28 de dez de 2004

O último do ano


Eu tinha prometido a mim mesmo que tiraria umas férias deste blog. Jogá-lo pra escanteio, sabe? Mas não adianta - maldita mania de escrever sobre tudo o que sinto, vejo e penso. Sou blogholic (Guimarães Rosa, morra de inveja de meus neologismos!).

Tive um ano muito bom, e pra lá de diferente. Assim que soube que moraria em São Paulo, após passar na PUC, mal contive a alegria. Planos e sonhos a serem conquistados. A oportunidade estava em minhas mãos. E fiz, fui à luta. No intervalo desta batalha, conheci alguém que mudou a vida do guri que vos escreve. Tal pessoa me fez ficar mais maduro e pé-no-chão - menos cabeça-dura também, não esquecendo de mencionar. Foi, e é, algo muito especial. Namorada querida e fofa, amo-te.

Lidar com as energias negativas e focos de inveja não foi fácil. A faculdade foi algo, até certo ponto, frustrante. Brigas ridículas e muita coisa ruim comentada pelas minhas costas. Máscaras caindo, amizades desfeitas. Falsidade. Magoa, lógico, porém fortalece - e muito. Em diversas aulas assistidas eu comentava bem baixinho: "O que raios estou fazendo aqui?". Chateação por minha parte.

Tentei conseguir um estágio, e até fui chamado para algumas entrevistas. Ouvi vários "não" e muitas esperanças foram quebradas. Quando consegui meu primeiro emprego, a felicidade era tanta, rapaz! E hoje, cá estou eu, brigando todo dia com a empresa, reivindicando aquilo que estava explícito no contrato assinado. "Dá para me pagarem, por favor?". Ah, Jornalismo. Espero que tu me reserves muita coisa boa por esse caminho que vou trilhar. Confio em ti, amigo meu de tantos anos.

Para todos os benfazejos que existem em minha vida, espero que 2005 seja bom, tal qual 2004 foi. Não será moleza, tenho consciência disso. A cada baque que eu levar, vou procurar me levantar, partindo pra outra batalha. Toda essa energia negativa que vá para bem longe. O esquema é nunca desistir, molecada.

Agora vou deitar em minha rede e só volto daqui algumas semanas. Ciao!

22 de dez de 2004

Então é Natal...

Natal tem lá as suas coisas legais. As ruas enfeitadas, cheias de pisca-pisca. Natal é uma época em que o pessoal desencana da conta de luz, já perceberam? Na casa da minha avó chega a haver uma competição entre os prédios. À noite, isso aqui parece Las Vegas, de tão iluminado. Só faltou aquele cowboy da Camel soltando baforadas.

Natal é a época predileta dos gordinhos - junto da Páscoa, óbvio. Papai Noel recheado é bem gostoso. Pegar a cabeça do Bom Velhinho e nhac! Sentir um gostinho de creme. Peru, chester e tender rolam a vontade. Não sou muito fã daquelas frutas caramelizadas, sabe? Figo com não sei o quê, abacaxi com molho de outra coisa. Panetone nem se fala: simplesmente horrível! É amargo, sem gosto, não fede nem cheira. Os pobres economizam o ano inteiro apenas para saborearem o maravilhoso panetone da Bauducco. Eca! Ninguém merece uva passa. Para os enjoados, existe a salvação: o Chocotone. Também não gostei, Panetone é ruim de qualquer jeito.

Não sou ovelha negra, mas também não sou fã do cara do Pólo Norte. Quando brejeiro, odiava ter que pedir presentes para ele. Ia com um baita mau humor. Preferia olhar as pernas de suas ajudantes, as noeletes. Simpáticas e de mini-saias, não tinha como não se apaixonar por elas. Aliás, não me recordo de acreditar em Papai Noel. Que criança mais infeliz eu fui.

Natal é bom para ganhar presentes. Em época de vacas gordas, recebia vários. As várias meias e cuecas dadas pela tia Noêmia foram de bom agrado durante anos. Hoje, devido à crise, o pessoal prefere o amigo-secreto. Gasta-se em apenas um presente e todos saem felizes - menos a economia. Repare como alguns presentes vivem em voga: ano passado todos davam o CD da Maria Rita; em 2004 é bacana presentear alguém com O Código Da Vinci.

Eu gosto de Natal, veja só. O pessoal fica mais alegre, aquela tal sensação de união parece que volta. É pretexto para rever os amigos, os primos pentelhos e as tias gordas e encalhadas. O que mata é ouvir a Simone no Faustão cantarolando: "Então é Natal...".

