13 de jul. de 2008

No Estadinhon...

No fundo do mar

O Aquário de São Paulo está de cara nova. Após 20 dias de reforma, ele reabriu cheio de novidades, o que o torna uma opção de passeio bem legal para essa temporada de férias.

O principal destaque é a réplica de um submarino da 2ª Guerra Mundial. De brincadeirinha, lógico, ele está “naufragado” e “debaixo do oceano”. Ao entrar pela escotilha, o público logo se sente no fundo do mar: pelos lados e até pelo teto fica-se cercado de vários peixes e, medo, tubarões!

Agora o aquário conta com ecossistemas temáticos. Na área dedicada aos peixes de água salgada (o tanque com mais de 1 milhão de litros de água do mar é outra novidade) há representações do mangue, de uma praia e dos costões rochosos. No setor de água doce, encontram-se animais do Pantanal e da Amazônia.

Já o Pinguinário reproduz uma caverna de gelo do Pólo Sul. Sua maior atração serão pingüins da Patagônia Argentina. Eles passaram por cuidados médicos e devem aparecer nos próximos dias.

SÓ DA ELA

Das novas atrações do aquário, a que chama mais a atenção do público é a dos seis tubarões-lixa. Deles, a campeã de flashs é uma enorme fêmea de 2,40 metros e que pesa cerca de 110 kg. Ela também se destaca por ser a única que é toda branca.

11 de jul. de 2008

O futebol e suas entranhas

Gosto muito de caçar documentários na web e quase toda semana encontro um que me agrada (principalmente de trabalhos de faculdade). Fut Mídia S/A (2005), de Carlos Ferreira Jr., foi o último.

O trabalho fala sobre o futebol e suas entranhas: da cobertura feita pela televisão nacional sobre o esporte e da espetacularização e do excesso de merchandising presente nas mesas-redondas.

O seu filé é que ele não tem voz em off ou texto corrido: apenas entrevistas. As falas dos entrevistados vão se juntando (e se complementam), o que gera uma discussão bem bacana. Imagino a dificuldade que foi realizar essa edição, pois Carlos conversou com os principais jornalistas esportivos daqui, como Juca Kfouri, Cléber Machado, José Trajano, Neto (sic), PVC, Éder Luiz, Soninha, Milton Neves e um Casagrande pré-rehab . A pluralidade de opiniões é enorme e alfinetadas saem por todos os lados.

São mais de 40 minutos de filme, mas passa rápido. Ah, ele não serve apenas para amantes do futebol ou jornalistas/estudantes de jornalismo, OK? Deixo abaixo o doc tirado lá do Fiz dividido em 3 partes para vocês curtirem nesse findi.:





8 de jul. de 2008

O Olhar



Meu pai é um grande fã de cinema. Desde que eu me conheço por gente, todos os finais de semana, em minha casa, há pelo menos uns dois filmes que foram alugados para assistirmos durante o sábado e o domingo. Meu pai vê todos, sem exceção. A comédia aborrescente que meu irmão pegou, o drama escolhido por minha mãe, o documentário intelectualóide que eu pedi ou o novo filme do Steven Seagal que o atendente da locadora fez questão de deixar reservado para ele.

Há uma frase de meu pai que eu nunca esquecerei. Há muitos anos, quando havíamos acabado de ver O Sexto Sentido, ele virou para mim e disse: "Sabe por que o Bruce Willis é um puta ator? Porque ele sabe trabalhar com os olhos. Repara que tem várias cenas que ele não fala nada, mas consegue demonstrar tudo o que está sentindo só pelo o seu olhar. Você não vê mais atores assim."

Estou contando essa historinha, pois no último sábado assisti Wall-E. Já esperava algo do cacete, pois Pixar é Pixar (apesar de Carros), mas me surpreendi pela beleza e pela melancolia da animação digital. E também porque, pela primeira vez, em um desenho animado um personagem trabalha simplesmente com o seu olhar.

Os 30 minutos iniciais da animação são brilhantes. Não há um diálogo sequer. Vemos apenas o robozinho Wall-E fazendo seu trabalho burocrático de pegar o lixo e organizá-lo. Nisso ele acha um sutiã, um isqueiro, uma caixinha de jóias, uma plantinha. A câmera foca em seus olhos (lentes, digo) e capta sua curiosidade diante de tais objetos. Não precisa de mais nada.

E o que dizer do momento em ele assiste ao musical Hello, Dolly! em seu surrado iPod Video? Novamente o olhar dele facinado para a tela de projeção é algo de tirar o fôlego. Essa é uma cena para caçar no YouTube, baixá-la e guardá-la para sempre no seu HD. Não posso deixar de fora também os momentos de Wall-E com Eva, assim que eles se conhecem. As cenas dos dois robôs juntos, comunicando-se apenas através de gestos e do olhar, são de tocar o coração.









Saí do cinema com a impressão de que a Pixar levou a animação para um outro patamar. Tudo bem que no seu desenrolar o filme tenta passar uma liçãozinha de moral e não surpreenda tanto, mas isso não tira o crédito do longa de Andrew Sotton , que é excelente.

Fazia muito tempo que eu não via um filme com tantas cenas belas e cativantes. Outro dia estava fuçando na internet trechos de filmes com a Cyd Charisse e me deparei com um lindo momento dela e Fred Astaire em A Roda da Fortuna. Os dois caminham pelo Central Park e seus passos começam a virar passos de dança. Tudo acontece de uma forma tão natural e bonita (e sem nenhum diálogo), que eu fiquei pensando se esse tipo de cinema morreu em seu mundo technicolor.

Wall-E me provou que não.

OBS: O primeiro e o único desenho animado a concorrer na categoria de Melhor Filme em um Oscar foi A Bela e a Fera, em 1992. Se eu fosse membro da Academia, faria de tudo para colocar no ano que vem Wall-E. Vale. E até indicaria o robozinho como Melhor Ator, pois sua "atuação" é brilhante.

No Estadon



Museu real é virtual
(Acervo de relíquias na web é mais concreto que o recém-anunciado Museu da TV Brasileira)

- Eis um museu de novidades
- Uma causa portuguesa, 'com certeza'
- O museu da TV sai ou não sai?

+ Coluna TV sem TV (vídeos da semana)

6 de jul. de 2008

Emetebê




Como vocês devem saber, eu me formei em jornalismo no final do passado. Em janeiro tive de levar uma papelada de colação de grau para a faculdade, em fevereiro teve a festa de formatura e em maio colei o tal grau, com direito a juramento e tudo. Isso foi meio que um processo para provar aos meus pais que eu realmente não estava mentindo e, de fato, terminei a faculdade.

Porém, eu tecnicamente não sou considerado um jornalista por não ter o meu registro profissional, vulgo MTB. Médico não tem o CRM? Engenheiro o CREA? Então, jornalista tem o MTB.Na minha carteira de trabalho eu estou registrado como auxiliar de produção. Não sei que raios de profissão é essa. Talvez o assistente de um especialista em fertilidade, não sei. Mas, enfim, é assim que o meu trabalho me registrou para eu não ter mais o sofrível salário de estagiário e passar a receber o também sofrível salário de jornalista.

