29 de out de 2005

*1995 + 2005

No início de nosso namoro, ambos não tínhamos carro. Para sairmos à noite ou irmos a algum lugar, dependíamos de nossos pais e parentes. Parecíamos pré-adolescentes pedindo pra mamãe nos deixar no shopping e nos pegar à meia-noite. Carro eu não tinha, nem ela. Melhor, ter ela tinha: um Citroën ZX, ano 95.

Tal veículo era o queridinho da família dela. Motor 2.0, direção hidráulica, quatro portas, ar-condicionado... Uma gracinha. E foi com ele que ela teve suas primeiras experiências ao volante. No início, papai e mamãe eram temerosos. Só deixavam-na guiar se um deles estivesse ao lado, supervisionando tudo; desde uma brecada mais brusca até a uma marcha mal engatada. Um dia ela os convenceu que merecia uma chance de poder se livrar das correntes de seus progenitores. Ligou para o namorado e disse empolgada: "Hoje vamos sair só nós dois, de carro".

Eu estava mais nervoso que ela. Após pegarmos um DVD na vídeo-locadora, ela não viu um Ford Ka frear e pimba! Amassetou a traseira do coitado. Chorou muito, disse que jamais iria voltar a dirigir - o que não funcionou. O carro foi para o conserto e voltou todo brilhante. Aliás, aquele Citroën era problemático. Constantemente ele morria sozinho, dava pane na bateria... "Está ficando velho", diziam os verdadeiros amigos à sua mãe. Mas ela não escutava; aquele carro azul era o xodó dela.

O carro era todo arranhado nas laterais e na frente - fruto das barbeiragens da namorada, que se perdia toda ao tirar o carro da garagem do prédio. "Esse raspado é novo?", eu ironizava. Ela ficava uma arara. "Ao menos eu dirijo!", eu ouvia como resposta. Dirigi a Máquina Mortífera, apelido da carcaça, apenas uma vez, fazendo uma baliza. Não confiava naquele bicho de jeito nenhum. Teve uma vez que ele fazia tanto barulho que parecia uma carroça velha. Novamente foi para o mecânico, que diagnosticou o paciente: "Esse não vai durar muito não".

E foi nessa fatídica quinta-feira à noite que tudo aconteceu. Após pegar a irmã no clube, ela vinha tranquilamente pelas ruas dos Jardins, quando uma fumaça começou a sair de dentro do capô. Tentou seguir até a sua casa, mas não deu tempo. A fumaça deu lugar ao fogo. Puxou o freio de mão e saiu correndo, de pijama e tudo. Os transeuntes que circulavam pelo local tentaram ajudar, ligando para o corpo de bombeiros, mas não havia mais salvação. Eram pouco mais de nove horas da noite quando o Citroën ZX, ano 95, a Máquina Mortífera, deu seu último suspiro.

Até essa manhã de sábado ele ainda se encontrava parado, no mesmo lugar em que ficou antes. Suas peças aproveitáveis serão vendidas, o resto vai para o desmanche. Realmente uma grande pena. Sentirei falta de quando eu sentava no banco do passageiro e ficava dando risada quando a namorada, vendo que o carro morria sozinho a cada minuto, dava um murro no volante e se descabelava gritando para si mesma: "Eu odeio esse carrooooo!".

Mas eu o achava um barato.

27 de out de 2005

Ato falho

São exatamente sete horas e trinta minutos de uma manhã de quinta-feira. Enquanto chegava à faculdade, bocejando e tirando remela do olho, passo pela banca de jornal. Como sempre, dou uma bisbilhotada nas revistas e manchetes dos jornais. Passo o olho rapidamente e tomo um susto. Forço a vista e realmente leio aquilo que eu vira:

"Júnior assume para a mãe que é gay"

Caramba!, penso. E não é que o irmão da Sandy resolveu assumir mesmo? Bom para ele, que sempre levantou suspeitas por aí. Puxo a magazine daquele bolo e vejo do que se fala a matéria, de fato. "Júnior assume para a mãe que é gay". Era outro Júnior, aquele personagem da novela América. A tal revista era uma de fofocas, cujo nome não vem à cabeça agora (acho que era Minha Novela, isso existe mesmo?).

Bom dia, Gustavo!

24 de out de 2005

E deu Arcade Fire!

Com o dedo de volta ao normal, relato aqui como foi a minha excursão à Arena Skol Anhembi, onde os paulistanos puderam conferir uma mini-versão do Tim Festival. Teve do mangue-beat do Mundo Livre S.A., que eu não vi e escutei da rua, à cingalesa M.I.A, ao super Arcade Fire, até os cowboys de calças extremamente justas do Kings of Leon. Ah, e teve Strokes.

