco tempo surgiu o nome: Nerds in Love. A princípio era pra ser um lugar privado, só para nós dois mesmo, onde pudéssemos guardar tudo o que a gente encontrasse pra fazer um casamento legal e também usar o espaço para decidir coisas relacionadas e mostrar para as famílias. Até então não imaginávamos que existiam vários blogs, e até fóruns, sobre casamentos! As noivas, principalmente, se unem muito e compartilham conhecimentos, é incrível! Mas decidimos deixar público pensando em nossos amigos e em outros noivos. Em especial, nerds. No primeiro dia de Nerds in Love tivemos mais de mil visitas, pois um amigo nosso linkou o blog no Blue Bus. Isso nos assustou, mas com tantas mensagens positivas que recebemos, percebemos que seria uma coisa legal a se fazer.

Qual o objetivo da página?
Somos apenas um casal de nerds que vai casar e resolveu compartilhar tudo o que aprender sobre planejamento de casamento. Então, além de aprender e ensinar como escolher a decoração, o buffet, vestido, convite, bolo e outras coisas comuns em um casamento, vamos pensar em idéias nerds e aproveitar as dicas que recebemos dos visitantes, que nos ajudam muito!

Quem entra no blog? Amigos? Mulheres? Noivas?
Nossos amigos estão sempre acompanhando as novidades pelo blog. É um jeito gostoso de fazer com que todos participem, mesmo os mais distantes. No blog entram também muitos noivos, mas em sua maioria mulheres. E, lógico, nerds interessados pelo assunto! Na verdade, qualquer pessoa é sempre bem-vinda, pois com freqüência pedimos a opinião dos leitores sobre determinada escolha que precisamos tomar.

Eu vi que vocês querem fazer do blog quase uma rede social. Usam o Twitter e outros sites da web 2.0, postam fotos no Flickr. E sempre falando do casório. Por que pôr na internet algo tão íntimo, como os preparativos de um casamento?
Na verdade, nós estamos sempre no Twitter, Blip.fm, Flickr e outros sites. Dessa forma se torna inevitável não tocar no assunto nesses lugares. Mas uma conversa que tivemos logo no início do Nerds in Love foi de não torná-lo um "diário". O objetivo é compartilhar o que aprendemos e dar dicas a partir desse conhecimento adquirido. Lógico que às vezes soltamos um detalhe ou outro do nosso casamento, já que o conteúdo do blog está totalmente relacionado ao que estamos pesquisando no momento, mas nada muito íntimo.

Planejam algo nerd para o casamento?
Ah, com certeza! Essa vai ser a parte mais divertida! Não temos muita coisa definida ainda, mas já adiantamos: (internet sem fio) Wi-Fi e livestream (ferramenta de transmissão de vídeos ao vivo pela web) serão essenciais na festa!

Por que vocês se consideram um casal nerd? Só por gostarem de tecnologia? O que os diferencia de outros casais que conhecem?
Nós não apenas gostamos de tecnologia, somos apaixonados! Trabalhamos com isso dia inteiro, e quando chegamos em casa vamos relaxar no computador... Conhecemos vários casais que são parecidos, a diferença é que tivemos essa idéia de montar o blog, então esse nosso jeito fica bem em evidência pra muitos leitores do nosso blog.

É verdade que o primeiro presente que o Leandro lhe deu foi um joystick do Wii, para vocês jogarem o videogame a dois? O que é um passeio legal para vocês dois?
(Risos) Já trocamos vários presentes nerds: conta Pro (paga) do flickr, muitos livros, jogos e acessórios para Wii e outras coisas. Mas não são sempre nerds, gostamos de nos presentear também com coisas mais comuns. Sobre passeios e momentos nerds, adoramos passar a tarde inteira jogando "Guitar Hero" no Wii, ir à palestras e encontros de tecnologia, blogs e geeks em geral.

Alguém já ajudou financeiramente vocês no blog? Por que colocarar essa opção de doação na página?
Já recebemos algumas doações sim e em todas anunciamos no blog. O Nerds in Love surgiu de uma forma bem despretenciosa, apenas pra compartilhar as nossas descobertas nesse momento tão bonito da nossa vida. Essa opção de doação foi uma sugestão de alguns amigos nossos para que fizéssemos o "cofrinho do casamento", já que tudo é muito caro. Aceitamos qualquer valor e por menor que seja, essa é uma forma de ajudar um casal de nerds a ser feliz :)

PS: Entrevista publicada no IG.

10 Discos de 2008: 7) Adele - 19


2008 foi um ano em que escutei ótimos trabalhos de cantoras - britânicas. Matutando assim, rapidamente, vem-me à cabeça vários nomes. Gostei muito dos discos de estréia da Duffy e da Laura Marling, por exemplo. Mas se eu tivesse que escolher um para entrar aqui, nessa nobre lista, não poderia deixar de fora a Adele.