Ser um auxiliar de profissão não me incomoda (va). Mas, em duas vezes que fui tirar um documento e tive de levar a minha carteira de trabalho, neguinho ficou duvidando da minha real profissão.

- Mas aqui diz que o senhor é auxiliar de produção

- Então, é que eu não tirei o MTB ainda

- Saquei...

- Pois é...

- Porra, mas o que é um auxiliar de produção?

- Deve ser algum assistente de um médico especialista em fertilidade he-he

Ninguém ria dessa piada.

Cansado de passar por esses problemas, resolvi tirar o meu MTB. Fui até a faculdade levar uns documentos e ouvi que deveria ir até a Delegacia do Trabalho, no centro de São Paulo, para "dar entrada no meu MTB". Perguntei para a secretária que me atendeu sobre qual papelada deveria levar. Sem saber me explicar, ela tirou um papel do bolso e rabiscou alguma coisa com a caneta. E falou: "Não sei, liga lá".

Eu liguei. Uma vez. Duas vezes. Um dia. Dois dias. Ninguém atendia. Entrei no Google e achei um formulário de 2005 explicando quais documentos eu deveria levar: cópia do RG, da carteira de trabalho, do CPF e um comprovante de residência. Juntei a papelada e fui até a Delegacia do Trabalho.

Parei o carro na rua, comprei uma folha de Zona Azul e avistei o prédio. Velho, para variar. Um monte de gente tossindo e um monte de funcionário público fingindo trabalhar. Deveria ir até o segundo andar e entrar na sala X. O elevador demorou 10 minutos para chegar e mais 5 minutos só para ir do térreo até o segundo andar. Chegando lá, avistei a sala X e vi um balcão. Atrás dele, uma mulher fazendo palavras cruzadas e outra lendo um bolo de papéis. O telefone tocava. Do outro lado, um monte de cadeiras escolares, aquelas de um braço só. Vazias.

Cheguei ao balcão e dei boa-tarde. A mulher das palavras cruzadas se aproximou e perguntou qual era a minha senha. Eu falei que não tinha uma, e ela rebateu dizendo que só poderia me atender assim. Expliquei que a sala estava vazia e, obviamente, eu seria o próximo a ser atendido. Imbatível como um robô, ela pedia a porcaria da senha.

Saí da sala e achei um rapaz sentado numa cadeira escolar, com uns papéis na mão. Pedi a minha senha e ele me entregou um papel amassado, que claramente já tinha sido utilizado. Ao voltar para a sala X, haviam duas garotas sendo atendidas. Colei no balcão e ouvi novamente sobre qual era a minha senha. Falei o número e escutei que deveria sentar e esperar, pois as duas meninas estavam na minha frente.

Sen-sa-cio-nal.

Após 15 minutos, chegou a minha vez. Apresentei meus documentos. A mulher os olhava rapidamente e os carimbava. Um a um. Daí ela perguntou qual era o número do meu PIS.

- Eu não sei

- Mas você precisa me dar o seu PIS

- No site não dizia nada sobre isso

- Que site?

- Do Sindicato de Jornalistas

- ...

- ...

- Mas eu preciso do número do seu PIS

Por sorte (ou de propósito), havia uma unidade da Caixa Econômica Federal atravessando a rua. Desci correndo as escadas, pois só tinha deixado o talão do Zona Azul para uma hora de uso. Fui até a Caixa, furei fila e um rapaz simpático me atendeu. Falei o que precisava, ele pediu meu RG, digitou alguma coisa no seu computador e, bingo, surgiu na tela de seu monitor o meu PIS. Anotei o número na mão, atravessei a rua no farol verde, subi as escadas do prédio da Delegacia do Trabalho e, precavido, peguei uma senha.

Encostei no balcão e falei:

- Anota aí o meu PIS

- Tá, cadê o comprovante?

- Que comprovante?

- Do seu PIS

- É o meu número, toma!

- Mas eu preciso de algum documento que comproveu o seu PIS!

Antes de eu berrar e dizer que a vaca só tinha me pedido o número, bufei e sai em disparada. Estava chegando ao primeiro lance de escada quando ouvi um som alto de alguém correndo de tamanco atrás de mim.

- Eu não posso aceitar esse seu comprovante de residência

- Por quê?

- Ele não está em seu nome

- E daí? Eu moro aí, esse é o nome do meu tio, quer ligar para ele?

- Seu tio?

- É!

- Infelizmente não dá. Só aceito com o seu nome ou de algum parente de primeiro grau

Bufei novamente e quase atirei a mulher escadaria abaixo. A sorte é que me lembrei de um certo cheque de desconto da Claro que eu tinha na minha bolsa, com o meu endereço de Sorocaba. Ela olhou, fez cara de negativo e eu gritei, com educação.

- Moça, eu não vou voltar aqui de novo. Esse é o meu nome, ó, e isso é um endereço. Não interessa se é de Sorocaba, Bragança Paulista, Limeira...

Não tive tempo de citar outra cidade do interior paulista. Ela se virou e respondeu atravessado. "OK, serve. Mas preciso de uma cópia disso".

Desci as escadas, atravessei a rua e quase fui atropelado por uma carroça. Entrei na Caixa Econômica e, caramba, cadê o atendente tão prestativo que tinha me ajudado antes? Resposta: orientando uma senhora a fazer um depósito no caixa eletrônico. Acenei para ele, que gesticulou para eu ter calma e que aquilo iria demorar. Sem sacanagem: a tia ficou 10 minutos ali, de braços dados com o rapaz, só para pôr R$ 10 num envelope e o enfiar num buraco.

Feito isso, expliquei a minha situação para o atendente e ele comentou ironicamente. "Ê, Delegacia de Trabalho, viu... Peraí que eu resolvo isso rápido e... ai, caramba!". Olhei espantado. "O sistema tá fora do ar".

Juro, atirei pedra na cruz.

Olhei para o relógio e vi que faltavam 15 minutos para expirar a minha Zona Sul. Acabei atravessando a porta giratória do Caixa e fui tomar um copo d´água no fundo da agência. Na fila dos guichês, o pessoal, assim que teve conhecimento da queda do sistema, começou a sentar no chão. Eu também o fiz. Me esparramei, na verdade. Estava morto de cansaço.

5 minutos passados, o atendente começou a pular sobre os corpos estirados e fez um sinal de positivo para mim. Eficiente, ele já até tinha tirado um documento comprovando o meu PIS. Agradeci e sai correndo. 5 minutos para a Zona Azul. Tirei xérox do meu PIS, do cheque da Claro e peguei o elevador que, veja só, estava parado no térreo.

Entreguei para a vaca do balcão os papéis que faltavam, preenchi outro documento com garranchos puros e escutei que meu MTB só ficaria pronto em um mês. E deveria retornar lá para pegá-lo.

Bradei, resmunguei. E menti. Falei que precisava do documento com urgência, que seria demitido se não o tivesse em uma semana nas minhas mãos. A ruminante fez cara de foda-se e anotou um "Urgente" no envelope com a minha papelada.

