26 de dez de 2009

Borracharia fashion hi-tech

Não entendo nada de editorial de moda, presto atenção apenas nas modelos. Fato. Mas impossível ignorar a genialidade do fotógrafo Steven Meisel, para a Vogue Italia de dezembro.

Ele reuniu 20 top models para um ensaio bem criativo, inspirado no TwitPic, aquele álbum de fotografias virtual integrado ao Twitter. Elas tiraram fotos de si mesmas e as enviaram para o Twitter do fotógrafo. O layout das páginas ficou muito bacana, como se fossem os perfis das meninas.

Sente só o Meisel Pic: Resort 2010.








Formspring, o caderno de enquetes virtual

Lembra daquele caderno de enquetes, que circulava pela sala de aula com um monte de perguntas, para que cada um dos alunos respondesse? Então, voltou com tudo - na internet. Desde a semana passada, virou moda no Twitter divulgar o Formspring, um formulário social cuja ideia é a seguinte: perguntar qualquer coisa para quem tiver um perfil dentro do serviço. Assim, simples mesmo. Nem precisa ter registro ali, pode ser anônimo.

Para o cadastro, é só fazer aquela beabá de sempre - deixar um e-mail, criar um apelido e, claro, divulgar sua vida 2.0: endereço de blog, integrá-lo com Twitter e Facebook... Feito isso, o URL ganha um endereço pessoal - www.formspring.me/seunome. Isso torna bem fácil a sua divulgação. Fale para seus amigos, libere o endereço na internet. Afinal, a graça do Formspring é receber as perguntas e respondê-las. Só assim ele funciona, não faz muito sentido deixá-lo ali parado.

Sempre que alguém enviar uma questão para seu perfil, um aviso será enviado por e-mail. Quem for cadastrado pode perguntar se identificando - ou não. Prepara-se para ouvir aquelas perguntas cheias de trocadilhos, além de reparar que as pessoas são bem curiosas em relação a sua vida e opção sexual. "Engole ou cospe?" é praticamente um must dentro da rede social. As perguntas só entram no seu perfil após respondidas. Não gostou? Apague e pronto - quem fez a pergunta não pode editá-la mais tarde.

Para aqueles que buscam uma maior privacidade, existe a opção de permitir apenas perguntas de quem estiver logado dentro da página. É um bom filtro para evitar chateações - mas o divertido do site é justamente as questões idiotas, vindas daqueles que não querem se identificar para sacaneá-lo. O anonimato é totalmente aceito dentro aqui.

É possível seguir perfis no Formspring. Acha que fulano dá respostas engraçadas ou inteligentes? Dê um follow. O conteúdo vem organizado depois, da mesma maneira que o Twitter. Essa é uma boa sacada, mas o serviço é bem primário: não dá para saber quem o segue, por exemplo. A ferramenta de buscas também é bem simplória.

Infelizmente, o Formspring parece que nasceu com o prazo de validade quase expirado. Bastam algumas horas de uso para ficar enjoado. As perguntas costumam se repetir bastante e devia existir um filtro para isso. Se as questões ali levantadas não forem pertinentes e instigantes, a brincadeira logo fica cansativa - isso porque a ferramenta é uma tremenda massagem para o ego. Ao se receber várias perguntas, logo se pensa: "ei, eu sou uma pessoa interessante, que posso ter algo a dizer".

Não tem como não se sentir uma celebridade. Ponto.

Como as pessoas são voyeurs, o Formspring é mais uma dessas redes sociais feitas para a auto-exposição. No Twitter, você responde o que ninguém perguntou – aqui, pelo menos, não se fala com as paredes.

PS: Foto surrupiada lá do Trash it Up!


24 de dez de 2009

Filmadora de bolso da Kodak grava vídeos em alta definição

Febre ao redor do mundo há alguns anos, as filmadoras de bolso começam a chegar a Brasil neste Natal. Pequenas e gordinhas, com potencial para gravarem em alta definição, elas são uma ótima dica para essa geração que já troca as fotos digitais pelos vídeos online. Por aqui, a maior representante dessa turma ainda não chegou - a Flip. Mas uma de suas principais concorrentes já está à venda: a Zx1 da Kodak.

O Virgula recebeu uma para testes e saiu por aí com ela na mão. Confira o resultado logo abaixo.