O som dela não segue as fórmulas que Amy Winehouse, Lily Allen ou até mesmo Joss Stone estabeleceram há alguns anos e serviram de modelo para vários clones. Inspirada por Ella Fitzgerald e Etta James, Adele é uma grande jazz singer, de voz deliciosa, daquelas que nem precisam de acompanhamento musical.

19, o seu primeiro disco (o título faz referência a sua idade), é uma jóia. Não há uma, eu disse UMA, faixa ruim! Daydreamer, que abre o disco, já logo diz de cara porque Adele merece a audição. Com apenas um violão sendo dedilhado ao fundo, ela atinge notas incríveis e mostra ter uma dicção perfeita. A próxima, Best for Last, segue a mesma toada, mas agora só se ouve um contra-baixo. Chasing Pavements é o hit do álbum, uma das 5 melhores do ano, e é o tipo de música que Mariah Carey morreria para ter em algum de seus discos. Cold Shoulder, outro single de sucesso, tem batida rápida e uma orquestra de cordas poderosa. Right As Rain parece uma bossa-nova meio Los Hermanos (isso é bom!). Hometown Glory é uma balada grandiosa, que fecha com brilho o disco.

O CD é meio fossa, parece trilha do Dawson's Creek. As letras são pessoais e falam, em sua maioria, sobre um amor que foi embora. A própria Adele diz que seu estilo é "heartbreak soul". Por isso não é um som que agrada a galera facilmente. 19 não tem uma Rehab ou uma Mercy, e isso é bom dizer. 19 é um disco de momento, para se ouvir sozinho (a dois nem a pau!).

Já o ouvi pegando uma estrada e recomendo a experiência fácil, fácil.

21 de dez. de 2008

Guia do mochileiro da web 2.0

Há um ano, o maranhense Claudiomar Rolim Filho, de 24 anos, acabava de se formar em relações internacionais pela Universidade de Brasília. Sem emprego fixo, ele decidiu que 2008 seria o seu ano sabático. Com algumas roupas, um notebook e uma câmera digital na mala, ele resolveu dar a volta ao mundo. Foram 32 países conhecidos e milhares de histórias incríveis. Todas compartilhadas em seu blog, O Mundo Numa Mochila. Por cada país ou cidade que passou, Claudio se hospedou de graça na casa de um estranho que conheceu por meio do CouchSurfing, um serviço de hospedagem em forma de rede social muito popular entre os mochileiros.


De volta ao Brasil, Claudiomar me contou como foi a sua viagem. "Passei 40% do meu tempo na internet. Fui a primeira pessoa a fazer uma volta ao mundo testando hotspots!"


Como começou a viagem?

Assim que eu terminei minha graduação, queria fazer uma viagem de despedida. Queria ir para a Inglaterra fazer um curso e depois ir para África, fazer trabalho voluntário. Ao pesquisar na internet, conheci a passagem da Star Alliance. É uma aliança entre várias empresas aéreas, que dá o direito de você fazer uma viagem de volta ao mundo com 15 paradas. Você paga por milha. Eu paguei uma taxa de até 34 mil milhas com uma rota que eles fornecem no próprio site. O que me fez ir atrás disso mesmo foi quando descobri o CouchSurfing. Gastei US$ 3.700 na passagem. O dólar na época era R$ 1,70.


E qual foi a sua rota?
Minha primeira parada foi Los Angeles (EUA). Depois, Honolulu (Havaí), Seul (Coréia do Sul), Bangkok (Tailândia), Nova Deli (Índia), Estocolmo (Suécia), Varsóvia (Polônia), Istambul (Turquia), Liubliana (Eslovênia), Viena (Áustria), Cairo (Egito), Zurique (Suíça), Barcelona (Espanha), Lisboa (Portugal) e, por fim, Brasília. Essas foram as 15 paradas que a companhia aérea me deu direito. Fora isso, eu viajei de trem, ônibus, carro... Foram 32 países ao todo: EUA, Coréia do Sul, Hong Kong, Macau, Tailândia, Malásia, Indonésia, Camboja, Vietnã, Índia, Nepal, Suécia, Polônia, Lituânia, Letônia, República Checa, Alemanha, Turquia, Síria, Líbano, Eslovênia, Itália, Vaticano, Áustria, Hungria, Eslováquia, Egito, Israel, Jordânia, Suíça, Espanha e Portugal.


Como funciona o CouchSurfing?

