30 de out. de 2009

Batman: Arkham Asylum é um presentaço para os 70 anos do Homem Morcego

Existe uma unanimidade entre os gamers: a de se evitar jogos que sejam licenciados de filmes ou quadrinhos. Quase sempre, jogos baseados nessas obras são feitos na pressa, sem o devido esmero, com o único objetivo de pegar carona num sucesso e faturar ainda mais. De vez em nunca surge uma exceção à tal "regra". A de 2009 atende pelo nome de Batman: Arkham Asylum (Xbox 360, PS3 e PC).

Um ano depois de ganhar aquela que, para muitos, é a melhor adaptação do Homem Morcego para os cinemas, chega aos videogames aquele, que segundo os críticos, trata-se do melhor jogo do personagem nos videogames. Mais: do melhor jogo já feito sobre um super-herói. Exagero? Nem um pouco.

Para trazer o mundo do Cavaleiro das Trevas aos consoles (e PC), o RockSteady Studios, em parceria com a Eidos Interactive e a Warner Bros, chamou ninguém menos que Paul Dini para escrever a história. O premiado roteirista é o produtor de várias séries animadas da DC Comics para a TV, além de ter conduzido as HQs do Batman pintadas por Alex Ross. A dupla se reuniu especialmente para o jogo e o resultado final é praticamente uma graphic novel em forma de game, cujo visual espetacular e sombrio casa perfeitamente com uma trama primorosa.

Arkham Asylum começa com a prisão de Coringa. Ele é encaminhado para o Hospício de Arkham, uma ilha onde os criminosos mais insanos de Gothan City são levados. Batman suspeita do Príncipe Palhaço do Crime, que se deixou capturar muito facilmente. Ele não está errado: o objetivo do Joker é sequestrar o manicômio e usá-lo como start para a destruição da cidade. Junto de sua namorada - e comparsa - Arlequina, ele prende o Homem Morcego lá dentro. Esse, além de enfrentar capangas bombados e assustadores (frutos de experiências científicas, com certeza), ficará frente a frente com vários de seus inimigos clássicos, como Hera Venenosa, Espantalho e Crocodilo.

YES ESPIONAGEM, NO PORRADARIA

A história é uma delícia, de diálogos inspirados e roteiro que vai se abrindo conforme a evolução do jogo, que tem mais de 15 horas ao todo. O melhor exemplo é logo a cena de abertura, com a captura do Coringa, em que os créditos vão se espalhando pela tela tal qual um filme. Vale destacar também que Arkham Asylum foge da premissa de porradaria pura. Basta apertar um ou dois botões para sair na mão com os bandidos e soltar voadoras e golpes à Matrix. O filé mesmo são os momentos de espionagem com exploração, quase uma mistura de Bioshock com Metal Gear Solid.

É viciante usar o Detective Mode, uma ferramenta parecida com a visão sonar do filme Cavaleiro das Trevas. Ela serve para identificar inimigos através das paredes, conferir se estão armados e até mesmo os seus batimentos cardíacos. Ela também possibilita detectar pistas que fariam inveja aos profissionais forenses do CSI, como trilhas de álcool no ar e rastros de cinzas de charuto pelo chão. Para quem gosta de todas as funções do bat-cinto de utilidades, o game é uma desforra. Há desde o clássico arpão, que serve para o Batman se dependurar em paredes e gárgulas, até um gel explosivo que explode paredes fragilizadas.

Para avançar no jogo, além de seguir tarefas cruciais, como resgatar o Comissário Gordon, é preciso encontrar 240 desafios lançados pelo Charada em formas de fitas de áudio e outros ícones que ajudam a entender melhor o manicômio e seus pacientes. Para achá-los é preciso explorar o gigantesco cenário do jogo. Além disso, o game tem vários extras, como lutas um contra um, ótima pedida para quem deseja testar os músculos do Cavaleiro das Trevas. Já quem possuir um PS3 poderá baixar no PlayStation Network, a rede online da Sony, fases especiais a serem jogadas com o Coringa.

Batman: Arkham Asylum é uma excelente dica para qualquer tipo de público, seja aquele que só conhece o Homem Morcego das telonas ou quem devora os seus quadrinhos há décadas. O game é, com toda a certeza, um presentaço para este personagem, que em 2009 completa 70 anos.

* Matéria publicada no Virgula

26 de out. de 2009

The Big Bang Theory: qual é o segredo da fórmula?

SAN DIEGO - Os nerds contra-atacam. Após meses de espera, The Big Bang Theory retorna à TV brasileira com novos episódios. Às 21h30 desta terça-feira, 27, começa a 3ª temporada pelo Warner Channel. Vale ficar de olho: trata-se de um fenômeno de audiência, que bate recordes nos EUA a cada semana – o último capítulo teve mais de 15 milhões de espectadores. E o título é, ao lado de Two and a Half Men, a comédia mais vista da América Latina.

Não por acaso, os dois sucessos levam a mesma assinatura: Chuck Lorre. Com Bill Prady, um ex-desenvolvedor de softwares, ele produziu esse show sobre dois amigos físicos, Sheldon e Leonard, que sabem tudo sobre o universo mas são incapazes de conversar com uma mulher. Ao lado de dois amigos inseparáveis, Howard e Koothrapali, seus hobbies são comprar quadrinhos, jogar paintball e ir a festas de cosplay.

O quarteto é metódico, a ponto de ter uma noite da semana voltada só para jogar o game Halo, e outra para jantar comida chinesa. A vida deles é transformada após a chegada de uma vizinha ao edifício que tem o seu elevador quebrado ad eternum: a loira Penny, uma garçonete aspirante a atriz. "Ela é o passaporte deles para o mundo exterior. Ela é divertida e relaxada, e isso os influencia", explica a atriz Kaley Cuoco, a Penny.

O roteiro é inteligente e, mesmo cheio de referências tecnológicas e científicas, agrada todo tipo de público. Mas a graça mesmo está no elenco de nerds – em especial, o personagem Sheldon Cooper, um monstro criado pelo ator Jim Parsons (leia entrevista ao lado). Obsessivo, ingênuo e antissocial, Sheldon é a figura mais carismática da TV atual. The Big Bang Theory, no entanto, não se trata de um one man show, diz Lorre.

"Grandes personagens surgem de histórias coletivas. Jim é uma pessoa que se destaca, mas todos são muito talentosos. O grupo funciona como um time, isso é o que o torna tão especial", diz. "Você imaginaria Archie Bunker (Tudo em Família) sem Edith? Um show não se sustenta sem personagens interessantes, pois só assim você tem várias histórias para contar."

DOIS PROJETOS, UMA SÉRIE

A série nasceu de dois projetos distintos. Lorre queria produzir uma série sobre uma garota sonhadora, que tem de lidar com as agruras da vida. Já Prady queria transformar em personagens seus ex-colegas dos tempos de programador. Até que veio o clique: "e se ela conhecesse os nerds?"

Sheldon e Leonard seriam coadjuvantes de Penny, mas grupos de discussão se mostraram muito mais interessados pelas histórias dos geeks. "Achei que no começo eu seria só a loira gostosa e tapada que mora ao lado", admite Kaley.

Em tempos em que as comédias americanas buscam inovar seus formatos, como os falsos documentários de The Office e Modern Family, The Big Bang Theory segue a tradicional fórmula das três câmeras filmando um cenário, com uma plateia assistindo tudo ao vivo (daí aquelas risadas ao fundo). "É excitante por termos essa resposta imediata, mas também é muito vulnerável. Se o material não funciona ouvimos um silêncio, é um som terrível", diz Lorre. "Paramos a gravação e reescrevemos a piada. Se ela é uma droga com a plateia, também será na TV", acredita.

Um professor de física e de astronomia é responsável por revisar o roteiro e fornecer o denso material. Aos poucos, ele mesmo começou a sugerir umas piadas. O texto é um desafio ao elenco, e os atores admitem que entendem patavina do que falam. "Como laboratório, eu e o Jim saímos com uns professores e cientistas de Los Angeles para tentarmos aprender algo. Bastaram 20 minutos para percebermos que não tinha como", ri Johnny Galecki, o Leonard.

Na nova temporada, ele e Penny vão namorar. Questionada se já se apaixonou por algum nerd, Kaley sorri. "Totalmente! Amo conversar sobre física e qualquer coisa que envolva matemática. Graças ao show, sei muito sobre Star Trek e mais do que preciso sobre Star Wars."

Mas... e Sheldon? Será que um dia ele também irá encontrar um grande amor? Lorre responde com bom humor. "Sheldon é apaixonado por física. E pelo Sheldon. É um caso de amor com o próprio cérebro, por isso ele é tão especial."

