26 de dez de 2007

Todo blogueiro que se preze está fazendo uma listinha de melhores do ano: cantor, cantora, CD, filme, programa de TV... Não vejo nada de errado nisso, ao contrário, até estou me segurando aqui na cadeira para não fazer algo parecido hehe

Mas serei diferente. Passei o dia inteiro matutando e matutando, tentando bolar uma lista com os melhores videoclipes no ano. Videoclipes? Sim, ué! Não é porque a MTV Brasil acabou que não haja artistas por aí se aventurando no mundo dos vídeos musicais. Isso lá fora, infelizmente. Aqui são raros os exemplos de bandas, como o Pato Fu, que lançou em 2007 um DVD com videoclipes para as 13 faixas do penúltimo CD da banda, Toda Cura Para Todo Mal. Material fino e digno de colecionador.

Acabemos com o papo e vamos para os Top 10: (OBS: O Pitchfork fez uma lista com os 50 videoclipes do ano - cinco deles estão em minha humilde listinha).

1) Arcade Fire: Neon Bible

É o primeiro clipe interativo da história. Só dá para ver o rosto do vocalista Win Butler, o resto é um cenário preto. Conforme o mouse é manejado, o cantor faz mágicas, como sumir com uma maçã, criar feixes de luz e até chover! Clique aqui para vê-lo (não rola embed)

2) Justice: D.A.N.C.E

Exibir as letras da música no videoclipe não é nenhuma novidade – Bob Dylan fez isso em 1965, com Subterranean Homesick Blues. Mas o Justice inovou: as letras surgem nas camisetas e criam várias estampas, uma mais legal que a outra.

3) Feist: 1234

Clipes com coreografias bacanas são cada vez mais raros. E quem fez a dancinha mais legal do ano não foi nenhum artista pop, mas a indie Feist. Os passos de 1234 nem são complexos e muitos são até toscos – porém, divertidíssimos. Fico imaginando quanto tempo levou para acertar essa dança toda, já que o clipe é em plano-seqüência

4) Rihanna: Umbrella

Excelente música chiclete, com um clipe pop, que não traz nada de inovador, mas soube usar muito bem de referências clássicas para deixar a já dançante canção ainda mais com clima de pista de dança. Colocar a cantora com sapatilhas de bailarina ficou ótimo, assim como a bela coreografia dela lutando contra a água.

5) Arctic Monkeys: Fluorescent Adolescent

Surreal. Essa é a primeira coisa que vem em mente ao ver uma gangue formada por palhaços fanfarrões. O melhor é quando o palhaço principal arremessa um oponente no rio. Dá muito para ver que o que foi jogado é um boneco. Casseta & Planeta total!

6) Chemical Brothers: Salmon Dance

Usar peixes em animação digital já está meio batido. Mas o que é esse baiacu inchando e desinchando seguindo a batida da música? Os cavalos-marinhos dançantes também são sensacionais.

7) Barenaked Ladies: Sound of Your Voice

George Michael inovou nos anos 90, quando convocou um estelar time de top models para cantar em Freedom ‘90. A banda canadense usou da mesma idéia, só chamando celebridades virtuais, como o cara de Evolution of Dance e o gordinho Numa Numa.

8) LCD Soundsystem: All My Friends

O.K, o James Murphy está a cara do Pablo, com este rosto pintado. Mas a música é duca, melhor do ano disparada. Só isto já basta.

9) Interpol: Heinrich Maneuver

O que eu gosto neste clipe é o seu ineditismo, já que a cada frame algo dele vai se desvendando. No começo é confuso, paradão, até chato, pois eis um exemplo de vídeo musical que não tem nada a ver com a música. Mas depois o quebra-cabeça vai juntando as suas peças, e o final é surpreendente.

10) Autoramas: Mundo Moderno

Acho que toda a verba para fazer esse clipe foi gasta apenas com a viagem da banda para Londres. Na verdade, esse vídeo é bem bobo: apenas mostra os integrantes fingindo tocar alguma coisa. Na TV não funcionaria, mas é a cara da internet.


11) Gui Boratto: Beautiful Life

Ué, não eram 10? Sim, mas eu não podia deixar esse clipe de fora. Meu irmão quem me mostrou pela primeira vez, e a idéia do vídeo é muito bacana e tocante. É o que eu sempre falo: para ter uma boa sacada não é preciso milhões de dinheiro, e o videoclipe está cada vez mais seguindo essa nova filosofia do audiovisual.


*Arcade Fire: My Body is a Cage (Menção Honrosa)

Quando eu vi esse videoclipe o meu queixo caiu. De quem foi a brilhante idéia de colocar essa música (que toda vez que eu ouço me dá um arrepio) com as imagens do clássico western Era Uma Vez no Oeste (1968), de Sergio Leone? A resposta: um internauta. Sim, esse clipe nem é oficial, o que o deixa ainda mais genial.

