19 de jul. de 2005

Adam Smith é melhor que Marx

Eu sou fã da seleção italiana de vôlei. Feminina, diga-se de passagem. É uma beleza, amiguinhos. Tudo começou com as Olimpíadas de Sydney, em 2000. Varava a madrugada para acompanhar a Maurizia Cacciatori jogando. A cada levantada da loira eu dava um suspiro. Quando ela alçava a gorduchinha para uma cortada da Francesa Piccinini, rapaz, era sensacional! Pouco me importava o resultado ou o talento de ambas. Era essa a graça da seleção italiana.

Ontem, quando as meninas brasileiras paparam o Grand-Prix, pude acompanhar como anda a minha querida Itália. Diacho, cadê a Cacciatori e a Piccinini? Foram embora, cederam lugar a umas ragazzas de mais de 1,90m e que cortam uma bola acima de 3,00m. Ao invés daquela graciosa levantadora, agora há em quadra uma tal de Anzanello, que mede 1,92m e pula até 3,24m. Feia que nem o diabo, mas joga melhor que as duas beldades. Uma pena.

Na seleção canarinho o destino foi o mesmo. Com a reformulação ocorrida nesse ano, não há nenhuma musa brasileira no time, alguma jogadora de shortinho que levante a moral da cuecada. Ana Paula e Leila? Os tempos mudaram, amiguinhos. Dêem boas-vindas a Valeskinha e Cia. Jogam bem, principalmente a Paula Pequeno (que de pequena não tem nada), Sheila e a Carol. A levantadora nacional, uma loira, é bem bonitinha. Pena que a Mári, que está mais para a seleção sueca, machucou o ombro. Tadinha.

E jogam bem as garotas, de ambos os lados. Melhor ver atletas nacionais e italianas em quadra, disputando um troféu, do que acompanhar um final entre as cubanas e as chinesas. Credo, como elas são horrendas! Talvez por ambos os países viverem em ditaduras, as jogadoras da China e Cuba não sabem o que é maquiagem ou depilação de sobrancelhas. Um pouco de ocidentalização faria bem às meninas.

E viva o capitalismo!

15 de jul. de 2005

Tri!


Desculpem, amiguinhos, mas hoje estou feliz. Como é bom ver o seu amado clube ensacar um time de pernas-de-pau vindo do Paraná. Deus do céu, como batem esses caras do Atlético Paranaense! Levaram uma bordoada que não esquecerão tão cedo - nem nós, são-paulinos, os seres mais alegres desse 15 de julho de 2005.

Ir ao estádio em dia de final, só quem já foi pode saber como é. 70 mil neguinhos com as cores tricolores, berrando, descabelando-se, comemorando, xingando, abraçando o torcedor ao seu lado, seja ele seu conhecido ou não. E fazer parte desse momento tão especial é algo único. Já fui a outros momentos decisivos do meu tricolor, mas nada chega aos pés desta final de Libertadores. Saí do Morumbi sem voz, abraçado a minha bandeira, estampando, de peito aberto, a camisa do campeão dos campeões.

Pena que tem torcedor babaca (e quem disse que eles são torcedores?) que confundem alegria com selvageria, quebrando o que encontra pela frente, seja orelhões, janelas, carros e até pessoas. Mas tem aqueles que amam demais esse esporte, que pagam mais de 100 reais em um ingresso, 10 reais para alguém não riscar o seu carro, e ainda se sentem inseguros enquanto caminham até o espetáculo, pois o trabalho da polícia é de uma incompetência enorme. Infelizmente, para muitos, esse maldito jogo de bola é a única alegria que há. Ver 22 jogadores correndo em um gramado. Gastar metade do salário mínimo para ter poucas horas de diversão e esquecer do mundo que há do lado de fora do estádio.

Mas nada é mais gostoso do que chegar no quarto de sua avó, que, julga você, está no décimo round do sono. Mas que, no primeiro ranger do armário, diz com aquela voz rouca e calma que só os bons dorminhocos têm: "É campeão, Gu!".

Foto: Lancenet!

12 de jul. de 2005

Relato de um ex-viciado

Soube ontem que o VJ Léo Madeira, da MTV, quebrou ao vivo o novo CD do Oasis. Foi naquele programa Vjs em Ação, onde alguns apresentadores do canal discutem sobre vários temas, seja música ou política. Um Saia Justa, digamos. Enquanto os personagens conversam e emitem opiniões, alguma música toca ao fundo - geralmente um dos discos sugeridos pela produção ou pelos próprios Vjs. Parece que o Madeira pegou o Don?t Believe The Truth, fez um sinal de negativo com o polegar e espatifou o disco contra o chão. Lamentável.

Condeno a atitude do garoto. Não por eu ser um grande admirador do trabalho dos irmãos Gallagher (não tanto quanto nos anos 90), mas pelo ato em si. Meio bobo, parece ter sido feito porque sabe que vai gerar repercussão e protestos. Coisa feia, seu Madeira! Aliás, esses VJs da MTV, metidos a dizer que admiram Björk, Mars Volta ou qualquer coisa sugerida pelo Lúcio Ribeiro - só porque são cults - são uns cabeças ocas. Foi-se o tempo em que o canal era digno de minha audiência. Chris Rock, certa vez disse que o canal produz de tudo, menos música. E vão me dizer que ele não está certo?

O Cazé e o João Gordo, os remanescentes da melhor trupe que a emissora já teve, são mal aproveitados. O primeiro deu pra bancar o Roberto Justus e deixou de lado aqueles programas críticos de sempre, baseados em seu improviso. O segundo foi sujeitado a comandar um programa de coisas freak e viu o seu talk-show, que era demais, ser reduzido em horário e número de entrevistados. Tá um cocô ligar a MTV! A Didi, Hermes e Renato, Thaíde, RockGol e o cara do Mochilão ainda conseguem segurar a peteca. E só.

O Lado B, como o Riff, foram sucumbidos. O Thurderbird se restringe a cobrir eventos da Coca-Cola. Reprises de programas de paqueras e dicas de moda são reprisados a exaustão. Quando um clipe é televisionado, é sempre o mesmo. Good Charlotte, Simple Plan... É o mesmo que ouvimos nas principais rádios nacionais. Agora é tudo produto do jabá no Disk MTV. Em "Escola do Rock", Jack Black diz que a MTV acabou com o rock. Será?

Não quero um outro Fábio Massari, mas pelo menos alguém que entenda aquilo que apresenta. Já fui um "MTViciado", fã do Radiola e apaixonado pela Sabrina Parlatore. Antes tinha música, agora futilidade. E é com os programas, com quem os produz, com a escolha dos Vjs... A MTV, que nasceu com a proposta de nadar contra a corrente e produzir coisas bacanas para os jovens, hoje faz essa porcaria que vemos. Os apresentadores têm que ser bonitões ou estilosos, que exibam a barriga sarada ou a tatuagem moderna no braço. Afinal, o telepronter faz todo o serviço, não é mesmo?

O nível é tanto, que o Léo Madeira (ele de novo) já chamou o Kofi Annan de Nelson Mandela, durante a transmissão do Live 8.

10 de jul. de 2005

Some itens?


Originalidade da Zoomp do Esplanada Shopping, Sorocaba. "Some itens up to 60% off".

Obs: Eu realmente sou péssimo em tirar fotos pelo celular.
Obs2: Agradecimentos ao Filippe pela "câmera" emprestada.

8 de jul. de 2005

Como tudo deve ser


A vida realmente passa rápido. Enquanto esperava por minha terceira sessão de fisioterapia, folheando um livro, vejo de canto de olho um vulto branco vir até a minha direção. Levanto o olhar. O vulto branco, uma mulher morena e alta, leva as mãos à boca e exclama:
- Meus Deus, quanto tempo!

A garota, estagiária de fisioterapia, estudou comigo por anos. Amiga de colegial, amigona mesmo, que na oitava série dizia que o Limp Bizkit era a melhor banda do mundo e que o Fred Durst era um tesão. Saudades. Beijos trocados, nós colocamos em segundos o papo em dia. Engraçado como anos podem ser repostos em alguns minutos, já perceberam?

Enquanto ela via o meu tornozelo machucado e começa a falar da vida, namoro, faculdade e recordações antigas, penso silenciosamente em como tudo na vida acontece rápido e nós nem notamos. Há três anos essa menina estava comigo prestando vestibular. Lembro direitinho de nossas conversas furadas, de quando eu a usava para fazer ciúmes infantis na outra guria de quem eu gostava. Parece que aconteceu ontem. E agora, vejo esta minha amiga, de jaleco branco e cuidando profissionalmente do meu tornozelo inflamado.

Meu pai diz que quando temos 20 anos, tudo voa. Meus melhores amigos, por exemplo; há meses não os vejo. Cada um seguiu o seu rumo, nos reencontramos quase nunca. Alguns já trabalham, bebem cerveja aos montes e exibem os primeiros indícios de pança. Daqui a pouco eles casam, vou ser padrinho. Um colega de faculdade me anunciou na semana passada, todo orgulhoso, que estava noivo. Dei um parabéns e um grande abraço, e depois fiquei lembrando de que há um ano eu o vi pela primeira vez e achava que ele fosse bicha.

Há pessoas que dizem que meus textos são saudosistas, falo muito de minha infância. Respondo que tudo o que ponho na tela são pensamentos que muitas pessoas da minha idade também têm. Acho que faz parte de um amadurecimento dos meus 20 anos; quando a gente começa a sair da saia da mamãe e parte para o mundo. Virar hominho, costumo dizer.

E tenho certeza que daqui um tempo (pouco ou muito, quem sabe?) um grande amigo vai me reencontrar. Dirá que estou mais gordo, barrigudo. Perguntará como anda a minha vida, se estou trabalhando, se a minha mãe está boa. E um flashback tomará conta do ar. Daremos risadas de fatos da faculdade, comentaremos de causos acontecidos com cicranos e beltranos.

Depois cada um se despede e segue a sua vida. Como tudo deve ser.

6 de jul. de 2005

Phallic Logo Awards

O melhor das férias é procurar porcarias pela Internet. Estou achando coisas bizarras, o que é ótimo. Mas digo e confesso: nada supera isso.

Adentrem e vejam que bacana essa premiação sobre desenhos fálicos escondidos aos olhos humanos em alguns logotipos de empresas pelo mundo. Tem uns bem forçados, e outros geniais. O Brasil, com mérito, é dono do logotipo fálico número um:

Genial!

4 de jul. de 2005

\o/

As férias de julho são o meu karma ultimamente. Ano passado, por exemplo, fui "obrigado" a realizar baterias de exames alérgicos. Fiquei por uma semana com 30 patches, pequenos adesivos, em minhas costas. O intuito era saber se eu tinha alergia a várias coisas. Cada patch tinha uma substância - engraçado que eu descobri que sou alérgico a amendoim. Que porcaria.

Há quase um mês, jogando bola, dividi uma bola e saí mancando. Na hora doeu pra chuchu, óbvio, mas achei que foi "coisa do jogo". Depois passou, fiz um pouco de gelo, e dormi. Dia seguinte, o meu tornozelo parecia uma bisnaguinha, tamanho o inchaço. Depois de dois dias parou a minha dor, e achei que tudo estava às pampas. Voltei a jogar futebol, e novamente o meu tornozelo ficou uma bola.