É como um Orkut. O principal motivo de ter um perfil nele é se conectar com seus amigos, levar o intercâmbio de diferentes culturas. Volto para São Luís nesse final de semana e já receberei duas austríacas. No final do ano virão duas alemãs! Quando você não está viajando, você fornece a sua casa. Existem três maneiras de identificar se uma pessoa é confiável ou não. A primeira, e mais simples, é ver se ela não é um fake: ler suas informações, checar se tem fotos. A outra é o cadeado. O site pede seu nome completo e o número do cartão de crédito. Daí eles checam se você não está usando um nome falso. A terceira maneira, que não é obrigatória, é pagando. Você dá um dinheiro para o site e enviam para sua casa uma carta com uma senha para ser ativada. Ao ativar, isso mostra que você realmente tem um endereço fixo. Virar referência entre os outros usuários também é muito importante.


E como você descobria um novo lugar para se hospedar? Foi tudo planejado ou na hora mesmo?

No começo não planejava nada, porque na Ásia é tudo muito barato. Eu ficava duas semanas em um país, nada tinha tempo. Fiquei um mês na Índia. Isso mudou quando fui para a Europa, que é bem mais cara. Em algumas cidades, como Budapeste, que não tinhada nada para fazer, ficava só duas noites. Quando queria ir para balada, como na Eslováquia, ia no final de semana. Gastei muito pouco. Vendi tudo o que tinha no Brasil: móveis, computador, bicicleta... Só gastei com alimentação.



Você deve ter passada a viagem inteira conectado. Como avalia a internet dos países por onde passou?

Meus amigos brincam que fui a primeira pessoa a fazer uma volta ao mundo testando hotspots. Gastei 40% da minha viagem só na internet. Minha primeira parada foi nos Estados Unidos, onde trabalhei em Santa Barbara como recepcionista de um hotel por quatro meses para juntar dinheiro em dólar. Foi perfeito porque eu trabalhava das 7 da noite às 11 da manhã e não tinha ninguém para fazer check-in! Ficava o tempo todo na internet, pesquisando por lugares para viajar, couchsurfing e abasteci meu blog. Eu pude me conectar em todos os lugares, do Camboja aos Estados Unidos. Era mais fácil achar umhotspot nesses lugares do que em São Luís ou Brasília! (risos) Usei Wi-Fi em todos os McDonald's. Ficava impressionado! Eu estava o tempo todo procurando lugar para ficar e respondendo e-mails. Sempre usava o Skype absurdamente para remarcar passagens. Comprava crédito e ligava.


A comunidade do CouchSurfing é muito grande?

As cidades têm comunidades no site, então eu postava que queria sair para tomar uma cerveja, que estaria em tal lugar e 20 pessoas apareciam! Quem viaja por CouchSurfing vai em grupo, então sempre tinha gente. Isso é mais interessante que a hospedagem.


Ficou hospedado na casa de alguém bem estranho?

No Egito, quem me recebeu foi um australiano que lecionava na Escola Britânica de Cairo. Ele recebia o salário de um professor de Londres, que é umas cidades mais caras do mundo, para viver em Cairo. Era como ganhar R$ 10 mil e só gastar R$ 500. Comi e bebi tudo o que podia na casa dele!


E agora, quais são os seus planos?
Quero fazer disso um livro e estou procurando emprego. Cara, a principal meta do blog agora é conseguir chegar a uma entrevista com o Jô. Com certeza é um grande sonho que eu tenho e vários leitores estão nessa campanha há algum tempo!

PS: Entrevista publicada no IG.

20 de dez. de 2008

No Estadon

Então, esqueci de falar. No domingo passado saiu a entrevista que fiz com o Paulo Tiefenthaler, do Larica Total. Eu já tinha comentado desse ótimo programa do Canal Brasil por essas bandas. A matéria pode ser lida aqui: "Não sofram com a geladeira vazia".

Antes da conversa, Paulo pediu para eu entrar na comunidade que a atração tem no Orkut para que eu visse o fanatismo do pessoal. Dei uma boa olhada e realmente é muito legal. Principalmente a compilação das melhores pérolas desse grande filósofo da baixa gastronomia brasileira.

Selecionei algumas imperdíveis. Anotem aí:

- "O sal é uma descoberta do homem, que depois transformou tudo em comida"

- "Engasgar é humano"

- "A salsicha, eu não sei se ela tá pronta, porque, por fora, ela tá mais do que pronta e, por dentro... Por dentro é uma incógnita, é um mistério... É que nem quando você vai no médico: por fora tá ótimo, de repente por dentro você já nem existe mais"

- "Toca na comida ! Não tem problema, toca nela!"

- "Acordou, escova o dente e corta o alho! É treino, rapá!"

- "Olhar é bom, mas fechar a tampa do forno é melhor"

- "Bom, essa aqui não é faca ideal pra cortar cebola... Maaaaaas, é a faca que tem!"