'Eu me sinto uma vovó'
Jim Parsons diz não ter nada do seu Sheldon Cooper. Quando contou isso, os jornalistas que se aglomeravam na mesa em que ele estava ficaram decepcionados. Mas basta fechar os olhos para ter a sensação de que a pessoa que está ali, sentada ao seu lado, é realmente o físico especialista na Teoria das Cordas.

A voz que chega a afinar nas exclamações e até a risada característica fazem parte de Parsons. Não foram trejeitos criados pelo intérprete, que neste ano foi indicado como melhor ator de comédia ao Emmy. Simpático até dizer chega, ele respondeu às perguntas de cada jornalista. E atendeu às solicitações dos mais empolgados, que pediam para ele sussurrar "I’m Batman", ou exclamar um "Bazinga", e até mesmo dar um "oi, mamãe" às câmeras do celular.

Qual é a sensação de ser indicado pela primeira vez a um Emmy?

Nossa, foi como se eu saísse do próprio corpo. Logo vieram falando se eu saberia o que iria vestir e achei isso estranho, porque não é só pôr um smoking? Me senti com 15 anos. De onde você é?

Eu? Do Brasil!

Ah, sério? Eu fiz um comercial no Brasil uma vez e eu era o único ator que falava inglês dali. Essa foi a experiência mais estranha da minha vida!

Inclusive tem uma camiseta que vende por lá com sua foto. Você aparece de Che Guevara e embaixo está escrito "Cheldon". Como é virar um ícone nerd?

Não sei como é se sentir assim, é algo muito novo, especialmente agora que você falou desta camiseta! Por que você não me trouxe uma? (Risos)

E você tem algo de nerd?

Nada. Nunca fui bom em videogame, mas jogo pingue-pongue com o pessoal do elenco e da produção. Sou nerd no sentido de ser praticamente um velhinho. Gosto de dormir e acordar cedo, ouvir rádio enquanto me exercito... Isso é muito mais do que você precisa saber, mas eu me sinto uma vovó. Eu não sou o cara mais bacana do mundo.

Você entende algo daquelas referências que o Sheldon adora jogar na cara dos outros?

Ai... Eu não digo isso de uma maneira ruim, mas raramente. Entre o fã de quadrinhos e o cientista há uma linha tênue de conhecimento. Eu sei o que estou dizendo, mas nunca parei para rir depois de ler uma fala e berrar: "Entendi!" Teve uma cena na loja de HQs que eu não tinha muito o que fazer, então li um gibi. Nem lembro o nome dele, era com tiros. Foi agradável!

O Sheldon tem um jeito todo especial de falar e de se expressar. Essas idiossincrasias foram criações suas?

Eu diria que o "knock-knock-knock, Penny, Penny, Penny". Mas é algo meio "o ovo ou a galinha?" Não sei se alguém escreveu ou se fui eu que fiz. E tem pequenas coisas que os roteiristas escrevem ao me observarem. Eu não tentei pôr uma voz, um jeito especial de andar... Eu apenas estudo as palavras.

Como os fãs se aproximam de você nas ruas? Eles acham que você é igual ao Sheldon?

Não. Eu até sonho que alguém chega até mim e diz coisas estranhas, que pensa que sou um cara muito esperto... (Risos) Mas não, eles sabem que sou um ator.

* Matéria publicada no Estadão

23 de out. de 2009

Melhores musicais do The Office

5) Bringing the Sexy Back



4) Dwight Schrute Music Video



3) That's What She Said Music Video



2) Ryan Started the Fire



1) The Office Musical

20 de out. de 2009

Na cola de Crepúsculo

SAN DIEGO - Para quem achava que não havia espaço para mais uma história de vampiros, após os sucessos da série True Blood e do filme Crepúsculo, um aviso: há sim. Estreia às 21h de quinta-feira, na Warner, The Vampire Diaries.

Tal qual os dois exemplos acima, o seriado é baseado numa série de livros best seller – Diários do Vampiro, de L.J. Smith. Na história, Elena (Nina Dobrev) é uma adolescente órfã, que se apaixona por um colega no primeiro dia de aula. O garoto é o misterioso e sedutor – e vampiro – Stefan Salvatore (Paul Wesley). Algo meio Isabella e Edward, de Crepúsculo.

Elena também será cortejada por Damon (Ian Somerhalder), irmão mais velho de Stefan. Ao contrário do caçula, que aprendeu a controlar seus impulsos, Damon não perdoa a jugular alheia. Algo meio Bill e Eric, de True Blood. Os dois brigaram há centenas de anos pelo amor da jovem vampira Katherine. A disputa provocou sua morte e os dois se afastaram. Elena é praticamente uma sósia de Katherine e daí vem o interesse deles por ela.

"O show tem uma mitologia rica. Nossos personagens estão interconectados há centenas de anos e a cidade de Mystic Falls é um lugar onde houve guerra civil, com uma grande carga de atividade sobrenatural", diz ao Estado Kevin Williamson, responsável pela adaptação do livro para a TV.

The Vampire Diaries traz vários rostos novos. Menos Somerhalder, ex-Lost. "Só ele não fez testes, ficamos loucos ao descobrirmos sua disponibilidade", ri Julie Plec, que assina a série com Williamson.

Lançada pela CW, mesmo canal que exibe Gossip Girl nos EUA, Vampire teve boa audiência na première, mas foi mal recebida pela crítica. Williamson, pai de Dawson’s Creek e dos thrillers Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, diz que a série é uma versão sexy e jovem de Dark Shadows, show vampiresco americano cult dos anos 60. Para quem não captou a referência, ele cita exemplos atuais bem conhecidos. "Adoro True Blood e, Julie, Crepúsculo. Vampire Diaries fica no meio disso".

PS: Matéria publicada no Estadão

12 de out. de 2009

Migux, uma rede social para gente pequena

Com o Orkut sendo, disparado, a maior rede social do Brasil, fixar e popularizar uma dessas por aqui não é fácil. Que o diga o povo do MySpace. Curiosamente, uma "social network" que não para de crescer no País, e até já tem mais usuários do que o próprio Facebook no território tupiniquim, é uma brasileira, voltada para a criançada: o Migux.

Criada pela empresária Anna Valenzuela, o site conta com 2 milhões de usuários cadastrados. Ele é uma mistura de rede social com game, em que os pequenos internautas criam avatares (peixinhos), escolhem uma casa para viver e tem de acumular conchas - o dinheiro local - por meio de minijogos para mobiliar a residência aquática. Além disso, a garotada é estimulada a gerar conteúdo dentro da rede, podendo criar desenhos e blogs dentro do serviço, ao mesmo tempo em que aprendem a cuidar do meio ambiente.

Em pleno Dia da Criança, batemos um papo com a Anna, que mostrou para a gente como é criar uma ferramenta de sucesso para essa geração de nativos digitais cada vez mais exigentes.

De onde veio a ideia de criar o Migux, Anna?
Trabalhando há dez anos com internet, como editora da primeira página do Uol, consultora de interatividade e diretora de produtos na Brancaleone, sempre fiquei intrigada com a falta de produtos e conteúdos online para crianças. Justamente os nativos digitais tinham poucas opções interativas na web. Curiosamente, estamos falando de um público que, exatamente por ser tão íntimo das novas mídias, é o mais exigente em relação a essas novidades. Com o tempo fui amadurecendo a ideia de uma rede social totalmente desenvolvida para a "geração 2.0". Uma rede com ferramentas que atendesse às expectativas desses produtores natos de conteúdo. Desenvolvemos o Migux na Brancaleone, empresa da qual sou sócia com outros três veteranos da web: João Ramirez, Antônio Graeff e Carlos Freitas.

Quais os números por trás do site e qual é o seu perfil?
Estamos chegando aos 2 milhões! O Migux tem cerca 600 mil usuários ativos e picos de 2.500 participantes simultâneos. Todos os números do Migux são espantosos, inclusive pra gente. Temos neste minuto 783.590 desenhos feitos pelas crianças usando a ferramenta de desenhos do Ateliê do Migux, um verdadeiro hype deste mundo virtual. O perfil de idade é: 5% até cinco anos; 48% de seis a dez anos; 35% de 11 a 15 anos; 7% de 16 a 20 anos e 5% acima de 21. Em relação ao sexo, 55% de meninas e 45% de meninos.

Quais as dificuldades de se criar uma rede social no Brasil? Em especial, para a criançada?
No Brasil, temos profissionais muito talentosos, porém raros. Não é fácil encontrá-los. Além disso temos um publico que, por ser heavy user (é primeiro lugar mundial em tempo de permanência na internet), é muito exigente. Está sempre querendo mais e mais. Isto começa como uma dificuldade, mas acaba se tornando um laboratório incrível para o produto, o que é muito bom.