Usei tornozeleira, fiquei duas semanas sem chutar uma bola ou correr, fiquei com o pé descansando e, inclusive, engordei dois quilos. Melhorou minha torção? Lógico que não. Criei vergonha na cara só hoje. Fui em um ortopedista, tirei umas radiografias e recebi o meu presente de férias: vou ter que fazer fisioterapia.

Danei o ligamento do meu tornozelo direito por duas vezes. Jóia! Só não o estourei porque Deus olha para as pessoas, e vendo-me sem plano de saúde, resolveu dar uma canja. Agora vou reservar, do meu precioso tempo ocioso, para dez sessões de exercícios repetitivos, choques dados em meu machucado, gelo no local...

Ótimas férias.

2 de jul. de 2005

O mais legal do esporte bretão


Estava observando com muita festa essa discussão sobre qual será o estádio a ser usado pelo tal do Atlético Paranaense contra o meu glorioso tricolor paulista. Rá, se ferraram! Constroem o estádio mais bacanudo da América Latina, mas o deixam com uma capacidade ridícula. Vão ter que jogar no Rio Grande do Sul, tadinhos. Avante, São Paulo!

Aliás, o que eu mais adoro no futebol é essa rivalidade. Divertidíssimo essa história do presidente do Coritiba se negar a ceder o estádio para o rival praticar a sua peleja, alegando que o campo do Coxa ainda está em reformas e não pode acomodar um jogo de tamanha importância. Ok, caro presidente. Sua desculpa foi fenomenal (aposto que o senhor está se deliciando pelo fato de ver os atleticanos se esborracharem lá no sul porque a cidade de Curitiba não tem um estádio maior). Sacanagem, caro dirigente!

O Atlético, por curiosidade, tem um "buraco" em seu estádio. Assim: ele não está completo até hoje, falta um pedaço para finalizar a arquibancada. Isso graças ao dono do terreno da discórdia, o "buraco", que não deixa nem que se passe por cima do seu cadáver que os atleticanos ampliem o espaço para a torcida. O terreno, um escola infantil, é de um fanático torcedor do Coritiba. Já viram o porquê do tio não liberar aquele pedaço de terra.

Nos anos 80, a Coca-Cola patrocinava grande parte dos clubes tupiniquins. Quando a empresa de refrigerantes fechou a parceria com o Grêmio, os dirigentes do time gaúcho se recusaram a estampar no uniforme gremista o logo da Coca-Cola nas cores vermelho e branco. Qual o motivo? O Internacional, arqui-rival do Grêmio, possui tais cores. A solução foi pôr nas camisetas de jogo o Coca-Cola estampado em preto e branco.

Mais legal ainda é na Turquia. Em Istambul, o Galatasaray, junto do Besiktas, são os principais times de futebol da capital do país. O Galatasaray, que já teve vários brasileiros, tem as cores vermelho e amarelo como símbolo. Já o Besiktas, preto e branco. Tá e o que tem isso? Acontece que o McDonald's me abre uma filial ao lado do estádio do Besiktas. Daí houve protestos por todas as partes dos fãs do clube, que não queriam um restaurante daqueles perto do campo do time de seus corações.

Nossa! , pensa o leitor. Como os turcos são anti-americanos, né? Politizados, nacionalistas. Nada a ver, eles não queriam um McDonald's por lá porque as suas cores são justamente as mesmas do Galatasaray. Adivinhem qual foi a solução? Não construir, certo? Errado.

Aquele "M" gigante e todo o resto do restaurante estão nas cores branco e preto.
*Fonte: Loucos por Futebol

28 de jun. de 2005

Do you wanna get hiiiiigh?

Alguém viu esses novos outdoors do Unibanco? O banco passou por uma reformulação, as agências agora estão nas cores azul-claro, o logotipo está mais moderninho, as propagandas agora não estão mais com a Deborah Bloch e o Miguel Falabella... Enfim, alguém viu os outdoors do banco?

Para representar as novas facilidades do novo Unibanco, os publicitários, da Agência F/Nazca, bolaram uns personagens meio infantis. Tem um ovo que anda, um carrinho, um símbolo de interrogação que pula... Todos possuem pernas e olhos, algo bem típico do cartoon.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o boneco da nota de dinheiro. Verde, com uns sapatinhos toscos e uns olhos azuis bem caídos - o que parece que a nota acabou de acender aquele baseado.

Agora me digam: é muita coincidência ou a nota chapada do Unibanco não é cara do:

Towelie, a toalha maconheira do South Park!

Estranho, muito estranho...

27 de jun. de 2005

Canibal
Voltando ao assunto da religião, lembrei de uma estória engraçada. Estava na sétima série, estudava no mesmo colégio católico que citei no último post, e era aniversário de algum santo - ou seria do patrono do colégio? Enfim, era um dia de celebração, que acontecia todo santo ano, lá no ginásio. Todo mundo ia, menos eu e o Felipe, um japonês loiro e budista.

Eu não ia porque diziam que só podia ir à festa quem fosse catequizado. Eu, jovem honesto que sou, fiquei uns três anos sem ir. Eu e o Felipe, o japonês loiro e budista. O cara era chato, todo ano contava uns papos sobre religião; eu não estava nem aí. Vendo-me mais uma vez ao lado do Felipe, o japonês loiro e budista, resolvi que, sim, eu iria até o ginásio e participaria do babado. "Mas você não é catequizado, meu!", ouvi do meu colega de sala. "Ah, não enche o saco!", respondi.

O corredor estava vazio. Foi fácil escapar, assim que cheguei ao pátio do recreio, estava tendo a maior algazarra. Sabe quando você está na terceira série e a tia pede para os alunos fazerem uma fila indiana, do menor para o maior estudante, a fim de que ninguém se perca? Era isso que rolava com a pirralhada. Andando apressado, cheguei ao ginásio. A quadra de esportes tinha um padre, o diretor da escola segurava um microfone, havia algumas freiras ou coisas do tipo. O padre dizia coisas sem nexo, e após uns 15 minutos ele disse que era para os alunos virem receber a óstia.

Eu sempre tive vontade de saber o que era a tal da óstia. Todo mundo na televisão comia aquele treco, meus amigos católicos também. Para piorar, eu estava com fome. Não pensei duas vezes: adentrei na fila para receber o tal do pedaço do corpo de Jesus. Na maior cara de pau, diga-se de passagem. A coordenadora Roseli me olhou feio, fez que viria até mim, mas uma mãe a chamou de canto. Pouco tempo depois estava eu e o padre, cara-a-cara.

Como vi que todos que estavam na minha frente se curvavam para receber aquele pedaço de pão, fiz o mesmo. O padre fez o sinal da cruz e disse algo como, "Aceita o corpo de Jesus em nome do Espírito Santo?". Balancei a cabeça positivamente, e mordi a óstia, na cara do padre, que fez uma cara de espanto, mas não disse nada, fazendo com a mão para que eu fosse adiante e deixasse a fila andar. A feira também me olhou assustada.

Depois, já em casa, minha mãe, dando risada, explicou-me o porquê do espanto do padre. Depois que a óstia é abençoada, ela torna-se o corpo de Jesus, disse ela. O correto é mandá-la goela abaixo, não pode mastigar, como eu fiz. Uma prima minha chegou a engasgar com a óstia, quando foi comunhada. Também, engolir a seco, sem água nem nada (água benta serve?).

23 de jun. de 2005

Sem título
Eu nunca fui chegado em religião. Costumo dizer que sou agnóstico, pois eu não sei se aquele Cara existe de fato. Também não acho que ele seja barbudo, cabeludo ou de olhos claros. Eu não acho que Jesus seja o Jim Caviezel, pois ele não parece ser filho da Alanis Morissette nem do Morgan Freeman.

Mamãe e papai me batizaram. Foi o máximo. Minhas tias-avós faziam figa para a minha primeira comunhão. "Nem a pau", disse eu. Já fiz parte de um coral, infelizmente. Escola católica, apresentação em algumas igrejas do interior paulista. Fazia número, na verdade eu gostava porque a Juliana Rosa, uma loira de cabelos encaracolados, adorava cantar. E eu "cantava" atrás dela, um lugar acima. Era legal!

Esse ano eu fui à Aparecida, e achei aquilo monstruoso, belo e assustador. "Não, não quero nenhum santinho do São Jorge ou do São Bento". Nunca fui devoto de nada. Minha vó me deu uma correntinha de ouro aos 10 anos, com uma cruz estilosa e pequena. Meu avô tinha uma igual, mais bonita, e isso me fazia sentir como se eu fosse ele. Não gosto de como a igreja católica capitaliza tudo, isso me assusta. Minha tia tem dois ursos de pelúcia que rezam "Ave Maria" e "Pai Nosso". Tenho vontade de atirá-los pela janela.

E só estou escrevendo isso porque esqueci deste blog. Não agüento mais fazer trabalhos, e escolhi para tema de um deles aquela Bola de Neve Church. Domingo eu fui no culto, fiquei ao lado de milhares de fiéis. Engraçado como eles dizem ter Jesus no coração o tempo todo. Alguns ajoelham, outros erguem os braços em direção ao céu, como o Kaká faz ao marcar um tento, sabe? E tem aqueles que fecham os olhos e choram. Vai entender. Será que não sou puro?

E, a fazer o trabalho agora mesmo, estou a cantar algumas das canções apresentadas na igreja. É tudo "derrama a tua sede" e "glória ao Pai". Não, eu acho que não vou virar evangélico. As músicas que ficam na cabeça mesmo. Elas foram feitas para isso mesmo: serem repetidas.

Por isso que gospel é a música do Senhor e Axé é a do diabo.
...

16 de jun. de 2005

"Tchunf!"

Eu tenho uma mania estranha: ler no banheiro. Quando eu digo isso, é comum ouvir: "Ah, isso é normal, todo mundo gosta de ler sentado no trono enquanto faz as suas necessidades". Mas comigo é de outra forma, caro leitor. Eu gosto de ficar no toalete mesmo sem estar com vontade de fazer o número dois. Por ser um lugar ermo, jamais perco a concentração de leitura nesse ambiente.

E o que isso tem a ver com o texto? Acontece que, ontem, após a aula de Sociologia, faltavam cinco páginas para eu terminar Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago. É óbvio que eu não queria descer para o recreio (eu ainda falo isso) deixando a minha leitura por incompleta. "Na sala de aula não dá, pois o professor vai trancá-la", pensei. "No corredor também não, lá tem muito barulho", raciocinei. Uma pequena lâmpada acende sobre a minha cabeça, tal qual nos desenhos animados. Sim, acreditem: eu resolvi terminar o livro sentado no trono do banheiro da faculdade.

Eu odeio as cabines do toalete masculino da universidade. São apertadas demais, mas, para sorte minha, a cabine reservada para deficientes estava vaga. Celebrei comigo mesmo. Entrei, tranquei a porta, abaixei a tampa da privada e abri o livro. Mal termino a primeira linha quando escuto alguns passos apressados adentrar o recinto. A pessoa entra na cabine ao lado da minha, bate a porta e passa a tranca. O som do papel higiênico sendo puxado rapidamente, aos montes, faz-me segurar a risada. Julgo que ele vai soltar aquele barro. Em seguida o homem diz um "Ai caralho!" , e a calça, arriada, choca-se violentamente contra o chão. A dificuldade com que o sujeito teve para abrir o cinto foi sensacional! Pelo o que eu ouvi, a situação era calamitosa.