- "Não luta contra!" (chorando e descascando a cebola)

- "É bonito, é choroso, é uma cor baunilha" (sobre o queijo coalho)

- "Se não fosse o forno você não estaria aqui!"

- "Não é sopa de tomate, é apenas pra dar um XABLAU"

E a melhor de todas: (vou até dar um bold na criança!)

- "Você acorda de madrugada com fome, você vai perder tempo pra ficar limpando cozinha? E se você passar mal, e se você nao se agüentar em pé e desmaiar e morrer, que que aquela louçazinha que você acabou de lavar, que você fez questão de lavar, vai te ajudar?? Então você esquece essa coisa de louça!"

19 de dez. de 2008

10 Discos de 2008: 8) Rockz - Disco '08

2008 não foi um bom ano para o rock nacional. Pelo menos no sentido de descobrir novos sons. Se nos últimos dois anos pingou um Superguidis daqui, um Vanguart acolá, um Los Porongas e um Supercordas comendo pelas beiradas, esse ano foi bem fraco. Punha fé no novo disco do Moptop, mas eles pararam de escutar Strokes e foram beber na fonte do Snow Patrol. Daí viu a meleca...

Felizmente, um dos discos que eu estava mais a fim de ouvir nesse ano não me decepcionou: Disco '08, do Rockz. Após um EP muito bom lançado em 2006, a banda não precisava de muito esforço para soltar um discaço. Era só manter o mesmo pique do EP e de suas sete primeiras músicas, que deixavam essa banda quase um Franz Ferdinand carioca.

Riffs espertos, guitarras ligeiras, batidas aceleradas. Letras que fogem de relacionamentos e chifres e falam sobre festas, álcool, sociedade, sexo e, lógico, amor. Mas de um jeito que não é piegas, sem rimá-lo com dor.

É pop acima de tudo e não entendo como essa banda, em que alguns integrantes tocaram com Lobão e Planet Hemp, ainda não estourou. Disco '08 abre com Colorbar, uma cacetada daquelas de pôr o som no talo. Essa Mulher tocaria fácil na Jovem Pan (e isso não é ruim, acreditem) e Confesso que Errei é um hit instantâneo.

Infelizmente, um dos grandes trunfos do Rockz saiu da banda: o vocalista Diogo Brandão. A voz dele lembra os bons tempos de Dinho Ouro Preto (sem a afetação "vamos lá, moçada!" atual) e caía como uma luva no rock cheio de ginga carioca da banda

Ouvi no MySpace as novas faixas com o guitarrista Gabriel Muzak nos vocais e achei tudo bem chatinho, além das letras terem piorado bastante.

Isso é apenas mais um motivo para apreciar Disco '08, que pode ser baixado "de grátis" no Trama Virtual.

18 de dez. de 2008

10 Discos de 2008: 9) Black Kids - Partie Traumatic


Tenho uma grande simpatia por bandas familiares (vocês verão isso quando chegarmos ao número desse Top 10). E a novata que eu mais curti nesse ano foi Black Kids, dos irmãos afro-americanos (pescou o nome? pescou?) Reggie e Ali Youngblood. Os dois dividem os vocais e tocam guitarra e teclado no quinteto, respectivamente.

O grupo, para variar, estourou primeiro na internet e logo foi tratado como melhor banda da última semana, com um apanhado de boas músicas que logo caíram no gosto da geração MySpace. Mesmo sem "CD oficial", eles sairam em turnê, gravaram videoclipes e tinham seus singles dissecados por DJs. O som do grupo é aquele indie básico do século 21: guitarras rápidas e batidas espertas, com alguns dedos do pé na eletrônica e nos sintetizadores dos anos 1980. São músicas gostosas de cantar (a voz de Reggie, à la Robert Smith, sempre faz uma tabelinha legal com a de sua irmã) e com refrões bem pegajosos.

Com o primeiro disco produzido pelo ex-Suede Bernard Butler, as críticas em relação a Partie Traumatic foram bem divididas. Eu gostei bastante, apesar da letra ridícula de Hit The Heartbrakes - alguém me explica o que é esse "Knock, knock. Who's there? Call the ghost in your underwear. Call the ghost in your underwear who?"

Cuecas a parte, o CD de estréia dessa banda multiracial é um pop muito legal. O hit I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You é uma das melhores do ano (a melhor, se considerarmos o remix incrível do The Twelves), Love Me Already é aquela faixa gostosinha de cantar e Partie Traumatic também poderia ser fácil a faixa que abre o disco. É um disco regular, que não perde o pique e reserva ao seu final as ótimas I Wanna Be Your Limousine e Look At Me (When I Rock Too).