O que o internauta mirim procura hoje numa rede social? Como não torná-la muito infantil, que o agrida?
(Risos) O internauta mirim, como já disse, é um trator. Quer tudo e mais um pouco. Mas há um elemento fundamental para ele que é ter sua própria criação valorizada. Uma das principais características do Migux, certamente responsável pelo sucesso dele, é exatamente respeitar e alimentar esta necessidade da garotada criar e se expressar. Além disso, uma forma de ser infantil, sem ser chato, é sempre falar a língua deles. E esta língua não é o tatibitati. O Migux tem ironias, "maluquices" e até algumas incorreções políticas - como, por exemplo, jogar bigorna nos amigos! - que conquistam os pequenos. Eu diria que engajamento também é a palavra-chave para uma rede social infantil.

O que diferencia o Migux de outras redes sociais infantis, como o Penguin e o Habbo?
Creio que a diferença esteja no fato do Migux ser uma rede social para os pequenos, com foco em produção de conteúdo pelos usuários. Não investimos pesadamente em games. Outro diferencial do Migux está nas atividades com apelo ecológico, que é a principal temática desta rede. Como "meio ambiente" também faz parte da agenda destes ambientalistas mirins, temos o engajamento da molecada.

Quais as próximas novidades?
Tem uma novidade pintando já no Dia da Criança. Um parque dará uma piscina de bolinhas virtual de presente para os Migux e também irá incentivar a produção de desenhos dando Gotas (uma moeda especial) para quem desenhar durante este mês. Mas tem muitas outras novidades pintando por aí: a abertura da Galeria Maluca, um passeio pelo mundo terrestre, o fim do mistério da bolha do quintal... e por aí vai.

Há bastantes assinantes que adotaram o modelo "premium"? Em um país em que o internauta quer tudo de graça, como motivá-lo a pagar por algo na internet?
O que temos está mais para o chamado modelo “freemium”, ou seja, muitos participam gratuitamente enquanto uma pequena parcela paga para ter benefícios... Como este público está muito acostumado a pagar para ter os virtual goods ("benefícios virtuais") em games, o conceito do “não há almoço grátis” está mais claro para eles do que para os adultos... (risos)

PS: Matéria publicada no Virgula

9 de out. de 2009

Galo Frito: prontos para cantarem mais alto na TV


Da tal "geração YouTube" que surgiu nos últimos anos, com vídeos e produções caseiras na internet a fim de conseguir um lugar ao sol (traduzindo: TV), um dos exemplos mais interessantes - e talentosos - vem de Santa Catarina, pelas mãos do grupo de humor Galo Frito. Formado por três estudantes de publicidade, o grupo surgiu como uma brincadeira despretenciosa, feita para aparecer em um canal de TV universitário. A esquete humorística agradou e, como não poderia de ser, resultou em um pedido muito comum hoje em dia. "Joga isso na internet", pediram. E jogaram.

Mas não foi no YouTube, e sim no FizTV, um extinto projeto brasileiro mezzo portal de vídeos mezzo canal de assinatura, que remunerava os filmetes mais populares. O Galo Frito foi ganhando espaço com seus curtas que, além de engraçados e com situações absurdas à Monty Python, têm muitos efeitos especiais. Curiosamente, foi após o fim do Fiz que o grupo realmente ganhou notoriedade não apenas na rede, mas também em jornais, revistas e emissoras. Tudo graças a Dancing Lula, um vídeo em que um dos comediantes dançava em cima de um heliponto ao som de Harder, Better, Faster, Stronger, da dupla Daft Punk. Na gravação, o rosto do presidente foi colado ao corpo de Mederijohn Corumbá, o Mederi, que saculejava prum lado e pro outro.

Mederi contou ao um pouco do Galo Frito, que vem ampliando o seu repertório com curtas metragens, videoclipes e seriados - Perdidos, uma sátira a Lost, vem por aí. Hoje contratado da MTV, ele revela que fazer vídeo na internet rende apenas um trocados. E brinca com a situação: "Tem um emprego aí no site?"

Para começar, o de sempre: como nasceu o Galo Frito?
O primeiro Galo Frito foi feito em outubro de 2007, um piloto de 15 minutos para entrar na TV universitária da nossa universidade, a Univali (Universidade do Vale do Itajaí). Só fomos fazer um segundo programa ao fazer o upload do piloto no site do FizTV. Fomos convidados a entrar na grade de programação, e isso foi no dia 14 de março de 2008. Nós nos conhecemos na universidade, pois a gente cursava publicidade e propaganda e já possuía alguma experiência em televisão e vídeos, então isso fez com que ficássemos mais amigos. No começo, éramos quatro: Mederijohn Corumbá, Tiago Cadore, André Petermann (Buda) e Roberto Pereira. O Beto ficou com a gente apenas por uns oito ou nove programas, e teve que sair devido à ofertas de trabalho. Além de nós três, temos participações especiais de amigos, mas uma pessoa que sempre está no Galo Frito e já consideramos uma integrante é a Patrícia dos Reis, a "Chapeuzinho Vermelho", musa de todos os nossos fãs.

Mas o grupo é de 2006, não?
Em meados de 2006, eu e o Guilherme Angeli resolvemos bolar um programa de humor diferente de todos que já existiam no Brasil, usando esquetes em forma de curtas-metragens. Com isso, chamamos André Petermann (Buda) para fazer parte e começarmos a criar um projeto, e assim nasceu o Galo Frito. Quando tudo estava definido, infelizmente o Guilherme veio a falecer, fazendo com que o Galo Frito ficasse na geladeira por cerca de seis meses. Não querendo deixar o projeto acabar, em 2007 chamamos o Cadore para fazer parte do Galo Frito.


Quando que os vídeos fizeram sucesso? O Dancing Lula foi o "culpado"?
Já produzíamos vídeos há um ano, mas nunca um deles bombou na net. Mas isso também serve para o fato que também não colocávamos todos no YouTube. Então, um dia eu estava com uma ideia de produzir um vídeo sozinho, fazendo alguma sátira com o nosso presidente. A ideia veio como um flash, pensei em fazer ele dançando! E que música usar para isso? Daft Punk: Harder, Better, Faster, Stronger, uma música que no YouTube possui mais visualizações graças ao vídeo Daft Hands. Não deu outra, vários blogs começaram a viralizá-lo, o mesmo no Twitter, Orkut e etc. No mesmo dia do upload, já havia pego contato com algumas emissoras de TV - inclusive a MTV -, algumas revistas e jornais. Depois de um mês fiz o Dancing Obama, que também foi um sucesso, mas não se comparou ao Dancing Lula. Começamos a ficar famosos e nossos outros vídeos começaram a ser mais vistos, mas nenhum ainda superou os "dancings".

Os efeitos visuais dos vídeos são muito bons. Quem os faz?
Eu e o Cadore editamos os vídeos. Usamos e abusamos do (software de criação de gráficos) After Effects nas nossas produções. Até para dar um pequeno diferencial.

Qual a dificuldade de se fazer humor na web? A impressão de que, no Brasil, ela é uma vitrine para entrar na TV. Isso acontece com vocês?
Tivemos muita sorte, logo no começo o extinto canal FizTV nos descobriu e firmou parceria, assim estávamos ganhando bem para fazer o nosso humor. Hoje estamos apenas com um espaço de dois minutos na MTV e, infelizmente, o que recebemos não banca nossos custos e não estamos mais podendo nos focar somente nisso. Tomara que seja temporario e fiquemos com mais tempo na programação, ou até ganhar um programa só nosso. O que custa sonhar?

A maior dificuldade de fazer humor na web, dentre as várias que existe, é o retorno financeiro. É possível fazer no tempo livre algumas esquetes, mas não podemos nos dedicar 100%, fazemos outros trabalhos para fora para nos sustentar. O humor na web é muito diferente da TV pois, na rede, se você vê um vídeo que tenha mais de dois minutos, por mais legal que ele seja, você não presta muita atenção e já troca pra ver outra coisa, responder e-mail, entrar no MSN ou no Twitter. As pessoas são mais impacientes na web. Estamos fazendo vídeos de duas em duas semanas, mas não é pela falta de criatividade, e sim dos trocados que são poucos. Por falar nisso, tem um emprego aí pra gente? (risos)



Eu vi que a série Perdidos, que tinha sido suspensa porque custava muito para ser feita, irá voltar. A MTV está bancando a ideia?
Sim! A nossa sátira de Lost irá voltar, foi feito um "rebooth" na série, e deixamos os episódios mais curtos. Daqui a algumas semanas estará no ar o primeiro episódio. Somente a gente está produzindo, sem parceria com a MTV. Estamos querendo que essa série bombe na internet, pois quando ainda estavamos no FizTV ela foi um sucesso. Mudamos um pouco a trama, e deixamos ela bem melhor. Vai se passar por temporadas, e vai ter muito mais participações de outras pessoas. A trama ainda é a mesma: quatro cariocas que beberam todas no carnaval do Rio, que acordam numa ilha sem saber como pararam lá. O negoóio que agora há muito mais habitantes nessa ilha. E não são pessoas "do bem"!