A Zx1 chama a atenção logo pela aparência. Seu corpo é todo emborrachado, o que a protege contra chuva e areia, por exemplo. Uma ótima ideia. Ela também é bastante leve (100 gramas) e um bocado robusta. Cabe na mão facilmente, mas no bolso faz um certo volume. Em sua lateral há uma entrada para cartões de memória SD, S-Vídeo e HDMI (cabos inclusos). A lente da câmera fica na parte de trás e, infelizmente, não tem uma capinha de proteção. Em alguns minutos de uso ela já ficou suja.

O gadget funciona com pilhas AAA recarregáveis (o carregador vem junto) e tem quatro modos disponíveis de filmagem: VGA, HD, HD 30 e HD 60 (esses números fazem referência aos frames por segundo), com zoom digital de 2x. Ela também fotografa em 3 megapixels. A Zx1 tem apenas 128 MB de memória interna. Não dá para fazer quase nada com isso - 1 minuto de vídeo no modo VGA, e meros 30 segundos em qualquer opção em HD. Justamente por isso, ela suporta cartões de memória de até 32 GB. É uma pena que a filmadora da Kodak não tenha uma memória interna maior, como a Flip, que tem modelos com 8GB, por exemplo.

APONTE E FILME

Para usá-la é bem simples: é só ligar, apontar e filmar. Para escolher o modo, basta apertar nas setas laterais que ficam ao lado da microtelinha (um dos pontos negativos da câmera). Até aí é fácil. O problema está na hora de acessar o menu: é muito difícil. Os botões disponíveis no painel não são nada intuitivos e muito menos têm algum símbolo que identifiquem o seu uso. Após muitos erros chega-se a descobrir como ver galerias, apagar as pastas e etc. Mas esse é um fator bem desagradável em um aparelho que tem, justamente como grande aliado, a praticidade.







Em ambientes muito iluminados, ou com pouca luz, a Zx1 se saiu muito bem mesmo no modo VGA, de resolução inferior. Em ambientes escuros o seu uso é nulo. A diferença da qualidade de imagens produzidas nela, em relação ao HD, chegam a ser quase imperceptíveis em telas menores. O que não acontece ao ver as gravações em tela cheia - daí sim o HD faz toda a diferença.

Filmar em alta definição exige vários cuidados. Para começar, o jeito como se segura a filmadora. Fique com ela firme e evite movimentá-la. Caso contrário, a gravação fica horrível, com imagens tremidas. Pega-se o jeito rapidinho e o resultado é muito legal. De noite a filmagem não fica lá grande coisa, mas o resultado não é decepcionante, muito pelo contrário. Também surprendeu a qualidade do áudio - no vídeo abaixo, feito no 13º andar de um prédio, é possível ouvir pessoas conversando na rua e os pássaros cantando nas árvores da calçada.

O grande lance da Zx1 é que ela tem um software de edição que sobe os vídeos automaticamente para o YouTube ou Vimeo. É muito prático e funciona direitinho. O programa, inclusive, diminui o tamanho do arquivo, o que torna ainda mais rápido o seu upload.

Na análise final, a Zx1 é um ótimo gadget. Peca pela tela muito pequena, pela falta de uma memória interna mais robusta e pelo menu sofrível. Mas ganha pontos pela sua ótima qualidade de imagem e pela praticidade de subir o material para portais de vídeo como o YouTube. Ela está disponível em três cores, preta, vermelha e pink. Um impasse é o seu preço oficial: R$ 699 - mas ela pode ser encontrada promocionalmente por R$ 499, ou seja, pesquisa bastante.

* Matéria publicada no Virgula



16 de dez de 2009

Ale Rocha: "o blog é a minha terapia ocupacional, não um trabalho"

Ale Rocha é um exemplo. Não apenas no jornalismo, por coordenar um dos principais blogs brasileiros sobre TV, o Poltrona, mas também na vida. Ele sofre de uma rara doença há 3 anos, a hipertensão pulmonar primária, que exige dele repouso absoluto. Mas Rocha, de 33 anos, luta contra prognósticos e, sempre perto do computador e do iPod Touch (futuramente, será um netbook), diretamente de sua casa em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, solta furos, notícias em primeira mão e faz a alegria daqueles que curtem os bastidores da televisão.

Em uma semana em que teve uma das piores crises desde o diagnóstico da doença, Rocha está sem postar nada de novo no premiado Poltrona. Muito gentil, ele aceitou o convite do Virgula de contar um pouco a sua história. "Hoje, olhando para trás, vejo que a doença proporcionou coisas bacanas. Tive um filho após o diagnóstico. Criei algo, o Poltrona, e fui reconhecido por isso. Claro que preferia tudo isso sem a doença. Talvez estivesse melhor sem ela, mas não posso dizer que tenho uma vida ruim".