É um som de fórmula conhecida, OK, mas nem todo mundo precisa ser um Radiohead da vida.

13 de dez. de 2008

Memória afetiva


Não tenho muitos ídolos, ídolos. Então nunca tinha passado pela situação de entrevistar alguém de quem sou realmente fã. Isso até a semana passada, quando passei 15 minutos conversando com o Mauricio de Sousa. Tudo bem, foi por telefone. Ao vivo acho que seria bem mais foda.

Para vocês entenderem a histeria. A primeira palavra que falei foi "Monca". Segundo a minha mãe, nesse momento eu tava no penico, com o gibi da Mônica nas mãos - todo contente! Mauricio também foi o responsável por me levar ao mundo das letras. Comprava tudo o que ele lançava, até o gibi do Pelezinho! Ainda me pego dando umas risadas do Chico Bento quando vou ao cabeleireiro. A cuecada "lendo" Vip, Playboy e Men's Wealth. E eu rindo do Zé Lelé!

Quando eu soube da revista da Turma da Mônica Jovem, fiquei bem puto com a Mônica magra e piriguete, com o Cebolinha falando certo, com o Cascão tomando banho e com a Magali fazendo dieta. Resumindo, todos os personagens perderam seus "defeitos" e estão de acordo com o que a sociedade prega.

Mas depois de ouvir a opinião de umas crianças sobre a revista, confesso que aceitei um pouco (bem pouco!) essas mudanças. E também confesso que achei bem fofo o beijo da Mônica e do Cebolinha. Vejam esse clipezinho abaixo, ele resume bem o que senti na hora na ler o gibi em forma de mangá. Minha memória afetiva pegou forte.



Foi nesse clima piegas que entrevistei Mauricio. Pelo celular, enquanto ele pegava um táxi em direção a Rua do Curtume.

Você esperava um sucesso tão grande com a revista da Turma da Mônica Jovem? Quantos exemplares já vendeu a edição do beijo, Mauricio?
Tá bombando agora no resto do pais, primeiro foi em SP e no Rio. Já estamos em 405 mil exemplares. Como é uma revista em continuação, a maioria das pessoas quer a coleção toda. A Panini teve de voltar a gráfica mais três vezes com a primeira edição e agora com a dois e a três também. Devemos ir para 500 mil exemplares brincando. Eu conversei bastante com o pessoal da editora que a gente atingiria três faixas de público. Então eles teriam de levar isso em consideração na hora de lançar a revista. A primeira edição teve 80 mil exemplares iniciais e no segundo dia já tinha vendido metade. É o maior fenômeno editorial do Brasil de todos os tempos.

E dessas três faixas de público, como que cada um está respondendo às mudanças?
Para minha surpresa, as crianças estão respondendo um pouco mais que todo o restante, e estão amando! O adulto quer saber o que fizeram com seus ídolos de infância (e geralmente não gostam das mudanças); o jovem quer conferir se estamos mesmo falando a vida deles mesmo. Recebemos muitas críticas. Críticas no sentido de sugerir coisas. A maioria está com críticas construtivas e estamos ouvindo e alterando em cima de algumas delas. Isso é possível, hoje, por causa da internet. Você tem uma reação instantânea, está online com o público. Isso é bom e mal. Bom porque você pode redirecionar uma história em quadrinhos como essa rapidamente para o que o público está esperando. Mal porque você leva piabas em cima do que acontece (risos). Também estamos vendo um fenômeno interessante: nós tínhamos receio de que houvesse canibalismo, que essa revista roubasse o espaço das outras. E a tendência é justamente o contrário: a gente vê um aumento dos outros títulos, porque a criança vai na banca comprar a revista jovem, que não tem, e compra outra nossa.

Falando em internet, você parece ser uma pessoa que está sempre de olho no que o pessoal comenta em blogs e comunidades do orkut. Você já leu alguma fanfic feita por fãs? Existem várias que surgiram após o tal beijo.
No orkut está cheio de comunidades de fanfics. Olha, é tudo uma aprendizagem. É como se eu ampliasse a minha sala de visitas para caber milhares de pessoas falando a nossa mesma língua. É delicioso, porque realmente fica uma criação coletiva, praticamente. Os leitores que fizeram mudar o nome do Anjinho. Era Céuboy e o pessoal caiu matando (Nota do blogueiro: agora é Ângelo). Também acharam que era um desaforo tratar o vilão Capitão Feio de tal jeito. Novela não acontece isso, de personagem aparecer e rouba ra cena? Nós podemos fazer isso agora. Me sinto de volta ao status dos tempos de fazer tiras de jornal. Hoje, com a velocidade da internet, eu posso fazer alterações.