Essa é a única novidade que vem por aí?
Estamos também produzindo um piloto do Galo Frito, para oferecer para algumas emissoras de TV. E escutei uns boatos que o Lula além de dançar vai cantar também. São boatos, mas... (risos)

*Matéria publicada no Portal Virgula


8 de out. de 2009

Friends e o Windows 95

Junte na mesma cena dois dos meus assuntos prediletos - séries e tecnologia - e pense: no que isso pode dar errado? Bem, basta ver o seguinte vídeo.



Essa pérola é um vídeo institucional da Microsoft, feito na época do lançamento do Windows 95. Bem moderninha, a empresa criou aquela que seria a primeira "webcom" da história, ao chamar os "friends" Matthew Perry e Jennifer Aniston para estrelarem a publicidade.

Eles conhecem o prédio da Microsoft, sentam na cadeira de Bill Gates e, ajudados por uma tiazinha, conhecem o sistema operacional. A cada novidade, eles soltam algum comentário engraçadinho.

As piadas são ruins demais e, para piorar, vem acompanhadas de um solo de contrabaixo - referência a Seinfeld, é claro. Praticamente um mashup entre o mundo das séries

O engraçado mesmo é ver as reações da dupla ao sistema operacional. Para quem foi albatizado no Windows, como eu, é de chorar de rir os momentos em que Perry fica espantado que agora dá para renomear os arquivos da maneira com o nome que der na telha. Ou quando Jennifer solta um "uau" ao ver para que serve aquela tal lixeira.

3 de out. de 2009

Como era gostoso o meu VMB

Chamem-me de ranzinza, antiquado, e o que mais couber nas suas bocas. Estive no Credicard Hall na última quinta-feira para assistir ao Video Music Brasil, da MTV. Eu juro que me auto-treinei durante a semana para não reclamar dessa história de premiar Twitter, blog, videogame... Mas aí me vem o Rogério Flausino e solta o seguinte na hora de apresentar os dez indicados a Videoclipe do Ano.



"A gente sabe que a produção de videoclipes no Brasil não para de crescer e de se tornar cada vez mais democrática, principalmente aqui na MTV. Que tem galera nova, das antiga, galera independente, alternativa... Todo mundo competindo de igual para igual atrás desse prêmio tão sonhadooo".

Olha, a frase não está de todo errada. Mas dizer que a produção de videoclipes no Brasil está numa crescente e que a MTV é o canal democrático da tendência? Ah, por favor! O.K., o canal corrigiu aquela postura de limar os vídeos musicais da programação, mesmo que agora eles estejam restritos à madrugada e às manhãs, nos Lab da vida. Mas dava vontade de bater em quem escreveu essa frase. Se eu fosse o Mauricio Eça, que estava na plateia e ganhou fama dirigindo mais de 100 clipes, entre eles Diário de Um Detento, eu invadia o palco e fazia o Kanye West.

Eu entendo que o VMB seja um grande evento comercial. Neste ano foi claro: 80% da entrega dos prêmios foram pré-gravados. O resultado ficou bacana e deu agilidade a premiação. Mas também abriu espaço para a publicidade entrar às vezes camuflada, às vezes escancarada, como naqueles filmetes indigestos protagonizados pela dupla Adnet e Kiabbo.

Se a produção de clipes não para de crescer, por que não voltar com as categorias de Videoclipe de Rock, Videoclipe de Samba, Videoclipe de Rap? Tudo bem que a ideia de premiar ferramentas da internet seja uma forma de se conectar com o jovem atual. Por isso acho o discurso do Flausino tão contraditório.

Eu estudei - e estudo - os videoclipes no Brasil. Com a revolução do vídeo na web, toda banda de garagem faz o seu. Basta pegar a câmera do celular ou da máquina digital, subir em cima de alguma esteira de corrida e torcer para que isso viralize na internet, não na MTV. A music television virou secundária, aparecer lá é lucro, dá orgulho para os pais, ajuda na hora de agendar uns shows. Mas só.

O que mudou depois dessa revolução foram as grandes produções. Hoje são ínfimos aqueles clipes com orçamentos de R$ 80 mil, ou até mesmo o dobro disso Um ou outro artista, que ainda tem o respaldo de uma grande gravadora por trás, trabalha desta forma e manda aqueles aqueles videoclipes de fotografia publicitária tão belos de se ver. Porém, isso não significa que a produção brasileira atual não seja digna daquilo que existia na metade/final dos anos 90, quando a Conspiração nos dava maravilhas atrás de maravilhas.

Vamos de dois exemplos de videoclipes brasileiros (independentes) made in 2009 bem legais:


O videoclipe não morreu; está mais vivo do que nunca. Pelo menos lá fora, ele vem sendo muito cultuado, aliás. A MTV americana tem o MTV Music, um portal exclusivo de clipes, e neste ano bolou uma interessante categoria no seu Video Music Awards (VMA's), dedicado a escolher aquele vídeo musical do passado, que foi injustiçado e não faturou um Moon Man. A matriz não tira os videoclipes de sua premiação, procura inclui-los cada vez mais. Há alguns bons anos, quando o canal americano veio com a ideia de transformar o canal musical em um canal jovem, abarrotado de realities, foi-se criado um segundo canal para hospedar aquele material que sempre foi a sua identidade.

Só para vocês sentirem a diferença de mentalidade.

PS: Para não ficar só no pau, gostei muito da nova categoria de Filme/Documentário do Ano, que o VMB teve neste ano. O longa 'A Vida Até Parece uma Festa', sobre os Titãs, teve a direção de Oscar Rodrigues Alves. Ele, dentre outras coisas, dirigiu os videoclipes de Epitáfio e Isso para a banda.

PS 2: Não sabia, mas o MTV Music tem uma versão brasileira. Bacana!

2 de out. de 2009

Ray Drecker, o novo Mr. Big


Tal sinopse está na moda. Depois de uma mãe e de um pai que viram traficantes para sustentarem seus filhos (Weeds e Breaking Bad), vem aí mais um arrimo de família com emprego politicamente incorreto. Estreia às 23h30 de sábado, dia 3, a mais nova comédia da HBO: Hung.

Produzida por Alexander Paine (Sideways), que dirige o primeiro episódio, a série conta a história do quarentão Ray Drecker (Thomas Jane), um professor de basquete de um colégio de Detroit, uma das cidades mais atingidas pela atual crise financeira mundial.

Drecker vive na mesma casa que fora de seus pais e sua esposa Jessica (uma ótima Anne Heche) o abandonou para viver com um médico bem-sucedido. A situação piora depois que seu lar pega fogo em razão de um curto-circuito. Além de perder o lar, que não tinha seguro, seus filhos adolescentes voltam a viver com a mãe após o incêndio.

Falido, ele vai até uma palestra motivacional, cuja proposta é fazer com que cada um descubra o seu talento – e ganhe dinheiro com isso. O professor não sabe qual o seu diferencial. Apenas lembra que os únicos elogios que recebeu durante a vida foram direcionados ao seu avantajado membro sexual. Bingo! Com a ajuda da filósofa Tanya Skagle (Jane Adams), que ele conhece na tal palestra, o michê ganha uma cafetina, que irá apresentá-lo ao mercado.

Hung é uma "dramédia" de 30 minutos, com pitadas de humor negro e de ritmo um pouco arrastado. Sua primeira temporada tem 10 episódios. A HBO já a renovou para um segundo ano.

*Matéria publicada no Estadão


28 de set. de 2009

Toca um samba aí para eu 'fall in love'



O redator publicitário Túlio Pires Bragança mora há alguns anos na Argentina. Em Buenos Aires, especificamente. Com saudades da terrinha, ele mata as saudades tocando músicas bem brasileiras em seu violão. No repertório, vários pagodes que marcaram a década passada. Exaltasamba, Raça Negra, Molejão, Só Pra Contrariar, Travessos... Enfim, aqueles grupos em que o vocalista fica na frente cantando enquanto o resto dos músicos faz uma coreografia vergonhosa atrás.

