30 de out de 2009

Batman: Arkham Asylum é um presentaço para os 70 anos do Homem Morcego

Existe uma unanimidade entre os gamers: a de se evitar jogos que sejam licenciados de filmes ou quadrinhos. Quase sempre, jogos baseados nessas obras são feitos na pressa, sem o devido esmero, com o único objetivo de pegar carona num sucesso e faturar ainda mais. De vez em nunca surge uma exceção à tal "regra". A de 2009 atende pelo nome de Batman: Arkham Asylum (Xbox 360, PS3 e PC).

Um ano depois de ganhar aquela que, para muitos, é a melhor adaptação do Homem Morcego para os cinemas, chega aos videogames aquele, que segundo os críticos, trata-se do melhor jogo do personagem nos videogames. Mais: do melhor jogo já feito sobre um super-herói. Exagero? Nem um pouco.

Para trazer o mundo do Cavaleiro das Trevas aos consoles (e PC), o RockSteady Studios, em parceria com a Eidos Interactive e a Warner Bros, chamou ninguém menos que Paul Dini para escrever a história. O premiado roteirista é o produtor de várias séries animadas da DC Comics para a TV, além de ter conduzido as HQs do Batman pintadas por Alex Ross. A dupla se reuniu especialmente para o jogo e o resultado final é praticamente uma graphic novel em forma de game, cujo visual espetacular e sombrio casa perfeitamente com uma trama primorosa.

Arkham Asylum começa com a prisão de Coringa. Ele é encaminhado para o Hospício de Arkham, uma ilha onde os criminosos mais insanos de Gothan City são levados. Batman suspeita do Príncipe Palhaço do Crime, que se deixou capturar muito facilmente. Ele não está errado: o objetivo do Joker é sequestrar o manicômio e usá-lo como start para a destruição da cidade. Junto de sua namorada - e comparsa - Arlequina, ele prende o Homem Morcego lá dentro. Esse, além de enfrentar capangas bombados e assustadores (frutos de experiências científicas, com certeza), ficará frente a frente com vários de seus inimigos clássicos, como Hera Venenosa, Espantalho e Crocodilo.

YES ESPIONAGEM, NO PORRADARIA

A história é uma delícia, de diálogos inspirados e roteiro que vai se abrindo conforme a evolução do jogo, que tem mais de 15 horas ao todo. O melhor exemplo é logo a cena de abertura, com a captura do Coringa, em que os créditos vão se espalhando pela tela tal qual um filme. Vale destacar também que Arkham Asylum foge da premissa de porradaria pura. Basta apertar um ou dois botões para sair na mão com os bandidos e soltar voadoras e golpes à Matrix. O filé mesmo são os momentos de espionagem com exploração, quase uma mistura de Bioshock com Metal Gear Solid.

É viciante usar o Detective Mode, uma ferramenta parecida com a visão sonar do filme Cavaleiro das Trevas. Ela serve para identificar inimigos através das paredes, conferir se estão armados e até mesmo os seus batimentos cardíacos. Ela também possibilita detectar pistas que fariam inveja aos profissionais forenses do CSI, como trilhas de álcool no ar e rastros de cinzas de charuto pelo chão. Para quem gosta de todas as funções do bat-cinto de utilidades, o game é uma desforra. Há desde o clássico arpão, que serve para o Batman se dependurar em paredes e gárgulas, até um gel explosivo que explode paredes fragilizadas.

Para avançar no jogo, além de seguir tarefas cruciais, como resgatar o Comissário Gordon, é preciso encontrar 240 desafios lançados pelo Charada em formas de fitas de áudio e outros ícones que ajudam a entender melhor o manicômio e seus pacientes. Para achá-los é preciso explorar o gigantesco cenário do jogo. Além disso, o game tem vários extras, como lutas um contra um, ótima pedida para quem deseja testar os músculos do Cavaleiro das Trevas. Já quem possuir um PS3 poderá baixar no PlayStation Network, a rede online da Sony, fases especiais a serem jogadas com o Coringa.

Batman: Arkham Asylum é uma excelente dica para qualquer tipo de público, seja aquele que só conhece o Homem Morcego das telonas ou quem devora os seus quadrinhos há décadas. O game é, com toda a certeza, um presentaço para este personagem, que em 2009 completa 70 anos.