Desejo a todas as pessoas que me agüentaram durante esses meses, um ótimo Natal. Trepem, comam peru e o malfadado Panetonne. Não façam cara feia ao se depararem com a Sidra Cereser comprada com tanto carinho pelo teu avô, pois, afinal, é Natal!

Agora, só ano que vem.

16 de dez de 2004

A vergonha passa longe

Não sei se digo que é um motivo de orgulho ou de vergonha, mas sou um belo mentiroso. Tento ser como o das antigas, que age na improvisação e na malícia. Ah, às vezes é ótimo dar uma bela mentirinha. Sem maldade alguma, é claro. Apenas para uma, digamos, auto-satisfação.

Na escola era demais, até no primário eu já dava as minhas. Recordo-me que quase todo o final de dia, para ir embora mais cedo, enrolava a professora. "Tia, posso ir ao banheiro? Estou apertado", perguntava, contorcendo as pernas. Ao ser liberado da sala, pegava a minha lancheira e descia correndo as escadas. Pegava a primeira perua escolar que me aparecesse, sem titubear. A professora era muito tapada ou eu tinha cara de pau mesmo, pois não sabia inventar outra lorota a não ser a famigerada desculpa do banheiro.

Conforme o tempo, fui me aprimorando. Já na quinta-série, a Lígia, minha professora de Português, era uma baita ditadora. Nem ao bebedouro ela deixava os alunos irem - menos eu, óbvio. Bom aluno (apenas em Humanas, como todos sabem), eu tinha a artimanha do aparelho ortodôntico. Minha mãe me obrigava a andar pra cima e pra baixo com uma escova e pasta de dentes, a fim de que eu pudesse contribuir na limpeza dos ferrinhos. Eu não fazia isso, né? - somente nas aulas de Português (a professora achava isso). "Professora, tem um pedaço de pão no fundo dos dentes e, como tenho que colocar o aparelho, preciso sair para escovar os dentes. Posso?". Ela consentia, é lógico. A cara de santo também ajudava.

Na faculdade, ser mentiroso é questão de sobrevivência. O meu irmão, por exemplo, vive às turras com aquele indivíduo que existe em todo ambiente de ensino: o professor filho-da-puta. O cara, o meu irmão, já está de férias - menos em uma matéria: a do professor. Precisa ir sexta-feira até Campinas fazer uma prova ridícula, e vai ter que esperar até às 11 e meia, término do curso. Não sabe o que fazer para sair mais cedo. Eu logo ajudei, sugerindo uma desculpa muito boa: a da hemorróida. "Fala que vai operar urgentemente, que está doendo pra diabo!", aconselhei. Até o Maluf teria sentimentos frente a um caso desses.

O tonto, o meu irmão, não gostou. Tem vergonha de usar a palavra "hemorróida". Indiquei outra falácia, também relacionada à cirurgia: a septicemia. Professor de engenharia, nem vai saber do que se trata, mas vai julgar como algo sério. O retardado, o meu irmão, gostou - embora também não saiba o que há por trás da palavra de cunho médico.

É que ele, o meu irmão, tem vergonha das coisas, e um mentiroso, para começar, tem que ser desavergonhado, já dizia vovô. Como um bom mentiroso, diria ao meu mestre: "Profi, libera mais cedo? Vou fazer uma cirurgia no pingolinho, está doendo horrores para mijar, e tu sabes a emergência dá parada, não é?".

Septicemia é isso aí. Coitado do "operado", o meu irmão.

14 de dez de 2004

O que tocou em 2004


Falem o que quiserem, mas 2004 foi um ótimo ano musical. Revelações e mais revelações pipocando por todos os lados; o rock, pelo que parece, está voltando ao básico e deixando de lado aquele treco do new metal; uma maravilhosa menina loirinha de 17 anos conquistou o mundo inteiro com a sua voz de negona e os hinos gays voltaram a todo o vapor. 2004 foi pra lá de bacanudo!

As duas bandas que eu conhecia por apenas algumas músicas fizeram, neste ano, um baita sucesso - inclusive em terras nacionais. The Darkness e Jet foram, segundo o voto do Gugu, o melhor do ano, produzindo um rock finíssimo. Os australianos do Jet seguem a cartilha básica de Stones e The Who, já os primeiros usam do humor britânico e escrachado pra fazer de cada música um motivo de festa. Eles são sensíveis, acreditam no amor, porém são capazes de cantarem uma pérola natalina com o refrão: "Não deixem os sinos baterem". No The Darkness sempre rola um duplo sentido a cada letra.