Dia desses, Túlio fez uma brincadeira - transformou um dos sambas açucarados desses grupos em inglês. A tradução literal ficou engraçada e fez sucesso entre os amigos. Seguindo o ideal que impera na web 2.0, onde o verbo compartilhar é lei, o publicitário de 27 anos pôs suas versões no YouTube, com o nome de Pagode Versions. Imagina se não caiu na graça do povo...

Até agora foram três canções gravadas. "Que Se Chama Amor" virou "That's Called Love" (com a brilhante tradução: "It's a big saudade that break through my heart"), "Me Apaixonei pela Pessoa Errada" se transformou em "I've fallen in Love With the Wrong Person" e "Traz a Caçamba" ganhou o original nome de "Bring the Caçamba".

Túlio bateu um divertido papo comigo sobre a sua criação.

Não tem como não perguntar isso: de onde surgiu a ideia de criar as versões?

Sempre toquei pagode no violão, faz parte da minha educação musical como adolescente. Sei várias músicas de cor. Um dia, com uns amigos, comecei a cantar em inglês de brincadeira e aí rolou a ideia de gravar "Bring the Caçamba".

Isso em Buenos Aires?

É, com uns amigos daqui. Tenho muitos amigos brasileiros e, sei lá, parece que morando fora a nossa brasilidade aumenta. Fica tudo a flor da pele.

Quantas músicas já foram gravadas? A tradução é feita de forma literal ou há algum esmero, um cuidado com a métrica e com a rima?
Gravei três até agora, este final de semana gravo mais uma ou duas. A tradução é praticamente literal e a ideia é que não fique tudo certo. Com a rima não me preocupo não, mas com a métrica de cada frase sim, por isso às vezes tem que rolar uma adaptação.

Tipo "bring the caçamba" ou "it's a big saudade"?
É, essas coisas da brasilidade não rola. Muamba também é intraduzível!

O molejo é o pior grupo de se traduzir?
Quanto mais ginga e malemolência, mais difícil a tradução.

Como você traduziria "lá vem o negão, cheio de paixão?"
(Risos) Essa aí eu já comecei a pensar. "There comes the negão, full of passion. he's gonna catch you, gonna catch you". Só que "loirinha cafungada do negão é um problema" é um grande desafio lexical!

Quais são as próximas músicas a serem traduzidas?
"Smile that I'm Taping You", dos Travessos e "The Powerful", da Banda Brasil. Tem "Jeito Felino", do Raça Negra, que falta decidir se vai como "Feline way" ou "Cat way".



Há muitas sugestões dos internautas nos comentários dos vídeos. Já escolheu alguma?
A dos Travessos foi uma sugestãoo da audiência. Estão pedindo demais "Cohab City", mas essa é foda de tocar. (risos)

A preferência é aquele pagodão romântico...
É, esse é o pagode que toca o coração, que não tem malícia e duplo sentido. Não quero limitar tudo aos anos 90, mas ontem mesmo cantei para minha "muchacha" uma em inglês do Zezé di Camargo e já fiquei pensando em abrir o universo para "Sertanejo Versions" também. "Faz mais uma vez comigo uôôôô, só mais uma veeez comigo".

O que sua família, aqui do Brasil, achou dos vídeos?
Minhas irmãs acharam engraçado e dão risada do ridículo a que me submeto. Já meus pais não entendem a piada, dizem que canto bem e tal, mas não conhecem o significado do pagode para a minha geração.

E qual seria esse significado?
Eu morava em Santos, sem TV a cabo e sem internet no idos dos anos 90. O pagode era a voz das minhas primeiras paixonites. Com mais informação e mais opção, fui começando a gostar de outras coisas, mas isso não significa que eu não me identificava com as letras do Luiz Carlos, do Raça Negra, ou do Alexandre Pires no Só Pra Contrariar. Era mais ou menos a identificação que os emos têm com a música deles hoje, só que eu não chorava num quarto escuro nem usavas roupas e cabelos desaprovados pela sociedade.

* Matéria publicada no Virgula

21 de set. de 2009

S.O.S. séries


A série Chuck, que passa no Brasil pelo Warner Channel, esteve este ano na berlinda durante meses. A rede americana NBC, insatisfeita com a audiência da série, estava decidida a cancelá-la. Mas os fãs não deixaram: em uma campanha de marketing de intensidade nunca vista, conseguiram até um patrocinador para que a atração fosse renovada para uma 3ª temporada. O próprio protagonista de Chuck, Zachary Levi, aliou-se aos telespectadores para que o show não saísse do ar (leia entrevista abaixo). Foi a primeira vez que um ator agiu assim.

Quando se diz por aí que hoje são os telespectadores quem mandam na televisão, acredite. Com a internet, influenciamos diretamente a programação da TV. Mas vale lembrar que tal atitude não é novidade. Desde as cartinhas e dos telefonemas que o povo de casa atazana os profissionais da TV para que certo programa retorne ou para que tal personagem não morra. A diferença é que na web a mobilização é potencializada. Com as redes sociais, os fãs criam estratégias de guerrilha para ventilarem seus pedidos em fóruns, blogs, Twitter, Orkut, Facebook e afins.

O primeiro passo é criar um site que promova a campanha, com um abaixo-assinado. Depois, lota-se a caixa de e-mail dos executivos da emissora que exibe o programa que está prestes a ser cancelado. Daí vem a parte criativa. Para Roswell não ser cancelada logo no primeiro ano, fãs enviaram para a rede WB frascos de Tabasco, o condimento prediletos dos alienígenas da série. Funcionou! Para Jericho também ganhar uma segunda temporada, o delivery veio em forma de 20 toneladas de amendoins, direcionados aos escritórios da CBS. Mesmo resultado.

As atrações que provocam essas mobilizações têm em comum um grande apelo entre os nerds, a menina dos olhos da indústria do entretenimento. São fanáticos, que assistem a um show pela TV e pelo PC, compram seus DVDs e qualquer outro tipo de merchandising. E por serem aficionados por tecnologia, mobilizam-se na rede como ninguém. Exemplo: Dollhouse, da Fox, já tinha campanha virtual para não ser cancelada antes de estrear!

Eles pregam que o público assista mais à TV online. A alegação? Ao ver as séries pelos sites das emissoras, os canais terão uma real noção da audiência de um programa. The Office, que foi pouco vista em seu começo, quase foi degolada. Continuou na NBC porque era um hit de vendas no iTunes. "A internet tem uma aferição mais precisa", concorda Gabriel Priolli, Coordenador de Conteúdo e Qualidade da TV Cultura.

Em julho, Priolli viu uma campanha do blogueiro Ale Rocha (Poltrona) para que o programa teen Pé na Rua não fosse cancelado. Foram tantos e-mails recebidos que até o ombudsman do canal pediu para a atração continuar. Não rolou.

"Infelizmente, as manifestações só acontecem quando o programa sai do ar", diz Priolli. Questionado se uma ação à Chuck funcionaria no País, entusiasmou-se. "Se o público sensibilizasse patrocinadores para que recolocássemos programas antigos, a gente o faria com o maior prazer. É o público trabalhando com a TV pública."

Essa relação é boa para todos os lados. Na semana passada, estreou no SBT uma faixa nobre de séries, cujo horário saiu de uma pesquisa lançada pelo Twitter da diretora artística, Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos. Não dá para saber se o SBT é de fato "a TV mais feliz do Brasil". Mas já é uma das mais interativas.

Zachary Levi: 'Há mais nerds e geeks por aí do que bombadões'

SAN DIEGO - Chuck aprendeu com o baque que levou após quase sair do ar. E aprendeu ainda mais com a nova relação que a série terá com os fãs daqui para frente. "Basicamente tudo o que os fãs estão pedindo nós iremos entregar. Episódios para a internet, um episódio musical...", enumera Josh Schwartz, criador e produtor-executivo da série, que mistura espionagem com comédia. "Chuck é um tipo de show que depende da reação dos fãs, então temos de estar sincronizados com eles. Nossa responsabilidade aumentou muito após essa sinergia que foi criada", continua ele, em entrevista ao Estado durante o evento de cultura pop Comic-Con, em San Diego, na Califórnia.

O primeiro passo foi a criação do site ChuckMeOut (www.chuckmeout.com), um espaço para os fãs de Chuck debaterem sobre a atração, além de jogarem games e verem episódios online. Há dois meses no ar, a página registrou mais de 1 milhão de streamings – conscientes, os atores produziram um vídeo agradecendo a marca alcançada.

"Os nerds são um tipo de fã muito leal. O bacana é que eles são telespectadores sofisticados e muito inteligentes, sabem tudo sobre a história", diz o ator Adam Baldwin, que faz o agente John Casey. "É um tipo de fã que você consegue por merecer", resume Ryan McPartlin, o intérprete do Dr. Devon, vulgo "Captain Awesome".