24 de dez de 2007

Shows no seu PC
Pô, impressão minha ou só eu não conhecia esse site Liveroom TV? Tipo, ele só passa shows ao vivo, com exclusividade, de bandas novatas ou artistas que não têm contrato com nenhuma gravadora.

É muito bacana. Dos shows que dá para ver na página – todos com imagem e som muito bons -, eu recomendo o da Kate Nash, que é ótimo. É super animado e fofo ao mesmo tempo, confesso que me surpreendi, apesar do CD de estréia dela ser muito bacana.

Também vale a pena dar uma conferida nos shows de Magic Numbers e Good Shoes. Até o casal brasileiro Tetine está por lá. Bem legal!

*A banda da foto é o Lesbians on Ectasy. São quatro garotas de Montreal que tocam um metal com eletrônico. O som é interessante, mas só coloquei a imagem delas porque o nome do grupo é sensacional.
No meu aniversário (9/8), eu me dei o Darth Tater


De Natal, os três mimos abaixo:













Estou pobre, mas estou feliz! =)

15 de dez de 2007

Entre Franz Ferdinand, David Bowie e Guilherme & Santiago

Na lista dos melhores CDs do ano, não posso deixar de fora o ótimo Radio 1 Established 1967, uma coletânea que a BBC fez para comemorar os 40 anos da Radio 1. A idéia é simples e funcional: chamar artistas do momento para interpretar grandes singles das últimas quatro décadas.

A grande diversão em escutar o CD é tantar adivinhar quem é o verdadeiro interprete de tal música. Acertei várias, algumas não fazia idéia, mas uma, em especial, deixou este blogueiro com insônia por várias noites: Sound and Vision, com o Franz Ferdinand.

"Hummm... essa melodia não me é estranha, e eu gosto muito dela! Pior, eu acho a versão original muito legal!", ficava matutando. Todo mundo sabe o que é essa ótima sensação: não lembrar quem canta tal música.

Mas, como sou cabeça-dura, consegui resisitir a dar uma procurada básica no Google ou perguntar para alguém. Vasculhei CDs empoeirados, tentei a sorte no iPod... nada. Quase duas semanas depois, já um pouco esquecido do fato, acabei finlamente ouvindo a verdadeira Sound and Vision. Foi ao acaso, ouvindo no ônibus um CD do David Bowie.

Pô, fiquei assustado! Não sou um grande conhecedor do Camaleão, gosto muito de umas 10 músicas do cara, e Sound and Vision nunca entrou nessa lista. Fiquei nervoso por alguns minutos, até me senti um pouco um bom entendedor de música, afinal, lembrar de uma canção do David Bowie é melhor do que, sei lá, saber o repertório musical inteiro do Claudinho e Buchecha (o que eu sei, cóf, cóf).

Porém, o meu lado brega falou mais alto na semana passada. Estava eu, andando pela rua, quando escuto de um radinho de pilha: "Sobre a luz do seu olhar se esconde um mistério/ Eu falo Sério!" Arrepiei. Era daí que eu adorava Sound and Vision! A música ganhou uma roupagem sertaneja sensacional, chamada Magia e Mistério. Na verdade, ela nem é uma versão - apenas o refrão da música caipira se utiliza da melodia do riff de Sound and Vision. Aí sim utilizei do Google para descobrir a quem é a dupla caipira que originalmente fez a versão, mas tem uma penca de autores: Guilherme & Santiago, João Bosco & Vinícius, Cesar Menotti & Fabiano... Quem souber, dá um toque, mas isso nem importa muito.

Então fica aqui a lição para Seu Jorge e Nenhum de Nós: aprendam abaixo como "traduzir" uma música de Bowie com catiguria:

8 de dez de 2007

Eu não entendo...

Quando eu assisti há um mês o ótimo show de stand-up Comedia em Pé, no Rio, no final da apresentação rolou uma brincadeira entre os comediantes. Foi um lance de improviso, meio Whose Line Is It Anyway. Cada um dos humoristas devia dizer algo que começasse assim: “Eu não entendo...”

Se eu estivesse no palco naquele dia, eu diria: “Eu não entendo as capas da revista Caras”.

Não, não estou falando de bizarrices do tipo Cid Moreira na banheira, mas dessa onda freqüente de fazer montagens que desafiam as leis da fotografia.

Assim: há algumas semanas, chamou-me à atenção a capa de Caras sobre o Grammy Latino. Ela mostrava, em primeiro plano, a cantora Ivete Sangalo com seu novo namorado bósnio, ou coisa do tipo. No meio de tanto artistas e shows, isso foi o que a magazine resolveu pinçar de melhor do evento musical.