* Matéria publicada no Virgula

26 de out de 2009

The Big Bang Theory: qual é o segredo da fórmula?

SAN DIEGO - Os nerds contra-atacam. Após meses de espera, The Big Bang Theory retorna à TV brasileira com novos episódios. Às 21h30 desta terça-feira, 27, começa a 3ª temporada pelo Warner Channel. Vale ficar de olho: trata-se de um fenômeno de audiência, que bate recordes nos EUA a cada semana – o último capítulo teve mais de 15 milhões de espectadores. E o título é, ao lado de Two and a Half Men, a comédia mais vista da América Latina.

Não por acaso, os dois sucessos levam a mesma assinatura: Chuck Lorre. Com Bill Prady, um ex-desenvolvedor de softwares, ele produziu esse show sobre dois amigos físicos, Sheldon e Leonard, que sabem tudo sobre o universo mas são incapazes de conversar com uma mulher. Ao lado de dois amigos inseparáveis, Howard e Koothrapali, seus hobbies são comprar quadrinhos, jogar paintball e ir a festas de cosplay.

O quarteto é metódico, a ponto de ter uma noite da semana voltada só para jogar o game Halo, e outra para jantar comida chinesa. A vida deles é transformada após a chegada de uma vizinha ao edifício que tem o seu elevador quebrado ad eternum: a loira Penny, uma garçonete aspirante a atriz. "Ela é o passaporte deles para o mundo exterior. Ela é divertida e relaxada, e isso os influencia", explica a atriz Kaley Cuoco, a Penny.

O roteiro é inteligente e, mesmo cheio de referências tecnológicas e científicas, agrada todo tipo de público. Mas a graça mesmo está no elenco de nerds – em especial, o personagem Sheldon Cooper, um monstro criado pelo ator Jim Parsons (leia entrevista ao lado). Obsessivo, ingênuo e antissocial, Sheldon é a figura mais carismática da TV atual. The Big Bang Theory, no entanto, não se trata de um one man show, diz Lorre.

"Grandes personagens surgem de histórias coletivas. Jim é uma pessoa que se destaca, mas todos são muito talentosos. O grupo funciona como um time, isso é o que o torna tão especial", diz. "Você imaginaria Archie Bunker (Tudo em Família) sem Edith? Um show não se sustenta sem personagens interessantes, pois só assim você tem várias histórias para contar."

DOIS PROJETOS, UMA SÉRIE

A série nasceu de dois projetos distintos. Lorre queria produzir uma série sobre uma garota sonhadora, que tem de lidar com as agruras da vida. Já Prady queria transformar em personagens seus ex-colegas dos tempos de programador. Até que veio o clique: "e se ela conhecesse os nerds?"

Sheldon e Leonard seriam coadjuvantes de Penny, mas grupos de discussão se mostraram muito mais interessados pelas histórias dos geeks. "Achei que no começo eu seria só a loira gostosa e tapada que mora ao lado", admite Kaley.

Em tempos em que as comédias americanas buscam inovar seus formatos, como os falsos documentários de The Office e Modern Family, The Big Bang Theory segue a tradicional fórmula das três câmeras filmando um cenário, com uma plateia assistindo tudo ao vivo (daí aquelas risadas ao fundo). "É excitante por termos essa resposta imediata, mas também é muito vulnerável. Se o material não funciona ouvimos um silêncio, é um som terrível", diz Lorre. "Paramos a gravação e reescrevemos a piada. Se ela é uma droga com a plateia, também será na TV", acredita.

Um professor de física e de astronomia é responsável por revisar o roteiro e fornecer o denso material. Aos poucos, ele mesmo começou a sugerir umas piadas. O texto é um desafio ao elenco, e os atores admitem que entendem patavina do que falam. "Como laboratório, eu e o Jim saímos com uns professores e cientistas de Los Angeles para tentarmos aprender algo. Bastaram 20 minutos para percebermos que não tinha como", ri Johnny Galecki, o Leonard.

Na nova temporada, ele e Penny vão namorar. Questionada se já se apaixonou por algum nerd, Kaley sorri. "Totalmente! Amo conversar sobre física e qualquer coisa que envolva matemática. Graças ao show, sei muito sobre Star Trek e mais do que preciso sobre Star Wars."