A bela atriz Yvonne Strahovski, que tem o papel da agente Sarah Walker, conta a sua reação ao saber da campanha armada pelos telespectadores. "Os dois meses de indefinição foram muito difíceis. Então, quando vimos a reação do público foi tipo ‘uau’!", sorri.

A campanha para renovar a série da NBC criou abaixo-assinados na internet, enviou e-mails desesperados para todos os profissionais da emissora e, acima de tudo, veio com a diferente proposta de encontrar um patrocinador disposto a investir na 3ª temporada.

A empresa escolhida foi a rede de sanduíches Subway, que tinha feito uma ação de marketing em um determinado episódio do 2º ano para promover um novo lanche. O ator Zachary Levi (Chuck Bartowski) se mostrou disposto a conversar com os fãs desde o começo da ação virtual. Sua cartada genial aconteceu durante uma convenção na Inglaterra. Em vez de dizer algo ao público presente (200 pessoas), convocou-os até a Subway mais próxima, onde, literalmente, pôs as mãos na massa e fez sanduíches para o pessoal (confira o vídeo em http://tinyurl.com/chucksub).

O ator falou sobre a nova vida do seriado, que volta aos EUA só em março – e no meio do ano que vem ao Brasil, pela Warner Channel.

Sua adesão à campanha fez de você uma pessoa muito querida pelos telespectadores. Acredita que isso ajudou o programa a ganhar novos seguidores?

Espero que sim. Os atores de Hollywood têm diferentes atitudes, e não quero dizer qual é certa e qual é errada, mas, para mim, quanto mais você estiver envolvido e acessível, mais as pessoas irão te querer.

Para um fã, ver seu ídolo fazendo sanduíches a fim de ajudar a manter a série no ar foi o máximo, não?

Estava sendo eu mesmo ali, não estava interpretando meu personagem. Fui a um evento em Birmingham para conversar com os fãs e percebi que em vez de ficar ali parado, só falando, por que não sair e fazer uns sanduíches? Foram momentos e oportunidades únicas que passei (durante os dois meses). Hoje eu só tenho um trabalho porque eles (os fãs) nos amam. Dar uma resposta a eles é o mínimo que podia fazer.

Você diz ser um nerd com orgulho. Por que esse tipo de pessoa, seja um personagem ou um telespectador, vem fazendo tanto sucesso, a ponto de manter uma série no ar?

Porque somos pessoas reais! Há mais nerds e geeks por aí do que bombadões, não?

O nerd e o geek são um novo tipo de super-herói então?

Sim, é um novo tipo de super-herói! E também somos ótimos amantes.... (risos) Ah, e sabemos como consertar um computador!

* Matéria publicada no Estadão


Essa tal "geração Lost"


Neste sábado, fui convidado do Dharma Day 2 para explicar um pouco para o pessoal o que é essa tal tese que criei sobre uma certa "geração Lost" , que trouxe uma nova maneira de assistir televisão. O termo é referente a uma matéria que saiu no caderno Link, do Estadão, em julho.

Foi bem bacana a conversa que tive com mais de 150 lostmaníacos na Livraria Cultural do Shopping Market Place. Agradeço ao Leco Leite, do Teorias Lost, pelo convite.

Um rapaz da plateia (@rafagoom) fez um live streaming do evento, mas a qualidade do vídeo não está lá essas coisas, já aviso.

***
Para quem ficou curioso, fiz um Top 10 razões que explicam porque Lost mudou o nosso jeito de ver televisão, lá para o Virgula. São eles:
- Universo lostie: Lost não é um programa de TV, mas um universo multimídia. Para realmente entender o que significa aquela ilha, quem são os Outros ou quando nasceu a Iniciativa Dharma, é preciso ir além daquilo que vai ao ar na televisão - fuçar em livros, blogs e games!

- Marketing viral: Seguindo essa linha de que Lost não é um programa de TV, mas um universo à parte: um personagem sem falas, morreu no primeiro episódio. Não havia nenhuma menção a ele, parecia um mero figurante. Parecia. Mais pela frente, descobriu-se que ele era escritor, e seu livro ("Bad Twin") estava sendo lido por um dos personagens principais. Adivinhem: o livro fictício esteve à venda de verdade! Mais um elemento extra para quem deseja ter informações complementares sobre o programa.

- ARGs: Lost foi pioneiro ao criar jogos de realidade alternativa para falar das novas temporadas e adiantar aquilo que iria ao ar no novo ano. Os jogos são muito importantes, pois contam histórias que não são abordadas na televisão. Um exemplo: quer saber o que é aquele tal navio Black Rock? Em um ARG aparecem pistas que levam a explicação; na TV, não.
- Espectador ativo: Deixe para atrás aquele hábito de ver televisão estirado no sofá. O final de um capítulo de Lost deixa tantas perguntas no ar que obriga o público a ir para o computador e ler o que outros fãs estão comentando sobre o episódio em fóruns, blogs, Twitter e comunidades do Orkut e Facebook. Dificilmente você não irá escrever algo também.

- Veja na internet: Lost praticamente obriga o telespectador a consumi-lo em outras mídias. Os vídeos de orientação Estação Dharma sempre são vazados de propósito na internet, por exemplo. A série também já teve episódios exclusivos para celulares.
- Interação com você!: A equipe por trás de Lost adora ouvir as teorias dos fãs. O fórum The The Fuselage é um espaço para o público e os roteiristas conversarem. Os produtores-executivos Damon Lindelof e Carlton Cuse também têm um podcast muito popular, onde comentam cada episódio que passou.
- Elementos surpresas: Os roteiristas de Lost, aliás, espalham pelas cenas alguns easter eggs, elementos surpresas que não são vistos ao primeiro olhar. Eles sabem que os fãs pausam as imagens e dão zoom em tudo que é canto da tela à procura de pistas. Sempre encontram algo precioso, claro.

- Viva o download!: Lost é o grande responsável pelo fenômeno atual que é baixar seriados pelo mundo. Sua narrativa e construção obrigam o espectador a ficar envolvido com a história, ou seja, fica impossível esperar meses para ver no Brasil (na TV a cabo) algo que passou nos EUA. Por aqui, um episódio pode ser baixo pela internet minutos depois de ele ter sido exibido nos Estados Unidos.

- TV globalizada: Justamente pelo motivo acima, Lost popularizou o live streaming: o mundo inteiro agora vê seriados ao mesmo tempo em que eles são exibidos no território americano. Basta um morador de lá retransmitir o sinal da TV pela internet. A imagem não é tão boa, mas ninguém se importa: o que vale é a experiência.

- Legendas made by fãs: Os fãs xiitas de seriados odeiam as traduções oficiais, pois elas são feitas por profissionais que costumam não estar habituados com o conteúdo exibido. Um novo episódio de Lost traz muitas referências de temporadas anteriores e os fãs gostam que os termos sejam padronizados. Grupos de legenders de Lost, como Psicopatas, são endeusados.

13 de set. de 2009

Entrevista com Alexander Skargård: "o Eric é um cara legal"


Conforme eu tinha prometido, deixo hoje a entrevista, na íntegra, que fiz com Alexander Skargård, ator sueco que faz o vampiro Eric Northman, de True Blood. O seriado tem neste domingo o final de sua 2ª temporada, nos Estados Unidos. A conversa foi feita em julho, durante uma junket da HBO com jornalistas de fora dos EUA, do qual o Estadão fez parte. Ele é alto, mais de 1,90m e, ao vivo, não tem nada daquele charme que emana na telinha - tem um jeitão até meio jeca-tatu, inclusive.

Mesmo assim, deixou a mulherada (e alguns homens) babando: o cara é um gentleman, daqueles que levanta da cadeira quando uma mulher vai se sentar. Uma curiosidade: foi o único ator da série a cumprimentar todos os jornalistas da mesa do qual fiz parte. Os outros só sentavam e davam um "oi geral" - a Anna Paquin nem isso.

Parece besteira, mas tal gesto nos conquistou.

A entrevista abaixo foi feita em duas partes - durante a junket e, depois, na sala do café da manhã. O Four Seasons de Los Angeles tinha um brownie que era uma coisa de louco. Acabei trombando com o Alexander por lá: assim como eu, ele tava se sujando todo com a guloseima de chocolate.

Você ainda filma na Suécia?
Sim, estou voltando daqui uns dias. É importante voltar para a Suécia e filmar na sua própria lingua.