Franz Ferdinand é dono de um dos cds de estréia mais animados. Refrões que grudam e riffs feitos para pular. Impossível não pegar aquela guitarra de "Take Me Out" - a melhor disparada - e mandar um legitímo air guitar. "Michael" é outra maravilhosa, e deveras gay. Dá vontade de estar junto ao garoto da música, e dançar a noite toda com o rapaz.

Falando de canções coloridas, como não se divertir com Scissor Sisters? A banda tão querida pela Rafaela é dona do visual e das letras mais empolgantes de 2004. "Filthy and Gorgeous" será o futuro hino das bibas. Voltemos aos anos 80 e ululemos com os hinos gays. Influências de Depeche Mode, New Order e Pet Shop Boys à vontade. Até o Prince está de volta!

O esperado "Hot Fuss" do The Killers já está à venda (alguém me dá de Natal?). Sensacional e estupendo. Não há uma música ruim sequer. O álbum vai solto, passa rápido, tal qual o último da coisa mais legal vinda da Suécia - depois do Abba, é lógico: The Hives. O novo da Joss Stone eu ainda não ouvi, e dizem ser bem jóia. Se supera o esplendoroso "Soul Sessions" eu não sei, mas que a pirralha gostosinha anda com tudo, ah, isso ela ta.

Por aqui, o Seu Jorge é rei. O Mané Galinha cantarola até em comercial de cerveja! A Maria Rita fez um dos shows mais bonitos que eu vi; o Gram mostra que também sabe falar de sentimentos, e todo mundo resolveu fazer vídeo-clipe de animação. Se já não bastasse o CPM-22, nasceu o seu genérico: Dead Fish, que é tão ruim quanto.

E o que falar do Latino que, do nada, vira hype? Bunda lelê no apê, rapaziada!

10 de dez de 2004

Celebridades paulistanas


Esse ano foi demais: nunca vi tanta gente famosa em minha vida. Andar pela Avenida Paulista e trombar com um músico até famoso, passear de carro e ver uma ex-participante de reality show a poucos metros. Coisa fina, nego. Só gente do primeiro escalão da fama!

Lá em Sorocaba é uma porcaria. Os filhos pródigos daquela terra são: o Fat Family, um cantor do Br'oz, o Paulo Betty e aquela Viviane que fez um Big Brother. Nada mais. Parece que a cidade anda super orgulhosa de ter gerado a mulher mais sexy do mundo: Alinne Moraes. Aquela magricela bocuda e mina do Mau Mau? É bonitona, mas nada demais, poxa!

Em São Paulo é diferente. Aqui sim há personalidades. Quando eu imaginaria que eu estaria no mesmo ônibus que um cara do Hermes e Renato? Porra, o cantor do Massacration ao meu lado! De fone de ouvido e segurando uma guitarra - deveria ter pedido para ele cantarolar "Metal Popcorn". Sensacional!

A Mariana Kupfer eu vi duas vezes. Toda arrumada, cabelo impecável e armado. Moça de pedigree, está pensando o quê? O guitarrista do Tihuana, vulgo Seu Ronaldão, passeava de bicicleta pelos arredores dos Jardins outro dia. O Pampa, medalhista olímpico em Barcelona e frustrado candidato a vereador, estava assistindo tranqüilamente a um São Paulo e Corinthians nas numeradas do Morumbi. Nem parecia alguém famoso.

Se Pampa não foi eleito, avistei dois vereadores paulistanos: o petista José Américo e Ademir da Guia. O primeiro mostrou-se um babaca completo (foi dar palestra na minha sala) e o ex-jogador palestrino foi visto por minha pessoa fazendo compras pertinho da PUC. O "Divino", rapaz! Ídolo de nossos avôs, saudosos do bom futebol.

O filho da Marília Gabriela, que dizem ter um caso com o Gianecchini, estava no Bristol, acompanhado de um rapazote, na primeira fila de uma sessão do filme Contra Todos. Babado forte, gente: era o filho da Marília Gabriela!

7 de dez de 2004

Fidelidade do povão


João Kléber é sensacional! Que os censores e críticos de merda me perdoem: João Kleber é sensacional! Quero que alguém me diga um outro apresentador com a manha de fazer o telespectador ficar 20 minutos sem mudar de canal, apenas repetindo frases de efeito: "Atenção, olha o que vai acontecer agora!"; "Algo sensacional e diferente vai aparecer em dois minutos!". O sujeito manipula nossos olhos. João deve orgulhar o mestre nisso: o rei Silvio Santos.