Mas... e Sheldon? Será que um dia ele também irá encontrar um grande amor? Lorre responde com bom humor. "Sheldon é apaixonado por física. E pelo Sheldon. É um caso de amor com o próprio cérebro, por isso ele é tão especial."

'Eu me sinto uma vovó'
Jim Parsons diz não ter nada do seu Sheldon Cooper. Quando contou isso, os jornalistas que se aglomeravam na mesa em que ele estava ficaram decepcionados. Mas basta fechar os olhos para ter a sensação de que a pessoa que está ali, sentada ao seu lado, é realmente o físico especialista na Teoria das Cordas.

A voz que chega a afinar nas exclamações e até a risada característica fazem parte de Parsons. Não foram trejeitos criados pelo intérprete, que neste ano foi indicado como melhor ator de comédia ao Emmy. Simpático até dizer chega, ele respondeu às perguntas de cada jornalista. E atendeu às solicitações dos mais empolgados, que pediam para ele sussurrar "I’m Batman", ou exclamar um "Bazinga", e até mesmo dar um "oi, mamãe" às câmeras do celular.

Qual é a sensação de ser indicado pela primeira vez a um Emmy?

Nossa, foi como se eu saísse do próprio corpo. Logo vieram falando se eu saberia o que iria vestir e achei isso estranho, porque não é só pôr um smoking? Me senti com 15 anos. De onde você é?

Eu? Do Brasil!

Ah, sério? Eu fiz um comercial no Brasil uma vez e eu era o único ator que falava inglês dali. Essa foi a experiência mais estranha da minha vida!

Inclusive tem uma camiseta que vende por lá com sua foto. Você aparece de Che Guevara e embaixo está escrito "Cheldon". Como é virar um ícone nerd?

Não sei como é se sentir assim, é algo muito novo, especialmente agora que você falou desta camiseta! Por que você não me trouxe uma? (Risos)

E você tem algo de nerd?

Nada. Nunca fui bom em videogame, mas jogo pingue-pongue com o pessoal do elenco e da produção. Sou nerd no sentido de ser praticamente um velhinho. Gosto de dormir e acordar cedo, ouvir rádio enquanto me exercito... Isso é muito mais do que você precisa saber, mas eu me sinto uma vovó. Eu não sou o cara mais bacana do mundo.

Você entende algo daquelas referências que o Sheldon adora jogar na cara dos outros?

Ai... Eu não digo isso de uma maneira ruim, mas raramente. Entre o fã de quadrinhos e o cientista há uma linha tênue de conhecimento. Eu sei o que estou dizendo, mas nunca parei para rir depois de ler uma fala e berrar: "Entendi!" Teve uma cena na loja de HQs que eu não tinha muito o que fazer, então li um gibi. Nem lembro o nome dele, era com tiros. Foi agradável!

O Sheldon tem um jeito todo especial de falar e de se expressar. Essas idiossincrasias foram criações suas?

Eu diria que o "knock-knock-knock, Penny, Penny, Penny". Mas é algo meio "o ovo ou a galinha?" Não sei se alguém escreveu ou se fui eu que fiz. E tem pequenas coisas que os roteiristas escrevem ao me observarem. Eu não tentei pôr uma voz, um jeito especial de andar... Eu apenas estudo as palavras.

Como os fãs se aproximam de você nas ruas? Eles acham que você é igual ao Sheldon?

Não. Eu até sonho que alguém chega até mim e diz coisas estranhas, que pensa que sou um cara muito esperto... (Risos) Mas não, eles sabem que sou um ator.

* Matéria publicada no Estadão

23 de out de 2009

Melhores musicais do The Office

5) Bringing the Sexy Back



4) Dwight Schrute Music Video



3) That's What She Said Music Video



2) Ryan Started the Fire



1) The Office Musical

20 de out de 2009

Na cola de Crepúsculo

SAN DIEGO - Para quem achava que não havia espaço para mais uma história de vampiros, após os sucessos da série True Blood e do filme Crepúsculo, um aviso: há sim. Estreia às 21h de quinta-feira, na Warner, The Vampire Diaries.

Tal qual os dois exemplos acima, o seriado é baseado numa série de livros best seller – Diários do Vampiro, de L.J. Smith. Na história, Elena (Nina Dobrev) é uma adolescente órfã, que se apaixona por um colega no primeiro dia de aula. O garoto é o misterioso e sedutor – e vampiro – Stefan Salvatore (Paul Wesley). Algo meio Isabella e Edward, de Crepúsculo.