Não tomei multa por ter ficado com o carro 20 minutos extras na Zona Sul e, exatos seis dias depois, recebi uma ligação de que meu MTB estava pronto. Voltei no dia seguinte, sem pressa dessa vez, e recebi a minha carteira de trabalho com um novo papel colado em uma das milhares de folhinhas dele. Dizia que eu era jornalista formado e, bem escondidinho, o número do meu MTB.

Provisório.

Descobri que esse documento tem um ano de validade e que, assim que meu diploma sair (na metade do segundo semestre), devo levá-lo para a Delegacia de Trabalho e pegar o meu registro definitivo, que ironicamente será o mesmo número do provisório. Dá para entender?

Eu estava saindo da sala X, fitando aquela carteira azul em minhas mãos, quando ouvi um som de alguém de tamancos correndo atrás de mim. Virei para trás, a mulher me deu um papelzinho e disse, com um sorriso que deixava seu lábio esquerdo meio torto: "Você também precisa trazer cópia de tudo isso aqui para mim da próxima vez".

Em letras miúdas, o bilhetinho dizia: cópia de CPF, cópia do RG, cópia de comprovante de residência, cópia da carteira de trabalho e cópia do comprovante do PIS.

3 de jul. de 2008

No Estadinhon...

Vocês queriam saber como sou eu escrevendo para crianças? Vejam abaixo o meu texto que saiu no último sábado - tive de colocá-lo na íntegra, já que o Estadinho não sai no site Estadão.

Pois é... Talvez porque seja INHO, e não pense ÃO.

Esse papai não é urso


Lembram da história do Mogli, o menino que foi criado entre os lobos quando era bebê? Então, nessa semana aconteceu uma história curiosa lá na Índia. Não, nenhum garoto foi encontrado vivendo entre uma alcatéia (coletivo de lobos). O que se achou foi um urso como animal de estimação de uma pobre família indiana.

A história é a seguinte: no ano passado, o trabalhador indígena Ram Singh Munda, de 35 anos, encontrou na floresta uma ursa órfã. Curiosamente, Munda também havia acabado de perder a sua esposa ,então ele levou o mamífero até a sua casa para que ele consolasse a sua filha pequena: Dulki, de apenas 6 anos.

O bichinho ganhou o nome de Rani ("rainha") e acabou virando o animal de estimação dos dois.
A história, que parece ter saído de um filme da Disney, chamou a atenção do mundo todo. Principalmente a foto em que o papai Munda é visto andando de bicicleta com Rani. Muito fofo!

Mas, como em todo conto de fadas, há sempre um vilão. Nesse caso, foi o governo indiano, já que por lá é proibido ter animais silvestres em casa. Munda acabou sendo preso, a pequena Dulki está em um orfanato e Rani foi levada para o zoológico. Se já não bastasse tudo isso, a ursa não quer comer desde então e o pai de Dulki, se for condenado, pode ficar na prisão por três anos!

As pessoas que defendem os animais,os ativistas, ficaram impressionados com a história e querem que Munda seja solto.

Segundo os ativistas, o pai de Dulki não cometeu nenhum crime, pois nunca maltratou a ursa. Ele também é analfabeto, não sabe ler, e não tinha conhecimento dessa lei que existe na Índia. A torcida é que o governo indiano entenda essa situação e deixe ele viver de novo com a sua filha. Quem sabe até com a ursa também. Se essa história da vida real fosse igual à de um conto de fadas de um livro, isso certamente iria acontecer.

MÃE, EU QUERO UM URSO!

Por mais que seja bonito a idéia de se ter um filhote de urso em casa, isso não é legal. Não é só na Índia que não se pode ter animais silvestres como bichos de estimação. Aqui no Brasil também (Lei de Crimes Ambientais nº9.605/98). Um macaco deve viver em seu habitat natural: a selva. Esses animais são transmissores de várias doenças e outras viroses desconhecidas. Há ainda o risco de ataques. Um jacaré furioso é mais perigoso que um gato arredio.

Essa mudança de habitat também pode fazer o animal pegar doenças normais para o ser humano (como a gripe), mas fatais para ele, que sofrerá com o espaço reduzido de uma casa, podendo sentir solidão e até ter algumas dificuldades de reprodução mais tarde.

1 de jul. de 2008

Milagreiros

Segundo os amantes do futebol, a maior defesa (de um goleiro) da história foi a protagonizada pelo arqueiro inglês Gordon Banks, na Copa de 1970. O lance todo mundo já viu: Jairzinho escapa pela direita e cruza, na medida, para Pelé. O camisa 10 dá uma baita impulsão e, como um Bem-te-vi, paira no ar e cabeceia do jeito que todo treinador de futebol ensina: para o chão.

O lance é plasticamente muito bonito, ainda mais pelo vôo de Banks, que dá um tapa e joga a bola para escanteio. Mas convenhamos que ele tem toda a mística de ter sido protagonizado pelo Pelé, na Copa de 70, pela seleção do tricampeonato... Foi um time que encantou todo o mundo. Tanto, que as cenas mais famosas dessa copa (e da própria seleção) são justamente os "gols que o Pelé não fez": o já citado cabeceio, o drible da vaca no goleiro uruguaio e o chute do meio de campo que foi para fora (não achei o vídeo desse momento isolado).

Mas, na minha opinião, a defesa mais impressionante de todos os tempos foi a feita pelo uruguaio Rodolfo Rodríguez, quando então defendia o Santos. No Campeonato Paulista de 1984, ele fez um lance de 5 defesas seguidas brilhantes, contra o São José do Rio Preto. Lembro que essa cena aparecia direto naquele programa da TV Bandeirantes que mostrava momentos históricos do futebol, o Show do Esporte.

Vejam o maior exemplo do que é agilidade e reflexo em ação:



Fiz esse post graças a um vídeo que me mandaram, agora pouco que mostra um goleiro fazendo uma seqüência de quatro baita defesas em uma cobrança de pênalti (uma delas parece que foi o zagueiro que cortou, diga-se). Lembra muito o lance do Rodríguez. Não sei de que jogo se trata, apesar de parecer ser de algum campeonato brasileiro, graças aos comentários dos torcedores na arquibancada. Um dos uniformes parece ser o do Atlético Paranaense, então chuto que pode ser de um jogo de juniores.

Assistam e comparem:



OBS: Durante a pesquisa, achei esse milagre do francês Gregory Coupet em uma partida Lyon x Barcelona. Estou pensando seriamente em mudar a minha opinião!

28 de jun. de 2008

Só que não fórga, rapaz

Já viram o videoclipe do rap Piracicamano na Moda? Fazia tempo que eu não ria tanto com a letra de uma música. No interior de São Paulo o linguajar é assim mesmo, sensacional.

OBS: Não conhecia esse grito do XV de Piracicaba que aparece no começo da canção. É o melhor ever:

Carxara de forfe
Carcanha de grilo
Asara de barata
Suvaco de cobra
Oreia de besoro
Paster de carne
Garrafão de pinga
Minduim torrado
Já que tá que fique
Treis veis cinco é ...
XV XV XV

Dica do Filipe S.