Anotaram?

Você sempre morou em Mogi das Cruzes?
Então, sou paulistano. Morei na capital até o começo da adolescência. Meu pai foi transferido e morei em Mogi durante a adolescência. Voltei para São Paulo para estudar, trabalhar, casar e ter meu filho. Veio o diagnóstico da doença e acabei retornando para Mogi, pois procurava uma cidade mais tranquila, mas que fosse próxima a São Paulo, por causa de meu tratamento no Incor (Instituto do Coração). Entrei na faculdade em 1996. Meu objetivo era ser jornalista esportivo. Durante o curso, consegui um estágio no recém-lançado Lance!. Fiquei lá por dois anos, entre estágio e freelancer. A experiência foi boa, mas observei que o jornalismo esportivo não era minha área. Logo depois conheci a comunicação institucional e minha carreira seguiu este rumo.

E a TV, onde que entrou nessa história?
Trabalhei durante cinco anos no terceiro setor, em uma ONG que estimulava o investimento de empresas na área social. Comecei na área de comunicação e, com o tempo, acabei orientando algumas organizações em suas ações sociais. Durante o tempo em que trabalhei nesta ONG, fiz uma especialização em terceiro setor e outra em gestão de projetos. Depois fui para uma grande empresa farmacêutica. Foi aí que tive o diagnóstico de hipertensão pulmonar primária. Inicialmente fui licenciado e, depois, aposentado pelo INSS. Nos primeiros meses de licença médica, um amigo sugeriu que eu escrevesse um blog para me ocupar. Na hora em que decidi o tema, veio TV. Sempre gostei de televisão, desde moleque. Minha mãe conta que aprendi as primeiras letras e números com Vila Sésamo, no final dos anos 70.

Um blog que, hoje, é um trabalho
No começo era um hobby. Aliás, ainda é. É uma terapia ocupacional, não é um trabalho. O blog começou com poucos leitores, sobretudo amigos e parentes. Comentava notícias sobre TV que lia nos meios de comunicação, programas e séries que assistia. Com o tempo fui ganhando leitores, entre eles profissionais de TV ou jornalistas que cobrem o assunto. Aí veio o destaque, o crescimento da audiência, os furos, os prêmios e o livro (http://www.poltrona.tv/sobre/). O diagnóstico da hipertensão pulmonar ocorreu em dezembro de 2005.

Você atualiza o Poltrona apenas de casa? Sua doença exige repouso absoluto

Fui aposentado em janeiro de 2008. Nunca tive uma postura pró-ativa com o Poltrona. Sempre recebi propostas e convites. Isso inclui os furos. Recebo informações em primeira mão, por telefone, e-mail ou MSN. Outras notícias não são propriamente furos, mas acabam sendo publicadas primeiro pelo Poltrona. Tenho um escritório em casa com toda a estrutura necessária - computador, banda larga, TV por assinatura e DVD. Daqui acompanho cerca de 150 sites e blogs nacionais e internacionais, vejo TV e DVDs o dia inteiro, acompanho Twitter, converso com pessoas pelo MSN e telefone.

Deve ser difícil não pode ir a eventos e coletivas

Realmente vou pouco a eventos. Além de não estar em São Paulo, onde a maioria dos encontros, cabines e coletivas acontecem, há a questão da dificuldade de locomoção. Um dos sintomas da hipertensão pulmonar é o cansaço extremo em pequenos esforços. Um simples levantar do sofá, dependendo de meu estado de saúde, pode levar ao desmaio. No princípio era mais fácil ir a eventos. Morava em São Paulo e a mobilidade era maior. Hoje é mais difícil. A doença é crônica, ela avança mesmo com o uso de remédios. Não há cura. Seleciono alguns eventos para ir: se acordar em um bom dia, posso tentar ir. Para isso conto com a ajuda de familiares que me levam, pois não posso dirigir. Em alguns casos, uso cadeira de rodas. Se não acordo em um bom dia, me resta ficar em casa e poupar energia.

Quando você percebeu que estava se tornando uma referência na área? No primeiro furo?

Não foi propriamente um furo, mas a primeira notícia que repercutiu foi um áudio que postei no YouTube com a discussão entre um pastor do Fala que eu te Escuto e uma telespectadora que o criticava e o acusava de preconceito contra outras crenças e religiões. O post virou notícia na Folha Online, isso aconteceu em janeiro de 2007, dez meses após a criação do blog. Até ali, ele crescia bem vagarosamente. Em dezembro de 2006, tinha uma média de 250 visitantes por dia. No mesmo em que ganhei destaque na Folha Online, saltou para 450. No mês seguinte, atingi 900 visitantes e o número foi crescendo.