As próximas edições terão mais alterações?
Como o pessoal reclamou que havia muita fantasia, história estranha, vem um número agora, atendendo a pedidos, em que eles (os personagens) vão voltar a viver no Bairro do Limoeiro. Mas em seguida virá outra série com bastante ação, aventura e fantasia interplanetária. Estamos criando histórias para daqui dez meses.

Você tinha noção de que o beijo fosse ter uma repercussão tão grande?
Foi o beijo mais comentado pela mídia no ano, realmente. Nesse caso eu não esperava. Virou caso de pós, de graduação, pesquisas, estudos, de levar para a banca examinadora... Algumas estações de rádio ficaram duas horas comentando a cena!

Como é ver seus personagens, que pareciam ter 7 anos de idade para sempre, adolescentes?
Não é muito estranho para mim, porque tenho dez filhos e um é de 10 anos, rapaz! (risos) Estou acostumado a ver, brigar, monitorar comportamento, senão não estaria tirando de letra algo assim. Logicamente, nem todo o mundo é igual. Então eu freqüento muito a internet, entro muito nos orkuts e blogs da vida. De vez em quando eu invado, comento e explico algo. Sempre levam um susto e tentam provocar a minha permanência nisso ou naquela comunidade, mas eu não posso fazer isso porque não tenho tempo nem condições de atender a todo mundo.

A criançada de hoje quer ler o quê?
Essa criançada de 8, 10 anos, já está acostumada com história do tipo mangá. Meu filho de dez anos, o Marcelinho, sabe tudo de Naruto. Eu estava vendo que um dia ele iria chegar para mim e dizer: "Papai, depois eu leio Turma da Mônica, deixa eu ler Naruto primeiro". Foi a gota d'água ele me fazer ir na banca todo dia para saber se o novo Naruto já tinha chegado. Aí falei para ele me contar o que era a história e ouvi tudo detalhado. Pensei: "Me-u De-us! A criançada já está noutra. Ele falava que fulano morreu violentamente!" Esse foi o grande fator que me levou a montar esse projeto no estilo mangá.

A Turma da Mônica Jovem vai virar uma animação no Cartoon Network?
Estão discutindo o projeto em Atlanta, fazendo o contrato. Em janeiro chega aqui uma comitiva do maior estúdio de animação do mundo, da China. Eles querem trabalhar conosco. Eles fazem um filme por semana, é uma coisa louca!

Por que o Chico Bento não apareceu na revista?
Eu não quero nem mexer no Chico Bento enquanto ainda estou achando o caminho da Turma da Mônica Jovem. Chico Bento tem de ser toda uma coisa totalmente linda e maravilhosa.

12 de dez. de 2008

10 Discos de 2008: 10) Mallu Magalhães - Homônimo

Começo a minha lista dos dez melhores discos do ano com um polêmico: o da Mallu Magalhães. Olha, não me interessa se ela parece o Rain Man quando dá entrevistas, se ela dança dentro de si mesma ou quem ela tá pegando. Mas o seu som. E aí, meus queridos, ela mostra que todo o burburinho em torno do seu nome (e idade) não é à toa.

Tive uma grata surpresa ao ouvir o "CD oficial" e notar que ela agüentou bem a pressão de não considerada fogo de palha e apenas uma invenção da mídia. Confesso que gosto mais do EP que ela jogou no MySpace, já que o som era mais intimista e agora está todo produzidão. Mas, ei, isso era esperado.

Com a a assinatura de Mario Caldato Jr., o som de Mallu não perdeu sua origem folk e ganhou mais peso. Adoro, principalmente, o piano que foi acrescentado em J1 e Have You Ever, e a guitarra de blues em Town of Rock'n'Roll. Também gostei das novas músicas de Mallu. Em especial, de You Know You've Got que, para mim é a melhor que ela já escreveu e mostra a maturidade que seu som sofreu nos últimos meses. Her Day Will Come é outra delícia.

Os hits pop Get to Denmark e Tchubaruba também estão lá, claro.

O CD tem, sim, os seus momentos chatos. O Preço da Flor é Los Hermanos demais e o trio final Dry Freezing Tongue, It Takes Two To Tango e Noil parece ter sido tirado de um disco da Jewel!

O resultado final é um disco nota 7. Talvez não fosse uma nota suficiente para entrar nessa lista, mas Mallu abriu a porta pela grande sacolejada que deu no modorrento cenário pop brasileiro. O.K, só se fala de sua vida pessoal, ela não deveria dar tantas entrevistas...

Num conselho de gente mais velha: toma cuidado com quem andas, Mallu!