Porém, estava na cara que a foto do casal foi tirada na entrada do evento, provavelmente no tapete vermelho, com aquele manjado biombo (sei lá o nome) atrás, que mostra o logo de todos os patrocinadores da festa. Colocar uma imagem assim na capa não dá, não é?

Mas aí, descobre-se que quem também se destacou no evento foi a Daniela Mercury, que se cantou ao vivo. Não tem nenhuma foto dela com a Ivete? Ora, dá-se um jeito. Pega-se uma imagem da Daniela cantando no palco e a deixa de fundo, colocando em primeiro plano a foto de Ivete com seu macho. A idéia é que o casal posou enquanto assistia a apresentação de Daniela. Pescaram?

Mas agora vamos falar um pouquinho de ótica: como que uma foto dessas saiu com foco bom no fundo e na frente? O certo seria a cantora baiana (Daniela, não Ivete), estar desfocada, já que a cantora baiana (Ivete, não Daniela) e seu namorado ucraniano ou coisa do tipo eram o objeto em foco. É um fotógrafo ninja ou não é?

Acho que só eu fiquei impressionado com essa montagem, já que a edição desta semana se utiliza da mesma trucagem: agora, uns cinco artistas estão no lugar que seria de Ivete, e Sting toma a posição de Daniela. Essa foto é ainda mais grotesca.

Veja abaixo como é a feita essa barbárie do design:




Você escolhe duas imagens que não têm nada a ver uma com a outra. Depois você pega as duas e cria a idéia de que elas foram feitas ao mesmo tempo




Pronto! Nasce uma capa bizonha!

OBS: Reparam que na foto original dos artistas há seis pessoas? Bem, como uma delas não é famosa, ela foi limada da foto que saiu na capa. O problema é que esse penetra estava abraçando a última mulher, vejam só. Daí, o jeito foi arrancar o braço do cara e inverter a imagem daTotia Meireles. Coisa fina. Lenin, o pai da trucagem, ficaria orgulhoso.

4 de dez de 2007

O presente

Uma das coisas que mais me irritam quando eu vou assistir a um filme brasileiro, é ter de ver na tela todos os milhares de patrocinadores da película. Lei do Audiovisual, Ancine (Agência Nacional do Cinema), Petrobras, alguma operadora de celular... Quando eu vi Tropa de Elite no cinema (pois é, no cinema), sem sacanagem: acho que foram mais de 5 minutos apenas com esse merchandising. Um cara lá do fundão até soltou um "Porra!", o que fez todo mundo cair na risada antes do pára-pá-pára-pá-páran-pan-pan.

Mas, enfim. Ontem eu assisti O Passado, e confesso que fazia tempo que eu não saia tão irritado do cinema. Não foi nem pelo filme – história legal, mas roteiro confuso - que eu fiquei bravo. Foi porque antes do filme começar, adivinhem só o que apareceu no telão? Pois é, isso mesmo que vocês estão pensando. Depois, em letras garrafais, surgiu "esse filme foi escolhido pelo Programa Petrobras Cultural".

Legal, beleza, nada contra. Tirando o fato que o filme é em espanhol e rodado em Buenos Aires (eles fazem questão de dizer que é uma produção brasileira e dos hermanos). Mas... não tem nada de brasileiro nele? É... tem sim. O diretor argentino Héctor Babenco é naturalizado brasileiro. O.K. Ah, Paulo Autran também faz uma pequena participação, mas falando francês! Certo. O único momento de algo tupiniquim meeeesmo é quando o tradutor interpretado por Gael García Bernal vem a São Paulo. Tipo, a cena não demora nem dois minutos, e um vendedor ambulante o ensina, em bom português, como comprar um óculos escuro paraguaio. Fino. Não acrescenta nada a história.

Se você for entrar no site do Petrobras Cultural, Ancine, Ancinav e o caramba a quatro, você vai achar tudo de um ufanismo absurdo. Tudo é feito para "contemplar a cultura brasileira em toda a sua diversidade étnica e regional". Ah, foi mal! Agora entendi porque O Passado entrou nessa história: Buenos Aires é hoje o que foi a Disney para os brasileiros há 10 anos. Está muito barato ir para lá, baita cidade legal e cultural. Melhor roteiro que o Nordeste, dizem alguns.

É dose...

Olha, desde que o grupo canadense Cirque de Soleil conseguiu incentivos fiscais para se apresentar no País, via Lei Rounanet (realmente, esse circo não tem grana e não se sustenta sozinho) achei que nada poderia ser mais tão cara de pau.

Achei.