Ao fazer os publieditoriais, vulgo posts pagos, você não acredita que põe sua credibilidade em risco?
Primeiro, acho importante deixar claro quando um texto é pago. Para isso, uso um selo e os arquivo na categoria Publieditorial, sem o uso de tags, que no Poltrona servem para indicar os nomes das atrações. Acredito que se tomar esses cuidados, dificilmente o leitor se sentirá incomodado. Eu adoto algumas práticas: primeiro, tem que ser assunto relacionado à TV. Outra coisa diz respeito à abordagem. Se não vi a atração, não elogio. Faço um post informativo. Falo sobre o programa, elenco, história, horários de exibição, cito caminhos para mais informações... Até hoje, só opinei em um caso: True Blood. Sou fã da série, acompanho com a exibição norte-americana.

Você se considera um exemplo, pela maneira como lida com a vida?
Algumas pessoas dizem que sim. Talvez seja. Fico feliz com isso, mas não é meu objetivo. Boa parte do que aconteceu é fruto do acaso. Desde o diagnóstico da doença até a criação do blog e os motivos que o fizeram crescer. Só descobrimos a força que temos quando somos testados, colocados à prova. Acho que é instintivo. Sim, luto diariamente. Mas não há nada de especial nisso. Qualquer pessoa lutaria, todos nós queremos viver! Se alguém me falasse no começo de 2005 que em alguns meses eu teria o diagnóstico de uma doença rara, sem cura e fatal, eu provavelmente iria entrar em parafuso. Aliás, entrei. Os primeiros meses foram barra pesada... Mas, depois, o tempo torna as coisas mais serenas. Os desafios crescem, mas há sempre a questão da adaptação.

Você poderia explicar um pouco sobre o que é a hipertensão pulmonar primária? E qual o seu estágio hoje?

É um pouco abstrato, mas vamos lá: é uma doença rara, crônica, sem cura e potencialmente fatal. Não há estudos atuais, pois alguns remédios novos entraram no mercado, mas pesquisas da década de 90 indicam sobrevida de três anos após o diagnóstico. Em suma, há um um aumento progressivo na resistência vascular pulmonar levando à sobrecarga do ventrículo direito e, finalmente, à falência do ventrículo direito e morte prematura. Entre os sintomas estão falta de ar, cansaço em pequenos esforços, síncope (desmaio) ou quase síncope e edema (inchaço) periférico. Com o avanço, há aperto no peito e dor similar a angina, também presente no infarto.

Existem quatro classes funcionais. Estou no grau mais avançado, a Classe IV. Tenho inabilidade para realizar qualquer atividade física sem sintomas. Apresento falência do coração direito, além de dispnéia (falta de ar) e fadiga em repouso.

Você disse que o blog é sua terapia. Ele o permite criar planos futuros?

O blog é minha terapia. Além disso, é uma forma de contato com outras pessoas. Se eu ficasse vendo o tempo passar, certamente enlouqueceria. É uma forma de me ocupar e fazer planos. Tenho planos pessoais e para o blog. No momento, aguardo a decisão dos médicos para ingressar na fila de transplante pulmonar. O transplante é uma complicado, cheio de riscos imediatos e posteriores, mas certamente melhorará minha qualidade de vida. Por isso, faço planos desde os mais simples, como ir a encontros, coletivas e cabines para imprensa, como, quem sabe, conhecer estúdios nos EUA e participar de eventos por lá. Convite já há.

* Matéria publicada no Virgula

11 de dez de 2009

Ceará e Marco Luque homenageiam Lombardi

Opa! Eu sei que estou publicando isso com atraso, mas na semana passada eu pedi para os comediantes Ceará, do Pânico na TV, e para o CQC Marco Luque, que eles fizessem um vídeo imitando o locutor Luiz Lombardi - os dois faziam imitações do dono da voz misteriosa do SBT.