Primeira impressão: abundância de pessoas com jaquetas da Puma, jeans surrado e tênis All Star. As garotas pareciam ser do Cansei De Ser Sexy, com franjinhas e óculos de aro grosso. Os homens, vinham com uma aparência sujinha fabricada em casa. Mesmo pessoal que se trajou de vermelho e preto para os irmãos White ou passaram lápis nos olhos para apreciarem o Placebo.

Arcade Fire fez o melhor show da noite. Minha opinião é meio que imparcial, já digo logo. "Funeral" é o álbum mais sensacional do ano, e ninguém naquela arena mostrou ter tamanha presença de palco. Trocando de instrumentos entre eles mesmos, o pessoal do Canadá fez muito fãzinho tonto do Strokes calar a boca. Bastou a terceira música para neguinho dar a mão à palmatória. "Puta banda!", ouvia. Rolou até uma versão deveras estranha de "Aquarela do Brasil". Pena que a qualidade de som estava horrível. Muito baixo, abafado, distorcido. Um cocô. Show performático e hipnotizante. Bonito que dói!

Só estou lendo neguinho descendo a lenha na M.I.A. Poxa, eu gostei! Foi maior animado, as batidas são feitas para mexer a cadeira, e ela parecia um gafanhoto, de tanto que pulava. Rolou um certo preconceito por parte daqueles maconheiros detestáveis que vão a um show para fazerem baderna, berrar, empurrar.. 10 Dollar, junto com o hit Bucky Done Gun animaram mesmo. Até a minha amiga que foi de muletas não resistiu.

Kings of Leon foi morno. As músicas são bacaninhas, mas soa tal como o CD. Não mudam um acorde, não conversam com o público... Broxante. Strokes foi legal, com o Julian bebadaço que só ele. Ele vai muito ser o Ozzy daqui uns 30 anos. Já anda igual ele e balbucia idem. O Fabrício, como no Rio, saiu da bateria no final do bis, foi ao microfone e emendou um "Boa Noite, irmãos brasileiros".

Torrei meu dinheiro comprando cachorro quente a seis reais e refrigerante a quatro pilas. Depois eu só dormi três horas porque às sete horas da manhã eu tinha prova de "Teoria da Comunicação".

Suuuper...

20 de out de 2005

Postando com as duas mãos não dá

*Eu escrfewver hpoje, maas nom mmwento me endnonmtro aqui, com uma tala metalçica dm mu dedo anular euesodo, graçaas a um infofmtunio ocorrio onem à noitew, um em partids de abola ao cesto.

Sap:

Eu ia escrever algo hoje, mas no momento me encontro aqui, com uma tala metálica em meu dedo anular esquerdo, graças a um infortúnio ocorrido ontem à noite, em uma partida de bola ao cesto.

*Volgo em bwvwe!

Volto em breve!

17 de out de 2005

Eu vou para o inferno...

(Minha mãe liga para cá):

- Nossa, Gu! Você viu o caso da USP?
- Do assassinato?
- É, você não achou um absurdo? E ainda são estudantes de Jornalismo!
- ...
- Você não tem medo disso?
- Acredito que não tenha ninguém da minha sala querendo me esfaquear, viu!
- Isso é um horror, um absurdo!
- Ah, pelo menos agora vão abrir mais duas vagas para transferência, né?

13 de out de 2005

Parem, por favor!! O que eu fiz de errado?!


Você ficou sabendo??? Uma bomba!!! Clique aqui e veja você mesmo!!!!!! Vai explodirrrrrr:

BUUUMMMMMMMMMMMMM!!!

Ah, eu pego quem inventou esse Orkut. Mas eu pego...

12 de out de 2005

Hoje é 12 de outubro,


Dia de Nossa Senhora de Aparecida e Dia das Crianças.

Eu, que tenho 20 anos de vida, adoro quando esta data chega, pois a minha avó, do jeito que só ela é, vem com um dinheirinho na mão e entrega para mim e para o meu irmão, de "apenas" 22 aninhos.

"Feliz Dia das Crianças!", ela diz, entregando-nos aquela pequena lembrançinha, após dar um beijão na bochecha de seus únicos netos.

Agora me respondam, invejosos de plantão: existe algo mais gostoso nessa vida?