No Estadon (desta semana)

(Já pode ser vista na web a bela animação brasileira
criada por alunos leigos em 3D)

- 11 horas de 15 anos de trapalhadas
( Caixa de 3 DVDs traz as melhores esquetes do programa da Globo 'Os Trapalhões')

- Oversode no amor e trabalho em baixa
(Quarta temporada de 'The Office' traz vários romances e situações que fogem do escritório)

9 de dez. de 2008

No Estadon (da semana passada)



-
Tricolor gay na pinta na web. Só TV não vê
(Cena de 'A Favorita' que é hit na internet indica que espaço virtual virou a 'rua do século 21')

- Os avós do Casseta & Planeta
(Cansados da pirataria que rola no YouTube, o Monty Python criou um canal oficial no site)

6 de dez. de 2008

Os videoclipes de 2008

Entonces, finalmente solto a lista dos clipes musicais mais legais deste nobre ano. Como sempre, não faço a seleção apenas tendo como olhar um vídeo surpreendente, cult e artístico. Escolhi os que acho bom e pronto. Já imagino que nos comentários desse post terá neguindo dizendo: "E Pork & Beans, do Weezer, cadê?"


Então... No ano passado, o Barenaked Ladies já teve a mesma idéia de reunir celebridades do YouTube no clipe de Sound of Your Voice. Então não vou pôr a cópia da turma do Rivers Cuomo, combinado?

Lá vai...


10) Radiohead - House of Cards (Dir: James Frost)

O quê? O chocrível-vanguardista-fodástico clipe de House of Cards apenas na 10ª posição? Sim, pois é. De fato, a tecnologia do vídeo é bem legal: para gravá-lo não houve câmeras ou iluminação e sim um tal de Google Code, que, a partir de sensores laser colocados no corpo do Thom Yorke, captou as informações na linguagem holográfica e transformou tudo em 3D. Não entendeu nada? Eu também. Mas, enfim, o que importa é o visual viajandão e diferente.



9) Beyoncé - Single Ladies (Dir: Jake Nava)

Já cansei de dizer por aqui que adoro clipes de dança. Principalmente aqueles que trazem coreografias novas e não seguem o bê-a-bá que Jacko deixou lá nos anos 80. Single Ladies foge desse lugar comum. Beyoncé e duas dançarinas, todas trajadas de maiô escuro e se equilibrando num baita salto alto, requebram, descem até o chão e fazem joguinhos com as mãos numa energia incrível! Eu me sinto cansado só de vê-lo... A fotografia do clipe também é ótima, um p&b que não soa batido, e pouco se vê os seus cortes da edição, o que dá a impressão de plano seqüência. Só não gostei desse lance Robocop, de deixar a Beyoncè meio ciborgue. Não precisava, né?



8) Arcade Fire - Black Mirror (Dir: Olivier Groulx & Tracy Maurice)

No ano passado, o Arcade Fire surpreendeu com o clipe interativo de Neon Bible: com alguns comandos no teclado, o internauta é quem fazia acontecer a ação do vídeo. Em Black Mirror, a experiência é repetida. Agora, os números do teclado podem mudar a velocidade da faixa, tirar o som de algum instrumento... Curioso. O chato é que cansa depois da terceira vez...



7) 3 Na Massa - Certeza (Dir: Marcela Lordy)

Nunca senti algo pela Leandra Leal. Sempre a achei chata, metida a intelectualóide e chineluda (quem mandou ser casada com o líder do Cordel do Fogo Encantado?). Nem o filme Nome Próprio, em que ela pratica nudismo indoor em 90% das cenas, provocou-me. Mas, amiguinhos, o que é ela nesse clipe? Encarnando uma femme fatale, Leandra esquenta a tela do monitor fácil, fácil. São apenas 1min 22 dela sussurrando em francês e fazendo caras e bocas para a câmera. Cabelo, maquiagem, iluminação... Não mudaria nada, com Certeza (não consegui evitar o trocadalho!).



6) Justice - Stress (Dir: Romain Gravas)

Dá safra das novas bandas atuais, o Justice felizmente é uma das poucas que se preocupa com a estética de seus videoclipes. Após dois clipes cheios de referências pop, para a atormentada Stress a dupla francesa escolheu a dedo Romain Gravas, que filmou um curta de 7 minutos intencionado a mostrar a tensão socio-racial que existe na França. Se não bastasse a música já ser bem desconfortante, Gravas deixa tudo ainda pior ao seguir os passos de uma "gangue de excluídos" que promove uma quebra-quebra pelas ruas de Paris. Achei tosca toda a polêmica em torno do trabalho, "que ele glamouriza a violência..." Também é um exagero chamá-lo de "Laranja Mecânica do século 21".