Casual, graças a Deus (digo, Miyamoto)


Comprei um Wii. Não deu para resistir. Eu achava que não estava mais no perfil de jogador casual, e pretendia seriamente em adquirir um Xbox 360 para me esbaldar chutando demônios (crédito: Jô Auricchio) em games de alta definição, com som 5.1 e o escambau.

Mas eu fiquei mais de um mês com o console da Nintendo em casa. Emprestado. Todo mundo já falou sobre isso, mas você ver seus pais quebrando o maior pau numa partida de tênis no Wii Sports (eu só tinha visto tal cena em partidas de caxeta, na praia) ou seu tio deixando um recado em cima da mesa do jantar com os seguintes dizeres...

- Gu. Novas pistas (do Mario Kart) abertas, ainda mais impossíveis e insanas

Cara, não dá para não ter esse videogame. De boa, isso daí não tem preço.

27 de jun. de 2008

Go, Gu, Go! (II)

Um Passat? Topei. Afinal, pensei, é um carro alemão, sinal de boa qualidade.

- OK, pode ser..., respondi
- Pode? Bacana! Pega a chave aí no pára-brisa, falou o instrutor

Fiquei olhando para o vidro esperando achar algo que se assemelhasse a uma chave. Nada.

- A chave não tá aqui..., murmurei
- Como não? Tá aqui, ó!

Olhei para a tal chave. De boa, era uma caixa de fósforos preta! Fiquei olhando para o objeto em minhas mãos e pensei como aquilo daria a ignição do motor. Então abri a porta do motorista, sentei no banco e olhei para o painel, que mais parecia a cabine de um avião.

- Porra...

Perdido no meio de tantos botões, procurei pela fechadura (assim que se fala?). Já estava quase desistindo quando a porta do passageiro abriu e adentrou no veículo um cara de macacão e de capacete. Ele abriu a viseira e falou, pegando na minha mão.

- É aqui!

Ele enfiou a “chave” num buraco ao lado do volante. Ao fazer isso o carro deu partida automaticamente e deu aquela (ui!) vibradinha.

- Porra...

Logo em seguida o piloto puxou a "chave". E perguntou:

- Percebi que você não está acostumado com carro de luxo...

Concordei com a cabeça.

- Que carro você tem?

Respondi com um muxoxo: "Um Celtinha...".

Juro que vi um sorriso irônico do cara, mesmo com ele usando aquele capacete.

O cara era um piloto de Fórmula 3. Ele começou a me falar da potência do Passat, do motor, do câmbio dele, e tudo o que eu ouvia era um blá, blá, blá. Manja quando a professora do Charlie Brown fala com a sala de aula? A mesma coisa.

Daí ele começou a me mostrar umas veadices do carro. O banco esquenta, tem um sistema que faz massagens na região lombar (?), dá para escolher a iluminação que ficará no seu pé (??) e até regular a temperatura do motorista e do passageiro ao lado. O preço de tudo isso? Um carro de R$ 160 mil.

Acho que ele notou a minha indiferença a isso (não ao valor do automóvel, pois isso me deixou com cagaça) e fez sinal para que eu ligasse o carro. Apertei a chave até o fundo e o carro fez aquele som bonito: "Vruuuum!".

Não sou muito familiarizado com câmbio automático, mas acreditei que o "D" deveria ser de "Drive", e era. Fui saindo de Box devagarinho, pois ao meu lado passavam alguns engraçadinhos com tudo e me borrei só de pensar em raspar o Passat de R$ 160 mil.

Sair dos boxes e cair na "Curva do Senna" foi emocionante. É bem estranho, pois você vê todo o horizonte e de repente cai com tudo. Como o câmbio era automático não me preocupei em desacelerar muito e tentei fazer a curva rapidamente, contornando ela. Como se estivesse dirigindo na rua.

Senti meu corpo sendo jogado para o lado, com uma força absurda no meu pescoço. Se tivesse alguém no banco de trás, sem cinto, com certeza esse alguém daria com a cara no vidro. Daí eu me lembrei de uma palavra que sempre escuto quando assisto uma corrida: tangente.

No autódromo, devido à imensa velocidade o desafio é tentar fazer a curva da forma mais reta possível. Você entra com o carro "comendo a zebra" e abre, indo parar no outro lado da pista. É muito legal e difícil ao mesmo tempo. Foi, de longe, o mais bacana de dirigir numa pista de corrida.

Pegando a tangente, você entra numa curva a 80 km/h e não sente nada. Agora imagine isso em um carro de Fórmula 1, que faz isso a mais de 200 km/h?

Na primeira volta o instrutor foi me falando para fazer um trajeto específico. Entra aqui, abre, espalha na curva, “belisca” a zebra. É complicado, mas também gostoso e desafiador. Na segunda e na terceira volta eu fui com o câmbio manual, mudando as marchas no próprio volante - o tal câmbio borboleta.

Reduzir de marcha para entrar numa curva e depois acelerar para retomá-la é algo sensacional. Corri com o vidro aberto, então além do vento na minha cara também ouvia o ronco do motor berrando a cada arrancada. Do ca-ce-te!

Na reta oposta dos boxes eu atingi 180 km/h, bem acima do permitido. Emocionante. E é impossível não passar pelo grid de largada e soltar um "Pan, pan, pan".

Passou tudo muito rápido e não tremi ou passei nervoso. Eu não sou um grande fã de Fórmula 1, mas o Circuito de Interlagos é algo que quase todo brasileiro sabe de cor. Conforme eu ia dirigindo, minha mente ficava narrando: "Agora eu estou passando pelo 'Laranjinha', olha aqui o tal 'Mergulho'".

Sai com outra idéia do que é automobilismo. Apesar de ainda não considerá-lo um esporte (desculpa, mas de nada adianta ser o melhor piloto se você tem o pior carro), vi a dificuldade que é dirigir numa pista de corrida. De boa: quem acha que consegue andar em um autódromo só porque sabe recortar na estrada vai quebrar a cara.

É necessário uma habilidade tremenda e, mais do que isso, muita estratégia. Saber o lugar certo para cortar caminho e ganhar tempo, testar o seu limite a cada curva...

Foi muito bom.

21 de jun. de 2008

Go, Gu, Go!

Eu não entendo muito de carros. Isso é algo que afeta um pouco a minha masculinidade, acredito. Não manjo nada, sério. Só nos últimos meses, após adquirir meu primeiro automóvel, é que passei a me interessar um pouco mais sobre o assunto. Hoje eu brado aos sete ventos que sei para que serve o tal Protetor de Carter, apesar de ser preciso que eu vá até o Google para saber como escreve isso.

Há mais ou menos um mês, recebi um convite para dirigir em Interlagos. Era um evento de automobilismo, cheio de máquinas possantes em exibição. Para os jornalistas, dizia o convite, haveria a possibilidade de dar umas voltas na pista.

Fiquei animado, afinal, não é todo dia que isso acontece. Dei um migué no fechamento do jornal e fui até a casa do caralho, digo, Interlagos, para conferir o que iria acontecer por lá.

Antes de tudo, um breve colchete:

[Uma coisa que eu acho engraçado nesses eventos de automobilismo é aqueles grupinhos de homens em volta de um carro. Os caras ficam em torno do veículo, tiram foto ao lado dele, abrem o capô e ficam babando se o treco é VX ou VY. Eu acho isso muito estranho, principalmente porque sempre ao lado do veículo há uma máquina bem melhor: uma gostosona.