Elena também será cortejada por Damon (Ian Somerhalder), irmão mais velho de Stefan. Ao contrário do caçula, que aprendeu a controlar seus impulsos, Damon não perdoa a jugular alheia. Algo meio Bill e Eric, de True Blood. Os dois brigaram há centenas de anos pelo amor da jovem vampira Katherine. A disputa provocou sua morte e os dois se afastaram. Elena é praticamente uma sósia de Katherine e daí vem o interesse deles por ela.

"O show tem uma mitologia rica. Nossos personagens estão interconectados há centenas de anos e a cidade de Mystic Falls é um lugar onde houve guerra civil, com uma grande carga de atividade sobrenatural", diz ao Estado Kevin Williamson, responsável pela adaptação do livro para a TV.

The Vampire Diaries traz vários rostos novos. Menos Somerhalder, ex-Lost. "Só ele não fez testes, ficamos loucos ao descobrirmos sua disponibilidade", ri Julie Plec, que assina a série com Williamson.

Lançada pela CW, mesmo canal que exibe Gossip Girl nos EUA, Vampire teve boa audiência na première, mas foi mal recebida pela crítica. Williamson, pai de Dawson’s Creek e dos thrillers Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, diz que a série é uma versão sexy e jovem de Dark Shadows, show vampiresco americano cult dos anos 60. Para quem não captou a referência, ele cita exemplos atuais bem conhecidos. "Adoro True Blood e, Julie, Crepúsculo. Vampire Diaries fica no meio disso".

PS: Matéria publicada no Estadão

12 de out de 2009

Migux, uma rede social para gente pequena

Com o Orkut sendo, disparado, a maior rede social do Brasil, fixar e popularizar uma dessas por aqui não é fácil. Que o diga o povo do MySpace. Curiosamente, uma "social network" que não para de crescer no País, e até já tem mais usuários do que o próprio Facebook no território tupiniquim, é uma brasileira, voltada para a criançada: o Migux.

Criada pela empresária Anna Valenzuela, o site conta com 2 milhões de usuários cadastrados. Ele é uma mistura de rede social com game, em que os pequenos internautas criam avatares (peixinhos), escolhem uma casa para viver e tem de acumular conchas - o dinheiro local - por meio de minijogos para mobiliar a residência aquática. Além disso, a garotada é estimulada a gerar conteúdo dentro da rede, podendo criar desenhos e blogs dentro do serviço, ao mesmo tempo em que aprendem a cuidar do meio ambiente.

Em pleno Dia da Criança, batemos um papo com a Anna, que mostrou para a gente como é criar uma ferramenta de sucesso para essa geração de nativos digitais cada vez mais exigentes.

De onde veio a ideia de criar o Migux, Anna?
Trabalhando há dez anos com internet, como editora da primeira página do Uol, consultora de interatividade e diretora de produtos na Brancaleone, sempre fiquei intrigada com a falta de produtos e conteúdos online para crianças. Justamente os nativos digitais tinham poucas opções interativas na web. Curiosamente, estamos falando de um público que, exatamente por ser tão íntimo das novas mídias, é o mais exigente em relação a essas novidades. Com o tempo fui amadurecendo a ideia de uma rede social totalmente desenvolvida para a "geração 2.0". Uma rede com ferramentas que atendesse às expectativas desses produtores natos de conteúdo. Desenvolvemos o Migux na Brancaleone, empresa da qual sou sócia com outros três veteranos da web: João Ramirez, Antônio Graeff e Carlos Freitas.

Quais os números por trás do site e qual é o seu perfil?
Estamos chegando aos 2 milhões! O Migux tem cerca 600 mil usuários ativos e picos de 2.500 participantes simultâneos. Todos os números do Migux são espantosos, inclusive pra gente. Temos neste minuto 783.590 desenhos feitos pelas crianças usando a ferramenta de desenhos do Ateliê do Migux, um verdadeiro hype deste mundo virtual. O perfil de idade é: 5% até cinco anos; 48% de seis a dez anos; 35% de 11 a 15 anos; 7% de 16 a 20 anos e 5% acima de 21. Em relação ao sexo, 55% de meninas e 45% de meninos.