Milésimos depois ecoa pelo vaso sanitário vizinho aquele som que nós sabemos muito bem qual é, daquilo que fica horas guardado em nosso organismo, que quando escapa vem acompanhado de uma sensação de alívio e frescor, sabe? O mau odor é o seu parceiro, é óbvio. Um "tchunf" -recuso-me a explicar essa onomatopéia - completa a seqüência sonora. É lógico que a cena protagonizada pelo meu companheiro de privada me fez deixar o escritor português de lado.

Saio do banheiro, pois a coisa por lá estava feia, e ouço uma colega de sala reclamar: "Meu, tô há horas para falar com o professor de Sociologia, mas o cara deve ter ficado entalado lá no banheiro!".

13 de jun. de 2005

As mais pedidas


E a campanha "Sai, Grazi!" deu resultado. Atendendo aos apelos da cuecada, ansiosa para saber o que só o Alan viu, a guria mais linda de todos os BBB resolveu que vai mostrar a perseguida para a Playboy. Aliás, se tem algo que esta loira não deve ser é burra. Fez o que quis com os executivos da revista e ainda assinou um contrato que, segundo se especula, diz que ela vai receber a bolada de 700 mil reais e mais alguma participação nas vendas. Jesus...

Outro dia comentei a um amigo que a Grazi deve entrar tranqüilamente na lista das Playboys mais vendidas. Analisando o TOP 10, que só tem produto criado pelo Luciano Huck e ex-dançarina do É o Tchan - exceções à Marisa Orth e Adriane Galisteu - a tarefa da Grazi em entrar nesse seleto clube não é algo fácil. A revista do Hefner custa quase 10 reais, para começar. Sai mais barato entrar no Dedada e conferir as fotos no dia seguinte. Não é a mesma coisa, mas você economiza.

Em rodas repletas de testosterona, é comum às apostas sobre qual mulher pode bater o recorde da Joana Prado. Alguns afirmam que é impossível, os mais animados possuem de gráficos a tabelas demonstrando quais características que pesariam a favor para que algumas musas destronem a Feiticeira.

Xuxa e Eliana Dedinhos teriam a seu favor o fato de mexerem com a imaginação daqueles que um dia foram os seus "baixinhos", por exemplo. Luana Piovani, que diz que só libera a perereca por um milhão, é outro nome forte, devido ao fato dela ser a Luana Piovani, ora bolas! Alinne Moraes corre por fora, ao lado de Malu Mader, que há décadas diz "não" às tentadoras investidas da Playboy. Outros arriscam até na Angélica.

Um nome bem forte é o de Daniella Cicarelli. Além de toda a sua boniteza, que alguns insistem em negar, o seu casamento com o Fenômeno aumentaram progressivamente a suas chances - enquanto casada, diga-se de passagem. Caso o Ronaldo morresse em um desastre aéreo ou automobilístico, Cicarelli seria a número um facilmente. "A viúva de um ídolo nacional mostrando como veio ao mundo". Vocês já não viram esse filme com alguém? Uma tal de Galisteu que ficou por anos como a recordista? Sorte do atacante que ele caiu fora enquanto pode.

Mas, caso eu arriscasse um pitaco, diria que a mulher (menina, no caso) que tem as maiores chances de ultrapassar a barreira dos dois milhões de exemplares, e entrar na história de capa mais vendida da Playboy, não é nenhuma musa. Bonita ela é, mas não é gostosa. É cabeçuda e irritante, e ainda posa de sex symbol. De boa, eu apostaria as minhas fichas na Sandy, a filha do Xororó.

"Mas, Gustavo, você teria coragem de ver a irmã do Junior sem roupa alguma?". É óbvio, caro leitor. O motivo que me levaria a gastar o meu suado dinheiro na Sandy é um só: curiosidade. Do resto, não gastaria um tostão sequer nessa xarope.

10 de jun. de 2005

Ato de repúdio contra a mercantilização do The Killers


Dói-me o coração saber que o The Killers toca na Jovem Pan, que virou ringtone, e até se tornou "a banda do mês" da Rádio Rock, há alguns meses. Agora todos conhecem a banda, o CD está em promoção nas Lojas Americanas, perdeu-se o gostinho de "só eu conheço eles". Tenho vontade de espancar a anta que achou que "Somebody Told Me" poderia ser um smash hit nacional. Morra, ser humano do inferno!

Para piorar ainda mais a reputação, outro dia estava eu a xeretar a coisas da irmã da Irena, e eis que vejo "Somebody Told Me" em sua lista de músicas a serem baixadas no Kazaa (ela tem 16 anos e adora baladinhas que tocam na Pan ). Depois dessa, aí que avacalhou tudo, não há chance de recuperação emocional por minha parte. Repito novamente: isso me dói o coração.

Gente, é sério! Estou ficando deprimido. Fecho os olhos e vejo o The Killers vindo tocar em nosso país varonil. Só de pensar em ver aquelas garotinhas de 14 anos, com a camiseta da banda e dizendo: "Ai, eu sou fã deles há séculos!", me deixa louco! Pior, só se virar parte da trilha sonora da Malhação, sendo a canção da Jaque ou do Cabeção. É de morrer! Daí os garotos da high-society vão começar a copiar o estilo do The Killers. Os mesmos cortes de cabelo, a aparência sujinha... Vão aprender a tocar no violão "Somebody Told Me" para pegar as menininhas nas rodinhas de viola. Ninguém mais vai dizer: "Toca Pais e Filhos!". As pessoas gritarão: "Toca Somebody Told Me!".

E, seguindo a ordem das conseqüências, visualizo aquela Vj da MTV - aquela loira chester (osso e peito) de voz anasalada e vesga que ganhou um concurso há pouco tempo - anunciando para milhares de televisores: "E agora, em primeiro lugar pela quarta semana consecutiva, os meninos do The Killers...". Depois, alguma dupla sertaneja vai fazer uma bela tradução da música, ela vai tocar na Rádio Nativa e será coreografada pelas dançarinas do Faustão. Se piorar estraga, não é mesmo?

Olha, eu ainda me considero um privilegiado. Sorte a minha de que eu nunca fui um grande admirador do Nightwish...

8 de jun. de 2005

Crônicas

Segunda e terça-feira eu fui um Ferry Bueler tupiniquim. Matei aula, na cara dura. Decidi ficar em casa, em Sorocaba. Estava com saudades do meu quarto, do meu cachorro, das minhas tranqueiras, dos meus pais... Em suma, estava com saudades de casa, da minha casa. Curiosamente, a Lísia fez o mesmo que eu na semana passada. Alegou o mesmo motivo que o meu para cabular algumas matérias: saudades.

Completando quase um ano e meio que vim para morar com minha avó, em São Paulo, é impressionante como parece que tenho duas vidas. A que eu deixei há 90km da capital, e a que eu vivo no presente, aquela que eu sempre sonhei ter, com novos amigos, com a bem-amada ao meu lado, usufruindo de todas as atividades diferentes que eu nunca pude fazer. Mas mesmo assim eu sinto saudades de casa.

Digo para o meu amor que, se pudesse, a melhor coisa do mundo seria transportar a minha casa, lá de Sorocaba, e trazê-la para cá, em São Paulo. Seria perfeito. Chegaria da faculdade e o Billy correria e pularia em minha direção, pegaria milhares de filmes da locadora e passaria tardes debaixo do edredom; ficaria a baixar dezenas e dezenas de músicas no meu computador, sem ter que ouvir meu tio me amolando para usá-lo também.

Escutaria o som bem alto e, assim que a empregada fosse embora, andaria pela casa de cueca. Iria ser tão gostoso. Daria uma volta no quarteirão com aquele cachorro sem-vergonha, e, quando voltasse, uma coxinha, trazida quentinha da padaria pela minha velha, estaria lá, em cima da mesa, para a minha degustação. Depois era só pegar o telefone, discar o número que não sai de minha cabeça, e fazer o convite: "Nê, vem pra cá jantar comigo!".

Durante esses poucos dias em casa eu zanzei de madrugada por aquele corredor gelado. Ouvia meu pai roncando e dei uma bronca em mamãe, que insistia em ver novamente uma reprise do Friends. Fui à cozinha, tomei aquele chá gostoso, e fiquei sentado no sofá da sala, observando pela janela as folhas da árvore da rua balançarem com o vento forte. Estava tudo tão tranqüilo, calmo. O único barulho era o guarda-noturno, que rondava de bicicleta pela vizinhança, apitando toda vez que via uma casa com a luz acessa.

Acho que estou amadurecendo...

6 de jun. de 2005

Eu fui!


Olha, quem não foi perdeu, e se quiser saber como foi, reza para que saia um DVD do show. Porque, meus amiguinhos, o dia 4 de junho foi a data de um dos - e provavelmente o melhor - show de rock que eu já vi em minha vida.

Sim, meus anos de fanatismo foram recompensados, pude ver com os meus próprios olhos ao vivo, a alguns poucos metros, os irmãos White arrebentando no Credicard Hall. Desde o solo enfurecedor de Jack em Red Rain, a seu virtuosismo musical, que o faz tocar qualquer instrumento de corda, passando pelo piano e indo até a uma marimba! E o que dizer de Meg, com seu jeito fofo e meigo, que faz umas carinhas tímidas a cada bumbada, que, mesmo sem ser um às nas baquetas, esmurra naquela bateria preta e vermelha que é uma beleza.

Bonito ver o público trajado das cores da dupla. Parece torcida organizada, que ao ouvir os primeiros acordes de Dead Leaves and the Dirty Ground explode em um mar branco e vermelho. Jack estava estiloso, de chapéu e jaqueta de couro, um cowboy roqueiro que faz de uma canção da ídola country Dolly Parton ser cantada em uníssono pela platéia indie, onde muitos pareciam só quererem ouvir àquela música, que toca na rádio, cujo riff foi sampleado e virou hino da música eletrônica, sabe?

Mas Jack e Meg são mais que essas músicas, cujos clipes dirigidos por Michel Gondry vivem arrematando prêmios nos VMAs. "Eu posso tocar Seven Nation Army e ir embora se vocês quiserem", diz Jack, em tom jocoso. Mas, ainda bem, que aquele gordinho exótico estava de brincadeira. Caso contrário, eu teria perdido You've Got Her in Your Pocket ser cantada por milhares, tirando até um sorriso do garoto, ou não veria a Meg cantar, por alguns segundos, a bonitinha Passive Manipulation, aconselhando as garotas a tomarem cuidados com os rapazes.

Olha, sou fã mesmo e desculpem a babação de ovo. Se não deu para tocarem You're Pretty Good Looking ou Fell In Love With a Girl, tive o deleite de escutar Black Math, Ball and Biscuit, Blue Orchid, Little Bird, Apple Blossom, Death Letter, The Nurse, Little Ghost, Hotel Yorba, I Think a Smell a Rat e muitas outras das quais não me recordo agora.

Eu vi The White Stripes, lá lá!

3 de jun. de 2005

Vaga de estágio achada na Internet

"O Grupo MK de Comunicação seleciona estagiário para trabalhar com webjornalismo. O candidado deve cursar a partir do quinto período de jornalismo, ter noções de internet, Photoshop e ser evangélico. Os interessados devem enviar currículo até sexta-feira para jdias@elnetcorp.com.br"

OBS: Pena que eu estou apenas no terceiro período...

1 de jun. de 2005

Me dá, me dá, me dá...