No tal evento era assim, com um monte de modelos fornidas, de macacões grudados que marcavam suas calcinhas, andando soltinhas e desinibidas por entre os stands. Enquanto isso ocoria, o pessoal babava por um carro de Fórmula 1... Não entendo, juro.]

Logo que cheguei, procurei pela área do test-drive. Após passar pelo camarote da Contigo! e trombar com dois integrantes do KLB, uma repórter do Amaury Jr. e cinco ex-BBBs, achei o local. Para a minha grata surpresa, descobri que eu realmente poderia dirigir o carro. Eu achava que ficaria no banco do passageiro, enquanto um piloto dirigiria uma Ferrari a 300 km/h. E só.

Na última edição do evento, há dois anos, foi assim. Teve até um idiota que moeu uma Ferrari 360 Modena de US$ 830 mil na entrada dos boxes.

Fiquei com as pernas bambas após a descoberta, mas decidi seguir em frente. Tive de assinar um documento, onde eu expliquei qual era meu plano de saúde, meu tipo sanguíneo e para quem ligar caso algo errado acontecesse comigo. Assustador! Logo depois fiz um curso de 30 minutos "como dirigir em um autódromo for dummies".

Sou meio disléxico, então só decorei que o limite de velocidade era 130 km/h e que, caso avistasse um cone branco, isso significa que deveria frear rapidamente.

Chegando aos boxes, coloquei a balaclava (só ficou meu narigão de fora, como vocês podem reparar na foto) e recebi um capacete. Tinha um monte de japonês na minha frente - todos estudantes da Poli, acho. Eles falavam para o instrutor quais carros queriam dirigir.

- Eu quero o Audi XXXYZZVH19, disse um
- Eu quero o Stilo motor &%$*@@@V4, completou outro

Na minha vez, olhei para o instrutor e falei, humildemente:

- Ah, me dá um esportivo que tá bom...

O cara olhou feio para mim e apontou para eu ir até o final dos boxes. Avistei três carros: uma Ferrari verde, uma Lamborghini amarela e um outro prata, que mais tarde descobri ser um tal de Bugatti. Os carros eram assustadores, impressionantes. Não acreditei que poderia dirigir algo assim e escolhi pelo Bugatti, que era animal.

Eu já estava pegando a chave no pára-brisa do automóvel quando alguém gritou e deu um pedala no meu capacete.

- Ei, moleque! Tá louco? Esse aí é só para as (sic) celebridade!

Esse alguém foi me empurrando em direção a uma perua. Eu olhei para ele e resmunguei.

- Ah, não! Eu não vou dirigir um carro de madame!
- Madame???!!! Esse é um Touareg, meu filho!!, respondeu o alguém

Eu nem sei o que é esse Touareg, e o cara percebeu que eu não falava a sua língua. Daí ele perguntou se o Passat era de meu agrado...

(Fim da primeira parte)

19 de jun. de 2008

No Estadon...

Na segunda-feira saiu a minha última matéria no Link, uma grande reportagem sobre tecnologia para deficientes, que escrevi junto do colega Bruno Galo.

A partir de agora eu escrevo no TV&Lazer e no Estadinho. Estou bem empolgado: sempre quis escrever para crianças e acho muito bacana o lance de eu falar sobre TV sem ver televisão. Tudo o que eu assisto hoje (tirando os jogos do tricolor) é no monitor do meu PC. É meio que um outro olhar sobre a coisa.

Amanhã tem mais.

15 de jun. de 2008

Senilidade

Eu tô querendo trocar de celular. Faz três anos que ando com um Motorola Razr V3 (igual ao da foto) em meu bolso. Ele tá um pouco arranhado, com a tela borrada... Isso não importa. O que enche o saco é que ele já dá sinais de senilidade: sua bateria tá pedindo arrego e, às vezes, ele resolve tirar uma pestana do nada, algo tão comum entre os velhinhos.

Aí eu reparo que ele anda meio quietinho e sou obrigado a acordá-lo, apertando um botãozinho verde. Mas logo depois ele dorme de novo.

A Claro sabe que eu não troco de aparelho e, vira-e-mexe, me enche o saco com umas promoções. A última, um papel que simula um cheque, afirmando que tenho R$ 50 (uau!) de desconto na compra de um novo brinquedinho.

Dei um pulo hoje em uma loja da Claro para ver alguns modelos (era a data limite). Não gostei de nenhum - minto, simpatizei-me pelo Viewty. Estou querendo há tempos andar com uma câmera fotográfica para cima e para baixo e isso me atrai no celular da LG, que tem uma câmera de 5 megapixels. Vi o preço e as condições de pagamento dele.

Saí da loja com o meu velhinho V3.

Se eu sou um brasileiro que só lê a Veja, eu esperaria pelo iPhone 3G. A revista enaltece Steve Jobs (e quem não o faz?) e fala de como o homem foi pica-grossa ao baixar o preço do seu telefone e, ao mesmo tempo, deixá-lo mais potente. E deixa a entender que no Brasil ele também será barato - eu chuto que ele, pela Claro ou Vivo, custará em torno de R$ 1 mil.

Já por US$ 199, que é quanto o modelo de 8GB custa nos EUA, eu pensaria seriamente em comprar o gadget - apesar da câmera meia-boca dele. Para adquiri-lo por essa pechincha, com o dólar barato do jeito que tá, eu logo o compraria nos EUA ou pediria para alguém o fazê-lo para mim.

Mas isso não será mais possível: o iPhone não é vendido mais pela internet, só nas lojas da AT&T e da Apple. Pior: para tê-lo em suas mãos logo que comprá-lo, você é obrigado a assinar um contrato de dois anos com a operadora gringa e, feito isso, você será cobrado pelos próximos 48 meses pela AT&T. Antes essa ativação podia ser feita pela web, o que era muito fácil de burlar. Por isso um monte de gente comprava o seu aparelho nos estaite, nunca fazia tal contrato e daí o destrava pelas bandas daqui.

Eu li essa informaçãon na matéria do jornalista Filipe Serrano e logo lembrei de uma capa recente da Wired: Apple: Evil/Genius. Tava lendo no blog do Garattoni o texto em que ele comenta isso também e tive de concordar com um comentário deixado em seu post por um tal de Waldir:

"Fala sério, gente! Com tanta tecnologia móvel bacana, grátis e de código aberto no mundo vocês vão ficar tristes por causa de um celular bombado de uma empresa mais egoísta que a Microsoft?"

Enquanto isso, continuemos com o V3 e dane-se.

14 de jun. de 2008

Alive and blogging

Às vezes eu dou um "Google Me" em meu nome. Não vou dizer aqui que é por pura vaidade e curiosidade (OK, é), mas costumo fazer isso para acompanhar a repercussão de alguma matéria minha. Nessa semana eu dei um "Technorati Me" e tive uma grata surpresa.