Quais as dificuldades de se criar uma rede social no Brasil? Em especial, para a criançada?
No Brasil, temos profissionais muito talentosos, porém raros. Não é fácil encontrá-los. Além disso temos um publico que, por ser heavy user (é primeiro lugar mundial em tempo de permanência na internet), é muito exigente. Está sempre querendo mais e mais. Isto começa como uma dificuldade, mas acaba se tornando um laboratório incrível para o produto, o que é muito bom.


O que o internauta mirim procura hoje numa rede social? Como não torná-la muito infantil, que o agrida?
(Risos) O internauta mirim, como já disse, é um trator. Quer tudo e mais um pouco. Mas há um elemento fundamental para ele que é ter sua própria criação valorizada. Uma das principais características do Migux, certamente responsável pelo sucesso dele, é exatamente respeitar e alimentar esta necessidade da garotada criar e se expressar. Além disso, uma forma de ser infantil, sem ser chato, é sempre falar a língua deles. E esta língua não é o tatibitati. O Migux tem ironias, "maluquices" e até algumas incorreções políticas - como, por exemplo, jogar bigorna nos amigos! - que conquistam os pequenos. Eu diria que engajamento também é a palavra-chave para uma rede social infantil.

O que diferencia o Migux de outras redes sociais infantis, como o Penguin e o Habbo?
Creio que a diferença esteja no fato do Migux ser uma rede social para os pequenos, com foco em produção de conteúdo pelos usuários. Não investimos pesadamente em games. Outro diferencial do Migux está nas atividades com apelo ecológico, que é a principal temática desta rede. Como "meio ambiente" também faz parte da agenda destes ambientalistas mirins, temos o engajamento da molecada.

Quais as próximas novidades?
Tem uma novidade pintando já no Dia da Criança. Um parque dará uma piscina de bolinhas virtual de presente para os Migux e também irá incentivar a produção de desenhos dando Gotas (uma moeda especial) para quem desenhar durante este mês. Mas tem muitas outras novidades pintando por aí: a abertura da Galeria Maluca, um passeio pelo mundo terrestre, o fim do mistério da bolha do quintal... e por aí vai.

Há bastantes assinantes que adotaram o modelo "premium"? Em um país em que o internauta quer tudo de graça, como motivá-lo a pagar por algo na internet?
O que temos está mais para o chamado modelo “freemium”, ou seja, muitos participam gratuitamente enquanto uma pequena parcela paga para ter benefícios... Como este público está muito acostumado a pagar para ter os virtual goods ("benefícios virtuais") em games, o conceito do “não há almoço grátis” está mais claro para eles do que para os adultos... (risos)

PS: Matéria publicada no Virgula

9 de out de 2009

Galo Frito: prontos para cantarem mais alto na TV


Da tal "geração YouTube" que surgiu nos últimos anos, com vídeos e produções caseiras na internet a fim de conseguir um lugar ao sol (traduzindo: TV), um dos exemplos mais interessantes - e talentosos - vem de Santa Catarina, pelas mãos do grupo de humor Galo Frito. Formado por três estudantes de publicidade, o grupo surgiu como uma brincadeira despretenciosa, feita para aparecer em um canal de TV universitário. A esquete humorística agradou e, como não poderia de ser, resultou em um pedido muito comum hoje em dia. "Joga isso na internet", pediram. E jogaram.

Mas não foi no YouTube, e sim no FizTV, um extinto projeto brasileiro mezzo portal de vídeos mezzo canal de assinatura, que remunerava os filmetes mais populares. O Galo Frito foi ganhando espaço com seus curtas que, além de engraçados e com situações absurdas à Monty Python, têm muitos efeitos especiais. Curiosamente, foi após o fim do Fiz que o grupo realmente ganhou notoriedade não apenas na rede, mas também em jornais, revistas e emissoras. Tudo graças a Dancing Lula, um vídeo em que um dos comediantes dançava em cima de um heliponto ao som de Harder, Better, Faster, Stronger, da dupla Daft Punk. Na gravação, o rosto do presidente foi colado ao corpo de Mederijohn Corumbá, o Mederi, que saculejava prum lado e pro outro.