9 de out de 2005

Um verdadeiro vencedor


Meu irmão sempre foi melhor esportista do que eu. Mal ele aprendeu a andar e já estava trajando um kimono, derrubando garotinhos nos tatames do interior paulista. Sua prateleira tinha troféus, seu armário era lotado de medalhas - havia, inclusive, aquela famosa pasta de recortes feita pelas mães fãs número 1, com manchetes de jornais e fotos de premiação. E ficava na casa de vovó, tomando Toddy na mamadeira e assistindo Kobi no Glub-Glub.

Eu também queria ganhar uma medalha, mas só para exibir no meu quarto, tal qual meu mano. Uma vez, em um torneio bobo realizado na própria academia de judô, ganhei uma medalhinha de prata simbólica pelo o meu esforço. Foi mais que suficiente. Um mês depois eu não queria mais saber de ficar me agarrando com moleques mais pesados do que eu.

Daí eu fui para o futebol, para desespero de mamãe, infeliz com a minha escolha. Como o Romário, nunca fui de treinar e sim de jogar. Por isso eu nunca era escalado no time titular, por birra do treinador. Só entrava para fazer número. O máximo que eu consegui foi dando um pontapé no adversário. Ganhei um cartão amarelo, algo raro entre jogos de crianças de 10 anos.

Mas meu ápice foi em um aniversário de um filho de um amigão de papai. O garoto era tão mimado que seu progenitor fez a sua festa em uma chácara que tinha um campinho de futebol e tudo. Tinha tanto moleque lá que houve um mini-campeonato de futebol, com direito a troféu e medalhas. O aniversariante estava no meu time e o juiz era o meu pai. Ou seja, não tínhamos como perder.

E fomos ganhando partida após partida. Eu era o caçula do time, ficava na lateral-direita, guardando posição. Até um poste tinha maior mobilidade que a minha. Fomos para a final após um jogo duríssimo e muito contestado pelo outro time (meu pai não deu um gol legítimo, que batera no travessão e entrara).

Na última partida, decisão por pênaltis. Eram três batedores de cada lado, e era óbvio que eu desperdicei a minha cobrança. Devia estar no "Hall da Fama", por ter sido o único cara do mundo a cobrar um pênalti para a lateral do campo. Fomos campeões mesmo assim, graças a meu irmão, que defendera o último penal (sim, ele era o goleiro). O aniversariante, capitão da equipe, levantou o troféu e fizemos a festa. Mas com quem ficaria o troféu, afinal?

Óbvio, que por ser uma brincadeira infantil, ninguém quis brigar por isso. Quando o pai do aniversariante já estava levando a taça para dentro da casa, algo tomou conta de mim para gritar: "Ei! Eu quero o troféu!". E todos olharam para mim, mas eu nem dei bola. Peguei aquele pedaço de latão e enfiei debaixo do braço. Não deixei ninguém tocar nele até o fim da festa.

Hoje ele está guardadinho, em meu armário. Meu primeiro e único troféu. Digo com orgulho que sou campeão de futebol da primeira edição da Taça Rafael Singh.

6 de out de 2005

Só aquecendo

Voltei à academia. Isso acontece comigo sempre. Faço uma semana, descanso a outra, me machuco na próxima e depois eu retorno. Vou malhar, por mês, somente uma semana. Ridículo.

Há uns três anos meio braço era fortinho, o tríceps saltava quando eu coçava o cocuruto. Mas eu continuava fracote, e vivia perdendo dos meus amigos nos braços-de-ferro da vida. Agora meu braço é mais fino que o do Salsicha. Está até meio flácido. Dou um "tchau" contido para o pessoal, pois quando aceno a pele debaixo do muque balança. É vergonhoso.

Daí eu voltei a fazer exercícios na segunda-feira. Até corri na esteira! Fiz umas barras e, até ontem, doía até para eu me enxugar com a toalha. Hoje, por motivos inexplicáveis, voltei ao recinto. Corri 20 minutos na esteira, empolgado com um rap do Rappin´ Hood com o Jair Rodrigues. Pulei da esteira, tomei água e fui fazer exercícios para as costas. Aquelas coisas.

Enquanto eu puxava aquela barra (acho que o exercício se chama Pulley) e inspirava e expirava feito um condenado, ao meu lado senta uma guria de no máximo 14 anos. Um palito. Ela repete tudo aquilo que eu faço. Puxa a barra até os ombros com o pescoço abaixado e faz uma cara de sofrimento. Detalhe: ela consegue levantar mais peso do que eu.

Enquanto descansava para a próxima série a ser repetida, a garota olha para os meus míseros quatros tijolinhos de carga e solta:

- Tá fraco, hein?

Fiquei puto. Subi mais quatro tijolos e respondi em tom de desafio:

- Que nada! Isso é só o aquecimento.

PS: Gente, é normal não sentir mais os braços?