Vivian Vaz de Menezes, nada menos que a primeira brasileira blogueira, comentou em seu blog (!) a reportagem que fiz sobre os 10 anos de blogs em português. Nemo Nox foi o primeiro blogueiro tupiniquim a escrever no idioma de Camões, mas Vivian, cerca de um mês antes, criou um blog em inglês, o Delights to Cheer.

Corri feito um louco atrás da gaúcha para fazer uma entrevista com ela - o que não consegui. E ninguém sabia também do paradeiro da moça. O jeito foi colocar uma breve citação de sua importância. E só. Alguns jornais e revistas chegaram a me ligar na semana em que a matéria saiu para tenhar falar com ela. Bateu na trave de novo.

Enfim, notícia bacana. Vivian bate ponto no Aku no Ana. Vou mandar um e-mail para ela e perguntar se topa aparecer aqui como uma "Entrevista de Sábado".

11 de jun. de 2008

Vitor Araújo é fã de Lost (e não contou para ninguém)

Eu costumo prestar muito mais atenção na melodia da música do que em sua letra. Desde pequeno. Quando estou conversando com alguém, cito tal canção e pergunto se essa pessoa já a escutou – e ouço um não – eu não começo a cantarolá-la. Eu balbucio a melodia da música: o piano, o violão, a batida ou, no pior dos casos, os instrumentos de sopro. Não recomendo a ninguém me ouvir fazendo o barulho de um trompete.

No ano passado, matriculei-me num curso sobre a história da música popular brasileira. Nas aulas, tinha-se de analisar as letras das músicas. Para variar, eu só escutava a melodia. No trabalho final, tinha-se de escolher um disco para resenhar. Eu peguei Samba Esquema Novo, do Jorge Ben (sem o Jor, até então).

Analisar Jorge Bem Jor não é algo possível. Suas músicas não dizem nada com nada, é puro ritmo. Então eu fiquei falando do ritmo suingado do violão dele e não perdi tempo em explicar o que ele quis dizer com "Sacundim, sacundém, Imboró, conga".

Quase bombei no curso.

Estou falando disso para comentar sobre Vitor Araújo, o tal pianista recifense de 19 anos que explodiu no YouTube – graças principalmente à sua (ótima) releitura de Paranoid Android, do Radiohead. E também ao seu jeito brejeiro, meio erudito com pop: toca de All Star, pula no piano, fica batucando nele... Enfim, é o Jaime Cullum tupiniquim.

Seu CD/DVD Toc! Ao Vivo no Teatro de Santa Isabel é bacana e gostoso de ouvir. Para deixar rolando no carro e se esquecer do mundo. O garoto realmente é virtuoso e se sai muito bem ao tocar Luiz Gonzaga e Yann Tiersen (o francês que fez a trilha sonora de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Adeus, Lênin).

Mas eu estava curioso para ouvir as composições de Vitor. Das nove faixas do trabalho, duas são de sua autoria: Valsa para a Lua, que eu achei simpática, e A Última Sessão, que fecha o disco.

Quando escutei essa última, fiquei com a impressão de já tê-la escutado em outro lugar. Com um pouquinho de esforço, lembrei: Life and Death, de Michael Giacchino. Quem é fã de Lost provavelmente recorda dessa música: é ela que aparece no final da terceira temporada da série, na cena final do Charlie.

Ouvi ambas várias vezes e a melodia é a mesma – com Giacchino é mais lenta. Não vou dizer aqui que é plágio ou algo do tipo, mas a semelhança é incrível. Araújo só pula a nota final, o que deixa A Última Sessão como Ice Ice Baby, e Life and Death como Under Pressure.

Ponham seus fones de ouvido e dêem suas opiniões. Vamos primeiro de Michael Giacchino e, em seguida, com Vitor Araújo.


8 de jun. de 2008


Os ídolos mudaram...

Acabei de ver Rambo IV com o meu pai. Durante a 1h20 do filme (sim, 20 anos depois do último filme sobre John Rambo o Stallone só gastou isso de rolo), rimos como condenados daquelas cabeças voando, braços decepados e tripas sendo dilaceradas aos nossos olhos. Felizes da vida.

Após assistir a toda essa carnificina, fiquei imaginando nos ídolos teens atuais, tipo Hannah Montana e High School Musical. Todos politicamente corretos, criados para não darem maus exemplos às crianças. Será mesmo que isso funciona?

Com 6 anos de idade, meus ídolos eram Arnold Schwarzenegger, Bruce Lee e Jean-Claude Van Damme. Nessa ordem. Meu filme prediletonaquela época? Predador.

Minha mãe me deu o CD dos Mamonas Assassinas quando eles começaram a tocar nas rádios. Fiz várias cópias do disco em fitas cassete para meus colegas de quarta série, já que seus pais diziam que tal som era inadmissível para crianças de 10 anos.

Uma vez, no primário, tinha um dia da semana em que se podia levar um brinquedo. Certa vez apareci com uma espada de plástico, e a diretora me fez voltar para casa e pegar outra coisa que "não fosse tão violenta".

No começo da adolescência, meu pai um dia chegou em casa e avisou: "Aluguei um vídeo de sacanagem he-he. Se você quiser vê-lo, ele está no armário, pode pegar". Veio uma caravana de moleques da 6ª série em minha casa. Ninguém acreditou quando contei esse fato na escola.

Nesse ano, enquanto cobria a saída dos vestibulandos da Unesp, passou um carro tocando Créu. Uma garotinha ao meu lado, de uns 6 anos, fez a pose da velocidade 3 e soltou "Crééééuuuuu". O pai deu um cascudo nela e disse que aquilo era feio. Eu dancei Na Boquinha da Garrafa em uma festa infantil (o que é bem pior) e minha mãe chorou de rir.

Nunca atirei em ninguém porque tive arminha de brinquedo ou paguei uma de Highlander por ter tido uma espada do Jiraya. Não virei (juro) um pervertido porque assisti ao meu primeiro filme pornô aos 12 anos – nunca esqueci a cena daquela ruiva passando o taco de bilhar em seus seios...

No dia em que entendi o que significava "comer tatu é bom, que pena que dá dor nas costas", perguntei para meus pais como eles me deixaram escutar aquilo tão novinho. Ouvi.

- Ah, você era inocente, era engraçado. Vai nos criticar agora, depois de tantos anos?

Hoje eu agradeço.

PS: A foto que ilustra este post é da festa de aniversário do meu irmão. Ao completar 6 anos, em 1989, ele quis uma festinha do Rambo.

6 de jun. de 2008

Momento cri-crítico
Vou muito pouco ao cinema. Uma pena, pois é um dos meus (caros) passeios prediletos. Na última semana resolvi tirar o atraso e, para desespero da Bem-Amada, assistimos a três blockbusters: Speed Racer, Homem de Ferro e o novo Indiana Jones.

Vou dizer: está cada dia pior ir ao cinema aqui em São Paulo.

Horários: não sei a razão, mas cada vez menos eu encontro as deliciosas sessões da meia-noite. Sim, deliciosas, pois, para notívagos como eu, esse é o melhor horário do mundo: pode-se chegar no horário de exibição, não se preocupar com lugar... Além do mais, tais sessões costumam ser vazias. Com a escassez de sessões da meia-noite, ocorre o próximo item.