Mederi contou ao um pouco do Galo Frito, que vem ampliando o seu repertório com curtas metragens, videoclipes e seriados - Perdidos, uma sátira a Lost, vem por aí. Hoje contratado da MTV, ele revela que fazer vídeo na internet rende apenas um trocados. E brinca com a situação: "Tem um emprego aí no site?"

Para começar, o de sempre: como nasceu o Galo Frito?
O primeiro Galo Frito foi feito em outubro de 2007, um piloto de 15 minutos para entrar na TV universitária da nossa universidade, a Univali (Universidade do Vale do Itajaí). Só fomos fazer um segundo programa ao fazer o upload do piloto no site do FizTV. Fomos convidados a entrar na grade de programação, e isso foi no dia 14 de março de 2008. Nós nos conhecemos na universidade, pois a gente cursava publicidade e propaganda e já possuía alguma experiência em televisão e vídeos, então isso fez com que ficássemos mais amigos. No começo, éramos quatro: Mederijohn Corumbá, Tiago Cadore, André Petermann (Buda) e Roberto Pereira. O Beto ficou com a gente apenas por uns oito ou nove programas, e teve que sair devido à ofertas de trabalho. Além de nós três, temos participações especiais de amigos, mas uma pessoa que sempre está no Galo Frito e já consideramos uma integrante é a Patrícia dos Reis, a "Chapeuzinho Vermelho", musa de todos os nossos fãs.

Mas o grupo é de 2006, não?
Em meados de 2006, eu e o Guilherme Angeli resolvemos bolar um programa de humor diferente de todos que já existiam no Brasil, usando esquetes em forma de curtas-metragens. Com isso, chamamos André Petermann (Buda) para fazer parte e começarmos a criar um projeto, e assim nasceu o Galo Frito. Quando tudo estava definido, infelizmente o Guilherme veio a falecer, fazendo com que o Galo Frito ficasse na geladeira por cerca de seis meses. Não querendo deixar o projeto acabar, em 2007 chamamos o Cadore para fazer parte do Galo Frito.


Quando que os vídeos fizeram sucesso? O Dancing Lula foi o "culpado"?
Já produzíamos vídeos há um ano, mas nunca um deles bombou na net. Mas isso também serve para o fato que também não colocávamos todos no YouTube. Então, um dia eu estava com uma ideia de produzir um vídeo sozinho, fazendo alguma sátira com o nosso presidente. A ideia veio como um flash, pensei em fazer ele dançando! E que música usar para isso? Daft Punk: Harder, Better, Faster, Stronger, uma música que no YouTube possui mais visualizações graças ao vídeo Daft Hands. Não deu outra, vários blogs começaram a viralizá-lo, o mesmo no Twitter, Orkut e etc. No mesmo dia do upload, já havia pego contato com algumas emissoras de TV - inclusive a MTV -, algumas revistas e jornais. Depois de um mês fiz o Dancing Obama, que também foi um sucesso, mas não se comparou ao Dancing Lula. Começamos a ficar famosos e nossos outros vídeos começaram a ser mais vistos, mas nenhum ainda superou os "dancings".

Os efeitos visuais dos vídeos são muito bons. Quem os faz?
Eu e o Cadore editamos os vídeos. Usamos e abusamos do (software de criação de gráficos) After Effects nas nossas produções. Até para dar um pequeno diferencial.

Qual a dificuldade de se fazer humor na web? A impressão de que, no Brasil, ela é uma vitrine para entrar na TV. Isso acontece com vocês?
Tivemos muita sorte, logo no começo o extinto canal FizTV nos descobriu e firmou parceria, assim estávamos ganhando bem para fazer o nosso humor. Hoje estamos apenas com um espaço de dois minutos na MTV e, infelizmente, o que recebemos não banca nossos custos e não estamos mais podendo nos focar somente nisso. Tomara que seja temporario e fiquemos com mais tempo na programação, ou até ganhar um programa só nosso. O que custa sonhar?