Desde que eu vim morar com vovó, engordei seis quilos. Num espaço de um ano, veja só! Também, que culpa tenho eu que a nona satisfaz todas as minhas vontades. Se eu peço para ela fritar uns bolinhos de carne, ela logo corre para o fogão. Quando ela me vê um pouco cansado e dorminhoco, pega várias frutas e bate uma tremenda vitamina para o seu neto do coração. Ser mimado é pouco, viu!

Semana passada ela foi ao supermercado. "Quer que eu compre algo para você, Gu?", perguntou. Pensei um pouco e, neto folgado que sou, pedi algo inusitado, que não comia há anos: Danoninho.

Amigo, vai ver foi coisa de "grávido". Bateu aquela vontade, deu saudades de saborear um Danoninho sentado no sofá, usando uma colher pequenina, apenas para que o tempo de apreciação ser estendido. E não há nada mais infância que Danoninho. Quem não gostava e se deliciava com ele, bom sujeito não é. O mesmo acontece com Danette e Yakult - aliás, vovó sempre compra o tal do leite fermentado que combate os lactobacilos vivos.

E Yakult eu tomo até hoje. Quem vem me visitar, tira sarro, diz que eu não cresci, mas logo em seguida vejo o gozador bebericando daquele potinho, que todos já sonharam que um dia fosse maior - apesar das várias histórias de dor de barriga que isso pode causar. Conheço um louco que prefere Chambito. Bem, vindo de alguém que confessa, sem vergonha alguma, que nunca deu risada ao assistir Chaves...

Retomando o fio da meada, segunda-feira, abrindo a geladeira, não escondo a alegria ao ver uma bandeja cheia daqueles potinhos vermelhos. Puxo a gaveta dos talheres, pego a menor colher do faqueiro, abro o petit suisse e, em três colheradas, acabo com o iogurte feito para crianças. Como outro pote, em menor tempo ainda. É muito pequeno!

Inconformado, entrei no site da Danone e descobri que eles criaram um Danoninho para crianças com um maior apetite, um tal de Maxi Danoninho. Mesmo assim, achei muito pequeno, poxa! Estou aqui pensando que, caso eu elabore um abaixo-assinado pela Internet, eles não criam um desses iogurtes para crianças que já passaram da fase de crescimento. Alguém mais está comigo?

A gente pode chamá-lo de Danonão, que tal?

30 de mai. de 2005

Conversa de bar

Mais uma vez fui ao JUCA (Jogos Universitários de Comunicação e Artes). Ao contrário do ano passado, não vou fazer o resumo dos acontecimentos mais legais e não tecerei nenhum comentário sobre os jogos e a beleza da camiseta da PUC.

Em razão da preguiça, cansaço e fadiga, deixo cá um trecho de uma conversa dos alunos da Metodista. Não sei explicar se tal fato ocorreu devido aos efeitos etílicos ou em detrimento da inteligência dos personagens. Enfim, esbaldem-se.


- Ano que vem eu não fico em alojamento, cara!
- Fresco. Por quê?
- Olha o meu tamanho! Durmo maior apertado, nem caibo nos colchonetes!
- Caibo?
- O que tem?
- É "caibo" que se fala? - (garota interrompendo)
- Lógico que não! Onde já se viu isso?
- E como se fala?
- Cabo!
- Ah, é mesmo...

24 de mai. de 2005

Lugares reservados

Andar de ônibus é uma maravilha. Cheio, então, nem se fala. São crianças berrando, meninas tricotando em voz alta, um rapaz que dorme ao seu lado e começa a usar o seu ombro de travesseiro... São muitas as histórias.

Ontem, por exemplo, aconteceu um fato deveras inusitado. Pego o famigerado Shopping Continental, em plena Avenida Paulista, com destino a minha casa. Hora do almoço, friozinho gostoso e, milagrosamente, o ônibus não está congestionado. Quando adentro tal meio de transporte e me deparo com algumas poltronas vazias, juro que felicidade maior não há. Passo pela catraca e sento na primeira vaga que acho, perto da porta. Começo a abrir a minha mala à procura de meus óculos. Noto uma sombra vindo em minha direção. Levantando suavemente o olhar, vejo um crachá e uma camisa xadrez a um palmo de meu nariz.

- Este lugar não foi feito para você! , ouço de uma voz rouca e impaciente.

Um pouco míope, fixo meus olhos no rosto do sujeito. Cabelo um pouco grisalho, ondulado e desarrumado, cavanhaque farto e também grisalho; óculos de armação de metal.

- Oi, perdão?

O tiozinho começa a jogar a sua saliência abdominal contra meu corpo.

- Um dia ainda vai chegar a sua vez, sabia?

Só agora noto que ele quer roubar o meu lugar. Olho para o fundo do ônibus e vejo que ele está mais vazio ainda! Reparo também que o meu assento tem o encosto pintado de amarelo, ou seja, ele é reservado para deficientes, grávidas, obesos e, logicamente, idosos. Antes da catraca, todos os assentos são destinados a tais características citadas. Passando pelo cobrador, umas quatro ou seis poltronas - e eu sentei em uma dessas.

Levanto-me, meio com vergonha, e ainda noto o senhor soltar uns impropérios para si mesmo, como se dissesse: "No meu tempo os jovens eram educados!". Mas, raios, se o ônibus está vazio, qual a razão do cara não sentar em outro lugar vago? Não, precisa dar show, impor a sua condição de "eu trabalhei a vida inteira por este país e o mínimo que eu mereço é um lugar reservado no ônibus". E ele era jovem, aparentava no máximo 55 anos - quase a idade de meus pais!

Olha, juro por minha falecida avó, que quando eu ficar velho não vou ser folgado. Lembro sempre de um episódio do Malcolm in the Middle para exemplificar o meu pensamento. Certa vez, numa liquidação em uma loja, a mãe do Malcolm pediu para ele e seus irmãos ficarem numa fila quilométrica apenas para irem ao vestuário. Quase uma hora e meia depois, os garotos finalmente iriam provar suas roupas. Mas, do nada, uma tiazinha de andador foi passando pela fila, como um carro folgado trafega pela pista do acostamento num congestionamento.

Os meninos brigaram com a tia. Sabe o que ela fez? Deu com a bengala na cabeça de cada um. Ela estava em seu direito, o que até concordo, mas coisa mais irritante que velho folgado não há. Ao menos que ele seja educado, peça licença e dê um sorriso. Não precisa vir desfilando, como se seus cabelos brancos e rugas fossem um atestado de "eu sou diferente e posso tudo". Só eu que não concordo com isso?

Agora, para finalizar minha raiva, alguns minutos depois o ônibus ficou lotado. Eu, sentado lá no fundão, mirava os olhos raivosos contra o tiozinho, desejando atirar uma flecha contra a sua nuca. E sabem o que foi irônico? Uma senhora, de 70 anos pra cima, estava de pé, ao seu lado. Ainda por cima, era obesa, estava com o pé enfaixado e carregava compras em seus braços. E, por acaso o tio do mal cedeu lugar para ela?

Coisa nenhuma! Fingiu que estava olhando a bucólica paisagem da Avenida Rebouças.

21 de mai. de 2005

Feitos para brincar

Semana passada, eu achei, no banco traseiro do carro do Filippe, uma embalagem. De forma retangular, médio porte, envolta em plástico-bolha. Acendi a luz, puxei a proteção do embrulho e sorri timidamente. O pacote era um boneco, versão original da BAN-DAI, de um dos personagens dos Cavaleiros do Zodíaco. Estava lá, igualzinho aos que eu tinha e exibia com orgulho no alto de meus nove anos.

- O que isso está fazendo aqui?
- Meu irmão vai vender no Mercado Livre.
- Sério? Tem gente que ainda compra isso?
- Orra! Nesse aí ele conseguiu 60 reais!
- Caramba! E eu vendi os meus para o Guilhem por 10 reais cada um!
- Tonto...

É isso aí, meus amiguinhos. O que vocês acabaram de ler é algo corriqueiro nesses meus quase 20 anos de existência. Eu nunca fui de ter apego material e, quando decidi dar cabo em alguns brinquedos meus, geralmente eu os levava em alguma casa de doação, ou dava para os filhos de minha faxineira ou empregada, que quase nunca tiveram com o que brincar.

Somente na vez dos Cavaleiros do Zodíaco que eu vendi meus brinquedos (quase a coleção inteira). Precisava de algum dinheiro para viajar, e achei mais do que justo vendê-los para alguém que cuidasse bem deles - o Guilhem, um dos inúmeros amigos nerds que eu tenho. Nas outras vezes, nunca fui de ligar sobre o valor monetário de meus brinquedos de infância.

Eu sempre acreditei que um brinquedo foi fabricado para ser brincado, quebrado, consertado depois, passar de mão em mão. Ter um carrinho, na minha concepção, foi feito para andar pelas paredes e ser usado em apostas de corridas com os outros amiguinhos. Jamais para ficar numa prateleira, servindo como exibição. Uma bola nasceu para ser chutada, para perder os seus gomos conforme os vários bicos que ela levou. Qual a graça dela ficar guardada numa estante, como relíquia? Ela foi feita para ser jogada na praia, morrer nos gols de traves feitos com chinelos Havaianas. Quer coisa mais apreensiva do que deixar a bola cair na casa do vizinho e correr o risco dela voltar rasgada por uma faca?

Outro dia eu me toquei o quanto eu podia ter ganhado uma bela quantia com os meus brinquedos. Para começar, eu tive quase a coleção inteira dos bonecos do Star Wars. Assim que mudei para Sorocaba, pedi para minha dá-los a alguma criança. Tal destino foi o mesmo da minha coleção de gibis da Turma da Mônica - que, aliás, tinha os primeiros exemplares do Chico Bento e do Cebolinha. Segundo a cotação nerd, eu já podia ter faturado mais de 500 reais apenas com essas preciosidades.

Mas eu ainda guardo alguns objetos, só que estes, sim, não vendo de jeito maneira. Todos têm um valor sentimental. Quem quer o primeiro livro que eu ganhei? O As Aventuras do Ratinho? Ou um relógio dado pelo meu avô antes dele falecer? E as cartas da bem-amada, o que elas podem representar a outra pessoa a não ser eu?

Ah, meu nego. Esses aí de cima eu não dou mesmo. Estão muito bem guardados, numa caixa em meu armário, para ninguém mais, além de mim, poder contemplá-los com um pequeno sorriso no canto da boca.

18 de mai. de 2005

Problemas auriculares
Alguém sabe o que é ter o canal auditivo curto? Eu sei, o nome soa estranho, mas deixo cá um desenho explicativo. O marrento do canal auditivo é essa ligação entre a orelha externa e a orelha interna, que começa no tímpano, estão vendo?

Pois é, eu tenho o canal auditivo curto. Soube disso semana passada, ao conversar com a mama. Eu tenho uma baita facilidade para que coisas líquidas adentrem em meu ouvido. Água, então, nem se fala. Basta a primeira chuveirada para eu sentir uma gotinha mínima descendo pelo escorregador que leva o tímpano (como ele é curto, julgo a brincadeira ser um pouco rápida). O meu grande problema é que, bastou a água ficar, ela não sai de jeito nenhum, nem com reza brava. Dou uns tapas em minhas têmporas, chacoalho a massa encefálica... E nada da água dar o ar de sua graça.

Outro dia a Irena pôs um pouco de álcool, e a minha tia já quis colocar óleo (?) para ajudarem com o meu infortúnio. Para variar, as tentativas falharam. Quando começa a doer e, acreditem, dói mesmo, corro para o meu otorrinolaringologista predileto, o Dr. Mauro. Lá ele enfia aquele aparelho engraçado, acende a luz no fim do túnel e diz em tom jocoso: "Alagou aqui de novo!".