Seu pai (Stellan Skarsgård) é um famoso ator. O quanto isso o influenciou?
Meu pai é ator e ele me dirigiu uma vez quando eu tinha 7 anos. Uma coisa levou a outra, e trabalhei até os 13 anos como ator na Suécia, onde fazia filmes e programas. Daí parei, não gostava da atenção, é uma época estranha para ser famoso, sabe? Não sabia quem eu queria ser... Meus pais me incentivaram muito, diziam que se eu não tivesse paixão pela coisa deveria largar mesmo. Eles nunca me empurraram, se tivessem feito o contrário eu não estaria aqui. Quando fiz 20 anos, voltei (a atuar).

E como foi essa transição de astro adolescente na Suécia para ator desconhecido de Hollywood?
Eu fiz teatro em Nova York aos 20 anos e queria saber no que isso ia dar. Eu sentia falta (de atuar). Voltei para a Suécia e fiz alguns trabalhos. Em 1999, meu pai estava divulgando um filme na Califórnia. Eu estava de férias e o agente dele perguntou se eu não queria fazer um teste para o Zoolander. E eu consegui o emprego!

Zoolander? Um clássico!
(Risos) Achei até fácil e, por causa do filme, consegui alguém para me representar. O mercado na Suécia é muito pequeno, não temos tantos diretores bons quanto antigamente, você tem de aceitar qualquer trabalho para pagar suas contas. Então eu filmava na Suécia, juntava uma grana e vinha fazer umas entrevistas na Califórnia. Ficava na casa de uns amigos e, se nada desse certo, voltava para a Suécia e depois fazia tudo de novo. Fiz isso durante três anos e em 2007 eu entrei em outra série da HBO, Generation Kill.



Você está bronzeado agora. Durante as filmagens você tem de evitar o sol?
Por seis meses eu não vou à praia e uso protetor solar fator 50... (risos)

Qual é o gosto do sangue que vocês bebem nas gravações?
É muito doce, como um xarope.

O Eric é o vampiro mais "fodão" de True Blood?
Não concordo que eu seja um vampiro muito mal. Na primeira temporada, o Eric é intimidador, o vampiro vinking, chefe do Bill. Ele tem esse lado diabólico por dentro, mas na segunda temporada você entende como ele surgiu, o seu lado legal e como é um grande amigo. O sumiço do criador dele em Dallas acaba sendo a primeira vez em que vemos ele tomar uma atitude em razão de um motivo pessoal.

Como é ser um vampiro?
Como vampiro, eu faço o que quero, crio minhas próprias regras. Não acredito em vampiros na vida real. Eu assisti aos filmes clássicos de vampiros, como Nosferatu, aqueles clássicos antigos, e esses personagens são muito diferentes do Eric, que é mais moderno. Ele tem 1000 anos de vida, é alguém quase humano. E um predador.

Foi divertido gravar o bizarro videclipe de Paparazzi, com a Lady Gaga?
Foi algo divertido, interessante, adorei quando li o roteiro! Eu tento matá-la e ela me mata. (risos)

9 de set. de 2009

Os perdedores contra-atacam


NOVA YORK - Pense naqueles personagens clássicos dos filmes teens americanos. O jogador de futebol americano que é a estrela da escola e que namora a chefe de torcida loirinha e popular. Ou o nerd que é enfiado na lata de lixo todo dia. Ou o cara estranho que não se encaixa em nenhum grupo... Agora pense neles cantando, felizes, como se não houvesse amanhã. Lembrou de High School Musical? Pois saiba que assim pode ser resumida Glee, a comédia sensação dos Estados Unidos que terá sua pré-estreia no Brasil no domingo, dia 13, às 22h, na Fox.

Antes, vale o aviso: não se deixe levar pelo pré-conceito desta breve sinopse. Glee é uma comédia musical de uma hora cheia de humor negro, que leva a assinatura de Ryan Murphy, a "mente doentia" por trás de Nip/Tuck. Exemplos: sabe o quarterback popular? Então, ele gosta mesmo é de cantar e dançar. Sua namorada cheerleader? Na verdade, ela é uma religiosa fervorosa, que adere ao voto de castidade. Isso sem falar do cadeirante dançarino, da lésbica punk e da filha de um casal de homens. Ficou mais interessante, não?

A história de Glee se passa dentro do McKinley High School. O professor de espanhol Will Schuester (Matthew Morrison) é um idealista, que assume a coordenação do Glee Club do colégio, um clube musical largado às traças. Como Will fez parte dele quando estudante, aceita o desafio de deixá-lo pronto para o campeonato regional de glees. Não será fácil: o diretor cortou todas as verbas e sua esposa simula uma gravidez para que ele largue o "frila gratuito" e arranje um emprego extra.

Os alunos que entram na empreitada são os losers . Só quando o astro de futebol americano Finn Hudson (Cory Monteith) se junta ao grupo é que toda a escola fica de olho no projeto. "O glee é o elo de todo mundo, que mostra que é O.k. ser quem você é", diz ao Estado a atriz Lea Michele, em evento para a imprensa mundial em Nova York.

Ela vive a protagonista Rachel, a menina sacaneada por todos, que é adotada por um casal gay e se acha a melhor cantora do mundo. Seu hobby é se filmar cantando para se exibir no MySpace.

DE REHAB A CHICAGO

O trunfo do seriado são os ensaios musicais dos alunos, que fazem releituras de sucessos do passado e do presente. "A música traz alegria às pessoas. O show vai abrir os horizontes musicais dos espectadores, as crianças agora vão ouvir John Denver", acredita Matthew Morrison, o professor Will.

O primeiro episódio de Glee é um bom aperitivo do que virá pelos próximos 21 capítulos da 1ª temporada. Os atores cantam hits radiofônicos da hora, como Rehab, de Amy Winehouse, e I Kissed a Girl, de Katy Perry. Mas também interpretam Mr. Cellophane, do musical Chicago, e Don’t Stop Believin, da banda de hard rock Journey.

A versão de Glee para essa música, aliás, vendeu 400 mil downloads no iTunes, o que mostra a euforia inicial em torno da produção, que terá o seu segundo episódio exibido nos EUA na semana que vem (e em 4 de novembro no Brasil). "Nossas versões são até melhores que as originais", diz Matthew, sobre o sucesso precoce da série. "Glee mostra mais a realidade de ser um estudante. No High School é todo mundo bonito", brinca Chris Colfer, que interpreta o gay/pavão Kurt.

Entre as músicas que aparecerão nos próximos episódios estão Love of My Life (Queen), Gold Digger, do rapper Kanye West, e inúmeros trechos de musicais famosos. O elenco é categórico ao afirmar que a mais talentosa ali é a atriz Amber Riley, intérprete da deslumbrada Mercedes. Perguntada sobre quem a inspirou para a construção da personagem, Amber falou, séria. "Em mim, na minha diva interna!"

OFF-BROADWAY

Cory Monteith, que faz o quarterback Finn, é o único que não cantava ou dançava antes – todo o cast tem formação teatral ou musical, com passagens pela Broadway. "Trabalhava em uma construção, só atuo há 6 anos. As danças do primeiro episódio eram até simples, mas apanhei horrores", ri. Ele também nunca tinha jogado futebol americano até então. "Não sabia para onde devia correr."

A molecada tem entre 18 e 25 anos e se considera uma família. Muitos dos atores até moram juntos em Los Angeles. "Fica um escutando o iPod do outro no set, mas sempre tomando cuidado com a cera alheia", brinca Chris. "Todo mundo canta nos intervalos. É para chamar a atenção do Ryan (Murphy), ele sempre inclui no roteiro as músicas que a gente gosta", diz Kevin Mchale, o nerd Arty.

Duas curiosidades sobre Kevin. Um: seu melhor amigo é brasileiro, então sempre passas as férias aqui. Dois: é um excelente dançarino. Mas Ryan Murphy, e seu conhecido humor negro, fez dele um cadeirante na série.

***

Entrevista com Ryan Murphy: 'Glee é igual aos filmes do Rocky'
Ryan Murphy é o mandachuva de Glee. Além de ser um dos três roteiristas, é o principal produtor executivo da Fox. Nada entra no ar sem sua aprovação. Mas isso não faz dele alguém temido nos bastidores, ao contrário. Ele falou com o Estado um dia depois do evento com o elenco.

É verdade que a série tem muito da sua infância?

Me envergonha o fato de ter sido muito Rachel: era presidente de todos os clubes do colégio. Cresci em Indiana, era obsessivo com a ideia de ser maior que a minha cidade. O personagem gay de Chris Colfer foi tirado da minha vida. O primeiro filme que vi foi Funny Girl – A Garota Genial. Sempre quis usar a faixa Don’t Rain On My Parade deste musical nos meus trabalhos. Agora pude.

Você também criou 'Popular'. Isso ajudou na hora de voltar a escrever sobre adolescentes?

Popular foi sobre sobre seus problemas e incompreensões, era cínico e obscuro. Nunca quis fazer um show sobre teens, mas explorá-los.