5) Mariah Carey - Touch My Body (Dir: Brett Retner)

Vou perder alguns leitores com essa, mas dane-se. Eu amo o clipe de Touch My Body. Além da música já ser um um pop grudento dos bons, ela ficou ainda melhor após o seu clipe. Para mim, é isso que faz um videoclipe ser foda. É cada vez mais raro assistir a um clipe engraçado e nesse eu ri o tempo todo. Não estou falando do "momento unicórnio da Mariah", mas de Jack McBrayer (30 Rock), que mata a pau como o técnico de informática da CompuNerd. Os momentos dele jogando Laser Shot e Guitar Hero com a diva são impagáveis, mas a minha cena predileta é quando ele a vê na porta da casa e diz, engasgando e imitando o agudinho clássico da cantora: "Mariah? Mariah Careyouuááá!"




4) Hot Chip - Ready For the Floor (Dir: Nima Nourizadeh)

Nima é o meu novo diretor de videoclipes predileto. Nos últimos três anos, ele tem feito uma penca de trabalhos admirável, sempre com sua assinatura característica: o visual colorido, fantasioso e onírico que transborda a tela e me lembra demais Michel Gondry (acho que é por isso que gosto tanto de seu estilo, plasticamente incrível). Escolhi para o Top 10 Ready for the Floor, do Hot Chip - banda que, para mim, melhor trabalha com Nima (vide Over and Over). Adorei a idéia de dividir tudo pela metade: o vocalista fantasiado de metade Coringa, as dançarinas com roupas metade sombra, metade luz...




3) Kraak and Smaak - Squeeze Me (Dir: Andre Maat & Superelectric)

Eu sou um grande fã de flipbooks. E por isso adorei o clipe Squeeze Me, dos holandeses Kraak and Smaak. As imagens do vídeo, sempre estáticas, só ganham movimento quando uma mão que segura um flipbook entra em primeiro-plano e começa a virar suas páginas. A ação pode ser um balão subindo até a parede ou mesmo um homem descendo as escadas. Idéia muito divertida e criativa.



2) Gnarls Barkley - Who's Gonna Save My Soul (Dir: Chris Milk)

Taí o clipe que mais me impressionou nesse ano. Quando o vi pela primeira vez, lembro que fiquei alguns segundos pensando na vida após acabá-lo. E foi um tiro para logo dar play e assisti-lo novamente por mais algumas vezes. Na história, um casal conversa em uma lanchonete e a garota está terminando com o rapaz. Ela começa com aquele papo" não é você, sou eu" e, do nada, ele pede um prato extra, enfia uma faca no peito, arranca o seu coração e o entrega para ela. O diálogo que segue essa cena é incrível e traduz toda a metáfora de se sentir "hearthless".



1) BPA (feat. David Byrne & Dizzee Rascal) - Toe Jam (Dir: Keith Schofield)

Fatboy Slim sempre teve videoclipes ótimos, então com seu projeto musical Brighton Port Authority não poderia ser diferente. O clipe é genial: em uma casa, diversos amigos começam a tirar suas roupas, dando a idéia de uma suruba pela frente. Mas, ei, aqui não rola sexo nem nudez: seios e até gestos mal-educados são censurados por uma tarja preta. A grande sacada do diretor foi brincar e criar coreografias com essas tarjas - meu momento predileto é quando as pessoas "jogam" Pong. É um vídeo que faz sucesso em qualquer mídia (quando ele estreou, logo virou um imenso viral e até surgiu um hoax na internet comentando que ele teria uma versão sem as tarjas). Pura besteira.



* Lykke Li - I'm Good I'm Gone (Menção Honrosa)

Muito bacana a atitude do Pitchfork, que em sua tradicional lista de melhores clipes do ano colocou desta vez alguns vídeos que não são clipes. Isso me inspirou a deixar aqui uma ótima performance acústica de I'm Good I'm Gone, da Lykke Li (eu estava louco para colocar algo dela nessa lista). Cheia de energia, Lykke faz uma tremenda jam com a cantora Robyn e outros músicos. Contagiante!

3 de dez. de 2008

Slow blogger

Àqueles que reclamam da ausência de atualizações deste nobre espaço, explico: aderi ao movimento slow blogging.

Tá, é mentira. Apesar que sempre tive esse pensamento, então sou trendsetter?

A verdade é que tô meio atrapalhado. Acabei de mudar de casa e também estou quebrando a cabeça para fazer aqui uma seleção dos 10 álbuns e videoclipes mais legais do ano. Achei que seria fácil, mas tá complicado. Teve muita coisa boa em 2008, embora eu não achasse isso não...

Não vou fazer de músicas, mas se tivesse que escolher uma, iria de Mario Kart Love Song. Cara, essa canção me conquistou, de tão bonitinha. Prestem atenção na letra: baita declaração de amor, dizaê!