Quando entra água do mar é pior, porque daí dá fungo e a Otite, que é pior que siso arrancado. Nesses casos ele dá uma lavada, metendo um jato Corona de água quente canal auditivo adentro. Eu adoro! Alguns odeiam, mas eu amo. O Dr. Mauro disse que eu devia usar uns pedaços de algodão e tapar meus ouvidos quando eu fosse cortar o cabelo. Por incrível que pareça, a cada lavada ele acha uns tecos de minhas madeixas por lá. Segundo ele, isso é culpa do canal auditivo curto - não confundam com cerume!

Problemas com ouvido são parte de uma tradição familiar. Quando criança, um tio meu resolveu usar o telefone numa bela noite de temporal. Caiu um raio perto da casa de minha vó, que meio que conduzido pelo telefone, dando um estouro no ouvido esquerdo de titio. Meu pai diz que saia um pouco de fumaça da orelha de se irmão, mas nada de grave aconteceu - fora que ele morre de medo de chuva.

Pior, só o meu grande irmão. Certa vez ele acordou todos da casa aos berros, em plena madrugada. "Tem um avião dentro do meu ouvido! Tem um avião dentro do meu ouvido!", berrava o machão de quase dois metros de altura. Após longo trabalho e com a ajuda de uma pinça, um enorme pernilongo foi retirado de dentro de sua orelha. Ele é traumatizado por isso até hoje. Quando ele dorme, cobre-se com o lençol até a cabeça, deixando um clima meio muçulmano em seu quarto.

Mas eu ainda acho que é muito chato ter o tal do canal auditivo curto. Pior que levar um raio ou ter um avião dentro do ouvido!

13 de mai. de 2005

Ernest é rei!

Eu não gosto de Star Wars. Pronto, falei. Que venham os milhares de xingos e macumbas para riba de mim. Mas eu não gosto mesmo, diacho! Uma montoeira de personagens que ficam num episódio crianças, depois ficam com 50 anos, daí viram crianças de novo e depois estão jovens... Fico perdido com aquele monte de gente com nome estranho, com todos aqueles cenários artificiais que "explodem" aos meus olhos e deixam tudo numa sensação de algo muito falso.

O George Lucas deve ser um tiozinho pra lá de estranho. Tudo o que ele fez na vida foi um filme, se levarmos em conta sua produção (sim, eu sei dos cults THX 1138 e American Grafitti). Ele também produziu e escreveu os três Indiana Jones, dirá outra pessoa. Sim, eu sei novamente. Aliás, parece que ele quer fazer um quarto filme da série. Bem, se tem algo que Lucas deveria aprender, e não errar com um quarto Indiana, é que o número exato para fazer seqüências é três.

Podem ver, foram assim com algumas bacanudas trilogias: O Poderoso Chefão, De Volta Para o Futuro, A Vingança dos Nerds, Matrix e, inclusive, Indiana Jones. Passou da terceira película já fica algo pretensioso demais, soa como se o roteirista não tivesse imaginação, que ficou preso a uma história. Veja só como a minha teoria funciona: quais são os melhores Rocky ou Loucademia de Polícia? Os três primeiros, lógico!

Mas o pior do Star Wars não é nem o seu criador, mas os seus fãs. De boa, há algo mais chato que os seguidores do Guerra nas Estrelas? O João Ximenes Braga, do O Globo, fez em sua coluna uma lista de coisas boas - que realmente são demais - mas ficam um saco pelos atos estéricos de seus fãs. Exemplo? Chico Buarque, João Gilberto, qualquer mpbista... E do Star Wars eu só gostei dos três primeiros (olha ele aí de novo!), porque o resto me deu um sono dos diabos - cheguei a cochilar, em pleno cinema, na exibição do Episódio I.

E, como cada exceção tem a sua regra, digo que somente um filme conseguiu a proeza de fazer uma porrada de seqüências sem deixar a peteca cair. Alguém se recorda das comédias do Ernest? O ator Jim Varney deu vida, em mais de dez filmes, ao Ernest, um grandão atrapalhado que vivia se metendo em confusões, seja quando ele foi para a escola, para a África, prisão ou à fazenda. É muito bom quando passa algo do Ernest nas reprises vespertinas da TV Globo.

Os filmes do Ernest são clássicos. Recomendadíssimo!

9 de mai. de 2005

Como vinho


Existem álbuns que ficam melhores com o tempo. Acontece muito, às vezes o estilo proposto pelo artista não é adequado a um momento de sua vida ou, simplesmente, você tinha tantas esperanças naquele CD, que era elogiadíssimo ou bombardeado pelos críticos, que você já o foi ouvindo cheio de pré-conceitos. É, acontece.

Isso aconteceu quando os Strokes viraram moda. Ganhei o disco dos rapazes em um amigo-secreto, e recordo-me que escutei o álbum correndo, achando tudo gravado nas coxas e não entendia patavina do que o Julian Casablanca cantava. Demorou um ano para eu "descobrir" o porquê da veneração pelos caras. Com algumas teias e pó no encarte, desenterrei o som do Strokes e fiquei semanas sem largar o maldito CD. É, acontece.

Com o Seu Jorge foi da mesma maneira. Ao lançar seu segundo disco, Cru, fiquei com o pé atrás. O negão resolveu ficar cult, largou o samba malandro de Samba Esporte Fino, deixou para trás o suingue de Jorge Benjor e Trio Mocotó, indo mergulhar nas fontes da bossa-nova. Ah, Jorjão! Pára de ser pretensioso, querendo misturar viola com italiano e cuíca com inglês! Por isso, acabei por deixar o álbum num canto de minha prateleira, sem dar muita razão a sua existência.

Mas eis, que ontem, em mais uma madrugada de insônia, resolvo dar uma chance para o Cru. E o CD é do caramba, meninada! A voz gostosa e calma de Seu Jorge sai fino em qualquer estilo. Dane-se que o cara mudou todo seu repertório - quem disse que variar não pode ser bom? Como o próprio nome do álbum diz, o cantor quis deixar tudo na simplicidade, ficando apenas a dedilhar a sua viola e a tocar o seu pandeiro bem de leve, baixinho, só para ditar o ritmo. Ah, e tem o seu belíssimo vozeirão, por sinal.

Como se já não bastasse tamanha categoria, o ex-líder do Farofa Carioca tem em seu repertório umas das músicas mais bonitas feitas nesses últimos dois anos. "Bola de Meia" é linda, tem um refrão que gruda, cantiga feita para cantar baixinho, no ouvido da bem-amada. "Fui eu que te dei, o primeiro beijo, o primeiro toque, a primeira canção/ Se realmente quer ficar comigo, não faz bola de meia, com o meu coração...".

7 de mai. de 2005

Para fechar com chave de ouro a semana...

A frase mais engraçada do mundo

"O Jô Soares solta o anel!"

Dizer filosófico pichado no muro do cemitério do Araçá, entre a Av. Dr. Arnaldo e a Rua Cardoso de Almeida.

3 de mai. de 2005

Sai, Grazi!


Poxa! As revistas masculinas (aquelas em que as mulheres famosas saem peladas e os garotos escondem debaixo da cama) não têm mais imaginação? A Lívia Lemos já saiu em pelo de novo, após o enorme intervalo de um ano e um mês sem mostrar a perseguida. Aliás, foi-se o tempo em que a Sexy mostrava mulher gostosa, que rebolava no Gugu e tinha cara de biscate. Ela modificou seu estilo, ficou uma mistura de Playboy com Vip, mas as mulheres...

A minha impressão é que sempre sobra o bagaço para o pessoal da Sexy. Vejam o Big Brother, por exemplo. As mais bonitinhas logo assim contrato com o coelhinho (demorou, Grazi!) e o resto fica com a Sexy mesmo ? eles pagam mais, aliás. Outro costume deles é reciclar antigas capas da sua concorrente. Lívia Lemos, Lívia Andrade, Mulher Samambaia...

E, pelo que parece, a Playboy sacou isso e resolveu aderir ao sarcasmo - ou sadismo, se preferirem. Primeiro que aquela tia que fazia Chiquititas vai aparecer no próximo mês. De boa, eu assistia alguns episódios da série e nunca tive algum tesão pela professorinha, nenhum! E eu tinha lá os meus 14 anos, veja só! A Playboy acerta bastante, e dificilmente desagrada aos seus leitores. Às vezes o editor toma um porre e decide tirar fotos da Hortência, mas isso não vem ao caso. Mas, caramba: a professora da Chiquititas?! Isso que na edição de abril quem foi capa era aquela Natália (saída de onde?), que mais parecia a Índia Aigo.

E se tal sarcasmo já não fosse suficiente (ou sadismo, repito), parece que a Playboy está sondando ninguém menos que a Daiane dos Santos. De boa, só espero que ela não exiba a "dita cuja" numas posições, digamos, acrobáticas...

29 de abr. de 2005

Meu cartão pra você

Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem abraço
Sou eu assim sem você
Tô louco pra te ver chegar
Tô louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

27 de abr. de 2005

O cara

Para o pessoal da minha faixa etária, entre 20 e 25 anos, arrisco dizer que uns dos grandes ídolos dessa geração foi um baixinho carioca e marrento, que sempre vestiu uma camisa número 11 e cansou de fazer gols em nosso time. O tal do Romário, aquele, que chama os próximos de "peixe" e cansou de arrumar confusão em torno de sua pessoa. Que lançou moda entre os garotos de minha idade, que furavam o lóbulo esquerdo, logo incrementados com um brinco de argola com uma pequena cruz pendurada. Era brega, mas eu achava demais.

Vi o Romário jogar ao vivo apenas uma vez, quando ele atuava pelo Flamengo. Por anos eu desejava um dia que coincidisse um jogo do baixinho no Morumbi, contra o meu glorioso São Paulo, e que nessa data eu estivesse na capital paulista. Nunca dava, ou eu estava em Sorocaba ou ele estava com problemas musculares. Sorte a minha que em 1999 tal sonho deu certo. Eu vi o danado com os meus próprios olhos, aprontando daquelas que eu só via na televisão.

Um atleta que pouco corria em campo, que passava despercebido ao nosso olhar. De vez em quando eu o procurava, e lá estava ele, com as mãos na cintura, caminhando para um lado e para o outro. O zagueiro colava atrás dele, dizia algo em sua orelha e, de repente, numa ginga de corpo o beque ficava para trás. Cara a cara com o arqueiro, com a bola dominada no pé direito, eu só torcia para que o matador errasse. Mas, como diz o ditado popular, quando um artilheiro é nato, diz-se sempre: "Esse não perde!". Pois Romário perdeu. Chutou inúmeras bolas na trave, o goleiro são-paulino pegou o impossível, fizemos a festa. Xingávamos-no, mas também morríamos de medo, pois o Romário era daqueles que numa fração de segundos punha a bola no fundo das redes e mandava a torcida adversária calar a boca, gritando consigo mesmo: "Eu sou foda!".

Mas naquele dia o baixinho não fez nenhum gol, e o rubro-negro perdeu para nós. "Esse não joga mais bola!", diziam muitos na saída do estádio. "Contra o tricolor ele sempre amarela!", berrou outro. Pois é, amarela mesmo. Dois anos depois, defendo as cores do Vasco da Gama, Romário voltou a jogar contra o São Paulo. Ele não marcou um gol, meteu logo três de uma vez. A cada tento, ele corria em direção à torcida são-paulina, abrindo os braços e pondo o dedo indicador na boca. Para humilhar mais ainda, o danado apontava para o ouvido, como se dissesse: "Vai, bando de cornos! Me xinguem agora!".