A maior dificuldade de fazer humor na web, dentre as várias que existe, é o retorno financeiro. É possível fazer no tempo livre algumas esquetes, mas não podemos nos dedicar 100%, fazemos outros trabalhos para fora para nos sustentar. O humor na web é muito diferente da TV pois, na rede, se você vê um vídeo que tenha mais de dois minutos, por mais legal que ele seja, você não presta muita atenção e já troca pra ver outra coisa, responder e-mail, entrar no MSN ou no Twitter. As pessoas são mais impacientes na web. Estamos fazendo vídeos de duas em duas semanas, mas não é pela falta de criatividade, e sim dos trocados que são poucos. Por falar nisso, tem um emprego aí pra gente? (risos)



Eu vi que a série Perdidos, que tinha sido suspensa porque custava muito para ser feita, irá voltar. A MTV está bancando a ideia?
Sim! A nossa sátira de Lost irá voltar, foi feito um "rebooth" na série, e deixamos os episódios mais curtos. Daqui a algumas semanas estará no ar o primeiro episódio. Somente a gente está produzindo, sem parceria com a MTV. Estamos querendo que essa série bombe na internet, pois quando ainda estavamos no FizTV ela foi um sucesso. Mudamos um pouco a trama, e deixamos ela bem melhor. Vai se passar por temporadas, e vai ter muito mais participações de outras pessoas. A trama ainda é a mesma: quatro cariocas que beberam todas no carnaval do Rio, que acordam numa ilha sem saber como pararam lá. O negoóio que agora há muito mais habitantes nessa ilha. E não são pessoas "do bem"!

Essa é a única novidade que vem por aí?
Estamos também produzindo um piloto do Galo Frito, para oferecer para algumas emissoras de TV. E escutei uns boatos que o Lula além de dançar vai cantar também. São boatos, mas... (risos)

*Matéria publicada no Portal Virgula


8 de out de 2009

Friends e o Windows 95

Junte na mesma cena dois dos meus assuntos prediletos - séries e tecnologia - e pense: no que isso pode dar errado? Bem, basta ver o seguinte vídeo.



Essa pérola é um vídeo institucional da Microsoft, feito na época do lançamento do Windows 95. Bem moderninha, a empresa criou aquela que seria a primeira "webcom" da história, ao chamar os "friends" Matthew Perry e Jennifer Aniston para estrelarem a publicidade.

Eles conhecem o prédio da Microsoft, sentam na cadeira de Bill Gates e, ajudados por uma tiazinha, conhecem o sistema operacional. A cada novidade, eles soltam algum comentário engraçadinho.

As piadas são ruins demais e, para piorar, vem acompanhadas de um solo de contrabaixo - referência a Seinfeld, é claro. Praticamente um mashup entre o mundo das séries

O engraçado mesmo é ver as reações da dupla ao sistema operacional. Para quem foi albatizado no Windows, como eu, é de chorar de rir os momentos em que Perry fica espantado que agora dá para renomear os arquivos da maneira com o nome que der na telha. Ou quando Jennifer solta um "uau" ao ver para que serve aquela tal lixeira.

3 de out de 2009

Como era gostoso o meu VMB

Chamem-me de ranzinza, antiquado, e o que mais couber nas suas bocas. Estive no Credicard Hall na última quinta-feira para assistir ao Video Music Brasil, da MTV. Eu juro que me auto-treinei durante a semana para não reclamar dessa história de premiar Twitter, blog, videogame... Mas aí me vem o Rogério Flausino e solta o seguinte na hora de apresentar os dez indicados a Videoclipe do Ano.



"A gente sabe que a produção de videoclipes no Brasil não para de crescer e de se tornar cada vez mais democrática, principalmente aqui na MTV. Que tem galera nova, das antiga, galera independente, alternativa... Todo mundo competindo de igual para igual atrás desse prêmio tão sonhadooo".

Olha, a frase não está de todo errada. Mas dizer que a produção de videoclipes no Brasil está numa crescente e que a MTV é o canal democrático da tendência? Ah, por favor! O.K., o canal corrigiu aquela postura de limar os vídeos musicais da programação, mesmo que agora eles estejam restritos à madrugada e às manhãs, nos Lab da vida. Mas dava vontade de bater em quem escreveu essa frase. Se eu fosse o Mauricio Eça, que estava na plateia e ganhou fama dirigindo mais de 100 clipes, entre eles Diário de Um Detento, eu invadia o palco e fazia o Kanye West.

Eu entendo que o VMB seja um grande evento comercial. Neste ano foi claro: 80% da entrega dos prêmios foram pré-gravados. O resultado ficou bacana e deu agilidade a premiação. Mas também abriu espaço para a publicidade entrar às vezes camuflada, às vezes escancarada, como naqueles filmetes indigestos protagonizados pela dupla Adnet e Kiabbo.