Como será conduzida a história durante a temporada? O piloto mostra tudo de uma vez!

Não sei o que o futuro me reserva, faço isso mesmo. Mas sempre sei onde a história termina. Glee é igual aos filmes do Rocky. O primeiro tem os perdedores, que vêm do nada pelo amor de uma grande pessoa e buscam sair vitoriosos de uma competição. No segundo ano eles são campeões. O quarto vai ser na Rússia! (risos)

Como é o processo de gravação de 'Glee'?

É produzir um filme a cada seis dias. Definimos o tema do episódio e depois passo uns dias dirigindo por Los Angeles para selecionar umas seis músicas. As músicas têm de ser aprovadas pelos artistas, nenhum ainda disse não. Grandes estrelas, como Barbra Streisand, Billy Joel e Beyoncé, amam o tema do show. Depois escuto a demo da música, faço anotações e eles gravam. Daí são mais uns dias para a coreografia.

Existe a hipótese de pôr músicas originais na série?

Sempre disse que não, gosto do show porque as pessoas identificam as faixas. Recebo ligações de compositores todos os dias. Agora posso chegar nos tops do mundo e falar: "a Rachel tá se sentindo assim, me escreva uma canção, Diane Warren". Vamos ter um episódio com oito músicas originais para serem vendidas como singles depois.

Você aceita as sugestões musicais dos atores?

Quando se trabalha com um monte de crianças talentosas, seu trabalho é espioná-las. Teve um dia que eles cantaram Ride With Me do rapper Nelly, e amei. Na outra semana estava lá. Também estava conversando com o Chris Couler, que falou que as melhores canções da Broadway são cantadas por mulheres e que queria ser garota por um dia, só para cantar algo de Wicked. Falei: "você não precisa ser". E pus. Matthew é um grande dançarino e fez certa vez a dancinha do Thong Song ("música do fio dental"). Já viu... (risos)

* Matéria publicada no Estadão

7 de set. de 2009

Duas séries, duas épocas

Passei este feriado tirando o atraso que tinha em relação à algumas séries televisivas do qual sou fã. Neste último domingo, matei o que faltava de Mad Men, para que eu ficasse sincronizado com o espectador americano. Vi também mais alguns episódios da 2ª temporada de Breaking Bad, que já terminou por lá. Ambos são programas do canal a cabo AMC.

Mad Men, para quem não sabe, retrata a vida de uma agência de publicidade de NY no começo dos anos 60. Não parece muito convidativo, eu sei, mas o bacana da série é como os costumes e hábitos culturais dessa época são ali retratados.


Para eu, filho do final do século 21, chega a ser chocante ver cenas como a que acompanho nesta 3ª temporada da obra de Matthew Weiner. Betty Drapper (January Jones), grávida do terceiro rebento, acende um cigarro no outro, enquanto perambula pela casa com seus belos vestidos floridos. Ninguém diz nada.

Daí eu pulo quase 50 anos e chego em Breaking Bad. Skyler White (Anna Gunn) também está grávida, mas do seu segundo filho. Gravidez inesperada, ela já passou dos 40 anos. Bateu aquela vontade de fumar um cigarrinho. Escondida, no carro, umedece a ponta dele e olha com culpa pela janela. Uma senhora, em outro veículo, faz um sinal de reprovação.

Betty leva a vida idealizada pela sociedade americana, aquilo que lemos nos livros de história sobre o pós 2ª Guerra Mundial como American Way of Life. É rica, jovem, tem uma bela casa. Nem cuidar dos filhos precisa, já que tem uma babá o tempo todo. Fuma por prazer - ou "imposição cultural", já que 95% dos personagens de Mad Men vivem na fumaça de suas baforadas.

Skyler é uma fodida, da classe média americana, com sua hipoteca para pagar. Não tem emprego fixo, seu marido tem câncer terminal e seu filho adolescente sofre de paralisia cerebral. É repreendida pelo esposo quando decide comer um mero panini porque ele tem sódio, o que faria mal ao nenê. Fumou três cigarros e meio por um breve momento de prazer, enquanto tudo ao seu redor se desmorona.


Fiz esse paralelo com o objetivo de chegar a uma conclusão, mas tá difícil. Só consigo pensar que nossa vida está mais chata. Há quase um ano, quando me vi primeira vez na indo morar numa casa sem ninguém de minha família por perto, passei por uma situação engraçada no supermercado: eu podia decidir o que comprar.

Sempre tive tudo light nos meus lares, do refrigerante à maionese. O pão, aos poucos, virou integral, assim como as bolachas foram sendo substituídas pelas barras de cereais. Dez meses depois cá estou: vivo e mais magro, inclusive. Na minha geladeira só há "alimentos normais", imorais, que ainda não são ilegais, mas dizem que engorda.

Tava conversando outro dia sobre a primeira vez que vi um refrigerante diet, no começo dos anos 90. Era coisa de gente doente, diziam, como meu avô diabético. Hoje todo mundo bebe a mesma parada sobre o rótulo de Zero, porque os publicitários dizem que é mais juvenil.

Quando estive nos EUA, há algumas semanas, fiquei com vontade de alugar um carro à diesel, só para protestar contra a onda "Go Green" que assolou aquele país. A prefeitura de Los Angeles tá implementando o cartão de bilhete único em seu transporte público, com a desculpa de que isso vai evitar o gasto com papéis e ajudar ao meio-ambiente.

[Gente, o cartão é ótimo porque é uma tecnologia feita para deixar nossa vida mais prática, para que ninguém mais pegue filas nos ônibus ou nos metrôs. E ponto final!]

Não gosto de cigarro, acho ótimo ir à balada e voltar para casa com o cheiro do meu perfume, mas toda essa proibição, essa vigilância, incomoda-me um bocado. O pior é que a gente vai integrando essas regras em nossos cotidianos sem perceber. Minha mãe diz que adorava jogar lança-perfume em seus amigos nos carnavais de sua infância. No domingo ela tentou me convencer a experimentar um hambúrguer de soja.

Sei que essas restrições têm o objetivo de tornar nossa vida mais saudável. Mas fico imaginando como ela será daqui uns anos. Tipo ser chamado pela diretora da escola porque meu filho foi pego levando Coca-Cola normal na lancheira.

Algo assim.

Enquanto isso, em Farmville...

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
logo vou ter meu trator

Gustavo diz:
esse é meu objetivo

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
pelo menos você já tem um guarda solzinho

Gustavo diz:
ahahaha
aquilo eu ganhei

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
ahhh eu ganhei a arvore q vc me deu ahueahae

Gustavo diz:
esquema para ganhar coisas legais é assim, só no free gift
me dá algo maneiro
nenhum vizinho meu me dá

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
deixa eu ver aqiu
quer uma vaca?

Gustavo diz:
ah, vaca eu já tenho
duas, aliás
deixa ver oq eu quero, peraí

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
hummm, arvore de pessego?

Gustavo diz:
nem sabia que pessego dava em arvore ahahaha
só vejo isso nas latinhas, com calda

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
pois é!

Gustavo diz:
tá abrindo aqui não
dá qq coisa vai
menos essa arvore de pessego
que arvore de viadinho eu não gosto

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
uma galinha? ahuehauea isso vc já tem
maçã entao

Gustavo diz:
maça? puta arvore de pobre

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
figo

Gustavo diz:
tem outro animal, não?
tá, figo serve

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
plum
sei lá que porra é essa

Gustavo diz:
plum?

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
só tenho vaca e galinha

Gustavo diz:
deixa eu ver no google
plum é ameixa
dá essa vai

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
ok

Gustavo diz:
ameixa é bom, ajuda a cagar

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
isso é verdade
tem um monte de activia de ameixa aqui

Gustavo diz:
ahahahahaha
nem deve ser da sua mãe...

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
é dela

Gustavo diz:
eu odeio essas comidas invasivas, manja?
tipo, que querem te fazer cagar
deixa o estomago trabalhar sozinho, porra!

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
é que tem gente que precisa de um empurraozinho hauehauhea
pra que serve feno?

Gustavo diz:
feno? pro cavalo dormir em cima ahaha
eu vendi o meu. coisa inutil da porra

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
é... você que me deu??

Gustavo diz:
não
o jogo que dá

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
alguém me deu
ah tá
mas eu nem tenho cavalo

Gustavo diz:
AHAHAHA

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
acabei de comprar uma vaca

Gustavo diz:
começa aos poucos, né?
daqui a pouco tu ganha uma ferradura

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
nossa, a galinha é mais cara que a vaca

Gustavo diz:
essa frase pode ser colocada em outro contexto

Filippe Ykeuti - take a chance on me... diz:
that's what she said