Ontem me deflagrei assistindo ao tal "Teste de Fidelidade". Jamais tinha visto; é muito legal! Uma modelo de levantar a torcida do Flamengo era o pecado em corpo. Mulher de verdade, sabe? Aquela pendurada na parede com orgulho pelos mecânicos tupiniquins. Fazia da "cobaia" um mero babão. A cada avançada do apressado ela retrucava, perguntando da namorada. João Kleber dá altas gargalhadas, a namorada fica aflita e desce à lenha no, agora, ex-namorado. Detalhe que o jogo de sedução nunca passa de certo ponto. A mulher chega a beijar o cara na boca (não imaginava isso) e faz um cu doce de primeira. A audiência não desgruda o olhar. "Será que ela vai tirar o bustie?" , pergunta, aflito, o jovem tarado de 15 anos.

Se não estou enganado, João sempre leva pra casa aquele troféu de pior apresentador da televisão brasileira. Dizem que ele dá mau exemplo, é canalha, joga sujo. Dizer isso é muito clichê! João mostra um puta retrato da sociedade brasileira. O traidor afirma que é homem, por isso estava dando uns pegas na outra. Caso não o fizesse, afirma, seria gay (?). O mesmo discute com a platéia, num momento meio Jerry Springer. É até engraçado, visto que a platéia é super eclética: de nordestinos arretados a travestis espalhafatosos. E todos desejam aparecer, lógico. Quer algo mais popularesco que isso?

João apenas ri, dialoga com aquele sentado em frente ao televisor. Ele tira sarro de quem fica sujeito as suas manipulações. Ganha dinheiro fácil, escrachando com tudo e com todos. Daqui alguns anos ele será cult, tal qual Chacrinha é hoje.

2 de dez de 2004

O meu primeiro beijo vai casar

Já cansei de escrever sobre o Orkut, mas prometo que esta será a última vez. Palavra de escoteiro, ou como o diria o grande Filippe: "Eu juro pela minha mãe com um negão atrás da porta".

Estava eu, xeretando os profiles de algumas pessoas e eis que levo um susto. Acontece aquele momento hollywoodiano, de segurar o grito tapando a boca com uma das mãos. Ah, não acredito que seja ela! , duvido. Vejo novamente e vem a constatação: achei no Orkut a primeira menina em que dei um beijo.

Rapaz, já ouvi estórias de gente que teve o primeiro beijo na chuva, no ponto de ônibus e naqueles jogos bacanas de pivete: o famigerado "Verdade ou Desafio". O meu foi numa praça, pertinho de casa, meio longe da civilização. Foi escondido e horrível! A garota tinha uns dois anos a mais que eu, e, acreditava piamente, que ela me desse umas aulinhas sobre a arte do ósculo. "Um põe a língua cá, mexe acolá, puxa daqui, brinca de lá". Nada, ela era pior do que eu.

Comecei tarde, muito tarde. Foi aos 15 anos. Pressão dos amigos, que faziam do possível ao impossível para queimar o meu filme. A guria era tímida que doía, tadinha. Tornava-se um tomatinho a cada brincadeira de meus "melhores" amigos. Era bonitinha, tinha um quê de especial que chamara a minha atenção. Era monossilábica e ficou a fim de mim. Foda-se, pensou o macho que vos fala. Ou era com ela ou não seria nunca (aos 15 anos, um certo ar de pessimismo pairava sobre a minha pessoa).

Gente, vou lhes contar: alguém já beijou alguém que cerrasse os dentes? Tal qual uma criança fazendo careta para não tomar o xarope? Foi assim, um desastre completo. Eu, empolgado com a situação, tentava de todas as maneiras dar o meu primeiro beijinho de língua. Mas não dava, a menina montou uma "barreira com os dentes" impossível para qualquer atacante perfurar -nesse caso a minha querida língua. É, foi assim o meu primeiro beijo.

Não me senti mais homem depois de tal momento. Achei meio estranho, mas gostara. Como um bad boy, nunca mais olhei para a cara da coitada (fui muito escroto). Ela deve ter chorado, feito vodu, desejado a minha morte. Parece que ela arranjou um namorado uns dois meses depois de nossa "relação". Fiquei feliz por ela.

Voltando ao Orkut, parece que a tal menina está noiva. O noivo? O rapaz mencionado acima. Como o tempo passa, gente...