Sorte a minha de que nesse dia eu estava em Sorocaba.

23 de abr. de 2005

Pusquê

Um dos comediantes mais engraçados - e injustiçados - da última década é o cearense Tiririca. Sou muito chato para rir de alguma coisa, ainda mais com comediantes nacionais. O que eu não gosto muito da comédia tupiniquim é aquela história de "fulano é demais porque imita sicrano". Para alguém ser cômico em nosso país é necessário que ele imite alguém, já notaram? Basta saber imitar o Clodovil, Galvão Bueno, Sílvio Santos, Lula... É muito mais do mesmo.

A Meca do humor nacional tem região e tudo: Ceará. Renato Aragão, Tom Cavalcante e, recentemente, Wellington Muniz, do Pânico, são oriundos de lá. Com a exceção do Trapalhão, a grande maioria se destaca pelo dom da imitação, desde o tom da voz, às vestimentas ou pelos trejeitos. Batata! O que eu sempre curti dos Trapalhões, Falcão e do Costinha era que eles não precisavam mudar e criar outros personagens para se consagrarem no humor, como sempre fez o Chico Anísio. Todos vão lembrar do Mussum e seus "cacildis", da risada inconfundível do Zacarias, da banguela do Tião Macalé e do microfone aéreo do Costinha. Já basta, para que tentar ser mais cômico que isso?

E é nesse contexto que Tiririca se encaixa, graças à sua idiossincrasia, à sua figura imitável. Todos o manjam: o chapéu tosco, a calça apertada, a peruca ridícula e o ralo bigode de latin lover. E deu certo! Ele não precisa se reinventar a cada momento. Agora ele parece que voltou a estar na moda, usando do mesmo artifício do passado. Ao pôr um álbum de forró no mercado, somente com letras de duplo sentido, o chamado "forró malícia", o cearense lançou uma música Tikin, que não promete ser uma nova Florentina, mas mostra que ele sabe o que é ser engraçado.

Qualquer entrevista com o Tiririca rende, podem anotar. Ele não precisa se jogar no chão para arrancar aplausos ou se contorcer para atrair risadas; ele conta histórias. Poucos sabem usar de contos para atingir o humor, fato que o comediante usa com muito jeito. Por isso que eu adoro aqueles americanos fazendo "stand-up comedy", pois dificilmente há plágio entre eles. Lógico que existem algumas cópias parecidas de humor, mas ninguém conta a mesma piada ou imita o mesmo personagem público e caricato - por isso que eu acho um tédio um show do Cavalcante ou do Ari Toledo.

Tiririca fica na dele, sabe rir de si mesmo e, fato ralo entre comediantes, não é metido à estrela. Vi agora pouco uma matéria com ele que, ao ser perguntado como foi a sua primeira transa, respondeu que a sua parceira sexual não era de falar muito, que disse apenas uma frase ao término do coito. "Qual?", perguntou o entrevistador, curioso.

Com maestria, Tiririca respondeu todo sério, honrando a tradição dos virgens nordestinos:

- Béééé!

19 de abr. de 2005

A inspiração está na cucuia e a criatividade foi-se embora. Feriado prolongado se aproximando, sabe como é... Enfim, deixo cá um texto que escrevi na faculdade.

Racismo no futebol

Quarta-feira, dia 13 de abril, Estádio do Morumbi. São Paulo contra Quilmes, a famosa rivalidade Brasil versus Argentina. Em uma ríspida dividida no ataque tricolor, o atacante Grafite empurra o zagueiro Desábato, do clube argentino. Para quem acompanhava o prélio nas arquibancadas do estádio, pouco se entendeu. Ao ser expulso pelo árbitro, dezenas de repórteres correm em direção ao brasileiro que, nervoso, sai do gramado em direção ao vestiário, sem dar explicação alguma.

No segundo-tempo da partida, a torcida uniformizada Independente começa a gritar, ecoando Morumbi afora. "Ei, racista! Vai tomar no...". Ao ver o lance pela televisão, descobre-se o motivo da expulsão de Grafite; Desábato o havia xingado chamado de negro. Em algo nunca visto nos campos nacionais, ao término do jogo o atleta estrangeiro ouve do delegado seccional da Polícia de São Paulo, Dejar Gomes Neto, o mandato de prisão. Desábato é acusado de racismo.

Nos últimos meses, o racismo no futebol vem se tornando algo corriqueiro, principalmente nos gramados europeus. O camaronês Samuel Etoo?, do Barcelona, ouve freqüentemente, da torcida adversária, imitações de macaco, assim que toca na bola. O brasileiro Roberto Carlos é outro que já passou por tal situação. No final de semana, o goleiro Carlos Kameni, do Espanyol, foi atingido por uma banana ao defender uma cobrança de pênalti. Ele também é camaronês.

Tal manifestação é comum no futebol. No livro Febre de Bola, o escritor Nick Hornby condena a torcida do Arsenal, clube britânico, por xingar atletas de macacos em jogos da década de 80. Dentro do próprio campo a situação é a mesma. Para irritar e tirar a concentração de Pelé, vários beques o xingavam de negro ou carvão - o que nunca deu certo, por sinal. O rei do futebol respondia com gols. Tostão, campeão mundial pela seleção canarinho e colunista da Folha de S.Paulo, afirma que o que Desábato fez é parte do futebol. "Difamar ou provocar atletas adversários é corriqueiro, não um exemplo de ato racista", escreveu.

O que aconteceu no Brasil é muito mais uma forma de mostrar ao mundo que aqui se faz justiça. Racismo tem manifestações muito piores às sofridas no Morumbi. O próprio Grafite já afirmou, há alguns meses, que vira-e-mexe a polícia o pára dirigindo. O atleta são-paulino dirige um automóvel importado. Ao se ver um afro-brasileiro em uma situação dessas, logo se julga que a pessoa dentro do veículo é ladrão ou traficante. Isso não é apenas a visão policial, a sociedade brasileira enxerga com os mesmos olhos.

Em um país cuja miscigenação é enorme, chega a serem estúpidas tais manifestações preconceituosas. Atores negros que atuam na maior rede de televisão nacional são sujeitados a papéis de motoristas particulares ou empregados domésticos. É hipócrita dizer que a punição de Desábato reflete o sentimento de justiça nacional. O que se espera com o caso é que ele sirva de exemplo e influencie outros julgamentos futuros.

14 de abr. de 2005

Evribode

Eu estou à procura de uma escola de inglês e, pelo o que parece, achei uma muito legal. Agora só dependo do sinal positivo de mamãe para que tudo dê certo. Vejo-me diante de um Júlio César; vou expor meus milhares de argumentos, mostrarei prós e esconderei os contras, farei chantagem e o escambau. Ela ouvirá tudo silenciosamente, esticará o braço direito para frente, com as mãos fechadas, e levantará o polegar. Caso ele fique para cima, ganhei a parada, mas se ela virá-lo para baixo, isso indicará que o meu plano foi um fracasso.

Honestamente, eu não faço nada. Assim: estudo numa faculdade meia-boca, cujos professores vivem faltando por "motivos de força maior" e que seus funcionários adoram uma greve. As minhas tardes são preenchidas com horas de sono e, irregularmente, uma ida à academia. Sou vagabundo, admito. E, como não arranjo um emprego bacanudo, decidi levantar a bunda e correr atrás de um idioma que acrescente algo ao meu futuro.

Para piorar, eu nunca fiz escolinha de idiomas, que vergonha! Mas me resolvo no inglês - inclusive na conversação. Quando me perguntaram qual o nível que estou em relação à língua, afirmo estar no "patamar Salma Hayek", ou seja, consigo falar e entender que é uma beleza, mas tenho um sotaque latino e disparo uma conjunção após cinco segundos de reflexão. São poucos o que entendem a minha linha de pensamento, devido a sua lerdeza.

Às vezes eu atinjo o "nível Roberto Benigni", o que é bem desagradável. É um dialeto macarrônico, filho do português com o inglês britânico. O everybody corre o risco de sair um "evribode". Também nutro o desejo de falar espanhol, mas daí eu preciso de mais calma. Na língua de Cervantes eu sei dizer, Yo quiero Tacobell e Somos los Orishas, somos de Cuba.

Acredito estar no "patamar Luxemburgo".

11 de abr. de 2005

Papo de macho

Este post é dedicado às mulheres. Vocês, seres tão dóceis e amáveis, cheirosas e gostosas, que sempre tiveram a curiosidade de saber o que passa na mente de nós, homens repugnantes e asquerosos, vão ter a sua chance agora. O fragmento abaixo foi retirado de um bate-papo entre quatros garotos de 18 a 20 anos, realizado após uma partida de futebol. Enquanto alguns matavam a sede com cerveja, isotônicos ou água, simplesmente, na televisão do recinto passava a novela global América.

Vejam com exclusividade o pensamento masculino...

- Opa! Essa eu comia!
- Quem? A coroa?
- Essa mesmo! Tá inteirinha, rapaz! Pegava mesmo
- Ela saiu na Playboy?
- A Ciça? [Guimarães] Há uns 10 anos.
- Ah, mas agora tá boa pra cara***!
- Essa moreninha eu também comia!
- A filha do Fábio Jr?
- Nossa, olha que tesãozinho! Morena, cara de quem gostar de dar o...
- Nossa! Total...
- Também pegava!
- Mas eu curto mais uma coroa! E tem muita mãe melhor do que filha por aí...
- Tem mesmo.
- Tipo aquela do Gilmore Girls, manja? Cara! Que mãe!
- Nossa, tô ligado!
- Aquela eu passava a vara!
- Ahahahaha!
- Ahahahaha!
- A Déborah Secco é boa, hein?
- Parece que tá tostada, olha a cor dela!
- Aff! Essa daí já rodou em cada mão... Vou te contar.
- Ah, dane-se! Pegava mesmo assim!
- Eu também!
- Opa! Sussa, cara!
- Mas eu ainda prefiro a Ciça...
- Pô! Pior que é, a mulher deve saber das coisas, igual a Vera Fisher.
- Ah, mas a Ciça eu não pegava não, aí...
- Bicha!
- Viado!
- Gay!
- Pô, nada a ver! Ela é a mãe do Catraca! Maior broxante!

8 de abr. de 2005

A roupa do João

Eu mesmo me prometi não fazer nenhuma piada em torno do papa. Respeito, medo, sei lá! Vai que eu sou taxado de herege, meu pé seja puxado enquanto durmo; com essas coisas não se brinca, aconselha minha avó. Mas que aquela vestimenta usada por ele em seu velório, com uma bata de seda vermelha e sapatos de veludo é brega e esquisita, ah, isso é!

Desconfortável e quente, presumo. "Mas o cara está morto!", eu sei... Mas mesmo assim eu estava me perguntando onde é que os estilistas do Vaticano tiraram tamanha inspiração. É bem vintage, não? E não é que eu descobri? Vejam o furo jornalístico abaixo:

Este é o papa João Paulo II


Eis o Mestre dos Magos, do desenho Caverna do Dragão

Que bomba, hein!