Achei que a brincadeira ficou bem engraçada, até rendendo um bons acessos no site do Estadon. Vejam só:



10 de dez de 2009

Top 5: Simonal no YouTube

'Meu limão, meu limoeiro'



Dueto com Sarah Vaughan



'Vem Balançar', com Elis Regina



Tributo a Martim Luther King



'Sá Marina' em festival português de 1979

Como é jogar Call of Duty: Modern Warfare 2, o maior game da história

No ano que os Beatles entraram de cabeça no mundo dos games, publicar um jogo que pudesse superar o fenômeno midiático do "Rock Band" dos quatro garotos de Liverpool parecia tarefa quase impossível. Parecia. Lançado há pouco menos de um mês no mundo, para Xbox 360, PS3 e PC, "Call of Duty: Modern Warfare 2" acabou se tornando em apenas uma semana o maior lançamento da história dos videogames. Na verdade, da indústria do entretenimento: foram US$ 310 milhões em apenas 24 horas. Mais especificamente, 4,7 milhões de cópias vendidas logo no primeiro dia.

Mas de nada adiantar citar números tão grandiosos se o jogo da produtora Infinity Ward e da distribuidora Activision Blizzard não fosse também um game no superlativo. E é. Sexto jogo da série "Call of Duty", ele é uma continuação de "Call of Duty 4: Modern Warfare", o primeiro título da franquia que não acontecia durante a 2ª Guerra Mundial. "Modern Warfare" 2 se passa cinco anos depois do game anterior, com Imran Zakhaev sendo morto e declarado um mártir e herói nacional pelos ultranacionalistas russos. O terrorista dessa vez atende pelo nome de Wladimir Makarov, que irá espalhar diversos atentados ao redor do mundo - inclusive nos Estados Unidos, que vê o seu império em declínio (o visual de Washington destruída é algo impressionante) e declara guerra contra os russos.

Ao longo dos combates, o jogador viverá diversos papéis em missões opostas. O grupo Task Force 141, capitaneado por "Soap" MacTavish (personagem principal do jogo anterior) e pelo General Shepherd, estará seguindo os rastros de Makarov para capturá-lo. Nessa parte do game, muito mais de estratégia e infiltração, somos o sargento Gary "Roach" Sanderson. Do outro lado estão os Rangers americanos, que entram em zonas de combate, no verdadeiro calor da batalha. Tem-se disponível aqui munição e armas verdadeiras do exército americano, como o Predator Drone, um míssil acionado por notebook. Nestas missões, somos o soldado James Ramirez.

MUITA AÇÃO E POLÊMICA

Para quem não jogou o primeiro "Modern Warfare", a história da continuação é bastante confusa em seu começo. Mas isso não chega a atrapalhar, já que as missões são envolventes e consistem, basicamente, em seguir aquilo que é explicado e sair atirando contra qualquer objeto que se mover. Das geleiras da Rússia a desertos insólitos do Afeganistão, "Call of Duty: Modern Warfare 2" não para um momento sequer.

Uma das grandes novidades são os momentos de invadir um local com reféns. Neste momento, a porta explode com C4 e entra-se em slow motion para se ter uma maior precisão na hora de atirar contra os bandidos e não matar os civis. Aliás, é justamente a questão de "atirar em inocentes" que está a grande polêmica do game. Em uma missão curta, que de tão chocante chega a ser opcional para o jogador, somos um agente infiltrado da CIA que acompanha os terroristas russos em um aeroporto. Makarov é um louco, que derruba aviões e explode lugares públicos, mas aqui ele chega ao limite de atirar contra uma multidão de civis. O jogador pode disparar também para não comprometer o disfarce, ou seja, é uma violência tão gratuita que vai deixar até o fã da série "GTA" (Grand Theft Auto) desconfortável.

TROPA DE ELITE DOS GAMES

Ufanismo de lado, o melhor momento de "Modern Warfare 2" são as duas fases que se passam em uma favela no Rio. O detalhismo da localidade impressiona (vide os momentos em que se têm de correr pelos telhados), já o mesmo não acontece na aparência do Cristo Redentor, que é muito grande em relação ao Corcovado. Estética à parte, a ideia de uma dessas missões é capturar um traficante que vende armas para Makarov - o cara chama Rojas, mais "brasileiro" impossível.

Para capturá-lo, é preciso subir o morro e encarar bandidos saindo por todos os lados, em janelas e vielas, enfim, um verdadeiro labirinto. Os traficantes falam em um bom português, com sotaque carioca, inclusive. "Tão atacando a gente pela esquerda, me deem cobertura", berra um meliante em certo momento. "Ele tomou um tiro, he's been shot", grita outro, mostrando que frequentou as aulinhas de inglês. Só não dá para entender qual é o propósito do visual dos traficantes cariocas: eles usam óculos do tipo Aviador e lenços na região abaixo do nariz. Nada a ver!
JÁ ACABOU?