Filas: não adianta nada o esquema de você reservar sua poltrona assim que comprar o bilhete no guichê. As filas em cinemas assim são sempre maiores, pois sempre se pega na frente um grupinho de oito amigos que quer sentar junto um do outro ou, pior, velhinhas que ficam 5 minutos apenas para escolher um assento ali no meio, não muito longe ou perto da tela. Pior é também a fila na hora de entrar na sala de exibição. Com a máfia da carteirinha de estudante, muitos cinemas exigem também a sua apresentação antes de entrar na sala. Isso dá uma confusão...

Propaganda: eis o meu item predileto. No ano passado, quando vi Tropa de Elite, cronometrei 30 minutos só de publicidade que apareceu antes do filme começar. É sério! Hoje, um filme não começa às 21h30, mas às 22. Pior, só o que aconteceu comigo na exibição de Speed Racer: a Claro queria me enfiar goela abaixo o trailer do filme. Como? Via Bluetooth! Ou seja: já não basta mais neguinho atender ao telefone no meio do filme: agora se pode ficar vendo um filminho nele, para todo mundo ver e ouvir.

Rádio Cinemark Trama: eis um bom motivo para não ir ao Cinemark. Antes de começar aquela cacetada de propaganda, você é obrigado a escutar por uns 15 minutos aquelas drogas de artistas conceituais da gravadora Trama. Gente, custa esquecer os filhos do Simonal e do Jairzinho e colocar um Superguidis, Autoramas ou coisa do tipo?

E nem preciso comentar sobre o preço, né? Pior é que pegar um DVD também vem me deixando tiririca, pois é cada vez mais difícil encontrar um filme que permita você colocar o disco para rodar e já pular diretamente para o menu. Agora você tem de ver, integralmente, a Pousada do Sandi, aqueles anúncios de que comprar DVD pirata é financiar o tráfico de drogas, uns 5 trailers de filmes que você já viu...

Depois não sabem porque eu incentivo o download de filmes.

3 de jun. de 2008

'80% do Brasil não entende o que a gente fala'


O "Entrevista de Sábado" – ou da terça-feira, no caso – é com os humoristas de stand-up comedy Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Já entrevistei essa dupla várias vezes e, sempre que conversamos, o papo é ótimo. Essa foi a primeira oportunidade que eu os entrevistei como “estrelas da TV”, pois desde março eles fazem parte equipe do programa mezzo-jornalístico-mezzo-humorístico Custe o que Custar (CQC), da TV Bandeirantes. Rafinha apresenta o programa ao lado de Marcelo Tas e Marco Luque, além de tocar o quadro Proteste Já. Danilo é um dos repórteres e faz muito sucesso com o personagem Repórter Inexperiente.

O CQC vem sendo um sucesso de crítica e até de audiência e, ao mesmo tempo, também bomba na internet, principalmente no YouTube. Como vocês estão acompanhando esse fato?
DANILO - O feedback que a gente tem do CQC vem mais de gente da internet, do YouTube, do que da TV. Ibope não prova muita coisa, a audiência do programa é relativamente baixa, mas em todo lugar que eu vou escuto alguém que viu o CQC. Mesmo com Ibope de 3,5 pontos, muita gente nos assiste depois na internet.

RAFINHA – Toda semana eu dou uma olhada nas comunidades do CQC no Orkut e o que eu notei muito é que tem muita gente que não deixa de fazer os seus compromissos no dia do programa porque sabe que no outro dia ele estará disponível na internet. Para mim isso é maravilhoso. É uma audiência que não tem como quantificar. É diferente do negócio do stand-up. Lembra quando a gente conversou (no ano passado) do negócio de a piada cair na rede, o pessoal copiar e eu odiar isso? Então, na TV é diferente, pois lá o conteúdo vai ao ar apenas uma vez. Então não tem problema o programa parar lá. A internet hoje virou um arquivo mundial de emissoras de televisão.

D – Você entra na comunidade do CQC na segunda à noite e você vê que eles assistem ao programa e ficam no computador comentando ao mesmo tempo.

R – Quer coisa melhor do que isso? O melhor é quando essa galera de internet começa a te linkar com seus outros projetos. Realmente a internet não é o público que vai dar audiência para o programa, que o vai pagar. Ao mesmo tempo, o que a gente está fazendo hoje é meio que voltar no tempo, porque o que nós fazemos na internet é um passo a frente. Eu achava isso até pouco tempo atrás, mas, na verdade, hoje atinjo outro público, como os amigos do meu pai.

D- Quando a gente sentou aqui o cara do bar falou. "Eu vi nesta segunda o programa pela primeira vez na TV, eu só o tinha visto no YouTube".

Vocês mesmo colocam seus quadros no YouTube. A Band, como dona dos direitos autorais, não reclama?
R – Cara, eu não vejo o porquê de a emissora ser contra. Tem espectador que já põe na rede o programa logo depois de ele acabar. A Bandeirantes também coloca, mas ela não é uma emissora que não nasceu para a internet. Acho que nenhuma emissora nasceu.

D – Fiz um show em Florianópolis recentemente. Foram 900 pessoas no teatro. Daí passou alguém da platéia e falou: "Agora está enchendo só porque você está na TV". O produtor da casa respondeu: "Não, encheu por causa do YouTube".

R – Talvez se ele estivesse feito esse show há alguns meses, antes do CQC, ia dar esse público mesmo. Quando eu me apresentei lá deu isso: 900, mil pessoas. Se eu voltar agora será a mesma coisa. A galera acha do caralho também poder te ver na televisão, mas eu duvido que a TV mobilize alguém para sair de casa e ir para o teatro.

D – Eu recebo o mesmo comentário. Agora ouço. "Pô, que do caralho! Eu te via na internet, agora você está na TV!"

Elogia-se muito que o CQC está revelando novos talentos do humor brasileiros, mas vocês já estão no ramo há muito tempo - mas fora da televisão. O pessoal da produtora argentina procurou vocês por fazerem sucesso no teatro, serem da internet e terem um público fora da TV?
D – Você ouviu falar que eles entrevistaram mais de 700 pessoas do Rio e de São Paulo para o programa? Eu fui um dos últimos.

R – O programa foi todo selecionado por uma equipe argentina, que tinha uma cabeça livre, vazia das celebridades e dos artistas daqui. Não sabiam que era o Datena, o Leão Lobo... Então eles chegaram e perguntaram quem teria talento para fazer alguma coisa no formato que eles buscavam. Aí eles foram parar na stand-up comedy porque é um humor rápido, sagaz, de tiradas inteligentes; é diferenciado. E vou dizer: talvez 80% do Brasil não entenda o que a gente fala.

Eu percebi isso na platéia. Ninguém ria antes de suas tiradas, agora eu ouço mais risadas
R- Sabe por quê? Teve um dia que eu botei a boca no trombone. Gente, eu e o (Marco) Luque somos de palco e somos motivados pela platéia. Então coloquem lá (na platéia) quem nos entenda. Hoje ouço o pessoal batendo palma durante as matérias do Danilo. Antes quem ia nossa platéia era o mesmo público dos outros programas da Band. Era o mesmo povo do É o Amor, é o mesmo pessoal que no intervalo fica gritando: "Cadê o meu sanduíche?"; "Eu quero mijar!". Eu ouvi isso já. Agora 50% do público é feito pela (produtora) 4 Cabezas e 50% pela Band.