Se a produção de clipes não para de crescer, por que não voltar com as categorias de Videoclipe de Rock, Videoclipe de Samba, Videoclipe de Rap? Tudo bem que a ideia de premiar ferramentas da internet seja uma forma de se conectar com o jovem atual. Por isso acho o discurso do Flausino tão contraditório.

Eu estudei - e estudo - os videoclipes no Brasil. Com a revolução do vídeo na web, toda banda de garagem faz o seu. Basta pegar a câmera do celular ou da máquina digital, subir em cima de alguma esteira de corrida e torcer para que isso viralize na internet, não na MTV. A music television virou secundária, aparecer lá é lucro, dá orgulho para os pais, ajuda na hora de agendar uns shows. Mas só.

O que mudou depois dessa revolução foram as grandes produções. Hoje são ínfimos aqueles clipes com orçamentos de R$ 80 mil, ou até mesmo o dobro disso Um ou outro artista, que ainda tem o respaldo de uma grande gravadora por trás, trabalha desta forma e manda aqueles aqueles videoclipes de fotografia publicitária tão belos de se ver. Porém, isso não significa que a produção brasileira atual não seja digna daquilo que existia na metade/final dos anos 90, quando a Conspiração nos dava maravilhas atrás de maravilhas.

Vamos de dois exemplos de videoclipes brasileiros (independentes) made in 2009 bem legais:


O videoclipe não morreu; está mais vivo do que nunca. Pelo menos lá fora, ele vem sendo muito cultuado, aliás. A MTV americana tem o MTV Music, um portal exclusivo de clipes, e neste ano bolou uma interessante categoria no seu Video Music Awards (VMA's), dedicado a escolher aquele vídeo musical do passado, que foi injustiçado e não faturou um Moon Man. A matriz não tira os videoclipes de sua premiação, procura inclui-los cada vez mais. Há alguns bons anos, quando o canal americano veio com a ideia de transformar o canal musical em um canal jovem, abarrotado de realities, foi-se criado um segundo canal para hospedar aquele material que sempre foi a sua identidade.

Só para vocês sentirem a diferença de mentalidade.

PS: Para não ficar só no pau, gostei muito da nova categoria de Filme/Documentário do Ano, que o VMB teve neste ano. O longa 'A Vida Até Parece uma Festa', sobre os Titãs, teve a direção de Oscar Rodrigues Alves. Ele, dentre outras coisas, dirigiu os videoclipes de Epitáfio e Isso para a banda.

PS 2: Não sabia, mas o MTV Music tem uma versão brasileira. Bacana!

2 de out de 2009

Ray Drecker, o novo Mr. Big


Tal sinopse está na moda. Depois de uma mãe e de um pai que viram traficantes para sustentarem seus filhos (Weeds e Breaking Bad), vem aí mais um arrimo de família com emprego politicamente incorreto. Estreia às 23h30 de sábado, dia 3, a mais nova comédia da HBO: Hung.

Produzida por Alexander Paine (Sideways), que dirige o primeiro episódio, a série conta a história do quarentão Ray Drecker (Thomas Jane), um professor de basquete de um colégio de Detroit, uma das cidades mais atingidas pela atual crise financeira mundial.

Drecker vive na mesma casa que fora de seus pais e sua esposa Jessica (uma ótima Anne Heche) o abandonou para viver com um médico bem-sucedido. A situação piora depois que seu lar pega fogo em razão de um curto-circuito. Além de perder o lar, que não tinha seguro, seus filhos adolescentes voltam a viver com a mãe após o incêndio.

Falido, ele vai até uma palestra motivacional, cuja proposta é fazer com que cada um descubra o seu talento – e ganhe dinheiro com isso. O professor não sabe qual o seu diferencial. Apenas lembra que os únicos elogios que recebeu durante a vida foram direcionados ao seu avantajado membro sexual. Bingo! Com a ajuda da filósofa Tanya Skagle (Jane Adams), que ele conhece na tal palestra, o michê ganha uma cafetina, que irá apresentá-lo ao mercado.

Hung é uma "dramédia" de 30 minutos, com pitadas de humor negro e de ritmo um pouco arrastado. Sua primeira temporada tem 10 episódios. A HBO já a renovou para um segundo ano.

*Matéria publicada no Estadão