As missões de "Modern Warfare 2" são curtas, mas podem ser melhor exploradas no modo "Special OPS", em que o gamer pode jogar sozinho ou em dupla para realizar as tarefas no menor tempo possível. Os modos online de "Call of Duty: Modern Warfare 2" são bastante robustos e chegam a comportar até 18 pessoas jogando ao mesmo tempo.

O game é um clássico, com gráficos de primeira e trilha sonora impecável, sob a batuta do ganhador do Oscar Hans Zimmer. As batalhas são épicas e viciantes, que de tão realistas criam a sensação de se estar dentro de um blockbuster hollywoodiano. O jogo exige o máximo do processamento gráfico do Xbox 360 e do PlayStation 3, e é uma pena que as missões não sejam abertas - não dá para conhecer o cenário e ir atrás de extras, já que é tudo muito regrado. Outro lado chato é que o modo "single player" é muito, mas muito curto, o que permite terminar o game em apenas sete, oito horas - em qualquer nível, diga-se.

Para fechar, "Call of Duty: Modern Warfare 2" é um senhor game, em que a ação é muito mais importante do que a história em si. E acredite: ele é realmente digno de todos os recordes que vêm batendo.

* Matéria publicada no Virgula

8 de dez de 2009

O dia em que conversei com Deus (o do Twitter)


Dizem por aí que as pessoas não são mais apegadas à religião como antes. Que não conversam mais com Deus, que não leem mais à Bíblia... Bem, isso pode ser verdade. Mas, no Twitter, Deus goza de popularidade: tem mais de 130 mil seguidores e já abocanhou vários prêmios de melhor perfil da twittosfera brasileira.

Ao realizar comentários mundanos, misturando humor com religião, Deus, vulgo @OCriador, é um dos fakes mais divertidos da internet nacional. “Perto de Brasília, Sodoma era Disneylândia”, escreveu nesta semana, sobre os recentes casos de corrupção que atingiram a capital do Brasil. “Estou aguardando a chegada do Dinho para cobrar Meus 10% de todo esse Capital Inicial”, comentou há alguns dias, fazendo piada dos rumores sobre a morte do músico. “Este papo de orkut de ‘tenho um lado espiritual independente de religião’ não cola não, viu? Mando para o inferno!”, avisou aos seus seguidores na semana passada.

O perfil foi criado no final do ano passado, para promover o site SAC DIVINO, uma página de humor em que internautas deixam perguntas para o Todo Poderoso, que responde com um – desculpem o trocadilho – senhor sarcasmo. Existe todo um mistério por trás do autor de @OCriador. Para tentar descobrir, fiz duas entrevistas. Uma com Leo, o universitário de 24 anos que criou o personagem, e outra com o Deus do Twitter.

Entrevista com Leo

Como nasceu o perfil e qual sua relação com o SAC DIVINO?

O SAC DIVINO nasceu em outubro de 2008. E o perfil @OCriador em novembro de 2008, para divulgá-lo. É um hobby, uma diversão... Que tomou uma proporção legal e rendeu uns trocados...

Qual sua profissão real e onde mora? Sempre foi piadista?

Me formo em dezembro, em direito, pela Universidade Federal de Alagoas. Aprendi a fazer piada com o mercado jurídico...

De onde vem seu conhecimento para as citações bíblicas?

Por incrível que pareça, da Bíblia...

Fazer piada de religião já rendeu algum problema para você?

Alguns e-mails ofensivos, tentando me denegrir, que carinhosamente respondo com um "muito cristão da sua parte me julgar, não é? Nos veremos no inferno."

Por que os fakes do Twitter se tornaram tão populares?

Não são todos. Acho que alguns se tornam populares porque são minimamente interessantes, originais e divertidos.

Entrevista com o @ocriador

Notei que você fez uma tuitada paga, de uma marca de chicletes. Para que Deus precisa de dinheiro?

Para suprir a não quitação do dízimo de algumas almas incrédulas...

Inri Cristo, seu filho, tem blog, faz vídeos no YouTube, tem um site popular e vários perfis no Orkut. O gosto pela tecnologia então é de família?

Inri Cristo não é Meu filho reencarnado. Eu jamais deixaria Jesus regressar à Terra com a língua presa. Entretanto posso adiantar-lhe que o pessoal aqui no Céu se interessa muito por tecnologia. Eva, por exemplo, ontem acabou de chegar aqui com um Mac.

Em todas as competições que participa de melhor Twitter, o Senhor acaba ganhando. Não é covardia Deus entrar na disputa?