D – A risada que vai na reportagem não é fake, é da platéia. No último programa teve várias no meio da minha matéria.

No ano passado, quando eu os entrevistei, ouvi que o humor que existe na TV brasileira é burro. Vocês não fazem stand-up no programa, mas também não fazem um humor caricatural, de contar piadas de português ou colocar mulheres bonitonas no palco. Vocês estão tendo de se adaptar à televisão?
R – Com a nossa experiência de palco a gente sabe para quem está falando. Outro dia o (repórter) Rafael Cortez fez uma matéria em uma festa, bebeu muito, e o Luque falou: "Imagina você acordar no dia seguinte e ter o Rafael ao seu lado, que horror?!" Ai eu soltei: "Tive um caso pior. Um jogador de futebol, amigo meu, do Rio, pegou três prostitutas, dormiu com elas e no dia seguinte um extraterrestre implatou pênis nelas!". Se talvez eu não falasse "Rio de Janeiro", "jogador de futebol", ninguém entenderia a minha piada. Na TV eu sei que quanto mais informação eu falar, mais pessoas irão me entender.

D – No palco você controla o seu tempo. Na TV o Tas já interrompe. Eu acho que deviam ter uns dois segundos de riso para cada piada nossa.

R – O CQC nunca vai ser um programa popular pra caralho, ele nunca vai fazer 20 pontos no Ibope. Ele não tem o perfil. Nós ainda vivemos num País pobre. Eu sempre falo que esse programa tem muito mais chance de ser um sucesso comercial. O dia que o mercado entender que a gente fala para o público A e B inteligente, que tem dinheiro e quer uma opção diferente na sua TV, ele vai ser um puta sucesso.

Vocês vão começar a fazer merchandising então?
R – Já tem

Mas da Skol, e é uma propaganda inseriada antes de uma reportagem ir para o ar. Não tem ainda Techpix ou iogurteira Top Therm...
R- Não, o formato do programa não permite que o cara interrompa rapidamente e fale: "Olhe, a Techpix!".

D – Nenhum país que exibe o CQC permite isso.

Se o programa fosse feito por brasileiros ele não seria assim? Não estou querendo dizer que os argentinos são mais culturais..
D – Não é o argentino, o povo dos outros países latino-americanos é mais politizado que o brasileiro. A Bolívia, que é um país muito pobre, em todos os lugares que eu fui só encontrei pichações políticas. Não tinha nada do tipo: "Ei, seu viado!"

O pessoal está estranhando vocês falarem tanto de política?
R – A gente não tinha a cultura de fazer isso no palco.

D - Eu me arrisquei algumas três vezes na stand-up e nunca tive resposta do público – ou eu que não tinha bagagem para fazer uma piada tão boa. Agora está mais fácil. Quando eu tinha material político eu o deixava no blog.

R – O formato de palco é mais do dia-a-dia. Uma coisa nossa é que, quando escrevemos um texto, a gente o pensa para que ele fique com você para sempre. E a política, infelizmente, você fala do Renan Calheiros hoje e amanhã sai outro escândalo. É mais fácil escrever sobre seu amigo perneta.

O que rola ali no balcão, as piadas entre o Rafinha, o Luque e o Tas. É tudo improviso ou é combinado?
D – A maioria é combinada. Mas a gente já prevê a reação de uma piada.

Vocês assistem TV?
D – Não, faz muitos anos. Na internet eu escrevo, leio... Eu baixo para assistir depois, não tenho saco de ficar pesquisando.

R – Já assisti muita comédia no YouTube, ver comediantes de outros países para ver o estilo deles, mas hoje eu dei uma largada.

D – Só vejo sitcom em TV a cabo e cinema.

Hoje não precisa mais de TV para ver TV?
R – Agora talvez não, mas acho que em 20 anos, com o crescimento da banda, é possível que isso aconteça. Você já viu o Joost? Eu tenho em casa, é on-demand. É uma locadora de vídeos, dividida em canais. A qualidade é muito boa.

D – Mas eu acho que eu baixar o programa na internet para ver no computador ainda é TV. O que está mudando é o formato. Cada matéria do CQC tem dois, quatro minutos. É o tempo de internet.

R – Eu falei isso quando saiu o Repórter Inexperiente. Ele tem humor rápido, tem umas coisas visuais legais. Já o Proteste Já tem uma historinha, é mais para a televisão. Eu acho que daqui um tempo não será o formato de TV ou de internet, será tudo conjugado.

D – E vai ser tudo mais dinâmico. O pessoal está cansado de ficar esperando a novela começar.

R – Existem mil maneiras de você conseguir isso. O TiVo nunca veio para o Brasil porque não é interesse das emissoras de televisão possibilitar que as pessoas possam interagir com ela. A Globo quer que você acorde com o Bom Dia Brasil, almoce com o Jornal Hoje e jante vendo o Jornal Nacional. O brasileiro médio não cansou disso, mas essa nova geração quer interagir, gravar, assistir em outro horário.

D – Já tem TV com HD embutido, você nem precisa mais de videocassete

Mas elas custam 7 , 9 mil, Danilo!
D – Mas na próxima Copa eles já vão parcelar! Essa possibilidade é o novo controle remoto. Quando ele surgiu, a publicidade teve de quebrar a cabeça, pois antes o pessoal deixava lá no canal e tinha preguiça de mudar. Aí começaram a zapear e inventaram várias maneiras de a pessoa não mudar de canal. A televisão vai ter de pensar agora nessa possibilidade, de se gravar e assistir quando quiser.

O que a TV tem de fazer para fazer o pessoal não sair dela e ir para a internet?
R – Tem de parar de querer isso, porque é inevitável. A minha mulher não tem mais o horário dela, ela não quer mais esperar o comercial para ver a novela. Tem de parar de tentar barrar essas tecnologias e entender a nova cabeça dessa galera que não assiste ao CQC na segunda à noite e o vê na terça à tarde. A Globo tira do ar conteúdo que seus espectadores disponibilizam no YouTube. Essa coisa de preservar informação não existe mais.

A televisão mudou algo para vocês?
D – Estou mais cansado...

R – A gente está fazendo menos shows fora do estado e para empresas, que é o que nos dava mais dinheiro.

Ainda não precisa da TV para fazer sucesso? Vocês falaram isso para mim nas entrevistas do ano passado. A cabeça de vocês mudou após irem para a televisão aberta?
D – Não, não mudou nada.

R - Eu faço uma experiência: tem uma parte do meu show em que faço uma piada que tem na internet também. Depois e eu pergunto quem a ouviu no YouTube. 90% do público levanta a mão. Agora eu faço essa mesma piada no show, faço a mesma pergunta e depois também pergunto quem me assistiu no CQQ. Daí só 65% levanta a mão para essa questão. Ou seja: eu tenho a prova de que o meu público está vindo mais da internet do que da televisão.

* foto: Robson Fernanjes/AE