5 de abr. de 2005

Menino recalque

Eu estou ficando careca. Ponto. É isso aí. Meu cocuruto está vazio, em processo de erosão. Céus, estou realmente perdendo cabelo. Medo, medo, medo. Deus, por que fazer isso comigo? Aliás, desde os meus 10 anos eu já ouço da boca dos outros: "Vixi! Esse vai ficar careca". "A vida que poderia ter sido e que não foi", né, compadre Bandeira?

Maldito código genético. Do lado paterno, todos são calvos: papai, vovô, titios. Todos. Pelo lado de mamãe, não. O cabelo é farto e ralo ao mesmo tempo. O telhado capilar é vazio, até com as mulheres da família é assim. O meu caso é complicado. Pergunto-me todo dia, assim que encosto a cabeça no travesseiro: "Até quando?". Às vezes eu até esqueço; por eu ser alto as pessoas nem chegam a notar. Mas basta estar com os cabelos molhados e sentar em algum lugar, para alguém, sempre há alguém, que vai me dizer com um sorriso na face: "Tá ficando careca, hein!".

Desejo a morte a quem me diz isso. Tomara que você fique broxa!, amaldiçôo em silêncio. Quando eu passei na faculdade, morri de medo. Vão passar a máquina, e se não crescer mais? Recordo-me daquele zagueiro cabeludo da seleção brasileira, o Gonçalves. Suas madeixas eram idênticas aos de minha faxineira. Certa vez, tosaram o homem. Nunca mais cresceu; apareceram as entradas, a coroinha lá em cima de o ar da sua graça. Chorou muito o homenzarrão.

Para dizer a verdade, eu não tenho cabelo e pronto! Por que ele não fica caindo, daqueles casos em que basta enrolar os fios com as pontas dos dedos para ter um chumaço nas mãos. Se um dia eu ficar apenas com o cabelo nas têmporas, tipo gramado de campo de várzea, vou raspar e poupar meu sofrimento. Sabe quando a Carolina Dieckmann, numa dessas novelas da vida, teve que ficar careca já que a sua personagem tinha câncer e passava por sessões de quimioterapia? Então, vai ser daquele jeito. Jorrarão lágrimas de meus olhos, a mesma cantiga da Lara Fabian ecoará ao fundo. Vai sentindo o clima.

Acho que depois eu me acostumo. Há homens bonitos e carecas, não é mesmo? O Fernando Scherer, por exemplo. E até sendo rico a careca é disfarçada. Aposto que a Cicarelli não reclama do escalpo do Ronaldo. Então é isso: preciso urgentemente ganhar bastante dinheiro e ficar fortão como o Xuxa e toda a sua envergadura.

Mas se nem estágio eu consigo ter, o que dirá ter grana de sobra? Se ostento uma barriguinha, como posso conseguir um abdômen definido?... Céus, estou ficando pobre e barrigudo!

3 de abr. de 2005

Sobre o final de semana

Eu colocaria o Padre Marcelo como o novo Papa. Podem tirar sarro, mas é uma ótima escolha. Para começar que o amigo do Gugu é o representante da maior nação católica do mundo. Além do mais, assim como o João Paulo II, o Marcelo foi um baita esportista antes de ser um puxa-saco de Deus. E ele também já lançou discos; imaginem as suas missas, que legal? Sai o Mr. Burns e entra o Paulo Cintura. Imaginem os italianos, lá na Praça São Pedro, dançando o "Vira" e cantarolando: "Os animaizinhos, subiam de dois em dois". O Papa seria pop!

Por eu estudar na PUC, não tenho aula nem na segunda e na terça. Maravilha! A morte do Karol me livrou de uma prova e de várias aulas chatas. Vejam só: o João Paulo II, que em seu papado deu a volta ao mundo a fim de expandir o catolicismo e acabar com as outras religiões, numa Cruzada do século 20, até quando foi pro saco fez de tudo para conquistar novos religiosos. Ganhou um católico fervoroso! Se Deus é brasileiro, o Papa é puquiano! Quer dizer, era...

***


E salve o meu tricolor paulista, que jogando numa retranca da porra, sagrou-se com toda a pompa o Campeão Paulista de 2005! Em quase dois anos de blog eu nunca tinha levantado um caneco. Tá mal, viu!

31 de mar. de 2005

Mania de ladrão

Por que é tão comum esse impulso em roubar? Calma, não estou a dizer em sair por aí, com uma faca de cozinha na mão e render o primeiro garoto de boné Von Ducth que se encontrar. Quando escrevo roubar é no sentido de afanar algum objeto, irrelevante e não essencial, mas afaná-lo apenas pela sensação de ter roubado algo, sabe? Espírito de se ter infringido a lei, algo assim.

Quem me conhece, sabe que sou louco para ter um daqueles bonecos da Nestlè em meu quarto. Aquele azul, com um sapatão branco, que tem em todo supermercado ou sorveteria, sabe? Não consigo explicar tal desejo, apenas quero o maldito boneco da Nestlè! Assim como um dia eu quis uma placa de "Proibido Estacionar" pendurada na porta de meus aposentos.

Tudo começa quando você é criança. Meu irmão, assim como muitos, foi craque em pegar o lanche de seus coleguinhas do primário. O gordinho saía na maior maciota, abria a lancheira do pessoal e xeterava o que havia de gostoso para comer. Se no filme 60 Segundos o personagem do Nicholas Cage sonha em roubar um Mustang GT 500, a Eleonora, o meu mano queria porque queria achar um Danoninho alheio. O iogurte da Danone era a Eleonora do Fernando.

Tesão por cone de trânsito (ui!) eu nunca tive. Dizem que é rápido e fácil, geralmente é o primeiro furto do futuro meliante. Basta encostar o carro, olhar se não tem algum guarda por perto e zás! As mulheres, menos audaciosas, contentam-se com xampus e até cinzeiros de hotéis. "É para a recordação", escusam-se. Eu acreditava nessa resposta, até o dia em que vi a minha mãe sair com uma pantufa do Renaissance embaixo do braço.

De todos esses exemplos, nenhum chega aos pés do Guilhem, um amigo meu. Esse já levou de tudo, desde um relógio de parede da escola até um azeite de um bar. Azeite? Isso mesmo. É por essas e outras que eu não fiquei assustado quando o vi todo pimpão, escondendo debaixo da camiseta o retrovisor de um Monza anos 80.

27 de mar. de 2005

Sobre a Páscoa

Não tenho nada interessante a dizer sobre a Páscoa. Sei que é um feriado religioso, que em alguns dias da semana é vetado comer carne e só. E tem coelhos e ovos de chocolate. Uma de minhas alegrias é ir aos supermercados e passar por aquela galeria com um pancada de ovos sobre minha cabeça. Bem legal. Lembra uma plantação de cacau (será esse o motivo para eles ficarem dependurados?).

Sobre a Páscoa, eu me recordo de duas coisas. O primeiro momento é longínquo, lá pelos meus cinco anos, enquanto fazia o pré, na Escola Chapeuzinho Vermelho, em Tupã, interior paulista. Estava eu, cabelo tigelinha, band-aid no joelho ralado. Era hora do recreio. Na minha lancheira sempre tinha chá e algum sanduíche. Raramente minha mãe deixava alguma guloseima. Enquanto meus coleguinhas se entupiam de coisas gordurosas na cantina e tomavam refrigerantes, eu bebia chá-mate e comia patê de atum. Maravilha...

Naquele dia, porém, semana de Páscoa, havia um pedaço de chocolate crocante embrulhado em papel alumínio para mim. Recordo-me que no primeiro "nhac" eu senti uma sensação estranha, algo parecia estar fora do comum - e estava mesmo. Caía o meu primeiro dente de leite, logo o da frente, o que me deixou com uma janelinha pra lá de simpática. Aliás, durante anos a Páscoa foi sinônimo de dentes de leite caindo. Uma festa! No dia seguinte eu jogava-os em riba do telhado, pois vovó dizia que trazia sorte.

Em 93, casa de vovô, o domingo foi dia de corrida em Interlagos. O Ayrton Senna brigava pela liderança, junto com o Nigel Mansel (acho). Lembro-me que caiu um baita toró, e no momento em que caiu a primeira gota de chuva no autódromo, meu tio vibrou, já que Senna amava guiar com a ajuda de São Pedro. Foi muito legal: eu mandando a pau no pedaço de cacau ao leite, todo nervoso, e o piloto tupiniquim dando uma baita ultrapassada em Mansel. Depois o povo invadiu a pista e foi comemorar a vitória com o seu ídolo.

Demais.

22 de mar. de 2005

Divagações saudosistas e alimentícias



Eu sou um tremendo saudosista, e isso é um saco. Primeiro: todo saudosista é um chato em potencial. Exemplo? Arnaldo Jabor. O cineasta nunca está contente com nada, vive de comparações com o passado brilhante; nada do presente presta ou é relevante. Repito: ser saudosista é um saco.

Sou saudosista em relação à comida. Estranho, né? Nem um pouco, todos são. Quem não tem na memória o cheiro da comida feita pela vovó ou ainda tem no paladar o gosto daquele biscoito que só a sua vizinha sabia fazer? Quem não "fumou" um cigarrinho de chocolate da Pan? Existe alguém que ainda chama o Milkbar de Lollo?

Repararam como os produtos alimentícios feitos atualmente são piores do que os de sua infância? O requeijão era mais cremoso, lembram disso? Era só pôr a faca no pote e deixar escorrer aquela cascata de requeijão. Para passar no pão e não fazer sujeira, nós girávamos a faca, a fim de não deixar o creme cair na mesa. Bons tempos. Agora o requeijão parece mais um Polenguinho, ficou mais "sólido". Sabe por quê? Maisena. Fica mais barato pra empresa produzir.

E o que dizer da extinção dos iogurtes de maçã e de salada de frutas? Agora, nas prateleiras dos supermercados, impera os de morango. Os iogurtes de maçã e salada de frutas eram o "tchan". Eu sempre os deixava por último - a demora os deixavam mais gostosos e saborosos. Não havia razão deles saírem do mercado. Numa caixa de seis potes de iogurte de morango, eles eram poucos, no máximo dois. Isso não quer dizer que ninguém gostava deles, pelo contrário. Justamente por virem em menor número, rolava até briga por uma mera colherada no sabor de maçã. O morango ficava deixado de lado, mas nem por isso ele perdia a sua importância.

Não entenderam? Exemplifico: em um episódio do Simpsons, o Homer quer tomar sorvete napolitano, mas acabou o sabor de chocolate, restando apenas morango e creme. Sabe o que ele faz? Berra: "Margie, precisamos comprar outro pote de napolitano!". Alguns o chamariam de burro. "Por que não comprar um pote só de sabor chocolate?", não é mesmo?

Não é assim que funciona. Vejam bem: o morango e a baunilha (no da Kibon é de nata) são fundamentais para o sucesso do chocolate no sorvete de napolitano. Sem eles, o chocolate não seria o disputado pela criançada. Ele ia perder a sua graça, assim como aconteceu com o iogurte de morango nos dias atuais.

OBS: Pegaram a linha do raciocínio?

18 de mar. de 2005

Top 5


Um dos escritores mais legais da atualidade é o britânico Nick Hornby. Acredito que muito de vocês, pobres leitores, conheçam o trabalho do rapazote. Se alguém não teve a oportunidade de folhear um de seus livros, várias de suas obras já foram adaptadas para a sétima arte: Alta Fidelidade; Um Grande Garoto; Febre de Bola...