Filhos, quem são vocês para falar de covardia depois de terem amarrado, torturado, furado e pregado Meu filho em uma cruz?

O mundo vai acabar em 2012?

Amado filho, o Papai do Céu não libera spoiler. Em 2012, quem viver verá. OBS: ninguém.

A internet é algo divino?

Atualmente, apenas a internet em nuvem é divina. Nela dá para baixar santo via Torrent! Quando criei a internet, Meu objetivo era que nos finais de semana vocês ficassem em casa e, com isso, cometessem menos pecados. Até que veio a gestão opositora, presidida pelo Tinhoso, e lançou o Red Tube.

* Matéria publicada no Virgula


7 de dez de 2009

'Serendipitosa do século 21'


Na semana passada, saiu uma entrevista que fiz com a Renata Simões, para o Estadon. Sempre quis conversar com a jornalista, puquiana como eu - para mim, seu Urbano é melhor programa da TV brasileira atualmente, pela inteligência de falar daquilo que não é lugar comum e por trazer, a cada edição, pautas novas, frescas, que sempre me mostram algo de novo.

Com ela, não tive uma entrevista, mas um bate-papo - algo raro de acontecer na profissão. Fico feliz que ela tenha sentido o mesmo.

***

Papa do jornalismo literário, Gay Talese criou um termo para aquele repórter que suja a sola do sapato e que vai de encontro à matéria: "serendipitoso" (de serendipity, que significa ter uma descoberta ao acaso). Em tempos em que para ser um "serendipitoso" basta passar os olhos pelo Twitter, a jornalista Renata Simões une a tradição de Talese com a de um repórter do novo século.

A bordo do Urbano, no Multishow (domingos, às 22h30), ela gasta o sapato pelas ruas de São Paulo com um notebook (para achar os pontos de Wi-Fi da cidade) e um celular invocado, que tira fotos com qualidade de câmera digital e grava vídeos igual a uma filmadora. O conteúdo colhido vai para o programa e suas diversas extensões: site, blog, microblog e álbum virtual de fotografias.

O Urbano encerra em dezembro seu 3º ano. Ele, que no início cobria a cultura de rua, hoje fala sobre cultura digital - o que, para Renata, que começou na TV como produtora e repórter do Vídeo Show, já é mesma coisa.

Por que essa transição?

É onde o programa vai agora. A partir do momento em que o meio digital vira uma extensão da vida da gente, ele já é a cultura em si, não mais o suporte. É muito natural. O Urbano fala de comportamento digital: não adianta fugir da tecnologia, ela não é uma grande novidade. O que muda é que você não anda mais com Guia Quatro Rodas na mão: usa GPS.

Então a internet faz hoje o papel do que um dia foi a rua?

Adorei essa definição! O foco do Urbano é descobrir novidades. Não falamos mais para nicho, aprendemos que não adianta mais falar da tecnologia pela tecnologia. Mas como sua vida está sendo alterada por ela. Assim converso com qualquer um.

A internet pauta o programa?

Processo de pauta é rua. O meu Twitter, o (Google) Reader, são uma extensão do que faço na rua. Falamos do que é novo, do lado B, a internet não é o lado A. Mas tem de saber o que é o seu umbigo e o que é interessante e relevante, entendeu? Acredito que programa de TV é feito em grupo por isso. Televisão legal é um monte de gente falando e propondo. Sou apenas o fio condutor daquela história.

O Urbano foi um dos primeiros programas a chamar o telespectador a participar das pautas, interagindo por meio de vídeos. Isso virou "regra" na TV, não?

Não é modismo, é que não tem como escapar! Essa é a primeira vez que a TV tem necessidade de receber um imput externo. As pessoas querem se ver, desde a senhora à criança. Minha enteada de 10 anos, e todas suas amigas, têm webshows. Então se as pessoas estão se vendo na web, vira algo natural. Por isso, temos de buscar novos formatos e modelos. Ainda não sabemos como, vejo pouco espaço para ousadia e experimentação (na TV). A internet força isso.

Você não fica estressada por ficar online o tempo todo?

Aprendi com o tempo pequenas leis internas: não poder se conectar antes de ter tomado, pelo menos, um copo d’água (risos). Fui fazer uma matéria numa pista de skate e estava um sol lindo. Entrei no Qik (serviço de faz transmissões ao vivo de vídeos pela web) e mostrei as manobras, fiz umas fotos artísticas para o Flickr...

O Urbano está em várias mídias. Todo programa precisa ser assim também?

Poucas pessoas serão transmídias naturalmente. Qualquer pessoa pode ser apresentador, mas poucos serão bons. É a mesma coisa. Virou moda fazer jornalismo, é o novo modelo-apresentador-michê. Todo mundo gosta de contar história, e a necessidade de comunicação encontrou sua melhor maneira de propagar nesses diferentes meios. Mas se reproduzir o que você falou da mesma maneira em vários lugares, será redundante, você estará contribuindo para o lixo informativo do universo da superinformação! O programa vai para o 4º ano e não caímos nessa ainda.

3 de dez de 2009

1 de dez de 2009

Ben Huh: "a internet é para besteirol e gatos!"


Ben Huh. É bem provável que você não conheça este nome. Mas com certeza conhece os seus trabalhos. Se alguém saí por aí dizendo "Fail" toda vez que presencia alguma trapalhada alheia ou logo associa a imagem de um gatinho fofo com alguma legenda surreal, a culpa é deste jornalista americano.

CEO da Pet Holdings Inc., Huh se diz um "connoisseur do conteúdo wébico" e define o seu trabalho da seguinte forma: "meu objetivo é fazer o mundo mais divertido por 5 minutos diários". E vem conseguindo. Sua compania é dona do Cheezburger Newtork, um conglomerado de 25 blogs que viraram febre na internet nos últimos anos e modismo até fora do ambiente virtual. Dois deles são mainstream: Fail Blog, dedicado a reunir os melhores vídeos e imagens de cenas de fiascos da internet, com um enorme carimbo de "FAIL", e I Can Has Cheeszburger?, cujo o mote são fotos de gatinhos com legendas engraçadinhas.

O resto é mais underground, como o Engrish Funny, que mostra placas e momentos em que a língua de Shakespeare é assassinada, Graph Jam, que traz gráficos de pesquisas e estudos estapafúrdios, e Loldog, uma versão canina do seu blog felino de grande sucesso. Isso sem falar do It Mad My Day, em que as pessoas postam pequenos textos sobre momentos "WIN" de suas vidas (mais um termo que virou moda graças a Huh) e do incrível There, I Fixet It, que exibe fotografias de grandes gambiarras da arquitetura moderna.

A receita do sucesso de Huh é produzir um humor simple, irônico e universal, que é copiado ao redor do mundo. "Meus blogs são simples e de fácil compreensão. É entretenimento de tiro curto. A comédia não é sempre universal, mas com certeza é divertimento dos bons", comenta Huh, em entrevista por e-mail ao Virgula.

O blogueiro está de férias no Rio e nesta semana vem a São Paulo para uma palestra no evento de cultura digital YouPix. "Em apenas uma semana aqui já percebi que vocês, brasileiros, adoram celebrar e compartilhar uma risada. Agora sei porque ler e assistir a coisas divertidas na internet é algo tão popular no Brasil", revela.


A Cheezburger Network completou em setembro dois anos de vida e atrai, por mês, 11 milhões de internautas. A empresa tem 26 funcionários e, segundo Huh, deu lucro mesmo neste ano horrível para a economia mundial. Sua fonte de renda são os anúncios, parcerias e merchandisings conseguidos por meio dos blogs. "Absolutamente", responde, quando perguntado se criou um novo modelo de negócios. "Acredito que o fato de muitas pessoas começarem a criar blogs de humor, baseados em fotos, seja uma prova clara de que criamos uma pequena indústria", continua.

Exemplo de uma das pessoas que melhor souberam trabalhar com as possibilidades da web 2.0, ele comenta que nunca pagou um centavo para os diversos colaboradores de seus sites, que enviam diariamente milhares de e-mails com imagens e vídeos engraçados. "As contribuições dos usuários são algo crítico para o nosso sucesso, porque 100% do nosso material vem dos nossos leitores. Eles não são pagos e não ligam para isso: trata-se de algo divertido e eles gostam de compartilhar o senso de humor próprio deles", ri.

Ele é categório ao afirmar que não existe uma fórmula para se criar um meme, uma modinha virtual de potencial viral. "Jamais tente criar um meme. Tente criar algo que as outras pessoas achem divertido e fascinante. Você não pode forçar um meme, mas pode criar uma boa comunidade em torno dele e deixar que ela tome conta dele depois disso."

Huh faz aquela linha japonês geek e piadista, que tira sarro de qualquer assunto. Questionado se a internet serve apenas para propagar pornografia e besteirol, ele se diverte. "Eu diria que a internet é para as coisas divertidas e gatos!"

* Matéria publicada no Virgula