Hornby escreve sobre algo que qualquer brasileiro - e inglês- conhece muito bem: música e futebol. Aliás, eu, como muitos, sou um fã inveterado do estilo "hornbyliano"; desde a louca paixão pelos nossos times do coração, até a mania de fazer listas sobre "as cinco melhores coisas".

O tal TOP 5 já é algo que faço com certa habitualidade. Desde ao "Cinco pessoas que eu fuzilaria da minha sala de aula" até as "Cinco melhores modelos da Victoria Secret's".
Porém, nada é tão cascudo quanto fazer uma lista das cinco melhores músicas de minha vida. Aquelas que marcaram momentos, situações, pessoas. Cara, é difícil. Tente fazer uma.

Rob Flemming, personagem principal de Alta Fidelidade, sofreu para escolher cinco grandes canções de sua preferência. Aliás, ele muda a lista de minuto em minuto. Hornby resolveu simplificar, lançando um livro com as suas 31 canções. O legal é que cada música tem uma finalidade: a melhor para se acordar, a melhor para escutar após levar um pé na bunda...

Com o coração na mão, e após uma longa peneira, fiz a minha TOP 5. Vou colocar a lista de uma vez, porque seu eu demorar mais um pouco, tenho certeza de que fico a semana inteira elaborando-a. Lá vai...

1) Uma Barata Chamada Kafka: Alguém aqui se recorda do Inimigos do Rei? Rapaz, eu tinha o bolachão dessa banda, e enchia a paciência de meu pai e mãe, ficando a escutá-la o dia inteiro. Como não gostar de uma música que começa com: "Encontrei uma barata na cozinha, eu olhei pra ela e ela olhou pra mim, ofereci a ela um pedaço de pudim". E sabiam que é o Paulinho Moska que escreveu isso? Pois é...

2) New Age Girl: O Dead Eye Dick é o clássico exemplo do one hit wonder. Se eu não me engano, o DED lançou apenas um disco - e ele é uma merda! Mas toda a podridão das outras músicas é perdoada com "New Age Girl". A canção é aquela história da menina, do amor platônico - de uma garota vegetariana, digamos. E a música é trilha de Debi & Lóide. Só isso já basta.

3) You're the first, the last, my everything: Uma lista não é uma lista se não tiver algo do Barry White.

4) Não quero dinheiro (Eu só quero amar): Uma lista não é uma lista se não tiver algo do Tim Maia

5) I want to break free: Olha, não é fácil pensar em escolher a melhor música cantada pelo Freddy Mercury e tocada por Brian May e Cia. "I want to break free" é a típica canção de viado que todos adoram. E o clipe com o pessoal travestido de dona-de-casa, passando o aspirador de pó, é pra lá de impagável.

15 de mar. de 2005

A pipa do Clodô

O erotismo senil anda em voga. Após nos deliciarmos com as estripulias sexuais de Rita Cadillac e vermos a Suzana Vieira ser a musa do carnaval, dizem que o Clodovil será a capa da edição de março da G Magazine. O Clô vai mostrar como veio ao mundo, e afirma que os leitores (leitores?) vão se surpreender. "Ai, o mundo está perdido!" , parafraseio a minha avó.

Agora, digam-me: quem vai ter a audácia de comprar o periódico? Muitos, acredito. Sorte a minha de que o meu aniversário é em agosto, pois tenho diversos amigos sarcásticos que adorariam me dar de presente o Clô em pelo. Ah, que maravilha, pensaria a pessoa que aqui escreve. Nada como um sujeito de 67 anos, exibindo o seu corpo flácido e o seu saco enrugado e murcho.

E aposto que, pela primeira vez, um ensaio nu será patrocinado. Se eu trabalhasse na Pfizer, mandaria uma bela caixa daqueles comprimidos azuis para a equipe da G. Ou será que a pipa do Clodô ainda sobe que é uma beleza?

11 de mar. de 2005

Sem título

Hoje, enquanto esperava o sinal abrir, do outro lado da rua um rapaz conversava com uma mulher. Pelo visto, ele não a conhece. Gesticula muito, olha firmemente nos olhos da guria, cruza os braços e é só sorrisos. Ela se mostra embaraçada, olha mais para o chão, passa os dedos no cabelo moreno e liso, colocando a franja atrás da orelha direita. Está na cara: é a famosa cantada.

Não ponho muita fé no garoto. Seu estilo, aparência e falta de cabelo o faz um clone do Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo. Já a garota faz o famoso estilo mignon: pequena, delicada, olhos de jabuticaba e bonitinha. O tipo de mulher que geralmente não é notada no meio de uma multidão, mas mesmo assim não deixa de ser interessante.

Pelo jeito, o Geraldo é bom de lábia. Não faço a mínima idéia do tempo em que eles conversam naquele cruzamento entre a Haddock Lobo com a Alameda Santos. A mignon para estar perdendo a timidez, esboça uma gargalhada, mas a contém de imediato. O Alckmin começa a segurar o braço dela, abaixa o pescoço e fala algo que a faz recuar. Ela maneia a cabeça, ele insiste. Chega a juntar as palmas das mãos, como se tivesse implorando por algo. Ela ri da palhaçada do rapaz, faz uma pausa, aponta o indicador para o sujeito, como se estivesse dizendo: "Ok, você venceu!".

A morena levanta a alça de sua bolsa pendurada no ombro esquerdo, abre o zíper e retira um cartão, entregando-o ao Geraldo. Ele ri, lê o cartão duas vezes, e despede-se da garota com um cumprimento de mãos e um tímido beijo no rosto. Ela atravessa a rua, colocando mais uma vez a franja atrás de sua orelha, sem olhar para trás.

Já o Geraldo segue o caminho oposto, sem desgrudar os olhos do pequeno cartão. Sorri por um bom tempo, guardando o pedaço de papel em seu bolso traseiro. O carro anda, e nem imagino como deve terminar essa bela história.

8 de mar. de 2005

21

Poxa! É a segunda vez que eu perco uma oportunidade de piada para o Kibe Loco. Ora! Resultado de minha preguiça, diga-se. Mas acredito que muitos pensaram na mesma sacada que eu: a Cicarelli tem seis dedos no pé? Pois seu eu fosse a Embratel, rompia o contrato dela com a Tim e saía com a mulher do Fenômeno como garota-propaganda. "Faz um 21". Entenderam?

Essa piadinha em relação ao número de dedos é antiga. Meus amigos alcunharam uma grande amiga minha de "Embratel", por ela possuir, tal qual a Daniella, um dedico a mais no pé. O (Renato) Fabinho, ex-jogador do Corinthians, possui seis dedos em cada mão. O Luxemburgo, na época, esbanjou humor negro: "Com o Renato no time, a gente nunca perde no cara-e-coroa!".

Estes mesmos amigos supracitados, tiveram a audácia de serem mais maldosos do que foram. Digamos que além da "Embratel", havia também uma "Telefônica"...

Esta piada é tão sacana, que eu prefiro deixar o porquê do apelido no ar.

6 de mar. de 2005

Eu adoro, mas não tenho jeito pra coisa (Parte 2)

Além de eu ser um péssimo basqueteiro, também não consigo me entender com as panelas. Sim, o tio aqui é um péssimo mestre-cuca. Aliás, eu nunca fui de fazer peripécias em frente a um fogão. Gosto de assistir a produção de um prato, bisbilhotar, sem levantar o traseiro, sabe como é? É muito detalhe a ser lembrado, muita informação a ser assimilada. Cozinhar deve exigir um trabalho homérico!

Sempre fui fã de programas de culinária. Meus primeiros passos foram dados com a decana da Ofélia. Curtia os doces da velha (quem não?). E que mãe não comprou os livros da velhinha, louca para fazer bolos "iguais aos da Ofélia". Nem à Ana Maria Braga eu chegava a perder. Curtia aquele programa dela na Record, quando ela passava debaixo da mesa. Ok, ela não cozinhava - fazia o mais gostoso: saborear os pratos. Tinha um tiozão com um cavanhaque style, na GNT, que só fazia uns bolinhos oleosos e gordurentos. Dele eu não gostava.

Hoje eu sou macaco de auditório do James Oliver. Odeio a TVA por não ter os canais da Globosat. Quando venho à Sorocaba, não perco um programa do britânico. Graças ao garoto, eu aprendi a dar um toque especial em meus milk shakes (depois eu passo a receita). O mais curioso foi ter aprendido com um inglês a fazer algo tão brasileiro: a caipirinha. O Oliver e seus truques mandam bem!

No início de janeiro eu aprendi a fritar hambúrguer. Vergonha, né? A Mayra que me ensinou. Gente, se eu soubesse o quão ridículo é o processo... Basta pôr um pouco de óleo na frigideira e depois tacar a carne congelada, tomando cuidado para não queimar o hambúrguer, virando-o com a espátula. Ficou bonitão, rapaz! E digo mais: ficou muito gostoso.

(Melhor que o da Mayra!).

2 de mar. de 2005

Eu adoro, mas não tenho jeito pra coisa (Parte 1)


Um dos esportes que eu mais gosto é o basquete. O que me chateia é a minha péssima capacidade de praticar o jogo. Falta-me habilidade para conduzir a bola, precisão em minhas mãos ao realizar um arremesso. Ou seja: sou uma droga (mas eu continuo a gostar do jogo).

Na escola, eu sempre fui um dos primeiros a ser chamado para os times. O pessoal via aquele magrelo alto e desajeitado e, apontando para mim, diziam: "Ô, grandão, chega aqui!". Eu ia esperançoso, e alguns amigos na platéia já previam a minha atuação. Eu jogava discreto, só distribuía o jogo, procurava não fazer firulas e era um baita reboteiro (a altura novamente).

Porém, bastava eu ganhar confiança para jogar tudo por água abaixo. No primeiro contra-ataque, eu disparava pela ponta. O armador me via livre e sem marcação e, quando menos esperava, lá estava eu, na linha de três pontos, com a chance de fazer uma cesta grandiosa. Inspirava e expirava, tal qual a Hortência, tirava o pé direito de cima da linha, tomava impulso e arremessava a bola com o maior estilo possível. E ela ia rodando, rodopiando, até que, com a falta de força, nem a encostar no aro chegava. Pior, ia direto pro gol que ficava debaixo da tabela. As pessoas que acompanhavam ao jogo não perdoavam. Golaço! , gritavam os sádicos.

A Irena é fã do esporte, graças a seu pai, ex-jogador de basquete. O meu sogro acompanha tudo envolvendo o bola ao cesto. Não sei se a paixão dele me inspirou, mas estou, nos últimos meses, jogando basquete toda as semanas - sozinho. Ao invés de ficar na academia puxando ferro e me olhando no espelho, prefiro pegar uma bola e praticar um pouco na quadra de esportes. Sinto-me um Denis Rodman, lutando bravamente no garrafão, um Kobe Bryant a cada finta no adversário invisível, um Steve Nash a cada corrida pela quadra, conduzindo a bola e arquitetando uma jogada inexistente. Pareço uma criança batendo bola em seu quintal.

Segunda-feira, enquanto jogava basquete sozinho, o segurança da academia foi ligar os refletores da quadra - o que nem percebi. Comecei a brincar,e vendo-me na linha de três, visualizei o aro da tabela e arremessei com uma baita pose. A bola novamente rodopiou e rodou, entrando, desta vez, num magnífico "chuá". O segurança exclamou da arquibancada: "Caramba, hein! Você joga demais!".

Dei um sorriso tímido e corri atrás da bola. Senti-me um Oscar naquela tarde.